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Categorias: Entrevistas

Joquinha Gonzaga


Tempo de Leitura: 14 minutos

No final da década de 1940, o “Rei do Baião” Luiz Gonzaga trouxe seus pais Januário José dos Santos do Nascimento e avó Ana Batista de Jesus Gonzaga do Nascimento; suas irmãs Geni, Muniz, Chiquinha Gonzaga e Socorro e seus irmãos Severino Januário, Zé Gonzaga e Aluízio para morar seu sítio no bairro Santa Cruz da Serra em Duque de Caxias-RJ.

O local ficou conhecido como “Sítio dos Gonzagas”, em que eram realizadas grandes festas como Casamentos, Batizados, Aniversários e Novenas, sempre regada com comidas típica do Nordeste como carne de sol, galinha de capoeira, buchada, baião de dois e macaxeira, e no final dessas festas tinha que ter forró com os artistas presente como, o próprio Gonzagão, Zé Gonzaga, Chiquinha Gonzaga, Dominguinhos, Marinês, Abdias, Trio Nordestino, Noca do Acordeon, Severino Januário, Sivuca entre outros.

Foi nesse ambiente que no dia 01 de abril de 1952 nasceu João Januário Maciel, o primeiro filho de Raimunda Januário (Dona Muniz) a segunda das mulheres irmã de Luiz Gonzaga. João era carinhosamente chamado de “Joquinha”, ele aos 12 anos de idade ganhou do seu tio Luiz Gonzaga, uma sanfona de oito baixos ou pé de bode como é chamado no sertão do Nordeste. Após um ano aprendendo tocar o instrumento, o tio Luiz presenteou um Acordeon de 80 baixos que era adequado para quem começa a cantar e Gonzagão sugeriu que seu sobrinho usasse como nome artístico “Joquinha Gonzaga”.

Joquinha Gonzaga começou sua trajetória musical nos anos 1960 no Rio de Janeiro, tocando em escolas, clubes, casa de Forrós e no próprio “Sítio dos Gonzagas”, onde quase todos os domingos tinha arrasta-pé com a família Gonzaga e Amigos Sanfoneiros. Em 1970 prestou serviço Militar durante quatro anos, saindo em 1974, a partir de 1975 passou a viajar por todo Brasil atuando como sanfoneiro com seu tio Luiz Gonzaga. “Ti Gonzaga”, como ele o chamava, ensinava alguns macetes do mundo da música ao sobrinho, principalmente a velha e famosa puxada de fole que só Gonzagão sabia fazer na sanfona, para Joquinha Gonzaga, ele foi um pai, patrão, irmão, colega de trabalho, amigo, professor e confidente, Luiz Gonzaga foi seu grande incentivador.

Em 1985 “Amei à toa”, melodia de Joquinha Gonzaga e letra de João Silva, primeira composição foi gravada por seu tio Gonzagão. Em 1986 como sanfoneiro, viajou para França em turnê com vários artistas: Djavan, Alceu Valença, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Fafá de Belém e outros. Em 1987 gravou seu primeiro disco pela gravadora Top-Tape, teve o prazer de ter como produtor musical, o saudoso João Silva, que foi o compositor e parceiro que mais fez músicas com Luiz Gonzaga. Em 1988 Luiz Gonzaga convidou Joquinha para participar de seu disco intitulado “AÍ TEM”, na gravadora RCA cantando “Dá licença pra mais um”, composição de João Silva, foi sua maior alegria como profissional.

Em no início de 1989 Luiz Gonzaga participou do disco de Joquinha pela gravadora Copacabana Disco cantando duas músicas. Gonzagão faleceu em 2 de agosto e em Dezembro do mesmo ano Joquinha Gonzaga, Dominguinhos, Gonzaguinha e o povo de Exu inauguraram o “Museu Luiz Gonzaga” em Exu-PE. Em 1990 se mudou para Exu-PE e junto com seu primo Gonzaguinha, deram continuidade ao sonho do “Rei do Baião”, conservando o Parque Asa Branca para a visitação de todos seus fãs.

