João Cássio

João Cássio

Cantor João Cássio lançou o EP – “Meu Caminho” que reúne três faixas inéditas que misturam provocação, relacionamento e reflexão no estilo Folk Rock.

O álbum “Meu Caminho” agrada ouvidos que buscam melodias envolventes, mas também reflexão e ousadia. Com letras provocadoras embaladas por harmonias simples, as músicas falam de amor, de acreditar em si e sobre a coragem para escrever a própria história.

João Cássio passou a infância em Promissão, interior de São Paulo, e mudou-se para o norte do Paraná para cursar Comunicação Social. Formou-se em jornalismo em Apucarana – PR, em 2008, e atuou cerca de dez anos em redações paranaenses, onde também se apresentava com seu Violão em Bares de municípios da região.

Em 2017, mudou-se para São Paulo e, depois de cantar clássicos dos anos 80 no “front” da banda 4ª Geração, decidiu recomeçar do zero ao focar na carreira autoral na maior cidade da América Latina. Em 2019, lançou um Crowndfunding (financiamento coletivo) e usou os investimentos obtidos para gravar o EP – “Meu Caminho”, que marca sua estreia no cenário independente.

Três canções compõem o EP – “Meu Caminho”, cada uma com seu próprio videoclipe: a música que dá nome ao álbum fala da coragem e da ousadia necessárias para ouvir o coração e trilhar o próprio caminho, a despeito dos obstáculos. Em “Pelo Que Vale a Pena Lutar?”, por outro lado, lança um olhar crítico a quem escolhe ceder às expectativas do sistema ao invés de acreditar nos próprios sonhos. A terceira música, “Nani Não Vá”, narra das banalidades cotidianas à intimidade emocional que marcam um relacionamento amoroso, com um toque de melancolia diante da iminência do fim.

São músicas para sentir e também para pensar. “A minha impressão é que, nos dias de hoje, as pessoas sentem um vazio interior o qual tentam preencher com coisas materiais; e vem daí o estresse excessivo, a ansiedade, a carência e a depressão tão comuns atualmente. Vivem uma vida que não é delas. A minha música vem dizer para elas olharem para dentro, ouvirem seus corações e passarem a lutar pelo que acreditam de verdade”, resume João Cássio.

Segue abaixo entrevista exclusiva com João Cássio para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 12.08.2020: 

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

João Cássio: Nasci no dia 06 de outubro de 1983, em Cafelândia-SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

João Cássio: Conscientemente, foi no começo dos anos de 1990, quando meu pai ligava na Rádio Cultura, de Promissão-SP, para eu participar de competições musicais de canto em um programa popular semanal. Quem recebesse mais votos dos ouvintes vencia. Participei por algumas vezes até ganhar um par de meias como prêmio, cantando Leandro & Leonardo (Risos.). Na época, a música Sertaneja já estava muito forte e eu, criança e filho de dono de Bar, escutava bastante.

03) RM: Qual sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

João Cássio: Sou violonista e compositor autodidata e estudei técnica vocal. Fora da área musical, sou formado em Jornalismo.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância? 

João Cássio: Não considero meu raio de influências muito amplo: continuo ouvindo Legião Urbana, Engenheiros do Hawaii, Bob Dylan, REM, Raul Seixas, Belchior, The Smith’s, Beatles (banda e a carreira solo dos integrantes); das mais atuais, ouço Keane, Coldplay, Oasis, amo o rock inglês. Se você prestar atenção são artistas que têm o cuidado de lapidar a palavra e não apenas a sonoridade. Curto também o Cogumelo Plutão, o Ivo Pessoa, o Claiton Lemes e o paraense Eliyahu Cad, que compõe verdadeiros primores. O que não ouço mais são os punk’s, os grunges e o pouco de metal, que fizeram minha cabeça na adolescência.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

João Cássio: Foi um pouco tardio para os padrões. Há dez anos, ainda no Paraná, comecei a tocar com cachê em bares e há dois passei a mostrar minhas canções autorais, já em São Paulo.

06) RM: Quantos CDs lançados? 

João Cássio: Lancei no começo de 2020 o EP – “Meu Caminho” (disponível em todas plataformas de streaming) com três músicas, cada uma com seu vídeoclipe, e devo lançar mais quatro singles ainda neste ano.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

João Cássio: Pode-se definir como Indie Folk Rock.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Sim.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

João Cássio: Quando comecei a cantar ainda fumava e bebia álcool, e melhorar a voz foi um dos motivos que me levou a abandonar os dois vícios. Ter a técnica evita machucar o aparelho vocal e gastar energia desnecessária. Recomendo.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

João Cássio: Curto overdrive do Kurt Cobain e do John Lennon, amo o Roy Orbinson, o Ray Charles e o Tom Chaplin. Das meninas, adoro a Dolores O’Riordan, a Brandi Carlile, a Adele e a Shania Twain.

