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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Gil Sant’Anna

Gil SantAnna
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O cantor, compositor, guitarrista carioca Gil Sant’Anna, iniciou sua carreira musical no ano de 2001 montando o seu primeiro projeto autoral como fundador, compositor, vocalista e guitarrista da banda Negroots, nascida no bairro da Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo. 

No ano de 2005, lança seu primeiro disco “Negroots – Troque pelo bom”, pela gravadora Kaskata’s Records, selo K-Rootz, onde divulga na antiga rádio RCP e 105 Fm, pelos programas Circuito Reggae e Encontro das Tribos. Após rompimento de contrato com a gravadora ainda no mesmo ano de lançamento do primeiro disco, em 2011 a banda lança seu segundo álbum “Negroots – Paz & Amor” de forma independente. As músicas “Paz e amor”, “Nós contra vocês” e “Olhos de criança” foram as de maior destaque no disco, participando do Encontro das Tribos na 105 Fm e também na Rádio Rock (89 FM).

Em 2013 Gil Sant’Anna encerra com a banda e dá início ao seu projeto de carreira solo. Em 2014 entra em estúdio e grava o disco “Livre” com produção de Thiago Samambaia (baixista da banda Planta & Raiz), resgatando os dois principais sucessos do primeiro disco da banda, os singles “Lute pala paz” e “Reggae de violão”, além de outras 10 faixas inéditas. O cantor de reggae João Terra divide o vocal em “Um só corpo” de sua própria autoria. Em outubro de 2015 o disco “Livre” é lançado de forma independente com mil cópias físicas e também através das suas redes de streaming (Spotify, Deezer, Youtube, entre outros) pela MCK Produções.

Em 2018 Gil Sant’Anna monta o Santanna Home Studio e faz seus primeiros experimentos musicais como engenheiro de som e produtor musical. O resultado de seus estudos inspira 10 novas composições e em abril de 2019 é lançado seu primeiro disco produzido em seu Home Studio, intitulado “Cause Amor”, com participação da cantora Neide Sales na música “Toda Vez”. O mesmo também vai às suas plataformas digitais. O disco é caracterizado por ser o seu primeiro disco em voz e violão, em formato intimista. Ainda em 2019, “Fotografia” é lançada como um single aleatório em outubro, também com produção musical de Gil Sant’Anna.

Por conta de uma pandemia do Covid-19 generalizada no Brasil e no mundo, Gil Sant’Anna lança o seu primeiro disco ao vivo em março de 2020, gravado em sua casa e transmitido através de uma live para os seus seguidores do Instagram. O álbum de nome “Quarentena ao vivo (De Casa)” traz versões em voz e violão de canções do disco “Livre” e “Cause amor” além da faixa inédita “Meu Deus pra você” produzida 100% pelo cantor em seu home studio. Em seguida, no mês de maio, inspirado pelas questões sociais do momento, Gil Sant’Anna lança mais um single aleatório de nome “Se curar” com participações do músico e Filipe Pereira, Cristiano Boti e Papinha gravando os instrumentos de forma remota para incentivo da hashtag “fique em casa” promovida pelas orientações da Organização Mundial da Saúde. Com auxílio do Coprodutor e tecladista Filipe Pereira, Gil finaliza para 2020 o seu próximo trabalho intitulado “Nova cara”, com lançamento previsto para julho. O álbum tem a participação dos músicos Cristiano Boti (bateria), Danilo Maciel e Juca (baixo), Lucas Augusto (saxofone), Ricardo Junior (Banda Callmaria) e Léo Ferreira (Banda Semente Reggada) na guitarra solo. O novo disco traz releituras das músicas “Livre”, “Cause amor”, “Positive o coração”, “Centro de tudo” e “Sorrir de tudo”, além de faixas inéditas como “Ilusão”, “Tô na paz” e “Siga seu coração”, entre outras.

Em 2019 Gil também produziu os artistas Lucas Augusto e Neide Sales em seus trabalhos solos autorais, participou de 2016 a 2019 do projeto “Nato Marolado & Amigos da Música” com shows em homenagem a banda Natiruts e também realizou desde o início de sua carreira shows para fora do Estado de São Paulo, atuando em Minas Gerais, Florianópolis, Rio de Janeiro e Bahia, principalmente pelas turnês “Livre” e “Cause Amor”.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Gil Sant’Anna para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 17.04.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal? 

