Fuba

Fuba

O cantor, compositor, baterista, percussionista e violonista paraibano Flávio Eduardo Maroja Ribeiro, conhecido artisticamente como Fuba nasceu em João Pessoa e viveu a sua infância em Campina Grande.

Nos anos 60 começou a participar de um grupo musical formado por adolescentes “Os Peraltas”, em que tocava bateria. Foi nesta fase que recebeu o apelido de Fuba, dada a sua preferência pelo fubá, um tipo de farinha de milho moída e torrada, originária do sertão da Paraíba e bastante consumida na região.

Logo cedo por influência dos avôs materno e paterno, teve o seu interesse despertado para a música e se tornou autodidata desenvolvendo a sua capacidade de tocar violão, bateria e instrumentos de percussão. Viveu parte de sua juventude no Rio de Janeiro, tentou ingressar na vida acadêmica ainda chegando a cursar, sem concluir, Engenharia Mecânica, Engenharia Elétrica e Engenharia Civil, finalmente tomando a decisão de sua vocação para a música e assumindo esse percurso.

Estando entre o Rio de Janeiro e Paraíba, estreou como compositor no II Festival de Inverno de Campina Grande, no ano de 1977. Neste mesmo ano criou o grupo “Pó Puêra” realizando uma turnê em cidades do Nordeste, principalmente nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Paraíba.

Trabalhou na área de Publicidade, em que compôs jingles para diversas finalidades. Entre o ano de 1979 e 1980 participou e promoveu apresentações musicais, shows e outros, tais como: Show “Caraíba Parioca” com apresentação em vários teatros do Nordeste. Show “Lá vem a Barca” em São Paulo, em 1980, com circulação em São Paulo, Rio de Janeiro, Ouro Preto, Uberlândia, Uberaba, Belo Horizonte. Show “Folia” com participação especial em lançamento de LP de Lenine e grupo Nós e Voz. Show “Gente de Baque Solto” em Curitiba – PR, no ano de 1982 com Lenine, Ivan Santos e Alex Madureira. No mesmo ano o Show “E se Alguém encostasse o Brasil na parede e pedisse para ver os documentos” juntamente com Jarbas Mariz, Bráulio Tavares e Pedro Osmar. Participou do Projeto Pixinguinha com Emílio Santiago, Rosinha de Valença e Wasghinton Spínola. 

Fuba em 1989 realizou o Concerto para Mayara com músicas autorais em homenagem ao nascimento de sua primeira filha. Entre o período de 2001 a 2010 produziu o Projeto Seis e Meia com apresentações de artistas nacionais e locais, semanalmente, nas cidades de João Pessoa e Campina Grande. Tem participação especial em álbuns de outros artistas, tais como o LP – “Música da Paraíba Hoje”; “Gente de Baque Solto” – Lenine e Lula Queiroga (participação vocal em três músicas), “Coração Brasileiro” – Elba Ramalho, com participação vocal.

Fuba tem músicas de sua autoria gravadas por Lenine, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Renata Arruda, Jarbas Mariz, Márcia Freire, entre outros. Compôs trilha sonora para cinema, filme “Entre as Estrelas e as Catacumbas” direção de Machado Bittencourt e “País de Tréguas” direção: Umbelino Macedo.

Fuba tem gravados um LP e sete CDS: “O Carnaval de Fuba e as Muriçocas”, “Sculamba”, “Zoom do Quengo”, “O Melhor das Muriçocas”, “Fuba de Bem com a Vida”, e o mais recente “Consagração”, além das reedições em CD de “O carnaval de Fuba e as Muriçocas do Miramar” e “As Muriçocas do Miramar”. Publicou livros, sendo publicação artesanal: “A estrela satelítica”, “Apenas um dia”, além do livro de crônicas: “Nas ruas de nossas cabeças” e do livro resultante do seu trabalho de pesquisa histórica Parahyba 1930 – a verdade omitida.

