Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim

O que é um Riddim? Vinda da palavra Rythm (Ritmo em português), o Riddim consiste em uma música reinventada por qualquer artista de talento. Pegamos o instrumental de uma música e colocamos uma outra voz, uma nova letra, alguns efeitos sonoros, com a intenção de reinventar um clássico, uma música que pode ser repaginada infinitas vezes. Uma tradição da Jamaica que está tomando conta, inclusive, da música pop americana.

O projeto Brasil Riddim consiste em trazer o que há demais moderno no Reggae Mundial, trazendo todas as tendências atuais desse rico seguimento: New Roots, Ragga, DUB, Dancehall, Reggaeton. Cantaremos com artistas renomados da cena Reggae, Ragga nacional e artistas locais, sendo eles, artista solo ou integrante de bandas conhecidas no cenário brasiliense. O Brasil Riddim trará grandes artistas do Reggae Nacional fazendo versões de músicas consagradas pelo mundo afora. As improvisações e os DUBs serão uma marca viva desse projeto, que conta com músicos de alto nível, convidados incríveis e grandes novidades a cada apresentação.

Gabriel “JAHBÊ” sempre esteve ligado à música por ser filho de músicos. Multi-instrumentista, toca bateria desde os 16 anos de idade, além de tocar contrabaixo, guitarra, teclado. É cantor, compositor, produtor musical, operador de áudio, sonoplasta, técnico de som em shows e gravações. No ano de 1994, introduziu-se nos bastidores como assistente de som e roadie, para, mais tarde, exercer a função de técnico de som em shows e também em gravações em estúdio. Montou seu home-estúdio em 1998, gravando e produzindo em análogo, aprofundando-se e trabalhando com a era digital, adquirindo ainda mais conhecimento e experiência, além de bom gosto e maturidade sensitiva. A bateria sempre foi o instrumento natural de JAHBÊ. Seu ritmo bem apurado, desenvoltura, pegada e consistência, conquistaram muitos elogios e convites para diversas gravações e shows, tocando em praticamente todos os estados brasileiros, atuando com as bandas: Jahcareggae (DF), Renato Mattos (DF), Fighting Soldiers (SP), Brasil Riddim (DF), Sagaz Reggae Jam (SP), Flor Djá (GO), Raiz Tribal (MA), Jah Live (DF), Big Mountain (USA), Clinton Fearon (JA), Sugar Roy e Conrad Crystal (JA), Solano Jacob (SP), Dada Yute (SP), Homem de Pedra (DF), Dudu Aire (DF), IJAHMAN LEVI (JA), SLY FOX (JA) Capital Roots (MA), entre outros.

Em 1997, começou a compor suas músicas, tocando e cantando juntamente com a banda JAHcareggae, lançando quatro CDs em mais de 15 anos de carreira, atingindo mais de 30.000 CDs vendidos. Desde 2009 vem se apresentando com um projeto solo, apoiado por DJs e também com a banda Brasil Riddim, grupo que formou e que produz desde 2010, se apresentando em Brasília, Goiânia e outras cidades do Cerrado. Em 2014 lançou seu primeiro clipe “Mais fogo”, produzido por Ivan Lacombe e El Padrino films.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 11.07.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a data de nascimento e cidade natal dos membros da banda?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: O Projeto Brasil Riddim foi idealizado por Gabriel Vasconcelos, nascido no Rio de Janeiro no dia 01.11.1979 e o projeto consiste na formação de backing band, os instrumentistas se revezam além de convidados.

02) RM: Como foi o primeiro contato dos membros da banda com a música.

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Sou filho de músicos, tenho contato com música desde seu nascimento. Desde 1996 estudei Violão e Bateria, e me especializei em produção musical desde o início dos anos 2000, já produzi mais de 30 discos de diversas bandas.

03) RM: Qual a formação musical e acadêmica fora música dos membros da banda?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: A minha formação musical, estudei de forma autônoma desde 1992 e cursei dois anos na BEM – Escola de Música de Brasília. Sou assistente técnico de palco desde os 14 anos de idade, também compartilhei experiências com músicos experientes da cena musical de Brasília. Sou artista plástico, designer, hoje trabalho como radialista, telejornalismo, transmissão de Rádio e TV.

04) RM: Quais as influências musicais no passado e no presente dos membros da banda? Quais deixaram de ter importância?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: O Projeto Brasil Riddim sempre buscou o conhecimento aprofundado de Reggae, Ragga, Dancehall e suas vertentes. As influências musicais mais presentes estão dentro da cultura, porém muitas influencias de Rock, Blues, Hip Hop, MPB, estão presentes pela longa lista de influenciadores musicais, no entanto, para o projeto, buscamos conhecimento avançado para execução de truques e cacoetes específicos do gênero.

