Luan Richard

Luan Richard

Viver da profissão de músico… Esse era o sonho de Luan Richard que se tornou realidade.

Nascido em um ambiente totalmente musical, Luan teve uma infância rodeada por muita música e boas influências vindas de seu pai baterista Carlos, seu irmão tecladista Michel Henrique e sua mãe cantora Rose Guilherme, onde sempre recebeu muito incentivo para buscar na música o seu sustento e sua felicidade. Sua carreira musical teve início aos oito anos de idade, quando participou pela primeira vez em um pequeno festival de música promovido pela Biblioteca Braile no Centro Cultural São Paulo. A partir dali, Luan já sabia que seria esse o seu futuro.

Aos 12 anos de idade, Luan começou a se apresentar frequentemente em pequenas confraternizações de funcionários de empresas. Gravou seu primeiro CD promocional, sob arranjos do irmão tecladista Michel Henrique, dando palpites na produção, realizada em São Paulo. Aos 18 anos mudou-se para Porto Alegre – RS, alavancando sua carreira com seu segundo CD – promocional, vendido em suas apresentações no centro da cidade, seu trabalho chegou a mil cópias vendidas.

Veio então seu CD, totalmente gravado em um Home Studio na sua casa, sendo responsável por toda a produção e elaboração do trabalho. Aos 23 anos, após a venda de 3.500 cópias de seus três discos, Luan lançou mais um trabalho com o apoio do cantor Sandro Coelho.

Atualmente, Luan Richard é um artista de rua bem-sucedido. Paralelamente às suas apresentações, vem se especializando em fazer a trilha sonora de diversos tipos de eventos e confraternizações, empresariais e particulares, através do público que o acompanha. Devido a essas apresentações, surgiram diversas oportunidades na mídia, como:

De volta a sua terra natal (São Paulo), o cantor começa a conquistar espaço na noite paulistana se apresentando em bares da capital. Tendo seu trabalho reconhecido pelo meio musical através de sua execução e seus trabalhos como arranjador ele assumiu os teclados da banda Tribo de Jah como integrante, faz shows no Brasil inteiro. E continua se apresentando em eventos e bares com grandes sucessos da Música Popular Brasileira que já não tocam mais em nossos rádios, mas que habitam os lares dos saudosistas amantes da boa música assim como também aquelas músicas que estão em evidência nas mídias mais populares do país, onde confessa sua paixão pela proximidade com o seu público!

Segue abaixo entrevista exclusiva com Luan Richard para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 19.02.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Luan Richard: Nasci dia em 03.10.1991 em São Paulo – SP. Registrado como Luan Richard Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Luan Richard: Venho de uma família de músicos, então acredito que o meu primeiro contato com a música foi antes de nascer. Quando ia aos bares na barriga da mamãe, mas, minhas primeiras experiências no ramo musical foram em torno dos meus 6 anos de idade, cantando em concursos, e amostras de talentos de algumas entidades ligadas a cultura.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Luan Richard: Concluí o Ensino Médio em escola regular, nenhuma formação musical específica, sou autodidata. E por mais que já tenha tentado incursões em outras áreas, só a música é quem me aceitou, assim como sou, então resolvi não questionar muito.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Luan Richard: Minhas influências foram das mais amplas o quanto foi possível. Eu cresci ouvindo desde a Jovem Guarda a música Sertaneja, de música Clássica a Rock Metal. Nenhuma dessas influências deixaram de ser importantes, pois é através delas que construo minha assinatura musical em tudo o que faço. E mesmo trabalhando em algum estilo musical específico, gosto da mistura e de aproveitar o que tem de melhor em cada um para assim buscar um som original.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical? Você está em qual banda?

Luan Richard: Minha carreira musical começou em 1997, quando pela primeira vez, participei de um evento no Centro Cultural São Paulo, cantando, e sendo acompanhado por meu irmão Michel Henrique ao teclado. A partir daí esses eventos foram se tornando cada vez mais frequentes. E assim foi se dando meu desenvolvimento com diversos instrumentos, tendo como destaque: Guitarra, Violão e paralelo o Teclado. O Teclado só me despertou um maior interesse bem mais tarde, quando comecei a trabalhar com produção musical. Hoje sou tecladista da banda Tribo de Jah e de diversos outros projetos como produtor e arranjador.

