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Categorias: Entrevistas

Gera Brito


O cantor, compositor, violonista paraibano Gera Brito, filho do saudoso pandeirista Abdoral que nos deixou em setembro de 2020 e irmão cavaquinhista Afonso, da escola do seu tio, mestre Duduta, onde bebeu na fonte do Choro.

Gera começou na carreira nos anos 80 no cenário da música paraibana em Campina Grande. Ele passou pela escola musical dos Bares, com uma voz peculiar e repertório de clássicos da Música Popular Brasileira; muito característico da época, cantando músicas dos ícones da MPB.

Nos anos 90 foi convidado por Elba Ramalho para uma temporada no Rio de Janeiro, onde conheceu várias artistas como Erasmo Carlos, Maria Bethânia, Caetano Veloso, Chico Buarque, Seu Jorge, entre outros. No Teatro de Campina Grande, ele fez abertura de shows de Geraldo Azevedo, Luiz Melodia, Elba Ramalho, entre outros e participou de Festivais de Música sempre levando a bandeira da Música Popular Brasileira.

Nos anos 2000 voltou a morar no Rio de Janeiro, se apresentou em hotéis, bares e restaurantes de Copacabana e voltou à Paraíba para continuar sua carreira artística na sua terra natal. Ele, gravou três CDs e continua compondo e tocando suas canções em bares e eventos. Atualmente abriu sua escola de música para ensinar as futuras gerações e deixar seu legado na música da Paraíba, do Nordeste e do Brasil. 

Segue abaixo entrevista com Gera Brito para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 14.04.2021: 

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Gera Brito: Nasci no dia 15.03.1964 em Campina Grande – PB. Registrado como José Geraldo de Brito. 

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Gera Brito: Sou de uma família de músicos: pai Manoel Abdoral, irmão Afonso, tio José Ribeiro “Duduta”, primo Ricardo Mathias.  O universo musical esteve presente desde de criança. 

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Gera Brito: Cursava Engenharia e troquei pelo estudo dessa outra ciência maravilhosa que é a música. Estudei no Dart – Departamento de Arte da Universidade Federal da Paraíba em Campina Grande – PB. 

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical? 

Gera Brito: Comecei tocando no formato Voz e Violão nos Bares em Campina Grande – PB e participando de Festival de Música nos anos 80 e atualmente ministro aulas de música. Abri show no teatro de Campina Grande – PB para Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Luiz Melodia, entre outras estrelas da MPB.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Gera Brito: Três CDs estilos variados. A música mais tocada: “Amor de menina”. 

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Gera Brito: MPB e sou um new pós – tropicalista. 

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Gera Brito: Estudei técnica vocal no Dart – Departamento de Arte da Universidade Federal da Paraíba em Campina Grande – PB. 

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Gera Brito: A técnica vocal é tudo. Respiração, uso do diafragma etc. 

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Gera Brito: Gal Costa, Elba Ramalho, Simone, Elis Regina, Gilberto Gil, Alceu Valença, Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Nelson Gonçalves, Geraldo Azevedo. 

11) RM: Como é seu processo de compor?

Gera Brito: Inspiração. Primeiro estudo o tema da letra e escrevo, depois crio a melodia. 

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Gera Brito: Quem gravou minhas músicas: banda Carcará, Emerson Uray, Ranieri Gomes, Valder Silveira.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Gera Brito: Meus parceiros musicais: Cassandra Veras, Caio Agra, Caetano, Valdir Azevedo, Marcos Maia. 

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Gera Brito: No meu caso, o contra é a falta é um bom empresário.  

15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Gera Brito: Atualmente a internet é uma ferramenta maravilhosa. 

16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Gera Brito: As ferramentas do home studio, só ajuda o músico. A questão de um grande estúdio é que é caro para gravar. E tenho poucos parceiros no quesito financeiro. A lei de incentivo à cultura só beneficia quem não precisa. 

