Grupo Maria Sem Vergonha


O trio Maria sem Vergonha surgiu a partir da experiência e vontade de três musicistas em trabalhar com o forró, gênero musical característico da região Nordeste do Brasil.

Em seu repertório cantam sucessos de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Antônio Barros e Cecéu, Marinês, Dominguinhos, Anastácia, entre outros nomes que são importantes nesse cenário musical. Além disso, trazem nomes da cena atual e trabalhos autorais, em um processo de ressignificação e releitura do forró.

Na sua formação tem o acordeom e voz de Carol Benigno, a flauta transversal, triângulo e voz de Nívea Maria, e a zabumba e pandeiro de Katiusca Lamara. Formado em maio de 2018, o trio já realizou apresentações em Natal – RN, em João Pessoa – PB no Recanto da Cevada, na Budega art café, São João da ladeira do ateliê multicultural de Elionay e no III Festival de Inverno do Castelo Branco (FICAB).

Em 2019, o trio fez participações no forró dos Fulanos, na vila do porto, participou do Festival Grito, no palco Hera Barbara, e realizou apresentação na cidade de Pipa (RN), no mirante Sunset bar. Em junho, realizou apresentações em comemoração ao São João em Mossoró e Parnamirim, no Rio Grande do Norte. Em João Pessoa, participou do Arraial do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), Arraial do Seu Pereira, Arraial da Usina Cultural Energisa, do Arraial Val Donato Sem Vergonha com a cantora Val Donato na Vila do Porto, e do Projeto forró na Feira da FUNJOPE, na feirinha de Tambaú. No mês de julho participou da Festa do Sabugo, na cidade de Parnamirim (RN), esse show teve a participação do músico Silvério Pessoa (PE). Também se apresentou no Festival Jackson do Pandeiro, realizado pela FUNESC (PB).

Em agosto o grupo se apresentou no II Cine Açude Grande, na cidade de Cajazeiras (PB). Em outubro, realizou apresentação no Projeto Som nas Pedras, no Lajedo da Barriguda, na cidade do Congo (PB). Em dezembro se apresentou na programação do Natal da Usina Cultural Energisa. E na Villa do Porto, se apresentou no projeto Forrorimbó com a banda Caburé.

Em janeiro de 2020, o grupo se apresentou no programa Palco Tabajara, transmitido e gravado pela rádio de mesmo nome. Lá, o Maria Sem Vergonha apresentou suas primeiras canções autorais que serão lançadas em breve. No mês de março o grupo se apresentou no Baile da Marias, em Recife (PE). E seguiu para Olinda (PE) para tocar com o músico Cláudio Rabeca.

Segue abaixo entrevista exclusiva com o grupo Maria Sem Vergonha para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistadas por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 09.06.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a data de nascimento e a cidade natal dos membros do grupo Maria Sem Vergonha?

Grupo Maria Sem Vergonha: Carol Benigno (Acordeom e Voz) nasceu no dia 17.11.1999 em Natal – RN. Katiusca Lamarca (Zabumba e Pandeiro) nasceu no dia 24.12.1985 em Cajazeiras – PB. Nívea Maria (Flauta Transversal, Triângulo e Voz) nasceu no dia 09.06.1988 em João Pessoa – PB.

02) RM: Fale do primeiro contato com a música dos membros do grupo Maria Sem Vergonha. 

Grupo Maria Sem Vergonha: Carol Benigno: Meus primeiros contatos foram através da minha família, que além de me levar pra vários forrós durante minha infância, também organizava “arraiá”. Com uns 8 anos de idade comecei a tocar flauta doce e, em seguida, com 10 anos, ganhei minha primeira sanfona. A partir de então, comecei a fazer aulas e não parei mais de tocar.

Katiusca Lamarca: Meus primeiros contatos com a música foram no seio familiar através principalmente do meu pai que é muito fã de Luiz Gonzaga e do Trio Nordestino, cresci ouvindo os programas de rádio com ele. O contato com instrumentos musicais veio aos onze anos de idade quando entrei em um grupo de capoeira, permaneci muitos anos fazendo capoeira e fui conhecendo cada vez mais os instrumentos de percussão em especial o pandeiro.

Nívea Maria: Comecei a estudar flauta transversal na Escola de Música Anthenor Navarro, em 2015.