Em 29 de abril de 1991 morre Luiz Gonzaga do Nascimento Junior (Gonzaguinha), em um acidente no Paraná aos 45 anos de idade, a partir daí, Joquinha Gonzaga ficou desnorteado, sem saber o que fazer, mas manteve a vontade de junto com o povo Gonzagueano, seguir sua carreira de forrozeiro como sobrinho de Gonzagão, neto de Januário e primo de Gonzaguinha, é o que ele esta fazendo até hoje.

Joquinha Gonzaga segue gravando um disco de dois em dois anos, fazendo shows culturais, contando histórias e causos de seu tio Luiz Gonzaga, fazendo a festa de nascimento de Gonzagão no dia 13 de Dezembro e de morte no dia 2 de Agosto (Festa da Saudade) em Exu-PE. Fazendo shows nas festas juninas em todo Nordeste e no Rio de Janeiro e São Paulo nas casas de Forrós, para matar a saudade dos nordestinos que por muito tempo estão longe da sua cidade natal.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Joquinha Gonzaga para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.04.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Joquinha Gonzaga: Nasci no dia 01.04.1952 no Rio de Janeiro – RJ. Registrado como João Januário Maciel e uso o nome artístico de Joquinha Gonzaga.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Joquinha Gonzaga: Até os 12 anos de idade eu não tinha interesse pela música. Em 1964 o meu tio Luiz Gonzaga chegou à minha casa e me presenteou uma sanfona de 8 baixos e passei a me interessar pela música. Em um ano aprendi a tocar o forró, xote baião e marchinhas na sanfona de 8 baixos.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Joquinha Gonzaga: Estudei até o Ensino Médio e na música sou autodidata.

04) RM: Quais suas influências musicais no passado e no presente?

Joquinha Gonzaga: Minha influência com certeza foi minha família, alguns tinham musicalidade, começando por meu avô Januário José dos Santos do Nascimento e avó Ana Batista de Jesus Gonzaga do Nascimento, minha mãe e minhas tias cantavam muito bem, mas não seguiram a profissão, só minha tia Chiquinha Gonzaga, meus tios eram todos profissionais, minha referência foi Zé Gonzaga e Luiz Gonzaga.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Joquinha Gonzaga: Nasci no Rio de Janeiro, me criei em Duque de Caxias em Santa Cruz da Serra no sitio dos Gonzaga, juntos com minhas tias e meus primos, final de semana sempre tinha forró no fundo do quintal, com a presença de muitos colegas e amigos de Luiz Gonzaga, como: Dominguinhos, Marinês, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Abdias, Zé Gonzaga, Chiquinha Gonzaga, Severino Januário e outros. Isso tudo nos 60.

Foi no sítio que meu tio Luiz Gonzaga que sempre nos visitava, descobriu que na família não tinha nenhum sobrinho que tocasse sanfona. Eu tinha 12 anos de idade quando ele me deu uma sanfona de 8 baixos (em 1964), igualzinha à do meu avô Januário, em um ano comecei a tocar bem o instrumento, depois ele trocou a sanfona de 8 baixos por um Acordeon de 80 baixos.

