Geraldinho de Babíla

Geraldinho de Babíla
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Geraldinho de Babíla, em 7 de setembro de 1976, aos 13 anos de idade, fez parte da banda do Colégio Magalhães de Almeira, em Codó – MA.

Ainda jovem e estudante, na época de férias tinha contato com vários amigos que tocavam Violão, escutava músicas de vários interpretes e já começava arriscar sua interpretação no ritmo “Bossa Nova”.

Era percebido pelos demais, que achavam um tanto incomuns a sua musicalidade naquele ritmo diferente. Em 1982, ao chegar a Teresina – Piauí sentiu vontade de dar continuidade a sua musicalidade estudou Violão e fez contatos com conhecidos piauienses, onde mostrou suas composições e obteve reconhecimento.

Assim intensificou sua tendência sobre a “Bossa Nova” e lançou em 2000 o seu primeiro CD – “Tudo sobre o Amor”, com 14 músicas de sua autoria. Entre 1978 a 2002, Geraldinho de Babíla teve inspirações e compôs dezenas de músicas para gravar. Entre 2002 a 2005, as músicas amadurecem e chegam de forma prazerosa baseado no cotidiano imaginário do dia a dia. Em 2014 lançou o seu segundo CD – “Saudações Bossanovista”. Em 2016 lançou o seu terceiro CD – “Berço do Samba”.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Geraldinho de Babíla para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.11.2018:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Geraldinho de Babíla: Nasci no dia 12.01.1963 em Alto Araguaia – MT.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Geraldinho de Babíla: Aos nove anos de idade por influência por meu pai Geraldo da Costa eSousa, funcionário do Banco do Brasil, viajava sempre ao Rio de Janeiro, apaixonado por músicas, onde trazia inúmeros LPs de vários cantores e interpretes surgindo na época.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Geraldinho de Babíla: Cantor e compositor, Bacharel em Administração Empresa com Qualificações em Negócios, Especialista em Gestão Estratégica de Pessoas.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Geraldinho de Babíla: João Gilberto, Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Chico Buarque. Sou o resultado da influência de todos!

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Geraldinho de Babíla: Em 2000, em Teresina – PI.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Geraldinho de Babíla: Bossa Nova e Samba. Quatro CDs lançados: CD – “Tudo Sobre o Amor” (2000). CD – “Saudações Bossanovista” (2014). CD – “Berço do Samba” (2016). CD – “Como Eu Gosto de Você” (2017)

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Geraldinho de Babíla: Resultado de toda influência adquirida.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Geraldinho de Babíla: Não. As interpretações de João Gilberto, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Toquinho, Caetano Veloso, Milton Nascimento me influenciaram totalmente.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Geraldinho de Babíla: Acho de suma importância, mas todos que citei acima já nasceram com seu dom e tenho certeza que muitos (a) intérpretes não tiveram essa aula. Um exemplo: Elis Regina.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Geraldinho de Babíla: Elis Regina, Ana Carolina, Maria Bethânia, Gal Costa, Leila Pinheiro, Vanessa da Matta.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Geraldinho de Babíla: Muito natural, de situações, lembranças, dia a dia, e um toque espírita.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Geraldinho de Babíla: Todas as minhas composições são autorais, ainda não tive oportunidade de parcerias. Compor é muito pessoal.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Geraldinho de Babíla: Ninguém por enquanto.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Geraldinho de Babíla: A falta de patrocínio e o não reconhecimento de produtores, gravadoras. Eles achando que os artistas que estão na grande na mídia não são insubstituíveis. Mas produzir independente tem a grande vantagem de não ficar na mão de ninguém. Tive oportunidade assistir entrevista de Chico Buarque em que o mesmo disse claramente que passou a vida dele toda devendo a gravadoras.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Geraldinho de Babíla: Divulgação e cadastramento em várias redes sociais. E através do meu site constato que é acessado por pessoas de vários países. Procuro sempre interagir com músicos, pessoas ligadas à música, segue link para comprovação: http://relatorio.geraldinho3.dominiotemporario.com/grafico/?config=awstats.conf&year=2018&month=7&view=country.all&lang=pt#paises

http://relatorio.geraldinho3.dominiotemporario.com/grafico/?config=awstats.conf&year=2018&month=7&view=country.all&lang=pt#cidades

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Geraldinho de Babíla: Procuro sempre cadastrar minha em diversos sites, assim como recebo convites.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Geraldinho de Babíla: A internet, para o que utilizo e fins têm sido minha parceira no sentido que mostrar vários sites, plataformas que podemos divulgar o meu trabalho.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso a tecnologia de gravação (home estúdio)?

Geraldinho de Babíla: O meu maior problema para finalizar os meus trabalhos é a falta de estúdio onde resido deixando a desejar, porque os arranjos são feitos no Rio de Janeiro e São Paulo.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Geraldinho de Babíla: As gravadoras, exemplo Som Livre, Biscoito Fino e outras, eu entrei em contato para gravar, pagando tudo, apenas pela qualidade da gravação, mas nunca recebi o orçamento. Elas pagam jabá para as rádios tocarem repetitivamente o que elas acham que é bom. Pode ser bom para elas e não para todos. Existem grandes talentos no Brasil. Faltam oportunidades. É um clã!

