Igor Stefano

Igor Stefano

O cantor, compositor, rapper, poeta, percussionista Igor Stefano, é gaúcho de Caxias do Sul e atualmente reside no Rio de Janeiro – RJ.

Radialista desde 2004, formado em Porto Alegre – RS, atuou em emissoras do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro nas funções de Locutor executivo, Apresentador, Produtor, Noticiarista, Redator, Entrevistador, Repórter, Vendedor, Gerente de programação, Operador/Editor de Áudio, Criador de textos publicitários/Chamadas/Vinhetas.

Escritor, autor de “Mera Sensação” (2008) e coautor em “Antologia Poética do Passo de Torres/SC” (2010). Prepara a publicação do próximo livro de poemas. Já escreveu para jornais e revistas no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Foi jurado em concursos literários e festivais de música. Percussionista, compositor e cofundador da banda “Tábua de Esmeralda” (2010 – 2012). Promotor Social na ONG Sorriso Solidário em Lisboa – Portugal (2014/15).

O Rapper lançou o álbum “Uso Livre” em 2016. Trabalho que deu origem ao show “Livro Vivo”. Professor de capoeira – Grupo Liberdade de Torres – RS e proprietário da BK-Produtora que atua na produção/promoção de eventos, shows, criação de conteúdo para rádio/internet e atualmente é produtor executivo do filme/documentário da banda SamBatuque de Torres – RS.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Igor Stefano para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 14.07.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Igor Stefano: Nasci no dia 23.02.1981 em Caxias do Sul – RS. Registrado Igor Stefano Barck e atualmente moro no Rio de Janeiro – RJ.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Igor Stefano: Meu primeiro contato com a música foi ainda criança com 7 anos de idade quando comecei a estudar Capoeira com meu tio Mestre Peninha, em Torres – RS, litoral que é divisa com Santa Catarina. Aprendi a tocar Berimbau, Pandeiro, Atabaque e a cantar as cantigas de capoeira.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Igor Stefano: Sou formado em Radiodifusão, sou professor de Capoeira – Grupo de Capoeira Liberdade e proprietário da BK-Produtora.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Igor Stefano: Minhas influências musicais começam com a capoeira a partir dos 7 anos de idade juntamente com os discos de rock que minha mãe (in memoriam) tinha em casa: Queen, Dire Straits, The Who, Led Zeppelin, Pink Floyd e outros. Também tinha música brasileira: Alceu Valença, Rita Lee, Elis Regina, Gilberto Gil, Jorge Benjor e outros clássicos da música que continuam a me influenciar. E no presente: Anderson Paak, Chromatik, entre outros. No RAP: Black Alien, Kamau, Criolo, Emicida, entre outros não menos importantes.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira profissional?

Igor Stefano: Comecei minha carreira musical em meados dos 2010 quando comecei a criar música. Tive uma banda de SambaRock: “Tábua de Esmeralda”, em Torres – RS. No RAP comecei em meados dos anos 90 em Porto Alegre – RS a escrever e rimar com amigos do bairro Passo da Mangueira. Em 2008 lancei um livro de poemas. Em 2015 voltei de uma temporada na Europa, comecei a gravar um disco de RAP – “Uso Livre” em que musiquei alguns poemas do meu livro e outros poemas compostos em Lisboa – Portugal. Em 2016, morando em São Paulo, concluí e disponibilizei o trabalho no YouTube.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Igor Stefano: Em 2016 lancei meu primeiro álbum: “Uso Livre”. em que musiquei alguns poemas do meu livro e outros poemas compostos em Lisboa – Portugal.

07) RM: Como você define seu estilo musical dentro do RAP?

Igor Stefano: Meu estilo dentro do RAP é caracterizado por instrumentais com influência do Jazz, Blues, Soul, juntamente com a percussão brasileira (no show), e no álbum “Uso Livre”, as letras são apresentadas propositalmente sem refrãos, para que o ouvinte tenha a experiência de assimilar o disco tal qual um livro, já que os poemas foram escritos sem a pretensão inicial de serem músicas. Já para meu próximo trabalho de RAP penso em adicionar outros experimentos.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Igor Stefano: Nunca estudei técnica vocal. Estudei técnicas de locução no meu curso de Rádio e fiz terapia com fonoaudióloga para aprender exercícios vocais e melhorar a dicção e respiração.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Igor Stefano: Não sou intérprete, mas um compositor/rapper e entendo que o estudo da técnica vocal é primordial para quem canta e respeita o público/ouvinte.

10)RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Igor Stefano: Admiro Freddie Mercury, Alicia Keys, Roberta Sá, Ney Matogrosso e tantos outros (as).

