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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Juraildes da Cruz


O cantor, compositor, cantor Juraildes da Cruz, iniciou a carreira artística em 1976 no Festival GREMI de Inhumas, quando foi classificado em primeiro lugar.

Participou de mais de cem festivais de música, com destaque para o Festival Tupi -em 1979, onde se apresentou com Genésio Tocantins, ao lado de artistas como Caetano Veloso, Elba Ramalho, Zé Ramalho e Jackson do Pandeiro. Gravou seu primeiro disco contando com a participação de Chiquinho do Acordeon, Sebastião Tapajós, Paulo Moura, Jaques Morelenbaum, Fernando Carvalho, Nilson Chaves, Mingo e Xangai, trabalho posteriormente transformado em CD.

Suas composições já foram gravadas, entre outros, por Pena Branca e Xavantinho, Xangai, Rolando Boldrin, Margareth Menezes. Em 1986, teve suas músicas “Os meninos” e “Os meninos II” gravadas por Dércio Marques e Doroty Marques no disco de música infantil “Monjolear”, lançado de forma independente.

Em 1990, gravou seu primeiro disco, “Cheiro da Terra”, contando com a participação de grandes nomes como Chiquinho do Acordeon, Sebastião Tapajós, Paulo Moura, Jaques Morelenbaum, Fernando Carvalho, Nilson Chaves, Mingo e Xangai. Suas composições já foram gravadas por Pena Branca e Xavantinho, Xangai, Rolando Boldrin, Margareth Menezes, entre outros. Em 1992, foi classificado no MPB SHELL. Em 1994, Pena Branca e Xavantinho gravaram a sua composição “Memória de carreiro”, que abre o CD – “Uma dupla brasileira”. Participou do CD coletânea – “Made In Dependente Brasil – O melhor da música independente”, cantando as músicas “Dodói”, que abre o CD, e “Cantiga”. Participou, ainda, do CD gravado ao vivo “Canto Cerrado”, no qual interpretou “Nóis é jeca mas é jóia”. Cantou também com Xangai o forró “Fuzuê na taboca” no CD – “Eugênio Avelino – Lua cheia, lua nova”. Em 1998, lançou o segundo CD, “Lugar seguro”, também independente, com destaque para as composições “Rio Araguaia”, parceria com Hamilton Carreiro, “O melhor da festa”, “Nóis é jeca mas é jóia”, “Meninos” e “Vida no campo”, além da faixa-título, todas de sua autoria. Em 1998, ganhou o prêmio SHARP (o maior prêmio da música popular brasileira), com a música “Nóis é Jeca, Mais é Jóia”, na categoria de melhor música regional. Participou do “Projeto Pixinguinha”, fazendo apresentações em oito capitais brasileiras, com gravação de DVD.

Em 2000, foi classificado no concurso do projeto “Rumos musicais”, do Banco Itaú, para fazer o mapeamento cultural do país, representando o Centro-Oeste e especialmente o Tocantins. No mesmo ano, esteve no Rio de Janeiro, onde gravou programas na Rádio MEC com os radialistas Ricardo Cravo Albin e Adelzon Alves, além de apresentar show no Teatro do Serviço Social da Indústria. Em 2002 teve a composição “Luz dourada” gravada por Xangai no CD – “Brasileirança”.

