Joana Alves

Joana Alves

Joana Alves licenciada em Educação Artística pela UFPB – Universidade Federal da Paraíba com especialidade em artes plásticas, é também artesã, produtora e articuladora cultural.

Fundadora e presidente por dois mandatos (de 2008 à 2015) da Associação Cultural Balaio Nordeste (ACBN), instituição cultural sem fins lucrativos, atuou em várias frentes de valorização e promoção da cultura popular à exemplo da criação da Orquestra Sanfônica Balaio Nordeste, da Escola de Música Mestre Dominguinhos, do documentário/DVD do músico Pinto do Acordeon (parceria com o IPHAN), do Fórum de Forró Raiz e do I, II e III Encontro de Foles e Sanfonas da Paraíba. Promoveu ainda diversos eventos tais como: Encontro Nacional para Salvaguarda das Matrizes do Forró como Patrimônio Imaterial Brasileiro (parceria com o IPHAN), Homenagem a Luiz Gonzaga (edições 2012, 2013, 2014 e 2015); Forró Solidário do Balaio Nordeste (edições 2011, 2012, 2013, 2014 e 2015), Mulheres Pintando o Sete (homenagem a cantora Marinês) e Balaio Nordeste Rumo à França.

Com o músico, compositor, pesquisador e escritor Climério Oliveira produziu o lançamento do Livro Batuque Book de autoria do mesmo; co-produziu o Projeto Cinquenta Anos de Oliveira de Panelas e idealizou o Processo do Registro do Forró como Patrimônio Imaterial Brasileiro.

Joana Alves atuou junto à vários órgãos públicos como co-realizadora de eventos e afins como o evento Fogueiras da Cultura e Festival de Artes de Areia (parceria com o Governo do Estado da Paraíba) e o Projeto Chama Forrozeira (parceria com a FUNJOPE). Coordenou os cursos de Acordeom, Técnica Vocal e Canto Coral em parceria com a Prefeitura Municipal de João Pessoa dentro do Projeto Oficina nos Bairros.

Ainda enquanto presidente da ACBN promoveu cursos e oficinas tais como: Curso de Confecção de Zabumba (com o Mestre Cícero), Curso de Confecção de Rabeca (com o Mestre José Hermínio), Toque e Confecção de Rabeca I e II (com o Mestre João Nicodemos), Oficina de Cavalo Marinho (com o Mestre Luís Paixão), Oficina de Confecção de Indumentária para o Cavalo Marinho, Oficina de Customização, Oficina de Técnica em Sonorização e Oficina de Roteiro e Direção em Documentário. No âmbito da figuração, produziu o figurino do grupo musical “As Bastianas” (de 2000 a 2005), o figurino da cantora e sua filha, Jaqueline Alves (de 2005 a 2008) e o figurino da Orquestra Sanfônica Balaio Nordeste (de 2012 à 2015).

Atualmente é vice conselheira de Cultura do Estado da Paraíba; Conselheira da FUNESC (Fundação Espaço Cultural da Paraíba); vice conselheira da FUNJOPE (Fundação Cultural de João Pessoa). Assumiu mais uma gestão junto a presidência da ACBN – Associação Cultural Balaio Nordeste, triênio 2018/2021. Atuando no Projeto de Registro e Mapeamento do Fole de Oito Baixos da Paraíba, em parceria com o IPHAN-PB, realizando o Encontro IV Encontro de Foles e Sanfonas em parceira com a SECULT-PB e SEBRAE. Coordena o Conselho Nacional dos Fóruns de Forró, em luta ao reconhecimento das Matrizes do Forró como Patrimônio Imaterial Brasileiro.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Joana Alves para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 28.05.2021:

Índice

01) RM: Qual seu nome a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Joana Alves: Nascida no dia 07.02.1944 em Pirpirituba – PB e moro em João Pessoa – PB. Registrada como Joana Alves da Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Joana Alves: Aos sete anos de idade ouvi pela primeira “Asa Branca” com Luiz Gonzaga. Foi que me embalei com a cultura nordestina, especialmente o Forró.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Joana Alves: Licenciada em Educação Artística pela UFPB – Universidade Federal da Paraíba.

