Ju Souc

Ju Souc

A compositora e multi-instrumentista mato-grossense-do-sul Ju Souc começou na música estudando Piano erudito aos 7 anos de idade. Tocou Piano na entidade filantrópica Filarmônica Villa Lobos por 10 anos. Aos 14 anos estudou Violão popular como autodidata e aos 16 anos começou as aulas de bateria e em seguida faturou prêmio de melhor baterista no Festival “Batuka! Brasil”- SP em 2013.

Ju Souc foi baterista da banda “Pétalas de Pixe” que acompanhava o cantor e compositor Jerry Espíndola, a banda subiu aos palcos do Festival América do Sul em 2012 e do Festival de Inverno de Bonito em 2013. Na gravação do disco das Pétalas gravou sua primeira canção autoral, emplacando o hit “O Acaso” entre outras canções.

Em 2014 Ju Souc tocou Violão numa turnê interestadual com Paulo Simões e também participou da banda de um dos melhores guitarristas e compositores do blues pantaneiro, Zé Pretim Trio e acompanhou “Filho dos Livres”, entre outros,

Em 2014 Ju Souc lançou seu primeiro disco com incentivo do FMIC – Fundo Municipal de Investimento à Cultura – em que gravou quase todos os instrumentos. O disco com 10 músicas autorais, incluindo “Baião de 3”, “O Amor Não Vai Embora”, entre outras canções de sucesso. Também pôde contar com a participação do músico baixista Arthur Maia e de influentes músicos e amigos da região.

Em 2016 Ju Souc levou para o público sul-mato-grossense, no Festival América do Sul Pantanal, todo o seu repertório autoral, encerrando as apresentações do Palco do Sol no Porto Geral de Corumbá/MS.

Em julho de 2020 Ju Souc lançou seu novo EP nas melhores plataformas digitais.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Ju Souc para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 06.08.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Ju Souc: Nasci no dia 10.03.1988 em Campo Grande – MS. Registada como Juliana de Sousa Conceição.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Ju Souc: Na barriga de minha mãe, quando meu avô passou a batuta de maestro para as mãos do meu irmão que estava no colo dela. A emoção daquele momento com certeza foi repassada pro ventre.

03) RM: Qual sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Ju Souc: Fiz técnico em Piano popular e erudito (iniciei os estudos aos 7 anos de idade). Fora da área musical tenho formação em Direito, advogo nas horas necessárias.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Ju Souc: No passado, J.S. Bach, Chopin, Ernesto Nazareth. Também ouvia de tudo na época em que as rádios nos possibilitavam ouvir todos os estilos musicais. No presente ouço muita música brasileira, jazz e artistas regionais. Deixaram de ter importância as músicas internacionais, exceto jazz.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Ju Souc: Eu comecei minha carreira musical em 2013 ao ganhar um prêmio de melhor baterista no Festival “Batuka! Brasil”, pois tive que lançar meu nome artístico e, no mesmo ano, gravava meu primeiro CD.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Ju Souc: Em 2014 lancei CD – Ju Souc. Eram músicas bem variadas nos ritmos, com participações especiais de amigos locais, bem como do baixista Arthur Maia, ele com certeza deu ao disco um toque muito especial, muita honrada em tê-lo nas gravações.  As músicas que se tornaram hits são: “O Acaso”, “aquela valsa”, “baião de 3”, “o amor não vai embora” e “sambalê”.

Em 2019 lance três singles: “Estrada”; “Quanto vale” em parceria com o guitarrista baiano Jaguar Andrade; “Uma rosa vermelha e duas amarelas” parceria com músico e jornalista regional Rodrigo Teixeira, quem fez a letra e eu musiquei.

