Jean Garfunkel

Jean Garfunkel

Tempo de Leitura: 11 minutos

Poeta, ator, cantor, compositor e publicitário paulistano Jean Garfunkel tem composições suas consagradas nas vozes de Elis Regina, Zizi Possi, Rosa Maria, Edson Cordeiro, Margareth Menezes, Pena Branca e Xavantinho e Maria Rita em parceria com Paulo GarfunkelComo letrista trabalha com parceiros ilustres como Lea Freire, Sizão Machado, Mozar Terra, Moacyr Santos e Júlio Medaglia.

Em 2003, a canção “Não Vale à Pena”, criada em parceria com Paulo Garfunkel, foi gravada pela cantora Maria Rita em seu CD de estreia. Em 2004 foi jurado do Concurso “Talentos da Maturidade” do Banco Real AMRO Bank.

Em 2004, gravação AO VIVO do CD – “Peixe Dourado” de Jean e Paulo Garfunkel na Sala Funarte de São Paulo. Em fevereiro de 2005, gravação do antológico Programa Ensaio de Fernando Faro na TV Cultura. Jurado do Festival da Nova Canção Brasileira da TV Cultura, produzido por Solano Ribeiro.  Em outubro de 2005, gravação do CD do cantor Renato Braz, só com composições de Jean e Paulo Garfunkel, pela gravadora Biscoito Fino.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Jean Garfunkel para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.01.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e sua cidade natal?

Jean Garfunkel: Nasci no dia 28 de julho 1954 em São Paulo – SP.

02) RM: Quais as suas preferências musicais? Quais deixaram de ter importância?

Jean Garfunkel: De Batuque a Bach. Meu pai imitava o Frank Sinatra, meu avô me ensinou a ouvir os clássicos, minha mãe tocava violão: Dorival Caymmi, Noel Rosa, Lupicínio Rodrigues e o repertório da Inezita Barroso. Aprendi a obra de João Gilberto e Antonio Carlos Jobim na aula de Violão; Beatles e Bob Dylan na adolescência. Fui ficando com preguiça da música pop. A intencionalidade explícita do mercado musical desidrata a melhor parte da arte.

03) RM: Qual a sua formação acadêmica?

Jean Garfunkel: Nunca fui bom aluno. Sou um curioso preguiçoso, apaixonado por música e literatura desde sempre.

04) RM: Como e quando você começou a sua atividade de letrista em parceria com compositores? Quais são os seus parceiros musicais?

Jean Garfunkel: Gosto de fazer tanto melodia quanto letra. Gosto mais ainda de compor em parceria. A dialética da criação conjunta é muito instigante. Meus parceiros recorrentes são: Paulo Garfunkel (melodia e letra em conjunto), Natan Marques (letra), Pratinha Saraiva (letra e melodia), Marcos Resende (melodia), Joãozinho Gomes (melodia). A lista dos parceiros esporádicos é muito grande. Tenho medo de esquecer algum.

Meu último CD, chama-se “13 pares e Um fado solitário”.  Cada par é um parceiro, e Fado é só meu. São eles: Paulo Garfunkel, Pratinha Saraiva, Marcos Resende, Lea Freire, Arismar do Espírito Santo, Lony Rosa, Júlio Medáglia, Téo de Barros, Natan Marques, Lula Barbosa, Sizão Machado, Pasquale Nigro. Ufa! ainda falta muita gente boa. É muita promiscuidade criativa.

05) RM: Você escolhe sistematicamente quem será o seu parceiro musical ou deixa acontecer espontaneamente?

Jean Garfunkel: Tem que acontecer espontaneamente. É como amor: encontro e festa.

06) RM: No processo da parceria na criação da canção, você envia a letra/poema para o compositor para ele colocar a melodia? Você coloca letra em melodia que o compositor envia para você?

Jean Garfunkel: Pode ser assim ou assado. Gosto mais de “letrar” à melodia pronta (mesmo sendo de minha autoria), do que de melodizar. Mas já musiquei poemas de Carlos Drummond, Fernando Pessoa e Manuel Bandeira.

07) RM: Você permite o compositor alterar a sua letra?

Jean Garfunkel: Depende do caso. Tudo em nome da beleza.

08) RM: Cite as principais canções que você é o autor da letra ou melodia e quem já gravou?