05) RM: Quando, como e onde começou a carreira musical da banda? E qual o significado do nome da banda

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Fundamos em 2009 unindo cinco músicos na busca dessa sonoridade e pegada reggae ragga, aos moldes de banda de apoio para artistas solo, com as convenções e padrões mundiais. Brasil Riddim, vem exatamente dessa cultura denominada riddim, grosso modo, vem da palavra Rithym, ritmo em português. Consiste em um instrumental envolvente, com linhas cíclicas definidas e espaço melódico para muitas canções se encaixarem. Tudo nasceu quando DJs tocavam o lado B dos discos, em festas Dancehall na Jamaica, e improvisavam em cima do instrumental DUB que a maioria dos produtores jamaicanos criavam. A banda veio da necessidade de artistas solo de produzirem seus shows, mesmo sem ter uma banda própria. Além de viabilizar shows de artistas nacionais e internacionais a custos reduzidos, utilizando a banda como base para o artista.

06) RM: Quantos discos lançados?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Os artistas solos que fazem parte da crew, tem alguns discos disponíveis nas plataformas digitais.

07) RM: Como define o estilo musical da banda dentro da cena reggae?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: A magia do Brasil Riddim consiste exatamente nessa pluralidade de possibilidades de estilos. Tocamos todos: Reggae pop, Roots, Digital, Ragga, Reggaeton, Dancehall, Hiphop, Rockers, Dub step, entre tantos. Nos adaptamos ao artista e a necessidade do cantor.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete dentro da cena reggae?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Sem definições.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que vocês admiram?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Sizzla, Bob Marley, Stephen Marley, Damian Marley, John Holt, Gregory Isaacs, Gilberto Gil, Capleton, Lutan Fyah, Peter Tosh, Bunny wailer, Laurin Hill, Marcia Griffths, Judy Moat, Rita Marley, Luciano, Gappy Ranks, Jesse Royal, Collie Budz, Alborosie, Buju Banton, Richie Stephens, Ce’cile, Richie Spice, Midnite, Queen I-frica, Third World… são tantos.

10) RM: Como é o processo de composição musical dentro da banda? Quem faz a letra e melodia?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Normalmente a produção musical fica por minha conta (Gabriel JAHBE), a organização, criação de arranjos, regendo as gravações e apresentações. As letras e melodias ficam a cargo do cantor que vai se apresentar conosco. No meu caso eu crio todas minhas letras e melodias.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Liberdade de fazer o que quiser, mas, com certeza, sem apoio, nenhum artista vai para frente. Ter sucesso depende de muitos fatores, mas ter uma carreira só depende da gente.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que vocês praticam para desenvolverem a carreira musical?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Hoje em dia estamos participando de ações em streaming, divulgação em Facebook e Instagram. Produzindo eventos pudemos juntar um grande número de artistas e essa junção de bandas faz propagar o projeto.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da carreira musical?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: O excesso de informação na internet faz com que não haja muita diversidade, com a massificação de MP3 perdeu-se o valor comercial do produto físico do disco, algo que ajudava financeiramente a banda. Hoje é mais democrático, mas ao mesmo tempo mais difícil de se destacar. A super exposição também criou uma aversão ou cancelamento de muitos artistas, são dois lados da moeda, bem usado é sempre para somar.

14) RM: Como vocês analisam o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: O cenário do reggae é bem fraco, desorganizado e desunido. Hoje a concorrência diminuiu, pois diminuiu os eventos em geral. Até por não termos criado uma geração de bons produtores de eventos dentro do Reggae. A qualidade das bandas também não tem melhorado. As que tocavam um som mais consistente permanecem, outras bandas que não eram tão encaixadas com o tempo ficaram mais coesas, mas poucos trabalhos mostram algo capaz de surpreender. Alguns produtores estão ajudando a elevar a qualidade das produções, a longo prazo teremos boas surpresas, acredito. Assim como um atleta, o músico precisa estar no palco para se desenvolver, mas com poucas oportunidades de shows, existe uma busca maior de artista e banda para produzir bem uma música (single) e lançar no mercado. A postura do artista e banda mudou a partir dos 2000, pois era quase uma regra básica ter tempo de palco para criar corpo e desenvolver uma carreira musical.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (Home Studio)?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Não vejo nenhuma desvantagem para quem tem experiência suficiente para fazer uma boa gravação. No Brasil há pouca formação e muitos autodidatas, e poder criar música com facilidade é incrível na era digital, porém não significa que o material seja de boa qualidade, mas a liberdade para música existir é muito maior hoje.

16) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Os músicos são verdadeiros heróis, com certeza passamos por tudo citado na pergunta e que se possa imaginar. Os produtores amadores não se cansam de nos surpreender; como ser acusado de mijar na parede da Casa de Shows, no momento em que estávamos passando o som em outro local. Receber notas falsificadas como cachê; viajar 2000 km e chegar no lugar e o evento não existir; daria um livro de tantas histórias. Até o palco ser invadido pela polícia local pedindo que parássemos o show, pois a música não era condizente.

17) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: O que me deixa triste é a dificuldade de se produzir e tocar fora do mainstream. Final dos anos 90 até meados dos anos 2000, existia um florescer de eventos e um interesse por música local que hoje em dia acabou. Hoje, somente quem tem views e seguidores expressivos consolida a carreira, e isso tem a ver com dinheiro e trabalho, não com música.

18) RM: Vocês acreditam que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Rádio é uma empresa, e nenhuma empresa trabalha de graça para você. Quem espera que sua música toque em rádios sem pagar o jabá vai morrer sem escutar.

19) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Foque na música e em boas composições. Ter muita determinação e foco, a corrente que faz mover a carreira musical depende muito de você querer acima de tudo. A carreira musical é trabalho, ensaios, conhecimentos de marketing, streaming, são muito importantes.

20) RM: Como vocês analisam a relação que se faz da música reggae com o uso da maconha?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: O uso recreativo e medicinal da cannabis deveria ser legalizada em todo mundo, não vejo nenhuma diferença social dela com o álcool. O Reggae sempre pregou a liberdade do uso e o potencial medicinal, meditativo da ganja, um benefício comprovado para muitas pessoas. Forte bandeira da música reggae, foi muito importante na luta pelo uso consciente, educativo e não discriminado.

21) RM: Como vocês analisam a relação que se faz da música reggae com a religião Rastafari?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Movimento Rastafári; já que nem todos que se identificam com Rastafári tem a ligação religiosa, foi o pilar para a música Reggae. As meditações e rituais de Nyahbinghi, com uso da cannabis e o mantra do toque dos tambores, fizeram nascer a raiz mais profunda da música Reggae. Estão intrinsicamente ligados Reggae-Ganja-Rastafári, além da mistura com outros ritmos. A música Reggae resgata muito a fé e a religiosidade das pessoas e suas letras passeiam por nuances religiosas, muitas vezes confundidas com a música gospel. O outro ritmo que é raiz do reggae, o Mento, veio das músicas de igrejas cristãs da ilha jamaicana.

22) RM: Alguns adeptos da religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como vocês analisam tal afirmação?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Entendo que existe um caminho mais curto para se chegar ao Reggae, através do movimento Rastafári, assim com os terreiros e religiões africanas estão para quem faz Samba. Quem bebe dessa fonte, atinge mais rápido o conhecimento do Reggae. Não se aprofunda no conhecimento musical sem entender onde nasceu, quem foram os criadores do gênero. E, nesse sentido, sim, quem procurar o Rastafári, chegará mais rápido ao reggae. O movimento musical do Reggae jamais estaciona nesse parâmetro, uma música popular como ela se tornou, permitiu que todos os gêneros e segmentos musicais se misturem de alguma forma com harmonia. Quem quer aprender Forró deve procurar o Nordeste e as raízes, quem quer aprender o Samba, deve ir ao morro e as favelas para captar toda atmosfera. Ao meu ver quem toca reggae e ignora o movimento Rastafári, só tem a perder.

23) RM: Na sua opinião quais os motivos da cena reggae no Brasil não ter o mesmo prestígio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Temos um país muito rico musicalmente, creio que a concorrência é cruel. O país do Samba, do Forró, do Sertanejo, do Axé music, o Reggae sempre estará em segundo plano.

24) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Existe o dom artístico, defino como uma mistura de intuição e trabalho.

25) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Não sei o que responder, nunca trabalhei com a grande mídia. Acho que tudo é business, quem tem grana abre portas, quem tem talento e grana, abre portões.

26) RM: Gabriel JAHBÊ, Quais os seus projetos futuros?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: Em 2021, vamos fundamentar melhor as bases do grupo Brasil Riddim e criar mais conteúdo digital. Fazer música com amor e paixão, é o que nos move.

27) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim: (61) 98380 – 0034 | https://web.facebook.com/gabrieljahb

| https://web.facebook.com/brasilriddim

| https://www.instagram.com/gabrieljahb

|https://www.instagram.com/brasilriddim

|https://www.instagram.com/jahcobbruno

|https://open.spotify.com/artist/4mX9AYP1EA86sBPjcUKtz7?si=rfN9oZp_TLOFBxT6MjEG7A

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCv0Vya_FvS5MJYq6Y2fdpPg

SOU DE PAZ – Gabriel JAHBÊ & Brasil Riddim – Ao vivo no Cerrado Reggae Festival: https://www.youtube.com/watch?v=anhjGFUhIcE

MAIS FOGO – JAHBÊ & Brasil Riddim – Ao vivo Cerrado Reggae Festival: https://www.youtube.com/watch?v=XJETP0TGs0E

Clinton Fearon Feat BRasil RIddim – Rock Road: https://www.youtube.com/watch?v=DwGttFthdh0

Bruno Jacob Feat Brasil Riddim – Valerie: https://www.youtube.com/watch?v=0Nxw6sYmEtY

Homem de Pedra & Banda Brasil Riddim – Cerrado Virtual 2011: https://www.youtube.com/watch?v=2P8OCcUzXi8


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.