Em 2004, apresentou-se com Xangai, no Centro Cultural Banco do Brasil (RJ), dando o que a crítica denominou de uma verdadeira aula em treze faixas sobre a variada música sertaneja. A união dos dois artistas foi tão apreciada pelo público que, no mesmo ano, foi lançado, pela Kuarup, o CD – “Nóis é jeca mais é jóia”, reunindo os dois artistas. Além de áudio, o CD, que tem co-produção de Xangai com Mário Aratanha, também é CD, com dois videoclipes que mostram, em tela de computador, Xangai e Juraildes cantando no estúdio. Os arranjos do disco foram criados na hora das gravações, contando com a interação dos violões do maestro João Omar, responsável pela direção musical do CD, de Juraildes, e de Xangai, o que resultou num trabalho de rara espontaneidade. Também tiveram participação na obra Chico Lobo (viola caipira), Mariá Porto, que cantou “Enfeites de cabocla”, Antônio Adolfo (piano e rebeca). No repertório, “Nóis é jeca mais é jóia”, música título do CD, que deu a Juraildes o prêmio Sharp em 1998 e que, no disco, é interpretada em Duo. Também clássicos como “Desastando nó”, de Xangai, soleada por Juraildes e inéditas, como “Convida eu” (para Bush e Saddam) e “Bolero de Isabel”, soleada por Xangai em áudio e em vídeo. Também presentes, sucessos de Juraildes como “Vida no campo”, “Lugar seguro” e “Ei flor”. Os dois videoclipes foram filmados e montados por Mário Aratanha e produzidos no Rio de Janeiro, na região de Araras, em Petrópolis, onde o CD foi gravado. Em 2005, apresentou-se, com Xangai, acompanhados por João Osmar, na Sala Funarte, no Rio de Janeiro.

Em 2005, foi indicado para o Prêmio TIM (categoria regional), com o CD – “Nóis é Jeca, Mais é Jóia”. Participou do “Acordes Brasileiros” – primeiro encontro Nacional de Músicas regionais do Brasil em Porto Alegre – RS.

Em 2006, teve o seu xote “Meninos” gravado por Santanna – O Cantador, no CD/DVD “Forró popular brasileiro”, lançado pela Atração. No ano seguinte, teve a sua música “Nóis é jeca mais é jóia” gravada pela dupla Luis Goiano e Girsel da Viola, no álbum “Luis Goiano e Girsel da Viola – Volume III”, lançado pela Atração. Em 2008, teve outra música gravada por Santanna – O Cantador, “Vamborandá” (com Pádua), no CD – “Foró A arte do abraço”, lançado também pela Atração. Em 2011, apresentou show na Terça Musical do Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, no projeto “Música do Brasil Central”, organizado pela casa. Do projeto, participaram também artistas como Genésio Tocantins e Zé Mulato & Cassiano.

Em 2008, participando pela terceira vez do “Projeto Pixinguinha”, recebeu o prêmio para a gravação do CD – “Roda Gigante”, bem como realização de shows de lançamento em Goiás. Lançou o DVD – “Meninos”, com tema infantis e adultos, que contou com a participação de um coral infantil.

A PUC – Universidade Católica de São Paulo – publicou um artigo na revista “Língua Portuguesa”, fazendo um reconhecimento do seu trabalho na revista n° 39, no mês de janeiro de 2009. Participou da trilha sonora da novela da Rede Globo “A FAVORITA”, com a música “Memória de Carreiro”, na versão instrumental.

Em de junho de 2010, fez uma turnê, em Recife, juntamente com Xangai, que circulará pelo Nordeste, onde será mostrado o trabalho do CD que gravaram juntos, pela Kuarup, indicado ao Prêmio Tim em 2005. Em 2010, foi indicado ao “21º Prêmio de Música Brasileira”, sendo contemplado como o melhor cantor na categoria “voto popular”, juntamente com Daniela Mercury. Em janeiro de 2011 participou do “1º Festival Internacional de Artes de Brasília – FestiArte”, juntamente, com Gilberto Gil, Ney Matogrosso, Milton Nascimento, Vanessa da Mata, entre outros, não menos importantes, sendo o único artista de Goiás. Em 2012 lançou o CD – “Joia do Cerrado”, que é baseado no Estatuto da Criança e Adolescente. Em 2014 lançou o álbum “Aurora Régia. Em 2019 lançou o álbum “Nem com uma flor!”.

