Chambinho do Acordeon

Chambinho do Acordeon

Cantor, compositor, acordeonista, ator paulistano Nivaldo Expedito de Carvalho, mais conhecido como Chambinho do Acordeon. Aos oito anos de idade mudou-se com a família para Jaicós, no Piauí, onde aprendeu tocar sanfona, com o seu avô Zezinho Barbosa. Essa primeira escola, tão afetiva, quanto autêntica, lhe deu os macetes dos velhos sanfoneiros, como também o gosto pelo autêntico Forró.

Em 1991, aos 11 anos de idade, “Chambinho” retornou para São Paulo, trazendo uma bonita sanfona “Mundiale”, mas o ambiente não estava muito favorável para xotes e baiões. Acabou investindo em um teclado e aos 16 anos começou atuar em grupos de Samba e Pagode. Após alguns anos tocando na noite paulistana, surgiu um convite muito especial: integrar a Banda Caiana, formada por mais quatro jovens que, assim como ele, buscavam um caminho de retomada da tradição nordestina e logo a banda se destacou no cenário do “Forró universitário”.

Chambinho se tornou um acordeonista requisitado no competitivo universo musical paulistano e veio o convite para acompanhar a célebre Banda de Pífanos de Caruaru, com a qual fez muitos shows e gravou o CD – “No século XXI, no Pátio do Forró” (Trama, 2002), premiado pelo Prêmio Tim e pelo Grammy Latino, na categoria “música regional”. No mesmo período, viajou para o Nordeste com “Dantas do Forró”, onde começou a cantar, e com o cantor “Luciano DaGata”. Participou ainda, de uma divulgação internacional do Forró com o grupo “Forró na Pressão”, na cidade de Açores, em Portugal. Integrou o “Trio Zabumbão”, por dois anos. Acompanhou grandes nomes do Forró como “Família Gonzaga”, Anastácia e o grande humorista João Claudio Moreno. Em 2012 interpretou o personagem de Luiz Gonzaga, no filme “Gonzaga: De Pai para Filho”, dirigido por Breno Silveira. Ele foi selecionado entre mais de 5 mil candidatos para fazer o papel do rei do Baião e aprendeu a atuar com Nanda Costa e com o preparador de ator Sérgio Penna. A sua semelhança física com Gonzaga já chamava a atenção de algumas pessoas e somado o fato de ser músico fez com que ele conquistasse o papel. Em 2016 participou da novela global “Velho Chico”.

“Chambinho” é um dos maiores defensores da valorização da música e das tradições culturais nordestinas e sem papas na língua já reivindicou o devido lugar dos artistas nordestinos nas respectivas festas juninas, indo de encontro a artistas de outras regiões que querem ocupar a cena desenvolvendo um ritmo que em nada condiz com as raízes do Nordeste, coro engrossado por Elba Ramalho, Flávio José, Alcymar Monteiro, Antonia Amorosa, entre outros. Uma coisa é diversidade cultural e outra é o respeito às tradições de uma região que sempre foi e é história no Brasil.