04) RM: Quais gêneros musicais você escutava no passado e no presente.

Joana Alves: Minha preferência musical é pela música popular brasileira em especifico o Forró Tradicional. Deixaram de ter importância a música que nunca me conquistou, a que não tem conteúdo e nem sonoridade agradável.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira profissional?

Joana Alves: Em 2001 acompanhei o grupo “As Bastianas” em que minha filha Jaqueline Alves era uma das artistas que me incentivou a acompanhar e produzir os figurinos do grupo visto que também sou artista plástica e artesã.

06) RM: Quando, como e onde você começou o processo para transformar o forró de raiz em Patrimônio Imaterial do Brasil?

Joana Alves: Em 2011 estava como presidente da Associação Cultural Balaio Nordeste sediada na Paraíba solicitamos o registro do Forró como Patrimônio Cultural e Imaterial Brasileiro ao IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. A partir desta ação desencadeou os primeiros fóruns municipais, estaduais e nacional e hoje sou a Coordenadora Nacional do Fórum.

07) RM: O que estar faltando para transformar o forró de raiz em Patrimônio Imaterial do Brasil?

Joana Alves: Processo de registro encontra-se em andamento de pesquisa, porém com a pandemia Covid-19 a Associação Respeita Januário deu uma pausa porque estava na fase de pesquisa de campo. Retomamos as atividades online e com isso facilitou o processo de pesquisa e já tivemos alguns produtos entregue ao IPHAN e será concluído e entregue em setembro de 2021.

08) RM: Quais os principais desafios enfrentados para transformar o Forró de raiz em Patrimônio Imaterial do Brasil?

Joana Alves: Primeiro desafio foi trabalhar para realizar a entrega do pedido passamos quase seis messes para coletar um abaixo assinado com os quatros Estados mais próximos: Pernambuco, Rio Grande do Norte, Ceará, Paraíba. E depois acompanhar o processo lento da patrimonialização que se arrasta até hoje. Para isso saímos em campanha para angariar fundos com políticos e Ministério da Cultura para o edital de pesquisa ser formalizado. Conseguimos está encaminhado a pesquisa para se fazer o dossiê e entregar ao IPHAN em 2022.

09) RM: Apresente as ações da Associação Cultural Balaio Nordeste em prol dos forrozeiros?

Joana Alves: A Associação Cultural Balaio Nordeste nasceu da necessidade de os forrozeiros ter um espaço que pudesse fomentar, divulgar e promover ações que valorizasse a Cultura Nordestina em especial o Forró. Desde então estamos trabalhamos com evento para a categoria, formação de público, capacitação da cadeia produtiva com cursos oficinas palestra fóruns, etc. Temos uma Escola de Música funcionando com cursos de acordeon, dança, canto coral, pratica coletiva para orquestra. Show e assessoria aos artistas na produção e venda de shows, mapeamento das matrizes tradicionais, salvaguarda emergencial do fole de oito baixos, entre outas ações.

10) RM: Apresente as ações da Associação Cultural Balaio Nordeste em prol do Forró?

Joana Alves: Registro do Forró como Patrimônio Imaterial Brasileiro. Mapeamento do Fole de oito Baixos na Paraíba: primeiro, segundo, terceiro, quarto Encontro de Foles e Sanfonas na Paraíba. O décimo quarto Fóruns Estaduais no Brasil. O segundo Fóruns Nacionais. Evento Online São João na Rede, primeira e primeira edição nos 14 Estados brasileiros. Reconhecimento do Forró como patrimônio Municipal e Estadual. Conseguimos um ponto de manutenção de apresentação semanal de Forró em parceria com a Prefeitura Municipal. Manutenção de uma Escola de Formação de acordeon para crianças e adultos. Entre outras ações de formação.

