Junio Figueira

Junio Figueira

O cantor, compositor e violonista paraense Junio Figueira é engenheiro agrônomo com grande satisfação para sobreviver e músico para ser ainda mais feliz com a família e amigos. ​

Junio Figueira tem atuação na música mais focada em divulgar as suas composições criadas sozinho ou em parcerias com poetas e músicos como: Marília Abduani, Eudes Fraga, Gonzaga Blantez, Max Reis, Walter Rezende. ​ São músicas em vários gêneros, da MPB passando pela Bossa Nova, e o estilo regional, como Carimbó.  Já teve música premiada no Festival de Carimbó na terra que nasceu o ritmo, Marapanim-PA, com o segundo lugar em 2019 na vertente Carimbó Livre. ​

A Música é herança de família paterna, todos músicos, uns profissionais com formação técnica e outros intuitivos mesmo, como Junio Figueira. ​ Tem dois filhos: Yuri e Heidi com sua esposa e musa Cristhianne Figueira que o apoia, inspira e incentiva. A agronomia e a música são os alicerces da sua felicidade que se reforça com a sua minha família e se completa com os seus amigos e incentivadores.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Junio Figueira para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 17.08.2020:

Índice

01) Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Junio Figueira: Nasci n dia 29.12.1972 em Santarém – PA e moro em Belém- PA desde os 3 anos de idade. Registrado como Antonio C. S. Figueira Junior.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Junio Figueira: Meu contato com a música é desde que nasci. Os meus pais eram muito musicais, lembro de vários discos em casa de Altemar Dutra principalmente, caindo na vitrola de 14 discos e também de meu pai tocando Violão. Adorava tocar “Gente humilde” do Chico Buarque. Minha mãe cantava sempre nos afazeres de casa.

03) RM: Qual sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Junio Figueira:  Formação acadêmica: Engenheiro Agrônomo e músico por dom e intuição.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Junio Figueira: Quando comecei a me interessar pelo Violão, eu já tinha 20 anos de idade, já estava na Faculdade cursando Engenharia Agrônoma, tinha um vizinho, Luis Piauí, que tocava muito Bossa Nova e MPB e eu estava sempre prestando atenção à forma e harmonias (acordes) pra depois tentar imitá-lo (risos). E na Faculdade de agrarias, tinha muita influência de música sertaneja, as antigas de Chitãozinho e Xororó, João Paulo e Daniel, Zezé Di Camargo e Luciano, etc… A simplicidade dessas músicas foi me dando a dinâmica entre fazer os acordes, tirar o som e cantar. Depois fui me desafiando – no dia que eu tocar tal música posso dizer que toco Violão.

Assim as coisas foram evoluindo, mas tudo de forma tácita, nunca estudei música, a não ser os famosos “vigus” – violão e guitarra, revistas que continham letras cifradas com as imagens dos acordes, com sua simbologia que é necessário aprender para ler as músicas e reproduzi-las no instrumento.  Hoje pouco toco as músicas sertanejas, apenas em reuniões de família. Mas gosto muito pois meu estilo inclui o romântico, e as sertanejas geralmente falam de amor e isso nunca vai passar.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Junio Figueira: Não tenho carreira musical como artista de palco. Já fiz várias participações, dei muitas canjas, já fui convidado de shows, mas nunca trabalhei meu nome com artista a ser contrato etc. Acho que estou mais pro lado de compositor mesmo que se intensificou a partir de 2012.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Junio Figueira: Não tenho CD lançado ainda. Estou construindo o projeto que pode sair em 2020 ou início de 2021 a pedido de amigos, parentes e admiradores.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Junio Figueira:  Tenho muito do romântico associado a MPB e o estilo regional com músicas que exaltam belezas naturais do Pará; que é minha terra natal, falando do folclore como a lenda do Boto e costumes regionais.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Junio Figueira:  Ainda não. Está como uma das metas de 2020.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Junio Figueira:  Importância total. Se hoje sou engenheiro agrônomo é porque estudei para isso. Se quero cantar e agradar preciso estudar e fazer direito. Claro que existe o que vem de nascimento, timbre, essas coisas, mas as técnicas além de melhorar o que se canta, protege todo o aparelho vocal de desgastes.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Junio Figueira:  Emílio Santiago, Zé Luis Mazziotti, Flávio Venturini, Eudes Fraga, Ana Carolina, Marisa Monte, Nana Caymmi, Djavan, Ivan Lins, Guilherme Arantes, Nilson Chaves.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Junio Figueira:  Isso é engraçado. Eu pego meu celular e abro o bloco de notas, escrevo a letra. Depois pego o Violão e vejo que melodia sai. Quando dá liga eu passo a letra para uma folha ou um caderno, e aciono o gravador do celular. Gravo Voz e Violão e imediatamente mando para o meu e-mail. Já perdi algumas coisas em celulares que deram problemas e não consegui consertar. Quando não é assim eu passo a letra para o celular da minha esposa Cristhianne Figueira, e gravo (risos).

