Flávio Leandro

Flávio Leandro

O cantor, compositor, violonista pernambucano Flávio Leandro começou a compor aos 13 anos de idade. Em 1985, participou pela primeira vez de um festival, o Sementes da Terra, com o qual se apresentou cantando composições suas. Em 1987, ficou classificado em um dos primeiros lugares no Festival Estudantil da Canção, na cidade de Crato (CE). Em 1990, foi convidado por um grupo de colegas a participar de um show de calouros no Teatro Aladino Gomes de Sá, em Bodocó (PE), e classificou-se em primeiro lugar.

Em 1992, passou a integrar a banda Raio Laser, como vocalista. Mesmo tendo suas composições gravadas por outros artistas, lançou seu primeiro CD em 1998, “Travessuras”. Em 2000, lançou o CD – “Brasilidade”, apenas com Forró Pé de Serra. Em 2001, lançou mais um disco, dessa vez de forma acústica. Em 2003, gravou seu quarto trabalho, “Forró iluminado”. Em 2004, recebeu o “Título de Cidadão Exuense”, na cidade natal de Luiz Gonzaga, Exu (PE), e, em agradecimento ao título, gravou o CD – “Na casa do rei”, interpretando canções do Rei do Baião. No ano seguinte, gravou a coletânea “Feliz da vida”. Em 2006, lançou seu primeiro DVD, “Dez léguas de Orrobodó”; dois anos depois, lançou mais um CD – “Xô aparreio!”. Em 2011, lançou mais um CD – “Cheiro de nós”. Na mesma época lançou o DVD “Forró Aos Vivos”. Em 2016, lançou o DVD “Frutificando”, um divisor na carreira do poeta, e em 2020, lançou seu DVD “Estradar”, outra pérola na sua carreira. Sempre privilegiando o Forró Pé de Serra, ao longo da carreira teve composições suas gravadas por artistas como Elba Ramalho, Flávio José, Adelmário Coelho, Santanna O Cantador, Jorge de Altinho, Waldonys, Cristina Amaral, Maciel Melo, Petrúcio Amorim, Nádia Maia, Irah Caldeira, Leninho, Geraldinho Lins, Limão com Mel, Sergio Reis, Joana, Lucy Alves, entre outros. Realizou, em média, 150 apresentações por ano, em quase todas as regiões do país.

