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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

LIA

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LIA é cantora e compositora baiana, começou a dar seus primeiros passos na música ainda na infância sob forte influência dos pais.

Em 2016, integrou o elenco do The Voice Brasil Kids, na rede globo de televisão, no time de Carlinho Brown. Com uma passagem marcante pelo programa, a multitalentosa LIA, colheu diversos frutos, desde show no “Sarau do Brown, com o seu mentor Carlinhos Brown”, participações em programas de TV e uma apresentação no show da virada de Salvador – BA.

Atualmente, divide sua agenda entre gravações, shows e dedica muita atenção ao seu público através das redes sociais, onde abre diálogos sobre temas que considera relevantes para a juventude, entre eles: Veganismo, Diversidade, Identidade de gênero e diversos outros assuntos, sempre regados a boa música.

Em 2021 LIA gravou com o cantor Saulo Fernandes, a canção “Escute quando estiver triste” que seu pai Maurício compôs para ela, numa fase triste de fim de um relacionamento, a canção ganhou um videoclipe lindo. Confira: https://www.youtube.com/watch?v=kpZX6GecLkA

Recentemente a cantora lançou em seu instagram um projeto de mashups, onde ela une canções de artistas que provavelmente nunca lançariam juntos. As canções mescladas fizeram tanto sucesso, que LIA recebeu diversos elogios do precursor do axé, Luiz Caldas, que amou a versão que LIA fez de sua canção Fricote, junto com “Preta do cabelo cacheado” do Mc Don Juan, “Preta” de Saulo e “Beleza Pura” de Caetano Veloso.

Em novembro do ano passado LIA, participou do Festival da Canção promovido pela Aliança Francesa de Aracaju, e ganhou o primeiro lugar cantando em francês, LIA escolheu a canção ‘Papaoutai’ do cantor Stromae.

Segue abaixo entrevista exclusiva com LIA para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 13/05/2022:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

LIA: Nasci no dia 25/07/2001, Salvador, Bahia. Registrada como Lia Gomes Carvalho de Azevedo.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

LIA: Desde que me conheço por gente, tenho contato com a música. Tenho lembranças da infância de meu pai, Maurício tocando piano, minha mãe, Leila Gomes cantando pela casa, meus tios cantando em coro, lembro da coleção de CDs que meu pai colocava para tocar em casa.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

LIA: Eu escolhi música e passei na Universidade Federal da Bahia, mas veio a pandemia do covid-19 e a vida de todo mundo virou de cabeça para baixo. Eu desisti do curso e percebi que gosto de estudar por conta própria. Atualmente faço aulas de italiano, estou voltando a fazer aula de dança e vou começar a tomar aulas de teatro.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

LIA: Nenhuma das minhas influências perderam importância, todas as fases musicais que eu vivi trouxeram grandes benefícios no meu modo de me expressar musicalmente, principalmente quando se trata de composição autoral. Na pré-adolescência eu curtia muito (e até hoje curto) Maria Gadú, Chico Buarque, Shakira, Pentatonix, Adele, Rihanna, Coldplay, Sam Smith, Bruno Mars, Rael, Tiago Iorc, Marisa Monte, entre outros. Atualmente me identifico com Aurora, Billie Eilish, Yung Blud, Jão, Gloria Groove, ANAVITORIA, Jaloo, Duda Beat, Miley Cyrus, Tuyo, entre outros.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

LIA: Eu iniciei profissionalmente em 2014, aos 13 anos de idade, quando entrei para o The Voice Brasil Kids, Reality Show da TV Globo.

06) RM: Quantos CDs lançados?

LIA: Nas plataformas digitais eu tenho um EP – 16, com três músicas: 16 (Lia / Serginho Azevedo), Bolo da Cereja (Lia / Serginho Azevedo), Vejo você e eu (Lia / Serginho Azevedo). E LIA teve a participação do cantor Saulo Fernandes na canção “Escute quando estiver triste” (Maurício).

07) RM: Como você define seu estilo musical?

LIA: Recentemente me descobri dentro do soft pop, indie, alternativo independente, pop folk, mas tento não me restringir muito, para poder explorar diferentes estilos de composição e ritmos e ampliar a minha abrangência musical.

08) RM: Você estudou técnica vocal? 

LIA: Sim, fiz aulas de canto popular, lírico e aulas de coral.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz? 

LIA: Muita. O instrumento (voz) do canto é composto por diversos músculos e, assim como qualquer atleta, é preciso treinar e ter tempo de descanso. Sempre que possível, fazer disso uma rotina para manter o canto mais limpo, saudável e de acordo com a técnica que o artista escolher.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

LIA: Em termos de canto, técnica ou até mesmo timbres, eu gosto da Billie Eilish, Aurora, Jão e Miley Cyrus, são as principais.

