Grupo Tarumã

Grupo Tarumã

O grupo Tarumã é formado por Carlos Moreno, Alê Moreno, Marcelo Barum, Daniel Pessoa. Com 30 anos de existência, os “meninos” contam as “Histórias de cada canto”, que é o nome do seu primeiro disco, trazendo em seu repertório, todos os caminhos percorridos pela música no mundo.

Brincando com o “Palavriá”, nome de seu recente disco, tecem o enredo da trajetória de sua existência, colocando o público para dançar.

Eles sabem que pra dançar basta chegar bem perto, e com um trabalho de vocal aberto, misturam Chico Science com Jackson do Pandeiro, reverenciam Beatles, visitam o chão mineiro, batucam o samba do terreiro, levam a Selma do Côco para Nova Iorque e trazem James Brown para Juazeiro – BA.

“Histórias de Cada Canto”, álbum lançado em 1992 com a primeira formação com Carlos Moreno, Daniel Sanches, Edu Simplício, Beatriz Gandra, Lourdes Gandra, Paulinho Rodrigues, contou com as participações de Flávio Venturini, Jica, Saulo Laranjeira, Milton Edilberto, Zé Gomes, Nilson Chaves, PC Bernardes, Klecius Albuquerque. O disco foi prefaciado por Milton Nascimento, Dom Pedro Casaldáliga, João Bá.

“Palavriá”, o recente álbum, lançado em 2012 com a penúltima formação com Alê Moreno, Carlos Moreno, Daniel Sanches, Marcelo Barum, teve a produção musical de Webster Santos, e contou com as participações de Swami Junior (violão), Ricardo Mosca (bateria), Sisão Machado (contrabaixo), Tiago Costa (teclados), Orlando Bolão (percussão), Vitor Lopes (gaita), além do próprio Webster (violão, viola caipira, cavaco, bandolim, guitarra).

O Tarumã já dividiu o palco com grandes nomes da MPB como Geraldo, Belchior, Tavito, Dani Lasálvia, Dercio Marques, Jica y Turcão, Oswaldinho & Marisa Vianna, Boca Livre, Skank, RenatoTeixeira, MPB4, Luiz Melodia, Adriana Calcanhoto, Tarancón, Raices de América, Zé Rodrix, Jorge Benjor, Paula Lima.

O Tarumã está em fase de gravação do seu próximo trabalho intitulado “3 x 4”, com lançamento programado para 2021. Dentre as participações em programas diversos, destacam-se o programa “Jô Onze e Meia”, no SBT e o “Disseminando a MPB” com o conceituado crítico musical Zuza Homem de Melo.

Através da abertura dada pelos SESCs, Casas de Cultura, festivais promovidos por diversas cidades do interior do Brasil, empresas patrocinadoras e casas de espetáculos em geral, o grupo tem levado a sua arte ao público de diversas comunidades, sempre com o intuito de buscar novas parcerias de música e vida.

Segue abaixo entrevista exclusiva com o grupo Tarumã para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 15.02.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a data de nascimento e cidade natal dos membros da banda?

Grupo Tarumã | Alê Moreno, nasceu no dia 09.01.1972 em São Paulo – SP. Registrado como Alexandre Krambeck Moreno.

Marcelo Barum, nasceu no dia 20.03.1969 em São Paulo – SP. Daniel Pessoa, nasceu no dia 20.11.1981 em Santo André – SP.

Carlos Moreno, nasceu no dia 02.04.1965 em São Paulo – SP.

02) RM: Como foi o primeiro contato dos membros da banda com a música.

Grupo Tarumã | Alê Moreno, para iniciar devo dizer que tenho uma gravação em fita cassete (digitalizada) de uma reunião familiar de natal em que, eu, em meio a tanto falatório, canto a frase “Eh! Meu amigo Charlie Brown” do Benito Di Paula, eu devia ter 4 anos de idade, ao fundo rolando “I can sing A rainbow (Love is blue) – The Dells – quinteto vocal americano. E curiosamente meu irmão Sérgio Moreno descobriu há alguns dias qual era a canção que tocava ao fundo da referida relíquia, daí para frente eu sigo com o que tenho de lembrança. Tínhamos uma vitrola da marca Empire e uma pequena coleção de discos de vinil, entre eles: uma coletânea com instrumentais da Bossa Nova, Originais do Samba – “É preciso cantar” – RCA (tinha Saudosa Maloca e um Pout pourri de sucessos de Roberto e Erasmo Carlos). Um disco do Roberto Carlos; me lembro de ouvirmos muito “O portão” e “Eu quero Apenas”. Ray Connif’S Music – Sua orquestra e côro, Coletânea – “Os grandes momentos dos festivais da música popular brasileira” – 1967 pelo selo SETA, só nesse disco conhecemos, Gilberto Gil, Chico Buarque, Caetano Veloso, Edu Lobo, MPB4, Jair Rodrigues, Elis Regino, Nara Leão, Gal Costa, entre outros.