Em 2012, participou da coleção tripla de CDs – “Pernambuco forrozando para o mundo – Viva Dominguinhos!!!”, produzida por Fábio Cabral, cantando a música “De mala e cuia”, dele mesmo. A coletânea trouxe forrós diversos interpretados por 48 artistas, e que fazem referência aos 50 anos de carreira do seu inspirador: Dominguinhos. Interpretando músicas de compositores em sua grande maioria pernambucanos, fizeram parte do projeto também artistas como Acioly Neto, Dudu do Acordeon, Elba Ramalho, Jorge de Altinho, Petrúcio Amorim, Liv Moraes, Hebert Lucena, Geraldo Maia, Sandro Haick, Spok, Jefferson Gonçalves, Chambinho, Joquinha Gonzaga, Maciel Melo, Luizinho Calixto, Silvério Pessoa, Walmir Silva, entre outros, além do próprio Dominguinhos.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Flávio Leandro para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 31.03.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Flávio Leandro: Eu nasci no dia 25 de outubro de 1969 em Bodocó – PE. Registrado como Francisco Flávio Leandro Furtado. A minha cidade fica a 38 km de Exu a terra de Luiz Gonzaga. Fica colada com a chapada do Araripe.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Flávio Leandro: Meu contato com a música é genético, a família da minha mãe tem contato direto com a música. O pessoal da Agro Vila Várzea do Meio é ligado com a arte (músicos, artesão, sapateiro etc). Aos 13 anos de idade me descobrir compondo sem saber o que era composição. Mas aos 20 anos é que fui botar para frente o lado profissional. Mas considero que a minha genética e local geográfico que estou inserido na chapada do Araripe; terra de Luiz Gonzaga,Patativa do Assaré, Padre Cicero, Frei Damião, serviu como base do que componho, canto e retrato dentro de minhas canções.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Flávio Leandro: Na música sou autodidata. Fora da música sou formado em nível médio em Contabilidade de Custo, Técnico em Agropecuária e nível superior sou formado em Marketing. A junção dessas três áreas está servindo de base para eu usar e usufruir dentro da música. Mesmo elas não pertencendo a área da música me deram força para que eu pudesse me engajar mais tranquilamente dentro desse mundo tão abstrato que é a música.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Flávio Leandro: Meu contato com a música se deu pelos sons que me circundavam na minha infância, adolescência e fase adulta dentro do que a minha condição social permitia escutar. Eu não coloco em segundo plano: Bartô Galeno, Reginaldo Rossi, Waldick Soriano, Odair José, Fernando Mendes, eles são poetas do povo. E aprecio Bach, Beethoven, a música clássica. Mas quem me deu tutano musical foi Luiz Gonzaga, mas na minha caminhada musical admiro: Jackson do Pandeiro, Marinês, Jacinto Silva, Dominguinhos, Sivuca, Abdias, Trio Nordestino, Oswaldinho do Acordeon, Jorge de Altinho, Flávio José, Maciel Melo, Petrúcio Amorim, Santanna – O Cantador. A minha grande satisfação é não ter me decepcionado com nenhuma dessas pessoas. É a minha grande felicidade.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Flávio Leandro: Minha carreira musical começou de forma bem amadora em Bodocó – PE. Em 1998 gravei meu primeiro trabalho em estúdio profissional em Juazeiro do Norte – CE. Mas com a popularização das redes sociais pude me igualar a muitos artistas. Tudo muito duro e sofrível, mas com muito orgulho.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Flávio Leandro: Em 2020 o CD/DVD – Estradar. Em 2019 o EP – “Cercadim”. Em 2016, lançou o DVD “Frutificando”. Em 2014 o CD – “Flávio Leandro”. Em 2011 o CD – “Cheiro de nós”. Em 2008 o CD – “Xô Aparreio!”. Em 2006 o DVD – “Dez léguas de Orrobodó”. Em 2005 o CD – “Feliz da vida” (coletânea). Em 2004 o CD – “Na casa do rei”. Em 2003 o CD – “Forró iluminado”. Em 2001 o CD – “Acústico”. Em 2000 o CD – “Brasilidade”. Em 1998 o CD – “Travessuras”.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Flávio Leandro: Eu sou do Forró. A palavra Forró pode ser lida como ritmo, gênero e como festa. Como ritmo e gênero, eu sou dessa música identitária do Nordeste sem barreira nem segregação. E como festa, eu sou do mundo, pois a festa aonde quer que ela seja feita, ela está vibrando com a pulsação cósmica do mundo.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Flávio Leandro: É a minha maior tristeza não ter estudado técnica vocal. Eu sofri muito quando comecei a cantar por usar uma região vocal muito aguda que não era muito característica do Forró. Eu tive que aprender cantar mais na região média e grave, mas de forma muito empírica. Eu tive que refazer minha voz para se encaixar no Forró. Fui muito feliz nessa adequação de região vocal. Hoje tenho uma voz bem definida dentro da gama dos cantores de Forró. E tenho a ajuda de minha filha que estudou Canto Popular em Conservatório e me orienta como usar a respiração, fazer os exercícios de solfejos e colocação correta da emissão da voz.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Flávio Leandro: É muito importante cuidar da voz por ser o único instrumento que não pode ser afinado rigorosamente. O controle da emissão da voz é feito por nossa cabeça, alimentação, o que respiramos. A voz é o instrumento fundamental do intérprete.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Flávio Leandro: Flávio José, Santanna – O Cantador, Elba Ramalho, Thais Nogueira, Osmando Silva.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Flávio Leandro: Eu não tenho uma definição do meu processo de composição. Mas é muito doloroso o processo por ser muito introspectivo e meu nível de exigência alto. A minha esposa Cissa Leandro me ajuda bastante em avaliar o processo. É um misto de prazer e dor, meio masoquista. É uma doideira.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Flávio Leandro: Leninho de Bodocó, Bosco Carvalho, Maciel Melo, Davi Leandro, Cissa Leandro, Elmo Oliveira, Donizete Batista, Tico Seixas, Mariano Carvalho, Eralson Romão, entre outros.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Flávio Leandro: Flávio José, Petrúcio Amorim, Maciel Melo, Lucy Alves, Sérgio Reis, Joana, Santanna – O Cantador, Adelmário Coelho, Jorge de Altinho, Waldonys, Nádia Maia, Cristina Amaral, Geraldinho Lins, Del Feliz, entre outros.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Flávio Leandro: A pior parte de uma carreira independente é que ela depender de tudo (risos). O fator de eu ser servidor público como auditor fiscal do Estado de Pernambuco, me proporcionou a liberdade de escolha do que eu queria gravar, vestir e falar me tornou diferenciado no meio musical como um todo. Hoje com ascensão das redes sociais eu pude me fortalecer e ficar livre de rótulos, formulações e de correntes. Eu me sinto bem demais graças a Deus. Aprendi quais os caminhos que devo trilhar e se aportar a tudo que aparece de novo.