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Categorias: Entrevistas

Gustavo Nobio


O cantor, compositor, Rapper Gustavo Nobio é um artista e divulgador científico que define suas canções como música popular brasileira transitando pelo hip hop com a vibração do afrobeat, batidas eletrônicas e a influência do jazz, da bossa nova, do samba e do rock.

A Semeadura Eletrorgânica compreende toda a obra gravada do vocalista, letrista, melodista e seus colaboradores, músicos e produtores. Ecologista por convicção e cancionista por mera diversão, Gusnob – como também é conhecido – segue tocando em frente a cantar para viver e sonhar.

Gustavo Nobio iniciou sua carreira em 1995 com a gravação da primeira fita demo. Autor de canções emblemáticas e contundentes, atuante no palco e no estúdio. Cantor e compositor talentoso dotado de inspirado raciocínio criativo, ele define sua música como popular brasileira que transita pelo rap com a vibração do afrobeat, batidas eletrônicas e a influência do jazz e do rock, criando assim o melhor ambiente possível para uma agradável e reflexiva experimentação sensorial.

Inquieto e questionador como sempre foi, o artista – ávido por compreender a realidade que o cerca e com uma enorme necessidade de expressão no peito e na garganta – começou a dar vazão às suas aspirações para a arte da música no início da década de 1990, ao compor suas primeiras letras de conteúdo ingênuo ou fazendo uso de um discurso meramente político-social, que com o passar do tempo adquiriram ousadia poética.

Através do interesse pela escrita, estimulado pelo hábito da leitura de histórias em quadrinhos, ficção científica e romance policial, o jovem Gustavo mergulhou de cabeça no mundo da fantasia e a partir daí deu um importante salto rumo ao universo da criação. Com poucos recursos, munido de muita criatividade, senso rítmico, um ótimo timbre de voz e determinação realizou suas gravações rudimentares em 1995. Um ano depois ele estreou nos palcos dos festivais de canção estudantil.

Em 1997 foi um dos dez finalistas de um festival promovido pela Escola de Música Villa-Lobos do Rio de Janeiro, na qual estudou teoria musical. Após ter classificado composições próprias em duas edições consecutivas do evento, Nobio gravou entre 1998 e 2000 seus dois primeiros CDs em que participa como autor e intérprete vocal: as coletâneas Festvilla 3 (“Altivamente A Todo Vapor”) e Festvilla 4 (“Venha Viajar”), produzidas pela instituição de ensino.

Ao longo de quatro anos Gustavo Nobio compôs dezenas de canções e se preparou para uma nova etapa de sua carreira, já bastante amadurecido musicalmente. Sob a alcunha de S.U.P.R.A. Vida Secular! (www.supravidasecular.com.br ), 2005 marcou o lançamento do trabalho solo intitulado Compacto Simples (Mente), CD.-Single de edição limitada que inclui as canções “Vacilante Que Pensa Que É Gigante” (ou “Samba do Vacilante”) e “O Grande Espetáculo”.

Uma vez plantada a semente, ela germinou, cresceu e deu origem ao álbum Ritmada Eloquência Poética (Vol. I), de 2008. Sua evolução como letrista e melodista aconteceu de modo gradativo e natural; os anos se encarregaram de pavimentar o caminho da experiência até chegar ao estágio atual, tendo ainda muito a percorrer. Gusnob, como também é conhecido, é um atento observador da vida que segundo ele é suprema unicamente, porém rígida absolutamente, cheia de esperanças, desilusões, vitórias e fracassos; onde a vivência proporciona sabedoria, pois a escola do mundo é secular!

Em 2010 lançou outro trabalho sob o pseudônimo de Potente Durâmen chamado PoDu EP: Experiência Positiva, com um repertório voltado para o rap/hip-hop.

