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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antônio Carlos da Fonseca Barbosa.

Josias – o forrozeiro nato


O cantor, compositor, percussionista, professor paraibano Josias – o forrozeiro nato tem uma veia poética, musical e muita afinidade com o campo onde cria ovelhas e também com a educação como professor na Escola do Campo Bento Tenório no sítio Santa Catarina em Monteiro – PB, Escola Vasconcelos Brandão em Serra Branca – PB, Jairo Aíres Caluete em Parari – PB.

Josias começou a sua carreira musical em 1988 sendo integrante da Banda Raios de Sol de Parari – PB e em seguida banda Nova Geração, Sensação Musical, Signos, Forró Raiz, todas bandas de Serra Branca – PB e desde 2018 segue carreira solo, lançou seu recente CD – “O Forrozeiro Nato”, em que traz canções de artistas da região: Dejinha de Monteiro, Nanado Alves, Ilmar Cavalcante, Josinaldo José.

Josias nunca fugiu das suas origens que é o Forró Pé de Serra, um gênero musical predominante nas zonas rurais, onde eram realizadas as festas nas residências, através dos trios de Forró, que tocavam de forma acústica, pois não havia energia elétrica e tudo era iluminado por candeeiros, lamparinas ou lampiões de gás.

Josias também faz cordéis, principalmente quando algum estudante lhe pede ajuda para trabalhos escolares. É bastante conhecido e reconhecido pelas músicas que compõe nas campanhas eleitorais. A sua composição mais conhecida é: “O Fogo do Pecado”, que conta a história de um incêndio ocorrido na Serra do Jatobá, local que deu origem ao nome da sua cidade natal Serra Branca – PB.

Josias se divide na área musical e a da educação, gosta de atuar nas duas profissões. Porém na pandemia do Covid-19 o trabalho como professor e pequeno produtor rural garantem a sua sobrevivência. Muitos músicos estão enfrentando privação financeira por falta de oportunidade de apresentações de shows.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Josias – o forrozeiro nato para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 04.10.2021:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Josias – o forrozeiro nato: Eu nasci no dia 17 de setembro de 1966, no sítio Farias em Serra Branca – Paraíba. Registrado como Josias Moura de Almeida.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Josias – o forrozeiro nato: O meu primeiro contato com a música foi quando aos 10 anos de idade eu construir um triângulo e comecei aprendendo a tocar sozinho. Eu ligava o rádio nos programas de Forró: “Forró do seu Vavá”, que era um programa de Genival Lacerda na Rádio Borborema de Campina Grande – PB. Também ouvia Zé Bezerra na Rádio Borborema e Ivan Bulhões na Rádio Difusora de Caruaru e ouvindo as músicas e aprendendo a tocar o triângulo.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Josias – o forrozeiro nato: Eu não tenho formação musical, eu canto por vocação mesmo! Eu voltei a estudar com 33 anos de idade no EJA (Ensino Fundamental e Médio) e entrei na Universidade com 39 anos. Eu cursei Licenciatura em Geografia, pela Universidade Estadual da Paraíba e leciono disciplinas de Filosofia e História. Trabalho como professor na Escola do Campo Bento Tenório no sítio Santa Catarina em Monteiro – PB, Escola Vasconcelos Brandão em Serra Branca – PB, Jairo Aíres Caluete em Parari – PB e dou aula para os detentos em cadeia pública.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Josias – o forrozeiro nato: Minha mãe Terezinha Maria de Jesus me levava para os Forrós que aconteciam na comunidade, eu ainda criança sem dançar o Forró, mas ficava vendo o tocador na sanfona, eu achava muito bonito, o meu sorriso ia pro canto da boca, era maravilhoso. O que continua sendo importante é a história de tudo que aconteceu, esses bailes de forró que aconteciam nas residências, hoje não existem mais. Antes a festa era iluminada no lampião de gás, depois que veio a modernidade, essa riqueza cultural acabou. Hoje utilizam os paredões de som, é tudo modificado, mas o Forró ainda tem uma grande importância. As influências do presente é poder ver grandes artistas de perto e com trabalhos maravilhosos que admiro: Flávio Leandro, Flávio José e até artistas de outros ritmos, mas que passam mensagens através de canções bem produzidas e bem interpretadas.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Josias – o forrozeiro nato: Em 1988, eu comecei minha carreira musical, antes eu tinha um Trio de Forró com meus irmãos, inclusive meu irmão Joilson que era o sanfoneiro do Trio viajou para São Paulo. Depois, eu fui convidado pelo sanfoneiro Luiz Carlos (Luiz de Bill), que comprou um equipamento de sonorização de festa e formou um conjunto de baile e comecei a tocar com ele. Depois passei por várias bandas de Forró da Paraíba, principalmente de Serra Branca. Hoje quando me apresento acompanhado como trio: Dudu na Sanfona, Messias na Zabumba, Josias no triângulo e voz. Outra formação: Dudu na Sanfona, Messias na bateria, Walbinho no contrabaixo, Caio Santos na guitarra e backvocal, Cristina como backvocal e Josias como cantor e tocando triângulo.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Josias – o forrozeiro nato: Gravei cinco álbuns e participei de outros álbuns. Em 2004 o CD – “Minha Terra”. Em 2005 o CD – “Caboclo Apaixonado”. Em 2006 o CD – “O Mundo Pode Acabar”. Em 2009 o CD – “O Fogo do Pecado”. Em 2018 o CD – “Josias Forrozeiro Nato”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Josias – o forrozeiro nato: Eu defino meu estilo como bom de se dançar, é um estilo de Forró raiz em que as pessoas têm a oportunidade de dançar, se alegrar e muitas vezes até namorar.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Josias – o forrozeiro nato: Já estudei técnica vocal, mas só por duas semanas, mas assisto aulas online.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Josias – o Forrozeiro Nato: É muito importante estudar técnica vocal, pois aprendemos a usar a voz sem esforço nem exageros e assim a dar mais suavidade. Tenho muito cuidado com minha voz! Não bebo, não fumo, dificilmente tomo alguma coisa gelada. Faço o máximo para preservar as minhas pregas vocais.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Josias – o forrozeiro nato: Luiz Gonzaga, Flávio José, Flávio Leandro, Aldemario Coelho, Bella Raiane, Lucy Alves, Elba Ramalho. São muitos, não tenho como lembrar de todos.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Josias – o forrozeiro nato: Pra compor as vezes pego um tema, crio a melodia sem usar instrumento, depois escrevo a letra ou crio a letra e depois crio a melodia. Sempre crio minhas músicas sozinho.

12) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Josias – o forrozeiro nato: Maurício Ramalho, Banda Sensação Musical.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Josias – o forrozeiro nato: Prós, é não ficar subordinado a ninguém, trabalhar e divulgar da forma que quiser. Os contras são as rádios que em sua maioria não divulgar a música dos artistas independentes e não ter um empresário investindo em nossa carreira.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Josias – o forrozeiro nato: Estratégias, é gravação de CD para mostrar o trabalho, ter compromisso e pontualidade, ter o nome limpo no comércio e na sociedade, tratar bem os companheiros de trabalho. Usar a internet, inclusive quando passei a ter acesso começou a pandemia do covid-19.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Josias – o forrozeiro nato: Praticamente a gravação das minhas músicas e lançar meus CDs e usar a internet para fechar contrato de show, aprender músicas, divulgar shows. Eu comprei um carro para quando a vida voltar ao normal com o fim da pandemia do covid-19 poder viajar para divulgar o trabalho e fazer shows.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Josias – o forrozeiro nato: A internet só me ajuda!

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Josias – o forrozeiro nato: A tecnologia utilizada nos estúdios é de grande importância, pois cada vez mais podemos gravar nossas músicas perto de casa e com uma qualidade favorável e com um baixo custo financeiro.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Josias – o forrozeiro nato: Não saiu do meu estilo de Forró Pé de Serra, tento errar o mínimo, respeitar o contrato e os contratantes em todos os termos, inclusive na pontualidade.

19) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Josias – o forrozeiro nato: O Forró passa por um momento de confusão na cabeça da juventude que é manipulada pela grande mídia, quando diz que banda Calypso é Forró, Pisadinha é Forró, Vanerão e outros estilos é Forró e ignora quem faz o verdadeiro Forró. As revelações são: Flávio José, Flávio Leandro, Santana – O cantador, Aldemario Coelho, Petrúcio Amorim, Jorge de Altinho, Marcial Melo. Quem regrediu: Os Três do Nordeste, Trio Nordestino.

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Josias – o forrozeiro nato: São muitos, mas vou citar os que eu conheço mais de perto: Flávio José, que é muito perfeccionista e isso é muito bom, pois ele tem muito cuidado com a sua imagem, com o repertório. Flávio Leandro, que é um grande compositor, interprete e preocupado com o social.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Josias – o forrozeiro nato: A pior situação que já passei, foi uma briga que aconteceu em uma festa e um homem foi esfaqueado, levado para o pronto socorro, mas ele faleceu e o Forró acabou. Foi todo mundo embora, apenas nós da banda e a família que promovia a festa ficamos no local. Também já parei muitos shows por falta de energia elétrica e os bêbados pedindo para tocar sem som.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Josias – o forrozeiro nato: O que me deixa mais feliz é ver um salão lotado e as pessoas pedindo para tocar mais, quando a gente estar se despedindo. Também quando a gente é reconhecido, parabenizado pela voz e pelo trabalho. O que me deixa triste é ver colegas de profissão querendo queimar o trabalho um do outro, muitas vezes até fazendo shows por um valor de cachê abaixo da média.

23) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Josias – o forrozeiro nato: O movimento do “Forró Universitário” foi bom, pois deu mais evidência ao Forró que era visto como uma coisa da periferia ou da zona rural. Eu acho que foi uma estratégia da grande minha, para dizer que estava surgindo uma novidade. como era uma coisa de São Paulo e geralmente São Paulo sai na frente em tudo, veio essa ideia do Forró universitário. Só que eu já era universitário e forrozeiro.

24) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Josias – o forrozeiro nato: Banda Falamansa e Rastapé.

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Josias – o forrozeiro nato: Não posso generalizar, mas acredito que a maioria das rádios cobram o jabá, visto que são empresas e focam o lucro. Um empresário e/ou artista que paga para a sua música tocar na rádio, quer como retorno da divulgação, ter mais shows, pois hoje pouco se vende discos. Esse seria o retorno do investimento.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Josias – o forrozeiro nato: Eu digo para quem quer ser artista que não é fácil e precisa de dedicação, vontade, responsabilidade e entender que são poucos que farão sucesso nacional ou internacional. É preciso também contar com a sorte.

27) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Josias – o forrozeiro nato: Uma vantagem do Festival de Música é que o artista aparece nas mídias e se ganhar algum prêmio, melhor ainda, pois enriquece o currículo. Os contras é que nem sempre ganha o melhor, pois em uma apresentação pode haver erros e não significa que o artista não é bom, apenas falhou.

28) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Josias – o forrozeiro nato: Talvez não, visto que quem vai para os festivais de música já faz sucesso nas redes sociais. Quem brilha nos programas de TV, exemplo, The Voice Brasil da Globo, se consagraram, como exemplo temos: Luan Estilizado, Lucy Alves, Fulô de Mandacaru, Eduarda Brasil, Laís Amaro. Atualmente no The Voice Kids: Helloysa do Pandeiro, Laís Menezes.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Josias – o forrozeiro nato: A cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira é de acordo com os interesses do mercado musical, visando o lucro e deixa de lado a essência da arte, a mensagem, as raízes culturais e seguem o modismo. Não posso generalizar, pois existe meio de comunicação que segue no sentido oposto do mercado, que para mim é o correto.

30) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró dos anos 90 e as atuais do Forró Estilizado?

Josias – o Forrozeiro Nato: As bandas de Forró dos anos 90 eram melhores. É claro que tinham muitas letras depreciando a mulher, mas tinham muitas músicas boas, principalmente as compostas por Rita de Cássia. O Forró Estilizado é marketing dos empresários para conquistar os adolescentes.

31) RM: Quais os seus projetos futuros?

Josias – o forrozeiro nato: Pretendo gravar um clipe com uma música de Flávio Leandro e se possível com a participação dele. Acho que o ciclo dos CDs, dos DVDs já passou, com o advento das redes sociais não compensa mais investir nesse formato de produto e divulgação.

32) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Josias – o forrozeiro nato: (83) 9982 – 9956 | [email protected]

| https://www.instagram.com/josiasforrozeironato | https://web.facebook.com/josias.forrozeironato.5

Canal Josias forrozeiro nato: https://www.youtube.com/channel/UCGNvIgg68Ud3M0HXDWtT2wg

Live – Josias forrozeiro nato: https://www.youtube.com/watch?v=PVNvQMVi8Sc

JOSIAS O FORROZEIRO NATO – MÚSICA SERRA DO JATOBÁ: https://www.youtube.com/watch?v=TDLxvYe7MXU

Josias o Forrozeiro nato – música Serra Branca é o meu lugar: https://www.youtube.com/watch?v=WS_RdO6SKK8

Forrozeiro Nato C&C DIA 25.03.2018: https://www.youtube.com/watch?v=UvYvzBsphUg

Atrações – Josias, o forrozeiro nato, e Zé Preto Benedito, o Rei dos Oito Baixos – Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=83qtNpcrSpY

Atrações – Josias, o forrozeiro nato, e Zé Preto Benedito, o Rei dos Oito Baixos – Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=DZFJeAAEPTs


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Antônio Carlos da Fonseca Barbosa.