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Categorias: Entrevistas

Gil Felix


Gil Felix é um artista internacional que tem desenvolvido ao longo de mais de 25 anos de carreira um repertório vasto e eclético, com composições originais e grandes sucessos.

Influenciado por artistas como Gilberto Gil, Bob Marley, Luiz Gonzaga, Fela Kuti, tem uma trajetória que pode ser conferida nos oitos álbuns que já gravou. A performance de Gil Felix apresenta composições que mistura a cultura regional do recôncavo com influências da musicalidade africana.

No Brasil foi um dos pioneiros da música reggae, tendo múltiplas apresentações em casas de shows e festivais como o Fest’in Bahía e o Femadum, destacando o LP – “Galan” de 2004, o qual teve uma especial acolhida em São Paulo. Ele tem sido uma influência de alguns artistas da Bahia como Magary Lord e banda Cativeiro.

No ano 2000 se estabelece na Suíça, abrindo a carreira dele a novas possibilidades. Participou de grandes festivais internacionais tais como Festival do Montreux (Suíça), Green Festival (Dinamarca), Festival Latino Americano (Itália). A música de Gil é principalmente popular, no entanto ele conseguiu colocar dois sucessos na Europa no circuito da música eletrônica, se mantendo por mais de dois anos entre 2003/2004 no 1° do ranking: “Capoeira” (Drum and Bass) e “Que Alegria” (House).

​2018/2019, ele toca em clubes, bares e festivais na Escandinávia e recentemente lançou Kanga Musa para a cena da dança eletrônica combinando dance music com letras ensinando-nos sobre o impacto africano e latino na história do mundo até agora.​

Em 2021, Gil Felix lança o álbum Enfim, que representa um novo passo musicalmente com deliciosas influências do jazz no samba reggae, afropop e Bossa Nova. O álbum é uma produção internacional com músicos de três continentes e gravado em Estocolmo, Suécia e Salvador da Bahia, Brasil com o conhecido produtor Nestor Madrid como co-produtor.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Gil Felix para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.04.2022:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Gil Felix: Nascido no dia 21 junho 1964 em Irará – Bahia.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Gil Felix: O meu primeiro contato com a música foi ouvindo minha mãe e tia cantado.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Gil Felix: Estudei um pouco partitura e harmonia musical em Salvador – BA e na Europa.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Gil Felix: Quando adolescente, eu sempre gostei de ouvir Jazz no domingo em um programa de rádio e depois passei a escutar Bob Marley, Gilberto Gil. Mas tarde João Gilberto e a Bossa Nova em geral. Tudo que ouvir no passado continua presente em minha vida em momentos diferente.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Gil Felix: Em 1990, comecei a minha carreira musical em Salvador – BA, mas gravei meu primeiro álbum em Copenhagen na Dinamarca.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Gil Felix: Gil Felix – “Enfim”(2021). Gil Felix – “Entendeu” (2015). Gil Felix – Eletronic (2013). Gil Felix – “Galan” e “Jump” (2004). Gil Felix – “Estrela” (2001). Gil Felix – “Cachoeira” (2000). 

Os singles: “Capoeira” (2003), lançado por InfraredLondres

“Que alegria” (2011) lançado por Mr BangoLondres. “Kanga musa” (2021) lançado Por me Gil Felix in music – Sweden. “Vem me Abraçar” (2021) lançado por Cima Record – Sweden.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Gil Felix: Meu estilo musical tem uma grande influência do reggae. Gosto e tenho experiência com o novo afropop, Jazz, Bossa Nova e um bom Samba, mas me considero um artista da moderna word music.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Gil Felix: Sim, estudo o tempo todo; eu acho que devemos estudar as técnicas musicais e se atualizar todo tempo.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Gil Felix: Acredito que o estudo é a forma de se manter acompanhando o tempo e a evolução da música e manter a voz em bom estado de saúde.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Gil Felix: Gilberto Gil, Djavan, Bob Marley, João Gilberto.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Gil Felix: Gosto de estar na natureza, viajando e retratando em poesia minha vida e o em torno do que acontece agora sem deixa de retrata a história humana e sua passagem do tradicional para o moderno.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Gil Felix: Os músicos que trabalho e meus amigos.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Gil Felix: Edu Kardeal, um grande músico e instrumentista.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Gil Felix: Os prós é que você é livre para decidir. O contra é arcar com os custo de produção, distribuição e divulgação.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Gil Felix: Ter uma boa equipe de marketing, ter bons projetos de pré-lançamento e um bom álbum.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Gil Felix: Utilizo as plataformas digitais, um boa editora e distribuidora.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira? 

Gil Felix: A internet ajuda a ter acesso global do meu trabalho, porém os valores pagos pelas plataformas são insignificantes para um artista.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Gil Felix: As vantagens do home estúdio é o acesso mais rápido e fácil para gravar, mas nem todo artista tem conhecimento total dessas novas tecnologias. 