Na sua carreira solo o repertório são músicas autênticas do Nordeste como o baião, xote, xaxado, côco e arrasta-pé. Músicas de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Alceu Valença, Zé Ramalho, Trio Nordestino estão sempre em suas apresentações.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Chambinho do Acordeon para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 10.05.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Chambinho do Acordeon: Nasci no dia 07.06.1980, em São Paulo. Registrado como Nivaldo Expedito de Carvalho, sou filho de piauienses (Expedito João de Carvalho e Maria Auxiliadora de Carvalho) e aos 8 anos de idade a minha família voltou em 1988 para de Jaicós, Piauí.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Chambinho do Acordeon: Quando eu tinha 8 anos de idade minha família voltou Jaicós, Piauí, e aprendi tocar com o meu avô Zezinho Barbosa, que tocava sanfona de 8 baixos e afinava acordeons. Essa foi a minha primeira escola que me fez conhecer os velhos sanfoneiros nordestinos e tomar gosto pelo autêntico Forró.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Chambinho do Acordeon: Sou autodidata. O pouco que sei, aprendi com o meu avô Zezinho Barbosa e na escola da vida.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Chambinho do Acordeon: Minhas influências na adolescência foram: Forró, Samba, música Sertaneja, um pouco de hip hop. Atualmente, minha influência é repente e Forró: Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Sivuca, Jazz, Blues, Brega.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Chambinho do Acordeon: Em 1996, aos 16 anos, comecei a tocar nas noites de São Paulo. Comecei tocando teclado em grupos de Samba e Pagode. Meu nome artístico Chambinho começou por conta de um amigo perceber que eu gostar muito de comer Danoninho e ele achava eu parecido com o tecladista Chambourcy. Ele também achava que o meu nome Nivaldo não faria sucesso.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Chambinho do Acordeon: Em 2007 o CD – “Pra Ficar” com participação Paroara do Acordeon. Em 2008 o CD – “Revivendo Luiz Gonzaga” com participações: Flavinho Lima e Dantas do Forró. Em 2012 o DVD e CD – “Ao Vivo” com participações: Luciano Dagata, Ito Moreno, Flavinho Lima. Em 2015 o CD – “Verdade” com participações: Fagner, Flávio José, Targino Gondim, Waldonys, Cezzinha, Adelson Viana. Em 2016 o CD – “Grito de São João”. Em 2015 DVD e CD – “Ao vivo em Campina Grande – PB”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Chambinho do Acordeon: Meu estilo é Forró, sem sobrenome.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Chambinho do Acordeon: Sim, estudei.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Chambinho do Acordeon: A técnica vocal direciona respiração, divisões, tempos. Acredito que todas as pessoas que se propõem a cantar, deveriam estudar um pouco.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Chambinho do Acordeon: Tem vários. De Forró: Flávio José, Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Elba Ramalho. Gosto muito também de Frank Sinatra, Emílio Santiago, Fagner.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Chambinho do Acordeon: Não tem hora, não tem lugar. Sigo a inspiração, quando vem! Às vezes é algo do cotidiano.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Chambinho do Acordeon: Jonas Alves, Xico Bizerra.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Chambinho do Acordeon: O prol é a liberdade de ação e dar a palavra final. O contra é a ausência de um parceiro que apoie, que lute, que some forças comigo.

14) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Chambinho do Acordeon: No momento, após 14 meses de ausência de shows por conta da pandemia do Covid-19, só consigo trabalhar um pouco a divulgação redes sociais. Infelizmente não tenho apoio financeiro de patrocinadores que me proporcionariam ações mais consistentes e significativas.

15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Chambinho do Acordeon: Ajuda na divulgação de qualquer pessoa que queira expor seu trabalho. Prejudica por não ser democrática (já foi). Hoje, os algoritmos são de quem paga o jabá online sem dúvida é mais visto, induz a visualização mesmo sem busca orgânica. Acho isso meio invasivo, agressivo. Por exemplo, coloco no YouTube um vídeo com uma música de Luiz Gonzaga, quando termina, automaticamente entra uma “…senta, senta, senta…“, isso me revolta. Eu não busquei aquela música!

16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Chambinho do Acordeon: Acho que se feito com prudência, cuidado, é uma baita facilidade na produção musical.

17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Chambinho do Acordeon: Tento produzir sempre com muita qualidade, escolho músicas de forma muito criteriosa, e rezo muito.

18) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Chambinho do Acordeon: Nas últimas décadas as revelações são: Falamansa, Rastapé, Flávio José, Aldemário Coelho, Dorgival Dantas, Chambinho do acordeon. Todos foram muito consistentes. Não considero que teve nenhuma regressão. A ausência de alguns artistas na grande mídia, não é absolutamente por falta de conteúdo de primeira qualidade, todos que citei têm, mas sim, por falta de consumo da mídia.

20) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Chambinho do Acordeon: Já passei por várias situações citadas na pergunta: Falta de condição técnica, brigas (não comigo), gafes, não receber cachê acontece até hoje! (risos).

21) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Chambinho do Acordeon: Mais feliz é viver da música, nos palcos, nos shows, nos estúdios. Mais triste é o abandono de patrocinadores e da grande mídia.

22) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Chambinho do Acordeon: Foi um marco, eu participei junto com a banda Caiana e foi um momento importante para retomada do Forró no Sudeste.

23) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Chambinho do Acordeon: Falamansa, Rastapé, Banda Caiana.

24) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Chambinho do Acordeon: Acredito que sim, tenho que ser otimista!

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Chambinho do Acordeon: Dedique-se, estude e saiba que não vai ser fácil.

26) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Chambinho do Acordeon: Hoje acho a cobertura feita pela grande mídia bem delicada. Se essa semana um determinado artista resolve aparecer na grande mídia, vamos vê-lo de domingo a domingo, sem qualquer equilíbrio de inserção. Não é possível que os telespectadores não sintam que estão sendo empurrados para consumir.

27) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Chambinho do Acordeon: Importantíssimo, só acho que é preciso um olhar para vários artistas.

28) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Chambinho do Acordeon: Respeito cada uma dessas bandas, todas tem seu mérito, seu destaque, seu espaço. Admiro algumas e não gosto da música de outras.

29) RM: Fale de sua atuação como ator e músico no filme em homenagem a Luiz Gonzaga.

Chambinho do Acordeon: Foi muito importante para a minha carreira estar no cinema como ator e músico: “Gonzaga – de Pai pra Filho” em 2012, dirigido por Breno Silveira. Foi emocionante e sou muito fã de Luiz Gonzaga, que é a minha maior referência musical. Desde pequeno escuto o rei do Baião em casa. Minha família toda, em especial meu pai Expedito João de Carvalho, sempre ouviu Gonzaga e eu o tempo todo por perto.

30) RM: Chambinho do Acordeon, Quais os seus projetos futuros?

Chambinho do Acordeon: Trabalhar muito com música. Torço para que o espaço do Forró seja um pouco maior, e que os produtores de outros estilos tenham a mesma visão de respeito.

31) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Chambinho do Acordeon: (11) 97957 – 7870 (com Daniela Piccino minha linha direta para shows)

| https://web.facebook.com/ChambinhoDoAcordeonOficial

| https://www.instagram.com/chambinhodoacordeon

| https://open.spotify.com/artist/2smh62vZ27iQoOrbYIIPGe

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| http://www.forroemvinil.com/tag/chambinho-do-acordeon

Canal: https://www.youtube.com/channel/UC1iy8WrGU4CWGbHJBRuZkmQ

Playlist de Chambinho do Acordeon: https://www.youtube.com/watch?v=NIjfakVTrnE&list=PLLx9e-G98QFnu2TyFWTpi2IKbWzMF7wda

Chambinho do Acordeon (clipe) Foi Você: https://www.youtube.com/watch?v=qQAHFASOHaY

ArraiLive em Acopiara – CE: https://www.youtube.com/watch?v=L_bPOkOe4AY

Chambinho Do Acordeon #Ficaemcasa #comigo: https://www.youtube.com/watch?v=K17l_zOlG-8

Amargosa São João 2019 – Chambinho do acordeon: https://www.youtube.com/watch?v=ypUlJkTGCRo

Sanfonas do Brasil | Participação de Chambinho do Acordeon | 1º Bloco 18.08.19: https://www.youtube.com/watch?v=AJ4SDBfq5R8

Sanfonas do Brasil | Participação de Chambinho do Acordeon | 2º Bloco 18.08.19: https://www.youtube.com/watch?v=SeMjYv4Zg0c

Sanfonas do Brasil | Participação de Chambinho do Acordeon | 3º Bloco 18.08.19: https://www.youtube.com/watch?v=44ZCI9WhObY

Chambinho – Sr. Brasil 01/12/2012: https://www.youtube.com/watch?v=9kBp0oOkMUI


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.