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Categorias: Entrevistas

Jorge Mello


O cantor, compositor, arranjador, produtor musical, instrumentista, advogado, o piauiense Jorge Mello, é amigo e um dos principais artistas do movimento conhecido como Pessoal do Ceará.

Enfrentou dificuldades no Sul Maravilha (Rio de Janeiro) em 1971, com os amigos Belchior, Fagner, Cirino, e Teca (mulher de Jorge), vivendo dias difíceis num kitchenet em Copacabana. Nesse período o Fagner foi “adotado” por um casal de franceses que eram amigos de artistas como: Elis Regina e Ronaldo Bôscoli. Sendo a ponte da aproximação da música desses músicos com a cantora Elis Regina, que proporcionou os primeiros reconhecimentos musicais para Belchior e Fagner. Jorge, foi contratado pela TV TUPY, no Departamento Musical, e trabalhou como criador de trilhas sonoras, e, como era arranjador e maestro, também prestou serviços para gravadoras. E foi o criador de trilhas musicais para a TV Educativa do Rio de Janeiro, como a trilha da novela “João da Silva” de 1973. Assim conseguiu trabalhar como músico em show e em 1972 lançou o compacto duplo com a música “Felicidade Geral”, canção sua que lhe deu o prêmio de “Maior Comunicação” no V Festival Universitário de Música.

Mas, São Paulo seria a próxima parada para a continuidade dos trabalhos e organização pessoal e profissional, pois fez parte de programas na TV Cultura e da TV Bandeirantes (programa MAMBEMBE), gravado no Teatro Bandeirantes.

Vieram os discos: Em 1972 lançou o Compacto Duplo: “FELICIDADE GERAL” pela Poligran. Em 1976 lançou: “Besta Fera”, disco aclamado pela mídia e crítica especializada. Em 1977 lançou: “Jorge Mello Integral” pela Warner. Em 1978 lançou: “Coração Rochedo” pela Continental. Na década de oitenta lançou: “Trovador Eletrônico Vol. I e II” pelo seu selo Paraíso Disco. E isso foi apenas o começo:

Jorge Mello e Belchior formaram uma parceria musical que se estendeu por várias décadas. E uma relação de sociedade que durou quase vinte anos. Abriram uma gravadora na década de oitenta: Paraíso Discos. Essa sociedade foi desfeita em 1995 e Jorge Mello, que mantinha sua própria empresa JMT PRODUÇÕES, cuidada por ele e sua mulher e sócia Teca Melo, uma produtora com os selos TERRAMAREAR  e o selo JMT PRODUÇÕES, passou a cuidar só de suas empresas em família.

Além de ser um excelente músico, compositor, arranjador e pesquisador na área musical e de literatura de Cordel. Em paralelo aos shows, Jorge apresenta uma palestra/show sobre a literatura de Cordel e o Repente fazendo um “showlestra”, todo ele improvisando versos rimados, ou seja, mostra na teoria e prática suas informações sobre essa matéria.

Em 2002 se formou em Direito e começou atuar como advogado na área do Direito Autoral. Encontrou assim, na área burocrática (de advogado) e, também na atividade de pesquisador (de Cordel e Repente) uma forma digna de sobreviver sem ter que baixar a qualidade do seu trabalho para poder vender seus shows.

Lançou na década de noventa os CDs: “Mais que de Repente” produzido pela JMT PRODUÇÕES e distribuído pela Brasidisc, que é uma amostrar do seu show. E o CD – “Rima” produzido também produzido pela JMT PRODUÇOES e distribuído pela CAMERATE. Em 2002 lançou o CD – “Claramente” produção sua, distribuído pela CPC UMES. 

Jorge Mello sempre esteve à frente do seu tempo e quem escuta os seus três primeiros discos percebe um arranjador futurista. Um compositor nordestino que não deixou as amarras do regionalismo exótico imposto pelas gravadoras impregnar a sua arte. Ele faz o melhor som nordestino com a liberdade de expressão, musical e de criatividade para trazer à luz dos nossos olhos e ouvidos novas informações musicais.

Canta com uma força vulcânica que mostra sua origem nordestina moura e canta o que acredita não atendendo o modismo mercadológico que conhece bem as suas armadilhas quando foi empresário de gravadora. Respeitado pelos seus contemporâneos e pelas novas gerações que reconhecem seu talento híbrido e puro na sua arte.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Jorge Mello para a www.ritmomelodia.mus.br , entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 27.11.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Jorge Mello: Nasci em 27 de novembro de 1948, em Piripiri no Piauí.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Jorge Mello: Vem de longe, de 1956 em Piripiri – PI. Meus pais se casaram já com idade adiantada para a época. Minha mãe era uma bem sucedida funcionária pública. Foi Telegrafista dos Correios e Telégrafos de Piripiri e a primeira telegrafista do município vizinho de Pedro II – PI, e nesse trabalho exerceu também a função na capital do Estado do Piauí, em Teresina. Profissão equiparada hoje a altos funcionários da NASA, ou a grandes especialistas em computadores. Isso no pós-guerra, em 1946. Minha mãe Maria Hilda de Carvalho Melo, era a comunicação de todos do centro do Estado do Piauí, com todos do mundo inteiro. Trabalhando no telégrafo, como telegrafista, se comunicando em Código Morse, criado pelo Samuel Morse, pintor e físico norte-americano, inventor do telégrafo e do alfabeto Morse. Minha mãe, uma progressista.

Meu pai, Raimundo Borges de Melo, um comerciante na Praça do Mercado de Piripiri. Eu como sou o filho mais velho, e vinha menino todo ano para o casal, fui basicamente criado pelo papai, ali no ambiente da Praça do Mercado, sorte minha, porque nesse ambiente popular onde circulam os bêbados, ébrios, embriagados, sempre figuras simpáticas, junto aos desempregados, enfim, o povo. Também estavam por lá, todos os dias os repentistas, os cordelistas, os pedintes criando versos com suas rabecas, e outras figuras populares e folclóricas da cidade. Um ambiente alegre, que aprendi a gostar desde pequeno.

No comércio de meu pai, “Armazém São Jorge”, se vendia de tudo. Até sanfonas, máquinas de costura, bicicletas, facas, facões, remédios, e muitas bebidas alcoólicas servidas no balcão. Na organização familiar, meu pai ficava comigo e minha mãe, levava para seu trabalho no prédio dos Correios e Telégrafos, o meu irmão Emanuel. A Socorro e o Raimundo José, ficavam com uma babá, eram bem pequenos!

Tínhamos um pequeno sítio de nome Veneza. Meu pai ia todos os dias no sítio, pegar coisas pra casa e para vender na sua “bodega”, nome dado aos pequenos comércios. E eu aproveitava essas suas saídas da “bodega”, para pegar na sanfona, e o fazia todos os dias, exercitando as melodias que conhecia. No começo, eu pegava uma pequena Hering de 24 baixos. Depois passei a pegar na maior, uma Universal de 80 baixos. Mas… tudo escondido.  Eu adorava o repertório de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e da “Marinês e sua Gente”. E tocava também valsas conhecidas como “Saudades do Matão”. Mas, um dia o papai chegou mais cedo do que eu previ, e me pegou tocando. Eu morri de medo. Pensei que ia levar uma surra ou uma reprimenda daquelas. Mas…, ele não falou nada. Fechou o estabelecimento e fomos pra casa, como fazíamos todos os dias.

No dia seguinte, quando eu cheguei com ele, na bodega, ao abrir o estabelecimento, ele me falou: “Jorge, agora seu serviço não é servindo ninguém, atrás do balcão, vai ser ali na frente”. E apontou um tamborete que havia posto entre as duas portas do estabelecimento, de frente para a Praça do Mercado de Piripiri. E, completou: “Fique ali, tocando a sanfona…!” Eu fiz… e nunca mais parei…! Virei músico. Eu tinha nove (nove) anos de idade. Esse foi meu primeiro contato com a música. Minha audácia de pegar nas mercadorias à venda na bodega de meu pai, aquelas sanfonas ali, disponíveis a meu manuseio…! E eu não resisti, mesmo temendo uma grande sova, tunda, surra, dada por meu pai…!

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Jorge Mello: Minha formação musical, vem desde a década de 1950. É que meu pai vendo meu interesse por música, fez com que eu fosse às cidades vizinhas a Piripiri – PI, para estudar música e aprender a ler partituras. Tive aulas de Acordeon e cumpri tudo dos métodos do Mário Mascarenhas em 1958 no Município de Campo Maior, com a professora Edimée. Depois passei para o Violão, influenciado pelos Festivais de Música, no início dos anos 1960, quando cursava o Ginásio. E indo para Teresina – PI cursar o científico, trabalhei nos programas de calouros das rádios Pioneira e Rádio Difusora.

E, quando fui para Fortaleza – CE, no final de 1966, já tinha a pretensão de ser artista. Fui à capital cearense, buscando a TV, tecnologia que havia chegado naquela capital. E consegui trabalhar na TV, também estudar no Conservatório, e em outros locais disponíveis naquela cidade. E tendo participado dos Festivais de Música local, fui contratado pela TV Ceará como Diretor Musical dos programas: PORQUE HOJE É SÁBADO e também do programa GENTE QUE A GENTE GOSTA. Dividi esse cargo com o Belchior (Antonio Carlos Belchior), colega da Universidade e dos Festivais de música locais.

E isso me levou ao Rio de Janeiro, para onde fui a convite da Cidinha Campos, onde fui contratado para trabalhar no Departamento de Direção Musical da emissora TV TUPY, que funcionava no Cassino da Urca. E no Rio de Janeiro, tendo emprego e salário, aluguei um apartamento em Copacabana, e pra lá vieram morar comigo, o Belchior, o Fagner e o Cirino, além de minha mulher Teca Melo. Isso em 1971. Naquela capital cultural, continuei os meus estudos formais de música. Fui estudar “Instrumentação e Arranjos”, com o maestro Guerra Peixe.

Em novembro de 1973, me mudei para São Paulo, tinha graduação em “LICENCIATURA PLENA, especialidade em Música” e fui ensinar música no IMSP (Instituto Musical de São Paulo), no bairro do Glicério, também ensinei música na FAP ARTES (Faculdade Paulista de Artes), que ficava atrás do MASP, na região da Av. Paulista. E, também ensinei música no INSTITUTO MOZARTEUM em Pinheiros, na capital paulista. Fui professor de música nessas três instituições nos anos de 1974 a 1978. Deixei de ensinar, quando iniciei minhas atividades de produtor e arranjador de gravadoras, e montei minha própria produtora, a TERRAMAREAR ATIVIDADES ARTÍSTICAS, e depois a JMT PRODUÇÕES. E montei ainda em sociedade com o Belchior, a gravadora PARAÍSO DISCOS.

E fora da área Musical, tenho formação acadêmica em Direito, e especialização e Direitos Autorais.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Jorge Mello: As influências musicais foram muitas. Lá no início, década de 1950, morando em Piripiri – PI, e sendo criado por meu pai na sua bodega na Praça do Mercado, eu fui influenciado pelos sons dos rabequeiros, dos repentistas, e violeiros, dos cordelistas, berrando como um boi ferido, lendo suas poesias, na busca de vender o seu produto. Aquilo me encantava, e encanta ainda hoje. Depois, ouvindo rádio, ouvi os sucessos de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Aquilo era demais. Eu queria aquela profissão pra mim…!

Na sequência, ouvi o som dos Beatles, adorei…e, me encantei com o som dos jovens artistas dos Festivais de Música, em especial pelo som de Gilberto Gil, Chico Buarque, Edu Lobo, Caetano, Milton Nascimento, Sérgio Ricardo, e na Jovem Guarda, só gostava de Erasmo Carlos e Demétrius. João Gilberto, eu descobri mais tarde, quando já estava na Faculdade em Fortaleza, em 1968. Era desafiador…!

Com o tempo, e com o amadurecimento de minha criação, fui buscar outras coisas, como o jazz, o blues, as serestas e o cancioneiro tradicional brasileiro. E descobrindo a riqueza do samba de Noel Rosa, com seu texto mágico e revelador. Sendo surpreendido pelo som de Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha, de Ernesto Joaquim Maria dos Santos, o Donga, de Hermes Fontes, Wilson Batista, e outros. E caindo de paixão por Agenor de Oliveira, o Cartola e Nelson Cavaquinho. Também descobrindo a força da nossa poesia clássica e tradicional.

Fui esquecendo a música mais passageira, divertida, dançante. E hoje, não entendo música como diversão. A entendo como informação. A música não me diverte, ela me faz pensar, me torna uma pessoa melhor…!

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Jorge Mello: Quando fui de Piripiri para Teresina, consegui vaga pra morar na “Casa dos Estudantes do Piauí”. E com 15 anos, me virava fazendo um pouco de tudo. Também estudava no Liceu do Piauí. E passava o dia inteiro na Rádio Pioneira e na Rádio Difusora de Teresina. As únicas duas estações de rádio naquele ano de 1965. Na Pioneira, eu me apresentava nos programas de auditório. Na Difusora, eu me apresentava no Programa SHOW DOS BAIRROS, comandado pelo palhaço Guarani. E sempre sobrava algum troco. Mas, ouvi falar da TV no Ceará. E fiquei inquieto, até me mudar pra Fortaleza.

Convenci meus pais de que eu e meu irmão Emanuel Carvalho, deveríamos prestar vestibular. Eu faria Direito e ele Medicina.  E fui de Teresina para a capital cearense no final de 1966. Meu irmão veio em março de 1967. Estudamos o 3º Científico e prestamos Vestibular no final daquele ano. O primeiro vestibular unificado do Brasil para as Universidades Federais. Eu me sustentava como vendedor de eletrodomésticos de porta em porta, para a loja “GUSTAVO SILVA”. Mas, cantava na TV CEARÁ, nos programas musicais que esta oferecia. Era figurinha carimbada no programa de Paulo Limaverde, intitulado SHOW DA TARDE. Me apresentava, em dupla com meu irmão Emanuel. A dupla se chamava: “OS PÁSSAROS”. Também me apresentei nos programas de auditório, como o da Rádio Assunção, naqueles dias, funcionando na Praça José de Alencar, perto do Teatro José de Alencar, onde ia todos os dias. Frequentava o Conservatório Alberto Nepomuceno, perto da Rádio Assunção.

06) RM: Quando, como e onde você conheceu os compositores cearenses?