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Gil Felix: Sempre procura produzir o melhor material possível, um álbum, vídeo e um bom trabalho de mídia, boas parcerias e estar atualizado com as novidades.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Gil Felix: Djavan, Gilberto Gil, Harmonia do Samba.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado, etc)?

Gil Felix: Aconteceu de fazer show e não receber, gravar um álbum não receber os direitos autorais.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Gil Felix: O que me deixa mais feliz e ter o privilégio de fazer música. O triste são os obstáculos que temos que cruzar para mostrar a minha obra.

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Gil Felix: Com certeza acredito que minhas músicas tocarão nas rádios sem pagar o jabá.

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Gil Felix: Se planeja assim que tomar essa decisão de seguir uma carreira musical.

26) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Gil Felix: A cena musical no Brasil como em qualquer outra do mundo é fechada; mas no brasil por razões históricas, política, cultural é muito complicado e desigual o espaço na grande mídia.

27) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Gil Felix: Acho que esses espaços abrem as possibilidades para artista fora da grande mídia mostrarem a sua obra com pequeno apoio financeiro. Vejo isso muito positivo e precisamos, mas espaços como esses.

28) RM: Como você analisa o cenário do reggae no Brasil. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Gil Felix: Revelações: Adão Negro, Plante & Raiz, banda Cativeiro, Tim Gomes, Nego Viera, Marcos Oliveira, Geraldo Cristal, Rasbuta, Paulo Da Ghama. Regrediram alguns artistas de reggae do afropop e vários da MPB. Acho que as bandas de reggae nacional conhecidas aprenderam muitos com as artistas desconhecidos e não abriram o caminho para suas influências.

29) RM: Você é Rastafári?

Gil Felix: No início da minha carreira já seguir a cultura rastafári. Hoje sou um cristão ortodoxo.

30) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa tal afirmação?

Gil Felix: São artistas jovens que falam essas coisas ou artista que ainda está em processo de evolução musical e espiritual.

31) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Gil Felix: No Brasil é um país onde tem uma forte tradição com a música popular. A grande mídia não tem interesse de perder seu monopólio com seus produtos e artistas. O reggae é uma música de protesto, educativa e a sociedade brasileira dominante não tem interesse de um povo esclarecido e politizado para não perder seu monopólio sobre essa economia e sobre o que foi ensinado do que fazer a coisa certa.

32) RM: Quais os prós e contras de se apresentar com o formato Sound System?

Gil Felix: As vantagens com o formato do Sound System é o artista não depender de músicos para a acompanhá-lo. A desvantagem é que muitos músicos ficam sem trabalho.

33) RM: Quais as diferenças de se apresentar com banda em relação ao formato com Sound System?

Gil Felix: Com banda o artista tem a vibração de cada músico no palco que leva mais energia para o público.

34) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae e o uso da maconha?

Gil Felix: Acho que a maconha é uma questão de política americana (EUA) hipócrita espalhada por todo ocidente. Você não pode usar maconha; você não pode invadir países, nós invadimos qualquer país na hora que achamos, pois sabemos o que é certo ou errado e podemos usar bomba atômica. É um pouco complicado para explicar a seu filho sobre esse tipo de moral.

35) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a cultura Rastafári?

Gil Felix: A cultura rastafári se desenvolveu na Etiópia e chegou até a Jamaica e com Bob Marley espalhou pelo mundo. No início o movimento Rastafári teve grande ligações, porém o reggae também é uma cultura e está sempre evoluindo e cultura às vezes se afasta da tradição e religião, acho isso totalmente normal.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Gil Felix: Criar uma rede com artistas independentes e colaborar com a produção mutuamente com diferentes pessoas. E obter um melhor aproveitamento das novas possibilidade e divulgação de projetos antigos e novas em uma cadeia de lançamento.

37) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Gil Felix: (71) 98396 – 7130 | www.gillfelix.wixsite.com/gilfelix

| gilfelix048@gmail.com | gillfelix@yahoo.com

| https://www.instagram.com/GilFelixOfficial

| https://web.facebook.com/gilfelixmusic 

Canal: https://www.youtube.com/c/GilFelixOfficial 

Gil Felix – Kanga Musa: https://www.youtube.com/watch?v=Z2eYNm1aUTk 

GIL FELIX STUDIO #REGGAE SESSIONS: NÃO VÁ EMBORA: https://www.youtube.com/watch?v=N922ylGwNpg 

GIL FELIX Galan: Reggae: https://www.youtube.com/watch?v=qR4RzOUS9OU 

GIL FELIX STUDIO #REGGAE SESSIONS. So Much Trouble in the World, Time is the Master:

https://www.youtube.com/watch?v=ZchEAlrzJWY  

Plataforma digital: https://open.spotify.com/artist/55PW8nyAzFgmD9L8ywL0ft?si=YGVzG0RrSk-Mo7MU4v4EnQ&nd=1


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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