11) RM: Como é seu processo de compor?

João Cássio: Acredito que é o processo de composição responde a uma postura permanente de estar aberto para a alquimia da vida, para as conversas, para os livros, os filmes, para o amor, para os mistérios da espiritualidade. Todas essas influências misturam-se no caldeirão da consciência e manifestam-se em forma de insights de melodias, versos, arranjos. Meu processo é 24 horas por dia, uma entrega.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

João Cássio: O Cosmos e Deus, para os quais não passo de um instrumento. Minha missão é tornar-me um veículo cada vez mais límpido para que essa mensagem passe por mim sem interferências egóicas.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

João Cássio: A própria independência é um fardo e uma bênção ao mesmo tempo, pois elimina a possibilidade de se recorrer a bodes expiatórios. Se o sucesso acontece, a recompensa interior é grande; caso contrário, não adianta reclamar do governo, do povo, da mídia, a responsabilidade é do artista!

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

João Cássio: A internet traz a valiosa oportunidade de possibilitar um caminho sem a necessidade de intermediários entre o cantor e o público. Assim, pode-se apresentar canções ainda antes de produzi-las no estúdio, só no violão por exemplo, e registrar profissionalmente somente aquelas que mais se conectarem com as pessoas. É um teste maravilho e estratégico, pois também gera maior aproximação com o público, que se sente mais próximo do processo. No palco, minha estratégia é esperar… (risos.) Esperar que esse “novo normal” propagandeado nessa época de novo corava vírus não caia no gosto popular, caso contrário, nunca mais lidaremos com o público da mesma forma.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

João Cássio: A carreira de músico independente nessa era digital possibilita que formemos público antes mesmo de sair para a estrada. E é esse o meu investimento atual: mostrar meu trabalho para o maior número possível de pessoas na internet e tocar o público pela consciência, pelo coração. E, graças a Deus e com paciência, já atraí milhares de pessoas sensíveis e inteligentes para consumir o que escrevo.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

João Cássio: A internet é simplesmente o ar que minha carreira respira atualmente. Se bem usado, é um veículo de libertação das almas dos artistas e da consciência do público e que, por isso mesmo, está correndo risco de boicote por líderes inescrupulosos.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

João Cássio: Quem perde, creio eu, são as estruturas (mentais e institucionais) antigas que não entenderam que o jogo mudou. Hoje, todos podemos produzir música e colocar para o público julgar. Há pouca necessidade de intermediários.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

João Cássio: Por definição, o diferencial de qualquer artista aparece quando ele se aproxima mais e mais da sua própria essência, pois é isso que os torna únicos. Ninguém é igual a ninguém e todos têm algo a oferecer. Nesse sentido, não há competição. Quantos artistas diferentes uma única pessoa pode apreciar? É muita gente. É preciso trocar a mentalidade do “competir” pela do “cooperar”; todos saem ganhando.

19) RM: Como você analisa o cenário rock/folk brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

João Cássio: Honestamente, não estou atento à cena. Isso não desperta meu interesse. Tenho preferido ler e assistir filmes, tenho ouvido Wagner e Bach, treinado a execução no meu Violão, na minha Voz, estou melhorando aos poucos. Faço três meditações por dia. Escrevo trechos de versos que me vem à cabeça. Gravo trechos de melodia. Escrevo crônicas. Falo com meu filho. E isso praticamente preenche meu dia. Não busco no Google “bandas atuais” e geralmente não clico quando aparecem notícias do tipo na minha timeline. Estou errado? Talvez. Vou refletir sobre isso…

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

João Cássio: Chitãozinho & Xororó.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

João Cássio: Não sei se enquadra no inusitado, mas há uma história que aconteceu em 2018 que vale a pena ser contada. Era meu aniversário 06 de outubro. Tinha um show marcado em um shopping em Barueri – SP. Estava sozinho e com pouca grana, não poderia pagar dois uber’s. Levei o equipamento (Violão e Caixa de som) nas costas até o metrô, depois peguei trem e chamei o carro para chegar ao shopping.