Fuba se tornou bastante conhecido como compositor carnavalesco, sendo um dos fundadores e puxador oficial além de compositor do hino, do bloco multicultural de prévia carnavalesca “Muriçocas do Miramar”. Foi também um dos fundadores do movimento e da Associação Folia de Rua. Em 2005 foi eleito vereador na capital da Paraíba, pelo PSB, exercendo o seu primeiro mandato abraçando principalmente as causas dos movimentos culturais da cidade. Autor do projeto de Lei que instituiu o Conselho Municipal de Cultura, da Lei que determina o percentual de 20% de música paraibana nas grades de programações de rádios locais. Durante o mandato inovou na forma de fazer política criando o espaço Gabinete Cultural no centro histórico da cidade, aberto ao apoio, difusão, incentivo as mais diversas expressões da arte e cultura local. Novamente em 2010 foi eleito vereador, desta vez pelo PT, exercendo o segundo mandato até o ano de 2015. A partir daí, tomou a decisão de se afastar da política partidária com eleição a cargos e retornou a sua atividade de músico, compositor e produtor cultural, onde vem realizando shows locais e compondo novas canções.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Fuba para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 11.11.2020:

Índice

 01) RM: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Fuba: Nasci no dia 01 de setembro de 1956. Quanto à cidade natal, poderia ter sido Campina Grande – PB, mas por um acidente hídrico, há quatro meses estava faltando água na cidade, minha mãe optou em me ter em João Pessoa – PB, cidade dos meus avós maternos. Registrado como Flávio Eduardo Maroja Ribeiro.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Fuba: Meu avô paterno tocava vários instrumentos, então desde criança eu tinha contato com a música e gostava de escutar o meu avô. Quando tinha nove anos de idade, o meu irmão mais velho pediu de presente ao meu pai uma guitarra, que ele mandou comprar em São Paulo. Naquela época a única loja de instrumentos por aqui não vendia guitarra. Logo depois, o meu segundo irmão ganhou um contrabaixo de presente, e assim começou a surgir a banda infantil “Os Peraltas”, que era uma imitação dos imitadores dos Beatles, a banda era inspirada na Jovem Guarda. Eu quis entrar na banda, meu pai me levou para um programa de rádio chamado Clube de Papai Noel, programa de auditório, para ver de perto uma Bateria. Apaixonei-me pela Bateria e me tornei o baterista da banda que durou até 1970, chegando a se profissionalizar, tocando em vários estados e também em cidades do interior. A formação da banda era a seguinte: Pedro Flávio – guitarra solo, Paulo Roberto – baixo, Geovani Barros – guitarra base, Valério Moura – escaleta, e eu na bateria.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Fuba: A minha formação musical começou com “Os Peraltas”, e a partir daí me tornei autodidata, sempre interessado em aprender novos instrumentos, quando passei a me identificar mais com o Violão, o instrumento que prefiro até hoje. Aos dezessete anos comecei a compor.

Ao mesmo tempo em que era atraído pelo universo da música, eu tinha a intenção de me formar em Medicina, fiz o terceiro ano científico onde já tive uma aproximação com a parte prática dessa profissão e descobri que na realidade não seria uma escolha acertada, então fiz vestibular para Engenharia Elétrica, um ano depois pedi transferência para cursar Engenharia Mecânica na URNE (Universidade Regional do Nordeste), seis meses depois a URNE foi encampada pela Universidade Federal da Paraíba, como não havia Engenharia Mecânica, pedi transferência para Engenharia Civil. Resumindo, comecei o curso Engenharia Elétrica que deu choque nas disciplinas com Engenharia Mecânica, que não engrenou e o curso de Engenharia Civil, não me serviu para nada, pois na verdade a minha escolha era a Música.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Fuba: Meu pai ouvia muito programas de rádio, e eu, atento a tudo, fui sendo influenciado de forma bastante eclética por vários estilos da época, principalmente a Jovem Guarda, mas também bebia na fonte de Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves, Trio Irakitan, Jackson do Pandeiro, entre outros. No presente eu tenho preferencia pelo que considero a boa música popular brasileira, em geral, são muitos os nomes que poderia citar, Geraldo Azevedo, Lenine, Alceu Valença, Raul Seixas, Caetano Veloso, Gilberto Gil, todos que revolucionaram a minha época e que se firmaram até hoje. Nenhuma deixou de ter importância. Há a diferença de estilos de épocas, a música de certa forma vai se renovando, mas ela é eterna, então nenhum estilo, ou músico deixa de ter sua importância.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Fuba: Me apresentei pela primeira vez tocando uma música de minha autoria, chamada “Casa Caiada” no II Festival de Inverno de Campina Grande, em 1977. Logo em seguida junto com meu irmão Paulo Ricardo e Amaury Maia, criamos o grupo “Pó Puêra”, com músicas autorais, que circulou em alguns estados e cidades, realizando shows a exemplo do show Caraíba-Parioca. Neste mesmo período comecei o meu trabalho de produtor cultural, com a produção da I Coletiva da Música Paraibana em que participaram músicos a exemplo de Pedro Osmar, Zeca Lopes, Gustavo Porto, entre outros. Logo em seguida produzi o show do poeta amazonense Thiago de Melo e Sérgio Ricardo, “Faz Escuro, mas eu Canto”. E segui fazendo produção cultural até hoje.

