Jerimum de Olinda

Jerimum de Olinda

O percussionista, cantor e compositor pernambucano Jerimum de Olinda, tem 26 anos de carreira e desde criança escutava as músicas de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro que o seu pai Manoel João tinha o costume de colocar para ele ouvir e dormir.

Recebeu influência dos irmãos que ouviam em casa os clássicos LPs – “Cantoria”, do quarteto formado por Geraldo Azevedo, Elomar, Vital Farias, Xangai. Como demonstrava aptidão para música batendo em latas e baldes da casa, chamou a atenção do irmão mais velho, o Mestre Lua, músico que tocava na Banda Phoenix. A princípio, Mestre Lua propôs que o irmão mais novo começasse trabalhando como roadie, auxiliando os músicos nas passagens de som, montagem e desmontagem dos instrumentos. E foi assim que Jerimum foi pegando gosto pelo ofício. Ouviu falar num grande percussionista pernambucano que fazia muito sucesso no exterior e resolveu comprar seu disco, era um disco de Naná Vasconcelos! Virou fã na primeira audição! Desse dia em diante teve a certeza que seria percussionista, tanto que pouco tempo depois foi escalado para trabalhar na banda “Escala Vermelha”, entrando depois para o grupo “Os Moleques”, começando, em seguida a gravar em estúdio nas produções de Felipe Maia.

A grande oportunidade da carreira foi quando começou a tocar com o músico Cláudio Almeida, um violonista respeitado, o trabalho de Jerimum ganhou visibilidade e maturidade. Por possuir uma técnica apurada nas gravações de discos em estúdio, ele passou a gravar nos discos dos principais artistas de Pernambuco e de grandes nomes da música regional e nacional: Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Xangai, Amelinha, Geraldo Maia, Zoca Madureira, Maciel Melo, Josildo Sá e Paulo Moura, Marina Elali, Dominguinhos, Sergio Ferraz, Cesar Michiles, Transversal Frevo Orquestra, CD do Bale Popular do Recife, Flávio José, e também do seu ídolo, Naná Vasconcelos, dentre muitos outros. Foi percussionista das aulas espetáculo de Ariano Suassuna, Toca na Orquestra do Baile do Menino Deus e gravou a percussão da trilha sonora do filme Aos ventos que virão, participou do filme de Paulo Moura, gravou com Maciel Melo uma trilha pra Turma da Monica, tocou na Opera Lua Alegria de Paulo Matrico. Participou do Som Brasil especial de Djavan, em março de 2018, tocou com o senegalês Boubocar Cissokho mestre da Kora.

Após mais de duas décadas de experiência, Jerimum lança em 2015 seu primeiro disco autoral instrumental! O segundo de sua carreira a música que dá título ao disco, é uma mostra do potencial sonoro do músico. “Entre amigos”, de Charles Brown, baixista e produtor do disco junto com Jerimum, é ciranda, maracatu, samba e jazz numa só música. A música também traduz a atmosfera da gravação do disco, um trabalho feito por amigos que vêm se encontrando em trabalhos diversos e que tem um respeito e admiração mútuos. O disco abre com “Biam Dhifã”, de Jerimum de Olinda. A música foi composta inspirada nos movimentos do bailarino Biam Dhifã. Jerimum foi imaginando a performance de Dhifã e compondo a música. Essa música tem grande importância afetiva para o percussionista, pois quando finalizou a música, soube que Biam estava hospitalizado realizando tratamento de leucemia. Jerimum e Biam ouviram a música no hospital, num momento muito emocionante para ambos. Alguns meses depois Biam entra em contato com Jerimum para dizer que havia se curado da leucemia e que a trilha do percussionista foi a trilha da sua cura! “Em sete” mais uma música de Jerimum. No álbum “Entre amigos” também traz ritmos afro brasileiros, uma ciranda intitulada “Lia”, em homenagem a sua irmã, cantada por Geraldo Azevedo; traz o samba “Luciana”, de Jerimum em homenagem a sua esposa; “Rabeca tabla jam” de Jerimum de Olinda e Sergio Ferraz. “Baiãozinho pra Sivuca”, de Cláudio Almeida, com participação de Beto Hortis na sanfona; “Coco Moderno”, como o nome já diz, é um Coco que junta flauta e à batida da pedaleira em loop; e como não podia faltar, o amigo irmão Cesar Michiles compôs e toca junto com Jerimum o frevo “Esse é o Tom”, um duelo de flauta e pandeiros!