Outro destaque vai para o compacto do Doobie Brother’s com nada mais nada menos que “Listen to the music”; que me lembro, ainda criança, ouvir dezenas de vezes seguidas, mas tinha que ser deitado(risos) – eu voltava a faixa e corria pra cama na tentativa de ouvir a antológica introdução já em repouso. Na parte de baixo da casa moravam dois tios, irmãos do nosso pai. Um deles, o tio , que fora aspirante a radialista, quando jovem, além de treinar sua dicção, normalmente pelas manhãs, ouvia frequentemente o programa Moraes Sarmento na rádio Bandeirantes. E na carcaça de uma rádio/vitrola anos 50; herdada e semi -reformada pelo Carlos Moreno, se acomodava uma Vitrola Sharp Optomini anos 70 onde ele ouvia, em bom volume e equalização, a coleção mais antiga da velha guarda da família Moreno. Alguns discos estão comigo até hoje. Os famosos 78 Rpm da Continental, RCA Victor, Odeon, Philips que iam de Luiz Gonzaga a Waldir Azevedo, Noite Ilustrada a Chico Alves. Tinha também instrumental de Dilermando Reis, História da Música Popular brasileira – Abril Cultural, Caymmi, Lamartine Babo, Pixinguinha, Donga, Ângela Maria entre outros.

Resumo da ópera – Ouvíamos tudo isso, acredito que dificilmente não nos tornaríamos, no mínimo, amantes da boa música. Paralelamente a esse ambiente musical através dos discos e rádio, um primo mais velho, o Rubens, que em meados dos anos 70 fora presenteado com um Violão por nosso pai, já tocava e era fãzaço dos Beatles e da MPB. Ele tocava em reuniões familiares de Natal, Reveillon e aniversários, foi nossa primeira influência e inspiração como músico. E, mais tarde outro primo, o Zé Luiz Braga (in memorian) também contribuiu com essa função inspiradora e até didática, também amante da MPB, Rock, Folk dos 70.

Marcelo Barum: o meu primeiro contato foi através da minha família. Minha mãe toca Piano, meu irmão mais velho estudou violão em conservatório musical. Na minha casa, em todas as festas de final de ano e aniversário havia cantoria com meus tios.

Daniel Pessoa: desde “nem me lembro quando” ouço minha mãe cantando junto com seus discos do Roberto Carlos, Júlio Iglesias, Chitãozinho e Xororó, de uma forma quase poética cresci entendendo que “cantar junto” fazia parte do normal, fui fazendo isso e nunca mais parei.

Carlos Moreno: faço minhas as palavras de meu irmão Alexandre, quanto às lembranças de infância. Cito além destas, a lembrança de ouvir um outro tio, o Francisco, também irmão de meu pai, tocando sua sanfona. Ele também morou em nossa casa, nos fundos, onde além de nos presentear com canções de Luiz Gonzaga, também nos fez observar uma forma diferente de carregar pilhas. As deixava em cima da geladeira por algumas horas, amarradas em um elástico, acreditando que as mesmas carregariam. As carregava para usar em seu radinho de pilha, que além da audição das canções e dos jogos de futebol aos domingos. Ele acompanhava também os programas de rádio da época (Zé Betio & Cia). Verdade é que nunca soubemos se as pilhas realmente carregavam! Outra lembrança; esta, com fotos para provar, é um Cavaquinho que ganhei de meu pai. Eu devia ter uns dois anos e meio de idade, pois na mesma foto meu irmão Sérgio era um bebê no colo de minha mãe! O Alexandre ainda não estava nos planos do casal! Ah sim, gostariam de saber que fim levou o Cavaquinho! Não sei! Só me ensinou, que dar um instrumento “profissional” para uma criança nesta idade, é bem arriscado! Ou seja, espere ele se interessar um pouco mais (riso).

Anos mais tarde, após a partida de nosso pai, que foi em 1980, nossa mãe, que já nos observava cantando e ouvindo muita música, nos comprou nosso primeiro violão! Fomos os três e ela na loja Mappin da Praça Ramos de Azevedo, em São Paulo. E lá, no andar de instrumentos musicais, ela possibilitou nosso ingresso para o deslumbramento de conhecer as primeiras notas musicais!

03) RM: Qual a formação musical e acadêmica fora música dos membros da banda?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: na década de 1990 iniciei um curso na Universidade livre de Música “Tom Jobim”, na qual tive aulas práticas de Violão com Tavico e teóricas com a professora Zei, porém não conclui, fiquei pouco tempo. Em 2011 eu e o Marcelo Barum estudamos um período de violão com o “Arnaldinho do Cavaco” lá na loja Contemporânea, daí incentivado pelo parceiro e guitarrista Leandro Delpech, iniciamos o curso de Licenciatura em Música pela UniSant’Anna, nos formando em 2015.

Marcelo Barum: minha formação musical começa na adolescência com professor particular de Violão. Sou formado em curso superior de Licenciatura em Música e pós-graduado em Gestão de Cultura.

Daniel Pessoa: fiz parte de corais da Fundação das Artes e USCS, ambas em São Caetano do Sul, iniciei curso de bacharelado em Música na Unis/MG, mas não cheguei até o fim.

Carlos Moreno: sou músico autodidata com cursos curtos de Violão, Flauta e técnica vocal. Fora música: Técnico em Mecânica Industrial e superior em Marketing.

04) RM: Quais as influências musicais no passado e no presente dos membros da banda? Quais deixaram de ter importância?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: minha audição é bem variada, como sempre gostei de televisão, grande parte do que fez a minha cabeça musical foi através da TV, a trilha do Sítio do Pica-pau-amarelo de 1977 é uma delas, tanta coisa linda e lúdica conheci ali, canções de Sérgio Ricardo, Gilberto Gil, Ivan Lins, Dorival, João Bosco. Outra fonte também foram as novelas, sou noveleiro, mas com um certo pedigree (risos); pelo menos naquela época, lembro de ter conhecido tanta música bonita por causa das novelas.