06) RM: Cite os CDs que você já participou tocando teclado?

Luan Richard: Logo que comecei o trabalho como produtor musical tenho espalhado por aí uma infinidade de arranjos musicais que eu mesmo executei. E outros que apenas fiz o arranjo para outros músicos tocarem. E esses trabalhos vão se multiplicam em músicas tradicionais, gospel, propagandas, vinhetas entre outros. Ficaria difícil destacar algum em específico, mas posso dizer que em todos os trabalhos da Tribo de Jah a partir de 2018, tive a honra de participar nos arranjos e nas execuções dos teclados.

06) RM: Como é o seu processo de compor?

Luan Richard: Meu processo de composição acredito ser mais simples possível, afinal, costumo dizer que amo música e não programação. O que quero dizer com isso, é que, vejo uma grande galera preocupada com que timbre, qual plugin e qual programa é melhor, etc, etc. E a música acaba por ficar em segundo plano, eu sempre busco qual o melhor equilíbrio entre tudo isso e executo o meu trabalho.

07) RM: Quem tem a ideia de criar um grupo no WhatsApp e canal do YouTube reunindo os tecladistas que atuam na cena reggae? Quais os projetos que já foram realizados e quais os projetos futuros?

Luan Richard: O André de Oliveira que é Tecladista e Vocalista da banda “Divina Semente” de Mossoró Rio Grande do Norte. Foi ele quem teve essa iniciativa, até o momento nós produzimos nosso primeiro single instrumental “Stay Home”.

08) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Luan Richard: Só vejo pontos positivos já que através dela tenho a oportunidade de poder chegar a mais ouvidos, atingir mais pessoas, não tenho do que reclamar.

09) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Luan Richard: Gosto da ideia de quão a democracia digital pode ser positiva na vida de nós músicos. Mas quando falamos de produção musical, o que me preocupa em relação a facilidade de acesso as coisas, é, justamente, a falta de cuidado, zelo e carinho com os quais a turma tem tratado seus trabalhos. Achando que a coisa funciona de maneira extremamente fácil e que as coisas funcionam como uma receita de bolo, onde você pratica uma fórmula e tudo se resolve como num passe de mágica. Não quero aqui meter mala e dizer que as coisas são infinitamente difíceis, porém, nada acontece de uma hora para outra. O fato de você ter um programa e 5.000 instrumentos virtuais na sua mão nunca significará que você não precisará ter muito trabalho e estudo para chegar a um resultado bacana.

10) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Luan Richard: Como toco em bares e eventos. O que mais tem é situação adversa. De gente pedindo para eu tocar alguma música que acabei de tocar, a cerveja virada em cima de equipamento!

11) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Luan Richard: O que me deixa mais feliz é atingir as pessoas de alguma forma. A magia de poder conversar com os sentimentos de alguém sem ao menos conhecer a pessoa é algo que acho incrível. E o que me deixa mais triste é quando não consigo fazer isso. E quando de alguma forma sinto que estou sendo desvalorizado por um trabalho que estou 100% empenhado.

12) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Luan Richard: Desista! (risos). Seja forte, e fiel ao que você acredita, respeite a sua carreira as outras pessoas e você mesmo. E, por fim, sempre escute quem está na estrada há mais tempo que você! Essas pessoas certamente terão muito a te ensinar!

13) RM: Quais os tecladistas que você admira?

Luan Richard: Tenho uma galera que direta ou indiretamente me ensina muito, fora e dentro da cena reggae, como por exemplo: Cleberson Horsth e Ricardo Feghali que são dois caras que cresci ouvindo. E também o Herbert Medeiros, que é um monstrinho! E o Edu Camargo, que me espelho muito na sua sutileza e forma de trabalhar os arranjos. E dentro da cena reggae quem me ensinam muito é o Frazão ex tecladista da Tribo de Jah e Keké Enes, tecladista da banda Raiz Tribal.