 06) RM: Quantos CDs lançados?

Fuba: Tenho lançados um LP e seis CDs. O LP – “Carnaval de Fuba e as Muriçocas”, e os CDs: “Sculamba”, “Quarta- feira de Fogo”, “Zoom do Quengo”, “De Bem com a Vida”, “O melhor das Muriçocas” e “Consagração”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Fuba: Não posso afirmar que tenho um único estilo, porque componho em vários ritmos: canções, samba, frevo, maracatu, reggae, forró, xote. Mas, talvez possa dizer que meu estilo é profundamente vinculado às raízes regionais. Por ser um dos fundadores, compositor e puxador oficial do bloco “Muriçocas do Miramar”, muita gente pensa que sou apenas compositor de frevos, carnavalesco. No entanto a minha produção de outros estilos é bem maior, inclusive com muitas músicas ainda inéditas.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Fuba: Na verdade, eu nunca tive interesse em estudar técnica vocal, pois me considero muito mais um compositor. Eu apenas canto as minhas músicas, do meu jeito, então nunca senti a necessidade de ter muito atenção ao que é necessário para uma carreira de intérprete. Ainda assim ainda tive algumas aulas com a professora Maria Helena no Rio de Janeiro, em que aprendi o básico.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Fuba: Para quem quer seguir a carreira de intérprete é fundamental.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Fuba: É uma pergunta muito difícil, porque são muitos. Mas, posso citar Elis Regina, Marisa Monte, Elba Ramalho, Milton Nascimento, Gilberto Gil, entre outros

11) RM: Como é seu processo de compor?

Fuba: É um processo diário, porque tudo me inspira, e pode acontecer em qualquer lugar ou momento, em casa, em um avião, na praia, no ônibus, surgir motivo para uma melodia, uma letra. Então a partir desse momento passo a trabalhar a música propriamente dita, organizando os acordes, a melodia, escrevendo a letra. Para mim é uma conexão com o universo, que eu chamo de Divino. Não tem muito como explicar, é um processo que se divide entre um momento de inspiração e outro de produção, de trabalho.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Fuba: Bráulio Tavares, Jarbas Mariz, Zeh Rocha, Alex Madureira, Waldo Lima do Valle, entre outros.