11) RM: Como é seu processo de compor?

LIA: Eu gosto de estudar as músicas que gosto e tentar entender o porquê que eu gosto delas, o que as torna tão agradáveis. Nesse processo é natural que eu acabe seguindo aquelas linhas musicais que me atraíram. Quanto às letras, às vezes o assunto é pessoal, alguma experiência que passei, às vezes é genérico, mas de qualquer forma eu consulto meus amigos e meu pai, Maurício para saber o que eles acham, onde que posso melhorar. Quando se trata de como fazer o arranjo, essa é a parte que eu mais me identifico, apesar de prestar atenção na letra, é a harmonia e a melodia que me fazem arrepiar, então eu foco bastante nisso.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

LIA: Atualmente, meu pai, Maurício, minha namorada, meus amigos e meus produtores Guiga Serra e Peu de Melo.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

LIA: Os prós: você quem vai tomar as decisões, ser o mais verdadeiro com sua arte, sem ficar nas mãos de alguém, então é gratificante por ser algo que você controla. Contras: falta de patrocínio, a grana é sempre um elemento limitador de produção, embora não seja limitador da criatividade. Além disso, toda a carga de responsabilidade quanto ao produto final, a produtividade, a qualidade da entrega recai sobre o artista independente. É muito trabalho e responsabilidade, então você tem que dividir seu tempo de arte com as questões de negócio. Tem que administrar, ser seu próprio figurinista, performer, videomaker e criar. Ainda bem que sou cercada de amigos talentosos e que me ajudam muito.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

LIA: Pretendo focar em shows e nas redes sociais, revelando uma nova fase, que considero mais madura e ousada.  Em 2019 eu havia lançado o meu primeiro Show, cujo nome era EU (s) e tivemos que interromper as apresentações por conta da COVID-19. Estou ansiosa para retomar os palcos com esse novo projeto, com o final da pandemia.

05) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

LIA: Eu procuro estudar o mercado e o nicho que quero performar, vejo qual a carência e a potência dessa área, então estou sempre me atualizando e testando.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

LIA: A internet proporcionou a todos um meio de mostrarem seus talentos. A dificuldade é que ela é muito volátil e pode ser frustrante quando o nosso trabalho é classificado em números e estatísticas.  Apesar da concorrência ser maior, o bacana é conhecer esses diversos talentos e estar perto daquilo que nos identificamos, mais fácil para fazer parceria.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

LIA: Como artista independente, quase não vejo desvantagem. Acho que ajuda muito quem quer lançar suas próprias músicas com qualidade profissional, mas tem que aprender a usar os programas, entender de música ou contratar um profissional que saiba o que está fazendo.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

LIA: Todos os meus ídolos dizem a mesma coisa sobre isso: sejam vocês mesmos. Sem exceção! A mesma tecnologia que ampliou a quantidade de artistas e arte à disposição do público também traz uma infinidade de possibilidades de coisas novas e brilhantes. Então, eu procuro ser eu mesma e fazer o máximo esforço para dar o melhor de mim.

19) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

LIA: Ao pé da letra, a Música Popular Brasileira é toda música produzida no Brasil e que emana do nosso povo, apesar de ter uma classificação específica nas plataformas digitais, separando-a do funk produzido em nossas favelas, por exemplo. Para mim, a MPB que, antes, saía das caixas de som da Classe Média hoje sai no telefone de qualquer um. Tem música para mexer com o corpo, tem música para mexer com o pensamento, com o espírito, com o humor e tudo isso sai de uma galera genial, como Emicida, Majur, Liniker, Jão, Jaloo, mas também Tierry, O Poeta, Nêssa. E, claro, o Caetano Veloso, o Chico Buarque, o Lulu Santos, esses nunca deixam de ser novidades e fontes de onde a gente deve beber das melhores melodias, das melhores letras. Sobre as últimas décadas no novo MPB (estilo musical), eu acrescentaria, além dos primeiros que citei, a Anavitoria, Tiago Iorc, Melim, Gilsons, OutroEu, 5 a Seco. Não sei quem regrediu nesse período, mas tem gente que anda sumida, sem dúvida.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

LIA: Certa vez eu fui fazer um show grande em Salvador – BA, organizado por empresas grandes de eventos e nos garantiram que as condições técnicas estavam asseguradas e que não havia tempo para passagem de som. Quando entramos no palco e começamos a cantar, estava tudo mal equalizado, não havia retorno, foi terrível e o público percebeu, mas foi super educado com os artistas. Os produtores do show disseram que essas coisas aconteciam etc, mas se eu fosse um artista renomado eles teriam feito de tudo para que aquele desastre não acontecesse.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

LIA: Muito feliz quando percebo o reconhecimento depois de um trabalho duro, difícil. Triste é quando as coisas não ocorrem como planejado, como foi o caso dos meus shows cancelados por conta da pandemia.

23) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical??

LIA: Existe, sim. Mas a música está ao alcance de qualquer pessoa. Alguns são mais hábeis com ela, sabem tocar um instrumento, são mais afinados. Esses têm o dom, no entanto, a música é tão democrática e universal que tudo isso pode ser aprendido se existir dedicação de verdade.

24) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

LIA: Improvisação musical para mim é usar a técnica com personalidade e criatividade.

25) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

LIA: Sim, existe o improviso musical e não é fácil. Se você é cantor e afinado, certamente uma improvisação mal feita não será tão visível. Mas é sempre bom estudar técnicas de improviso.

26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

LIA: Eu sempre acho que músicas de outros autores devem ter suas formas originais mais respeitada possível, mas também busco colocar minha assinatura de cantora quando interpreto a música de alguém. O improviso não pode ser um exagero para não tomar lugar da ideia central de uma obra. Tem que ser algo a somar, não substituir.

27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

LIA: Acredito que sem pagamento é possível tocar em rádios, a internet permitiu isso! Se uma música for famosa na internet vai ser benéfico para as rádios tocarem sem jabá, mas é muito mais difícil para artistas independentes. Acho que não vale muito a pena pagar por isso, já que postar na internet é de graça, então só vale a pena se você quer direcionar as suas canções para um público que ouve rádio.

28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

LIA: Tomara que você seja louco o suficiente. Por mais gratificante que seja, tem muitos desafios que fazem a gente repensar sobre se é isso mesmo o que queremos, mas eu digo que compensa muito ouvir as pessoas cantando suas músicas ou se arrepiando com suas melodias, fazer parte da vida das pessoas! Todo dia ouvimos música, é quase impossível passar um dia sem ouvir música direta ou indiretamente e eu quero fazer parte do seu dia, estar com as pessoas de alguma forma. É uma carreira difícil, geralmente você tem que ser “faz tudo”, mas é enriquecedor. Vá com calma, tudo bem ter pressa, mas cada coisa no seu tempo. Seja verdadeiro consigo e entenda suas metas.

29) RM: Festival de Música revela novos talentos?

LIA: Demais, diversos artistas que conhecemos hoje, tanto nacionais quanto internacionais, tiveram apoio de festivais de música ou participaram de concursos e atualmente são reconhecidos, como Luedi Luna, Ed Sheeran, Charlie Puth, entre outros. Esses tipos de festivais são de grande importância para a carreira de um artista independente porque, por mais que a internet seja uma grande porta para oportunidades, festivais são específicos e direcionados para o público da música e é uma oportunidade para fazer networking, aparecer na grande mídia, ganhar uma grana, adicionar ao portfólio e ter novas experiências.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

LIA: São poucos os programas voltados apenas para a música, estão em falta as análises musicais, as críticas, coisas direcionadas para consumidores e produtores. Seria incrível se existissem programas que falassem sobre música, ensinassem sobre música, analisassem letras, composições. Por outro lado, acho que a grande mídia também está focada na maioria das vezes no comercial, no showbusiness e isso termina demarcando territórios, como se público fosse propriedade de quem já é consagrado.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

LIA: Abrir portas para quem vive da arte é uma obrigação de entidades privadas. É o retorno merecido pela população, que impulsiona seus negócios milionários. Se faz parte da sociedade e se serve dela, de algum modo, tem que dar esse retorno, levando arte para a vida das pessoas, mas também criando oportunidade de renda para quem vive da arte.

32) RM: Quais os seus projetos futuros?

LIA: Estou montando repertório para show e compondo canções inéditas, que farão parte de um novo álbum. O show suspenso em 2019 pela pandemia terá de ser reformulado quase que totalmente, porque já não sou mais a mesma pessoa de 3 anos atrás. Além disso, tenho tido bastante tempo para criar novas composições e ter novas ideias, então as opções são muitas e isso me deixa bem feliz e satisfeita.

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

LIA: https://www.liaoficial.com

| [email protected]

| https://www.instagram.com/cantaliaoficial

| https://www.instagram.com/portalliaoficial

Tik Tok: @oficialliamusic

Canal: https://www.youtube.com/c/LIAOFICIAL

“Escute quando estiver triste” (Maurício) Lia e Saulo Fernandes: https://www.youtube.com/watch?v=kpZX6GecLkA

Playlist: https://youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_lArbJN8ACcU_HFysMW6PhuRwH9DlHLIhA

Spotify: https://open.spotify.com/album/7KfdYq7UGm7lC15usyUDgQ?si=qFUbdGSKTpWCD-TclGAUXg

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