Jorge Mello: Foi no Conservatório que conheci o primeiro compositor cearense com quem fiz amizade: Petrúcio Maia. Ele me levou aos demais amigos e parceiros. E me falou dos Festivais de música da cidade. Claro, me inscrevi em todos os Festivais e fui conhecendo pouco a pouco os demais artistas da terra nos bastidores desses eventos. Conheci o Rodger, Tetty, Cirino, Miguel da Flauta, Ednardo, Fagner, Lauro Benevides, Sérgio Pinheiro e tantos outros…! Figuras que se tornaram amigos/irmãos pouco depois quando passamos a frequentar o Bar do Anísio na Beira-Mar! Esse local virou como que nossa casa, nossa sala de estar…!

E fui sendo notado pelos resultados das minhas classificações nos Festivais de música locais. Aconteciam três festivais por ano: um da Prefeitura; outro da Universidade Federal do Ceará; e outro da TV Ceará. Um dia a TV Ceará me chamou para conversar sobre um programa semanal só com músicos da terra. É que pretendiam capitalizar aquela mão de obra artística, como faziam o Rio, São Paulo e, também Salvador. Tinham interesse, que eu fosse o contato com a rapaziada, conhecida, naqueles dias, como os “Musicais do Ceará”. Imediatamente acertei e indiquei fazer isso tendo meu amigo Belchior como parceiro. Assim fomos contratados para dirigir a parte musical dos programas “PORQUE HOJE É SÁBADO”, e também do programa “GENTE QUE A GENTE GOSTA”, ambos sob o comando de Gonzaga Vasconcelos na TV CEARÁ! Ali eu tive o meu primeiro contrato como profissional de música.

Deixei de vender eletrodomésticos e virei músico. Produtor Musical da TV Ceará. Isso era no início de 1969. E nunca mais parei. Nunca fiz mais nada fora da música. Porque mesmo nos tempos em que advoguei, o fiz na área de Direitos Autorais tendo como clientes basicamente só compositores, gravadoras e editoras musicais. E nesse ano de 2019, festejei esse meio século de música, realizando shows por todo o país, comemorando essa façanha de ser um profissional por cinquenta (50) anos de música! Uma maravilha!

07) RM: Quando, como e onde você conheceu Belchior?

Jorge Mello: Com Belchior nos conhecemos de outra maneira, e nos tornamos amigos inseparáveis. Ele entrou na Faculdade de Medicina, no mesmo ano que eu e meu irmão Emanuel, e estudava na mesma classe de meu irmão. E, um dia, ainda no início de 1968, tempos em que eu morava com Emanuel em uma república de estudantes na Av. Duque de Caxias em Fortaleza, ele me falou de um amigo e colega dele, dizendo: “Jorge, o cara é igual a você. Não liga para os estudos e fica o tempo todo com o violão e escrevendo poesias e letras de música”. Aquilo não me chamou o menor interesse. Mas…, um certo dia, ao voltar das vendas de eletrodomésticos de porta em porta, que me sustentava, encontrei o Emanuel estudando ao lado de um carinha que eu não conhecia. Entrei em casa, me sentei no colchão estendido no chão ali do lado e peguei o violão para tocar. Poucos minutos depois o tal carinha, deixou a mesa onde estudava com meu irmão e se sentou a meu lado, me olhando e ouvindo tocar. Era Belchior. E muitas outras vezes ele apareceu lá no nosso canto. Mas…, sempre pra ficar comigo, e não com seu colega de classe estudando medicina. Ali nasceram as primeiras parcerias nossas, ainda no início de 1968.

08) RM: Quantos discos você lançou?

Jorge Mello: Apresento em primeiro lugar, a relação de meus álbuns individuais, informando as datas de lançamento de cada um pra facilitar a resposta. Mas devo dizer, que além desses álbuns, participei como intérprete de inúmeros álbuns coletivos, e de outros intérpretes, como artista convidado. E faço isso porque em alguns desses álbuns de outros artistas, estão interpretações minhas de obras que não constam no repertório de meus álbuns de carreira. Então, deve ser levado em conta tudo o que gravei e foi lançado ao mercado sejam discos em vinil ou CDs ou outros, a minha presença como intérprete em um repertório maior do que os que estão na listagem de meus álbuns individuais. Isso é uma espécie de glória da carreira, ter sido convidado a participar como intérprete de outros álbuns que não os meus da carreira pessoal.

DISCOGRAFIA: 1972 – Compacto Duplo: “FELICIDADE GERAL” (Poligran)

1976 – LP: “BESTA FERA” (Crazy/Copacabana)

1977 – LP: “JORGE MELLO” – INTEGRAL (WEA)

1977 – Compacto Simples: músicas: “MARINHEIRO” e “SASSARUÊ” (WEA)

1979 – LP: “CORAÇÃO ROCHEDO” (Continental)

1980 – Compacto Simples: músicas: “NASCENDO DE NOVO” e “É DIA, É NOITE A MINHA COR” (Continental)

1981 – Compacto Simples: músicas: “CONSTELAÇÕES” e “CORAÇÃO ROCHEDO” (Continental).

1981 – LP: “DENGO DENGUE” (Continental)

1981 – Compacto Simples: músicas: “DENGO DENGUE” e “Rosto Marcado” interpretado por Gerson Conrad.

1984 – Compacto Simples: músicas: “NA ASA DO AVIÃO” e “DESAFIO” VARIG/CRUZEIRO (Terramarear)

1985 – Compacto Simples: músicas: “NA ASA DO AVIÃO” e “FERROADA” (Paraíso/Odeon)

1987 – LP: “UM TROVADOR ELETRÔNICO” (Paraíso/Continental)

1990 – LP: “UM TROVADOR ELETRÔNICO – Vol. 2” (J.M.T.)

1997 – CD: “MAIS QUE DE REPENTE” ( Brasidisc)

1999 – CD: “RIMA” (J. M. T. /Camerati)

2001 – CD: “CLARAMENTE” (CPC/UMES/ELDORADO).

2015 – CD: “CLARAMENTE” (JMT) relançamento com capa nova.

A análises de cada álbum, citado acima, que fazem parte de minha carreira individual: Vejam em primeiro lugar, que temos na listagem, vários lançamentos a saber: 1 Compacto Duplo; 6 LPs; 3 CDs; e 6 Compactos simples. Ao todo 16 lançamentos. Observe que, o álbum indicado por último em 2015, é um relançamento, com capa nova. Logo, não entra nessa conta.

Sempre criei cada um de meus álbuns, como um produto. Porque tive a consciência de que não são esses álbuns, um aglomerado de obras, ou uma mostra, uma vitrine, exposição de meu trabalho como intérprete, pronto a ser julgado pelo mercado musical, tendo como resultado as vendas do álbum.  Não! É que sempre entendi, a produção de um álbum como sendo ele, um corpo com uma ideia central. Entendi assim, não só os meus álbuns individuais, mas, também, todos os álbuns que produzi, de outros artistas. Tanto para as gravadoras que me contratavam como produtor musical, como para os meus selos e minha própria gravadora. Um álbum, é um objeto. Sendo assim, cada um tem um corpo: O disco “FELICIDADE GERAL” trata-se de um Compacto Duplo, lançado pela POLIGRAN pelo selo SINTER, e gravado no Rio de Janeiro em 1972. Foi o meu contato com a linguagem do rock e com o aparecimento das primeiras bandas de rock no país, e com a utilização de instrumentos elétricos e eletrônicos misturados aos instrumentos acústicos na música considerada MPB originária do Nordeste. Que era o caso da minha música.

O repertório formado por baiões, repentes, e outros, mas utilizando timbres nunca gravados nesse tipo de repertório. Chegaram a me padronizar como “FORROCK”, coisa que não levei muito à sério…! Ainda hoje gosto desses timbres, onde gravei tendo como base do álbum, com a banda de rock “ROCK GRAIN” (O GRÃO). Com o disco na mão viajei por grande parte do país tendo a banda “O GRÃO” comigo.

Ao me mudar para São Paulo em novembro de 1973, a banda “O GRÃO” passou a ser a banda base do Tim Maia. Com quem ficou por muitos anos…! O gostoso é que há dois anos, em 2018, fui convidado pela banda “SOCIEDADE ALTERNATIVA”, em São Paulo, para fazer com eles um show no Teatro da Galeria OLIDO, na capital paulista, interpretando aquele repertório do meu disco de 1972. Uma delícia. Adorei esse encontro. Inesquecível! Interpretei um repertório de minha autoria gravado 48 anos antes…! Uma glória!

Depois já trabalhando em São Paulo, para onde me mudei em novembro de 1973, exatamente no ano de 1976, gravei o primeiro LP: “BESTA FERA” (pela CRAZY). E o corpo do disco, buscou uma formação de outra visão minha naquele momento, cumprindo o que falei antes, de que cada álbum meu tem uma cor própria, e um corpo. Não é um ajuntamento de dez ou doze faixas que gosto de cantar…! Para gravá-lo, montei minha banda de acompanhamento de meu show, e amadurecemos no palco aquele repertório, carregado de misticismo e timbres acústicos e “corus”, altamente místicos, quase religiosos.

Uma das canções eu interpreto sem nenhum instrumento no acompanhamento. Gravei só com minha voz. Creio ter sido o primeiro na MPB a fazer isso. A banda que montei se chamava “CAVALEIROS DO APOCALIPSE”. Tocamos em todos os espaços disponíveis por todo o país, por meses antes de gravar o repertório. Na capital paulista, estive em todos os palcos, incluindo entidades estudantis e sindicais, e espaços do SESC e bares dentro da noite! “BESTA FERA”, era uma espécie de oração. Um disco carregado de mistérios! Onde trabalhei timbres acústicos, especiais para cada uma das músicas…!

Um ano depois, em 1977, gravei o LP – “JORGE MELLO – INTEGRAL”, pela WEA, para esse álbum, escolhi um repertório onde os textos, estivessem comprometidos com as formas das cantorias do “Repente” e da “Literatura de Cordel”. Ou seja, por trás de cada melodia, havia um texto próprio da arte popular dos repentistas e dos poetas cordelistas. Adorei o resultado. E lá estavam: Martelo Agalopado, Martelo Gabinete, Martelo Alagoano, sextilhas, emboladas, glosas, utilizando versos em redondilhas, décimas, outras formas do Repente.

As melodias eram alegres e os temas humorados. Muita gente adora esse álbum. Tem cheiro de terra nordestina. Utilizei uma instrumentação tradicional, sem grandes invencionices de timbres, como utilizara em álbuns anteriores. Muitas canções desse álbum, teve regravações de vários outros intérpretes, por serem canções simples e populares…! Coisa que eu entendo. As pessoas buscam ou procuram, aquilo que conhecem. E todos conhecem o Luiz Gonzaga. Esse meu álbum tinha Acordeon em todas as faixas… Era, portanto um vínculo de ligação com o grande público. Mas…, nunca mais eu repeti esses timbres, embora tendo utilizado muitas vezes o Acordeon. Mas…, o fiz numa linguagem mais jazzística, distanciada da informação tradicional…!

Chegamos ao álbum seguinte de 1978. O álbum LP – “CORAÇÃO ROCHEDO” (pela CONTINENTAL), foi o primeiro disco que fiz na nova gravadora, empresa onde também comecei a produzir álbuns de outros artistas. Convidei para entrar nessa aventura comigo, como fizera em 1971 com a banda “O GRÃO”, a banda “PONTE AÉREA”, para a sonoridade de todas as bases do trabalho. Marcamos ensaios, ensaiamos e o resultado foi primoroso. Uma sonoridade incrível, como eu sonhava fazer.

Escolhi um repertório que adoro e conseguimos uma sonoridade maravilhosa. Para interpretar uma das canções minhas já gravada por mim no álbum “BESTA FERA”, convidei a Marlui, e, ela interpretou comigo a canção “FERROADA” (de Jorge Mello), com uma garra tal, que me levou a improvisos que eu desconhecia, como capacidade minha. E tive ainda Oswaldinho do Acordeon comigo, dando à minha canção um brilho inesperado…! Ficou um disco suave, mas com muita riqueza nos timbres, e um balanço surpreendente. Adorei!

O álbum seguinte foi também na CONTINENTAL: “DENGO DENGUE”. Um trabalho incrível com os ritmos latinos, tendo o maestro Eduardo Assad, nos arranjos e nos teclados. Oswaldinho no Acordeon, e Antenor nas guitarras, também se fizeram presentes nesse belo álbum. Essa foi uma produção mais cara que as outras…!

Colocamos uma banda de metais e um coral de primeira grandeza. Isso porque nesse meu trato com cada disco, entendendo as 12 faixas como um produto, resolvi nesse álbum, criar um produto dançante. Algo que lembrasse o molejo latino-americano. Foi meu primeiro disco dançante. Lá estavam comigo, as intenções sonoras latinas de Peres Prado, e as grandes bandas americanas, assim como do Ivanildo e Seu Conjunto (do Ceará). Eu com meu violão Ovation, tive os maiores músicos do Brasil a meu lado nessa bela produção. Um disco para ouvir e um disco para dançar…!

O próximo trabalho, o LP – “TROVADOR ELETRÔNICO”, foi uma nova experiência, onde outra vez montei uma banda para me acompanhar na gravação. Consegui uma banda incrível, reunindo pessoas que ficaram comigo gravando por muitos anos: Dino Vincente, Ivo de Carvalho, Geraldo Vieira, Maurício Batera, Silvano Michelini, Cássio Poletto, em algumas faixas. E em outras, gravei com a banda Radar (Sérgio Zurawski, João Mourão, Raposo e Monsieur Parron), músicos da banda que acompanhava o Belchior, já meu sócio na gravadora PARAÍSO DISCOS, naqueles anos em que terminei essa minha obra.

E posso afirmar que com a banda RADAR, gravei incontáveis discos e CDs de centenas de artistas. Em outras faixas, ainda tocaram amigos talentosos como: Alaor Neves, Beto guitarra, Sérgio Kaffa e Marco Bosco. Esses últimos, também pessoas que entraram no meu ciclo de amizade e de trabalho com quem produzi inúmeros álbuns para os meus selos TERRAMAREAR e JMT PRODUÇÕES e para a gravadora PARAÍSO DISCOS. Na contracapa desse disco eu escrevo: “Nesse disco reuni o maior número de amigos. Foi uma grande experiência trabalhar com três bandas distintas. Gravamos em estúdios e épocas diferentes, mas, considero o trabalho que mais me somou”. Lançado pela CONTINENTAL, sob licença da PARAÍSO DISCOS.