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Geraldinho de Babíla: O atual cenário musical brasileiro atravessa a sujeira musical, que valoriza certos estilos e interpretes pela simples forma que iram gerar dinheiro. São todos os estilos principalmente ligados as Gravadoras. Hoje assistir um Show e pagar caro é simplesmente voltar ao passado. A quantidade infinita de músicas gravadas, mas o que acho incrível as gravadoras gravam os mesmos artistas, como se houvesse um pacto musical. Uma sobrevivência pelos direitos autorais. As revelações são jovens talentos e com certeza estão incomodando os artistas consagrados.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Geraldinho de Babíla: Tom Jobim, Baden Powell, existem outros grandes músicos, mas nunca aceitaram minha amizade no Facebook, então não os cito.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Geraldinho de Babíla: Temos problema sério em fazer recitais, o técnico de som não consegue mixar. Nunca recebi cachê pra me apresentar.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Geraldinho de Babíla: Sou feliz com a minha carreira musical. Os que hoje se acham se esquecem de que os que abriram caminhos para a música brasileira ser reconhecida mundialmente são os mestres: João Gilberto, Pixinguinha, Cartola, Tom Jobim, Vinícius de Moraes. Lembro-me quando do falecimento de Vinícius de Moraes aos 66 anos, todos comentavam: “Eu Amor Vinícius de Moraes”, sem nunca ter comprado um disco dele.

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Geraldinho de Babíla: Teresina é a capital e o município mais populoso do Piauí. Localiza-se a 343 km do litoral, sendo, a única capital do Nordeste que não se localiza as margens do Oceano Atlântico.

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Geraldinho de Babíla: Existem vários (a), mas desde que lancei meu primeiro disco em 2000 não fui muito bem recebido, devo ter incomodado muita gente, até porque meu estilo musical é único no Piauí. Sou um único compositor a compor Bossa Nova. Algumas pessoas acham a minha voz semelhante a alguns interpretes, mas esquecem de que eu escutei Bossa Nova e Samba, desde pequeno. O ouvido acostumou, ficou viciado, a voz baixou.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Geraldinho de Babíla: Sim. Minhas músicas tocam em várias rádios pelo Brasil, tenho essa informação através do site PLAYNAX. O que precisa ser mudado essa corrupta intenção musical alienadora.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Geraldinho de Babíla: Faça música de boa qualidade, com um toque de poesias, e o caminho está aberto a todos.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Geraldinho de Babíla: Os grandes Festivais de Música dos anos 60 revelaram grandes interpretes e compositores. Foi um surgimento de parcerias: Chico Buarque e Tom Jobim com a música “Sabiá”,Geraldo Vandré, Gilberto Gil, Caetano Veloso.

29) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música revelar novos talentos?

Geraldinho de Babíla: Não deixa de ser um espaço para revelar talentos, mas as gravadoras, produtores que nem se quer compõe ou toca o instrumento se consideram críticos musicais, se acham do direito de direcionar diretamente.

30) RM : Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Geraldinho de Babíla: A mídia continua a influenciar desde os tempos idos. O que prevalece é o dinheiro e se o ritmo balançar o corpo, então esse presta.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Geraldinho de Babíla: Espaços de grandes oportunidades, mas não são únicas. E desconhecem completamente o cenário musical brasileiro, quem faz a agenda não consegue mesclar um artista conhecido e outro desconhecido, para que todos tenham a mesma oportunidade. E nem os artistas consagrados estão interessados que as suas apresentações tenham um desconhecido abrindo o show. Assim como o circuito musical, os artistas de cadeira cativa nada mais é que Toquinho sempre mostrando músicas antigas, de parcerias, nada de novo e se escondendo atrás de solos.

32) RM: O circuito de Bar de sua cidade é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Geraldinho de Babíla: Para MPB e outros ritmos é bom, mas para a Bossa Nova, nunca fui convidado para cantar a noite, então continuo cantando e compondo e fazendo meus CDs. Lembro-me de quando gravei meu primeiro CD – “Tudo Sobre o Amor“, eu escutei de um músico que me disse essas músicas não são para aqui, vá para o Rio de Janeiro.

33) RM : Quais os compositores de Bossa Nova que você admira?

Geraldinho de Babíla: O mestre João Gilberto, com seu violão Di Giorgio Tárrega conquistou o mundo, e o mestre Tom Jobim.

34) RM: Quais os compositores de Samba que você admira?

Geraldinho de Babíla: Martinho da Vila, João Nogueira, João Bosco, Agepê, Luiz Arão etc.

35) RM: Quais os seus projetos futuros?

Geraldinho de Babíla: Tenho 30 músicas para mais três álbuns, esperando condições financeiras e patrocínio.

36) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Geraldinho de Babíla: (86) 99963 – 3987 | 98841 – 9363 | [email protected]

 


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.