A partir dos 12 anos de idade, quando, de fato, comecei a aprender Violão, também ouvia muito Beatles e a turma do Clube da Esquina, que já foi dando liga com outros artistas e grupos que foram fundamentais para a nossa formação, entre eles: 14 Bis, Boca Livre, MPB4. Aos 16 anos ganhei o disco “Live in Rio” do James Taylor, que foi responsável por uma boa fase de desenvolvimento da percepção musical, o “tirar de ouvido”. A onda do uso do capotraste como sonoridade e não como facilitador de fazer acordes, como muitas pessoas acham. Teve uma época que também ouvi bastante Oswaldo Montenegro, aquela coisa do “Incompatibilidade” de cantar rápido, aprendi isso e gostava de dar uma impressionada na turma.

Um pouco mais à frente conheci um amigo, o Val Ramos, ele tinha um gosto musical muito parecido com o meu, fiquei admirado o vendo tocar as músicas do João Bosco, daí vi que era possível tocar (risos). Aprendi muito com o Val. Depois pintou o Lenine no cenário musical com aquele Violão percussivo no ritmo na mão direita, além de utilizar uns acordes mais tensos. Acho que influenciou muita gente nesse aspecto. Tem aquelas influências e inspirações de sempre, fora as que eu citei, o Caetano Veloso e o lance da Tropicália definir em grande parte o que chamamos de mistura, do qual somos resultado. O Zé Renato do Boca Livre é uma fonte muito grande de inspiração, pelos caminhos harmônicos encontrados na intuição e as lindas melodias. Quando me aventuro a construir um arranjo vocal para o grupo é impossível não buscar referências no trabalho do Maurício Maestro. Tenho a impressão de que ele encontra, a cada música, o tesouro escondido.

Entre setembro/outubro de 2020 terminei uma nova composição em parceria e senti que ficou com um certo clima de algumas canções do Dori Caymmi, tenho ouvido sua obra depois disso e acho que beberei dessa fonte.

Marcelo Barum: foram muitas. Ainda jovem eu frequentava as danceterias: Contra-mão e Over Night, no bairro do Tatuapé e Mooca, respectivamente. Lá, os DJs tocavam bandas como The Cure, The Smiths, entre muitas outras do gênero gótico. Eu ia também em salões de rock: Fofinho e Led Slay e também dava uma esticada no salão de Forró Magistral Danças. Todas essas casas na avenida Celso Garcia, no bairro do Tatuapé. Aos sábados eu batia cartão na Praça da República e na Galeria do Rock. Portanto vem desde essa época meu ecletismo e total desprovimento de preconceito em relação à música. Ao mesmo tempo que eu ouvia Iron Maiden, Rush, Pink Floyd, Janis Joplin, prestigiava shows do José Augusto, Amado Batista. Ainda nessa época, me chamava a atenção as primeiras apresentações de Zezé di Camargo no programa Clube do Bolinha, na TV Bandeirantes; que eu assistia (risos).

No colégio, ouvi pela primeira vez a banda que mais me marcou na juventude: a Legião Urbana, com a genialidade de Renato Russo. Um pouco mais tarde, já no início das minhas aventuranças pelos palcos dos bares, dois artistas começaram a se destacar em minhas audições e influenciaram nas minhas apresentações: 14 Bis e Zé Geraldo. O segundo, ouso dizer que é a minha maior referência. Seus discos são todos impecáveis. Destaque para o “Viagens e Versos” e o ao vivo com a participação do Duofel. Embora Zé Geraldo seja a maior influência no meu trabalho, na essência da música que componho, eu aponto o Chico César como o artista de destaque na atualidade, pela sua postura política e ativista, que me representam.

Daniel Pessoa: começando pelo presente, Emicida é uma grande referência, principalmente quando se fala em inteligência e atitude na música de hoje, outra grande referência atual; considerando o relativismo da palavra atualidade, é Celso Viáfora, artista que sou absurdamente fã. E tenho gostado muito de descobrir Baiana System. Do passado são incontáveis, mas vou elencar os que considerei o cume em diferentes momentos da vida: Legião Urbana, 14 Bis, Lô Borges e todo o Clube da Esquina, Paulinho Moska, Tom Jobim; esse a qualquer tempo, Radiohead, Stone Temple Pilots, Led Zeppelin, Vitor Ramil e por aí segue.

Recentemente assisti uma série/documentário “História Secreta do Pop Brasileiro”, em que encontrei parte da minha infância musical num episódio com Edgard Poças, o principal versionista do Balão Mágico, depois disso não consigo dizer nada que não seja importante dentro dessas memórias afetivas (risos).

Carlos Moreno: no passado, Festivais da Música Popular Brasileira nos anos 60, Clube da Esquina, autores e intérpretes latino-americanos, grupos folclóricos latino-americanos, Beatles, Queen, Simon & Garfunkel, entre muitos outros. No presente: Kleber Albuquerque, Irene Atienza. Nenhum deixou de ter importância.

05) RM: Quando, como e onde começou a carreira musical da banda? E qual o significado do nome da banda?

Grupo Tarumã | Carlos Moreno: Em 1990, quando da saída de três componentes do grupo Terramérica, o Tarumã, então foi formado por: Carlos Moreno, Paulinho Rodrigues, Daniel Sanches, depois teve o convite as irmãs Beatriz Gandra e Lourdes Gandra e finalmente Eduardo Simplício (fundador e também ex-integrante do Terramérica). Começamos os trabalhos em São Paulo, ensaiando no bairro de Santa Cecília – Centro. Tarumã é uma tribo indígena do século XVII, já extinta, da margem esquerda do Rio Amazonas. E também é uma árvore que encontramos em muitos locais do território brasileiro.

