Karen Nascimento

Karen Nascimento

A cantora, compositora, pesquisadora no campo cultural, mestranda em Música pela UFMG Karen Nascimento é uma cantora em ascensão e em fase de produção do seu primeiro EP.

Karen Nascimento integrou o Grupo Acadêmicos do Samba entre os anos de 2011 a 2013, sob coordenação do músico e compositor Jukita Queiroz, atuando como cantora, divulgando esse ritmo musical genuinamente brasileiro. Com repertório de compositores consagrados do gênero, resultando em 2013, a gravação do disco “Nós, Noel e o Samba”, em comemoração aos 100 anos do compositor Noel Rosa.

Em 2019, participou com diversos artistas no espetáculo musical “Vida Consagrada” interpretando a música “Estrela” do compositor montesclarense Élcio Lucas, em comemoração aos “40 anos do Centro Cultural Hermes de Paula”.

Atualmente é cantora na banda Fulô do Sertão, composta por quatro musicistas, que levam rearranjos musicais do forró pé de serra e da música de domínio público mineira e brasileira.

Karen Nascimento em 2020 participou do projeto “Duetos”, da cantora Leila Britto, com participação da cantora Mariana Ribeiro, interpretando o clássico “Brasileirinho”. As três cantoras apostaram numa releitura peculiar e descontraída. Com direção musical do produtor Simon Reis e arranjos musicais de Cláudio Ladeia.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Karen Nascimento para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 11.12.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Karen Nascimento: Eu nasci no dia 03 de setembro de 1989 em São Paulo/SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Karen Nascimento: Minha mãe já dizia que desde de muito pequena eu gostava de cantar, que na época da pré-escola lá pelos meus quatro anos de idade a professora enviou um relatório. Aqueles que enviam junto com o boletim falando sobre a aprendizagem da criança, e lá dizia “gosta muito de cantar, mas as vezes gosta de observar as outras crianças cantarem” (risos).

Além das experiências com a escola, meu pai sempre foi uma referência em termos musicais apreciativos. Desde de criança me recordo dele ouvindo Chico Buarque,Milton Nascimento, Djavan, Bebeto, Jorge Ben, James Brown, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Zeca Pagodinho e o samba rock que não podia faltar nos churrascos finais de semana em São Paulo. Ao completar 10 anos de idade minha família se mudou para Montes Claros, no norte de Minas Gerais. A partir dessa mudança meu contato com a música foi crescendo cada vez mais, mudar para Minas Gerais me proporcionou outras influências com a música; agora música mineira.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Karen Nascimento: Por meados de 2002, tive o primeiro contato com a música de forma mais consciente, quando a minha escola da rede pública de ensino oferecia aulas de canto coral, violão e flauta doce, essas aulas eram oferecidas em um projeto social. Alguns anos depois inicie meus estudos no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez.

Em 2009 ingressei no curso de Geografia da Unimontes – Universidade Estadual de Montes Claros, cheguei a cursar dois semestres no curso, porém no ano seguinte prestei vestibular para música e ingressei em 2010. Em 2018 comecei o mestrado na área pela UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais. Atualmente sou professora no Conservatório Estadual de Música Lorenzo Fernandez. Estudei canto erudito no período da graduação com Patrícia Peres, Heloisa Castellar Petri. Tive a oportunidade de estudar canto popular com Babaya, Andrea Amendoeira e Maíra Manga.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Karen Nascimento: Como informei anteriormente cresci com grandes referências musicais através do meu pai, Chico Buarque, Milton Nascimento, Djavan. Na minha adolescência ouvia muito pop rock nacional. Na fase adulta escutei Elis Regina, Maria Bethânia, Gal Costa, Caetano, Gilberto Gil.

Morei cerca de dois anos em um sítio, lá corria, brincava, nadava no rio, comia fruta do pé, ouvia o som dos pássaros, os sons das águas dos rios, sentia o vento e o cheiro da terra molhada quando chovia. E essas referências de vivência com a paisagem sonora da minha infância, também influenciaram diretamente na minha música atualmente.

Além de grandes músicos norte mineiros que influenciam até hoje as gerações de artistas montesclarenses, como: Beto Guedes, Zé Coco do Riachão, Grupo Raízes, Grupo Agreste. Tudo isso me influenciou e influência até hoje, acredito que essas influências nunca deixaram de ser importantes.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Karen Nascimento: Comecei em meados de 2013, quando tive a oportunidade no período da graduação em música de participar de um projeto de extensão da Universidade; participei do grupo Acadêmicos do Samba, grupo coordenado pelo músico e compositor montesclarense Jukita Queiroz. Integrei o grupo entre os anos de 2011 a 2013, atuando como cantora. Cantar no grupo foi extremamente importante para minha trajetória como musicista. Nesse período aprendi muito, conheci um vasto repertório de cantores consagrados do samba como: Cartola, Noel Rosa, Adoniran Barbosa, Dorival Caymmi, Zé Kety, Jorge Bem Jor, Chico Buarque e os Novos Baianos, dentre outros.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Karen Nascimento: A possibilidade de integrar o grupo Acadêmicos do Samba resultou em 2013, a gravação do disco “Nós, Noel e o Samba”, em comemoração aos 100 anos do compositor Noel Rosa, da qual eu tive a oportunidade de gravar uma das faixas do disco na época, intitulada “O X do Problema”https://open.spotify.com/track/0hhLGWwCuTtVLTjIVYoAfp