03) RM: Qual a formação musical dos membros do grupo Maria Sem Vergonha?

Grupo Maria Sem Vergonha: Carol Benigno: Grande parte da minha formação é informal, aprendi muito conversando e tocando junto de outros músicos, experimentando de forma intuitiva. Ainda assim, também fiz um curso de musicalização, tive aulas de flauta e depois de sanfona. Atualmente curso a Licenciatura em Música com Habilitação em Acordeom da UFPB.

Katiusca Lamarca: Inicialmente minha iniciação musical foi informal através da capoeira. Ao prestar vestibular para o curso de Economia fui morar na cidade de João Pessoa e tive acesso ao professor de percussão da UFPB (Francisco Xavier) através de um grupo chamado Círculo dos Tambores, esse me orientou a procurar o curso de extensão da UFPB. Matriculei-me no curso e tive aulas com o professor Wagner Santana, depois entrei para a escola de música do estado EMAN, tive como professora Wênia Xavier, e decidi me preparar para o bacharelado em música. Formei-me, e em seguida consegui entrar para o mestrado em Etnomusicologia, estudei a performance musical do músico Marcos Suzano com o pandeiro. Ao terminar o mestrado fiz uma especialização em Educação Popular, e decidi fazer a licenciatura em música. Acabo de concluir a licenciatura, e nesse meio tempo fui aprovada para o Doutorado pela UFPB, no qual estou no segundo ano e estudo a prática musical do coco de roda na festa da comunidade do Ipiranga.

Nívea Maria: Formada em licenciatura em flauta transversal pela UFPB, com Pós-graduação em Educação Musical.

04) RM: Quais as influências musicais no passado e no presente dos membros do grupo Maria Sem Vergonha. Quais deixaram de ter importância?

Carol Benigno: Acredito que toda influência musical deixa sua marca, mesmo quando já não faz parte da escuta diária do músico. Desde pequena, ouvi muito forró, de Luiz Gonzaga a Marinês, de Trio Nordestino a Clã Brasil. Mas também muitos outros gêneros, como choro, frevo, bossa nova, MPB, rock, samba…

Katiusca Lamarca: Além dos nomes citados por Carol Benigno acrescento Jackson do Pandeiro, Antônio Barros e Ceceu, Anastácia, Dominguinhos, Pinto do Acordeon, Elba Ramalho, Biliu de Campina, Flávio José, Três do Nordeste, Alceu Valença. Atualmente escutamos grupos locais da

cidade de João Pessoa como: Os fulanos, Meire Lima, Sandra Belê. E do Brasil escutamos Mestrinho, Mariana Aydar, Trio Potiguá, Trio Macaíba, Dona Zefa e por aí vai, (risos).

05) RM: Quando, como e onde foi formado do grupo Maria Sem Vergonha?

Grupo Maria Sem Vergonha: Carol Benigno: O Grupo Maria Sem Vergonha foi formado em maio de 2018. As três são membros da Orquestra Sanfônica Balaio Nordeste, o que foi nosso elo. Nesse ambiente de amizade e construção musical surgiu a ideia de nos juntarmos para formar um trio. Nosso primeiro São João em 2018 já foi bastante intenso e proveitoso, e isso nos instigou a continuar trabalhando juntas.

Katiusca Lamarca: O nosso primeiro show foi na cidade de Natal – RN, foi um show sem ensaio, mas através da experiência de cada uma no universo do forró deu tudo muito certo, entendemos que o grupo teria muito potencial, e decidimos investir no projeto. A resposta dos amigos, dos colegas de profissão foi muito boa, e daquele dia em diante temos melhorado o repertório, nossa performance. A recepção do projeto foi tão boa que num espaço tão curto de tempo conseguimos shows por várias cidades da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Levamos o projeto com muito profissionalismo e carinho, acho que isso foi e é determinante para essa aceitação positiva que recebemos a cada show, a cada lugar novo em que nos apresentamos.

06) RM: Quantos CDs lançado? 

Grupo Maria Sem Vergonha: Estamos para lançar nosso primeiro EP em 2020. Temos várias músicas autorais, algumas inéditas, para lançar pro nosso público. A gente espera que quando a pandemia passar possamos entregar esse presentinho aos amigos que nos acompanham e a nós mesmas, é certamente um marco na nossa história.