Ele disse que era para eu aprender a cantar, a sanfona de 8 baixos era instrumento para solista e não tinha como fazer acordes para apoiar o cantar. Assim fui melhorando até ganhar do Gonzagão um Acordeon de 120 baixos. Eu fui o que mais ganhei sanfona e Acordeon de Luiz Gonzaga.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Joquinha Gonzaga: Em 1986, gravei meu primeiro disco, “Forró cheiro e chamego”, pela gravadora Top Tape.  Na sequência, foi convidado por meu tio, Luiz Gonzaga, a integrar uma turnê à França.  Em 1988, participou do disco “Aí Tem…”, de Luiz Gonzaga, na faixa “Dá licença pra mais um”.  Em 1989, gravou um disco com composições de seu tio, pela gravadora Copacabana.  Em 1990, lançou mais um álbum, “É só remexer”, novamente pela Copacabana.  No início dos anos 1990, atuei em shows e participei de eventos tradicionais como a Missa do Vaqueiro, preservando a memória de Luiz Gonzaga.  Em 1993, lancei o LP – “Sobrinho de Gonzagão e neto de Januário”, pela Somari, obtendo divulgação nacional.  Em 1996, lancei o álbum “Raiz e tradição”, que trouxe participações de Alcymar Monteiro, Joãozinho do Exu e Maída.  No ano seguinte, lancei mais um disco, “Cara e coração”, pela Ingazeira Discos, e com produção de Alcymar Monteiro. O CD apresentou músicas de compositores como João Silva e Dijesus, além das minhas músicas. No mesmo ano, fiz participação especial em um álbum de Dominguinhos, cantando “Tacacá”.  Em 1998, ao lado de Oswaldinho do Acordeon e Daniel Gonzaga, participei do evento “Tributo a Luiz Gonzaga”, realizado em Nova York – EUA, para um público de 10 mil pessoas. Em 2000, lancei mais um disco de carreira, dessa vez de forma independente, “Mala e cuia”, que teve participação especial de Daniel Gonzaga na “Espelhos das Águas do Itamaragy”.  Em 2003, fiz participação especial no disco “Na varanda do Rei”, de Flavio Baião, na “São João Tradição”.  Em 2004, lancei o CD – “Sanfoneiro da serra do Araripe”, também de forma independente. O disco trouxe uma gravação de Luiz Gonzaga de 1988, em que ele me apresentou como herdeiro musical da família e perpetuador do baião.  Em 2005, fiz participação especial no disco “Forroboxote 4”, de Xico Bizerra, cantando a “Toró de alegria”.  Em 2006, lancei o disco “Contos e causos do Gonzagão”, em que apresentei três causos que presenciei nas viagens que realizei ao lado do meu tio Luiz Gonzaga.  No mesmo ano, participei do disco “Oito e oitenta”, de Chiquinha Gonzaga, interpretando “Sabino”. Em 2007, fiz participação especial no disco “Forroboxote 7”, de Xico Bizerra, cantando “Jorge da Lua”.  No mesmo ano, fiz participação especial no disco “Achando bom!!!”, de Targino Gondim, cantando “Começo de namoro”.  Em 2012, fiz participação na coleção tripla de CDs “Pernambuco forrozando para o mundo – Viva Dominguinhos!!!”, produzida por Fábio Cabral, cantando, ao lado de Dominguinhos“Retrato do nordeste”, de minha autoria com Zé Peixoto e Dijesus. A coletânea trouxe forrós diversos, interpretados por 48 artistas, e que fazem referência aos 50 anos de carreira do seu inspirador, Dominguinhos. Interpretando músicas de compositores em sua grande maioria pernambucanos, fizeram parte do projeto: Accioly Neto, Adelzon Viana, Dudu do Acordeon, Elba Ramalho, Jorge de Altinho, Irah Caldeira, Liv Moraes, Petrúcio Amorim, Geraldo Maia, Sandro Haick, Spok, Jefferson Gonçalves, Chambinho, Hebert Lucena, Maciel Melo, Luizinho Calixto, Silvério Pessoa, Walmir Silva, entre outros, além do próprio Dominguinhos.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Joquinha Gonzaga: Por ser sobrinho de Luiz Gonzaga, sou um autêntico forrozeiro da música Nordestina, como cantor e sanfoneiro.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Joquinha Gonzaga: Não, minha técnica foi Deus que me deu.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Joquinha Gonzaga: É muito importante ter conhecimento sobre técnica vocal e cuidado com a Voz. Tem situações que você não sabe o que está acontecendo com sua voz, se você estudou a técnica e tem conhecimento dos cuidados, consequentemente você vai ter o controle de tudo isso e tomar o caminho certo.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Joquinha Gonzaga: Elba Ramalho e Alcione.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Joquinha Gonzaga: Sou bom de criar melodia, quando pego minha sanfona sempre saem melodias boas pra colocar letra. Mas tenho dificuldade pra fazer a letra, tenho que ter sempre um parceiro para colocar letra na minha melodia.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Joquinha Gonzaga: Dijesus Sanfoneiro, Nando Cordel, Flávio Leandro, Leninho de Bodocó, Tácyo Carvalho e João Silva (já falecido).