Em 2016, Juraildes da Cruz em parceria com João Araújo foram vencedores da 4° Edição do Concurso de Música sobre a Lei Maria da Penha com a música “Maria da Penha”, promovido pela Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, o Banco Mundial e a Procuradoria da Mulher do Senado Federal. Sendo premiado com videoclipe, com legenda para o inglês e o espanhol, e publicado em destaque no jornal El Pais da Espanha e divulgado pela ONU.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Juraildes da Cruz para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 05.11.2021:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Juraildes da Cruz: Nasci no dia 23 de novembro de 1954, em Aurora do Tocantins – TO. Registrado como Juraildes da Cruz Rodrigues.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Juraildes da Cruz: Aprendi três acordes e uma guarânia ”Amor de minha vida” de Carlos José, e fui logo fazer uma serenata, na época podia. Cresci ouvindo cantigas de roda, catiras, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro. Aos nove anos de idade minha família mudou-se para Goiânia, onde aprendi tocar violão. Estudei violão clássico, ouvi muitas músicas da “Jovem Guarda”, MPB e Rock dos anos 70.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora área musical?

Juraildes da Cruz: Estudei um pouco de Violão Clássico, tipo aquelas leituras que você não entende bem o texto, mas sabe que é um texto.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Juraildes da Cruz: As Folias de Reis, Sambas de Roda, Curraleiras, Súcia, Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Tião Carreiro, Pardinho, ouvi muito Rock nos anos 70 e 80. Nenhuma delas deixaram de ter importância, eram músicas sadias.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Juraildes da Cruz: Comecei em 1976 no Festival GREMI de Inhumas (Grandes Revelações da Mocidade Inhumense).

06) RM: Quantos CDs lançados?

Juraildes da Cruz: Em 1990 o LP – “Cheiro de Terra” pela Outros Brasis. Em 1998 o CD – “Lugar seguro” pela DV Discos. Em 2002 o CD – “Hot Dog Latino”. Em 2004 o CD – “Cantão Pro Mundo”. Em 2005 o CD – “Nóis é jeca mais é jóia”, com Xangai pela Kuarup. E 2005 o CD – “Meninos”. Em 2009 o CD – “Roda Gigante” (prêmio projeto Pixinguinha). Em 2010 o DVD – “Meninos”. Em 2010 CD – “Roda Gigante 2”. Em 2012 CD – “Joia do Cerrado”. Em 2014 CD – “Aurora Régia”. Em 2019 o CD – “Nem com uma flor!”.

Algumas músicas minhas já gravadas: “A trempe”, “Aliança” (com Genésio Tocantins), “Aragem” (com Lucas), “Beijo na boca”, “Bóia fria”, “Bom tempo”, “Canoa furada”, “Cantiga Com jeito”, “Confissões de um leitor”, “Desatando nó”, “Doce vício”, “Dodói”, “Feliz da história real”, “Fogo da saudade”, “Fuzuê na taboca”, “Homem tem que ter mulher”, “Hot dog latino”, “Lugar seguro”, “Luz dourada”, “Mais que decisão” (com Sebastião Pinheiro), “Maxixe com cheese-burguer”, “Memória de um carreiro”, “Meninos”, “Moça bonita”, “Nas nuvens”, “Nóis é jeca mas é jóia”, “O brasileiro”, “O importante é o Brasil ganhar a Copa”, “O jaó e a perdiz”, “O melhor da festa”, “O samba” (com Braguinha Barroso), “Pegando fogo”, “Porta do tempo”, “Potável”, “Princesinha” (com Braguinha Barroso), “Quem ama perdoa”, “Quem planta colhe”, “Raízes e rimas”, “Reboliço”, “Receita de mulher”, “Reviravolta”, “Rio Araguaia” (com Hamilton Carneiro), “Se correr o bicho pega”, “Solteirão conquistador”, “Some não”, “Tão falando”, “Tem que “privini””, “Toda vez”, “Tributo do amor” (com Sebastião Pinheiro), “Viagem”, “Vida no campo”, “Você tá doida”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Juraildes da Cruz: Brasilidade, é um híbrido da nossa miscigenação, Coco, Baião, Samba…

