Josué Paglioto

Josué Paglioto

O cantor, violonista e compositor mineiro Josué Paglioto é um artista autodidata com quase 40 anos de carreira dedicados ao trabalho solo e em banda.

Josué Paglioto durante todos estes anos, o músico vem realizando apresentações ao vivo em toda região central-metalúrgica e da zona da mata mineira. Josué iniciou sua carreira nos anos 1980, participando, com canções autorais e parcerias, de importantes Festivais da Canção em Minas Gerais, como o Festival dos Festivais de Governador Valadares, o Festival de Rio Casca e o Festival de Cipotânea – este último do qual levou três prêmios para casa. Na mesma época, inicia o trabalho como músico da noite no Bar Velho Chico em Belo HorizonteMG. De lá para cá, nunca mais parou. Além do trabalho na noite, mantém um estilo plural fazendo o som de eventos familiares e corporativos como casamentos, aniversários, formaturas, jantares e shows em grandes eventos como a exposição Expovale, a feira Suinfest e o projeto Minas ao Luar. Da voz e violão à banda de baile completa, seu trabalho se adapta, contando com parcerias profissionais de músicos instrumentistas de excelente qualidade.

Em 2019, Josué lançou seu primeiro CD, “Policromia”, com 10 músicas autorais que passeiam por vários estilos desde o blues ao forró, sempre valorizando a canção e a música regional. O álbum está disponível no Spotify e para download no site www.josuepaglioto.com.br. 

Segue abaixo entrevista exclusiva com Josué Paglioto para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 15.08.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Josué Paglioto: Nasci no dia 15 de maio de 1962, em Ouro Preto, Minas Gerais.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Josué Paglioto: Desde criança tive um contato intenso com a música. Minha mãe canta muito bem e fui vizinho de dois músicos das antigas na cidade de Mariana – MG. Ganhei meu primeiro violão aos 9 anos, de forma muito inusitada. Estávamos, eu e meu pai, numa daquelas vendas antigas, bem mineiras, que vendem de tudo, quando percebi algo enrolado num saco plástico empoeirado. Perguntei o que era e o dono da venda disse que era um violão que ele estava tentando vender há muito tempo e não conseguia. Perguntamos o preço e era um terço do preço de mercado e assim ganhei meu primeiro violão. Lembro também da importância que teve uma professora na minha vida que notou, no recreio, que eu cantava afinado e me ensinou Carinhoso, do Pixinguinha. Virei atração da escola. Com essa música, aos 10 anos, ganhei um prêmio em um programa de calouros em Ouro Preto e a partir daí não parei mais.

03) RM: Qual sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Josué Paglioto: Musicalmente sou autodidata, aprendendo na troca de conhecimentos entre músicos. Sou graduado em Administração de Empresas e pós-graduado em Ensino de Arte.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Josué Paglioto: Minhas influências são muitas. Na infância ouvia muitos boleros e sambas canção, por conta do gosto de minha mãe e tias. Depois que comecei a tocar violão sofri e sofro influência direta do pessoal do nordeste: Geraldo Azevedo, Alceu Valença, Ednardo, Zé Ramalho, entre outros tantos. Até hoje todas tem muita importância em minha vida musical.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Josué Paglioto: Comecei em 1986 nos Festivais de Música e depois migrei para a noite, bares. Hoje atuo principalmente em eventos diversos como casamentos, aniversários, formaturas e festas corporativas.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Josué Paglioto: Lancei em 2019 meu primeiro CD – “Policromia”. O perfil é bem eclético, com músicas de várias fases da minha vida. A minha música “Fazenda” caiu no gosto de muita gente. De certa forma, o CD vai conquistando devagar as pessoas. Em 2021 pretendo lançar meu segundo CD.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Josué Paglioto: Eclético/plural, com foco em MPB, música regional, entre outros.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Josué Paglioto: Não.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Josué Paglioto: Embora não tenha formalmente estudado, tomo alguns cuidados para preservar a Voz, exemplo bebo muita água, canto no tom adequado a minha região vocal e evito coisas geladas, principalmente quando estou cantando.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Josué Paglioto: Se eu fosse fazer uma lista ela seria enorme. Mas posso citar: Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Elis Regina, Belchior, Leni Andrade, Mônica Salmaso e por aí vai.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Josué Paglioto: Na grande maioria das vezes vem melodia e letra de uma vez só. Nos últimos tempos me aventurei em parcerias, criando melodia para letras de outras pessoas.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição? 

Josué Paglioto: Dos tempos de Festivais de Música, o Bartolomeu Mendonça, de Belo Horizonte – MG. Nos dias atuais me atrevo a musicar poemas mágicos de Marília Abduani.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Josué Paglioto: Ninguém, mas espero que um dia a Maria Bethânia cante uma música minha (risos).

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Josué Paglioto: Eu, particularmente, acho que só tem prós. Encaro como uma opção, uma forma de seguir uma estrada que tem lugar para muita gente. Sempre trabalhei muito e não posso reclamar. O outro lado, o “dependente”, eu não conheço. 