Todas essas experiências musicais desaguaram em Sucessos Nobianos Que O Mundo Nunca Ouviu! coletânea lançada em 19 de maio de 2019 que resgata a obra desse ilustre desconhecido poeta operário – um fiel amante da música e resiliente por natureza para a perpetuação do lirismo e da melodia.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Gustavo Nobio para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 22.06.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Gustavo Nobio: Nasci no dia 01 de outubro de 1975 em Bom Jesus do Itabapoana, Rio de Janeiro. Desde 1985 estou enraizado em Niterói – RJ.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Gustavo Nobio: Aconteceu na década de 1980, e dentro da minha própria casa, ouvindo música popular brasileira e música estrangeira. Lembro-me dos LPs da Beth Carvalho, do Agepê, do Benito di Paula, do Roberto Carlos, do Evaldo Braga, do Michael Jackson, do Jimmy Cliff, do DJ Monsieur Lima, das trilhas sonoras de novelas e outras raridades. Era uma época em que os artistas ainda lançavam compactos simples, aqueles pequenos discos de vinil de 45 rotações por minuto, com uma ou duas músicas de cada lado.

Na eletrola Sonata (toca-discos) da minha mãe tocava compactos da Madonna, de Jane & Herondy, etc. A diversidade de gêneros musicais imperava naquele lar e o hábito de ouvir de tudo um pouco foi registrando no meu DNA musical as minhas referências com o passar do tempo. Mas bem antes disso, a primeira música que eu recordo de ter ouvido foi “Coisinha do Pai” (Jorge Aragão, Almir Guineto e Luiz Carlos), que mamãe sempre cantava quando eu tinha uns 4 ou 5 anos de idade.

03) RM: Qual sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Gustavo Nobio: Estudei teoria musical na Escola de Música Villa-Lobos (Rio de Janeiro) na década de 1990, apesar de não ter concluído o curso para emissão de certificado ou diploma. Sou graduado em Gestão Ambiental, pela Universidade Estácio de Sá (RJ), e técnico em Meio Ambiente, pela FUNCEFET (RJ). Voluntariamente, faço um trabalho de divulgação científica visando a conscientização e a educação ambientais para promover o aumento da percepção ecológica e a popularização da ciência perante a sociedade através do site www.senhoreco.org , do qual sou fundador.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Gustavo Nobio: Sou muito influenciado pelo Samba, Bossa Nova, Baião, Embolada, Maracatu, Manguebeat, Afrobeat, Jazz, Blues, Funk, Soul, RAP/Hip Hop, Reggae, Rock, música clássica/sinfônica. Eu, como aluno da nova escola, aprendi ouvindo mestres como Jackson do Pandeiro, Luiz Gonzaga, Noel Rosa, Cartola, Chico Buarque, Djavan, Alcione, Beth Carvalho, Rosa Passos, Ella Fitzgerald, Nina Simone, Tom Jobim, Frank Sinatra, Miles Davis, John Coltrane, Ludwig van Beethoven, Jimi Hendrix, Bob Marley, Fela Kuti, Tupac Shakur, KRS-One, Lauryn Hill, Mano Brown, Thaíde, Chico Science, etc.

Toda influência musical é relevante e não há como renegar nenhuma, ainda que o artista possa dar rumos diferentes a sua carreira que não necessariamente vá agradar aos fãs de longa data.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Gustavo Nobio: Comecei como letrista e rimador no início da década de 1990, em Niterói (RJ), muito impressionado pela cultura hip hop e seduzido pela linguagem articulada e contundente do rap que artistas norte-americanos e brasileiros faziam naquele momento cujo teor das letras tinha um discurso político-social bem incisivo ou uma visão crítica por meio do sarcasmo e da ironia – vide Chuck D., KRS-One, Mano Brown, Gabriel O Pensador. Dessa linguagem urgente, na primeira pessoa, me apropriei e a partir daí me senti empoderado pra fazer minha interferência cultural no mundo. Bastante motivado e cheio de ideias na cabeça, com uma enorme necessidade de expressão no peito e na garganta, gravei em 1995 a minha primeira fita demo que incluía três músicas.

No ano seguinte, subi ao palco do Teatro Dulcina, no Rio de Janeiro, para defender uma composição minha no Festival da Canção Estudantil da Rádio MEC (FESCAN), o rap “Altivamente A Todo Vapor”. Em 1997, com a mesma composição, fui um dos dez finalistas da terceira edição do Festival da Canção da Escola de Música Villa-Lobos (Festvilla), o que se repetiu na quarta edição, de 1998, mas desta vez com outra canção. Até onde eu sei, fui o primeiro rapper do meu estado a classificar uma música do gênero “ritmo e poesia” em Festivais importantes da capital fluminense daquele período.