 13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Fuba: Elba Ramalho, Lenine, Zé Ramalho, Renata Arruda, Jarbas Mariz, Márcia Freire, Pedro Osmar, Gláucia Lima, Marcos Mendes, recentemente “Os Gonzagas”.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Fuba: No início da minha carreira musical, eu vivi uma fase que me ajudou muito que foi a produção de jingles, que na época era um mercado muito movimentado, em que havia uma grande demanda. Então, sobrevivi muito tempo com a produção de jingles diversos, ao mesmo tempo em que seguia minha carreira de compositor e de produtor cultural. A produção independente me dava então uma liberdade de escolha, o que é muito importante para não limitar a criação artística.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Fuba: É algo muito relativo porque depende do projeto em que estou envolvido no momento que transita entre o trabalho de produtor cultural, compositor, produção do bloco “Muriçocas do Miramar”, ou de outros eventos.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Fuba: Até o ano de 2014, a minha principal ação era a de escolher algumas composições e gravar em CD como forma de divulgar a minha produção. Para isso cheguei a elaborar um projeto denominado Azulejos Musicais, em que pretendia gravar dez CDs com músicas de minha autoria, com ritmos diferentes, seria um azulejo de reggae, outro de rock, outro de xotes, formando um painel de minha produção musical. Iniciei o projeto com o CD de samba, “Consagração”. No entanto, resolvi não dar continuidade diante da dificuldade de circulação de CDS no mercado. Ultimamente, procuro com o uso das plataformas virtuais, fazer circular o meu trabalho através de algumas delas, tais como Spotify, Youtube, mas buscando um planejamento para melhor utilização desses meios.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Fuba: Ajuda no sentido de ter um maior e mais rápido alcance de público. Ao mesmo tempo o CD físico é um trabalho muito elaborado, com várias etapas, que vai da criação musical, aos arranjos, gravação de estúdio, etc, e perde o seu valor, pela facilidade em se ter acesso as músicas através da internet. O que de certa forma desvaloriza a qualidade de todo esse trabalho. Hoje em dia o CD é mais um produto de divulgação e o artista só tem o retorno financeiro de seu trabalho através de shows, cachês e bilheteria.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Fuba: Antigamente era muito difícil gravar um disco (CD), hoje é tudo mais fácil, o custo de produção é bem menor, por outro lado o mercado para a venda de CDs se tornou praticamente inexistente. E explodiu o acesso às gravações através das tecnologias digitais que leva a algumas questões que precisam ser resolvidas, tais como o controle dos direitos autorais, o retorno financeiro da produção, do trabalho empreendido com a gravação, entre outros aspectos.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Fuba: Na verdade, em minha produção musical não sigo muito a lógica de mercado. Tenho o meu trabalho disponibilizado em algumas plataformas digitais e estou sempre interagindo com compositores de todo o Brasil, mas muito mais no sentido de trocar ideias e me manter atualizado.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Fuba: Entre as revelações dos anos 90 eu destaco Chico Science com a criação do movimento Mangue Beat, com a riqueza de ritmos regionais numa pegada atual. Em 2000 são tantas as revelações musicais, principalmente o que tenho observado no estado da Paraíba com as novas gerações, que até prefiro não citar nomes para não correr o risco de esquecer alguns.

 21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Fuba: São muitos, no trabalho de produção do Projeto Seis e Meia, por exemplo, tive contato com muitos, posso citar aqui a cantora Joana que mesmo com um cachê simbólico se apresentava no Projeto trazendo a mesma estrutura com a qual se apresentava no Canecão. Destaco ainda Lenine, que tem uma dedicação permanente a sua produção. Cito também a produção do Grande Encontro, com Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Alceu Valença, entre outros.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Fuba: Em algumas ocasiões aconteceu a falta de condições técnicas, que em respeito ao público presente a gente tenta driblar de alguma forma. Vou registrar duas situações entre tantas. No período da Ditadura Militar, uma fase em que estavam explodindo bancas de revistas, eu participava de um show na Cinelândia – Rio de Janeiro, quando foi jogada uma bomba de gás lacrimogênio para dispersar o público, o que logicamente fez acabar o show.

Já uma situação inusitada e engraçada, aconteceu durante um show em Caruaru – PE quando no meio da apresentação uma senhora sentada na fila da frente, enquanto a banda tocava, ela ouvia algum programa em um rádio enorme ao pé do ouvido (risos).

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Fuba: O que me deixa mais feliz é o momento de finalização de uma nova música.  Sinto-me muito feliz também quando estou me apresentando, ou até mesmo ensaiando, com a Banda Sculamba. Aliás, quero citar aqui os nomes desses companheiros, amigos músicos que formam a banda, que são: Alex Madureira (guitarra), Igor Ayres (contrabaixo), Pablo Ramires (percussão) e Beto Preah Parahyba (bateria), todos feras na música, super profissionais.  Tristeza?… Não existe tristeza onde existe a música.

24) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Fuba: Um dom não se define. Não saberia definir, mas existe, sim.

25) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Lenine?

Fuba: Lenine faz parte da geração que foi para o Rio de Janeiro buscar novos espaços, a princípio morávamos eu e Bráulio Tavares na zona norte o bairro da Tijuca, e Lenine, Ivan Santos, Alex Madureira na Casa 9 na zona sul no bairro de Botafogo. Depois fomos todos morar na região central no bairro de Santa Teresa, aonde vivíamos fazendo música, cantorias. Sempre que surgia proposta de show para um, íamos todos nós. Minha segunda música gravada “Baque da Era” foi uma parceria com Lenine e Zeh Rocha, que saiu na época em um compacto simples e estourou na Rádio Nacional do Rio de Janeiro.

26) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Zé Ramalho?

Fuba: Zé Ramalho gravou “Temporal” minha em parceria com Bráulio Tavares, bastante conhecida, e muito solicitada até hoje nos shows.

27) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Elba Ramalho?

Fuba: Conheci Elba Ramalho em Campina Grande – PB, quando frequentávamos os mesmos bares, espaços de encontros do pessoal ligado a música e as artes em geral, tais como o Refavela e o Buracão. Ela também gravou: “Temporal”, “A volta dos Trovões” e teve participação especial no CD que lançou o movimento Folia de Rua. É uma das melhores cantoras do Brasil, um exemplo de profissionalismo.  Sempre que convidada Elba participa do Bloco “Muriçocas do Miramar”, a exemplo do maravilhoso show que realizou no ano de 2019, quando foi homenageada pelo bloco.

28) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Renata Arruda?

Fuba: Renata é amiga de muito tempo, pessoa que frequenta minha casa sempre que reúno amigos da música, também muito talentosa, uma parceira muito querida. Uma de minhas músicas de maior sucesso Porta do Sol, é bastante conhecida em sua voz.

29) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Jarbas Mariz?

Fuba: Jarbas Mariz é parceiro de longas datas, fomos vizinhos em São Paulo, quando moramos no mesmo andar. Temos várias parcerias musicais. Realizamos vários shows em São Paulo, entre os quais os inesquecíveis para mim, “Nas Portas dos Cabarés” – com a participação de Chico César e Cleston Teixeira e “Se alguém encostasse o Brasil na parede e pedisse para ver os documentos?”junto com Bráulio Tavares, Pedro Osmar, Paulo Moura. 

 30) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Chico César?

Fuba: Chico César é um querido amigo, um dos grandes talentos da música popular brasileira, um grande poeta. Tive o prazer de ter a sua participação no Projeto Seis e Meia, no Bloco “Muriçocas do Miramar”, e inclusive na gravação do hino oficial do bloco onde cantamos juntos no CD – Folia de Rua, produzido por mim.

 31) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Bráulio Tavares?

Fuba: Bráulio Tavares é mais que um parceiro, considero um irmão. Moramos juntos no Rio de Janeiro nos bairros: Tijuca, Ipanema, Santa Tereza nos anos 80. Tivemos então oportunidade de fazer muitas parcerias e estreitar nossos laços de irmandade que permanecem até hoje.

32) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Pedro Osmar?

Fuba: Pedro Osmar é um parceiro antigo, um guerrilheiro cultural que está sempre ligado e preocupado com a cultura e a cena local, fizemos também algumas parcerias musicais.

33) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Paulo Ró?

Fuba: Falar em Paulo Ró de certa forma é também falar em Pedro Osmar, por causa do importante projeto Jaguaribe Carne, e da participação de ambos nas ações do Musiclube da Paraíba. Paulo Ró tem uma capacidade musical incrível, mas até hoje não temos nenhuma parceria musical.

34) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Márcia Freire?

Fuba: Com Marcia Freire o único contato direto que tive foi em um momento muito bonito quando cantamos juntos com Nando Cordel em um trio elétrico acompanhados por uma multidão, na Caminhada pela Paz, que foi realizada aqui em João Pessoa – PB. Tempos depois tive a grata surpresa em saber que minha música Porta do Sol foi gravada por ela.

35) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Fuba: O pagamento do jabá é uma prática que nunca aceitei e se depender disso, prefiro que nem toque. Em 2006 estando exercendo o mandato de vereador apresentei um projeto de lei para que as rádios locais, em João Pessoa – PB, fossem obrigadas a colocar em sua grade de programação 20% de músicas paraibanas. Junto com muitos músicos e compositores fizemos um movimento de visitas as rádios em que distribuímos uma grande quantidade de CDs. Infelizmente a lei não vingou porque as emissoras entraram com Ação direta de inconstitucionalidade (ADIN). Atualmente aqui em João Pessoa, apenas uma rádio, a Rádio Tabajara ainda toca a produção musical local.

36) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Fuba: É sempre um desafio seguir a carreira musical. Os desafios de hoje são completamente diferentes da época em que iniciei a minha carreira musical, mas o que eu digo é que em qualquer tempo é preciso ter dedicação, procurar circular não apenas divulgando a música nos canais da internet, mas buscando outros espaços, indo a outras cidades além da sua, realizando shows conhecendo pessoas que participam do cenário musical.

37) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Fuba: Antigamente os Festivais de Música tinham importância fundamental no cenário da música, era um momento esperado, em que surgiram importantes nomes da música popular brasileira. Atualmente alguns festivais resistem de forma pontual, em alguns Estados, não tem o mesmo peso, mas ainda permanecem como espaços importantes para apresentar novos nomes e talentos.

 38) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Fuba: É relativo. Geralmente a grande mídia dá maior projeção a nomes já consolidados e a outros que estão despontando no cenário musical com uma proposta mais comercial. Eu acho que jornalistas ligados a grande mídia precisam adentrar mais ao Brasil, conhecendo suas expressões musicais, suas raízes, as cenas regionais.

39) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Fuba: Essas instituições tem dado ao longo dos últimos anos uma importante contribuição à cena musical seja através de editais, ou espaços de apresentação. O edital Rumos Itaú, por exemplo, traz a cena importantes projetos musicais que restritos as suas localidades não encontrariam respaldos, formas de execução.          

 40) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Fuba: Até antes da pandemia do novo corona vírus, o circuito de Bar em João Pessoa – PB era o mais importante e na verdade era os únicos espaços que restaram, porque não existia mais o tempo de shows abertos ao público nas Praças, na Praia, nas Casas de shows, Teatros, como acontecia até o final do ano de 2010. Bares e Cafés passaram a ser o principal espaço para a realização de shows, de pequeno porte. Locais como exemplo: Budega Arte e Café, General Store, Recanto da Cevada, Espaço Mundo, Café da Usina Cultural, entre outros eram os espaços da iniciativa privada que abriam as portas a nossa cena musical com shows de nomes já consolidados e também da nova geração. Havendo agora uma pausa devido a pandemia.

41) RM: Fale sobre sua atuação política e como gestor público.

Fuba: Minha atuação na vida politica partidária aconteceu como reflexo da minha vida profissional como compositor e produtor cultural. Em 1995 fui convidado para ser candidato a vice prefeito na articulação do Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Popular Socialista (PPS) do qual eu era filiado e Partido Verde (PV), onde o candidato a prefeito, era o padre Luiz Couto. Não tivemos êxito.

Em 2004, estava concluindo a minha gestão como presidente da Associação Folia de Rua, quando um grupo de artistas, ambientalistas, pessoas ligadas ao turismo escolheram meu nome como representante dessas categorias, como candidato a vereador. Fui eleito para o exercício parlamentar de 2005-2008. Neste mandato aprovei projetos de interesse destes segmentos, a exemplo da implantação do Conselho Municipal de Politicas Culturais de João Pessoa, a Lei de municipalização das rádios comunitárias, e da obrigatoriedade de 20% de música paraibana nas rádios locais, a lei que institui que a marca da administração municipal passe a ser sempre o brasão oficial do município, o que representa uma grande economia aos cofres públicos, alimentação diferenciada para crianças com diabetes, entre muitos outros.