07) RM: Como é o processo de compor música no grupo Maria Sem Vergonha?

Grupo Maria Sem Vergonha: Carol Benigno: Nós temos alguns compositores bem próximos a nós que são parceiros, então, é comum que a gente intérprete músicas desses nossos amigos, como Titá Moura e Rudá Barreto. Aos poucos, as três também têm se aventurado no mundo da composição e a tendência é que cada vez mais seja incorporado no repertório músicas das três.

08) RM: Quais são seus principais parceiros musicais em composição?

Grupo Maria Sem Vergonha: Carol Benigno: Como foi dito na resposta anterior, Titá Moura e Rudá Barreto são aqueles que chegam mais junto, mas há ainda vários outros na cena autoral de João Pessoa que tem nos entregado músicas para que possamos interpretar.

09) RM: Quem gravou as músicas do grupo Maria Sem Vergonha?

Grupo Maria Sem Vergonha: Carol Benigno: Por enquanto, são músicas que só foram interpretadas por nós. Mas a ideia é disseminar isso, como a própria flor Maria-sem-vergonha se espalha, a gente quer que o forró e nossas músicas sejam abraçados pelo máximo de pessoas possível.

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Grupo Maria Sem Vergonha: Carol Benigno: Acredito que a maior vantagem é a liberdade de fazer seu trabalho acontecer conforme seus próprios critérios, gera um ar de autenticidade. Por outro lado, é um caminho árduo, porque sem financiamentos tudo ocorre de forma mais lenta.

11) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que vocês fazem efetivamente para se diferenciarem dentro do seu nicho musical?

Grupo Maria Sem Vergonha: Carol Benigno: como um grupo jovem, tentamos reproduzir no nosso som aquilo que há de original nas nossas experiências: sermos forrozeiras jovens em João Pessoa com experiências musicais bastante amplas e o desejo de ressignificar e recriar o forró na contemporaneidade.

Katiusca Lamarca: O universo do forró ainda é um lugar muito habitado pelo os homens, e um grupo de forró só de mulheres causa um impacto positivo nessa cena. A gente sempre incentiva as mulheres a ocuparem esses espaços. Buscamos contemplar no nosso repertório as mulheres que também vestiram e vestem a camisa do forró. Além disso, acredito que a qualidade musical e musicalidade das integrantes, a escolha do repertório são determinantes para nos diferenciar dentro do nosso nicho musical.

12) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia de gravação (home estúdio)?

Grupo Maria Sem Vergonha: Katiusca Lamarca: As vantagens acredito ser a facilidade de gravar materiais com maior velocidade e com menor custo. Isso facilita a divulgação do trabalho nas redes sociais, ajuda em uma produção de conteúdo constante. Além disso, no momento de gravação de um álbum os artistas já têm uma maior familiaridade com os equipamentos e com o processo de gravação. Com relação às desvantagens eu não consigo enxergar nenhuma neste momento, acredito que num estúdio profissional a qualidade dos equipamentos e da técnica em si são o diferencial, porém com muita criatividade e bons equipamentos é possível fazer ótimas produções em casa com um custo menor em relação a um estúdio profissional.

13) RM: Como vocês analisam o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Grupo Maria Sem Vergonha: Katiusca Lamarca: Eu acredito que a cena do forró está em um momento bem interessante, vejo isso através do número de festivais que acontecem pelo país, entre eles destaco o forró de Itaúnas, temos entrado em contato com muitas pessoas que produzem festivais no exterior. Além disso, vejo um crescimento no número de DJs especializados em Forró. O crescimento de espaços e casas que investem no forró como carro chefe musical. O

Mestrinho, Mariana Aydar, Dona Zefa são exemplos dessa nova geração que estão com carreiras consolidadas e mostram um trabalho consistente, profissional e ainda contribuem bastante para a valorização e crescimento da cena do Forró. Com relação ao termo regredir acho que na música ele não se encaixa bem, pois ninguém regride um conhecimento musical, ele apenas pode ter deixado de produzir seus trabalhos, mudar de estética ou gênero musical, é uma questão de escolha e isso pode ocorrer por diversas razões, e pode ser que essa sua escolha não seja tão popular em determinado momento.