Durante vários momentos do percurso analisei a minha situação: sozinho no meu aniversário, peso e dores nas costas, indo para uma apresentação de cachê relativamente baixo. Pensei em voltar atrás, mas persisti. Cantei, toquei, me emocionei. O pessoal elogiou, cantou junto, tirou foto e, ao final, a casa ofereceu até um cupcake pelo meu aniversário. Tudo muito simples, mas o suficiente para compensar todos os percalços. Saí da situação mais determinado em relação à minha carreira musical. Quem não disposto a viver esse tipo de coisa não ama a música de verdade.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

João Cássio: A sensação de compartilhar um mesmo transe, uma mesma energia, vozes em uníssono, embaladas pela harmonia musical, só pode ser comparada por uma outra experiência sensual humana… Comer bolo de chocolate! (risos). Brincadeiras à parte, todos nós que estamos na Terra estamos sujeitos a alegrias e tristezas, e essas emoções humanas só fazem sentido quando associadas à missão que viemos cumprir nesta vida. A minha missão é tocar o coração e a mente das pessoas, por ela rio e choro feliz.

23) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

João Cássio: Dom é uma predisposição favorável para exercer determinada atividade de maneira eficaz; ele existe, é claro. Mas sem determinação, disciplina e trabalho, acabamos por enterrá-lo. O Brasil é prodigioso em exemplos de jogadores de futebol talentosos que desperdiçaram seu dom entre festas e bebidas. O mesmo pode ser dito em relação à música. Isso é muito triste, é um desperdício de vida!

24) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

João Cássio: Nunca pensei sobre o assunto. Creio que é importante estudar sempre e também deixar o peito aberto para a intuição operar. É assim também com a vida, a gente precisa de algum planejamento racional, mas também de abertura para o imponderável.

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

João Cássio: Com certeza.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

João Cássio: Existem dois lados na vida artística. A fantasia necessária que é vendida para o público e a faceta concreta que só conhece quem decide entrar em campo. Entrar sem ilusões é fundamental para que o sonho não se conceba natimorto. Fora isso, é estudo, pesquisa, disciplina, estratégia, inspiração e autoconhecimento. Fazer por amor.

27) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

João Cássio: Muitos prós no Festival de Música. Talvez o contra, em alguns casos, seja colocar a música em um patamar competitivo. Não se pode comparar um pavão com uma pomba. 

28) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda são relevantes para revelar novos talentos?

João Cássio: Acredito que sim.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

João Cássio: Pífia e tendenciosa. Via de regra, a grande mídia deixou de ser um veículo sincero de expressão da cultura para tornar-se um formatador de mentes, em que o critério ideológico predomina sobre o artístico. O ser humano retratado pelos artistas que aparecem na grande mídia atual é hiper sexualizado, materialista, desprovido de espiritualidade real.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

João Cássio: Não acompanho de perto, mas a impressão é que o critério ideológico também predomina.

31) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

João Cássio: Depende. Para o artista cover, pode ser razoável. Quanto à cena autoral, praticamente inexiste. Infelizmente, os músicos são meros vetores dos sucessos de cinco, dez, cinquenta anos atrás. As músicas que tocam nos Bares não acompanham as mudanças e a realidade da sociedade. O público não está receptivo para o novo nesse tipo de espaço. Já se tornou cultural.

32) RM: Quais os seus projetos futuros?

João Cássio: Continuar melhorando como cantor e compositor, apresentar canções cada vez melhores, entregá-las a Deus e estar receptivo para os resultados que eu merecer.

37) RM: João Cássio, Quais seus contatos para show e para os fãs? 

João Cássio:  (11) 98639 – 8224 | WWW.joaocassio.com |[email protected] 

| WWW.Youtube.com/JoaoCassio

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O EP – “Meu Caminho”: 
Deezer: https://bit.ly/33HQb07

Spotify: https://www.spoti.fi/39a23t5

Amazon: https://www.amzn.to/2xhtcg8

Google Play: https://www.bit.ly/2wrzrOw 

João Cássio | Meu Caminho: https://www.youtube.com/watch?v=DtI-hy3R3Rs 

João Cássio | Pelo Que Vale a Pena Lutar? https://www.youtube.com/watch?v=klojQp9whaQ 

João Cássio | Nani Não Vá: https://www.youtube.com/watch?v=fC31qWIXUs8 

João Cássio | A Sua Estrela Vai Brilhar: https://www.youtube.com/watch?v=DmLcF9Vq3eM 

João Cássio | Não Sou Daqui: https://www.youtube.com/watch?v=0MjyI0Ns_fY 

João Cássio | À Sombra da Madrugada: https://www.youtube.com/watch?v=QGXbTiZ33lg 

João Cássio | Pequenas Gentilezas: https://www.youtube.com/watch?v=_sMi2JuouNE 

João Cássio Entrevistado pelos amigos Walter Ranelli e Emily Seki para o programa Tarde Astral, da Rádio Web WRJ: https://www.youtube.com/watch?v=_w64JzLOC1U


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.