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Juraildes da Cruz: Estudei, mas quando comecei estudar já tinha dado calo nas pregas vocais e através da fonoterapia venho conseguindo me restabelecer.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Juraildes da Cruz: O aquecimento vocal é importante, pra não causar lesões nas cordas vocais, é como um atleta que precisa de se aquecer antes da competição.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Juraildes da Cruz: Marisa Monte, a voz dela é um raio de luz na escuridão, Maria Bethânia e seu compromisso com o coração quando canta, Fernanda abreu, Maria Eugenia quando sopra com suavidade.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Juraildes da Cruz: Às vezes abro a porteira, deixo passar o que tem que passar e depois se precisar vou separando o joio do trigo.

11) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Juraildes da Cruz: Durante minha trajetória não tive muitos parceiros, era muito fechado, hoje não, hoje estou mais aberto a parcerias, tenho feito alguns, inclusive. Certa vez apareceu em casa uma figura meio que pai do mato, não o conhecia, ele chegou e disse: quero fazer uma música contigo, abri o portão e obedeci o comando, fizemos a música e ganhamos o prêmio do concurso da Lei Maria da Penha, promovido pela Câmara Federal, Senado e o Banco Mundial, dinheiro que também é bom, não tinha, mas nos rendeu uma reportagem no EL PAIS da Espanha, valeu não ter feito reparos e ter aberto a porta para aquele desconhecido, fizemos algumas outras composições juntos eu e João Araújo… Tenho parcerias com alguns patrícios, Braguinha Barroso, João Caetano, Sebastião pinheiro, Genésio Tocantins, Fernando Perillo, Pádua, Xangai, Leo Pinheiro, Lucimar etc.

12) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Juraildes da Cruz: Margareth Meneses, Tânia Alves, Nilson Chaves, Rolando Boldrin, Gean e Geovane, Pena Branca e Xavantinho, Saulo Laranjeira, Maciel Melo, Felipe e Falcão, Maria Eugenia, Xangai, Zé Geraldo, Nazaré Pereira etc.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Juraildes da Cruz: Os contras é que; o independente depende de tudo pra ser independente, depende dos seus próprios recursos para que sua palavra cantada chegue mais longe, para que seu recado alcance o endereço certo. Os prós, é que você não tem obrigação de seguir padrões podendo assim ser fiel a sua fonte de inspiração.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Juraildes da Cruz: Metodologia é muito importante, nesse aspecto deixei muito a desejar, depois de gravar meus primeiros discos comecei a frequentar os editais adquirindo fôlego nos projetos culturais.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Juraildes da Cruz: Atualmente sou micro empreendedor individual, tenho que buscar alternativas.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Juraildes da Cruz: É uma janela importante, a internet deu voz a tudo e a todos, inclusive ao que é pertinente positivo e bom, deu visibilidade aos que não podiam adentrar a porta das TV’s fechadas, abertas rádios AM e FM.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Juraildes da Cruz: O home estúdio facilitou o direito a gravação do seu projeto. Hoje já é possível fazer uma gravação de qualidade sem aqueles estúdios com mesas de 50 canais e preços exorbitantes que impossibilitava ver sua música gravada. Mas por outro lado a competência de alguns profissionais são indispensáveis, uma boa mixagem, entre outros fatores, para que a coisa não fique niveladas por baixo, em fim não é o fim, é apenas o começo desse domínio tecnológico.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Juraildes da Cruz: Esse realmente é o grande desafio, eu não domino a tecnologia, por isso preciso buscar em outros essa expertise. Recentemente gravei um DVD, hoje o DVD físico já é obsoleto, mas gravei assim mesmo, e vou fazer o lançamento oficial, trazer para as redes sociais, trazer ao conhecimento daqueles que ainda não sabem desse feito. Para me diferenciar eu procuro ser eu mesmo, o mais original possível.

19) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Juraildes da Cruz: O cenário musical brasileiro continua sendo rico e as oportunidades aumentaram com a internet oferecendo espaço mais democratizado. Vejo que Emicida, Tony Black, Lenine, Paulinho Moska, Chico César, Zeca Baleiro permaneceram. Vander Lee se não tivesse ido fora do combinado estaria entre esses citados. A música popular brasileira, essa que foi um divisor de águas a favor da liberdade combatendo a ditadura sem usar das mesmas armas com gentileza e poesia. E sem estupidez, reagindo no bom combate sem baionetas, sem canhões, apenas com palavras, melodias e harmonias cirurgicamente bem aplicadas, com poemas de belas cores, essa música que perdeu espaço. Há um grande sistema com a força avassaladora de rio cheio, que vem dominando dividindo o espaço com fatias bem menores para a MPB.

20) RM: Quais os artistas já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Juraildes da Cruz: Lenine, Zeca Baleiro, Nilson Chaves, Celso Viáfora, Paulinho Moska, o anonimato de Elomar Figueira Melo em sua sobrevivência caatingueira, são tantos…

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Juraildes da Cruz: Certa vez, eu e Genésio Tocantins, que na época fazíamos uma dupla, fomos participar de um Festival de Música, ganhamos o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto lugar. O produtor do festival disse que ainda não tinha acertado o dinheiro e que no dia seguinte nos pagaria o prêmio. No dia seguinte soubemos que o organizador do festival tinha “capado o gato”, fugido para o Peru, e levou nosso dinheiro, ficamos sem grana para comer e voltar para casa. Alguns amigos se compadeceram de nós e deram a ideia de fazermos uma serenata para alguns amigos que eles conheciam e podia nos ajudar. Na primeira casa que chegamos havia acontecido uma violência domestica, nisso a polícia chegou e fomos levados como testemunha, fomos liberados. No dia seguinte arrumamos uma carona numa lambreta, uma Moto Xispa na época, na estrada a chuva nos pegou ficamos quase que entrevados de frio. Em cada boteco que entravamos já que não tinha leite gente bebia pinga (risos).

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Juraildes da Cruz: O mais feliz é que posso expressar o valor da existência. O mais triste é que na existência, existem sistemas montados para desmontar o valor real da vida.

23) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Juraildes da Cruz: O dom musical é como se você conhecesse o caminho por onde ainda não passou. Trilha sem errar por onde vai, porque conhece onde pisa, onde nunca pisou, é uma luz, um facilitador, presente do pai, vem da fonte do amor.

24) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Juraildes da Cruz: Feliz de quem tem esse domínio, quem aprendeu a ler desde pequeno faz uma leitura de um texto com facilidade. Assim também é a facilidade para quem conhece as escalas e harmonias, simplesmente ler sem gaguejar, improvisa, toca sem pestanejar. O improviso oferece a oportunidade de se criar músicas inéditas e originais me admiro muito de quem é jazz…

25) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Juraildes da Cruz: Existe improvisação de fato, é como aprender todos os fundamentos e técnicas do futebol e na hora do vamos ver, você aplica o que aprendeu e de improviso surgem os mais imprevisíveis efeitos da técnica e da tática.

26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre e Improvisação musical?

Juraildes da Cruz: Não sei falar dos prós e dos contras, eu só sou a favor de quem sabe improvisar, o segredo está no “quem sabe”, se souber, agrada.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Juraildes da Cruz: Não estudei harmonia, vi um pouco de violão clássico e não especificamente harmonia. O conhecimento é necessário em todos os sentidos, é patrimônio, conhecer é sempre importante, saber aplicar o conhecimento melhor ainda…

28) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Juraildes da Cruz: Com certeza, a estrutura que faz a máquina andar tem dono, o sucesso tem dono, não é você o dono do sucesso. O sucesso tem um dono, se você não faz parte do planejamento desse dono, você tem que pagar ao dono o seu direito ao sucesso. Quem é dono da estrutura da comunicação hoje é dono do sucesso de quem depende dessa divulgação.

29) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Juraildes da Cruz: Além do talento, tem que estudar, tem que se capacitar, tem que ser leal mesmo que o sistema não seja, tem que ser amigo mesmo que haja tantos querendo puxar seu tapete. Coloque um sorriso no coração e alegria no rosto, porque se o sorriso tiver só no rosto, o coração denuncia. Assim estar sujeito você ficar esperando na sala de estar da demagogia.

30) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Juraildes da Cruz: Os prós do Festival de Música é porque é um espaço que o compositor tem de subir ao palco e mostrar o seu trabalho. É uma forma de ir tornando visível o seu anonimato é uma forma de ir materializando as ideias e se tornando visível no palco dos festivais e da vida. Os “contras” é que se a música é uma expressão do sentimento acho agressiva a competição. E muitos dos vaidosos que são, começam a se achar superior a outros colocando assim um obstáculo entre a vizinhança musical. Sendo a música um dom para celebrar virtudes, não pode ser um instrumento de indisposição entre pessoas.

31) RM: Festival de Música revela novos talentos?

Juraildes da Cruz: Revela novos talentos, apesar dos festivais de música no formato que estamos vendo hoje, não dar prioridade ao compositor e sim só ao intérprete. Aliás virou norma não falar do compositor, não divulgar o nome do compositor nas FM’s, nos programas de TV, não sei a quem interessa omitir o nome do autor. Verticalizam todas as atenções para o intérprete não dividem os méritos com quem de fato tem a criatividade…

32) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Juraildes da Cruz: É uma cobertura que esconde uns e deixa outros descobertos, quem não paga jabá, dormi no frio, não tem cobertura, é um sistema que acoberta quem paga jabá e deixa ao relento descobertos quem não tem para pagar.

33) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Juraildes da Cruz: Ainda bem que existem, nos assistem e resistem em continuar estendendo a mão a arte. São oásis nesse imenso deserto, Sesc, Sesi, Itaú cultural são quem fornecem cobertura e apoio a nossa cultura popular Brasileira. Eu mesmo já tive a honra de participar dos editais e me apresentar em teatros de excelentes qualidades no ITAU CULTURAL, SESC, SESI.

34) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Juraildes da Cruz: Recentemente o movimento da MPB nos bares em Goiânia foi declarado patrimônio cultural. Teve um longo tempo de vacas magras, mas agora já pós pandemia do Covid-19 a expectativa é de melhora, mesmo antes da pandemia a MPB sofreu um baque devido a nova geração ter como entretenimento a chamada música sertaneja universitária.

35) RM: Quais os seus projetos futuros?

Juraildes da Cruz: Vou fazer o lançamento online do DVD – Juraildes da Cruz e tocar o barco com o remo que Deus me deu.

36) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Juraildes da Cruz: (62) 98115 – 4353 | [email protected]

Canal: https://www.youtube.com/channel/UC8zDClZ6sI09DMVr2hBB0_g

Meninos | Juraildes da Cruz no programa Sr. Brasil: https://www.youtube.com/watch?v=9r-HiCNkjCU

Juraildes da Cruz — Meninos (2006) — [CD infantil]: https://www.youtube.com/watch?v=-wTSY_ZS-d8

DVD Meninos – Juraildes da Cruz: https://www.youtube.com/watch?v=3j4kK2oL-QQ

Juraildes Da Cruz Lei Aldir dia 25 de abril de 2021: https://www.youtube.com/watch?v=9oXMb2iLlm8

Live Solidária – Juraíldes da Cruz e Convidados no dia 25 de julho de 2020: https://www.youtube.com/watch?v=dnrGPbLRc9k

CULTURA NO AR entrevista o cantor e compositor JURAILDES DA CRUZ: https://www.youtube.com/watch?v=3ehHnS2lbZg

Juraíldes da Cruz, cantor e compositor: https://www.youtube.com/watch?v=IhspK29_5AY


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Uma Revista criada em 2001
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