06) RM: Quantos discos lançados?

Grupo Tarumã | Marcelo Barum: O grupo Tarumã tem dois discos lançados:

O primeiro em 1993 “Histórias de Cada Canto”, com a formação composta por Daniel Sanches, Carlos Moreno, Beatriz Gandra, Lourdes Gandra, Paulinho Rodrigues, Eduardo Simplício. Em 2012 o segundo “Palavriá”, com a formação composta por Alê Moreno, Daniel Sanches, Carlos Moreno, Marcelo Barum. O terceiro e atual disco ainda em fase de gravação “3×4”, com a formação composta por Alê Moreno, Carlos Moreno, Daniel Pessoa, Marcelo Barum.

07) RM: Como define o estilo musical da banda?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: Definir nosso estilo sempre foi um pouco difícil sem passar por considerações e a clássica resposta de que é “uma mistura”. Mas é isso mesmo, um pouco de muita coisa que tentamos botar no caldeirão, muitas vezes imaginadas de uma forma e concluídas com um jeitão nosso. Somos um grupo vocal de música essencialmente brasileira que explora gêneros e ritmos de diversas regiões do país, alguns deles o Ijexá, Baião, Xote, Bumba Meu Boi do Maranhão, Maracatu, entre outros. Tudo com instrumentação de cordas e sopro: Violões, Contrabaixo, Flauta transversal, Quena e Percussões diversas: Cajon, Pandeiro, Tamborim, Shake, entre outros.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: raramente penso primeiro no canto, quase sempre meu canto segue os caminhos harmônicos no Violão. Acho esse processo sedutor, em cada solução que me agrada vem também uma inspiração na colocação da voz. Talvez meu canto seja mais o companheiro dessas aventuras do Violão do que o contrário, gosto dos caminhos que encontro, tanto nas minhas canções quanto nas que reinterpreto.

Marcelo Barum: imagino que cada um dos integrantes do grupo traz as suas experiências por tudo que vivenciaram tanto de suas apresentações solo quanto dos artistas que prestigiaram ao longo de sua caminhada musical. Já, o Tarumã, como Quarteto vocal, obedece a uma formação mais clássica com os quatro integrantes numa linha de frente. Uma interpretação que privilegia o vocal em detrimento da expressão corporal.

Daniel Pessoa: nos projetos ligados ao entretenimento me entendo como um crooner, no trabalho autoral como um cantautor.

Carlos Moreno: como sempre trabalhei com grupos que desenvolviam vocais em seus arranjos, me considero importante dentro do que planejamos, ou seja, comprometido com as ideias, com experiência adquirida nestes anos. E por ter tido a oportunidade de analisar e vivenciar diversas formas de criação de arranjos vocais, desde canções andinas/latinas e de grupos vocais diversos.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que vocês admiram?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: realmente são muitos, dos grupos, 14 Bis, Boca Livre, MPB4. Acho que estão no gosto coletivo do Tarumã. Gosto muito do Paulinho Moska, Roberta Sá, Claudio Nucci, Djavan, Zé Renato, Marcos Sacramento, entre tantos.

Marcelo Barum: aqui vamos fazer um apanhado de artistas que o Tarumã curte. E a lista é grande: Beatles, James Taylor, Boca Livre, 14 Bis, Caetano Veloso, Mercedes Sosa, Tarancón, Lô Borges, Beto Guedes, Milton Nascimento, Moska, Chico Cesar, Lenine, são alguns dos artistas que com sua obra contribuem também para as nossas composições, para a nossa musicalidade nos palcos.

Daniel Pessoa: Freedie Mercury, Nelson Gonçalves, Louis Armstrong, Frank Sinatra, Taiguara, Steven Tyler, Chris Cornell, Claudio Nucci, Julio Iglesias, Elis Regina, Selah Sue, Ivete Sangalo, Jane Duboc, Leila Pinheiro e por ai vai…

Carlos Moreno: Caetano Veloso, Milton Nascimento, Djavan, Gilberto Gil, Chico César, Zeca Baleiro, Kleber Albuquerque, Mônica Salmaso, Marisa Monte, Maria Betânia, Irene Atienza, Mercedez Sosa….

10) RM: Como é o processo de composição musical dentro da banda? Quem faz a letra e melodia?

Grupo Tarumã | Daniel Pessoa: as canções autorais do repertório do grupo são compostas de variadas formas. Muitas das músicas têm letras de parceiros e melodias nossas, porém não é regra, todos os integrantes fazem letras e melodias, tanto separadamente enviando também textos para outros parceiros, como compondo músicas inteiras sozinhos.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: acho que o lado positivo é, acima de tudo, produzir nosso trabalho com total autonomia, desde a escolha do repertório, seguindo os critérios que entendemos ser os mais favoráveis às características do grupo. A instabilidade sempre é um ponto que nos preocupa, de repente você está numa onda boa e tem o retorno. Mas na música vivemos altos e baixos e um leque maior de atividades ligadas à profissão se faz necessário para que consigamos nos manter, é comum ter de parar um projeto para se agarrar a outro como prioridade na questão financeira, por exemplo.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que vocês praticam para desenvolverem a carreira musical?