Daí em diante fui trilhando o meu caminho e ao lado do saudoso Rapper Ronier 73 participei, como convidado dele, do evento Hip Hop Rio – promovido por Marcelo D2 – na Lona Cultural Gilberto Gil, no bairro de Realengo em 1999. No ano 2000, gravei junto com a dupla 73 & DJ Juan no RAP “Quem Cala Consente” (de autoria deles) para a coletânea Zoeira Hip Hop, idealizada pela produtora cultural Elza Cohen, usando o nome artístico Gêiser Nobio nessa que é a faixa 14 daquele CD encartado na edição número 80 da revista TRIP.

Ao longo do tempo, evoluí musicalmente e influenciado pelas diversas referências rítmicas e melódicas do passado eu passei a criar composições diferentes do padrão hip hop, visitando o Samba, a Bossa Nova, o Choro, o Jazz e o Blues.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Gustavo Nobio: Como intérprete vocal e compositor, participei das coletâneas Festvilla 3 (1998), com o rap “Altivamente A Todo Vapor”; Festvilla 4 (2000), com a canção folclórica “Venha Viajar”, que tem um solo de rap-embolada feito por mim, – ambas lançadas em CD pela Escola de Música Villa-Lobos e pela FUNARJ. Tais registros fonográficos são oriundos de duas edições do festival de canção estudantil promovido pela referida instituição de ensino na cidade do Rio de Janeiro.

No ano de 2005, de forma 100% independente, produzi e editei o CD-single intitulado Compacto Simples (Mente), com as faixas “Vacilante Que Pensa Que É Gigante” e “O Grande Espetáculo”, sob o pseudônimo S.U.P.R.A. Vida Secular!

Em 2008, lancei o álbum virtual Ritmada Eloqüência Poética (Vol. I), também como S.U.P.R.A. Vida Secular! Dois anos depois, outro álbum virtual chamado PoDu EP: Experiência Positiva, usando a alcunha Potente Durâmen.

Em 2019, foi a vez do álbum “Sucessos Nobianos Que O Mundo Nunca Ouviu”! chegar às plataformas digitais, creditado ao meu nome de batismo Gustavo Nobio, que compila toda a minha obra gravada até então.

Posso dizer que as canções que se destacaram foram: “Samba do Vacilante”, “Sorriso Miserando”, “Via Ponte Rio-Niterói”, “Causa Primária” e “Vis-À-Vis”, elas fazem um certo sucesso entre o meu seleto grupo de ouvintes, composto por amigos e parentes [risos].

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Gustavo Nobio: Costumo dizer que faço música para viver em harmonia e sonhar, independente dela ser rotulada disso ou daquilo, além de expressar meu amor pela língua portuguesa. Mas a minha arte pode ser definida como “MPB/Afrobeat/Hip Hop/Jazz”.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Gustavo Nobio: Nunca fiz aulas de canto propriamente ditas, apenas exercícios vocais.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Gustavo Nobio: Aprendi a interpretar ouvindo discos, principalmente os do Chico Buarque por causa da construção das frases melódicas e da maneira como se pronuncia as palavras musicalmente. O que não tem nada a ver com o timbre vocal do cantor, mas levando em consideração a sensibilidade e como ele transfere essa emoção para o ouvinte. Não à toa, Chico Buarque é o melhor intérprete da sua própria obra, pelo menos eu acho.

Sempre tive uma preocupação com a dicção e confesso que fico um pouco incomodado quando não compreendo o que um artista fala em sua música, a ponto de ter que recorrer à letra. É preciso ter cuidado com a voz também – esse instrumento precioso – fazendo gargarejo, evitando bebidas muito geladas ou excesso de café e procurar fazer uso do gengibre (a raiz ou a bala).

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Gustavo Nobio: Alcione, Beth Carvalho, Gal Costa, Maria Bethânia, Rosa Passos, Marisa Monte, Elis Regina, Nina Simone, Ella Fitzgerald, Lauryn Hill, Mary J. Blige, Amy Winehouse, Alanis Morissette, Adele, Lizzo.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Gustavo Nobio: A ideia pode vir através de uma frase melódica que fica burilando na cabeça até nascer uma canção ou a vontade de falar de algo específico, seja inspirado por uma musa, pela natureza, pelo status quo, etc. Basta eu viajar pro fantástico mundo de Gusnob (como também sou conhecido) que a minha arte começa a florescer [risos].