Gil Sant’Anna: Nasci no dia 14.08.1979 no Rio de Janeiro – RJ.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Gil Sant’Anna: Desde muito pequeno a música sempre fez parte da minha vida. Na época de infância meus pais já cantarolavam canções de ninar, canções infantis etc. Mesmo mais crescido em casa, era de costume ver meu pai Luiz de Mello Sant’Anna ouvindo discos de vinil de seus artistas favoritos da MPB, principalmente Bossa Nova. Muitas vezes ele colocava os discos para ouvir e acompanhava com sua gaita durante horas do dia.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Gil Sant’Anna: Minha formação acadêmica em relação à música foram dois anos de estudo de Violão Popular na antiga ULM – Tom Jobim (ULM – Universidade Livre de Música), hoje CEM (Centro de Estudos Musicais). Fora da área musical eu curso Marketing, mas ainda não me formei.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Gil Sant’Anna: No passado eu gostava muito do grupo Genesis (uma banda de rock liderada por Phil Collins) e depois que eles terminaram, eu acompanhei a carreira solo de Phil. Já na pré-adolescência eu conheci Hip Hop e aos poucos fui deixando o rock do Genesis de lado para acompanhar 2Pac, Racionais MC’s, Gabriel – O Pensador, Coolio, Bone Thugs entre outros do cenário brasileiro e americano. Junto ao Hip Hop eu tive um momento em que fui apresentado ao trabalho de Bob Marley por um amigo de infância. Nessa época (1995), já adolescente (15 ou 16 anos), Bob se tornou mais importante e aos poucos eu fui deixando de lado o Hip Hop e aprofundando mais sobre os ritmos caribenhos.

Porém, junto a todo esse processo, a MPB e a Bossa Nova nunca deixaram de serem ouvidas e acompanharam todo esse trajeto, pois era influência forte dentro de casa por conta de meu pai. Então aprendi a gostar, em paralelo a tudo isso, de Gilberto Gil, Djavan, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Nara Leão, entre outros. A velha guarda da MPB e da Bossa Nova sempre esteve em forte presença a vida toda.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Gil Sant’Anna: Eu já morava na zona norte em São Paulo (1996) e por volta dos 17 anos de idade, mais especificamente no bairro da Freguesia do Ó, eu comecei meus estudos musicais com meu primeiro violão. Com mais dois amigos comecei como fundador da banda Negroots, após ter uma primeira experiência de colegial com alguns amigos de escola, onde eu tomei gosto pela música. Comprei o meu primeiro violão e comecei a aprender em modo autodidata com revistas de banca e treino em casa. Aos 18 anos eu já era vocalista e guitarra base na primeira formação do Negroots e já fazia alguns shows pelas escolas do bairro.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Gil Sant’Anna: Em 2005 lancei o meu primeiro disco com a banda Negroots pela Kaskata’s Records, intitulado “Troque Pelo Bom”. Em 2009 de forma independente, após desavenças com a gravadora lancei o segundo disco chamado “Paz & Amor” em 2011.

Em 2013 encerrei as atividades com a banda para dar início a minha atual carreira solo como Gil Sant’Anna. Em 2014 entrei em estúdio com uma banda de apoio para dar início ao meu primeiro disco solo chamado “Livre” e lançado em 2015. Após o sucesso desse primeiro disco, montei um home studio e comecei alguns experimentos de gravação em casa. Foi então que em 2019 gravei o segundo disco de carreira solo num formato intimista em voz e violão, chamado “Cause Amor”.

Em 2020 fomos acometidos pela pandemia do Covid-19 e com o home studio a todo vapor fiz uma live pelo Instagram que se tornou o terceiro disco de carreira solo lançado no início de 2020 como “Quarentena Ao Vivo (De Casa)”. Em julho de 2020 lancei meu atual álbum chamado “Nova Cara”, gravado em meu home studio em parceria com o Estúdio Sótão. Sendo assim, são dois álbuns com a banda Negroots e quatro álbuns em carreira solo, totalizando seis álbuns em toda a carreira.

07) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Carlinhos Kaskatas?

Gil Sant’Anna: Atualmente não tenho nenhuma relação pessoal com Carlinhos Kaskatas. Tive uma relação profissional com o Carlinhos por volta de 2003 a 2005, onde assinei um contrato com a sua produtora Kaskata’s Records, porém não houve cumprimento em vários pontos do contrato por parte dele, o que ocasionou o rompimento em 2005. Cada um trabalha de um jeito. Ele teve uma grande importância no crescimento do movimento reggae em São Paulo, e pude fazer parte disso com ele. Mas, ele seguiu por outros caminhos que também acabaram prejudicando a sua própria construção, e foi aí que rompemos, como muitas outras bandas também fizeram.