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Igor Stefano: Gosto de escrever quando a ideia surge e não a partir de um título. Agora quando surge um tema interessante faço um esforço maior para desenvolver o texto.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Igor Stefano: Componho sozinho e geralmente com um instrumento de percussão.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Igor Stefano: As cantoras gaúchas: Sabrina Couto, gravou “Outro domingo” e Quértina Elz gravou “A água e a ponte”.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Igor Stefano: A independência nos dar a liberdade de compor o quê, como e quando quiser. Os contras podem ser na parte comercial ou não. Eu prefiro ter liberdade para trabalhar do meu jeito e expressar no trabalho a minha verdade, a minha naturalidade.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Igor Stefano: Neste momento de pandemia do Covid-19 é me manter vivo e com saúde para executar os projetos. Estou compondo para o próximo álbum e trabalhando para produzir um material de vídeo do álbum “Uso Livre”. Tenho um show chamado “Livro Vivo”.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Igor Stefano: Na carreira musical solo é logo que passar essa situação de isolamento social por conta da pandemia Covid-19, levar o show para rua, eventos, festivais, produzir vídeos. Tenho a BK-Produtora, e estamos a produzir através da lei Aldir Blanc, um filme/documentário no qual sou produtor executivo, com uma banda “SamBatuque”, de Torres – RS.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Igor Stefano: A internet ajuda no sentido de independência na distribuição. Não vejo prejuízos na internet, pois tenho outras atividades profissionais, então não dependo financeiramente da carreira musical.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Igor Stefano: Hoje em dia um home estúdio pode ter tecnologia de ponta onde o próprio artista pode construir em sua casa e produzir/finalizar um trabalho de excelente qualidade. Mas nem sempre um home estúdio tem um profissional qualificado para operar e usar ao máximo a tecnologia que o estúdio possui.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Igor Stefano: Procuro fazer uma arte original, natural, que transmita a minha verdade, a minha alma. Gosto de experimentar elementos novos tanto no instrumental como nas letras. Sou da “velha escola”, então minhas influências estão presentes no meu som. Vou no boombap, pois ouço bastante. Admiro e respeito também o trap, mas não é a minha veia musical.

20) RM: Como você analisa o cenário do RAP brasileiro. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Igor Stefano: Vejo o cenário do RAP brasileiro com muita coisa boa sendo feita. O brasileiro é bem criativo/inventivo, tanto em qualidade quanto em quantidade, claro, com o advento da internet surge muita coisa boa e ruim. E, e isso também é relativo, tem a questão do gosto pessoal, visão particular e confesso que consumo pouco RAP, ouço muito rock (de várias vertentes) e mais Jazz e música instrumental. Revelação musical recente no RAP: Rapadura, Fábio Brazza, Djonga, Rincon, Síntese, Haikaiss, Kant, entre outros. Quem permaneceu com obras consistentes: Black Alien, Criolo, Kamau, Edi Rock.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Igor Stefano: Com segurança posso cita Ney Matogrosso. Fui no recente show dele no Rio de Janeiro e fiquei impressionado com o respeito que ele tem pelo público. Começou pontualmente no horário, não fez discurso político/ideológico/partidário, não reclamou de nada, a banda impecável, show muito bem ensaiado. Ele entrou no palco e executou um trabalho memorável, emocionante. Simplesmente sensacional.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Igor Stefano: Falta de condição técnica em Casas de Shows e Eventos precários é comum, principalmente quando os organizadores não têm a mínima noção dos equipamentos necessários. Fizemos um show que não tinha caixas adequadas, tinha só uma caixa que parecia um autofalante de carro adaptado e uma mesa de som que falhava direto…Nossa! Foi realmente muito triste (risos).

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Igor Stefano: Deixa-me feliz poder apresentar um trabalho autoral, levar esse trabalho para outras cidades, Estados, países e ter reconhecimento. E saber que o registro ficará para a eternidade mesmo se não houver um sucesso estrondoso. Deixa-me feliz realizar, executar, registrar um trabalho autoral. Deixa-me triste a falta de estímulo de pessoas que você gosta e confiaria que houvesse um apoio moral. Mas os fatores que me deixam feliz são mais potentes e valiosos.

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Igor Stefano: Já tive músicas que tocaram na rádio sem o pagamento do jabá. Já apresentei músicas na TV sem pagamento do jabá. O fato de eu ser radialista/comunicador há 16 anos, ajuda, mas nunca toquei e nem tocaria minhas músicas nos meus programas. Isso é uma postura minha, não critico, nem julgo, nem condeno quem o faça. Também nunca aceitei, nem aceitaria receber jabá nos meus programas de rádio. Já trabalhei em rádios que recebem jabá para execução de músicas. Essa prática infame eu abomino.