Grupo Tarumã | Carlos Moreno: cremos que o produto principal é a música em si. Estamos investindo nos trabalhos em estúdio, para a produção de nosso mais recente CD. Ele será veiculado e disponibilizado nas plataformas digitais, com ênfase em projeto de lançamento e com investimento ampliado! Além disso e com a responsabilidade compartilhada, nossa produtora (Isabela Montagnana) é a responsável pela produção dos shows.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da carreira musical?

Grupo Tarumã | Marcelo Barum: A internet é um ambiente revolucionário. Você conversa com o mundo. E oferece duas possibilidades: você pode ter o reconhecimento do público, obter sucesso, sem a ajuda dos mecanismos pagos. Essa é uma possibilidade que existe, é real. Também está ao alcance de todos o aprofundamento dos mecanismos, dos métodos do marketing digital para que o seu negócio obtenha sucesso. Sinceramente eu não consigo ver aonde a internet prejudica. Só penso que o que há de se tomar cuidado, e aí talvez venha o lado prejudicial, é em relação à busca por likes, a busca por se tornar um fenômeno da internet, a busca por seguidores, deixando de lado o orgânico.

14) RM: Como vocês analisam o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: recentemente o Milton Nascimento deu uma declaração sobre o momento musical brasileiro não andar bem, que causou uma certa polêmica e tal. Ele certamente se referiu ao mainstrean, principalmente ao que rola na TV aberta, e eu concordo, a gente vê meia dúzia de “mais do mesmo”, com trabalhos voltados apenas ao entretenimento, com raras exceções. Acho também que essa coisa de revelação vem acontecendo de forma gradativa, muitas vezes o artista consegue botar música em novela, migra para alguns programas, rádios e tal. Mas não fica tão em evidência, acaba demorando um pouco mais pra ser considerado uma revelação, exemplo disso o Dani Black, o pessoal do 5 a Seco, o próprio Jorge Vercillo nos anos 90.

Quando o boom é maior, o artista sofre com isso e muitas vezes não dá conta e tem que puxar o freio, caso do Thiago Iorc. O Chico César, Zeca Baleiro, Lenine são grandes exemplos de que vieram com tudo e permanecerão.

Marcelo Barum: acho que o cenário musical brasileiro está acompanhando e ainda sentindo o reflexo dessa migração dos canais de divulgação. As TVs abertas não esgotam as possibilidades de trazer para o público apenas o que traz retorno financeiro, o que traz o ibope. E aí, confesso que comparando com os anos oitenta (como exemplo), perdeu-se qualidade. Fica evidente, se compararmos os programas “Só toca top” com o “Globo de ouro”. Ainda é a programação das tvs abertas que domina a atenção da maioria da população brasileira. Isso ocasiona esse fenômeno da segmentação. É a internet que oferece a democratização da arte, vem travando esse duelo e em algumas oportunidades vencendo a briga. Hoje já vemos as TVs se renderem a vários artistas que despontaram na internet. O cantor Projota é um exemplo.

Daniel Pessoa: cenário complicado, pouquíssima pluralidade e com pouquíssima qualidade no quesito conteúdo dentro do mainstream e fora dele uma imensidão de talentos guerreiros quase sufocados. A lista prazerosa e comprida onde incluo o Tarumã. Num país com uma diversidade musical tão grande como a nossa é um crime sermos bombardeados diariamente por somente um ou dois gêneros. A “música fofa” da “Nova MPB” é um alento. E principalmente quando penso na desintoxicação das crianças que cantam Melim de trás para frente, mas guardo minhas ressalvas. Como revelação cito novamente Emicida, carreira ainda curta, mas muito consistente. Acho que cantautores como Lenine, Chico César, firmaram seu lugar na história e outros da mesma leva aparentemente ficaram no caminho, mas é uma lista que não quero fazer (risos).

Carlos Moreno: acho que para opinar, devemos ampliar o nosso raio de observação. Analisar por grupos. Músicos, interpretes e compositores. Estilo, pesquisa musical e objetivos. Oportunidades, veículos e crítica. E todos necessariamente dependentes de propostas, sejam elas com base cultutal ou simplesmente comerciais, no melhor ou pior sentido da palavra. Este artista precisa de apoio para mostrar seu projeto. Apoio financeiro para usá-lo durante a criação de suas obras e retorno igualmente para apresentá-los.

O que se vê normalmente são contratantes dispostos a lucrar, sem perceber todo trabalho que antecedeu a execução. Refiro-me a casas noturnas que exploram músicos e quando não estão faturando, simplesmente os descartam. Claro que menciono isso me referindo a artistas insipientes, que já tem um trabalho sólido, porém não estão no mainstream, talvez de outro lado, quando há alguma possibilidade de concorrer a algum edital, sua obra se sujeita a uma loteria cultural.

Fico triste quando vejo música sendo usada como acessório! O Brasil não é um país que privilegia a arte. O importante é o que está na moda, a bola da vez, lotando arenas com ingressos absurdos. Esse é o nosso mercado! Apesar deste cenário, muitos foram os cantores/cantoras, compositores e compositoras surgidos nestes 20 anos, que desde sua estreia, mantem-se fiéis as suas obras, na consistência e na criatividade quanto aos temas escolhidos para os novos projetos. Revelações: Maria Gadú, Mariana Aydar, Ceumar, Bruna Caran, Céu, Roberta Sá.

Permanecem atuais e ativos, Caetano Veloso, Chico César, Zeca Baleiro, Alceu Valença, entre outros….

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (Home Studio)?