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Josué Paglioto: A estratégia se chama trabalho. Um dos meus seguimentos de trabalho, por exemplo, são as festas de casamento, que exige uma atenção especial por ser um momento muito importante. Tanto para Igreja, quanto para a recepção, a atenção aos noivos é primordial. Presto sempre uma assessoria na escolha das músicas e no andamento do evento. Tem dado muito certo. No final é tocar, divertir e fazer com que as pessoas voltem melhores para casa.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Josué Paglioto: Faço divulgação pelas redes sociais, participo de eventos que possam dar maior visibilidade ao meu trabalho. Mas há que se registrar que o que mais funciona é o famoso “boca-a-boca”. São as referências de quem já foi em uma festa, gostou e indicou pra outra pessoa.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Josué Paglioto: Acho que a internet só ajuda, com ela ganhamos uma vitrine.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Josué Paglioto: Home estúdio é uma área na qual estou me aventurando por agora. Estou adorando. Tem muita coisa pra aprender. Dá pra fazer mágica em casa mesmo.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Josué Paglioto: Não me preocupo com esse tal de mercado musical. Trabalho, trabalho e trabalho. Tem dado muito certo. Mas gostaria de ressaltar algumas questões: segundo um cliente, “sou o melhor leitor de plateia que ele já viu”. Gostei da definição. Por ter um repertório bem grande, tenho a liberdade de adequá-lo à plateia que se apresenta, ou seja, vou observando e vendo o que cola e qual o caminho das pedras devo seguir. Não ter um show formatado, quadradinho, me ajuda neste ponto, pois posso tomar o rumo que o evento exige.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Josué Paglioto: O cenário musical brasileiro é muito diverso, um caleidoscópio. Com o advento da internet não mais se restringe à Rádio e TV, portanto tem música pra todos os gostos rolando direto. A chamada grande mídia insiste no seu caminho, mas existem outros vários disponíveis e fantásticos. Temos hoje infinitas revelações, todo dia surge uma nova. Para citar alguns temos Mateus Asato, Mônica Salmaso, Moska, Lenine, Hamilton de Holanda, é muita gente boa, muita música boa e tudo a um clic de distância.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Josué Paglioto: Admiro profundamente o Paulinho Moska, muito talentoso, compõe maravilhosamente bem, promove um intercâmbio musical com toda a América Latina, que é de uma riqueza sem igual. Os medalhões como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Maria Bethânia, etc. Admiro pela longevidade da carreira deles.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Josué Paglioto: São tantas que até estou escrevendo um livro sobre isso. Mas para citar apenas duas, vai uma de Barzinho. Todos nós aprendemos a máxima que o cliente sempre tem razão (embora eu não concorde inteiramente com isso). Certa vez, recebi um bilhete no qual havia um pedido de música: favor tocar “João de Giz”. Confesso que deu vontade de rir, mas mantive a postura e não me fiz de rogado e soltei um sonoro: – “Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um João de Giz…”. Cliente satisfeito.

Em outra ocasião, estava tocando na cerimônia de um casamento, o noivo entrou e ficou logo na minha frente (eu estava no palco) esperando a entrada triunfal da noiva. Quando olhei para ele vi que estava ficando pálido e bambo. Ninguém olhava para ele, todos prestavam atenção na noiva que já havia começado sua caminhada rumo ao altar. Foi cantando a música da noiva que, com muito custo, consegui chamar a atenção de uma senhora que logo veio ao socorro do noivo. Foi ela chegar perto e ele desmaiou. Resumo, atrasou o casamento, mas o noivo se recuperou e tudo correu às mil maravilhas.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Josué Paglioto: A música só me trouxe alegrias.

24) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Josué Paglioto: Existe o Dom, todo mundo tem o seu. Se você não descobriu ainda é porque não procurou direito.

25) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Josué Paglioto: Improvisar é pisar em pedras que eu sei onde estão. Eu as conheço e resolvo saltar de um para outra de formas diferentes.

26) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Josué Paglioto: Se você não conhece o caminho você não vai saber como andar nele.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Josué Paglioto: Métodos são formas de ajudar a conhecer o caminho. Tudo depende de você.

28) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Josué Paglioto: Estudar harmonia só enriquece. Mas saiba bem o básico primeiro, antes de subir e saltar de paraquedas.

29) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Josué Paglioto: Acho o jabá indecente. Mas tem gente que paga e tem gente que recebe. Uma coisa que não me canso de dizer é sobre o papel das rádios comunitárias como difusoras de novos talentos e novos caminhos. Elas não recebem nenhum jabá, portanto não precisam replicar o que as grandes rádios tocam e recebem pra isso. Se isso acontecesse já seria um ganho enorme. O rádio é um senhor meio até hoje.

30) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Josué Paglioto: Mergulhe de cabeça, estude e conheça pessoas e troque conhecimento, compartilhe, doe, receba. Toque, toque muito.

31) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Josué Paglioto: Festivais de Música são vitrines. Há quem não goste da competição, eu nunca liguei para isso. Gosto mesmo é de aparecer, cantar minha música e ver a reação das pessoas, se rolar um prêmio, ótimo.

32) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Josué Paglioto: Todas as vitrines são relevantes, toda oportunidade de mostrar o trabalho é relevante.

33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Josué Paglioto: A grande mídia é pequena dentro desse universo infinito da música.

34) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Josué Paglioto: Eu não conheço, mas tenho certeza que deve ser muito importante. Tudo que é bem estruturado e abre novos caminhos para arte é bem-vindo. Principalmente neste país em que ainda tem gente que acha que fazer arte é coisa de vagabundo.

35) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Josué Paglioto: Barra Longa – MG é uma cidade é bem pequena, mas minha região é bem rica em espaços para música ao vivo.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Josué Paglioto: Gravar um próximo CD, concluir o livro e tocar, tocar e tocar.

37) RM: Josué Paglioto, Quais seus contatos para show e para os fãs?

Josué Paglioto: www.josuepaglioto.com.br | [email protected]

| (31) 98435 – 8103 | www.instagram.com/josuepagliotomusico 

| https://web.facebook.com/josuepaglioto 

Spotify: Josue Paglioto 

Canal do Youtube: https://www.youtube.com/user/barratube2007 

Fazenda: https://www.youtube.com/watch?v=F12xjSwMhH0 

Banco do Jardim: https://www.youtube.com/watch?v=R4TX7HoZiVI 

Ela foi embora blues: https://www.youtube.com/watch?v=v0nfNidC_x0


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.