Jean Garfunkel: No início, nos anos 70, (tinha 14 anos) gravei com o pessoal da Jovem Guarda.  Vanusa gravou “Atômico Platônico”; Ronnie Von gravou “Continentes e Civilizações”, esta em parceria com Tom Gomes. Aí vai : “Calcanhar de Aquiles” com Paulo Garfunkel; Elis Regina gravou “Afufe o Fole” com Fran Papaterra, eu mesmo gravei “Estrebucha Baby” com Paulo Garfunkel; Zizi Possi gravou “Gato Gaiato” com Paulo Garfunkel e Pratinha Saraiva; Zizi Possi gravou “Desabalada” idem Margareth Menezes gravou “Passarinheiro” com Pratinha Saraiva, Grupo Tarancón, Kátia Teixeira, Osvaldinho e Marisa Viana e Renato Braz gravaram “Não Vale a Pena” com Paulo Garfunkel; Maria Rita gravou “O Filhote do Filhote” idem, Daniel Mazzaropi idem Pena Branca e Xavantinho.

09) RM: Alguns compositores já declaram o fim da canção. Qual a sua opinião sobre essa afirmação?

Jean Garfunkel: A boa canção é imortal e atemporal, tal como o teatro, o circo o cordel e as festas populares. Pode perder temporariamente o protagonismo na cena cultural, diante da força corrosiva da indústria do entretenimento, mas é a expressão artística mais recorrente e espontânea do país do carnaval, onde há Escolas de Samba e todo mundo é pop star ao menos uma vez por ano.

10) RM: Hoje ainda existe espaço e ouvinte para música com letra que se sustenta como um poema/poesia?

Jean Garfunkel: Claro. O RAP cuja sigla significa Rythm and Poetry, é a maior prova disso.

11) RM: Na Rádio e na TV o autor da música quase não é informado. Quem canta passa a ser “o autor” da canção. Esse fato te incomoda?

Jean Garfunkel: Muito. É uma omissão injusta e perversa que devia ser rigorosamente penalizada. O reconhecimento da autoria é um patrimônio do compositor. Lembra-me a história do vendedor de passarinhos que cobrava o dobro do preço por um pássaro mudo, alegando que este era o compositor do canto.

12) RM: Você tem músicas que tocaram e tocam em Rádio, TV e em casa de show? O direito autoral é pago corretamente?

Jean Garfunkel: Infelizmente não. O Stanislaw Ponte Preta redescobriu o mestre Cartola, lavando carros no Rio de Janeiro para sobreviver.

13) RM: É possível sobreviver exclusivamente de direito autoral de suas músicas?

Jean Garfunkel: Quem dera.

14) RM: Depois que você teve letras de canções que se tornaram conhecidas, aumentou a procura de compositores em busca de parceria?

Jean Garfunkel: Sem dúvida, mas como a minha relação com parceria, passa obrigatoriamente pela amizade, esse mero toma lá da cá, no meu caso, nunca virou canção.

15) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na função de letrista?

Jean Garfunkel: O que me deixa mais feliz é quando descubro a história subjacente implícita na melodia a ser letrada. O que me infelicita é quando não consigo atinar com o assunto. Aí simplesmente a letra não sai.

16) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira musical?

Jean Garfunkel: Sou um péssimo gerente e por isso pago meus preços. Devo ao capricho do acaso tudo de bom que me aconteceu ou deixou de acontecer na estrada.

17) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Jean Garfunkel: Atualmente trabalho no projeto “Canto Livro de Música e Literatura”, uma ação de estímulo à leitura que através shows temáticos onde há o diálogo entre o texto, (verso ou prosa), com a canção, sensibilizando a plateia para a leitura.

18) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Jean Garfunkel: A internet é uma ferramenta imprescindível para a comunicação de conteúdos. Conteúdos estes que podem ser éticos, estéticos, artísticos, como criminosos, pornográficos e mentirosos. A propaganda enganosa reside na falsa impressão de que é uma ferramenta democrática que todos podem usar igualmente. Os conteúdos são impulsionados, manipulados, monitorados por um monopólio com fins lucrativos. Cada artista ou produto do mainstream (corrente de pensamento mais comum ou generalizada) conta com uma estratégia milionária para angariar likes na internet, o que torna a disputa de espaço muito desigual. É o up grade do tradicional pagamento do jabá para ter uma música tocando na programação de uma rádio.

19) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Jean Garfunkel: Não gosto de fulanizar até porque corro o risco de cometer alguma injustiça. De uma maneira geral a música instrumental evoluiu muito, a qualidade dos músicos também, ao passo que a canção popular “involuiu”, numa ânsia de conquistar grandes públicos e nivelar por baixo a qualidade de uma obra. Elis Regina dizia: “Não tenho nada contra Mamãe Eu Quero no carnaval, mas não dá pra cantar Mamãe Eu Quero o ano inteiro”. Por outro lado, o Brasil é mais que um país é um “continente criativo”. E há muito tesouro escondido nesse chão.

20) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Jean Garfunkel: Depende da rádio. Certamente as grandes rádios FM e AM são jabalizadas. Só toca a música de quem paga.

21) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Jean Garfunkel: Coragem, boa sorte, e senso crítico.

22) RM: Quais os prós e contras de Festival de Música?

Jean Garfunkel: Pergunte aos cineastas se eles são a favor ou contra os festivais de cinema. Se o cinema que é uma indústria, se vale dos festivais para promover suas novidades, por que não a música? Os Festivais de Música se esgotaram como programas de TV; não como laboratório de experimentação da canção como linguagem, nem como vitrine para revelar novos talentos. Há que separar o joio do trigo. A Cultura do entretenimento.

23) RM: Hoje os Festivais de Música revelar novos talentos?

Jean Garfunkel: Os Festivais de Música como força propulsora estão desgastados, mas não dá para subestimar um movimento que revelou Chico Buarque, Milton Nascimento, Paulinho da Viola, Gilberto Gil (para citar só três), e aplaudir  Reality show.

24) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Jean Garfunkel: Nossa grande mídia que já é deplorável politicamente que dirá culturalmente. São autofágicos lacaios do estabilishment (refere-se à ordem ideológica, econômica e política que constitui uma sociedade ou um Estado).

25) RM: Bob Dylan ganhou o prêmio Nobel de Literatura em outubro de 2016. Será que este fato anima outros letristas a “sonharem” com prêmios na área de Literatura ou é um fato isolado?

Jean Garfunkel: Acho que é um fato isolado. A importância do Bob Dylan está na renovação da linguagem e sem dúvida na fama internacional que ele conquistou.  Somados os dois fatores; o Nobel optou por uma escolha polêmica, mas não desprovida de mérito, que potencializou a notoriedade do certame.

26) RM: Os músicos americanos são conhecidos como grandes cantores, melodistas e arranjadores. Qual a sua opinião sobre a qualidade deles como letrista? 

Jean Garfunkel: Se você pensar nos grandes hits, coitados dos gringos, mas se você se lembrar do Cole Porter, do Ira Gershwin e no próprio Bob Dylan aí a coisa muda de figura. Eu gosto mesmo é de Noel Rosa, Chico Buarque e Paulo Cesar Pinheiro, pra citar só três.

27) RM: Quantos discos lançados? 

Jean Garfunkel: Um compacto simples pela Odeon em 1981 – Lado A: “Afufeo o Fole” e Lado B: “Calcanhar de Aquiles” (um xote e um samba). LP – “Eta Nóis com Luhli e Lucina, coletânea independente 1983. Um LP – “Trocando Figuras”  Copacabana coletânea com Paulo Garfunkel, Celso Viáfora e César Brunetti em 1985. CD – Garfunkel& Garfunkel com Paulo Garfunkel pela Velas em 1990. CD Com Pacto Duplo pela gravadora Rainbow em 2002. CD – “13 pares e Um Fado Solitário” independente em 2012. Alguns músicos que me vem à memória agora (Certamente estarei esquecendo alguns, peço desculpas antecipadamente)

Roberto Lazzarinni, Sizão Machado, Natan Marques, Lea Freire, Bré Rosário, Alessandro Penezzi, Boccato, Pratinha Saraiva, Tadheu Romano, Toninho Ferragutti, Alexandre Ribeiro, Sérgio Porto, Theo de Barros. Miltinho Edilberto, Vinícius Porto, Dinho Nascimento, Marinho Bofa, etc.

28) RM: Qual a sua opinião sobre a função positiva do crítico musical?

Jean Garfunkel: Pode ser um grande mediador entre o ouvinte e a obra. Pode ser um cicerone auditivo. Pode ser um sinalizador estético, se não for um lacaio das gravadoras, um office boy dos assessores de imprensa, um artista frustrado e superficial.

29) RM: Qual sua opinião sobre os livros ou sobre a análise do Luiz Tatit sobre a função da letra na música?