De 1987 a 1990, fiz muitos shows, viajei o Brasil inteiro indo várias vezes aos mais longínquos lugares de Norte a Sul do país com meu show. E também viajei para fora do país, porque montei um show com produção bem barata, e que mostrava um repertório alegre, dançante e humorado, sem grandes custos com o trabalho de muitos músicos. O mundo passava por um momento de explosão da tecnologia do som. E, de criações de geringonças, de equipamentos que podiam realizar e executar, os mais incríveis timbres, na realização de músicas. Era tudo muito espantoso.

Eu conheci essa tecnologia e tive de trabalhar em gravações nos estúdios, com maquininhas que podiam executar as mais difíceis e inimagináveis melodias. Essa coisa nova concebida no campo da ciência, da tecnologia e das artes. Essa invenção, naquele momento me encantou. Eu me senti frente a um ambiente sem limite para a invenção, o engenho e a criatividade. Só precisava, audácia e cair de boca nesse universo estranho e encantador. Eram máquinas. Máquinas que tocavam. Tive acesso a elas por meio dos amigos Ivo de Carvalho e Marco Bosco.

Eu comprei algumas. Tive   muita dificuldade pra dominar aquele universo cheio de botõezinhos…! Mas…, como era produtor de trilhas de publicidade, pra cinema, e trilhas para teatro, e também era produtor de álbuns de muitos artistas, e tinha que dar conta de todas essas responsabilidades, e ainda dos meus shows, eu pratiquei nos estúdios até perder o medo desses equipamentos eletrônicos. E tive coragem de levar aos shows esses novos instrumentos sofisticados e admiráveis.  E fui bem sucedido naquele momento. Mas…, lá dentro de mim, eu como músico, sentia que tinha mais a dizer com meu violão e com minha palavra. Não aguentei muito tempo dividindo o palco com aquelas maquininhas…!

Uma pena que logo enjoei essa geringonça e parti para um som totalmente acústico, que é o que faço até hoje nos palcos e nas gravações que se seguiram. Mas…, voltando a contar como aconteceu, digo que utilizei aqueles timbres eletrônicos e essa experiência, me deu coragem de fazer o álbum “TROVADOR ELETRÔNICO Vol. II”, em 1991. Uma produção barata. Cujo repertório, testei nos palcos com essas maquininhas incríveis…, porém enjoativas.

Meu show, passou a ter humor. Eu colocava no palco, atrás de mim, 5 cadeiras vazias, em semicírculo, e sobre elas apenas as tais maquininhas eletrônicas. E os apresentava na abertura do show, criando um quadro do mais fino humor, quando dizia no meu microfone, os seus nomes como sendo pessoas. Dizia: “Hoje vou me apresentar para vocês com minha banda: Raimundo, Mundo, Mundão, Mundinho e Mundoca”. E fazia a plateia sentir o som de cada um deles. Falava: “Vai Mundão, castiga aí na bateria”! E eu ligava a bateria e se ouvia a maravilhosa performance da máquina castigando viradas incríveis da bateria, pré-programadas.   Depois apresentava o restante da banda. Cada um no “sequencer”, fazendo um dos solos do arranjo do que eu iria apresentar. Era um sucesso naquele momento.

Assim, eu e os tais “músicos”: “Raimundo, Mundo, Mundão, Mundinho e Mundoca”, atuamos por todo o país por dois anos fazendo mais de 70 shows anuais, nos melhores e maiores hotéis, e convenções de empresas do Brasil. E também fora do país.

Resultou na gravação do álbum LP – “TROVADOR ELETRÔNICO Vol II”. E para dar um toque especial, gravei a canção “ROCK PROLIXO” (de Jorge Mello e Belchior), uma canção dessa parceria de 25 canções, que não foi gravada em nenhum álbum do parceiro Belchior, mas que na minha gravação nesse álbum, tem a voz de Belchior interpretando junto comigo, numa gravação maravilhosa e incrível. E estou tendo o acompanhamento da banda Radar. Um luxo!

Por ser essa gravação inédita na obra do parceiro Belchior, que não a gravou em nenhum de seus álbuns, e tendo o parceiro falecido em abril de 2017, após ficar dez anos desaparecido, essa obra ganhou um valor histórico para os fãs do poeta. Pois essa obra só está nesse meu álbum, e interpretada por ele. Hoje esse álbum é uma raridade, muito difícil de ser encontrado…!

Em 1997, dois anos depois de deixar a sociedade na PARAÍSO DISCOS (sociedade com Belchior), fui cuidar apenas de minha produtora e do meu selo JMT PRODUÇÕES, empresa em sociedade com minha mulher Teca Melo. Esses foram tempos de muito trabalho. Comprei uma sede própria pra empresa no bairro de Santo Amaro em São Paulo e dediquei todo meu tempo e conhecimento à minhas produções. Produzi mais de uma centena de álbuns, de variados artistas nesse período. E como a amizade com Belchior era a mesma, porque não houve brigas, nem dificuldades com minha saída da sociedade PARAÍSO DISCOS, não houve nenhum problema durante a sociedade entre nós. Nem reclamações dele na minha maneira de administrar a empresa, nem na administração de nossas obras escritas em parceria.

A separação da sociedade só aconteceu, porque o parceiro Belchior, sonhava ter um estúdio em nome da PARAÍSO DISCOS, e eu entendia, que essa coisa de estúdio, com um investimento enorme, havia perdido o sentido. Nem valia como empreendimento financeiro, nem como um objetivo cultural. A minha experiência nas produções, e gravações, me mostrava, que com a tecnologia existente, qualquer garoto podia montar um estúdio e gravar numa garagem em casa. Não necessitando de grandes investimentos com equipe técnica, nem com equipamentos, nem com aluguéis. Bastando para isso ter um programa de computador e poderia gravar com qualidade incrível, tendo na tela da máquina, uma mesa de 36 canais para operar.

Enquanto isso, ao contrário do que pregava o futuro, o estúdio escolhido pelo meu sócio era uma empresa que tinha equipamentos e tecnologia velha e superada. O Estúdio Camerati que Belchior queria comprar em nome da nossa empresa PARAISO DISCOS, gravava em 24 canais, naqueles dias, equipamento já superado e velho. Por isso nos acertamos após uma conversa e eu saí da sociedade. Saí sem divisão de caixa e sem indenização. Apenas pedi a metade (50%) dos álbuns que eu mesmo havia produzido nesses 15 anos de sociedade, e o Belchior aceitou. Escrevemos o distrato da sociedade, assinamos, e fui cuidar de meus projetos na JMT PRODUÇÕES. E foi o que aconteceu. Naquele mesmo dia, fizemos a escolha do material a dividir. Belchior pegou o que lhe interessava, eu peguei o que me interessou e pronto. E, estando separadas, essas matrizes, ou seja, as fitas “Masters”, originais, e, também os fotolitos das capas de cada álbum escolhido por cada sócio. Eu, depois de assinar o documento de saída da sociedade, peguei o material, pus no meu carro, levei para a sede da JMT, e no dia seguinte o incorporei ao patrimônio da nova empresa. Tudo assinado pelas partes interessadas.

Restou agora para mim, já fora da sociedade, buscar um grande grupo de distribuição para meus produtos lançados em CDs (essa a nova forma do produto, substituindo os LPs). Consegui ser distribuído pela ZAN Produções, empresa de Osmar Zan, ex-diretor Artístico da RCA. E esse meu novo álbum de 1997, foi distribuído internacionalmente por essa empresa. O Álbum, é um produto que realizei naquele momento, objetivando apresentar o meu show aos meus clientes, aos interessados em um show de MPB, incluindo clássicos escritos por grandes nomes da nossa música popular, e que pudesse ser, esse repertório mostrado, sem grandes custos para os interessados. Consegui…! Naquele momento meu show teve muito sucesso.

Eu era disputado pelas Agências de Publicidade, na procura de marcar minha presença em suas convenções de empresas, e, para outras festas do ambiente da publicidade, como lançamento de produtos, mudança de diretoria, inaugurações de sedes, e outros. Meu show teve patrocínios de empresas, e uma delas por mais de 10 anos. E, fui contratado por grandes Agências de Publicidade e Propaganda. Meu produto era importante e necessário ao mercado publicitário naqueles dias. E assim, meu show, foi apresentado nos maiores hotéis e em Centros de Convenções do país e fora dele. Também no circuito do turismo incluindo Manaus, Foz do Iguaçu, Fortaleza, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e outros…! E, posso dizer que estive em todas as capitais do Brasil. Também fui a Cancún no México para cumprir a agenda. Como falei, foram dias de muito trabalho.

Esse álbum intitulado “MAIS QUE DE REPENTE”, revela um Jorge Mello intérprete. Pois interpretei muitos grandes compositores que adoro. Também foi o primeiro álbum meu em CD. O gravei contendo quatorze músicas. Em sete delas, interpreto outros compositores: São elas: “FALSA BAIANA” (Geral Pereira),

“CHICLETE COM BANANA” (Gordurinha e Almira Castilho), “SE ACASO VOCÊ CHEGASSE” (Lupicínio Rodrigues), “QUANTO É GRANDE O AUTOR DA NATUREZA” (Zé Vicente da Paraíba e Passarinho do Norte), “KALU (Humberto Teixeira), “MORENA TROPICANA” (Alceu Valença e Vicente Barreto), “ME DEIXA EM PAZ” (Monsueto e Ayrton Amorim) e as outras sete músicas, são minhas escritas com meus parceiros: Belchior (em três); e Vicente Barreto em uma e Olavo Bilac em uma e ainda duas apenas de minha autoria: “NUM PAÍS FELIZ” (Jorge Mello e Belchior), “NOTÍCIA DE TERRA CIVILIZADA” (Jorge Mello e Belchior), “PLOFT” (Jorge Mello e Belchior), “MORENA MANHOSA” (Jorge Mello e Vicente Barreto), “OUVIR ESTRELAS” (Jorge Mello e Olavo Bilac), “EU FALEI PRA VOCÊ” (Jorge Mello), “AVENIDA PAULISTA” (Jorge Mello).

E como eu continuei a produzir mais produtos (CDs e LPs), do que uma só empresa que era a ZAN PRODUÇÕES, poderia distribuir. E uns três anos depois tendo uma reunião com Belchior, coisa que sempre acontecia, para se falar da vida, da carreira e para rir um pouco, como sempre fizemos. Estando eu lá no escritório da PARAÍSO DISCOS, onde era o meu antigo local de trabalho, Belchior, me pediu que eu produzisse alguns produtos para sua Distribuidora CAMERATI. Nessa conversa, nos acertamos e por contrato, assumi, enviar para distribuição pela sua empresa distribuidora CAMERATI, alguns produtos meus. Produtos da JMT PRODUÇÕES, o que para mim pareceu ser mais próprio álbum novo, coisa que agradou muito ao parceiro Belchior, e eles distribuíram meu CD – “RIMA”, produção da JMT PRODUÇÕES e distribuído pela CAMERATI. Como consta na contracapa do CD.

O produto é de minha propriedade e a CAMERATI o distribuirá, que na prática, é vender por todo o país e fora dele. Eu, JMT PRODUÇÕES, fico com uma percentagem por ser o dono e titular da propriedade, e, a CAMERATI, fica com outra percentagem pelo trabalho de vender o produto às lojas, como distribuidora. No fim do contrato, eles me devolvem as matrizes: Masters e Fotolitos, e eu, poderei como dono, contratar outra distribuidora. Assim foi feito. A CAMERATI, distribuiu e vendeu outros produtos de minha propriedade. Foram vários, todos autorizados por mim…! Depois falaremos disso.

E por fim, no final do século passado, fiz um contrato com a CPC UMES, para a produção de um outro álbum. Uma parceria boa, eu gravei com a banda de meu filho Rúrion, tendo a participação de Marcus Vinícius Andrade, grande maestro e amigo, e Presidente da associação em que sou sócio fundador. Também a participação de Cezar do Acordeon, meu parceiro e também grande amigo, e um time incrível liderado por meu filho Rúrion Mello, que fez todas as guitarras e alguns arranjos incríveis. E em 2001, estava disponível o meu álbum: “CLARAMENTE”, aos interessados. Gosto muito do resultado desse trabalho.

09)RM: Você participou como músico de CD de quais artistas?

Jorge Mello: Meu trabalho como artista, sempre foi intenso. E isso me levou a criar a minha produtora de discos, de trilhas de comerciais, de teatro e cinema. Como já dito acima. Mas, sendo objetivo e respondendo à pergunta, que quer saber apenas minha participação em álbuns (CDs e discos em vinil de outros artistas), começo dizendo que foram muitos. Uma enormidade de álbuns tem a minha participação como produtor, arranjador ou músico. Estou presente nesses álbuns de colegas, seja tocando um instrumento, ou cantando, e ainda como produtor executivo, momento em que cuido da parte legal do álbum, providenciando as autorizações e liberações de obras do repertório e também da fabricação de CDs ou prensagens de discos, assumindo as responsabilidades legais.

E citando nomes, posso dizer que estou presente nos álbuns de: Belchior, Anastácia, Bené Fonteles, Jairo Mozart, Lumumba, Carlos Pita, Milton Batista, Glória Rios, Antonio Brasileiro, Iris Thompson de Carvalho, Nasha Moreto, Grupo Maschiku, Teresinha Silveira, Lúcia Meneses, Dollar Co., José Carlos, Ednardo Nunes, Banda Bagana, Chico Bezerra, Nélio Torres, Passo Livre, Bernardo Neto, Grupo Avena, Grupo Paramount II, Aparecida Silvino, Ricardo Augusto, Rhayfer Ferreira, Jorginho, Trio Piauí, André Melo, Klaujur, Celso Gali, João Eloy, Rose, Edinho, Iane Ariel, Banda Ideia Fixa, Eduardo Valbueno, Serginho Machado, e muitos outros, que confiaram em mim para a realização de seus trabalhos.

Também produzi álbuns coletivos: “Pessoal do Ceará-Aquele Flash” com a participação de Belchior, Fagner, Jorge Mello, Graco, Mona Gadelha, Antonio Brasileiro, Angela Linhares, Caio Silvio, Teresinha Silveira, Pekin e Ednardo Nunes; e também, produzi o álbum “Outras Estrelas”, tendo a participação de Belchior, Jorge Mello, Gracco, Marco Bosco e Lucina, Jairo Mozart, Ivor Lancellotti, Laerte Marques, Aguillar e Banda Performática, Toninho Terra, Ednardo Nunes, Milton Batista e Chico Bezerra. Agradeço a todos por essa confiança.