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Gustavo Nobio: Tenho o costume de compor sozinho, desde a minha adolescência. No meu caso, fazer música sempre foi um processo muito solitário, mas isso nunca foi um problema.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Gustavo Nobio: A vantagem sempre será a liberdade de conduzir seu trabalho sem interferências artísticas, isso é fato! A parte mais trabalhosa e desagradável é ter que fazer tudo sozinho, ter que fazer economias pra investir em gravação e produção, além de promover a divulgação sem possuir uma grande estrutura de marketing por trás. Mas é assim mesmo, nem todo mundo será um artista de grande êxito comercial. O que importa é a música e a satisfação que ela te proporciona e às pessoas ao seu redor.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Gustavo Nobio: Como não sou um artista estabelecido no mercado e nem trânsito de forma efetiva na cena alternativa, deixo a vida me levar, como diz aquele samba gravado por Zeca Pagodinho [risos]. Meu trabalho é todo difundido pela internet e não existe uma estratégia predefinida ou eximiamente arquitetada pra atingir esse ou aquele público. Sigo de maneira intuitiva colocando em prática o famoso “do it yourself” (faça você mesmo).

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Gustavo Nobio: Nenhuma ação empreendedora, até porque não vivo de música, apenas me divirto com ela.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Gustavo Nobio: A internet mais ajuda do que prejudica, pois antes do advento dela as dificuldades eram enormes para que o artista independente pudesse mostrar e divulgar sua obra musical junto às rádios, às gravadoras e às pessoas influentes do meio artístico.

Televisão era um planeta a anos-luz da Terra e uma barreira quase intransponível. Lembro-me que na década de 1990 eu enviava meu material (fita K7 e release) pelo correio para pequenas e grandes gravadoras situadas no Rio de Janeiro e em São Paulo, gastava um dinheirão com carta registrada e aviso de recebimento (AR), sempre aos cuidados dos diretores artísticos, e nunca recebia um retorno. Na década que se seguiu a partir do ano 2000, já com CD-demo, era a mesma coisa, um horror, uma tremenda perda de tempo, um verdadeiro descaso com quem não tinha indicação de gente importante. Às vezes eu ia pessoalmente, nunca conseguia falar com ninguém e não passava da recepção.

Felizmente, a internet se popularizou, para desespero do “show business” da indústria do disco, que gradativamente começou a morrer e o “compact disc” jaz faz tempo. Aí surgiram os sites para compartilhamento de arquivos digitais e distribuição de música online, como o Napster, MySpace, TramaVirtual, Palco MP3, etc. Foi a carta de alforria pros artistas presos no anonimato, à margem do hermético círculo mercadológico das décadas passadas [risos].

Hoje, os fenômenos da internet já são algo corriqueiro e muitas vezes cooptados por gravadoras (ou o que restou delas e nem sei se ainda são chamadas assim) e empresas de produção artística. O que mais acho interessante atualmente são as plataformas digitais como o Spotify, Deezer, Google Play, YouTube Music e outras que pagam “royalties” aos artistas conforme o volume de streaming, downloads ou de visualizações. Basta se cadastrar em um agregador (ou distribuidor digital), que faz a intermediação com as plataformas, distribuir mundialmente seu álbum ou seus singles pra ganhar dinheiro. É tudo transparente, você cria uma conta no PayPal, faz o resgate e depois depositam na sua conta corrente. A internet é um caminho sem volta e eu amo que seja assim. Graças a Deus!

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Gustavo Nobio: Eu nunca tive home estúdio, mas as vantagens são muitas. E hoje sempre tem alguém com tecnologia de gravação no seu bairro, produzindo em casa e sem precisar se deslocar por longas distâncias. Seja na favela ou num condomínio de alto padrão, tem gente fazendo e registrando seu som digitalmente. Mas não desmerecendo estúdios profissionais de alta tecnologia, também são necessários pra fazer a economia girar. Quem pode, paga e grava lá.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Gustavo Nobio: Rapaz, eu não faço absolutamente nada porque não tem como concorrer com artistas que tocam exaustivamente no rádio e na TV [risos]. Chega a ser desleal porque sempre toca mais do mesmo, variação do mesmo tema, e a grande mídia massifica um ou dois gêneros musicais, é contraproducente e não educa o ouvinte.