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Joquinha Gonzaga: Luiz Gonzaga, Flávio José, Flávio Leandro, Alcymar Monteiro, Dijesus Sanfoneiro.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Joquinha Gonzaga: Os prós: ter liberdade de ação, ter identidade própria, fazer um trabalho musical que tenho na mente. Os contras: a dificuldade financeira, de divulgar o trabalho, nem sempre as rádios toca a minha música, por não ser um disco de uma gravadora.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Joquinha Gonzaga: Fora do palco meu planejamento é tudo dentro de casa. Minha filha Sara Gonzaga atende ao telefone e mantém contato com os contratantes. Ela que toma algumas decisões junto comigo. Dentro do palco eu não tenho exigências. Todos me ajudam no palco: meus músicos, a minha filha e os técnicos de som. Todos fazem tudo que é necessário para sair um som e show bom.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Joquinha Gonzaga: Divulgação pela Internet e inscrever alguns editais.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Joquinha Gonzaga: A internet só ajuda, só é saber conduzir, manusear e entender o processo das redes sociais.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Joquinha Gonzaga: Eu sou das duas épocas de gravações: do tempo de Luiz Gonzaga e depois do Gonzagão. Houve uma mudança grande nesses últimos anos. Antes era uma gravação com mais cuidado, os aparelhos de gravação tinha uma qualidade sonora mais encorpada, o artista chegava ao estúdio mais preparado, ensaiado, mais definido com seu projeto. Hoje tem uma facilitação em todos os sentidos, é tanto que derrubou as gravadoras.

Hoje é mais democrático o processo de gravação. Tem como ter um estúdio em qualquer lugar, mas houve uma desordem geral, qualquer um quer ser artista, grava qualquer música e por falta de conhecimento grava de qualquer maneira. E perdemos qualidade artística.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Joquinha Gonzaga: Procuro manter o mesmo estilo musical de minha tradição musical. Defendendo o forró autêntico que já é um diferencial, pois quase nenhum artista quer fazer música tradicional nordestina.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Joquinha Gonzaga: Dentro do meu estilo de forró, eu não vejo ninguém regredir, aqueles que entraram fizeram um bom trabalho e deixaram suas marcas, apenas ficaram esquecidos pela grande mídia que optou por outra concepção artística. Hoje a cada um minuto aparece um doido fazendo música e querendo ser artista de qualquer maneira, e acaba agradando e quem tem cuidado em fazer músicas, acaba não sendo reconhecido.

Fica até difícil a gente dizer quem é quem, mas tem muitos que mantem sua carreira musical em pleno vapor: Flávio José, Flávio Leandro, Jorge de Altinho, Alcymar Monteiro, Santanna – O cantador, Targino Gondim, Elba Ramalho, Genival Lacerda, Adelmario Coelho, Waldonys.

21) RM: Quais os músicos conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Joquinha Gonzaga: Flávio José, Flávio Leandro, Alcymar Monteiro.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Joquinha Gonzaga: Já aconteceu de Cantar e não receber.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Joquinha Gonzaga: Feliz quando sou valorizado pelo público e triste quando os contratantes depois do show vêm com desculpas esfarrapadas para querer descontos ou não querer pagar.

24) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró Universitário no Sudeste?

Joquinha Gonzaga: Achei interessante, foi uma saída criativa pelo os jovens universitários. Depois da morte de Luiz Gonzaga despertou um interesse muito grande pelo forró, mas existia um grande preconceito pelo o forró autêntico. Usar chapéu de couro, os forrozeiros eram mais velhos, as letras eram regionais do nordeste, então sacaram que os sulistas descendentes de nordestinos gostavam, mas não assumiam o gosto pelo forró.

Surgiram alguns universitários com interesse na cultura propagada por Luiz Gonzaga e descobriram que tocar e cantar forró podiam ser por jovens, com letra falando de amor atual. Assim os artistas conseguiram aproximação dos jovens, o pioneiro foi o grupo Falamansa, depois vieram outros.

25) RM : Quais os prós e contras do Movimento do Forró de Banda dos anos 90?

Joquinha Gonzaga: Foi o maior desastre de todos os tempos. Confundiu a cabeça dos jovens, com letras imorais, enganando o público com uma produção visual, e não definiram o nome do estilo musical que eles apresentam. Fica usando o nome do nosso FORRÓ, o ritmo musical dessas bandas não têm nada ver com forró.

26) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró Estilizado dos anos 2000?

Joquinha Gonzaga: Os instrumentos são os mesmos que meu tio Luiz Gonzaga gravava em estúdio, mas ele não usava em shows. No show, ele usava Sanfona, Zabumba e Triângulo. Hoje as bandas levam Guitarra, Contrabaixo, Bateria, Percussão, Zabumba e Triângulo para o palco. Algumas bandas mantém a característica do Forró autêntico e outras criam alguns arranjos sonoros mais agressivos.

27) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Joquinha Gonzaga: Sim. As bandas de “forró de granja” pagam o jabá declaradamente. Eu já levei meu CD em algumas rádios tradicionais da nossa região nordeste e me falaram que tinha que pagar um valor para tocar minhas músicas, a justificativa era que as bandas pagavam.

28) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Joquinha Gonzaga: Pra ser famoso tem que ser cara de pau, inconveniente, saber enganar os fãs e ter empresário com as mesmas características. Ter muito dinheiro para investir na produção e em um ônibus caracterizado para impressionar os contratantes, que normalmente são os políticos.

Mas, se o artista tem uma boa índole e quer seguir a carreira musical com dignidade, tenha força de vontade, se não, vai desiste logo no início quando descobrir as máfias que existem no mercado musical.

29) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Joquinha Gonzaga: Acho muito importante, é a primeira prova de fogo na carreira musical, é uma faculdade musical para seguir no mundo artístico.

30) RM: Hoje os Festivais de Música revela novos talentos?

Joquinha Gonzaga: Sim, mas não tem muitos Festivais de Música, quando tem é diferente, as regras são falsas, quem é bom perde, quem ruim ganha.

31) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Joquinha Gonzaga: É uma injustiça. Não existe espaço para todos os artistas na televisão. Na rádio você tem que pagar o jabá, a única oportunidade é nas redes sociais, essa sim, o espaço é democrático. Existe a possibilidade de mostrar o trabalho e talento sem ninguém sem máfia.

32) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Joquinha Gonzaga: Tem oportunidade para os artistas famosos ou não de se apresentarem no mesmo espaço. Abre a possibilidade de surgir bons instrumentistas e cantores ainda não conhecidos. É uma maneira de fortalecer o artista que está chegando.

33) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com seu tio Luiz Gonzaga?

Joquinha Gonzaga: A minha convivência é desde pequeno, ele sempre estava presente, foi ele que incentivou a tocar sanfona. A minha primeira sanfona de 8 baixos foi ele que me deu quando eu tinha 12 anos de idade. A minha primeira viagem profissional em 1975, eu tinha 23 anos e viajei por três meses por todo o nordeste. Eu participei cantando no disco dele em 1987 e ele cantou no meu. Ele gravou uma música minha e o acompanhei tocando sanfona até a sua morte.

34) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com sua tia Chiquinha Gonzaga (Francisca Januária dos Santos)?

Joquinha Gonzaga: Convivi desde criança com minha tia Chiquinha Gonzaga (nasceu em 1927 e faleceu no dia 15.03.2011), morávamos no mesmo terreiro. Quando eu não tinha agenda de show, eu tocava sanfona acompanhava ela em alguns forrós no Rio de Janeiro e em São Paulo. Eu fazia todos os arranjos de suas músicas.

35) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com seu tio Zé Gonzaga (José Januário dos Santos)?

Joquinha Gonzaga: Além de ser meu tio, Zé Gonzaga (nasceu no dia 15.01.1921 e faleceu no dia 13.04.2002) foi meu padrinho de agente era muito amigo dentro da música como fora dela, me admirava muito quando eu solava suas músicas, sempre que podia fazia alguns shows com ele, eu era muito querido por ele.

36) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com seu primo Gonzaguinha (Luiz Gonzaga do Nascimento Júnior?