Em novembro de 2017 lança seu terceiro álbum sendo este de meditação, o “Manhã de Domingo”, onde o som da natureza predomina. É um álbum gravado em 432Hz que é a frequência de cura, música pra relaxar e meditar. Esse álbum foi feito com muita inspiração do universo.

Em maio de 2021 lança o quarto álbum – “Pernambuco tem” junto com um vídeo clipe com a participação do dançarino Emerson Dias e já em todas as plataformas digitais com onze músicas, dez cantadas e uma instrumental. Um trabalho em que ele gravou as percussões e cantou todas as músicas e tem as participações de Cesar Michiles na Flauta, Charles Brown no Baixo e Guitarra, Gal Menezes e Marcela Sousa no Vocal. É um trabalho com muito Coco, Ciranda, Maracatu, Ijexá.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Jerimum de Olinda para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 09.06.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Jerimum de Olinda: Nasci no dia 16.03.1976 em Olinda – PE. Registrado como Reginaldo Manoel da Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Jerimum de Olinda: Meu primeiro contato com a música foi desde criança onde meu pai Manoel João ( Seu Mané) cantava as músicas de Jackson do Pandeiro, de Luiz Gonzaga para colocar eu e alguns dos meus irmãos para dormir. Eu ainda criança pegava latas, tampas de panelas, panelas de alumínio; que meu pai juntava para vender no ferro velho e ficava tocando. Já adolescente fui treina capoeira e meus primeiros instrumentos musical foi o Berimbau, Pandeiro e Atabaque.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Jerimum de Olinda: Minha formação musical não termina, pois é na escola da vida, todos os dias eu estudo e aprendo.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Jerimum de Olinda: Minhas influências: Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Geraldo Azevedo, Elomar, Vital Farias e Xangai que até hoje eu curto muito. Todos são uma grande escola. Já nas minhas pesquisas comprei um CD de Naná Vasconcelos e virei fã! Escuto muito Bob Marley que me influencia muito.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Jerimum de Olinda: A partir dos anos 90 comecei a tocar em uma banda amadora de samba reggae e comecei a trabalhar de roadie na banda Phoenix; uma banda que meu irmão Mestre Lua tocava. Eu quem passava o som da percussão e chegava a tocar algumas músicas com ele. Depois entrei para tocar em uma banda de Pagode “Escala Vermelha”, toquei na banda “Os Moleque” que também era de Pagode. Conheci o tecladista e produtor musical Felipe Maia e comecei a gravar com várias bandas que ele produzia. Fui convidado para tocar com o violonista Cláudio Almeida e conheci uma formação completamente diferente do que eu estava acostumado a tocar, era grupo Ororuba com uma formação de Violão, Violoncelo, Violino, Flauta e Percussão e foi uma grande escola. Toquei e toco com vários artistas renomado no Brasil e no Mundo: Geraldo Azevedo, Naná Vasconcelos, Dominguinhos, Paulo Moura e tantos outros.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Jerimum de Olinda: São quatro álbuns lançados: “Miragem” (2007), “Entre Amigos” (2015), “Manhã de Domingo” (2017), “Pernambuco Tem” (2021) e o single “Esperança” (2021).

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Jerimum de Olinda: M.P.P – Música Popular Pernambucana.

08) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Jerimum de Olinda: Kelly Benevides, Gal Costa, Maria Bethânia.

09) RM: Como é o seu processo de compor?

Jerimum de Olinda: Vem quando eu menos espero. Outro dia eu estava deitado na rede e dei um cochilo quando acordei estava com uma música na cabeça. Fui no estúdio fica embaixo da minha casa e gravei logo, uma música instrumental que faz parte do meu quarto CD, “No balanço da rede” essa música era só percussão, depois meu parceiro Charles Brown colocou a melodia e ficou minha e dele.

10) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Jerimum de Olinda: Johnanthan Malaquias, Charles Brown.

11) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Jerimum de Olinda: Mestre Ulisses, Nádia Maia.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Jerimum de Olinda: Tem que acreditar e anão precisa presta conta para ninguém, mas também tem que ser produtor, artista, divulgador, empresário e tantas outras coisas.

13) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Jerimum de Olinda: É ter Amor à arte, trabalhar sério sem passar por cima de ninguém e fazer tudo o mais perfeito e respeita a todos.

14) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Jerimum de Olinda: Em alguns trabalhos de gravação dos meus CDs tive ajuda de vários amigos músicos e também junto alguma grana dos cachês que recebo quando toco com alguns artistas para investir no meu trabalho.

15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Jerimum de Olinda: A internet ajuda muito por não precisar pagar para divulgar o trabalho e todos têm acesso. O que prejudica é que, infelizmente, ainda tem muitas músicas ruins que tiram o foco dos trabalhos sérios.

16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Jerimum de Olinda: As vantagens é que os artistas que não tinham condições de gravar em uma gravadora e nos estúdios de grande porte, hoje pode realizar seu trabalho com uma boa qualidade. A desvantagem é que tem muita gente gravando de qualquer jeito e prejudica o trabalho.

17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Jerimum de Olinda: O meu diferencial no meu trabalho como percussionista e com meus quatro álbuns é que eu pesquiso muito as sonoridades dos instrumentos. Eu procuro não fazer o óbvio para poder me destacar dos outros trabalhos. E trabalhar com Amor em tudo que vou fazer.

18) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Jerimum de Olinda: Geraldo Azevedo, Cesar Michiles, Naná Vasconcelos, Dominguinhos.

19) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Jerimum de Olinda: O que mais ocorreu das situações citadas na pergunta foram: faltas de condições técnicas para show, ambiente tosco e não receber o cachê.

20) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Jerimum de Olinda: Mais feliz é que a música é divina quando você toca ou canta. Levamos amor para as pessoas, alegria. O que me deixa triste é a falta de reconhecimento.

21) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Jerimum de Olinda: Sim!

22) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Jerimum de Olinda: Faça com Amor, e não dê ouvido as pessoas negativas.

23) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Jerimum de Olinda: Os pros dos Festivais de Música é que você vai divulgar sua música e conhecer outros artistas. Os contras são as panelinhas para favorecer um determinado artista.

24) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Jerimum de Olinda: Depende do festival de música, se for um festival de grande porte revelam novos talentos.

25) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Jerimum de Olinda: Ainda muito precária a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira. Poderia dar mais oportunidade aos artistas que não têm tanto conhecimento e tem trabalho de boa qualidade em todo o Brasil.

25) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Jerimum de Olinda: Muito importante. Ajuda a muitos artistas que não tem oportunidade de tocar em grande festival.

26) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional com Geraldo Azevedo?

Jerimum de Olinda: Muito Boa. Geraldo Azevedo além de ser um grande artista é um grande amigo para todos que trabalha com ele. Um Pai!

27) RM: Quais os seus projetos futuros?

Jerimum de Olinda: Meu projeto futuro a divulgação do meu quarto álbum – “Pernambuco tem” e lancei em maio um vídeo clipe e as músicas estão nas plataformas digitais com 11 músicas cantadas e uma instrumental. Um trabalho que eu gravei todas as percussões e canto todas as músicas e tem as participações de Cesar Michiles na Flauta, Charles Brown no Baixo, Guitarra e Gal Menezes, Marcela Sousa no vocal. É um trabalho com muito Coco, Ciranda, Maracatu, Ijexá. A tal M.P.P – Música Popular Pernambucana.

28) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Jerimum de Olinda: (81) 99955 – 8957

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PERNAMBUCO TEM JERIMUM DE OLINDA: https://www.youtube.com/watch?v=l9nX_SpXnWg

Sons Recicláveis por Jerimum de Olinda: https://www.youtube.com/watch?v=eQ3ETjCDI4o

Playlist Baque percussivo: https://www.youtube.com/watch?v=MiuUtQq3CmM&list=PL222vDbtnsYmvc2qg49kNCviMq7Gg9Zv9

LIVE SOLIDARIA LAR DE MARIA – NADIA MAIA, JERIMUM E CONVIDADOS: https://www.youtube.com/watch?v=DJGYoSX19fo


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.