08) RM: Como você define seu estilo musical?

Gil Sant’Anna: Reggae brasileiro.

09) RM: Você estudou técnica vocal?

Gil Sant’Anna: Sim, fiz um ano e meio de canto coral na USP, para aprimorar a técnica vocal.

10) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Gil Sant’Anna: É importante não só por questões de saúde vocal, mas no auxílio à imposição e timbragem da voz. Saber respirar, utilizar o diafragma é fundamental para a profissão do canto.

11) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Gil Sant’Anna: Da parte feminina gosto muito de Amy Winhouse e Joss Stone, da parte masculina, a forma de cantar de Djavan me surpreende bastante e o timbre de Alexandre Carlo e Bob Marley é algo que me encanta muito.

12) RM: Como é o seu processo de compor?

Gil Sant’Anna: Geralmente eu começo dedilhando o violão e nisso a inspiração vem me trazendo formas diferentes de melodia de voz. Após a melodia pronta eu entro com a letra. O processo inverso também acontece, mas é muito mais raro. Musicar uma letra é mais difícil do que “letrar” uma melodia.

13) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Gil Sant’Anna: Meus principais parceiros de composição musical atualmente são Filipe Pereira (tecladista que me acompanha), Cristiano Boti (baterista) e Juca Hebling (baixista). Na parte de composição de letra já tive Gustavo Xavier (ex -percussionista da banda Negroots), mas atualmente componho mais sozinho mesmo.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Gil Sant’Anna: Os prós são a liberdade de decisão, de execução e aprendizado. Os contras são as dificuldades financeiras que a carreira exige.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Gil Sant’Anna: Dentro do palco procuro estar concentrado naquilo que me propus a fazer. Dar o meu melhor, ter a melhor presença de palco e interação com o público, mas sem ter nada engessado. Procuro deixar que a espontaneidade flua de forma natural com a comunicação com o público. Fora do palco procuro estudar a melhor forma de divulgar o meu trabalho, nas redes sociais, e nos meios de comunicação. E procuro investir no melhor custo benefício em relação ao alcance de mais grupos de pessoas que possam se sensibilizar com o meu trabalho.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Gil Sant’Anna: Hoje trabalho de forma completamente independente, com meu próprio estúdio montado já tenho a capacidade de gravar meus próprios álbuns a um custo quase zero. Trato de forma independente com as distribuidoras digitais e eu mesmo organizo meus eventos de lançamento. Geralmente eu toco em eventos que eu mesmo produzo, eles me dão um retorno muitas vezes maior em termos de público e divulgação.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Gil Sant’Anna: A internet ajuda de forma orgânica e patrocinada na divulgação do trabalho de acordo com o meu investimento, seja ela de tempo ou até mesmo financeiro. Através dela eu consigo um alcance muito maior pelas redes sociais e plataformas de streaming, o que sem ela jamais a música estaria em lugares como França, Reino Unido, Portugal, entre outros. A internet não atrapalha em absolutamente nada em relação ao meu trabalho.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Gil Sant’Anna: Alguns dizem que a desvantagem está em perder uma sonoridade mais natural para algo artificial, mas não me apego muito nisso. Gosto de adaptar o som e trabalhar com diversas sonoridades que a tecnologia de gravação disponibiliza. Hoje em dia há muitos softwares que reproduzem de forma fiel uma sonoridade mais orgânica, e sabendo trabalhar de forma correta torna-se possível criar uma identidade sonora com esses elementos.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Gil Sant’Anna: Não me preocupo em me diferenciar no meu nicho, mas sim em apresentar um trabalho diferente em relação ao trabalho anterior desenvolvido por mim. Eu não me importo com concorrência. A arte quando se vê com esse olhar, deixa de se tornar arte para apenas se tornar um produto. Então eu procuro não olhar para o lado como se o artista que estiver no mesmo meio que o meu fosse um concorrente, onde eu tivesse que disputar uma colocação ou competir por fãs. Prefiro olhar para trás, para o meu próprio trabalho e me perguntar onde posso inovar, ou trazer algo diferente, ou agregar de outra forma a quem está me ouvindo.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Gil Sant’Anna: Não acredito em regressão. Acredito em estagnação. Às vezes o artista encontra uma “fórmula” e acha que ela dará certo pra sempre. Mas na música tudo muda constantemente e aquele que se apegou em uma fórmula acaba ficando para traz. O cenário musical brasileiro é diverso. Então existe gosto pra tudo, existem diversas vertentes dentro de uma vertente e tudo se multiplica de tempos em tempo. O artista brasileiro é muito criativo e isso dá possibilidades de abrangência de diferentes públicos e lançamento de diferentes artistas. Nas últimas décadas muitos se revelaram em diversas culturas musicais, inclusive os mais antigos continuam se revelando a cada trabalho novo. É uma questão de multiplicação a meu ver. Não quero falar de artistas conhecidos como revelação sendo que existem muitos artistas que estão no cenário independente sem a grande mídia que também se revelam.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Gil Sant’Anna: Gosto muito do trabalho do Natiruts, dentro e fora do palco. Djavan e Gilberto Gil também tem o meu apreço.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Gil Sant’Anna: Certa vez por volta de 2002 fui convidado a tocar em Florianópolis – SC. Reuni toda a banda Negroots e resolvemos investir num evento em que tínhamos a garantia de onde nos hospedar. Não tínhamos dinheiro na época para pagar um transporte digno, mas conseguimos que um amigo do baterista nos levasse até Floripa na sua Kombi. Éramos seis integrantes com todos os instrumentos dentro da Kombi por 12 horas de viagem. Revezávamos o banco da frente entre todos. Chegamos lá para fazer dois eventos, o primeiro na Lagoa da Conceição, onde no dia anterior Zeca Baleiro havia feito um show.