Joquinha Gonzaga: O meu contato pessoal e profissional era distante com Gonzaguinha (nasceu no dia 22.09.1945 e faleceu no dia 29.04.1991), por conta do estilo musical dele e por ele ter pouco contato com a nossa família. Quando ele começou a fazer sucesso, foi que houve uma pequena aproximação através da música, tanto com o pai Luiz Gonzaga e comigo a nossa aproximação maior foi quando meu tio faleceu em 2 de agosto de 1989. Ele passou a se envolver junto comigo, no Parque Asa Branca, no museu de Luiz Gonzaga em Exu – PE. Chegamos a fazer “Espelho das águas do Itamagy”, uma música muito conhecida aqui na região.

37) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com seu primo Daniel Gonzaga?

Joquinha Gonzaga: Não tenho contato pessoal e profissional com Daniel Gonzaga.

38) RM: Qual o seu contato pessoal e profissional com sua prima Maria Lafaete?

Joquinha Gonzaga: Tenho bom contato pessoal e profissional com Maria Lafaete, ela após se aposentar como advogada e uns anos após o falecimento do meu tio Luiz Gonzaga (no dia 2 de agosto de 1989) ele iniciou a carreira na música. Participei de três CDs dela.  Ele está levanta a bandeira do forró tracional.

39) RM: Qual o seu contato pessoal com seu avô Januário (Januário José dos Santos do Nascimento)?

Joquinha Gonzaga: Foi muito pouco meu contato meu avô Januário (nasceu no 25.09.1888 e faleceu no dia 11.01.1978), por ele morar no Nordeste e eu morar no Rio de Janeiro. Ele gostava de ir visitar as filhas no Rio de Janeiro e ficava uma semana e já queira ir embora. O meu contato pessoal era quando ele nos visitava ou quando a gente ia para o nordeste visitá-lo, isso na década de 60 e 70.

40) RM: Severino Januário não usou Gonzaga no nome artístico, por qual motivo?

Joquinha Gonzaga: Severino Januário (nasceu no dia 04.10.1918 e faleceu no dia 02.07.1988), grande vendedor e tocador de sanfona de 8 baixos. Ele homenageou a família usando o primeiro nome do seu pai. As pessoas achavam que ele era o pai de Luiz Gonzaga do Nascimento, mas na verdade era o irmão. O único registrado com o nome Gonzaga foi Luiz que ficou conhecido por Gonzagão. O padre José Fernandes de Medeiros que o batizou, sugeriu que seu nome fosse Luiz, por ter nascido dia 13 de dezembro (de 1912) que é o dia da festa de Santa Luzia e acrescentou Gonzaga e Nascimento por ser o mês em que o cristianismo celebra o nascimento de Jesus. Por tanto, adotamos Gonzaga no nome artístico por ser o nome mais famoso da família.

41) RM: Quem administra o Museu de Luiz Gonzaga?]

Joquinha Gonzaga:  O Museu Luiz Gonzaga está muito bom, bem representado e tem tudo  o que Gonzagão deixou ainda em vida. É um museu particular, temos dificuldade financeira para mantê-lo, pois não tem ajuda do governo, mas sempre tem visitantes que pagam um valor simbólico. O maior número de visitação é de junho a agosto (que é o mês de aniversário de morte) e em dezembro que é o mês do nascimento do “Rei do Baião”. Em dezembro é um mês de maior festa em Exu-PE por conta do seu “filho” mais ilustre. Quem é responsável pela administração é a ONG Parque Asa Branca, que tem no conselho o jornalista Ney Vital.

41) RM: Quais os seus projetos futuros?

Joquinha Gonzaga: Eu gravo em dois em dois anos, pretendo gravar um DVD e documentário contando minha vivência com meu tio Luiz Gonzaga e todos os meus parentes artistas, Zé Gonzaga, Chiquinha Gonzaga, Severino Januário e meu avô Januário.

42) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Joquinha Gonzaga: joquinhagonzaga@hotmail.com | (87) 99995 – 5829 direto com Joquinha Gonzaga | (87) 99677 – 0618 para tratar contração de show com Sara Gonzaga | INSTAGRAM: @JOQUINHAGONZAGA

JOQUINHA GONZAGA – AS MELHORES VOL 1 – CD COMPLETO
https://www.youtube.com/watch?v=8MvjZAytXRk


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

Publicado Por
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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