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Junio Figueira:  Isso é um presente de Deus. Meu primeiro parceiro de composição foi o Eudes Fraga. Através dele conheci outros maravilhosos poetas como Max Reis, Marília Abduani. Tenho parceria com os poetas do Pará Fernando Pessoa e Walter Rezende.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Junio Figueira:  Ilma Maria, cantora de Carimbó, gravou três músicas minhas no novo CD dela. Uma delas foi “Piracaia”, que ficou em segundo lugar no Festival de Carimbó de Marapanim – PA em 2019. A música de trabalho do CD também é minha, “Lua Alcoviteira” que inclusive tem um clip: https://www.youtube.com/watch?=mZyIqnHdTl4 .

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Junio Figueira:  A independência já fala por si, liberdade é o ponto positivo. Poder fazer da nossa forma. Negativo é a dificuldade de atingir um maior número de pessoas. Apesar de hoje estar mais fácil com as redes sociais. Mas temos ainda muita influência da grande mídia que nos tem brindado com cada pérola (risos). O que arrastou a música nacional para um nível baixo nunca antes visto.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Junio Figueira:  Tenho tentado aparecer como compositor. Gostaria muito de ter minhas músicas escutada por nomes de destaque da MPB. Busco para isso divulgar vídeos marcando artistas que imagino cantando a minha canção. Infelizmente nunca obtenho resposta nenhuma. Apenas Zé Luis Mazziotti me respondeu outro dia, o que me deixou muito feliz.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Junio Figueira: Tento fazer como quer minhas músicas cheguem aos intérpretes da MPB que admiro e imagino cantando as canções. Faço vídeos e divulgo nos canais do facebook, instagran e youtube.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Junio Figueira: acho que só ajuda. sem a internet é provável que a gente nem estivesse conversando.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Junio Figueira: A vantagem é o custo, principalmente para quem não vive de música apenas. No meu caso, como não tenho um produto musical gerando renda, preciso buscar formas mais baratas de produção e gravação das canções. É nesse sentido que vi com muita tristeza os últimos anos, recursos do governo Federal indo para artistas renomados ao invés de anônimos para impulsionar a carreira. Vimos gente que não precisava, receber vultuosos recursos enquanto pequenos e notáveis artistas sequer foram vistos.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Junio Figueira: Qualidade de letra e melodia. Essa é a única forma de chamar atenção do nicho que frequento. A concorrência é enorme e muito qualificada, então busco fazer o melhor possível, para quem sabe uma hora ser visto.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Junio Figueira: Houve uma decadência musical no Brasil. Contamos nos dedos os artistas consagrados que trouxeram novos trabalhos, enquanto os habitantes do quintal da grande mídia ganharam uma força desproporcional à qualidade apresentada. Revelação: no meu estilo musical MPB, nenhum! Obra consistente: Djavan. Regrediu (estagnou): Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque, e demais grandes nomes da MPB. Muita regravação e o pouca criação nova.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Junio Figueira: Djavan, Roupa Nova.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Junio Figueira: Ainda não tive nada das situações citadas na pergunta. Tive mais surpresas como a ida ao Rio de Janeiro com tudo pago como finalista de um concurso interno da Vale do Rio DocePrêmio da Música Brasileira em 2013. Esse concurso era para funcionários das empresas que trabalhavam para a Vale do Rio Doce e como eu cantava nos happy hours da empresa, o pessoal fez minha inscrição. Fiz um vídeo cantando “Corcovado” (Tom Jobim) e fiquei entre os três finalistas do Festival “Vale Cantar”, de repente eu me vi no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, sentado na primeira fila da plateia. Foi mágico aquilo!

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Junio Figueira: Sou muito feliz, pois não crio expectativa de fama e riqueza com a música. Um dos meus desejos ver e ouvir algum nome da MPB cantando uma canção minha ou feita em parceria. Se um dia acontecer será um dos dias mais felizes da minha vida.