Tudo correu bem até descobrirmos que não ficaríamos em uma pousada como prometido e sim na casa do caseiro da mesma, todos em um só quarto. Até aí tudo bem, partimos para o segundo show na noite seguinte em Itajaí. Dessa vez descobrimos que não tínhamos realmente onde ficar. O contratante nos ofereceu o próprio camarim da casa de show para passarmos a noite. Porém tivemos a sorte encontrar um amigo de São Paulo que havia se mudado para lá e estava no público assistindo ao show. Quando ele me reconheceu, imediatamente pediu para visitar o camarim e por bondade dele, sem saber as dificuldades que iríamos passar sem ter onde dormir, nos ofereceu para ficarmos em sua casa. Parte da banda ficou e eu parti para Porto Alegre – RS para casa de meus parentes por parte de mãe. No final tudo deu certo.

Em meados de 2005 tive uma situação de desavença com a gravadora que já há alguns shows nos contratava e não cumpria com as responsabilidades de cachê. Certa vez em uma casa de show resolvemos subir ao palco somente com a grana de cachê em mãos. Após o palco já montado, com todo o público nos esperando enquadramos o contratante no camarim e ele disse que somente iria nos pagar após o show realizado. Foi então que pedimos aos nossos roadies que desmontassem o palco, pois estávamos cansados de tomar calotes. Ao final deste ano encerramos o contrato com a Kaskata’s Records e partimos para vida independente.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Gil Sant’Anna: O quer me deixa mais triste na carreira musical é a falta de investimento de grandes empresários em trabalhos sérios. Porém o que me deixa mais feliz é o reconhecimento do público diante de todo o esforço feito em um trabalho dedicado a ele.

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Gil Sant’Anna: Acredito que sem investimento não se alcance a grande mídia e que isso faz parte do processo. Hoje em dia não existe mais a descoberta de um novo artista. Ele mesmo tem a oportunidade de se auto descobrir e mostrar ao seu público quem ele é e o que ele pode agregar na vida das pessoas. Porém ainda assim é preciso que ele tenha um bom planejamento financeiro para alcançar públicos maiores e um maior reconhecimento de seu trabalho.

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Gil Sant’Anna: Tenha muita perseverança e acredite no seu trabalho, pois não será nada fácil.

26) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Gil Sant’Anna: A grande mídia busca audiência. Trabalhos que não dão audiência, não entram no script da grande mídia, independente de qual trabalho for.

27) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Gil Sant’Anna: São espaços com estrutura muito boa para se apresentar um trabalho musical, porém além de muito concorrido, é muito burocrático e subentende-se que é necessário um contato interno dentro dessas instituições para poder entrar no grupo daqueles que conseguem se apresentar.

28) RM: Como você analisa o cenário do reggae no Brasil. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Gil Sant’Anna: Bandas como Natiruts, Planta & Raiz, Edson Gomes, Cidade Negra, Ponto de Equilíbrio possuem trabalhos bem consistentes. O Maneva me parece ser uma revelação dos últimos tempos.

29) RM: Você é Rastafári?

Gil Sant’Anna: Aprecio a cultura Rastafári, mas não sou rasta.

30) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como vocês analisam tal afirmação?