10) RM: Como é o seu processo de compor?

Jorge Mello: Sou uma pessoa com muita dificuldade com a tecnologia, e suas maquininhas cheias de botões minúsculos. Explico: desde que parei de utilizar aquelas máquinas nos anos 1990, nos meus shows e nos estúdios de gravação, eu as engavetei, e nunca mais as liguei. Nem uma só vez. É como se tivesse tido um fim a esse casamento tão feliz com elas naquela última década de 1999.

Mas, a pergunta é sobre o processo de compor. E isso, o ato de escrever músicas, e suas letras, sempre as faço na forma manuscrita. Não consigo trabalhar a minha emoção de criar na companhia de máquinas. Ou seja: não escrevo poemas ou letras de música, no celular, nem no computador. Escrevo tudo em papel utilizando de preferência o lápis. Quando não está disponível o lápis, até vai, escrever com a caneta esferográfica. Todo e qualquer texto meu o tenho escrito a mão sobre papel. Sou um guardador de papel (risos)! Claro que as passo a limpo no computador, como fazia na máquina de escrever, para guardá-las numa pasta, num arquivo. Mas…, criar, só no papel e lápis, manuscrito! Porém escrevo o tempo todo.

Leio, com papéis ao lado, para apontamentos da leitura. Tudo me leva a escrever, pode ser no meio de uma partida de futebol que veja na TV, ou me divertindo brincando com os netos. Estou sempre próximo de papel e lápis. E, se pego o violão para ensaiar, ou para exercitar o trato com o instrumento, deixo o papel perto. Como sou um melódico, ao criar melodias, para não esquecer o que compus, vou pondo qualquer coisa de letra, objetivando colar na memória a melodia criada. Ou escrevo a melodia no pentagrama. Depois, em outro momento, vendo o resultado, vou fazendo a nova letra em definitivo. Dessa maneira, não perco melodias criadas, ou melhor dizendo, perco menos melodias, porque algumas delas, nunca mais voltar na memória, se não foram escritas no pentagrama.

E, para sanar isso, agora entra a maquininha do celular nos dias de hoje, e gravo a melodia. Nos tempos passados, eu corria ao gravador AKAY, que ainda tenho e funciona, ou ia a um gravador de fitas K7. Nisso o celular facilitou esse trabalho. Serve para guardar o material criado, para não se perder. Dessa maneira, tenho muitas melodias esperando letra, e inúmeras letras esperando melodias. Mas…, confesso, e ninguém acredita. Tenho um baú de madeira com umas quinhentas obras prontas, com melodia e letra, absolutamente inéditas. É lá nesse baú, que vou buscar material quando preciso gravar meus próprios álbuns, ou quando algum intérprete me pede canções minhas para gravar. Nesses casos, recorro ao baú (risos)!

11) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Jorge Mello: Criei canções com muitos parceiros, entre eles:  Belchior, Vicente Barreto, Anastácia, Graco, Evaldo Gouveia, Cesar do Acordeon, Tom Zé, Carlos Pitta, Jairo Mozart, Gereba, Capenga, Pekin, Lumumba, Antonio J. Brandão, Paulo Soledade, Yeda Estergilda, Ricardo Bezerra, Malcom Roberts e outros. O parceiro mais constante é Belchior, com quem escrevi 25 canções em parceria. Canções gravadas não só por Belchior (que gravou 12 delas), por mim, e por outros intérpretes. Ainda outras utilizadas como trilhas para teatro.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Jorge Mello: A expressão “Música Independente”, se originou da situação de um determinado artista não ter contrato com os grupos tradicionais, conhecidos, e responsáveis por lançamento de discos no mercado. Empresas de grande poder econômico. Aquele artista em questão, não conquistando para si um produtor que invista no seu trabalho, e o realizando por conta própria, passou a ser tratado como “Independente”, ou seja, um artista que realizou um trabalho na “Música Independente”. Cuja produção se realizou independente de investimentos desses grandes e tradicionais grupos financeiros. Naqueles dias de fins de 1970, a massa produtora de músicas (cantores, compositores, músicos), não tinha oportunidades, porque os grandes grupos já haviam formado seus times, seu “cast”, pescados e filtrados na grande massa de jovens que produzem e criam música. E um contrato para gravar um álbum, era muito difícil naqueles dias. Foi aí que muitos deles resolveram produzir seus álbuns, e isso quer dizer: cuidar de gravar, prensar os discos, e ainda assumir sozinho a promoção e distribuição e divulgação de seu trabalho. Também das apresentações de seus shows. Ou seja, dominar um universo de coisas que muitos tiveram de aprender rapidamente.

Eu fui um desses artistas. Mas, antes de mim, já existiam empresas cuidando disso, como a ROSEMBLIT em Recife. E, seguindo o exemplo dessa empresa, no final da década de 1970, abri minha primeira produtora de discos, trilhas de publicidade, shows e eventos, que foi a “TERRAMAREAR, Atividades Artísticas”. Atividades essas principais: gravações, produções, distribuição, divulgação e vendas dos produtos (discos e Fitas K7) e shows. Isso aconteceu após um longo período meu como artista contratado desses grandes grupos que citei. Tive bons contratos com gravadoras grandes. E lá aprendi a mecânica de uma produção de discos.

E no início de 1980, em sociedade com Belchior, fundamos a PARAÍSO DISCOS. Mas, mesmo sócio de meu parceiro nessa empreitada, não fechei a minha própria empresa. Ela continuou existindo. Com ela eu administrava meus shows. O que fiz pouco depois foi ampliar e abrir um novo selo: JMT PRODUÇÕES. Falei isso para mostrar que não vi fatores contra o fato de se ter o próprio esquema de gravação e produção de seu trabalho na área da música. Achei bastante positivo para minha trajetória, conhecer esses fatos e conseguir produzir e lançar álbuns no mercado, sejam meus ou de outros colegas. E foi o que fiz! Lancei dezenas de álbuns de outros artistas por meus selos…!

13) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Jorge Mello: Primeiro me preparei com formação musical. Depois descobri em mim um certo senso de organização no trabalho. Coisa que via pouco nos meus pares. Ou seja: descobri que não me estressa cuidar de contas, preços, orçamentos, estratégias, e outras coisas necessárias a essa atividade de uma produtora. Então comecei a produzir. Os primeiros trabalhos de produção de discos, foram prestados às empresas com quem mantinha contratos como intérprete. Além de cantor do “cast” daquelas empresas, eu tive a oportunidade de produzir outros colegas, cuidando de todas as atividades técnicas nos estúdios, incluindo orçamentos, contatos com maestros, músicos e outras providências…! Percebi que isso era gostoso, bom de fazer, me dava prazer, e eu dava conta do serviço.

O passo seguinte era ter minha própria empresa produtora, para poder também produzir para essa enorme massa de artistas, compositores e intérpretes buscando ter seus discos e a oportunidade de começar as suas carreiras. Deu certo. Virei produtor. E foi um passo para ter oportunidades na criação e produção de trilhas de publicidade, para comerciais de rádio e TV, também produção e trilhas para Teatro e Cinema. Eu já tinha experiência com a criação de trilhas para teatro, inclusive com prêmios internacionais, onde assinava a trilha e dirigia o elenco na parte musical dos espetáculos.

Logo me vi no cinema. Precisava ter conhecimento das Agências de Publicidade e entrar nesse filão de investidores. Consegui. Não foi nada fácil…! Criei e produzi trilhas para dezenas de produtos na TV e no rádio, e, foi um pulo para também ter oportunidades nos palcos dos eventos, desse ambiente da publicidade. Até fui patrocinado por grandes empresas. Fiz centenas de shows a cada ano. Shows em convenções de empresas, sejam convenções de vendas, de lançamentos de produtos, inauguração de shoppings, festas de aniversários de Diretores de Empresas. E outros…! Foram quase 20 anos dedicados a esse espaço cultural e empresarial. Veja que nesse tempo longo, passou de milhares de eventos com minha presença nos palcos. Tive contratos de exclusividade com grandes marcas. Viajei por todo o país e parte do mundo, com meu show, patrocinado por grandes marcas. Momento incrível e inesquecível da carreira.

14) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Jorge Mello: Nos dias de hoje, como moro afastado dos grandes centros. Eu moro em um sítio, ou dizendo diferente, numa casa de campo, tenho um ganho de vida e saúde excelente, mas, estou distante dos movimentos culturais da grande cidade.

Tive que buscar formas novas para mim, com o que disponho, e continuar a falar e a mostrar a minha carreira, aos interessados na matéria. Aprendi a mostrar minha trajetória pelo computador e pelo celular, para fazer com que minha obra e trajetória, chegue às pessoas. E dessa maneira, mostrando o que sou e o que fiz, aparecem os interessados em me ter por perto, em me ver nos palcos, em ter minha presença em suas localidades. Assim venho administrando minha carreira musical nesse momento. Não tenho quem faça isso por mim…! E, moro só, com minha mulher Teca Melo.

Nunca tive empresários, mas, tive a consideração de amigos que trabalham na área e me proporcionaram algumas atividades maravilhosas, coisa que agradeço a cada um…! Também pessoas ligadas aos órgãos de Cultura e Lazer, que conhecem o meu trabalho, me convidam para atividades culturais. E eu fico muito feliz com isso, porque assim vou podendo mostrar a minha música, e podendo contar como tudo aconteceu.

No mais, durante toda minha vida, fui um guardador de papel velho. Tenho centenas de gibis, adquiridos por mim ainda em Piripiri – PI, minha terra natal, na década de 1950. E milhares de folhetos de cordel que guardo desde 1956, parte deles, comprados dos cordelistas na porta do Mercado Municipal de Piripiri. E nunca vendi nada do que comprei. Os guardei. E, ao sair de Piripiri e ir estudar em Teresina – PI, tempos em que morava na Casa dos Estudantes do Piauí em 1965, tive a satisfação de ter meu nome nos jornais locais. Eram as primeiras notícias sobre mim publicadas em jornal, guardei todas. E sonhando com a Televisão, fui para Fortaleza – CE em 1966. É que em Teresina eu me apresentava nos programas de auditório das duas estações de rádio da cidade: Rádio Pioneira e Rádio Difusora, onde ouvi falar da Televisão no Ceará.

Fui buscar esse sonho de ser artista na capital cearense, e logo fiz parte da programação da TV local. Até me tornar em 1969, Diretor Musical da emissora. E nessa capital comecei a guardar as publicações dos jornais, tanto sobre mim, quanto sobre os festivais de música do Ceará. E ao chegar no Rio de Janeiro em 1971, a convite da TV TUPY, fui alocado no departamento de Direção Musical da emissora. E, continuei a guardar cada jornal revista que publicava sobre mim, Belchior, Fagner e Cirino, amigos que vieram morar comigo e Teca Melo, no meu apartamento em Copacabana. Quando o Ednardo e o Rodger Rogério e Tetty chegaram em São Paulo mais de um ano depois, continuei a guardar tudo que era publicado sobre eles.

Eu sabia que alguma coisa importante estava se formando. Assim montei um ACERVO que hoje tem mais de 50.000 documentos originais em papel que conta a história da música de minha geração. Hoje me dedico a cuidar desse material. Que tem sido muito utilizado pela imprensa, por biógrafos, estudantes, principalmente depois que os grandes nomes dessa maravilha de coisa chamada PESSOAL DO CEARÁ, começaram a nos deixar, porque faleceram. Se foi o parceiro Belchior, meu amigo e ex-sócio, também, os amigos Petrúcio Maia, Augusto Pontes, e outros. Só que eu tenho tudo sobre eles, e, também tudo sobre os seus amigos e parceiros, ainda vivos e trabalhando com música.

Então hoje uma das ações minhas é preservar esse acervo, e o disponibilizar gratuitamente como faço, a todos os interessados na matéria. Muita coisa publicada, sobre nós, é invencionice, infelizmente. Eu posso contar como tudo aconteceu, sem precisar dizer uma só palavra, apenas disponibilizando esses documentos que guardei…! Eles, os documentos, falam por si.

15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Jorge Mello: Já confessei que sou analfabeto tecnológico. Coisa que me irrita e às vezes me estressa muito. Não entendo a lógica. Não compreendo o processo. Como posso entrar nesse universo? Mas, entendo que não há volta. Meu parceiro e sócio Belchior, era ainda pior do que eu nessa matéria. Sei disso, porque fomos sócios por 15 anos na PARAÍSO DISCOS, e nesse tempo todo, ele só teve de tecnologia, para cuidar e preservar suas lindas letras e poemas, uma máquina de escrever. Era daquelas bem simples, portátil. Fora isso ele tinha sempre por perto, como eu, muito papel….! Belchior, anotava tudo, na forma manuscrita.

Eu como já expliquei, ainda cheguei a ter as maquininhas mágicas de som: scaners, sequencers, Dat, Adat, mas… também sempre trabalhando ao lado de gravadores analógicos como de fitas K7, e de fitas de rolo. No nosso escritório, não tínhamos computador de mesa nem individual. Na PARAÍSO DISCOS, tudo era no bilhete. Ou anotado em cadernos. Eu guardei parte disso. Guardei essas anotações e os manuscritos…! Ao deixar a sociedade com Belchior em 1995, e começar a trabalhar na JMT PRODUÇÕES, a auxiliar e secretária que me ajudava, era minha filha Morena, com 15 anos de idade. Ela me pediu um computador para realizar o seu trabalho. Eu comprei. Depois veio a Teca, fazer parte da equipe. Mas, eu não tocava naquela máquina, que comprei para Morena utilizar.

Mas… aprendi a dominar as outras máquinas que produzem sons como vocês já viram no meu relato. E minha atividade como produtor, diretor, cantor, cresceu muito. Andei o país inteiro com meus shows, tendo a retaguarda da Morena e Teca no escritório. Por vezes eu ficava mais de mês, sem aparecer em casa, nem no escritório. Viajando com meu show por aí…! E tudo corria muito bem na administração de Teca e Morena. Nós falávamos por telefones dos hotéis onde me hospedava. Foi aí que ouvi falar na tal internet. Eu não tinha fone celular, até início do ano de 2004. Tudo era resolvido por telefonia fixa. E só tive um desses tipo tablets, com internet, e máquina fotográfica, e essas outras possibilidades, depois de 2010. Ou seja, cheguei muito atrasado na história da tecnologia.

