Lu-All

Lu-All

O cantor, compositor, violonista paulista Lu-All, o seu nome artístico é uma abreviação dos seus nomes Lucas de Albuquerque.

Lu-All tem apresentado suas músicas autorais e algumas referências musicais de clássicos da MPB e do Reggae. E dessa forma transitado por diversos espaços de São Paulo com apresentações em Fábricas de Cultura, Casas de Cultura Municipais e Bares da zona leste levando o seu projeto musicalizando pelo mundo.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Lu-All para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 30.11.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Lu-All: Nasci no dia 15.04.1988 em Ferraz de Vasconcelos – São Paulo. Registrado como Lucas de Albuquerque Pinho Gonçalo.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Lu-All: Meu primeiro contato com a música eu criança, sempre via meu pai tocando. Ele tinha umas músicas autorais e gravou CD. Ele era evangélico. E depois dessa experiência da infância a música se apresentou de maneiras diferentes desde a própria Igreja até a Escola de Samba do bairro que eu morava. Eu sempre estive bem relacionado com a música.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Lu-All: Eu tenho formação vocal pelo Senac Lapa Scipião em que tive a oportunidade de conhecer grandes cantores do cenário nacional entre eles, Xênia França. Além da música eu sigo o plano de formação no último semestre de Pedagogia tenho conciliado com a música, ambas as profissões tem o mesmo degrau de importância.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Lu-All: Nenhuma das influências deixaram de ter importância, eu acredito que todas elas foram fundamentais para o que eu me tornei como músico. Eu sempre gostei muito de música gospel apesar de hoje eu não ouvir tanto por não me identificar muito, mas considero muito importante pela diversidade musical que ela proporciona. Eu comecei tocando Rock gostava muito de Punk Rock: Ramones, Sex Pistols achava demais o ar de rebeldia, mas quando decidi me abrir para outras linhas musicais como MPB e o Reggae, musicalmente eu senti que minha mente tinha expandido. Hoje eu praticamente escuto tudo, eu tento ver quais as tendências musicais. O que agrega, eu me envolvo e o que não agrega eu simplesmente respeito. Hoje eu não curto mais o lance de ser ortodoxo musical.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Lu-All: Eu estava em uma banda gospel chamada “Rootsalém”.Mas no meu processo de composição comecei a ter outros tipos de concepções e entendi que não queria mais cantar apenas para um grupo de pessoas ou ter que censurar certos posicionamentos; não por outros, mas eu mesmo me censurando com medo da aceitação. Em 2017 gravei meu primeiro som autoral e fiz um lançamento no finalzinho do ano. E de lá para cá graças a Deus venho trabalhando bastante e de certa forma escrevendo uma história na música.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Lu-All: Ainda não gravei um álbum. Eu tenho cinco singles lançados nas plataformas digitais. A vontade de gravar é grande, ainda mais quando as composições continuam nascendo. Mas eu acredito que tudo tem seu fluxo e em algum momento as coisas vão fluir mais e em outros menos. É preciso estar sempre em evolução.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Lu-All Lucas: Eu mesclo muito MPB com o Reggae, acho que se fossem pessoas seria o casamento perfeito. A ideia é misturar suavidade das notas abertas brasileiras e com a leveza e o embalo do reggae music.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Lu-All: Sim. Estudei no Senac Lapa Scipião com o ótimo professor Willian Sancar.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Lu-All: É fundamental conhecer suas potencialidades vocais como ferramenta. E quando entendemos que a voz é o nosso maior instrumento de trabalho como obra prima; passamos a ter um cuidado diferenciado com ela.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Lu-All: Eu gosto muito da banda Tribo de Jah. Admiro de mais o swing do reggae maranhense. Tenho muita admiração pelo Djavan, ele é um dos cantores mais criativos tanto em composição como harmonicamente. Eu admiro: All Green, Bob Marley, Jimmy Cliff, entre outros.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Lu-All: O processo de criação passa muito pelo meu emocional. Eu canto sobre o que eu sinto e tento fazer com que esse sentimento se traduza em música. Isso é muito bom principalmente, pois pensando em arte estou colocando minha essência nas músicas. É difícil esse meu modo de criação, mas eu curto e continuo acreditando que é o caminho a ser trilhado.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Lu-All: Hoje em dia eu tenho feito sozinho, mas as primeiras composições eu fiz com meu amigo Cassiano Guanaes. Hoje estamos em ocupações diferentes, mas a amizade é a mesma graças a Deus.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Lu-All: Os prós são poucos, mas são os mais relevantes e é o que motiva a gente continuar. Geralmente o artista independente que está a muitos anos nesse circuito é por amor à arte e por gostar. Mas ao artista e os todos os profissionais envolvidos para o show acontecer, enfrentam a dificuldade financeira, a falta de reconhecimento, os calotes, só por amor à arte acaba relevando, mesmo não sendo o certo, mas é o que rola. Infelizmente.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Lu-All: Pode ser loucura, mas a principal estratégia é se manter vivo, compondo e acreditando que com amor e arte com o objetivo de transformar o mundo em um mundo melhor seja alcançado. Essa é a atual estratégia em períodos tão “estranhos” que estamos vivendo.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Lu-All: Hoje eu trabalho como Educador Social de um CCA – Centro de Convivência de Adolescentes, e concilio com tocando em barzinhos a noite pra poder somar e investir um pouco na carreira musical.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Lu-All: A internet ajuda por “nivelar” em alguns aspectos o compartilhamento de trabalho. Apesar de hoje a cobrança por um investimento nos conteúdos são outros, mas ainda dá para ter uma boa visualização. Mas, por outro lado ela é um campo muito aberto o que passa a ser arriscado. Tem pontos negativos como a exposição da imagem, mas sobretudo é importante falar que a internet não é melhor que o contato pessoal.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Lu-All: Eu acho que como artista é o caminho para acabar com o monopólio das grandes gravadoras. É claro que abre margem para muita gravação boa e ruim, mas no geral o que eu tenho acompanhado a galera está arrebentando nas produções.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Lu-All: Eu tenho apostado em um som mais orgânico e buscado fazer essa mistura que não é nenhuma novidade entre o Reggae e MPB. Eu tenho visto alguns sons, muita gente usando samplers e nada contra em algum momento eu posso até usar também, mas eu curto a sonoridade dos instrumentos. É um universo que tem cada vez mais ficado de lado, mas a música está sempre se modificando e modificando quem a faz.

19) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Lu-All: Eu acredito que o “Ponto de Equilíbrio” e o “Mato Seco” no Reggae, mas em outros gêneros a Iza, Linniker, Rincon Sapiência, musicalmente essa galera está na ativa e admiro o progresso. É gente da gente que conseguiu se destacar e sempre fez um bom trabalho.

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Lu-All: É difícil falar, o exemplo começa antes de subir no palco e isso é complicado, mas para não ficar em cima do muro. Eu tive a oportunidade de tocar uns tempos atrás em um evento com o pessoal do AO CUBO. Os manos são exemplos de compromisso no horário, simplicidade de dividir camarim e todas essas coisas que a gente as vezes ouve que não rola com outros artistas. Além de ter um som que eu nem preciso falar…

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Lu-All: Então (risos). Nesse show dom o Ao Cubo a gente ia tocar e quem fez os tramites todos foi eu, camarim, mapa de palco etc… E na hora de falar da bateria eu perguntei o que tinha na bateria do evento pro baterista levar as coisas dele e tal. Daí faltando um dia para o show acontecer o baterista que ia não podia ir e me indicou outro baterista daí a gente se conheceu no dia do show. Eu já tinha mandado os sons para ele e a gente sabia que não iria rolar ensaio. No dia do show a gente se encontrou, ele estava só com as baquetas sem prato e sem caixa. Os bateristas sabe que esse é o kit baterista. Enfim, quando ele me disse isso, faltava dez minutos para subir no palco. Por sorte a gente conversou com a banda que abriu e os caras emprestaram e a gente acabou fazendo o show tranquilo, apesar de ter conhecido o baterista no dia, mas deu tudo certo e o menino tocava muito. Quem quiser conferir é só dar uma olhada nos vídeos que estar no meu perfil.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Lu-All: O que me deixa mais feliz é a ponte que a música faz. Eu conheci muita gente boa e legal que foram presentes que a vida me deu. Mas, por outro lado tem muita gente de talento que acaba no anonimato e isso é ruim saber que tantos talentos não tiveram espaço. E não digo por mim, eu ainda tenho muito caminho para percorrer, mas por aqueles que não conseguiram alcançar os objetivos e se entregaram.

23) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Lu-All: Acho difícil, embora com a força que as rádios webs estão tendo, hoje não faça tanta diferença, por exemplo meu som tocou primeiro pela radiozionweb lá em Senhor do Bomfim na Bahia, depois na Radio Brasil FM no Espírito Santo e agora recentemente Central FM de Pernambuco. Eu sei que uma rádio web não tem o mesmo alcance das grandes rádios, mas eu me sinto feliz com todo esse prestigio que tive pelas rádios web.

24) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Lu-All: Precisa ter resiliência, não só no sentido figurado, mas num todo. É preciso ter consciência de que as coisas acontecem para quem mergulha. É preciso ler muito, despir de pré-conceitos e se abrir sempre para as coisas novas sem perder a essência.

25) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Lu-All: Cobertura feita pela grande mídia sempre está envolta de interesses financeiros, então é complicado dizer que a cena musical brasileira é só o que a grande mídia apresenta.

26) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Lu-All: Minha opinião é que o espaço não é tão aberto assim (risos). Infelizmente será difícil um novo artista ser alavancado nesses circuitos. É mais uma vez o que a perpetuação de uma classe artística correndo os mesmos circuitos e com muita luta veremos um artista novo e totalmente independente se destacar nesses “espaços abertos”.

27) RM: Como você analisa o cenário do reggae no Brasil. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Lu-All:“Ponto de Equilíbrio”,“Mato Seco”,Planta & Raiz” são as bandas que nas duas ultimas décadas foram reveladas e se mantiveram e atuantes no cenário. Eu não tenho alguém em mente para dizer quem regrediu. O reggae no geral no começo vinha numa crescente muito grande com muita banda e que depois foi perdendo força, mas recentemente muitas bandas estão voltando a ativa de novo.

28) RM: Você é Rastafári?

Lu-All: Não sou, mas sou admirador da filosofia e respeitador da crença.

29) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como vocês analisam tal afirmação?

Lu-All: O verdadeiro reggae não tem sua veracidade em quem o faz e sim em como o faz. E se é de coração é verdadeiro e isso não está ligado em quem o faz.

30) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Lu-All: Eu estava acompanhando uma entrevista Rick Bonadio sobre algo parecido, mas era sobre o rock nacional voltar a cena e a resposta dele foi bem simples para o rock nacional volta a cena. Ele teria que se reinventar é o mesmo que penso sobre o reggae. Apesar de ser amante do reggae raiz, eu tenho a plena convicção que não ter se aberto para outras tendências, o reggae nacional foi perdendo cada vez mais força. E basta olhar o que tem de cenário lá fora e o que tem no cenário aqui. Vai ser preciso ter essa releitura para manter a chama acesa.

31) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Lu-All: Eu acredito que sim. Eu defino por duas perspectivas: o Dom que é dado de graça e precisa do aperfeiçoamento e o dom que é conquistado que se alcança com o esforço e aperfeiçoamento também.

32) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Lu-All: É muito difícil entrar para um Festival de Música, principalmente sem produtor (a). E quando você entra é muito difícil permanecer no circuito, mas é gratificante quando você entra. E isso não tem preço, pois você sabe o caminho que percorreu para chegar onde chegou.

33) RM: Festivais de Música revelam novos talentos?

Lu-All: Se você pegar os antigos festivais anos 60,70 e 80 vai ver que não revela e mais uma vez eu digo que quem perde com isso é o publico refém do que é apresentado como Festival e não é.

34) RM: Quais os prós e contras de se apresentar com o formato Sound System?

Lu-All: Eu nunca me apresentei no formato Sound System, mas estou aí quem quiser fazer parcerias estou à disposição. Mas acredito que para rolar legal tem que ter uma conexão positiva entre o DJ e o MC (cantor) para rolar mesmo. Deve ser uma experiência fantástica.

35) RM: Quais as diferenças de se apresentar com banda em relação ao formato com Sound System?

Lu-All: A banda dá a dimensão de palco e a chance de se você errar alguém cobrir no formato Sound System você precisa ter bastante personalidade. Não que na banda não precise, mas no Sound System é você, o DJ e Deus do céu para te ajudar (risos).

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Lu-All: Eu tenho buscado aprender inglês. Tenho um projeto que tenho pensado em fazer. Digo fazer, pois não é nada de original, já deve ter gente fazendo isso por aí. É lançar o Brasil/Jamaica com clássicos da música popular brasileira em reggae e os clássicos do reggae em MPB. Está em elaboração ainda, mas eu acredito muito que vai dar certo.

37) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Lu-All:(11) 96367 – 2953 / [email protected] /https://web.facebook.com/lucas.albuquerque.33886305

/ https://www.instagram.com/lucas_luall

Canal: https://www.youtube.com/c/LuAllLucas

Sorrindo pra mim – Lu-All: https://www.youtube.com/watch?v=VrZpnIOrrpo

Bate e Volta – Lu-All: https://www.youtube.com/watch?v=rA-FPWiiKGQ

Sentimento cultivado – Lucas Lu-All: https://www.youtube.com/watch?v=WDIu3xs2gvc

Ancestralidade – Lu-All: https://www.youtube.com/watch?v=fZjGdla3g9w

O mesmo alvo – Lu-All: https://www.youtube.com/watch?v=0cRFygTGz-Q


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.