Grupo Tarumã | Daniel Pessoa: A maior vantagem é a quantidade de experimentações que conseguimos, podemos testar diferentes arranjos, tanto vocais como instrumentais, várias formas, busca de timbres, é libertador.

A desvantagem fica por conta da qualidade do produto final, muitas vezes por limitações técnicas, como por exemplo: qualidade de captação de um microfone; isolamento acústico de uma sala; diferenças entre equipamentos analógicos e softwares digitais; a diferença entre bons Home Studio’s e grandes estúdios são cada vez menores, mas ainda existem. Na relação “custo/beneficio”, as vantagens são maiores.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que vocês têm como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: para citar dois vou de Lenine e Zélia Duncan, transitam legal na grande mídia sem que a imagem caia no desgaste ou que a qualidade fique prejudicada. Engatam um trabalho atrás do outro mantendo o padrão. A Zélia quando fez o “Totatiando”, achei genial, ousado também por ter trazido o Luiz Tatit para um público maior, um artista vivo, com uma obra tão particular e rica.

Marcelo Barum: antes de tudo é importante lembrar e frisar que ninguém trabalha sozinho. O músico que busca centralizar todas as atividades acaba não dando conta e não concretizando nenhum projeto. Chico César e Zeca Baleiro, pra mim são bons exemplos de artistas que mantém um padrão de qualidade artística. Conseguem dialogar com variados segmentos de público e com os variados segmentos artísticos também.

Daniel Pessoa: Emicida, Lenine, Chico César.

Carlos Moreno: Grupo Boca Livre

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: Questões de som são clássicas com o Tarumã, acho que todo grupo vocal sofre um pouco com isso, é comum não ter as especificações, se pede 4 monitores, normalmente oferecem 2 e 1 via só de monitoração, claro que tem muitas exceções. Mas um caso engraçado no interior de São Paulo. Éramos um dos 10 finalistas de um Festival de Música e começaram a divulgar os colocados do 10º ao 1º, por sorte, fomos os últimos anunciados, mas claro, e a emoção e surpresa (riso)? Depois veio a parte ruim, o organizador nos pagou 10% aproximadamente do valor do prêmio de 1º lugar dizendo que não tinha valores em dinheiro, talvez cheques que teríamos que esperar ao final do Festival. Ele, nos deu a opção de recebermos em São Paulo o restante do valor com um dos patrocinadores que ainda não havia contribuído com o combinado. Não existia nenhum patrocínio, levamos o calote, os amigos do outro grupo que ficou em 2º lugar também na mesma situação, resolveram entrar com uma ação judicial, resultado: o caboclo não pagou nem em juízo. Coisas da vida!

Marcelo Barum: aproveito essa oportunidade, para fazer um comentário que considero pertinente. É evidente que a gente precisa mostrar o rosto, precisa mostrar nossa marca, em todos os canais de comunicação. Mas a gente passa por situações inusitadas e que eu não consigo entender a proposta, quando vamos a programas para cantar um minuto de cada música. Muitas vezes são dez minutos de entrevista e quando vamos cantar, o programa vai para os comerciais. Acho isso um mico. Jamais devemos negar qualquer oportunidade que nos é dada, mas considero mico.

Daniel Pessoa: em uma das edições do Festival de Inverno de Paranapiacaba, fui convidado pra fazer um show autoral no formato Voz e Violão em um dos palcos, ele era aberto, em meio a uma praça, como é um festival organizado pela Prefeitura de Santo André – SP, um grupo com 5 ou 6 instrumentos percussivos estavam ocupando alguns espaços fora dos palcos como forma de protesto, era um show de 50 minutos. Por volta dos 30 minutos da minha apresentação esse pessoal apareceu em frente ao palco que eu estava, e começaram a tocar e cantar simultaneamente, como senti a pressão e desvantagem que acabaria acontecendo, assim que acabei a música que estava tocando, chamei-os no microfone, disse que estava me sentindo muito sozinho lá em cima e pedi pra que eles subissem e tocassem comigo, adaptei o repertório e assim fiz (emos) o resto do show.

Carlos Moreno: Ficar hospedado em uma escolinha infantil e ser obrigado a usar as privadinhas das crianças! ô dó…(risos).

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: mais feliz é quando conseguimos um resultado artístico da forma que idealizamos e quando o público também reconhece e devolve essa energia. Mais triste é conhecer tanto artista de qualidade no cenário alternativo trabalhando tanto e não conseguindo atingir o necessário para subsidiar sua caminhada através da arte.

Marcelo Barum: Mais feliz são as viagens. Eu tenho um enorme prazer em viajar. Faço questão de aproveitar os pontos turísticos dos lugares por onde o Tarumã passa, sobretudo as riquezas naturais de cada lugar. Amo a natureza. Se eu pudesse voltar no tempo, teria me graduado também em Biologia. Mais triste na carreira musical é observar que o povo brasileiro em geral é um consumidor muito passivo daquilo que vem de fora. Nossa cultura é riquíssima, diversa e muitas vezes é tratada com deboche por parte do público.

Daniel Pessoa: o mais triste é o funcionamento da máquina, que resulta na falta de reconhecimento em maior escala. O mais feliz é saber que para quem chegou, o dia pode ser melhorado ou minimamente modificado no instante em que recebem o significado da nossa música.

Carlos Moreno: Feliz com o público satisfeito com o espetáculo. Triste: falta de ações e incentivos para que maior parte da população, principalmente a periférica, tenham acesso a trabalhos como o nosso.