14) RM: Como vocês analisam o cenário do Forró de Banda. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Grupo Maria Sem Vergonha: Katiusca Lamarca: Bom eu não tenho muitas referências de grupos de Forró de banda, as que conhecia como Magníficos, Limão com Mel dentre outras eu não acompanho mais, ai não tenho informações consistentes para responder essa pergunta. Ultimamente tenho me dedicado a acompanhar os grupos com o formato mais voltado para uma formação e instrumentação mais “tradicional” do Forró.

15) RM: Como vocês analisam o cenário do “Forró Universitário”. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Grupo Maria Sem Vergonha: Katiusca Lamarca: Existe muita controvérsia sobre esse nome e tudo que envolva a classificação do que é forró, não entrarei nessa questão, porém acredito que “Forró Universitário” representa mais um período e seu local, do que um estilo ou estética. Desse período conheci os grupos Falamansa e Rastapé, acredito que os dois ainda estão em atividades, porém em menor evidência na grande mídia.

16) RM: Como vocês analisam o cenário do “Forró Estilizados”. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Grupo Maria Sem Vergonha: Katiusca Lamarca: Bom, eu não acompanho muito esse cenário, pois é algo que esteticamente não me atrai, as letras também não me atraem. Mas vejo que é um cenário que envolve grandes produções, e tem uma aceitação popular muito grande, são bem representados através de grandes produtoras, responsáveis em articular uma imensa cadeia de produção, distribuição e circulação de artistas como o Wesley Safadão, Xand, o filho do Amazan, o Luan Estilizado, dentre muitos outros.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Grupo Maria Sem Vergonha: Katiusca Lamarca: O grupo ainda é novo, mas o que acontece com certa frequência e a péssima qualidade técnica do som, teve uma vez que a gente encerrou um show com 15 minutos de duração porque a gente estava levando choque. O que acontece também é o assédio masculino, os caras nos veem ali no palco e se acham no direito de invadir nosso espaço nos constrangendo com olhares, gestos e frases obscenas. Algo triste, mas sempre nos impomos e afastamos como podemos esse tipo de gente.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Grupo Maria Sem Vergonha: Katiusca Lamarca: Está ali no palco tocando para mim não tem preço é uma das melhores sensações, toda vida que estou nele eu tenho a certeza que nasci para tocar que em nenhum outro lugar sinto a satisfação de quando estou ali. O que me deixa triste é a falta de reconhecimento da importância que a música exerce na vida das pessoas, não importa o estilo ou gênero, acredito que toda música tem seu respeito e sua razão de existir. Porém, a desvalorização da arte e consequentemente do artista me deixa realmente muito triste.

19) RM: Quais os fatores que faltam para uma cidade universitária e de forte comércio como Campina Grande, ter um mercado melhor para a profissão de músico?

Grupo Maria Sem Vergonha: Katiusca Lamarca: Acredito que a falta de valorização do artista local é um dos fatores que contribuem muito para esse enfraquecimento do músico profissional. E muitas vezes o músico trabalha sua arte enquanto Hobby, pois ele não consegue se sustentar dela. Apesar de ter o título do o maior São João do mundo, o evento há muitos anos vem privilegiando os artistas de renome nacional, e isso é uma realidade em todos os eventos no Estado, com isso o músico local se sente desvalorizado, e desestimulado.

A maior parte dos músicos que conheço trabalham em outras profissões para poder ter uma fonte de renda mais segura. Nós do Maria sem Vergonha somos da cidade de João Pessoa – PB, cidade próxima a Campina Grande, temos o privilégio de vivermos só de música, somos instrumentistas, professoras e produtoras, e isso reflete diretamente na qualidade do nosso trabalho e na dedicação que podemos aplicar ao grupo, dessa forma conseguimos receber o valor justo por nosso trabalho. Mas o que vemos com frequência são músicos e grupos se submetendo a cachês mínimos e muitas vezes sem nenhum cachê (só pela divulgação, como dizem) e acabam não enxergando que esse tipo de atitude enfraquece ainda mais um mercado que já é tão desvalorizado.

20) RM: Campina Grande que realiza o Maior São João do Mundo já deu oportunidade para você apresentar seu trabalho musical?

Grupo Maria Sem Vergonha: Katiusca Lamarca:  Como falei na pergunta anterior esse evento tem sido alvo de muitas críticas pelos artistas locais por não considerarem essa classe nas suas programações. O que é lamentável, e é uma briga constante através de fóruns, associações e mais entidades que representam os artistas. O palco infelizmente pertence as atrações nacionais, e os artistas locais tem que se virar para conseguir espaços alternativos para se apresentarem nesse período.