Jean Garfunkel: Infelizmente não os li. Falha minha. Conheço a obra musical dele e gosto muito. Vi um show da Zélia Duncan cantando Luiz Tatit que eu adorei.

30) RM: Nietzsche comenta que a melodia(música) sem letra perturba a alma. O que você acha dessa afirmação?

Jean Garfunkel: Eu adoro música instrumental. Principalmente Jazz brasileiro, música clássica e Choro. Acho que era um problema da alma dele.

31) RM: No tempo da Ditadura Militar no Brasil as letras que tinham engajamento político fizeram sucesso. Qual a importância de letras que não tratem do tema Amor?

Jean Garfunkel: A canção tem por tradição abordar todos os tipos de assuntos. Da meta física à sacanagem, da crônica de costumes à questão social da filosofia à piada, o nosso cancioneiro dá conta da cantar toda nossa vida sonhada pensada e vivida.  No meu trabalho com o “Canto Livro”, vivo relacionando textos de autores como: Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Carlos Drummond, Manuel Bandeira,  Fernando Pessoa, com a nossa memória cancioneira, nunca me faltou repertório.

32) RM: Qual a sua opinião sobre “as letras pra acasalamento” que tocam no rádio (FUNK, Sertanejo, Pagode, Forró, etc)?

Jean Garfunkel: Não gosto quando sinto no subtexto da canção uma dose mal intencionada de sensacionalismo barato. Quando a mensagem é sincera e a canção é criativa, independente do estilo eu tendo a gostar. Não sei por que agora, me lembrei com simpatia do “Fuscão Preto”.

33) RM: Renato Russo comento que as letras que falam de amor sempre estarão na moda. Qual sua opinião a respeito dessa afirmação?

Jean Garfunkel: O poeta Mário Quintana já dizia: “O amor é a incógnita do mistério”.

34) RM: Você acha que as pessoas no geral estão mais para aceitar as letras que buscam o entretenimento ou a divagação lírica do que proporcionar reflexões humanas e sociais profundas?

Jean Garfunkel: Vamos combinar que cada pessoa é “muitas pessoas”. Depende da hora e do momento histórico em que a audição acontece. O fundamental é que elas não desaprendam a ouvir e pensar sobre o que estão ouvindo.

35) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Paulo Garfunkel?

Jean Garfunkel: Paulo Garfunkel é meu irmão mais velho; embora em maturidade (risos), seja três anos e meio mais novo que eu . É meu melhor amigo, um grande poeta, um crítico implacável. Eu o conheço ha 62 anos e até hoje sua inteligência me surpreende. Nossa parceria formou meu parâmetro de qualidade estética. Nosso processo criativo é dialético, às vezes complicado, mas sempre desafiador.

Paulo é roteirista e músico. Participou, como instrumentista (sax, flauta e clarinete), de shows de Elis Regina, Rita Lee e Ney Matogrosso, entre outros.  É diretor da In Sonoris Causahttp://www.insonoris.com.br -, onde produz trilhas sonoras para discos, peças de teatro, roteiros para filmes e comerciais. De 1997 a 2000, em parceria com Libero Malavoglia, criou para a Revista “Bravo!” a seção “De Camarote”, uma página em quadrinhos com citações literárias ambientada no meio artístico.

É o autor do “Vira-Lata” personagem de histórias em quadrinhos premiado por sua participação no combate á HIV entre os detentos no auge da epidemia nos anos noventa. As revistas tinham desenhos de Libero Malavoglia e a supervisão científica do Dr. Drauzio Varella. Paulo colaborou na tradução do livro “Sonetos de Orfeu” de Rainer Maria Rilke numa tradução do ex-ministro Karlos Rischbieter, lançado em 2002 pela Editora Record. Escreveu a peça infantil em versos “Faz e Conta: Três Fábulas de Esopo” encenado pela atriz Ana Luíza Lacombe com direção de Gustavo Trestini.

Por sua atuação na área de comunicação, já recebeu inúmeros prêmios, entre eles um Leão no Festival Internacional de Publicidade em Cannes com o RAP antitabagista “Pergunte Porquê?”, peça chave de uma campanha do Ministério da Saúde, com quem tem uma longa parceria em diversas campanhas de utilidade pública. Em 2006 /2007 criou comigo, dez canções baseadas no romance “Grande Sertão Veredas” de João Guimarães Rosa que comemorou 50 anos de sua primeira edição. Paulo escreveu o roteiro e a trilha sonora do documentário “A Cabeça do Cachorro”, dirigido por Luciano Cury, rodado nas fronteiras do Brasil com a Colômbia e a Venezuela.