19) RM: Vocês acreditam que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: é possível, existem muitas rádios espalhadas pelo Brasil, nunca fizemos uma varredura completa, sem dúvida acharemos, a prova disso é que duas rádios de São Paulo abraçaram nosso trabalho, a USP FM e a Rádio Brasil Atual (toca menos do que gostaríamos, mas toca), outra surpresa foi uma rádio do Sul, que também nos achou!

Marcelo Barum: as nossas músicas tocam nas rádios USP FM e Rádio Brasil Atual (ambas de São Paulo). No país deve ter muitas rádios democráticas como essas. É nessas rádios que a gente tem que focar e a partir daí fazer parte da revolução da redemocratização dos meios de comunicação abertos.

Daniel Pessoa: Acredito que sim, ao menos qualidade para isso eu julgo que elas têm.

Carlos Moreno: Sim, acredito!

20) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: achar o seu diferencial e focar em sempre melhorá-lo, pesquisar muito, estudar e absorver tudo o que puder musicalmente, mas dar voz também à intuição. Respeitar e se atentar ao tempo de cada fase da trajetória, o Bar, por exemplo, é uma boa escola, mas tem que ser trampolim. Se tiver a veia compositora pratique ao máximo, quanto mais se faz, melhor fica, e abrace várias vertentes imprimindo à sua forma de fazer.

Marcelo Barum: música é dom. Isso já é uma especificação importante para distinguir uma pessoa que curte cantar ou tocar algum instrumento, de alguém que efetivamente pretende seguir na carreira musical. Ter o coração aberto a todos os estilos musicais, sem preconceito, permite a produção de trabalhos com um leque maior de possibilidades de arranjos e repertório. Estudar sempre. E por fim, ter planejamento sobre todas os projetos que for encarar.

Daniel Pessoa: não pare nunca, vá o mais rápido possível, se não der vá no seu tempo, mas não pare. E nesse período e sempre ouça artistas novos, conheça os que já fizeram sua contribuição para história e principalmente objetive.

Carlos Moreno: Comece, em qualquer idade!

21) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: acho que nada acontece sem trabalho, sem o esforço, a observação, mas, partindo do ponto da existência da reencarnação, muita coisa poderia ser explicada, já vimos vários casos de instrumentistas tocarem de forma extraordinária ainda criança. Então, acho que existem pessoas que trazem uma habilidade diferenciada e trabalhada, de outra vida, mas não saberia explicar como isso se dá no que diz respeito aos critérios do plano espiritual, talvez o dom seja essa situação. Por outro lado, acredito também na vocação que as pessoas tem, não só para a música, mas para outras habilidades, vocação e dom são coisas que podem ser relacionadas ou confundidas, mas ambos têm que ser desenvolvidos com trabalho.

Marcelo Barum: como já mencionei anteriormente, na minha opinião existe sim dom musical. E esse para mim é um grande mistério. O que faz com que uma pessoa tenha um ouvido absoluto enquanto outra tem dificuldade enorme pra encontrar a tonalidade de uma canção, eu não sei explicar. Acho que aí já se encontra um processo de seleção natural dentro da manifestação artística musical.

Daniel Pessoa: sim, que facilita muito, mas não faz nada sozinho. Como sou voltado ao espiritismo, entendo o dom como uma herança de um outro momento, que auxilia seus objetivos dessa vida.

Carlos Moreno: troco dom por entendimento musical! Se a pessoa entende, simplesmente ao escutar uma obra, seja ela erudita ou popular, poderá ampliar o conhecimento e produzir.

22) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: acho Festival de Música uma alternativa muito enriquecedora pro artista, normalmente tem um público grande, um palco. Na maioria das vezes profissional, com estrutura de som e luz que todo artista merece. O artista divulga seu trabalho, troca parcerias, enriquece seu portfólio com gravações em áudio, vídeos e registro fotográfico. E normalmente, quando vencem, além da vantagem financeira, retornam ao Festival no ano seguinte para apresentar um show completo; nem todos oferecem isso, mas uma boa parte sim. Por outro lado, o formato de muitos festivais ainda comete bárbaras injustiças em relação a ajudas de custo, premiação; botam 10 finalistas e premiam financeiramente só 8, os 2 restantes além de ficarem sem nada de grana, se sentem os piores excluídos. Por esses motivos sou a favor do Festival com o formato de mostra; nesse formato, quando uma banda é selecionada, há a possibilidade de contratação com mais de uma canção. Isso permite que o valor do cachê seja distribuído entre os integrantes de forma mais igualitária em relação aos outros artistas solos. Acho que o Festival também deve servir de trampolim, profissão festivaleira eu não aconselho. O artista fica estigmatizado; apesar de ser o ganho pão de muita gente por aí. O problema é que para isso ele tem que partir do princípio que sempre deverá ganhar um prêmio, talvez isso já não seja muito saudável, me parece uma coisa um tanto pretenciosa.

Marcelo Barum: eu não consigo encontrar o “contra” em qualquer iniciativa de promoção da arte. Evidentemente que todo Festival é seletivo. Mesmo nos Festivais de mostra existem uma curadoria que vai selecionar, segundo os seus critérios, os participantes do evento. Dos Festivais competitivos que eu participo, observo os jurados um pouco relutantes à modernização. Ainda os sinto um pouco presos às fórmulas de canções tradicionais. Essa problemática eu já não encontrei no festival de mostra, como por exemplo o Fejacan – Jacarezinho-PR, promovido pelo SESC.