14) RM: Quais as principais técnicas que o aluno deve dominar para se tornar um bom Tecladista?

Luan Richard: As principais técnicas que o músico tem que saber para ser um bom tecladista são as técnicas básicas. Não sabendo os rudimentos técnicos não terá uma tocabilidade sólida, então treine as Escalas em todos os tons. E todas aquelas coisinhas chatas de estudar são as principais coisas, sem elas não se chega muito longe.

15) RM: Quais os principais vícios e erros que devem ser evitados pelo aluno de Teclado?

Luan Richard: Eu devo ter muitos desses vícios e erros justamente por nunca ter tido acompanhamento de professor algum, então faço as coisas do jeito que aprendi sozinho. Como já disse o negócio é fazer música.

16) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Luan Richard: Acho que isso é muito particular de cada professor e cada aluno. Acredito que o que deve se ter é uma infinita sintonia entre mestre e aprendiz. Às vezes um professor renomado não será aquele que melhor te ensinará algo e vice-versa.

17) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Luan Richard: Eu creio que existem pré-disposições, em maior ou em menor grau. Contudo, essas pré-disposições, sem um árduo trabalho de desenvolvimento, não servem de muita coisa. Penso que o ser humano é definido por aquilo que pratica. Dons são dados pelo altíssimo àqueles que se pré-dispõem a praticá-los. Se não, seria desperdício.

18) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Luan Richard: Para tudo existem regras, mesmo que mínimas. O que você tem que saber é como você usa isso a seu favor, soou musical, está valendo!

19) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Luan Richard: Nunca parei para estudar improvisação, mas, acho que o que se ensina de fato são regras musicais e ideias de como você pode usar isso a seu favor.

20) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Luan Richard: Sim, improvisação com certeza existe! O que de fato não existe é um ensinamento onde você aprende a ter feeling sem ter prática! O improviso é uma coisa que só fica legal depois que você passa bastante tempo estudando e praticando.

21) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Luan Richard: Só existem prós e se resumem em você poder ter total domínio sobre o que está tocando. E isso para um músico, é simplesmente uma maravilha e o que tiver de ser aperfeiçoado, será feito com muito mais tranquilidade.

22) RM: Quais os prós e contras do uso de VST (Virtual Studio Technology) e VSTi (Virtual Studio Technology Instrument) pelo Tecladista?

Luan Richard: Os prós, são infinitas possibilidades, você pode chegar a resultados incríveis com os VSTs, porém, você tem que estudar bastante sobre o que você está usando para saber em que resultado você quer chegar de fato. Não é porque existem 96 órgãos no seu PC que em um show você vai precisar usar os 96, muitas vezes 1 só resolve tudo o que você precisa. E muitos VSTs emulam mais do que apenas só os timbres. O que requer muito estudo sobre sinal de saída, polifonias e muito mais. Muita gente fala mal de VSTs no palco, porém ao questionar sobre como estão lidando com o sinal que estão usando a gente se depara com alguns erros que certamente com um pouquinho mais de leitura e empenho em estudar o que estão fazendo seriam facilmente solucionados.

23) RM: Quais são os melhores Teclados para tocar música reggae?

Luan Richard: Apesar de existirem Teclados lendários como o Korg M1 por exemplo dentro do estilo. Qualquer Teclado é um bom Teclado desde que nas mãos de um tecladista que saiba tirar um bom som do instrumento, que tenha domínio sobre ele, afinal, o Teclado, na sua essência, foi criado para tocar todos os estilos musicais. E vai da criatividade e da concepção do músico e, porque não dizer, do trabalho! Um exemplo: Já estive tocando com um Yamaha Motif, porém usando o Piano do M1 sampleado dentro dele.