Pagar pra tocar é algo que nunca fiz e não faço. Só a internet salva [risos]. Não existe um programa na televisão aberta que dê espaço para um artista totalmente desconhecido do grande público que queira mostrar sua obra autoral já gravada. Revelação de talentos vocais tem aos montes por aí, todos muito bons, mas estamos carentes de festivais televisionados e de alcance nacional que catapultem novos compositores, como aqueles das décadas de 60 e 70.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Gustavo Nobio: Música também é evolução e independente das novidades do momento, sejam elas relevantes ou descartáveis, ninguém é eterno e uma geração sucede a outra, mas fica o legado também daquilo que é bom e que as pessoas vão sempre ouvir e recorrer às referências do passado. Mas nas duas últimas décadas surgiram nomes consistentes como as cantoras Teresa Cristina e Roberta Sá, o cantor Diogo Nogueira, os rappers Black Alien, Emicida e Criolo. Cada um na sua correria fazendo jus à oportunidade que surgiu e abraçou no momento oportuno. Cada um no seu nicho de mercado produzindo seu trabalho e tendo seu retorno financeiro. Os hits de verão sempre passam, ficará no imaginário popular quem souber imprimir seus clássicos na arena do “mainstream”, da corrente dominante.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Gustavo Nobio: Certamente o alagoano Djavan, que desde que lançou seu primeiro LP chamado A Voz, O Violão e A Música de Djavan, pela Som Livre em 1976 tem se mostrado como uma referência profissional longeva e de excelência na música. Um verdadeiro gênio que influenciou e influencia gerações encantadas com suas belas canções e impressionadas com suas intrigantes harmonias!

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Gustavo Nobio: Tocar na alma e na consciência de quem aprecia a minha arte e as minhas composições é o que me deixa mais feliz. “Tristeza não tem fim”, já dizia Tom Jobim, faz parte da existência humana e a música cumpre seu papel divinal quando torna a realidade menos dura e a vida mais doce.

23) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical??

Gustavo Nobio: Existe o dom musical. Quando a pessoa descobre que tem talento, ela também precisa exercitar porque arte não é feita só de inspiração, exige muita ralação por muito tempo na estrada e aperfeiçoamento das suas habilidades.

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Gustavo Nobio: Um dia, quem sabe? A esperança é a última que morre [risos]. O saudoso Tim Maia condenava veementemente o jabá e desde que ele partiu nada mudou nesse sentido!

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Gustavo Nobio: Que continue acreditando no seu sonho, o que é um velho clichê necessário para não desisti. E ter consciência de que seu maior sucesso será sempre a capacidade de ser resiliente durante a caminhada e superar cada obstáculo com sabedoria. E vence aquele(a) que persevera, mantém o foco e a disciplina.

26) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Gustavo Nobio: A “concorrência” é sempre saudável porque revela coisas diferentes. Ruim é quando algum invejoso tenta te sabotar, fala mal pelas costas [risos].

27) RM: Os Festivais de Música ainda revela novos talentos?

Gustavo Nobio: Eu creio que sim, falo com conhecimento de causa, pois fui revelado em Festivais de Música. É o que salvará a música da mediocridade.

28) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Gustavo Nobio: Não sou do meio jornalístico, mas pelo menos na TV essa cobertura é esporádica e se resume a agendas culturais de fim de semana. Só na internet é possível ter uma visão mais ampla do que anda acontecendo, desde que você saiba procurar. Um exemplo é essa revista digital maravilhosa: RitmoMelodia.

29) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Gustavo Nobio: Legal demais! Permite que artistas pouco conhecidos tenham a oportunidade de se apresentarem nesse circuito, popularizar sua obra localmente e posteriormente vender shows.

30) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Gustavo Nobio: Não trabalho na noite, sou um artista mais focado num repertório autoral direcionado para a internet, mas tenho amigos que tocam há anos todo fim de semana em bares e restaurantes da região metropolitana do Rio de Janeiro. E parecem satisfeitos.

31) RM: Quais os seus projetos futuros?

Gustavo Nobio: Continuar gravando minhas músicas sempre que for possível e lançá-las na rede mundial de computadores.

32) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Gustavo Nobio:  gustavonobio@gmail.com

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

Publicado Por
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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