Hoje, eu já tenho facebook, Messenger e WhatsApp, mas…, não sei o que é Instagram, e outros meios de comunicação dessa geringonça. Muitas vezes, amigos, conversando comigo, me pedem fotos, ou material de divulgação de meus shows. Eu digo: “Aguarde que amanhã, eu remeto o que me pede, momento em que estarei no meu computador”. Eles me respondem: “Manda agora pelo celular.” E eu confesso a incompetência: “Não sei enviar pelo celular”. No meu computador “Lep Top”, manjo bem. No celular, não tenho certeza. Acho tudo muito estranho, e misterioso, inexplicável, enigmático, imponderável…!

Mas…, a pergunta foi se isso atrapalha ou ajuda na minha música. Eu digo, que ajudou. Consegui revelar coisas que passaram despercebidas pela maioria das pessoas, como a minha atividade no cinema. Ninguém sabe disso. Pouca gente vai ao cinema ver filmes. Outra coisa é a minha atividade no teatro. Pouca gente vai ao teatro. Ninguém sabe disso. Agora pelo facebook, estão tendo esse conhecimento. Assim como tendo acesso à minha atividade como produtor de inúmeros álbuns de outros cantores.  Poucas pessoas se preocupam em ler as fichas técnicas dos álbuns em LPs e CDs de seus ídolos. Não sabem de minha participação nessa área. Sobre a autoria das obras, vejo que a maioria das pessoas ao ouvir a música, sabe quem é o cantor. Mas…, nem todos sabem de quem é a obra gravada. Então ampliei a minha presença junto às obras que criei. Acho que a tecnologia é muito positiva para o meu trabalho.  Muita gente está tomando conhecimento do que realizei, pelo facebook, WhatsApp, Messenger e YouTube.

16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Jorge Mello: As vantagens são imensas. Há a facilidade de se chegar a uma obra arte-finalizada, com o mínimo de gastos, e com qualidade adequada (dependendo de quem manuseia os equipamentos e os executa). As desvantagens, ainda são econômicas, esses aparelhos são caros, por serem importados. Mas, as vantagens, é que barateou os custos de produção final. Antes, um estúdio, cobrava até $200,00 a hora para fazer uma gravação. E cobrava tudo isso, porque montar um estúdio necessitava de um investimento muito grande.

Havia a necessidade de mesas de gravação enormes, caixas enormes, muitos metros de cabos, vários microfones, fitas de masters, tinha que ter piano acústico, uma bateria montada, equipamentos de mixagem, e outros. Tudo muito caro, por serem importados. E para operar tudo isso, precisava contratar dois técnicos de gravação, e ainda um auxiliar, e outro técnico de equipamentos, a mulher do cafezinho. Era muita despesa… E o resultado era esse preço exorbitante para se realizar uma gravação.

Com o computador, e um programa de gravação adequado, qualquer garoto hábil, pode gravar em casa, na garagem, ou na sala, com qualidade adequada, o que quiser. É o que fazem todos nesses dias atuais. O preço final da produção caiu. O que é muito bom!

17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que um músico precisa fazer efetivamente para se diferenciar dentro de um nicho musical?

Jorge Mello: Quando ainda exercendo minha atividade de produtor no meu escritório, naqueles dias no bairro de Santo Amaro, eu recebia, garotos de todo o país, cada um com seu sonho na busca do sucesso, ou de acontecer na profissão de músico. Seja cantor, compositor ou instrumentista…! A todos eu ouvia, e orientava. Cansei de dizer: “Seja um Rei num só ladrilho em que fique de pé. Ao sentir que ali você é visto, respeitado, conhecido, dê um passo, mas…, o faça, sem deixar o reinado no ladrilho anterior, conquiste o próximo ladrilho, mantendo o anterior totalmente seu. Assim você, organizadamente, pode conseguir ser o Rei de toda a área ladrilhada. Que pode ser, um clube, um bar, um bairro, uma cidade, um Estado e até ser conhecido nacionalmente.”

Eu não via outra forma de fazer uma carreira artística na música naquele momento. Isso eu falava lá nos anos finais do século passado. E dizia mais: “Só acontecerá diferente disso, na hipótese, de você ter um grande investimento em dinheiro, para ser lançado ao mesmo tempo em todo o país”. O que era muito difícil. Esse artista teria que ter grana o suficiente para pagar dois grandes programas da maior TV do Brasil, na mesma semana. E, ainda pagar apresentações nos programas maiores de outras redes de TV de Rio e São Paulo. E ainda ter como pagar uns 5 grandes eventos gratuitos, em Praças públicas para acesso de todo o povão, em pelo menos 5 capitais do país, incluindo nessas cinco, o Rio de Janeiro e São Paulo. Só com esse investimento (pagamento da produção, “cachês” de músicos, material de propaganda e de promoção), poderá amanhecer no dia seguinte após terminar essa maratona de lançamento, como o “Rei da Cocada Preta”.

Assim você seria um sucesso na semana seguinte. Era isso o que eu falava a todos que me procuravam para produzir seus álbuns. Esse sonho nunca tive. Porém, nunca parei de fazer minha música, um dia sequer, então estou ainda no meio de minha viagem rumo ao objetivo de conquistar ladrilho por ladrilho e tornar minha obra e meu nome conhecido das pessoas que amam e gostam de música…!

18) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Jorge Mello: Essa até agora foi a pergunta mais difícil, porque está fora do meu trabalho. Mas, vamos lá. O Cenário Musical Brasileiro: Sempre vejo e percebo algo bom e novo, na atividade musical que acontece no breu das docas, nos subterrâneos da produção, coisas muito incríveis e bonitas. Mas…, na visão de quem tem miopia, e enxerga pouco, ou olha sem concentração, na busca do superficial, sem ter o interesse em mergulhar na escuridão dessas docas, onde acontece a mágica da invenção e da criação, vai ver grandes exemplos de terror cultural. Mas, afirmo…! É, lá que está o novo!

19) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Belchior?

Jorge Mello: Ele foi o meu melhor amigo. O meu maior parceiro, em qualidade e em número de obras, porque fizemos juntos 25 canções. Também sei que sou o maior parceiro da vida dele. O conheci em março de 1968, em Fortaleza – CE, quando ambos entramos na Universidade, ele matriculado na Medicina, eu no curso de Direito. Já nesse mesmo ano, começamos a criar canções, em parceria. As primeiras canções aproveitadas em grandes trabalhos, foram utilizadas na trilha sonora da peça de teatro “O MORRO DO OURO” de Eduardo Campos, o Superintendente da TV Ceará. Peça dirigida por Haroldo Serra, que era meu colega de classe na Faculdade de Direito. Eu era o Diretor Musical da emissora de TV, e ao ter esse convite, levei o Belchior comigo para juntos fazermos a Direção Musical do primeiro programa musical local da TV Ceará. E dirigimos o programa desde 1969 a 1971. Quando fui embora para o Rio de Janeiro, para trabalhar na TV TUPY, no Cassino da Urca, contratado como membro do Departamento de Direção Musical, sob as ordens de Lúcio Alves. Cuidei dos programas da Cidinha Campos, do Ivon Curi e de Edna Savaget. E participei dos programas do maestro Isaac Karabchevski (A grande Noite).

Ainda no Ceará, eu e Belchior, participamos de Festivais de música locais, e ao ir morar no Rio de Janeiro, convidei o Belchior para morar em meu apartamento na Av. Barata Ribeiro, 505, Ap. 805, esquina com a rua Santa Clara, em Copacabana. Para lá vieram, além de Belchior, Fagner, Cirino, e claro minha mulher Teca Melo. Depois de quase dois anos vieram para São Paulo, o Ednardo, Rodger Rogério e Tetty. O Belchior ficava dividido nesses dois locais minha casa no Rio de Janeiro e esses amigos em São Paulo. Eu ia muito a São Paulo também, da mesma maneira que os que lá moravam, vinham muito à minha casa no Rio de Janeiro. Assim todos nós conhecíamos cada vez, mais pessoas que nos ajudaram naqueles dias dourados…!

E eu me mudei em definitivo para a capital paulista em novembro de 1973. Nunca mais saí daqui. Ano em que moramos, eu e Teca, com Belchior no apartamento dele na Rua 13 de maio – Bela Vista (Bixiga). Mas, a Teca engravidou de minha primeira filha, Morena, e, procurei ter meu cantinho para cuidar da família em 1974. Fui morar em frente à Câmara Municipal de São Paulo, no Viaduto Jacareí, no centro da capital. E, para sobreviver, fui ensinar música. O que fiz em três Faculdades de música. Mas… o parceiro/amigo Bel estourou no sucesso em 1976. Quando isso aconteceu, ele me procurou e tivemos grandes papos sobre o futuro e nossas carreiras. O resultado desses encontros, foi ele me levar no ano seguinte para a WEA, sua atual gravadora, para que eu fizesse meu segundo álbum “JORGE MELLO – INTEGRAL”.

No ano seguinte fui para a CONTINENTAL DISCOS, e Belchior me procurou outra vez e consultou sobre uma informação que tivera de que eu havia criado uma empresa minha: TERRAMAREAR ATIVIDADES ARTÍSTICAS. Afirmei que sim, eu criei a empresa, com as atividades de gravação, produção e vendas de shows. E, ele me perguntou se eu poderia abrir uma empresa pra ele. Afirmei que era possível. Lembro que naqueles tempos, para se formar uma empresa, demorava mais de um ano. E, em nossas conversas, ficou certo que criaríamos uma gravadora. Era a primeira gravadora de propriedade de dois artistas, que eu lembre.

Bem depois surgiu a gravadora do Ivan Lins e a do Tim Maia. A nossa foi bem antes, dessas entrarem e atividade. A documentação só ficou pronta no início dos anos 1980. E nossa primeira sede foi na Av. Brigadeiro Luis Antonio. Depois nos mudamos para o Brooklin, Rua Texas, e no ano seguinte para a Rua Constantino de Souza no Campo Belo. Eu era o Diretor de Produção de todos os álbuns que a PARAPISO DISCOS lançou em 15 anos de sociedade. E, deixei a empresa, sem brigas, ou discussões, apenas não aceitei a entrada de um novo sócio, nem a compra de um estúdio. Deixei a empresa levando comigo os 50% do material produzido, e o incorporei ao patrimônio da JMT PRODUÇÕES, uma produtora minha em sociedade com Teca, com os selos JMT e TERRAMAREAR. Porque nesses anos todos de PARAÍSO DISCOS, continuei com as atividades na JMT e na TERRAMAREAR, nunca a fechamos.

E tendo agora a minha empresa JMT PRODUÇÕES, com o patrimônio de quase uma centena de álbuns de grandes artistas, eu os relancei com as distribuidoras, com quem assinei contratos de distribuição. E uma dessas distribuidoras de meus produtos, era a CAMERATI, empresa que o Belchior adquiriu, e que motivou a minha saída da PARAÍSO DISCOS. Isso quer dizer, que deixei de ser sócio de meu amigo e parceiro Belchior, mas, continuamos juntos nos negócios, não como sócios, mas, como parceiros em negócios. Porque a CAMERATI era uma das empresas que por contrato, distribuía os álbuns (discos e CDs) de propriedade da JMT PRODUÇÕES. Então eu continuei a ver o Belchior, como sempre nos víamos, apenas trabalhando em escritórios separados. Os dois endereços, tanto da JMT Produções no bairro de Santo Amaro e a PARAÍSO/CAMERATI, no bairro do Campo Belo, não eram distantes, assim eu e Belchior, e continuamos a nos ver com frequência.  Ele frequentava minha casa também como meu grande amigo e parceiro que era. E Nos seus álbuns após a separação da sociedade, ele continuou gravando nossas parcerias. Como aconteceu no álbum BAHIUNO, que tem três canções nossas gravadas por ele.  A amizade era a mesma…! O respeito também!

20) RM: O que são lendas e verdades sobre Belchior?

Jorge Mello: Essa pergunta, poderá ser respondida pelos documentos que guardo no meu acervo. Ali está a verdade. Porque são documentos originais, em papel. Alguns com a assinatura do Belchior e outros com a assinatura dele e minha. Mas…, ele se foi. Faleceu (Antonio Carlos Belchior nascido em Sobral – CE, no dia 26 de outubro de 1946 e falecido em Santa Cruz do Sul – RG, no dia 30 de abril de 2017). E como era um artista de primeira grandeza, seus fãs o levaram à categoria de mito. E, ao mito, tudo é permitido louvar. Não gostaria de tratar desse mito aqui. Mas, disponibilizo os documentos para quem quiser conhecer o artista e o homem.

Hoje se tem como criação de Belchior, muitas frases que ele utilizou em suas belas canções, que estão entre aspas por serem de outros poetas. Isso quer dizer que o texto é citado por ele, mas, ele não é o autor. Há um autor para cada texto citado em suas obras que estão entre aspas. E uma obra tamanha, vasta, forte como a dele, não necessita de se apropriar da obra dos outros poetas que ele citou. E, se citou, é porque as conhecia, como um intelectual que era. E as citava de cor, nas rodas de poesia, e nos encontros com os amigos. Mas…, o fã, não conhece isso. E coloca esses textos citados por ele, como sendo de sua autoria. Uma pena. Ele não precisa disso. Belchior é um poeta muito grande! Com uma obra linda!

21) RM: Você pensa em escrever uma biografia sobre Belchior?

Jorge Mello: Não pretendo escrever biografia do parceiro Belchior. Sou um compositor. Já escrevi muitas aberturas de livros, ensaios sobre a matéria. Coisas que já foram publicadas por jornais, revistas e livros. Mas, uma biografia, não!

Pode ser que um dia eu escreva algo sobre a minha trajetória, e ele como o maior parceiro em minha obra, assim como eu, o maior parceiro em volume de canções da obra dele, faça com que esteja presente em muitos momentos de minha trajetória. Mas…, os escritos se destinarão a contar coisas minhas, tendo as participações de amigos, sócios, parceiros, colegas da música, e em cada situação dessas o Belchior estará presente. Assim como os demais parceiros de minha obra. Não há como ele não estar presente nesses escritos. Mas…, o objetivo principal é tratar de minha trajetória…! Não uma biografia dele…!

22) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Fagner?

Jorge Mello: Meu contato pessoal com Fagner é maravilhoso. Somos muito amigos, e, nos falamos pessoalmente quase todas as semanas. Ele adora a Teca Melo. Fagner é muito atencioso à minha família. Está sempre presente, sempre interessado no que ando fazendo. Adoramos nos ver. Nossos encontros são sempre muito divertidos, com grandes papos entre uns tragos. Tem semanas que nos falamos diariamente. Muitas vezes nos procuramos só para dar um boa noite…!

Houve momentos de distanciamento. Posso citar aqueles tempos em que ele era Produtor e Diretor Artístico da CBS. É que, por coincidência, naqueles dias eu era também Produtor da Continental Discos. Ele lançava na sua gravadora no Rio de Janeiro, álbuns como do Cirino, Petrúcio Maia, eu lançava na Continental, em São Paulo, Anastácia, Lumumba. Logo em seguida, comecei a produzir na Paraíso Discos, então, não houve oportunidades de se trabalhar juntos naquele momento. Os contratos de trabalho nos prendiam em lugares diversos.  Mas… no meu acervo tenho tudo dele. Tudo mesmo. Álbuns, vídeos, fotos, material de imprensa, essas coisas…! E a cada show novo que ele faz, ele me envia tudo. Envia vídeos, fotos, e cartazes, até ingressos (risos)! É um bom colaborador do ACERVO! E eu adoro receber dele esses mimos que ele me envia sempre…!

23) RM: O que são lendas e verdades sobre Fagner?

Jorge Mello: Meu amigo Fagner, é um grande criador de notícias. Eu acho incrível e fantástico como ele tira proveito de qualquer coisa, para virar notícia. Tenho no ACERVO, todas, ou quase todas as publicações sobre ele: em jornais, revistas, periódicos, livros etc. E, esse vasto material, confirma o que eu digo. Fagner soube construir muito bem a sua lenda! Soube como ninguém administrar a sua carreira. E, sabe permanecer nos espaços onde está o interesse dos veículos de comunicação. Coisa admirável, coisa que eu não sei fazer.

24) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Ednardo?

Jorge Mello: O Ednardo era da TV Ceará, como eu, ele também dirigia a parte musical de um programa na emissora. Somos amigos desde aqueles tempos. O conheci quando disputei com ele um Festival de Música realizado no Clube do Náutico, em Fortaleza, evento onde ele foi o vencedor. Mas…, eu vivia uma vida mais boêmia que a dele, e nas noitadas, eu o via pouco. Eu era figura carimbada no Bar do Anísio, para onde ia todos os dias e ficava até o dia amanhecer. Ele aparecia, mas…, nos fins de semana. Sempre foi de muito talento, e chamava a atenção de todos nós.

Eu cheguei no Rio de Janeiro antes dele, e quando ele veio pro Sul, escolheu São Paulo. E nós nos víamos, nos fins de semana, quando eu Belchior Fagner, e Cirino, que formávamos a turma do Rio de Janeiro, íamos ficar com a rapaziada de São Paulo, que eram Ednardo, Rodger e Tetty. Assim ficávamos juntos e sabendo dos acontecimentos um do outro. Foram dias maravilhosos e inesquecíveis.

Sempre achei o Ednardo muito talentoso, mas…, discordamos quanto à utilização do termo PESSOAL DO CEARÁ, para um grupo musical, como aconteceu. Eu tinha sobre termo uma ideia diferente. Entendia como sendo uma mística ao redor de todos nós. O bom é que isso logo foi resolvido, com a iniciativa do próprio Ednardo, com o Movimento MASSAFEIRA em Fortaleza – CE no final dos Anos 1970. Então, percebi que ele pensava como eu, porque esse encontro, apresentou toda uma gama de artistas para o público. Uma coisa linda. Não participei, porque como já falei, naqueles dias do final dessa década, eu me tornara Produtor de discos da “Continental Discos”, e ainda cuidava de minha produtora JMT PRODUÇÕES e do selo TERRAMAREAR. Acho que perdi, por não ter participado do MASSAFEIRA.

Mas, agora no aniversário de 40 anos daquele movimento cultural MASSAFEIRA, eu fui convidado para fazer parte da festa, com meu show, coisa que muito me alegrou. Me apresentei ao lado dos membros originais, inclusive do Ednardo, no Teatro José de Alencar em Fortaleza, o mesmo local do evento original de 40 anos passados. Também me apresentei ao lado de Ednardo no SESC POMPÉIA em São Paulo, num evento em homenagem ao meu parceiro e sócio Belchior. Isso quer dizer que pra mim, é uma alegria ter tido essas oportunidades de trabalhar com Ednardo, em eventos tão recentes.

25) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Graco?

Jorge Mello: O Graco, é uma das figuras mais próximas de mim, não só artisticamente, mas fisicamente. Fomos vizinhos por muitos anos em São Paulo. Ele viu meus filhos crescerem, eu vi os filhos dele nascerem e crescerem. Graco é um homem de bem e um artista cheio de talento. Somos parceiros, coisa que melhora muito a minha biografia. E o considero um de meus maiores e mais queridos amigos. Adoraria tê-lo mais perto de mim…! Hoje moramos distantes um do outro…!

26) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com o violonista Manassés?

Jorge Mello: Manasses, eu conheço desde os anos 1970. Tenho muitas fotos do Manassés cuidando de minha filha mais velha, a Morena. Fotos dele com ela no colo, ainda bebezinha. Mas…, a vida nos levou para locais diferentes. Nunca trabalhei com o Manassés. Apesar de ter sido o produtor de mais de duas centenas de álbuns (discos em vinil e CDs) e de centenas de trilhas de publicidade para teatro ou cinema, nenhuma vez, tive o Manassés, convocado para fazer parte da produção. Uma pena. Perdi esse enorme talento em minhas produções e no meu trabalho. Sempre gravei em São Paulo e ele ficava no Rio de Janeiro trabalhando com o Fagner. Sinto que perdi alguma coisa…!

27) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com Amelinha?

Jorge Mello: Meus contatos com Amelinha, se resumem aos dias maravilhosos do Bar do Anísio, onde ela aparecia e conversávamos, e, também nos primeiros dias meus e de Teca em São Paulo, onde frequentávamos a casa um do outro. Fui muitas vezes na casa dela, naqueles dias dourados no início da década de 1970. Como profissional, fui sempre um torcedor do seu sucesso e admirador de sua carreira. Nunca trabalhamos juntos…!

28) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com os músicos que participaram da amostra de música MASSAFEIRA?

Jorge Mello: Com os artistas que tomaram parte da amostra MASSAFEIRA, em Fortaleza – CE em 1978, minha relação é absolutamente perfeita. A começar por Ednardo, e Augusto Pontes, que foram os criadores. Depois os amigos como Fagner, Belchior, Tetty, Rodger Rogério e Petrúcio Maia. Basta ver minha relação pessoal e profissional já descrita com Graco, meu parceiro e querido amigo. O Antonio José Brandão, é meu parceiro e amigo desde 1969, no BAR DO ANÍSIO, na Beira Mar em Fortaleza, um dos meus primeiros parceiros.  O querido Augusto Pontes, meu amigo desde os tempos da TV Ceará, antes de haver o Bar do Anísio. E lá nesse bar, amigo e companheiro de todas as noites. Teve inclusive a presença de Patativa do Assaré, amigo que entrevistei no meu programa na TV Ceará em 1970, e após o programa, o levei para o Bar do Anísio para apreciarmos uma “Biquara frita”, o prato principal daquele local. Amigos como Fausto Nilo, outro frequentador diário do Bar do Anísio, Ângela Linhares, minha amiga e vizinha aqui em São Paulo, no início da década de 1970 e que depois voltou para Fortaleza, também estava lá no MASSAFEIRA. E eu a incluí na minha produção da PARAÍSO DISCOS de 1986, no álbum já citado, intitulado PESSOAL DO CEARÁ. Álbum onde também estão Mona Gadelha, Graco e Caio Silvio, Stélio Valle, Chico Pio e Alano de Freitas, também do MASSAFEIRA.

Sou muito amigo dos artistas Lúcio Ricardo, Regis e Rogério, Vicente Lopes, Calé Alencar, Jairo Mozart, esse último, pessoa de quem sou o produtor de meia dúzia de álbuns e também parceiro em varias canções. E para terminar, digo que sou como um irmão, pois assim o considero, de Sérgio Pinheiro.  Também posso citar como sendo meus grandes amigos, o Dudu Praciano, Tetty, Rosane Limaverde, Tania Cabral, Manasses, Ife, Martine, Tarcísio Lima, e, assim, posso dizer que minha relação com os artistas que participaram do MASSAFEIRA original de 1978, é muito boa, e cheia de grande amizade. São pessoas muito queridas e amadas por mim…!

29) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com os músicos conhecido como o “Novo pessoal do Ceará?

Jorge Mello: Confesso que não conheço esse, “rótulo”: “Novo Pessoal do Ceará”. Estou ouvindo pela primeira vez. Vou à Fortaleza – CE pelo menos duas vezes por ano, oportunidades em que me apresento nos espaços disponíveis na cidade, tais como, O Teatro José de Alencar, o CENTRO CULTURAL do Banco do Nordeste, IATE CLUBE de Fortaleza, Teatro da Caixa Econômica, também casas de show da moda, como o “Cantinho do Frango”, “Mercearia Santa Rosa”, “Gentilândia Bar”, e outros, e me encontro com muitos músicos maravilhosos que conheci e dos quais sou amigo, e, os tenho como artistas de grande talento e bons exemplos dessa nova geração de artistas da terra cearense.

São muitos, posso citar alguns, que são pessoas que trabalham comigo nos meus eventos: Alan Kardec (esse esteve, está e estará comigo nas oportunidades em que por lá me queiram ouvir),  Paulo Renato, um grande artista que se interessou por minha música, e hoje é quem me coloca ou me apresenta nas oportunidades de levar minha música ao Ceará. Esses dois são como meus irmãos. Também trabalharam comigo, o Mimi Rocha, e Hoto Junior, que são grandes artistas. E em muitos lugares onde apareço, ou frequento, ouço o som de Ciribáh Soares, Carlinhos Patriolino, Sardinha (grande amigo, pessoa que já me acompanhou em muitas apresentações), também posso citar, Pingo de Fortaleza, Gildomar Marinho, Kátia Freitas, Cauãn Cavalcante,  Dalwton Moura, e outros…!

30) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Jorge Mello: A hipótese de “Mais feliz”, é porque faço o que gosto, faço música, vivo disso e confesso a todos que me perguntam, inclusive filhos e família, quando afirmo: “Se, a música não me desse dinheiro para o meu sustento, eu iria buscar uma carreira que me rendesse muito dinheiro, para gastar tudo com a música!” Então, só sei ser o que sou, um músico. Não sei ser outra coisa!

E sobre esse ser “mais triste”, também confesso: Nunca fico triste. Sou feliz o tempo inteiro…! Mas…, fico decepcionado e chateado com a montanha de produção de “músicas” com qualidade duvidosa, utilizadas apenas como produto vendável. Não sei fazer isso. Nunca tentei fazer uma música objetivando vender. Nem me passa pela cabeça, essa coisa de “vender mais, ou vender menos”.

Faço música! E esse fazer me basta! Não conheço essas músicas da moda ou músicas de consumo. Não ouço essas músicas. Não sei quem são seus artistas. Não sei de onde vêm suas vozes. Nunca as ouvi. Você não vai acreditar: nunca ouvi um “FUNK”, e sei lá mais o que?…! Não conheço.

Quando ouço música, ouço Cartola, Pixinguinha, Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Chico Buarque, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Belchior, Fagner, Ednardo,  Anastácia e outros de minha geração. Gosto do rock, então ouço Beatles, Frank Zappa, “Emerson, Lake e Palmer”, Rolling Stones e Neil Young. Gosto do “country” de Willie Nelson, Jean e Garfunkel, Bob Dylan…! E, adoro o som do Blues de Ray Charles, B.B. King, Muddy Waters, Nina Simone, e do Jazz de Ella Fitzgerard, Billie Holliday, Duque Ellington.

Também me interesso muito pelo som do folclore de todas as terras e de todas as gentes…! Adoro o som das Bandas Cabaçais, dos repentistas, dos “Ternos de Zabumba”, das “Bandas de Pífanos”, como a “Banda de Pífanos de Caruaru”. É isso que ouço. É disso que gosto. Não conheço nada da chamada música popular atual, ou sertaneja. Não conheço as canções, nem os músicos que hoje fazem sucesso nos meios de comunicação. Não sei quem são! Mas, conheço Inezita Barroso, Cacique e Pagé, Robertinho do Acordeon…!

31) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Jorge Mello: Quando você quer dizer “tocarão no rádio”, quer dizer que minha música seja ouvida muitas vezes, tornando-se uma canção conhecida. Não, não acredito nisso. Minha obra nunca foi muito executada, nem no rádio, nem na TV. Mas, eu também nunca corri atrás desses espaços. O que quer dizer que nunca paguei para ninguém tocar meus álbuns…!

Hoje com as mídias disponíveis nos celulares, eu consigo mostrar minha obra muito mais. Muita gente está conhecendo minha obra agora, depois do facebook, YouTube, e outros meios digitais…! Nunca esperei nem contei com grandes execuções, nem gastei dinheiro meu para isso. Como você pergunta sobre “jabá”. Digo: nunca paguei. Fiz, claro, trocas de gentilezas, como ir a shows produzidos por rádios, e me apresentar gratuitamente. E, isso eu entendo como divulgação. Estive em grandes e boas entrevistas na TV, onde apresentei minha música. Poderia ter divulgado mais na TV. Fui convidado para muitos programas, e os recusei. É, que não sei fazer dublagem. Nos anos 1970 e 1980, as TVs não tinham nem onde ligar o violão. Todos os artistas convidados desses programas compareciam para dublar seus álbuns. Eu me recusava a fazer isso. Não sei imitar a mim mesmo. Sou um cantor instrumentista. Eu sei tocar e cantar. Poderia fazer isso, ao vivo. Só fiz duas dublagens na vida, em dois programas. E, nunca mais. Nesses que fiz, eu me senti mal…! Mas, aceitei ir a todos os programas que me permitiam tocar e cantar ao vivo. Eram poucos, mas… fiz todos: Programa do Jô Soares, da Inezita Barroso, do Lima Duarte, do Rolando Boldrim, dos vários programas da TV Gazeta: Programa da Claudete Troiano, Ione Borges, e outros. Na TV Record, fiz muito o programa do Savério. Ou seja, onde houvesse a chance de falar, tocar e cantar ao vivo a minha música, eu fui…! E tenho todas essas imagens aqui no meu ACERVO. Mas…, dublar, eu sempre recusei. Não sei fazer isso!

32) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Jorge Mello: Eu sempre disse a dezenas, talvez centenas de músicos que me procuraram. Faça música. Muita música, sempre. Faça a música que lhe agrada criar e tocar. Não fique pulando de moda em moda na busca do sucesso. Isso não é papel de músico. O músico cria música. Ponto Final.  E, se sua música consegue atingir as pessoas, que beleza. Se ela não consegue agradar, continue fazendo, porque ela é a sua música. Sempre fiz a minha música como eu quis, sonhei e gosto. Nunca me interessei por diminuir a qualidade do que sei fazer na busca de agradar.  Não faço música por encomenda. Faço a minha música. E, também tive a felicidade de produzir os meus álbuns, tendo a liberdade de escolher os timbres, e instrumentistas para cada álbum.

Acho que é por isso que sou uma pessoa completa e feliz. E, espero que gostem de minha música, mas, não me fere o fato de alguém não se emocionar com ela. Ela, a minha música, existe sem eu me preocupar com isso. Por isso trabalho criando, todos os dias. Como já falei, tenho perto de mil obras prontas ou em andamento. Metade já pronta, outra metade necessitando de uma olhadela minha…! É isso que faço. É isso que sei fazer. Um dia serão gravadas? Ouvidas? Não sei! E, isso também não tem a menor importância. Elas existem e foram criadas por mim. E isso é definitivo…! Porque em cada uma delas eu estou projetado…!

33) RM: Fale do seu contato com a literatura de Cordel.

Jorge Mello: Bem, sou filho mais velho de um casal que casou bem tarde, e tinham atividades completamente diferentes. Meu pai, um homem de poucas letras, muito honesto e dono de um comércio na praça do mercado, que cuidava de um sítio,  minha mãe, a primeira telegrafista mulher da região, concursada federal, e eu nasci, e fui criado pelo papai, enquanto o segundo filho, era criado pela mamãe, dentro do prédio dos Correios e Telégrafos, onde ela trabalhava.

Duas realidades completamente distintas do casal e dos dois primeiros filhos. O que eu o filho primogênito aprendi com meu pai, com quem passei a maior parte da infância? Convivi com os personagens da Praça do Mercado de Piripiri – PI. Com cegos esmolando e outros pedintes aleijados, buscando suas esmolas, um deles tocando rabeca o dia inteiro, sentado no batente da porta do Mercado Municipal. Também via diariamente os cordelistas na minha frente, jogando sua mercadoria no chão, composta de centenas de folhetos, chamados por eles de romances, escritos em versos. São os folhetos de cordel. Pessoas que passavam o dia inteiro cantando os versos de seus livrinhos, para atrair a freguesia, e conseguir vende-los.

Como meu pai vendia no varejo, eu o ajudava atrás do balcão atendendo a freguesia. Servindo pingas, tiquiras, conhaques, genebras, o dia inteiro para os bêbados que ficavam por ali. Da nossa porta saíam os carros para as cidades de Batalha ou Pedro II, e, esses bêbados circulavam na esperança de ajudar os tripulantes a subirem suas malas e mercadorias nas carrocerias dos transportes, em troca de algum trocado. E eu testemunhava isso na porta da bodega do papai.

Esse ambiente, me fez conhecer as belas histórias da literatura de cordel, e também os heróis dos gibis. Passei a comprar essas duas leituras. E, nunca as dei, nem vendi. E falo do ano de 1956. Desde esse momento, coleciono, e guardo todos os folhetos de cordel e ainda os gibis, que comprei naqueles dias. Ainda estão comigo. São milhares de folhetos de cordel. Centenas de gibis do Tarzan, Fantasma, e outros heróis…! Sou apaixonado pela cultura popular, desde aquelas leituras dos folhetos, onde tive contatos com Leandro Gomes de Barros, João Martins de Thayde, e todos os outros poetas do cordel!

34) RM: Fale do seu contato com o Repente.

Jorge Mello: Tudo o que disse acima, no que diz respeito à época, local e história real, deve ser considerado nessa resposta. É que uma das mais belas atrações da Praça do Mercado, eram os desafios de repentes, dos repentistas que por lá passavam. Eu ficava encantado com tamanha beleza. Como ainda fico hoje…! E, já naqueles dias, eu percebi que também conseguia criar versos improvisados…! Assim como aqueles artistas que aprendi a admirar, eu também me tornei um repentista. 

35) RM: Quais as principais diferenças da Violão de 10 cordas com o Violão Popular?

Jorge Mello: Os repentistas, de modo geral, trabalham com a Viola de 10 cordas, mas muitos improvisam em rabecas. Eu improviso no Violão de seis cordas. E também há os que improvisam com pandeiros, que é o caso dos emboladores. A diferença não está só na quantidade de cordas, mas, também na afinação de cada instrumento.

36) RM: Os repentistas sabiam tocar a Violão de 10 cordas ou eram limitados tecnicamente na execução do instrumento?

Jorge Mello: É como acontece na música popular. Alguns repentistas de grande qualidade nos versos, tinham limitações no trato com o instrumento. Outros, com mais limitações no trato das formas e da qualidade de seu repente, eram mais habilidosos com o instrumento. É normal, como na música popular.

37) RM: Nos apresente os seus livros lançados.

Jorge Mello: Escrevo desde ainda muito jovem. Principalmente poemas. E ainda com 15 anos, saindo de Piripiri – PI, fui morar em Teresina, a capital do Estado, na Casa dos Estudantes do Piauí. E lá eu buscando trabalhar com música, participava dos programas de auditório das rádios Pioneira e Rádio Difusora, mostrando minha música. E estudava no Liceu. Fiquei amigo do professor José de Arimatéa Tito Filho, para quem mostrei meus poemas. Ele se interessou e me levou ao governador Petrônio Portela, de quem também fiquei amigo. E assim, tive a prensagem de meu primeiro livro “TUMULTOS D’ALMA” em 1966. Um livro de poemas. Ano em que fui para Fortaleza – CE, na busca da TV, porque soube que a televisão havia chegado no Ceará.

Escrevi muita coisa. Mas, só em 2005, tive a minha segunda obra publicada. Tratava-se de um ensaio sobre a literatura de cordel intitulado: “A MEDICINA POPULAR NO CORDEL: meizinhas, doenças e curas”. Nesse mesmo ano de 2005, foi publicado minha obra “DIREITO AUTORAL: da Titularidade”, que é um ensaio sobre a nova Lei Autoral Brasileira, Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Obra que tem o objetivo de aclarar as dificuldades dos autores no entendimento de seus Direitos Autorais. E no ano de 2013, foi publicado minha primeira ficção, um romance em prosa: “BENEDICTUS – Uma aventura de Magia”.

No mais, estou presente em várias publicações coletivas, com textos meus sobre música e músicos, ou coletâneas de poesia. Dentre eles, um texto sobre Petrúcio Maia, e outro sobre o Belchior. E na obra “CANCIONEIRO BELCHIOR” de José Gomes Neto, tem um texto meu onde apresento a obra, e ajudei ao autor com orientações na pesquisa do conteúdo do livro.  Meu texto nessa bela obra se intitula “O NEGÓCIO É O SEGUINTE”.

38) RM: Quais são as suas pesquisas que podem ser lançadas no futuro?

Jorge Mello: É difícil, mas, algumas descobertas minhas, talvez sejam publicadas um dia. Tenho muitas curiosidades sobre as traduções da Bíblia. E vejo diferenças nessas traduções, que vêm do grego, do latim, e outras fontes, para se tornarem as que tenho como a tradução inglesa da Bíblia do Rei James. Tenho 49 Bíblias. Mas…, não sou religioso…! Gosto da palavra e do estudo das línguas faladas, me interesso pelas traduções…! Outra pesquisa bem adiantada é sobre as formas da cantoria e do repente, que têm origens na cultura árabe, ou medievais…! Como martelos, décimas, redondilhas. São assuntos que estudo e conheço. Um dia os publicarei, quem sabe!

39) RM: Quais os prós e contra de Festival Musical?

Jorge Mello: Nos tempos de minha juventude, quando me interessei em ser um profissional de música, os festivais eram as melhores e mais importantes formas de se tornar conhecido e de se ter a oportunidade de um contrato com uma gravadora.  Aconteceu comigo, com Belchior e com tantos outros de minha geração. Era um acontecimento cultural de muita importância. Com o tempo, essa opção foi perdendo esse prestígio, porque os produtores e gravadoras passaram a ir buscar os artistas que lhes interessavam, em outro ambiente. E, hoje, já não têm essa força daqueles dos anos 1969/1970. Mas…, para quem quer mostrar o seu trabalho artístico, todos os caminhos são válidos. E os festivais, embora não tendo a importância e a força de antes, ainda são janelas para quem quer mostrar o que faz, como compositor e como intérprete. Então não acho nada contra os festivais…!

40) RM: Hoje Festival de Música revela novos talentos?

Jorge Mello: Claro que sim! O que não faz é dar condições desse “novo talento” ter a partir desse momento, uma atividade que lhe dê o prestígio necessário de uma profissão. Para ter um trabalho na música, já falei antes, o interessado tem que ter, determinação, não parar nunca, aceitar fazer o seu trabalho no maior número de lugares, e se possível, ser Rei em um deles. Como num espaço onde se apresente (restaurante, casa de shows, entidade cultural etc.) Hoje tem que mostrar o trabalho e também saber utilizar os meios disponíveis da comunicação digital. Estar presente nos sites de relacionamento, sempre mostrando o seu trabalho, para criar um ciclo de interessados em sua obra. E, não parar nunca. É difícil? É! Mas…! tem que ser feito.

41) RM: Qual a importância de SESC, SESI, Itaú Cultural, Caixa Cultural, Banco do Brasil Cultural para a cena musical?

Jorge Mello: Total importância. São espaços que dão oportunidade aos artistas novos. Que remuneram os novos artistas por seu trabalho. E que só ajudam a esses novos artistas, a mostrarem o seu trabalho. Acho muito importante!

42) RM: Qual sua opinião sobre a cobertura da cena musical feita pela grande mídia?

Jorge Mello: A grande mídia, só se interessa para o que já está feito. Ela não investe em nada que está por fazer. Ela colhe o que já está feito e disponível. Então, a minha opinião é a de que ela não se interessa pelo que faço, nem pelo que gosto, nem pelo que quero fazer.  Não ligo para essa tal “grande mídia”. Assisto muito pouco e menos ainda conheço a música que ela divulga e mostra. Não sei quem são os artistas nem as obras que lá estão! 

43) RM: Você foi um dos donos do selo Camerati? Cite os artistas que foram lançados pelo selo?

Jorge Mello: Nunca fui dono do selo Camerati. Mas…, gravei muito no Estúdio Camerati, produtos de minha propriedade e produção, que lancei pelos meus selos: TERRAMAREAR e JMT PRODUÇÕES, e também pela gravadora PARAÍSO DISCOS (em sociedade com Belchior). E como o meu parceiro Belchior, se interessou em ter um estúdio, ele, sim, comprou a Camerati, mas, o fez, depois que eu não era mais seu sócio na PARAISO DISCOS. Quando ele adquiriu o Estúdio Camerati e também a distribuidora de Discos Camerati, eu representando minha empresa JMT PRODUÇÕES, assinei contrato para que a DISTRIBUIDORA CAMERATI, distribuísse alguns de meus produtos. E pela Camerati, por licença da JMT PRODUÇÕES, saíram alguns produtos meus, posso citar o meu álbum “RIMA”, o álbum “AMANHÃ SERÁ MELHOR”, de Iris Thompson de Carvalho,  e ainda o produto “BELCHIOR – CANCIONEIRO GERAL”, contendo vários intérpretes, onde boa parte desses fonogramas, são da JMT, e foram cedidas por mim à Camerati para compor esse lançamento.

O Produto é uma caixa com três K7s, cada um deles com os seguintes títulos: “1984 – CENAS DO PRÓXIMO CAPÍTULO”: Esse produto é o próprio LP do Belchior que fiz a Direção de Produção em 1984, contendo quatro obras de minha autoria: “PLOFT” (Belchior e Jorge Mello);  “ROCK ROMANCE DE UM ROBÔ GOLIARDO” (Belchior e Jorge Mello); “CANÇÃO DE GESTA DE UM TROVADOR ELETRÔNICO “ (Belchior e Jorge Mello); “O NEGÓCIO É O SEGUINTE” (Belchior e Jorge Mello).

“LA VIDA ÉS UM SUENO – Belchior em Espanhol”: Esse produto, tem várias canções de Belchior interpretadas em espanhol, com versões do próprio Belchior, e também uma de Eduardo Labanois, com interpretação Belchior, Labanois e Carrero e Laura Canoura, Maria Conceição Fonseca. Deixo de citar a ficha técnica de obra por obra, só pra falar que nesse álbum de K7, estou lá com a canção “LOZANIA” (Belchior e Jorge Mello), interpretada por Labanois e Carrero. Então, estou presente, porque autorizei a Camerati a utilizar.

“ILUSTRES DESCONHECIDOS”: Esse produto, tem vários artistas como intérpretes, posso citar: Rê, Lúcia Meneses, Banda do Brejo, Força do Samba, Sérgio Zurawsky e Banda Radar, Rayfer, Leo Robinson, e estou nesse K7, como intérprete, nas canções: “NUM PAÍS FELIZ” (Jorge Mello e Belchior); e “CANÇÃO DE GESTA DE UM TROVADOR ELETRÔNICO” (Belchior e Jorge Mello), e também estou como Produtor Executivo em outras SEIS (6) obras. E a Camerati o lançou sob minha autorização. Logo no produto geral que é uma caixa de K7, sou responsável por 11 das faixas publicadas (por serem de propriedade da JMT PRODUÇÕES), com minha autorização para a Camerati distribuir, vender e divulgar.