11) RM: Quais as ações que os forrozeiros podem fazer para contribuir para com a valorização do Forró e com o processo para transformar o Forró de raiz em Patrimônio Imaterial do Brasil.

Joana Alves: Fóruns e capacitação para exigir políticas públicas para o Forró.

12) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Joana Alves: Poucos artistas conseguiram se manter equilibrado no cenário do Forró sem prostituir seus princípios no mercado globalizado.

13) RM: Como você analisa o cenário do Forró de Banda dos anos 90. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Joana Alves: Houve vários movimentos em função do mercado globalizado começou as bandas que surgiram nos anos 90 no Ceará com Manuel Gurgel, Forró plastificado, que permanece até hoje se dizendo Forró, entre outros movimentos. Não considero crescimento na produção artística visto que poucos se mantiveram respeitando os princípios da base que é a matriz do Forró.

14) RM: Como você analisa o cenário do “Forró Universitário”?

Joana Alves: “Forró universitário” foi um movimento, que se manteve original, outros artistas que permanece com a mesma formação: Antonio Barros e Cecéu, Flávio José, Santanna o Cantador, Flávio Leandro, Jurandy da Feira, Biliu de Campina, Dejinha de Monteiro, Anastácia, Genival Lacerda, entre outros. Falando de revelação musical o mercado estagnou pela falta de incentivo à produção local da cadeia produtiva da música que oportunidade.

15) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Joana Alves: Como festival de música vejo apenas como evento, não há incentivo para continuação de um trabalho consistente.

16) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Joana Alves: Nem sempre. Visto que não tem incentivo das grandes mídias para fortalecer e incentivar a carreira deste jovem talento.

17) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário musical do Forró?

Joana Alves: A grande mídia serve aos interesses dela, e não da cadeia produtiva da música.

18) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical do Forró?

Joana Alves: São apenas colaboradores da cena musical. Precisamos muito mais, iniciativas de formação de público, capacitação da cadeia produtiva da música divulgação, e formação escolar.

19) RM: As Festas Juninas ainda é uma boa opção de trabalho para os forrozeiros tradicionais?

Joana Alves: Sim. Porém precisamos avançar na conscientização dos gestores para valorização da cultura local fortalecer as tradições.

20) RM: O que precisa melhorar nas Festas Juninas para manter a valorização do Forró tradicional?

Joana Alves: Precisa de valorizar os artistas pagando dignamente os caches.

21) RM: Como a Associação Cultural Balaio Nordeste estar auxiliando os forrozeiros frente as leis emergências por conta da pandemia do Covid-19?

Joana Alves: Estivemos o tempo todo auxiliando nas inscrições e gravando áudios e vídeos e canalizando toda produção para publicação.

22) RM: Quais as ações da Associação Cultural Balaio Nordeste em auxílio aos forrozeiros para enfrentar a falta de trabalho no período da pandemia Covid-19?

Joana Alves: Estivemos acompanhando todas as reuniões e processos juntos ao Estado e prefeitura para receber e entregar cestas básicas, fazendo live, assessorando nas documentações e construindo espaços condizente para o novo normal. Salas amplas higienizadas e palco ao ar livre para distanciamento no trabalho.

23) RM: Joana Alves, Quais os projetos atuais e futuros da Associação Cultural Balaio Nordeste?

Joana Alves: Escola de música funcionado com vários cursos, espaço físico melhorado para visitação. Evento São Joao na Rede junto ao Estado da Paraíba e prefeitura de João Pessoa, e outros Estados brasileiros. Entregar da Cartilha do Forró para as escolas públicas do município uma parceria com a Prefeitura de João Pessoa e os autores, o músico Sandrinho Dupan e o pesquisador, DJ Ivan Dias.

24) RM: Quais os contatos da Associação Cultural Balaio Nordeste?

Joana Alves: (83) 3021 – 3165 | 9928 – 6132 | 99928 – 6132 | 98877 – 6773 | [email protected] | [email protected] | www.balaionordeste.org.br

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.