Carlos Moreno: prós: ampliar seu público, promover shows solos nas cidades onde já concorreu, fazer mais amigos e parceiros musicais. Contras: viciar, no bom sentido, ou seja, deixar talvez de investir o tempo em projetos pessoais; musicais ou não.

23) RM: Festivais de Música revelam novos talentos?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: Infelizmente os Festivais que eram transmitidos pela TV não existem mais e nem caberiam mais no formato tradicional. E mesmo nos últimos que foram realizados há algum tempo, não resultou numa grande visibilidade aos participantes, muito menos através dos não transmitidos. Existem exceções, algumas cidades fazem a cobertura televisiva local e isso contribui para que o artista se torne mais visível por um certo público, acho ótimo. Mas revelar a nível nacional acho mais difícil, mas contribui bastante para um trabalho de divulgação como um todo.

Marcelo Barum: com toda a certeza. Apenas citando a nova geração, o que dizer do Dani Black, o grupo 5 à Seco, Paulo Monarco, Dandara Modesto, Raul Misturada, Thiago K, Bruna Moraes, Isabella Moraes. Esses dos Festivais dos quais eu participo; os competitivos do interior de São Paulo e Minas Gerais. Agora, pega os Festivais que acontecem no país, de bandas, de artistas alternativos. Olha Pernambuco, que celeiro de talentos.

Carlos Moreno: não há dúvidas que os Festivais de Música revelam. Temos vários exemplos, desde os anos 60 até os festivais de hoje!

24) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: quase não existe uma cobertura da grande mídia, o espaço dado para uma agenda cultural, por exemplo, já é bem pequeno. E normalmente a música está inserida nessa agenda, não tem uma abordagem exclusiva. Isso vem de encontro ao que dissemos sobre a TV aberta, as notícias correm em demasia sobre os mesmos artistas de sempre. E a temática abordada raramente se refere ao aspecto cultural/artístico e sim nas questões pessoais, muitas vezes sem relevância.

25) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Grupo Tarumã | Daniel Pessoa: vital para a sobrevivência do cenário “independente” e dos artistas que estão à margem do mainstream, tanto pelos cachês, que na maioria das vezes dignificam o trabalho com valores justos. E pela qualidade técnica oferecida pelos profissionais, também pela forma de divulgação e exposição que esses espaços oferecem ao artista, o portfólio do grupo é enriquecido com os registros dessas apresentações.

26) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Grupo Tarumã | Alê Moreno: São Paulo para os músicos que tem um repertório muito vasto e focado principalmente numa linha mais de entretenimento; sobretudo o que está em evidência na TV aberta, aliado a algumas vertentes que me parecem unanimidade pela rapaziada entre 25 a 40 que é o pop rock e rock clássico. Acho que dá pé, apesar de a concorrência estar muito acirrada. Já para um trabalho autoral ou uma linha de repertório mais alternativa, uma MPB mais clássica, principalmente se for ”do lado B”, com raríssimas exceções acho que está quase impossível de ser aceito, infelizmente.

Marcelo Barum: putz, aí mora a minha maior decepção. Moro (São Paulo) na maior metrópole do país e não vejo absolutamente nenhuma iniciativa de bares que promovam a diversidade cultural do país. Bares que ofereçam a possibilidade de artistas mostrarem as suas composições. Cada vez que eu sento na mesa de um Bar e vejo o músico tocando ou cantando igualzinho a banda Pearl Jam, empostando a voz como Eddie Vedder. E nos Bares de MPB, onde o melhor músico é aquele que consegue reproduzir igualzinho os arranjos do Djavan, me dá preguiça. Eu e a Isabella Montagnana, minha namorada e também minha produtora, produzimos o Sarau Trasformadoria, que é justamente para fugir do mais do mesmo que impera nos Bares da nossa região.

Daniel Pessoa: Bar como subsistência acho possível, como todos os outros trabalhos tem muitos contras, com essa “evasão” cultural que passamos, sem dúvida não é psicologicamente salutar, mas ainda é sustento. Artisticamente falando, não.

Carlos Moreno: Bar para músicos e intérpretes, talvez! Para trabalhos autorais, não!

27) RM: Quais os seus projetos futuros?

Grupo Tarumã | Carlos Moreno: O Tarumã pretende, tão logo possamos nos relacionar presencialmente e sem medo por conta da pandemia do Covid-19, terminar as gravações do CD – “3 x 4” e apresenta-lo nas mídias e com os shows ao vivo!

28) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Grupo Tarumã: (11) 95439 – 7278|

| [email protected] | https://web.facebook.com/tarumaoficial

| www.instragram.com/tarumaoficial

Canal Tarumã: https://www.youtube.com/c/TarumãOficial

Playlist de clipes Tarumã: https://www.youtube.com/watch?v=a4062WK5yrs&list=PLbmL7e5_QKypusgC4wTrG7t1WVgYIVQl4

Playlist do Tarumã em Festivais de Música: https://www.youtube.com/watch?v=f-6Le-pOYD0&list=PLbmL7e5_QKyqxpQE70RmrGq2vuDMQ7B5e

Playlist Tarumã em programa de TV: https://www.youtube.com/watch?v=kePcvVHU0qo&list=PLbmL7e5_QKyosUbXC0WeZWlzi_An4Ewwe

Sr. Brasil | Grupo Tarumã e Giana Viscardi: https://www.youtube.com/watch?v=JIAw3zYSdFs

https://soundcloud.com/tarumaoficial


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.