Em julho de 2020 lanço meu EP – “2020.1” com cinco novas canções autorais: “Sabiá”; “Tóxico Natural’; “Café na mesa”; “Mensageiro”; “Coração que ama”. Um estilo bem pop com mensagens importantes para que as letras sejam acessíveis a todo e qualquer público.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Ju Souc: Atualmente Pop, uma mistura. Depende muito do momento, já fui MPB.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Ju Souc: Fiz aulas de técnica vocal para gravação do primeiro CD. Pretendo voltar com urgência.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Ju Souc: É prioridade, pois é fundamental saber cuidar de um “instrumento” (A Voz) que não se compra em lugar algum. Além de favorecer na execução de uma melodia e deixá-la mais bonita e agradável ao ouvinte. É preciso saber cantar. Confesso que preciso amadurecer nesse compromisso.

09) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Ju Souc: Elis Regina, Maria Bethânia, João Bosco.

10) RM: Como é seu processo de compor?

Ju Souc: No silêncio e sozinha. Preciso de silêncio e solidão, qualquer hora do dia. Já acordei com melodia na cabeça, já fui dormir com letras novas e etc.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Ju Souc: Meus amigos músicos da cidade de Campo Grande. Já tive parcerias com Jerry Espindola e Rodrigo Teixeira. Até hoje a maioria fiz sem parceiros(as), mas já estou caminhando para muitas parcerias.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Ju Souc: Jerry Espíndola.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Ju Souc: Prós: liberdade. Contras: falta de planejamento de carreira e custos. Ser independente nos cobra a responsabilidade de dar conta de tudo, muito além das composições e gravações. Nos torna donos do próprio “negócio” com total responsabilidade com os custos financeiros.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Ju Souc: Investimento em redes sociais, tento planejar cada lançamento de trabalho.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Ju Souc: Vídeos e diálogo constante com os apreciadores. Tento conhecer ao máximo o público que gosta das minhas músicas. É incrível como eles/elas se identificam com meu trabalho. Gosto muito e valorizo isso.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Ju Souc: Ajuda a reduzir os custos com divulgação, mas prejudica com o retorno financeiro, pois apesar das plataformas digitais serem úteis (atualmente muito usadas) não sabemos exatamente o que estamos ganhando, a credibilidade nas novas ferramentas ainda deixa a desejar.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Ju Souc: Vantagens: eu tenho todo o tempo para compor e projetar uma música. Consigo ouvir e trabalhar com a dedicação e empenho que a música merece. A desvantagem é que se deixarmos a gente nunca termina de gravar (risos), pois sempre queremos alterar ou mexer em algo no dia seguinte. 19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Ju Souc: Ser eu mesma, foi, é e sempre será meu propósito. Ninguém se torna referência sendo cópia de algo ou alguém. Sou fã das pessoas que vivem a música de dentro para fora. Aí que mora a riqueza de cada um.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Ju Souc: Eu viajo pouco, apesar de ouvir muita música, então vou responder pelo que percebo mesmo que minimamente. As revelações eu considero que estão no segmento independente. Não consigo citar nomes. Considero que artistas nordestinos (nacionalmente reconhecidos) conseguem manter obras consistentes. Acho que o rock nacional não chegou ao patamar merecido.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística? 

Ju Souc: Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Caetano Veloso, Djavan, Lenine, Gil, João Bosco. 

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Ju Souc: Tocar Bateria em cima de um muro que era saída de emergência do local. Só tinha acesso via escada de escalar e o palco com os demais músicos da banda ficava no primeiro andar com uns seis metros de distância, surreal. Não se faz isso com músico nenhum (risos).

Já toquei e cantei meu show e não recebi, uma triste realidade, pois temos custo para apresentações e quando não recebemos acabamos pagando pra tocar.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Ju Souc: Mais feliz: ser eu mesma, expressar a arte através da música. Acredito na humanização das pessoas através da arte, sem ela somos meros robôs mortais.

A tristeza é a falta de movimentações artísticas no Brasil. Nosso país é muito rico que deveria ter sua música valorizada e ouvida em inúmeros Festivais de Música serem fomentados por empresas privadas, que fizessem como incentivo para a população e não como obrigação ou apenas forma de propaganda de marcas.  A arte humaniza as pessoas.

24) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Ju Souc: Sim. Não só saber executar uma música nas diversas formas possíveis, mas, saber ouvir também é um Dom. Há de ser desenvolvido com o tempo, depende muito da vivência de cada um.

25) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Ju Souc: De dentro pra fora. Aliado ao sentimento a música encontra seu caminho e segue sem intenção de acabar, acho que ninguém gosta de parar de improvisar (rsos). Essa vai para quem realmente gosta de improviso.

26) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Ju Souc: Acredito na junção de tudo isso, tanto a improvisação de fato aliado ao estudo. Um caminhar paralelo. Um contribui para o outro. Não caminham separados.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Ju Souc: Prós: enriquecer o vocabulário artístico. Contras: manter o músico engessado, sem liberdade para criar algo.

28) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Ju Souc: Prós: conhecimento é fundamental. Contras: pode deixar o músico com receio ou medo de ser ele mesmo numa composição. Querer “entortar” uma cifra musical própria achando que deixará mais bonita, quando na verdade tudo é relativo e depende muito. Sempre falo que o que vem de dentro para fora é mais importante. Faço isso com minhas canções.

29) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Ju Souc: Não nas rádios que “dominam o mercado”. Também nunca paguei (risos). Minhas músicas tocam em algumas rádios locais muito boas.

30) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Ju Souc: Seja você mesmo. Siga em frente.

31) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Ju Souc: Prós: experiência, network, publicidade. Contras: cachê atrasado, não valorização dos iniciantes em detrimentos dos mais conhecidos.

32) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Ju Souc: Sim. Deveriam ser ultra constantes os Festivais de Música.

33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Ju Souc: Acredito que empresas do segmento musical devem patrocinar Festivais de Música constantemente, valorizando a arte local. Existem muitos músicos brasileiros nos seus diversos estilos que precisam de fomento. Desde o lançamento de um trabalho até chegar ao público de cada região. Ampla divulgação é tudo o que um trabalho merece para dar fechamento ao ciclo de um artista através de shows. 

34) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Ju Souc: Tenho experiência pelo SESC e já consegui trabalhar e divulgar meus trabalhos por três anos. Suporte fantástico, não único, pra quem está começando ou já tem carreira consolidada.

35) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Ju Souc: Não muito. Acredito que falta regulamentação para que os músicos não sejam desvalorizados e escravizados.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Ju Souc: Divulgar meu EP “2020.1” e executar o projeto BR262 que contempla músicos compositores brasileiros da década de 60 em diante, num formato Piano, Contrabaixo e Bateria, estilo MPB/Jazz.

37) RM: Ju Souc, Quais seus contatos para show e para os fãs?

Ju Souc: Shows: (67) 99976-9898 | [email protected] | EMMUC Produtora – www.emmuc.com    

Fãs: www.instagram.com/jusouc  | www.youtube.com/jusouc | www.facebook.com/sigajusouc   

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCMcUM83xhohUVSk4RI_rz0A 

“O Acaso” – Ju Souc: https://www.youtube.com/watch?v=5Xay3HxUvYI 

“Quanto Vale” –  Ju Souc feat. Jaguar Andrade: https://www.youtube.com/watch?v=Bd_l2tQFHyQ 

CLUBE DO LITORAL CENTRAL – “O ACASO”: https://www.youtube.com/watch?v=jJmPqEaEhQg 

“O amor não vai embora” – Ju Souc part. JERRY ESPÍNDOLA (CLIPE OFICIAL)

https://www.youtube.com/watch?v=ra3fPvVn_Xw 

Aos Olhos de Quem Escuta – Ju Souc: https://www.youtube.com/watch?v=jFjWRzzvaXY 

Aversão – Morena Tropicana – Ju Souc & Begèt De Lucena: https://www.youtube.com/watch?v=hTax3e-zTHc


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.