21) RM: Vocês acreditam que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Grupo Maria Sem Vergonha: Katiusca Lamarca: Em João Pessoa – PB nós temos um bom relacionamento com a rádio Tabajara (FM 105.5), é a rádio do estado e eles tem uma política de valorização dos trabalhos autorais dos artistas locais, o que é muito bom para a divulgação da nossa música. Eles produzem um evento chamado Palco Tabajara e lembra os antigos programas da rádio, é gravado ao vivo e conta com a presença do público, e é transmitido para todo o estado. Nós tivemos a oportunidade de participar esse ano em janeiro.

No nosso Instagram e canal do Youtube tem o material dessa apresentação, depois quem tiver curiosidade dá uma assistida pra ver como funciona. Então, voltando a pergunta, sim, sem jabá há possibilidade de veicular nossas músicas na rádio, pelo menos por aqui na nossa região.

22) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Grupo Maria Sem Vergonha: Katiusca Lamarca: Eu digo que é um caminho difícil, mas qualquer profissão é assim, se você tem a certeza que quer viver de música, você deve se dedicar a estudar seu instrumento, dominar a linguagem musical, escutar muita música, o músico tem que ouvir bastante, deve procurar conhecer um pouco sobre produção, tecnologia e gerenciamento de carreira. Para ter uma carreira consolidada não adianta só ser um bom instrumentista, hoje o mercado exige muitas funções e você deve estar conectado com as tendências e demandas exigidas por ele. Outra coisa importante no mundo das artes é a criatividade e a construção de uma personalidade, pois são essas características que a audiência procura encontrar na arte que ela consome.

23) RM: Quais os prós e contras de Festival de Música?

Grupo Maria Sem Vergonha: Katiusca Lamarca: Eu acho muito boa a ideia de festival, ele oportuniza o encontro de pessoas, de trabalhos musicais, estimula a criatividade dos grupos que levam composições inéditas. É uma espécie de mostra musical, troca de experiências e oportunidade de divulgar seu trabalho. Para mim a desvantagem maior é que para participar desses eventos os custos são pagos pelo grupo o que exige um planejamento antecipado, e muitas vezes impossibilita o grupo de estar sempre presente nos festivais, pois os custos com deslocamento e hospedagem são altos.

24) RM: Festival de música revela novos talentos?

Grupo Maria Sem Vergonha: Katiusca Lamarca: Sim, isso é uma das grandes magias do festival é ver sua música cantada por pessoas diferentes do seu contexto local. Itaúnas é um exemplo disso, muitos músicos e grupos foram revelados lá e hoje são referências nacionais.

25) RM: Como você analisam a cobertura do cenário musical feito pela grande mídia?

Katiusca: A grande mídia cobre as grandes produções, isso é fato (riso). Para ela o que conta é número de pessoas que determinado artista consegue mobilizar em seus shows, e as grandes produtoras investem pesado para que seus artistas estejam em evidência. A grande diferença hoje em dia é que as redes sociais representam um espaço acessível para o artista alternativo e ele tem a oportunidade de veicular sua música, sua arte sem precisar da cobertura da grande mídia.

26) RM: Quais os projetos futuros?

Grupo Maria Sem Vergonha: Katiusca Lamarca: Esse ano nossos projetos foram reformulados por conta desse momento que vivemos de pandemia, isolamento social. Esse cenário trouxe muitos impactos para nós profissionais da cultura, shows foram cancelados por tempo indeterminado. Nossa intenção era participar de alguns festivais de Forró pela Europa, e realizar alguns shows pela região sudeste do Brasil. Acredito que esses planos serão retomados em 2021. Esse

ano resolvemos concentrar as nossas energias na gravação do nosso primeiro EP, e

realizar a divulgação online das nossas músicas.

27) RM: Quais os seus contatos para show e para seus fãs?

Grupo Maria Sem Vergonha:

[email protected]

| https://www.facebook.com/carol.benigno.9 

| https://www.facebook.com/katiusca.lamara

| https://www.facebook.com/nivea.maria.98

| https://www.youtube.com/channel/UCX1Fo17oCd87pBzm5N_YM8A


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.