17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Gera Brito: Para me diferenciar no mercado conto com meu talento e com Deus. 

18) RM: Como você analisa o cenário da música brasileira. Em sua opinião quem foram as revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Gera Brito: Nos últimos anos vejo como revelações: Lucy Alves, Celso Fonseca, Jorge Vercillo, Seu Jorge.  

19) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Gera Brito: Caetano Veloso. Elba Ramalho, Ney Matogrosso, Djavan.  

20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Gera Brito: Tudo que foi citado na pergunta já passei. Além de injustiça e a falta de ética é o que mais me incomoda. E quando estive na casa de Elba Ramalho no Rio de Janeiro, ela me levou no estúdio da Polygram, ela estava gravando o álbum “Devora-me” e fiquei brincando no estúdio com seu filho Luan e chegou um senhor de cabelo branco, de bermuda, perguntei o nome dele e ele falou que era Erasmo.

Ficamos batendo papo e depois ele saiu para ir gravar uma música no álbum da Maria Bethânia que estava gravando um álbum de Erasmo e Roberto Carlos. Quando Elba voltou da gravação perguntou se eu conheci Erasmo e falei que sim, gente fina. Ela espantada me falou que era Erasmo Carlos. E depois eu, Elba e Erasmo fomos para um bar no Leblon. Outro fato no Rio de Janeiro quando fui levado para jogar no campo do Chico Buarque e fiz cinco gols. E o pessoal perguntou se eu era jogador profissional. E conheci Mário Jorge antes dele se tornar o famoso Seu Jorge.       

21) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Gera Brito: Feliz pelas boas experiências e a evolução intelectual. Triste é essa falta de ética no meio artístico.  

22) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Gera Brito: É inegável que o dom vem de Deus, é um 1% e os outros 99% o trabalho árduo e prazeroso.  

23) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Gera Brito: A improvisação Musical é a junção de Talento e Ciência.  

24) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Gera Brito: Lógico que existe o improviso, mas torna-se eficaz com o estudo. 

25) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Gera Brito: O livro Harmonia e Improvisação de Almir Chediak, é o meu livro de cabeceira. 

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Gera Brito:  Eu nunca paguei o jabá a nenhuma rádio, no entanto várias vezes fui surpreendido com minhas músicas sendo tocadas em alguns programas de rádio. 

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Gera Brito: Digo que vá fundo…  

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Gera Brito: Festivais de Música o prol é experiência adquirida. O contra a injustiça no resultado. No Forró Fest; um Festival de Forró na Paraíba fiquei em primeiro lugar na primeira etapa. Já na final, empatei. Quando escolheram um dos músicos concorrentes para dar o Voto Minerva, o que é que você acha? Tive que engolir o segundo lugar. É mole? 

29) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Gera Brito: Acho que hoje os Festivais de Música não revelam mais nenhum talento. 

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Gera Brito: A “grande mídia ” quem à detém são hominídeos incompetentes, burros e herdeiros da ganância sem compromisso com a boa arte.  

31) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Gera Brito: Os bares de certa forma são importantes para o músico. Com a pandemia do Covid-19 podemos confirmar esse fato.   

32) RM: Gera Brito, Quais os seus projetos futuros?

Gera Brito: Respondo citando a canção do Caetano Veloso “Aquele projeto ainda estará no ar”. No mais é trabalhar, trabalho, trabalhando. E com a pandemia do Covid-19 é se manter vivo para pode sobreviver depois… 

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Canal do Gera Brito: (83) 98751 – 4690 | gerabritomus@gmail.com

| https://web.facebook.com/gera.brito.3 

Canal do YouTube: https://www.youtube.com/channel/UCn_5RdSnTCEhk60nxTs4Jhg 

GERA MÚSICA BORBOREMA: https://www.youtube.com/watch?v=w4DsmSE1Z-I

 

 

 

 

 

 


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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