Atualmente estou em processo de criação do meu primeiro EP. Dia 11 de dezembro de 2020 foi o lançamento do single de estreia “Santos Orixás” –https://tratore.ffm.to/santos-orixas. A música “Santos Orixás”, traz em sua concepção as divindades representadas pela natureza, uma carta de amor e proteção. A música busca aproximar os ouvintes há uma experiência de “elevação espiritual”, do toque do atabaque aos sons orgânicos captados da sacada da minha varanda. A canção foi composta no início da pandemia da Covid-19, inspirada na partida das pessoas queridas que tiveram que retornar para sua terra natal devido a inúmeros fatores, desde o aumento do desemprego ao medo da pandemia. Com elementos da paisagem sonora a faixa traz sons dos pássaros como objeto sonoro “Todas as manhãs acordo com o cantar dos pássaros, eles me dão o primeiro bom dia”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Karen Nascimento: Ter uma definição de estilo musical num país tão vasto culturalmente é bem complexo, gosto de cantar música brasileira.

08) RM: Você estudou técnica vocal? Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Karen Nascimento: Sim, estudo desde 2008 quando ingresse no conservatório, posteriormente na graduação e até hoje. O estudo da técnica vocal é extremamente importante para manter a qualidade de uma voz saudável, equilibrada e consistente.

09) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Karen Nascimento: São várias cantoras que me inspiram dentre elas estão Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia, Marisa Monte, Mônica Salmaso. Cantoras contemporâneas, Serena Assumpção, Céu, Luedji Luna, dentre tantas outras.

10) RM: Como é seu processo de compor?

Karen Nascimento: Compor para mim é algo novo. Gosto de escrever, mas nunca imaginei meus escritos virando música. Isso aconteceu pela primeira vez quando tive coragem e enviei uma letra que já imaginava um xote, para um amigo músico e ele deu forma e transformou-a em música. Vim me descobrindo e arriscando compor nesse momento da minha vida, então é algo experimental e bem intuitivo, as vezes surge a letra primeiro, outras vezes a melodia.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Karen Nascimento: Os prós de desenvolver um trabalho independente é que não ficamos à mercê do mercado musical, da “tendência”. Podemos criar uma música que acreditamos, que nos faça bem. Os contras são investimentos precários para artistas independentes, que não estão na cena musical e as oportunidades são menores. Mas acredito que essa realidade tem mudado com o advento das redes sociais, os artistas independentes hoje podem ter acesso a todos os meios de divulgação para seu trabalho.

12) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Karen Nascimento: Delineamento e organização são os principais pontos para conseguir alcançar os objetivos planejados. Tanto no meu trabalho como docente e como cantora.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Karen Nascimento: Acho que a internet é uma importante ferramenta para difusão e divulgação do trabalho de um artista, então ela enquanto concepção só tem a favorecer. O que vem a desfavorecer acho que é a questão dos direitos autorais.

14) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Karen Nascimento: Na atualidade praticamente todos os músicos tem equipamentos básicos para gravar suas músicas em casa. Facilitando o processo de criação, pois as possibilidades são inúmeras, podendo criar algo mesmo com outra pessoa lá do outro lada do mundo. Analisando como cantora se você quer uma gravação com qualidade e um resultado mais consistente, acho que gravação home estúdio não funciona muito, principalmente se você não tiver um espaço adequado e com acústica para gravação da voz.

15) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Karen Nascimento: Tem muita gente boa por aí, principalmente na cena independente que não está nas grandes mídias. Infelizmente existe uma valorização exacerbada em alguns segmentos enquanto outros não.

16) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Karen Nascimento: A música só me traz alegrias, desde que escolhi ela como oficio de vida. É dela que tiro meu sustento e que tenho alento para levar o dia a dia.

17) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Karen Nascimento:Montes Claros – MG é a cidade da arte e da cultura, um celeiro de grandes artistas mineiros como: Beto Guedes, Zé Coco do Riachão, Mestre Zanza “Catopês”, Pedro Boi, Cândido Canela,Grupo Raízes, Grupo Agreste, o antropólogo Darcy Ribeiro, o poeta Aroldo Pereira, que leva há mais de 30 anos o “Salão Nacional de Poesia – Psiu Poético”, dentre outros.

18) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Karen Nascimento: Acredito que sim. Elas têm sido tocadas em algumas rádios e WebRádios.

19) RM: Os Festivais de Música revelam novos talentos?

Karen Nascimento: Acredito que sim, existem grandes talentos sendo revelados nesses festivais. Mas eles acabam ficando no anonimato, pois os Festivais de hoje não têm a mesma visibilidade como os Festivais de Música do passado, em que eram transmitidos pela TV, tendo uma repercussão nacional muito grande.

20) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Karen Nascimento: Esses espaços são de suma importância para a valorização e difusão da cultura. No entanto, editais abertos por essas instituições acabam sendo restritos a artistas que já tem uma certa projeção em suas carreiras.

21) RM: Quais os seus projetos futuros?

Karen Nascimento: Minha prioridade agora é trabalhar na gravação e divulgação das músicas do meu primeiro EP.

22) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Karen Nascimento: [email protected] | https://www.instagram.com/karennascimentomusica

| https://www.facebook.com/karennascimentomusic

| Single “Santos Orixás” – Karen Nascimento: https://tratore.ffm.to/santos-orixas

| Canal: https://www.youtube.com/channel/UCnXU1YE3UVQsDuUiRvVgo1g

| Um Amor Puro – Djavan || Live Session || Karen Nascimento: https://www.youtube.com/watch?v=fqhjYD5ryjQ

| https://open.spotify.com/artist/77QG4qWzV43VtOqjCDW5Jp


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.