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Igor Stefano: Seja verdadeiro com sua obra, seja você, faça o que você gosta sem medo de realizar. Não espere que alguém (empresário, produtor, agente) abrace seu trabalho e o leve para o “estrelato”. Busque, trabalhe, construa, realize os seus projetos com força e raça. Quando você realmente quer, visualiza e busca, o universo conspira para que aconteça. Nunca abdique, mantenha o foco no trabalho e tenha perseverança.

26) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Igor Stefano: Festivais de música são muito importantes para músicos/bandas em início de carreira, para alavancar o trabalho e motivar os músicos.

27) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Igor Stefano: Vejo que a “grande” mídia continua a dar espaço para os músicos/bandas mais populares como Sertanejo, Pagode, FUNK. O que é uma lástima, pois deixa de expor muita coisa boa feita no Brasil. Nosso país é extremamente rico em talentos e fazedores de boa música.

28) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI, Itaú, Banco do Brasil e CAIXA Cultural para cena musical?

Igor Stefano: Importância fundamental, desde que o espaço/incentivo seja prioritariamente para talentos musicais em início de carreira. Não sou contra o apoio a músicos consagrados. Acontece que músicos de carreiras consolidadas já tem um público expressivo e obras significativas ao ponto de realizarem seus projetos a partir de seus próprios recursos ou buscarem apoios/patrocínios na iniciativa privada por conta própria.

29) RM: O circuito de Bar na sua cidade é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Igor Stefano: Sim, Bares são ótimas opções de trabalho, especialmente para projetos Violão e Voz e/ou trios/grupos que façam covers de músicos/bandas populares. Há raras exceções de Bares que trabalham com projetos autorais de artistas em início de carreira.

30) RM: Fale de sua atuação como radialista.

Igor Stefano: Sou apaixonado por rádio desde sempre. Lembro que com 5 anos de idade já ouvia rádio no 3em1 da minha mãe e também no carro do meu pai, que também já atuou como radialista. Meu irmão mais velho também é radialista. Estudei Radiodifusão em Porto Alegre – RS com grandes professores que atuam no rádio gaúcho (Lila Vieira, Denise Cruz, Ricardo Padão). Formei-me em 2004, no mesmo ano comecei a trabalhar no litoral do Rio Grande Sul, depois em Porto Alegre, São Paulo, Rio de Janeiro. Já atuei em rádios comunitárias, web rádio, AM e FM comerciais. Tive programas independentes (espaço alugado) e também atuei como funcionário. Exerço as funções de locutor/apresentador, produtor/criador de conteúdo, redator, entrevistador, noticiarista, operador/editor de áudio, vendedor, gerente de programação, produtor de textos publicitários, chamadas, vinhetas. Já trabalhei no jornalismo, em programas musicais, na área da arte/cultura, esportes, utilidade pública.

31) RM: Fale de sua atuação como Escritor.

Igor Stefano: Comecei a escrever na escola e logo peguei gosto pela atividade, sempre fui bem nas redações e na sétima série minha professora Regina falou que eu tinha talento quando ela leu para turma um poema meu, num trabalho em sala de aula. Aos 23 anos de idade comecei a escrever poemas com frequência e com 27 anos lancei meu primeiro livro “Mera Sensação”. O livro foi muito bem de crítica e fez eu receber convites para ser jurado em concursos literários, musicais, eventos e encontros de escritores. Em 2010 fui coautor do livro “Antologia Poética” em Passo de Torres – Santa Catarina. Hoje preparo um novo livro de poemas que devo publicar em breve.

32) RM: Igor Stefano, Quais os seus projetos futuros?

Igor Stefano: Projetos futuros na área musical: fazer um novo álbum autoral com uma banda. Levar o show “Livro Vivo” para o máximo possível de lugares.

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Igor Stefano: (21) 96618 – 5665 | [email protected]

| https://web.facebook.com/igorstefanobk

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCmhc_ifg-OwvFDATpyZtkFA

Igor Stefano – Do interior ao horizonte: https://www.youtube.com/watch?v=8tV78AfXaY4

Igor Stefano – Sinfonia: https://www.youtube.com/watch?v=mk4rPAeagj4

Igor Stefano – Dois ouvidos: https://www.youtube.com/watch?v=fxkJWyDm9eg

Igor Stefano – Até mais duas: https://www.youtube.com/watch?v=20TMwjqbzj8

| Visita (Livro Vivo) / por Igor Stefano: https://www.youtube.com/watch?v=E_KSsFAV3Uk


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.