24) RM: Como você analisa o cenário do reggae no Brasil. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Luan Richard: Acho difícil apontar regressões nas carreiras das bandas e/ou artista, já que o mercado da música não é somente sazonal como também multirregional, ou seja, o que está em alta no Sul pode estar em baixa no Norte. E daí colocarmos nomes em destaque nos colocaríamos como apenas foco de uma situação em que vivemos. Eu acredito que uma carreira se define por um todo e não apenas por uma fatia! Falo apenas da cena reggae, no Brasil como um todo, que me orgulha, pois sempre nos seus nichos esteve em uma boa média perante aos que a seguem. E, me orgulha muito e me honra demais fazer parte da banda Tribo de Jah que a 35 anos trouxe a cena para o nosso país.

25) RM: Você é Rastafári?

Luan Richard: Não.

26) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como vocês analisam tal afirmação?

Luan Richard: Não costumo ser muito adepto de verdades absolutas. E extremismos quase sempre são irracionais e de fato, não acredito que você vá ouvir uma música e saberá dizer se é um rastafári ou não tocando. Então…

27) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Luan Richard: Depende do que tomamos como prestígio, o que vejo nos shows é um amor e um respeito mais que enorme pelo reggae! Agora, se estamos falando de mainstream, acredito que possamos colocar isso na conta da cultura social que, por uma série de motivos, não teve oportunidades de ter um maior contato com a filosofia reggae!

28) RM: Festivais de Música revelam novos talentos?

Luan Richard: Sim, com certeza! Já que também é uma oportunidade da molecada se apresentar a cada vez mais pessoas em um Festival de Música e isso é algo de muito valor.

29) RM: Quais os pros e contras de se apresentar com o formato Sound System? Quais as diferenças de se apresentar com banda em relação ao formato com Sound System? Quais os pros e contras de fazer música usando riddim?

Luan Richard: Essas três perguntas, posso responder numa só! Acredito que tudo depende da proposta do artista e de qual resultado ele espera com essa apresentação. Para todos os casos existem vantagens e desvantagens, todavia, o que importa é o resultado e a proposta final. E se o público for atingido e respeitado isso é o que importa!

30) RM: Qual o seu propósito em se apresentar nas Ruas?

Luan Richard: A princípio foi a falta de oportunidade de outros lugares para se apresentar. E a partir de um certo momento passou a ser uma vitrine bastante efetiva para expansão do meu trabalho musical.

31) RM: Quais os prós e contras de se apresentar nas Ruas?

Luan Richard: Os prós! começam pelo fato de ser uma excelente vitrine, e poder conhecer pessoas e histórias que não se teria como em nenhum outro lugar! Os contra, por mais estranho e louco que seja, são os mesmos! Você está completamente exposto a tudo que só a rua pode oferecer. Tem gente bem intencionadas e as mais ruins que se pode imaginar.

32) RM: Financeiramente compensa se apresentar nas Ruas?

Luan Richard: Com certeza compensa financeiramente! Por mais que se pense que não, as pessoas valorizam bastante a arte quando feita com verdade!

33) RM: Se apresentar nas Ruas não desqualifica a Arte Musical pelos ruídos das Ruas e por ser um local hostil?

Luan Richard: Muito pelo o contrário! Tocar na rua dignifica a profissão e mostra para as pessoas que a arte é totalmente alcançável e possível!

34) RM: Quais os seus projetos futuros?

Luan Richard: Não tenho muito a prática de ficar programando o futuro, mas, desejo a cada dia conquistar mais espaços junto as pessoas para cada vez mais poder atingir meu objetivo de poder tocá-las de alguma maneira!

35) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Contato: (11) 95976 – 8668 | [email protected]

| https://web.facebook.com/luan.richard.9484

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| www.instagram.com/luanmusical

| https://www.youtube.com/user/styvcharlie

| Live De 1500 Inscritos: https://www.youtube.com/watch?v=OwYP44ZRCC0

Live especial! Luan Richard & Cebola Vocal: https://www.youtube.com/watch?v=UBbYazPRBbk

LIVE NO SAGUI DRINKS: https://www.youtube.com/watch?v=S7SeMQNXdY0

Tecladistas de Reggae do Brasil – “Stay Home”: https://www.youtube.com/watch?v=0G33NIW-0wI

Tecladistas de Reggae Brasil – Making of FicaEmCasa Riddim: https://www.youtube.com/watch?v=72boXNn863c

 


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.