24)RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Junio Figueira: Existe o Dom. Eu me acho um exemplo de que nasceu com o Dom para música. Nunca estudei música e canto, e consigo agradar as pessoas com as minhas composições e forma de cantar.

25) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Junio Figueira: Beleza, estudo e técnica. Contudo conheço mestres na improvisação que também nunca estudaram para fazer aquilo. eis mais um exemplo de dom.

26) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Junio Figueira: Existe sim. Tem as duas formas. Criadas no momento e estudada antes.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Junio Figueira: A beleza do improviso é o ponto positivo. Não vejo nada negativo.

28) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Junio Figueira: Sem amigos e conhecidos no meio de comunicações não tocará sem pagar o jabá. A não ser que alguém faça igual ao pai (Francisco) do Zezé Di Camargo que ligava para a rádio, pedia para os amigos fazerem o mesmo, pedindo para tocar a música do filho(risos).

29) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Junio Figueira: Faça o que gosta. Mas não deixe a qualidade de lado. Até para fazer coisa ruim é preciso competência (risos).

30) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Junio Figueira: Prós é que Festival de Música é uma vitrine. Contras: modelos de jurados. Esse negócio de botar para votar na internet é furada.

31) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Junio Figueira: Em termos de revelação pode ser. Mas em termos de aparição para o cenário nacional, acho que não. Participei e assisti a Festivais de Música nesse período de pandemia do novo corona vírus que vi gente que nunca ouvi falar. Artistas conhecidos entre eles, mas que eu nunca tinha ouvido falar. Gente muito boa, mas “escondida”.

32) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Junio Figueira: Uma porcaria. As pérolas que caem no quintal de uma Globo da vida, ela despeja nas salas do país sem o menor critério. O que importa é a audiência em um país imbecilizado por essa mesma grande mídia.

33) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Junio Figueira: Toda iniciativa é válida. Tudo aquilo que some com a classe artística em forma de apoio, incentivo, divulgação, abertura de espaços, que promovam a visibilidade de anônimos do país sempre será bem-vindo.

34) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Junio Figueira: É a única opção(risos). Eu não rio com satisfação, mas com preocupação.  A turma que sobrevive de música na noite de Belém – PA estar sofrendo diante dessa pandemia do novo corona vírus. Além de serem mal pagos, explorados por se permitem a isso, estão todos parados agora. Já é uma classe profissional que não se respeita e não se organiza. Estar sendo bem ruim para eles.

Temos alguns Bares em Belém que dão apoio legitimo ao músico como a confraria do Fraga, do cantor e compositor Eudes Fraga. Ele faz os shows e toda a bilheteria é do artista. Acho bem legal e é um diferencial na noite de Belém.

35) RM: Quais os seus projetos futuros?

Junio Figueira: Organizar a vida profissional acadêmica. Muitas coisas se acumularam e como é ela que me dá o pão de cada dia vou prioriza-la. A música vai andar junto, impossível viver sem ela. O CD deve sair até 2021. Tenho muitas músicas boas guardadas, graças aos maravilhosos parceiros musicais. A quantidade dar uns dois a três CDs, mas vou fazer uma seleção para chegar chegando no mercado musical (risos).

36) RM: Junio Figueira, Quais seus contatos para show e para os fãs?

Junio Figueira: (91) 99112 – 9654 (vivo – whatsapp) | [email protected] 

https://web.facebook.com/antoniojunior.figueira 

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCbFNhitGdMZTiHKdgMDpqtg 

“Lua Alcoviteira” – por Ilma Maria: https://www.youtube.com/watch?v=mZyIqnHdTl4 

Minha Flor – Junio Figueira: https://www.youtube.com/watch?v=xrdXN93O7rk 

Vento Norte – Junio Figueira: https://www.youtube.com/watch?v=ahBdCnmN_M4 

Olha-me – Marília Abduani / Junio Figueira: https://www.youtube.com/watch?v=_-BnxRrDzn0 

Andança – Marília Abduani / Junio Figueira: https://www.youtube.com/watch?v=zJyKn9SYeAQ 

Sangue Divino – Eudes Fraga / Junio Figueira: https://www.youtube.com/watch?v=oLJ3zGqX8Os 

“Corcovado” (Tom Jobim) por Junio Figueira: https://www.youtube.com/watch?v=eh_7CZnqvks

0 0 voto
Article Rating

Subscribe
Notify of
0 Comentários
Inline Feedbacks
Ver todos os comentários
Tagged
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.