Gil Sant’Anna: O reggae verdadeiro não depende de religiosidade. Cada artista traz a sua verdade ao apresentar o seu trabalho, seja em qual vertente for. Ivete Sangalo não é rastafári, mas quando produz um reggae, não deixa de apresentar a sua verdade nele.

31) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Gil Sant’Anna: Falta de reconhecimento como cultura presente, principalmente pelos órgãos políticos que produzem e manipulam a cultura no Brasil. Porém isso depende do próprio artista de reggae que precisa militar em conjunto para fazer crescer o movimento. O reggae quando tem uma expressividade notória, infelizmente é de forma isolada. Poucas bandas dão chances umas as outras. E infelizmente ainda existe muita disputa de ego entre as bandas. Quando isso acabar, provavelmente conseguiremos nos unir para fazer da cena algo mais importante aos olhos das entidades culturais. Mas isso vem com tempo e maturidade entre os grupos de artistas.

32) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Gil Sant’Anna: Dom é apenas o resultado da prática em uma atividade. A prática traz a facilidade e a facilidade chamada de Dom, como se fosse algo “divino” não é nada mais, nada menos do que o resultado de muito esforço em querer fazer, praticar e aprender qualquer atividade, não só musical.

33) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Gil Sant’Anna: Festival de Música traz à tona trabalhos desconhecidos. Porém para quem não tem maturidade musical pode ser visto como uma disputa de quem tem o melhor trabalho, o que não é verdade, a meu ver. Não existe melhor ou pior, existe diferenças entre as artes e a forma de se expressar.

34) RM: Festivais de Música revelam novos talentos?

Gil Sant’Anna: Sim. Pode revelar novos talentos, mostrar novas formas de expressão, porém não é o único meio hoje em dia.

35) RM: Quais os pros e contras de se apresentar com o formato Sound System? 

Gil Sant’Anna: Não existe prós e contras, existem forma diferentes de expressão e cada uma exige um trabalho de produção adequado para se apresentar. O Sound System é uma forma de expressão diferenciada de um show ao vivo com banda, portanto exige condições diferentes de estrutura.

36) RM: Quais as diferenças de se apresentar com banda em relação ao formato com Sound System?

Gil Sant’Anna: Nunca me apresentei com Sound System, mas me atrevo a dizer que eu gosto de estar com meus músicos por perto, interagir com cada um deles e sentir o som vindo de cada instrumento tocado ali na hora, naquele momento com a vibração de cada um. Acredito que é muito diferente de cantar em cima de um som já pré-produzido de forma mecânica.

37) RM: Gil Sant’Anna, Quais os seus projetos futuros?

Gil Sant’Anna: Para 2021, estou finalizando novas composições e pretendo reunir em breve os músicos para produzir o próximo álbum. Porém, antes disso já tenho projetos de lançamento de no mínimo dois clipes das músicas do álbum “Nova Cara”, lançado no ano passado. Após finalizar essa produção audiovisual, darei início ao trabalho de inéditas.

38) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Gil Sant’Anna: (11) 95977-8516 | [email protected] |  www.gilsantanna.com.br

| http://www.facebook.com/santannagil

| https://soundcloud.com/gilsantanna

| https://www.flickr.com/photos/gilsantanna 

| https://www.youtube.com/user/santannagil  

Playlist do álbum “Nova Cara” de Gil Sant’Anna: https://www.youtube.com/watch?v=5nWC3fvLUkg&list=PLi6t33TWQO_8QpuNpCHsFHsmIZVVlCGMf 

Playlist de Gil Sant’Anna: https://www.youtube.com/watch?v=yC6ki96zbco&list=PLi6t33TWQO_-H7iDHCvNzlmMM51z9NnMk 

Playlist de Gil Sant’Anna Quarentena: https://www.youtube.com/watch?v=NcnaOsBtGYE&list=PLi6t33TWQO__srYlwuMSpw1LWxpAT7o-g  

Negroots – Paz e Amor [2011]: https://www.youtube.com/watch?v=HOqvpntrG6g 

Negroots – Troque Pelo Bom [2005]: https://www.youtube.com/watch?v=eoc_7lJqYrA


Comments · 4

  1. Parabéns Gil! Acompanho o seu trabalho e parabenizo a sua determinação, criatividade e resiliência. Votos de muito sucesso e acima de tudo, realização pessoal e profissional! Forte abraço

  2. Gil Sant’Anna parabéns pelos trabalhos e dedicação a música, vc canta mto, esperamos vê-lo em breve em seus shows ao vivo, sucesso e realizações, “canta reggae” 👏👏👏 pow pow pow saudades JR Seib – Janaína e Rodolpho !

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Uma Revista criada em 2001
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Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.