Entre 2009 e 2010, produziu a música para os episódios das séries “Novas Direções” e “Autor por Autor” da TV Cultura de São Paulo, e o roteiro de uma Graphic Novel encomendada pela Fundação do Hospital Sírio Libanês, divulgando o Banco de Sangue de Cordão Umbilical. Ainda esse ano, “O Vira Lata” ganhou o concurso público de apoio ao desenvolvimento de roteiro, promovido pelo Ministério da Cultura.

O roteiro para um longa metragem de animação está pronto, em fase de captação. Em 2011, Paulo foi selecionado no edital da Proac para publicação do livro infanto-juvenil “Missão Água”, que trata do problema do lixo e da preservação de nossos mananciais. Entre o final de 2011 e o começo de 2012, produziu o áudio de 50 programas educacionais para a Fundacão Vanzolini e dois projetos de comunicação para o Sesi, um deles direcionado contra o alcoolismo.

Na área de Marketing Político, produziu jingles e trilhas, para inúmeros candidatos e participou diretamente das campanhas eleitorais de Wladimir Palmeira (RJ), Vanessa Graziotin (AM), Beto Richa e Osmar Dias (PR), Luiz Henrique (SC).

Em 2010, criou o conteúdo de rádio da campanha presidencial da candidata Marina Silva, que se tornou um marco na área de comunicação política. Paulo é o responsável pela identidade sonora do site do doutor Drauzio Varella, com quem colabora na “tradução” de textos científicos adaptando-os a uma linguagem acessível ao público leigo. Esse é meu irmão, amigo e parceiro.

36) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Joana Garfunkel?

Jean Garfunkel: Joana Garfunkel é minha filha. Difícil falar dela sem parecer suspeito. Criamos juntos no projeto “Canto Livro”; dividimos o palco e a paixão pela música e pela literatura. Ela se tornou uma grande intérprete. Tem um timbre lindo e uma compreensão poética rara nas cantoras. Joana fala Guimarães Rosa de cor e ao mesmo tempo é capaz de cantar a Ária da Bachianas brasileiras (uma série de nove composições de Heitor Villa-Lobos número 5 do Villa-Lobos).

37) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Natan Marques?

Jean Garfunkel: Conheci Natan Marques em 1980 quando Elis Regina gravou meu samba “Calcanhar de Aquiles”. Somos amigos desde então. Tenho uma admiração imensa por ele. Conheci muitos músicos na estrada, mas nenhum tão a serviço da canção como o Natan. Ele joga para o time, deixa a gente na cara do gol, é uma delícia tocar com ele.

O bom gosto e a objetividade musical do Natan Marques são qualidades muito raras. Como compositor é único. Ninguém é capaz de musicar qualquer verso, por mais que a métrica seja ingrata do que ele. Suas melodias já vêm adoçadas de memória afetiva. Parece que a mãe da gente cantava aquilo pra nos embalar. E como arranjador então é um primor.

38) RM: Quantos livros lançados? Qual o perfil de cada livro?

Jean Garfunkel: Estou no segundo livro. O primeiro Chama-se “Poemia”. Ganhei um edital da secretaria estadual da Cultura e é uma coletânea de poemas e algumas letras de canções mais reflexivas. Tem o prefácio do Paulo César Pinheiro.

O segundo é o “Poemania Crônica”. É o que eu chamo de prosa versificada. São crônicas rimadas sobre vários assuntos alguns causos melancólicos, outros engraçados. Tem prefácio da grande poetisa paulistana Renata Pallottini, e saiu pela editora Patuá.

39) RM: Quais os seus projetos futuros?

Jean Garfunkel: Devo gravar um novo CD em 2020 com a sinopse cantada do Grande Sertão: Veredas. Canções minhas e do Paulo Garfunkel inspiradas na obra do Guimarães Rosa, e estou preparando um livro de contos para o fim do ano de 2020.

40) RM: Quais os seus contatos com o público?

Jean Garfunkel: www.cantolivro.com.brwww.facebook.com/cantolivro | www.instagram.com/cantolivro | www.bemfeitoria.com/cantolivro  | Produtor Fernando Feitosa:  (11) 97988 – 7770 

Jean Garfunkel 1 Ritmo Melodia

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.