Geda

Geda

O cantor, compositor, fomentador cultural gaúcho Geda, é um dos fundadores da primeira banda de reggae do sul país “Direitos Iguais” em (1986). Em 1990 se torna o primeiro vocalista da banda “Motivos Óbvios” saindo em 1992.

Geda tem canções gravadas com a “Motivos Óbvios”, a “Produto Nacional”,

Marietti Fialho, Silvio Ganjah, Paulo Dionísio. É um dos fundadores do projeto “Quarta Justa”, que contemplava artistas já consagrados com artistas desconhecidos. Em 2010 retornou para a “Motivos Óbvios”, gravamos o DVD – “Em Tempo de Revolução”. Esteve em 2013 como presidente ACRER-Associação Cultural Reggae Rio Grande do Sul. Atualmente desenvolve um projeto audiovisual chamado “A Vibe” em parceria com o amigo produtor musical Ras Sansão. Em 2019 lançou o single “Sempre Acreditei”.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Geda para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 06.01.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Geda: Nasci no dia 05.06.1960 em Porto Alegre – RS. Registrado como Antonio Gedair Prates Vieira.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Geda: A música sempre me acompanhou. Em minha casa se ouvia muita música, desde criança percebia minha ligação a ela. Meu irmão tinha muitos discos de música Black. E sempre que ele comprava colocava para nós ouvir. E nascia também o gosto pela pesquisa por uma música que eu me identificasse, pois as rádios não mostravam muito isso.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Geda: Sou autodidata na música, mas sempre estive muito ligado a música. Sou Técnico Mecânico e trabalhei a vida toda nesse ramo.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Geda: Minhas influências musicais originalmente vêm da música negra brasileira, Black music, Soul music, como todos que viveram nos anos 70, 80, James Brown, Donny Hathaway, Itamar Assunção, Carlos Dafé, The Hamiltones, Earth Wind Fire, Alton Ellis, Jacob Miller, etc.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Geda: Na verdade nunca encarei a música profissionalmente. Ela faz parte de minha vida, manifestada de formas diferentes. Na década de 80 fui um dos fundadores da primeira banda de reggae do sul do país: “Direitos Iguais”, em que fiz minhas primeiras composições. Em 1990 entrei na banda “Motivos Óbvios” em que passei a cantar e a escrever mais.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Geda: Em 2019 lancei meu primeiro single “Sempre Acreditei”. E com a banda “Motivos Óbvios” gravei um CD.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Geda: Procuro não me rotular, mas minha musicalidade é negra.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Geda: Sim.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Geda: É de extrema importância apreender as técnicas vocais a melhor forma de como utilizar a voz. O cuidado com a voz é algo vital para a manutenção e longevidade dela.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Geda:Erika Badu, Dennis Brown, Tim Maia, Alcione, Sugar Minott.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Geda: A música vem num sopro. Geralmente acordo e já tem uma batida na minha cabeça. E outras vezes a letra aparece no meio de uma situação, pode ser uma conversa, uma notícia.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Geda: Meu processo de criação de música é sozinho. E tenho parceiros de arranjos e de definição musical.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Geda:Produto Nacional”, “Motivos Óbvios”, Marietti Fialho, Silvio Ganjah, Paulo Dionísio.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Geda: O lado positivo é que pensamos a música sem interferências no meu trabalho. O ruim é que tenho que buscar meus próprios recursos.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Geda: Compor, arranjar, gravar acho que quanto mais canções eu tiver mais possibilidades terei de estar inserido no mundo musical.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Geda: Eu procuro divulgar meus trabalhos nas plataformas digitais.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Geda: A internet ajuda muito pois possibilita o acesso para todos conhecerem o meu trabalho sem sair de casa.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Geda: Todas as vantagens, pois nos possibilita o desenvolvimento, o crescimento, e o aprender constantemente.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Geda: Penso que na música como na vida nós temos que encontrar formas para seguir avante. Acredito que boas canções sempre serão bem vindas. Batidas antigas com batidas novas. Boas melodias, bons arranjos, fusões rítmicas, melódicas, harmônicas ajudam nesse processo.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Geda: O cenário brasileiro musicalmente falando sempre foi oscilante e imposto à sociedade. As revelações se dão a todo o momento principalmente nos dias de hoje com o acesso à tecnologia. Sobre essa oscilação acho que o importante são as obras realizadas, pois são as que realmente ficam.

21) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Geda: O que me deixa feliz é terminar uma canção e perceber que tocou o coração das pessoas, que a mensagem foi dada. O lamento é não poder viver de música e se dedicar integralmente.

22) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Geda: Acredito na qualidade musical e na força da letra. Sabemos que a cena musical tem um formato bem fechado, mas isto já está mudando.

23) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Geda: Você tem que ter claro que não é somente um “produto”, tem entrega, tem emoção, busque uma marca, uma canção que te defina.

24) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Geda: Acho a cobertura feita pela grande mídia muito boa. Nunca se teve tanta visibilidade como hoje, porém ela não consegue contemplar todos os artistas. No meu entendimento o papel da grande mídia deveria ser voltado a contemplar o maior número de artistas nos seus diversos gêneros musicais para que assim o público possa ter mais opções de escuta.

25) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Geda: Acho positivo o espaço aberto pelo SESC, SESI, Itaú Cultural, necessário e importante e aposto que cada vez mais portas se abram para a coletividade e diversidade de gêneros musicais.

26) RM: Como você analisa o cenário do reggae no Brasil. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Geda: O reggae no Brasil está consolidado. Todos os trabalhos são importantes para comunidade regueira, estar produzindo é sempre bom. A palavra regressão talvez não seja a que melhor expresse o fato de alguns artistas deixarem de produzir ou de não estarem em evidência. Muitas vezes o sucesso do artista não está intimamente ligado a visibilidade. Ele pode estar em sua casa criando, o raio da criação, ele enxerga de outra forma. Vivemos um país que não tem incentivos culturais de grande porte, estamos sempre à mercê da governabilidade.

27) RM: Você é Rastafári?

Geda: Não sou rastafári. Sou um simpatizante, no que tange ao olhar Rastafári sobre os valores espirituais, sociais, políticos.

28) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como vocês analisam tal afirmação?

R: Não creio nesta afirmativa como sendo verdadeiramente vinda de um Rasta, talvez seja uma afirmação de um jamaicano e de jamaicano já ouvi.

29) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

R: Pelo estereótipo que o reggae carrega, nós brasileiros somos assim preconceituosos e não aceitamos enxergar as verdades expostas no reggae.

30) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

R: Existe o dom musical. Creio que cada ser nasce com habilidades diversas, nem todos dão atenção ou tenham o entendimento disso. Ter dom musical não garante sucesso nem que vai se utilizar disso.

31) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

R: Festival de Música é tudo de bom. O problema está em quem organiza e qual a real finalidade do Festival.

32) RM: Quais os pros e contras de se apresentar com o formato Sound System?

R: Só vejo coisas boas no formato de apresentação com Sound System.

33) RM: Quais as diferenças de se apresentar com banda em relação ao formato com Sound System?

R: Se tivermos uma boa atmosfera dentro do evento não vejo dificuldade, talvez num evento em que se tenha muito poucas pessoas, seja melhor atuar com a banda.

34) RM: Quais os seus projetos futuros?

R: Gravar, gravar, gravar…

35) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Contatos: [email protected] | www.gedamusic.com.br

| https://web.facebook.com/gedamusic

| www.instagram.com/geda.music

Canal:https://www.youtube.com/channel/UCMfDqx9m88_KewwGKxAuxwA

Geda – Sempre Acreditei:https://www.youtube.com/watch?v=KiKp1mSPfZU

GEDA – LAMENTO (Pessoas Sem Nomes):https://www.youtube.com/watch?v=xtBngs-b3uQ&t=6s

GEDA – VIBRAÇÕES POSITIVAS: https://www.youtube.com/watch?v=HEMOXi0heKI

Canal da banda Motivos Óbvios:https://www.youtube.com/user/motivosobviosoficial

“O ego” – Motivos Óbvios:https://www.youtube.com/watch?v=i80GDN45dwk

“Direitos Iguais” – Motivos Óbvios:https://www.youtube.com/watch?v=qiWVPR_xkB8

“O que precisa” – Motivos Óbvios:https://www.youtube.com/watch?v=zL1NxZzlzPw


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.