Isso quer dizer que minha participação no trabalho em conjunto com o Belchior não parou com minha saída da PARAÍSO DISCOS, em 1995, e, sim, continuou nessa “parceria” entre as empresas dele, a Camerati, e a empresa minha, a JMT PRODUÇÕES! Mas, nunca fui dono, nem sócio da Camerati.

44) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Jorge Mello: Bem…, essa palavra “dom”, me pareceu ser um dote natural, algo como coisa que nasce com você, como uma característica, coisa divina, como um poder, ou um merecimento, um privilégio, um donativo, um presente, uma dádiva. Imagino que tudo isso caindo de chofre, de repente, inesperadamente sobre o indivíduo, não o torne um músico. Para isso, há que se educar, se esmerar, se preparar, buscar a habilidade com algum instrumento. E com isso quero dizer que os instrumentistas não precisam desse tal “dom” para se tornarem exímios, excelentes, notáveis no trato com seu instrumento. Porque a um grande instrumentista se exige dedicação por muito tempo ao trato com seu instrumento. Por vezes uma vida é pouco.

Instrumentistas precisam apenas da habilidade e dedicação. Mas para criar músicas e criar poemas, além da habilidade necessária e do conhecimento da técnica no trato com as palavras, com melodia e principalmente com a harmonia, há que ter uma coisa a mais. E, vendo assim, posso dizer que o “dom” é entendido como uma sensibilidade de ver longe, de ver por caminhos que outros não conseguem ver nada.

45) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Jorge Mello: Vendo-se horizontalmente, é apenas os improvisos sobre uma determina harmonia. Mas, podemos começar entendendo o que é improvisar: é quando criamos sem prévio preparo, de tal maneira que se vai criando no momento exato da audição. É organizar, armar, arranjar uma melodia sem uma devida preparação prévia. É criar o repentino, o súbito, como o poeta repentista cria seus versos no ato do improviso de seus repentes. Então Improvisação Musical é o repente do instrumentista, sem prévio preparo. Criando melodias e harmonias subitamente, de repente.

46) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Jorge Mello: Conheço pouco esses métodos. Não posso falar sobre eles. Mas…, fosse eu criar um método desses, ensinava encadeamentos harmônicos, de tal forma que a harmonia abrisse horizontes, vertentes, caminhos, veredas, atalhos, direção, rumos, destinos e possibilidades, de novas melodias, sem se perder da harmonia de base…! Isso, sem dúvida é improvisar!

47) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Jorge Mello: Existe, sim. Em grandes momentos de meus shows, eu começo criando encadeamentos harmônicos e vou criando meus improvisos de voz, e muitas vezes, jogo esses improvisos para os músicos acompanhantes, que estão comigo, objetivando ter deles uma sintonia com aquele momento. E, eles sem imaginarem o que estou tentando fazer, pegam no ar aquele tema e muitas vezes, chegamos a momentos deliciosos criativos, e únicos daquela música e daquele arranjo.

Posso dizer com certeza: no palco ao realizar um show, e tendo ele 10 obras, e nesse show, eu interpretar por 10 vezes a mesma obra, com certeza, serão sem sobra de dúvida, 10 obras distintas. E, sei disso, porque NUNCA FAÇO A INTERPRETAÇÃO DE MINHAS CANÇÕES COMO ESTÁ NOS MEUS ÁLBUNS. Entendo que aquele registro do álbum, foi o documento do momento da gravação.  E pode ser lembrado e repetido por quem tiver meus álbuns: discos em vinil, CDs e vídeos. E, aquele momento, mágico, já foi registrado. Não me interessa mais…!

Na hipótese de ir gravar no dia seguinte, essa mesma obra, com certeza, será outra. Não decoro o que faço no meu violão, a cada vez que toco. Faço o que acho que naquele momento é o que precisa e deve ser feito. Isso é improviso.

E essa é uma das muitas reclamações de amigos que adoram minha obra gravada, e vão a meus shows. Eles ao me encontrarem no camarim depois do evento, sempre me falam que gostariam de cantar comigo, enquanto assistem à minha apresentação. Mas…, ficam sem saber o que fazer, porque a obra, embora sendo a mesma, parece outra. Justifico sempre a todos que me falam isso: “nunca faço a mesma harmonia, ou o mesmo improviso de voz, ou a entonação de outros momentos de minha apresentação”. E mostro a todos que cada show é um registro real daquele momento. Por isso é único! Nunca mais aquela música será executada daquela maneira que foi gravada. Isso porque eu ao interpretá-la, improviso sempre.

E como dizia no início dessa resposta. Começo a tocar, jogo aos músicos o quer estou criando, e eles desenvolvem e me devolvem. E eu canto. E ao passar para eles a qualquer momento, não espero encontrar deles pontos decorados. É impossível de acontecer. Eu só ouço essas diferenças, de outras apresentações ou gravações, na hora em que vou ouvir o que alguma pessoa guardou gravando o show. E adoro sempre essa eterna invenção. Fazem essas músicas permanecerem vivas! E crescendo como uma criança sadia!

48) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Jorge Mello: Nos tempos em que eu ensinava música, eu acompanhava, claro, para indicar a meus alunos. Mas, isso ficou na década de 1970. Não acompanho os novos lançamentos de livros didáticos para o estudo de música.  O que posso dizer, é que encontrei bons livros a respeito naqueles tempos. E, são necessários aos músicos, principalmente àqueles que pretendem estudar áreas como “Arranjos e Regências”, ou “Composição”.

49) RM: Fale das suas experiências de shows, trilha sonora e jingles.

Jorge Mello: Comecei fazer shows em 1972 nas boates para marinheiros no Rio de Janeiro e depois outras cidades brasileiras. Fiz uma trilha sonora para a novela: João da Silva da TV Cultura. Em 1973 fiz a trilha do filme: A Noite do Espantalho de Sergio Ricardo e com direção musical de Geraldo Azevedo. Alceu Valença fazia o papel do espantalho. Eu e Teca Mello (minha esposa) fazíamos papel de atores. Foram seis meses de filmagem no interior de Pernambuco.

Depois dessa experiência escolhi morar em São Paulo e passei seis meses na casa do amigo Marcus Vinícius. Aqui estavam Ednardo, Rothe, Teti que formaram o conjunto: O Pessoal do Ceará e gravaram um Disco. Na oportunidade fomos contra o nome do conjunto, pois O Pessoal do Ceará era um movimento da arte cearense mais ampla e não só musical. Foi um fim pouco nobre para arte do Ceará com núcleo no Rio de Janeiro. São Paulo organizou a minha vida nos aspectos profissionais e pessoais.

Trabalhei como maestro da: Editora Embi; RCA Victor; Continental e professor de música na: Faculdade Instituto Musical de São Paulo; Faculdade Paulista de Arte; Mozartel, alguns maestros hoje foram meus alunos como: Sergio Sá. No final da década de setenta comecei a fazer jingles para várias empresas e virei um rato de estúdio e a gravadora Continental me contratou para produzi: Anastácia, Vicente Barreto, Belchior e outros artistas.  Fiz muitos shows pelo Brasil na década de oitenta, com tudo pago pela empresa Sul Vinil.

50) RM: Fale da sua experiência como advogado na área de direitos autorais.

Jorge Mello: Quando eu percebi que meu trabalho poderia cair no nivelamento por baixo que está acontecendo com a música popular brasileira, busquei outra alternativa de sobrevivência e paralelamente surgiu em 1998, depois de doze anos, uma nova lei para o Direito Autoral. Eu que nunca tinha vestido um terno ou posto uma gravata e usava cabelos longos. Então para não ter que cantar música que não acredito para não perder um show.

Voltei em 1998 para Faculdade para fazer o curso de Direito, conclui em 2002 e passei na OAB coloquei terno, gravata, cortei o cabelo e tirei o brinco para começa uma luta que conheço bem a matéria que é o direito autoral.

Com aprovação da Lei de numeração de obras musicais e literária que é muito importante, mesmo não sendo do interesse das gravadoras que dizem que vão ter mais trabalho. Mas na verdade essa lei vai permitir uma aproximação da venda real dos discos produzidos pelas mesmas. Cantor que “vende” antecipadamente mais de cem mil copias para efeito de gerar mídia, as gravadoras vão ter que prestar contas reais.

51) RM: Fale do panorama musical da década de sessenta e setenta.

Jorge Mello: É interessante, em sessenta no interior do Piauí eu tinha acesso à música popular brasileira e estrangeira igual a quem morasse no Sudeste. Quando conheci O Pessoal do Ceará, eu tinha composições com as influências do que ouvia.

Fazíamos uma música por dia e mostrávamos uns para os outros na beira do mar. Eu morei seis meses na praia com minha esposa Teca.  No Sudeste eu tive dezenas de músicas censuradas no regime militar.

Escondemos colegas que participavam dos movimentos estudantis e políticos no apartamento do Rio de Janeiro, como exemplo, o Gemiro Neto que foi guerrilheiro no Araguaia.  Não fomos perseguidos diretamente, mas absorvemos as experiências dos cantores e compositores exilados: Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso e outros.  Ficamos para fechar essa lacuna musical junto com Geraldo Azevedo e Alceu Valença.

52) RM: Quais os seus projetos futuros?

Jorge Mello: Tenho muitos…! Não pretendo parar. Quando se cochila, o cachimbo cai. O principal no momento é cuidar de digitalizar meu ACERVO. O ACERVO JORGE MELLO, guarda um montante de documentos e publicações sobre a música de minha geração que nenhum outro lugar tem. São mais de 50.000 documentos em papel, como: contratos; fotos; publicações em jornais, revistas, livros e outros; cartazes; panfletos; releases; ingressos de shows; agendas; e outros. E como vêm muitos pesquisadores ao meu acervo, cada um deles passa a ser um colaborador. E colaboram enviando já digitalizado tudo que encontram nos meios de comunicação digitais, como:  Facebook, instagram, WhatsApp, Messenger e outros. Assim posso dizer que além dos que tenho em papel, porque os guardei desde 1956. Também agora os tenho digitalizados no meu computador. É um desafio diário.

Outro projeto é lançar nos meios digitais próprios, álbuns que gravei e produzi durante a vida, como cantor, produtor arranjador e músico. Claro, só publicarei aqueles álbuns que pertençam às minhas empresas, já tão citadas aqui: TERRAMAREAT; JMT PRODUÇÕES, e a JORGE MELLO PRODUÇÕES (onde estão a metade (50%) do que era propriedade da PARAÍSO DISCOS (empresa em que eu era sócio do Belchior), e que me afastei da sociedade em 1995. Esse material, deverá ser publicado em sites como SPOTIFY e outros no mundo todo. Há inclusive muito material inédito, que tenho já produzido e arte-finalizado, pronto para publicação, por serem de minha propriedade. Muito do que produzi, não encontrou espaço nos contratos de distribuição de produto físico que fiz durante a vida. Isso porque esses contratos absorviam um número de álbuns bem menor do que produzi. Sobraram alguns que não foram publicados ainda. Fiz contratos de distribuição de meus produtos durante minha vida de produtor, com a Gravadora ODEON, CONTINENTAL DISCOS, com a CAMERATI (empresa adquirida pelo Belchior, após a minha saída da PARAÍSO DISCOS), e com a BRASIDISC e ZAN PRODUÇÕES.

Agora esse material inédito, deverá ser aproveitado, finalmente. Tudo que tenho, está devidamente legalizado. As obras têm editoras. Eu tenho as autorizações dessas editoras, para publicá-las. E, também providenciei os SISRC junto ao ECAD, de todas as obras em nome de minhas empresas. Basta agora publicar…! Isso é trabalho para alguns anos. Mas, estou também cuidando dos shows, das viagens…! Há muito o que fazer. No final do ano passado, fiz uma viagem de shows por grande parte do Nordeste: em Salvador, Feira de Santana, Fortaleza, Teresina, Piripiri. Foi muito bom…! Me apresentei em grandes teatros e grandes casas de shows. Pretendo repetir…!

Agradeço à RITMO MELODIA, pela oportunidade, pelo carinho, pela disposição e pela bela entrevista. Uma das melhores que participei. Gosto muito da revista, e, de você, meu querido amigo Antonio Carlos. E senti que a entrevista anterior, que é maravilhosa, virou um documento histórico. E essa oportunidade de contar as coisas mais recentes e ainda me mostrar com a nova cabeça e direção de meu trabalho, é uma oportunidade única. Fica aqui meu agradecimento sincero.

Jornalista, escritor, biógrafo, ou sendo acadêmico, que precisa de material para suas pesquisas de monografias (para graduações), de Mestrado (para mestres), de teses (para doutorados e pós-doc), mantenha contatos comigo. Guardei tudo da música de minha geração: fotos, publicações, contratos, agendas, cartazes, panfletos, enfim tudo que possa atingir o interesse na música do chamado PESSOAL DO CEARÁ, seus membros e parceiros, isso porque eu participei desde o início dessa aventura. A pesquisa é gratuita. Não cobro nada, porque entendo que o que guardei, pertence à Cultura Brasileira, eu sou apenas um guardião.

53) RM: Jorge Mello, Quais seus contatos para show e para os fãs?

Jorge Mello: eujorgemello@gmail.com  | (11) 99311 – 0497 (WhatsApp)

| https://web.facebook.com/jorge.mello.37

| https://web.facebook.com/EuJorgeMello

| www.eujorgemello.blogspot.com 

Canal: https://www.youtube.com/channel/UC0DVq-ltXptqp3otCYhZhrA 

DOCUMENTÁRIO JORGE MELLO: https://www.youtube.com/watch?v=fR3JyzQnLVQ

Canções ao Vivo em 2016: https://www.youtube.com/watch?v=s5bf-_70BDI 

Jorge Mello – No Programa do Jô: https://www.youtube.com/watch?v=cWTqXjru95o 

JORGE MELLO NO PROGRAMA HISTÓRIA DA MÚSICA COM ULYSSES GASPAR: https://www.youtube.com/watch?v=BbCR3q5Vl4w 

Besta Fera (1976):  https://www.youtube.com/watch?v=WmztaphSls8 

Jorge Mello – Felicidade Geral: https://www.youtube.com/watch?v=ZJanOyGrXB0 

Coração Rochedo: https://www.youtube.com/watch?v=0LY9XjK_56M 

Tema: https://www.youtube.com/channel/UCddGR-tBz2rv_OVJy97tCBg 

Entrevista Jorge Mello e Lúcia Meneses canções inéditas de Belchior TV RECORD: https://www.youtube.com/watch?v=uH0Xgiwcu8g


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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