Em 2012 fui eleito a um segundo mandato como vereador, então filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) e dei continuidade a apresentação e aprovação de projetos de lei que correspondiam aos anseios das categorias citadas, mas também voltado a atender demandas de outros segmentos e da população como um todo. Uma das coisas que pude observar, é que de quase nada adianta apresentar e ter aprovada uma Lei quando essa muitas vezes não é efetivada pelo Poder Executivo, não é colocada em prática e passa a fazer parte de arquivos quase mortos nas Câmaras Municipais. Após esse segundo mandato percebi que já tinha dado a minha contribuição à politica e resolvi me afastar da política partidária, não pretendendo mais ser candidato a nenhum cargo público.

42) RM: Quais os seus projetos futuros?           

Fuba: Durante o período de atuação parlamentar minha atividade de produtor cultural, de compositor, ficou prejudicada por não ter o tempo necessário de dedicação. Então, agora pretendo reativar projetos a exemplo do Projeto Seis e Meia, que produzi na Paraíba durante dez anos, totalizando 1.200 shows, trazendo nomes nacionais, dando espaço a músicos locais, repensar e reorganizar a estrutura do Bloco Muriçocas do Miramar, lançar a segunda edição do livro Parahyba 1930 – A verdade Omitida que tem a sua primeira edição esgotada e é bastante procurado, e ainda nessa linha pretendo outras publicações. Lógico que também pretendo cuidar da minha produção musical, catalogar e organizar as músicas que tenho as letras escritas em cadernos, que os amigos mais próximos chamam de caderninhos musicais, onde ao longo de alguns anos tenho registrado mais de 800 composições.

A partir do dia 21 de março 2020, estando em isolamento social por conta do Covid-19, tenho me dedicado a compor um hinário espiritual com mantras, canções de alerta à humanidade, ao planeta, o que surgiu a partir de um sonho que tive e já me levou a compor até o presente momento 98 canções. Passado o período de pandemia decidirei o que fazer com esse trabalho. Além disso, tenho participado e realizado algumas lives e tendo gratas surpresas como a de ter recebido o Prêmio Grão de Música, e ter gravada recentemente a música “Milagre do Tempo” pelo grupo Os Gonzagas, o que me deixou feliz por ser um grupo de nova geração com um trabalho primoroso e que deu uma nova roupagem a uma música que compus na década de 80, quando descoberto o vírus do HIV e que traz por isso uma mensagem muito atual nesses tempos de pandemia. 

43) RM: Fuba, Quais seus contatos para show e para os fãs? 

Fuba: [email protected]  e exclusivamente para shows e contatos profissionais: [email protected] 

/ https://web.facebook.com/eduardofuba 

/https://web.facebook.com/fubapb 

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCCoTUn5SmS2fXSmFf4iFEyg 

Fuba – Porta do Sol: https://www.youtube.com/watch?v=5DiQJKCZTns 

Zé Ramalho – Temporal (Bráulio Tavares / Fuba): https://www.youtube.com/watch?v=ynbflkXfS48 

CD – Sculamba – FUBA: https://www.youtube.com/watch?v=YMuwRzjOC4M&list=PL_yR9-8fYtyWwPd70_u7J0A2jUVX3Lpqq

CD – DE BEM COM A VIDA – FUBA: https://www.youtube.com/watch?v=1rPgmbiQrcM&list=PL_yR9-8fYtyXRXkn4vWwplIQLvf7lDe8Y 

CD – BAQUE DA ERA – Mestre Fuba: https://www.youtube.com/watch?v=IQTtyh-dUTQ&list=PL_yR9-8fYtyUAjfMviuVtn20yeEriendv 

CD – SAMBA SEM GRAÇA – Mestre Fuba: https://www.youtube.com/watch?v=0vX_esRC6yM&list=PL_yR9-8fYtyUQQEgGQRjyBS2j46eNITe3 

CD – Muriçocas de Miramar – Mestre Fuba: https://www.youtube.com/watch?v=j9olNuujQfs&list=PL_yR9-8fYtyX8uMfcLjf5Dt5pVlY5NObt 

Fuba no Vanguarda com Sérgio Montenegro – TVMaster – Fevereiro 2014: https://www.youtube.com/watch?v=zpStW3KTrBg


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.