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Flávio Leandro: Apesar da necessidade de se ter uma responsabilidade formal através de ter um escritório com aparato contábil, financeiro, jurídico e marketing digital. Minha empresa é familiar a minha equipe conta com a minha esposa e filhos.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Flávio Leandro: O fato de ter formação em Marketing me abriu os olhos diante do mercado musical. Mas a empatia é um ponto de partida real que foge de formação acadêmica. E respaldar o fã através do contato, tato, abraço e fala. Trabalho de forma diferenciada lado a lado com o fã. O palco é apenas o momento da festa. Nos outros momentos da vida a gente é ser humano normal e igual a qualquer outro.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Flávio Leandro: A internet é a ferramenta mais importante que surgiu como um todo. Eu sou um produto do que é a internet, mas não sou um refém. Ela ajuda em fazermos a própria mídia. Ela prejudica quando usamos de forma equivocada, exagerada e quando tira o artista do processo criativo. Se o artista souber dosar com equilíbrio o uso dar para usufruir os benefícios das ferramentas. Por conta da pandemia do Covid-19, o artista se sobrecarregou pelo volume de pedidos e informações solicitadas. Mas entendemos e temos as nossas limitações físicas.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Flávio Leandro: Vejo com bons olhos as gravações em home estúdio e a democratização das tecnologias. O que falta são filtros, mas não censura, que possam evitar conteúdos que mesmo embalados como música estão mais a serviço da desinformação das pessoas. A falta desses filtros deixa passar muitas músicas ruins. A música é consequência direta do que é a sociedade e dos seus valores. E o nível musical de hoje mostra uma inversão de valores sem precedentes. A educação que poderia ser um grande filtro juntamente com outros setores da sociedade não estão funcionando e deixam evidenciar e fortalecer mazelas que não ajudam em nada no crescimento de um povo.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Flávio Leandro: O problema não é concorrência, mas o volume de informações que abastece o centro do mundo, que é o celular. Somos bombardeados por um volume enorme de informações a todo instante e não é fácil ser visto nesse mundo virtual. O contato pessoal nos shows e formação de tribos sem barreiras e junção de mãos virtuais através das tags e compartilhamentos recíprocos entre artistas que falam a mesma linguagem ajudam a fortalecer a caminhada dentro desses volumes de informações que estão sendo apresentadas aos consumidores.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Flávio Leandro: Eu sou um forrozeiro com um olhar para o mundo. Acho importante o Fórum do Forró Raiz e já me coloquei como palestrante sobre o Forró nas mídias sociais. O discurso de muitos artistas que a grande mídia e que o governo é culpado. A grande parcela de culpa é a nossa ausência nas mídias sociais. Quando o Forró não atua nas mídias sociais outros ritmos aparecem. E quando o artista entra de forma isolada sem união não funciona também. A partir da pandemia do Covid-19 muitos artistas começaram a entender o que eu falava nas minhas palestras. Mas ainda podemos corrigir esses equívocos e se fortalecer nos unindo virtualmente, já que somos unidos fisicamente. Se nos unirmos virtualmente poderemos evidenciar outros nomes no Forró e fortalecer e rejuvenescer o cenário do Forró sem esquecer o passado. Mas a partir dos bons exemplos do passado construir um futuro a partir de um presente grandioso.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Flávio Leandro: Nos dias atuais temos percebido uma melhoria e nivelamento dos artistas por conta de um maior acesso as tecnologias e equipamentos para realizarmos nossos shows e desenvolvermos a carreira.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Flávio Leandro: Todas as situações citadas na pergunta já aconteceram comigo. Já me apresentei para cinco mil pessoas que o som era para cinco pessoas. Já briguei de socos em camarim defendendo a música popular nordestina, mas hoje vejo que foi um grande equívoco na minha carreira, pois dessa forma não se modifica nada apenas piora a situação. Uma gafe foi ir para um show e a data tinha sido modificada. Cantar para um público tosco, hoje é uma frequente para quem faz música séria no Brasil. Principalmente quando o show é em Praça Pública dividindo o palco com outros artistas e você é coadjuvante naquela noite e o público está esperando o artista principal. O público nos trata com uma certa frieza. Esses momentos somos as cigarras se esbagaçando de cantar na seca para um monte de árvores que não estão dando a mínima e estão secas no local. Mas quando a chuva cai elas ficam todas verdes e felizes. Somos as vezes cigarras diante de alguns públicos. Não receber o cachê aconteceu muito durante a carreira. Mas hoje temos um escritório com um setor de contrato e cobrança eficazes e faço parte da Associação Luiz Gonzaga dos Forrozeirosdo Brasil que gerencia muito bem a carreira dos artistas. Cantada de fãs recebo, mas não correspondo (risos), tenho um casamento consolidado e prazeroso. Graças a Deus.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Flávio Leandro: O que me deixa muito feliz é quando a mensagem da minha música é absorvida e serve de uma melhoria para as pessoas dentro das suas individualidades. E quando minha música entra nas escolas em qualquer fase do ensino e aprendizagem me deixa muito feliz. O que me deixa muito triste por conta da ausência de filtros necessários sem censura nem suprimir o direito das pessoas, nosso trabalho é comparado com ritmos da moda que não estão preocupados com nada além do dinheiro. O processo de mercantilização e objetificação da música e inversão de valores na sociedade através das artes.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Flávio Leandro: O Forró é Forró, outras denominações são apenas o local que acontece: Forró Pé de Serra, Forró de Latada, Forró Pé de calçada, Forró Pé de Balcão, Forró Universitário é apenas uma referência geográfica. Mas se os ritmos são: baião, xote, arrasta-pé e tendo o tripé instrumental: Sanfona, Zabumba, Triângulo com acréscimos de outros instrumentos. É Forró. Apesar de ter um nascedouro em Exu– PE por ser a cidade natal de Luiz Gonzaga e divulgação a partir do Rio de Janeiro. O Forró se tornou uma música do mundo e não podemos proibir ninguém produzir Forró fora do Nordeste. Outras pessoas tem o direito de mostrar essa matriz rítmica tão importante para identidade do Nordeste através de seus talentos. Eu fico muito feliz quando vejo o Forró sendo produzido em outros Estados e fora do Brasil. Eu sempre acho bem-vindo, pois tudo é feito com muito respeito. Eu vi na Europa o movimento do Forró sendo tratado com muito carinho e sendo bem divulgado. Eu vejo como algo bem positivo, pois é a oportunidade de estreitarmos laços e levando a nossa música aonde ela possa e queira chegar.

25) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Flávio Leandro: Eu me apresentei em vários lugares junto com alguns grupos tidos como de “Forró Universitário” no Sudeste. Eu pude ver que eles têm tratado com carinho a matriz musical do Forró que nem nós estamos tratando aqui no Nordeste. Estão estudando muito e tocando com um nível muito alto. Destaco Mestrinho, Thais Nogueira, Mariana Aydar, Forróçacana, Bicho de Pé, Rastapé. Esse movimento tem dado continuidade com outros bons nomes e estou muito feliz com tudo que escuto e essa turma tem sido muito competente.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Flávio Leandro: Eu nunca fui a favor de pagar o jabá. A partir de 2015 com o lançamento do meu DVD em Petrolina – PE, eu cortei todos os laços com rádio e TV. Eu percebi um momento ímpar de entrar de vez nas redes sociais. E com a pandemia do Covid-19, Rádio e TV tiveram a pá de cal decretada e só não foram extintas ou serão em cinco anos, pois a turma ainda vai teimar muito. Mas esses meios não se inserem mais dentro do contexto de comunicabilidade que as mídias sociais impuseram.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Flávio Leandro: Hoje as pessoas que estão começando uma carreira musical no pior e melhor momento. Pior, por conta do volume de informações e conteúdo. O melhor por conta da democratização das redes sociais e plataformas digitais. Ser visto dentro do volume de informações nas redes sociais não é fácil. É um grande desafio. Um artista novo deve definir uma estratégia para mapear e formar seu público dentro das mídias sociais. E se tiver talento e vencer essa barreira tem como se firmar mostrando algo de novo e significativo.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Flávio Leandro: Os Festivais de Música ditaram por um bom tempo um nível de música bem elevado, mesmo não representando as camadas sociais do país naquele momento. Mas popularizaram músicas que não invertiam os valores. Hoje com a internet não sei se os Festivais teriam tanto impacto. O Festival precisa de um júri e júri maior de todo é povo, ou seja, o júri popular. Hoje vemos o público escolhendo músicas consumistas e com valores de gosto duvidoso. Eu tenho visto Festival de boa qualidade, mas sem grande relevância por conta do grande volume de informações que circulam nas redes sociais.

29) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Flávio Leandro: Forró tem que ter Sanfona, Zabumba, Triângulo tocando Baião, Xaxado, Xote, Arrasta-pé. O Forró Estilizado e Forró das Antigas começou como Oxente Music com Sanfona, Zabumba, Triângulo. Eles foram abandonando a origem e criaram uma célula rítmica e um acompanhamento musical que não tem nada a ver com o Forró. E a grande mídia por desinformação tratou essa música como sendo Forró. Mas a verdade através das redes sociais vem à tona em breve.

30) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Flávio Leandro: Em 2013 eu postei nas redes sociais que iria encerrar a minha carreira aos 50 anos de idade (em 2019) e muitas pessoas começaram a me convencer de não parar. Em 2020 a pandemia do Covid-19 me parou. Eu terminei sendo profético em 2013. Eu tenho medo de algumas falas minhas. Mas terminando a pandemia sigo a caminhada até completar 60 anos de idade. Terminar meu compromisso com a música. Eu tenho um projeto em gravar um último DVD com a Orquestra Sinfônica de Recife ou algo similar. E devo entrar na literatura concluindo um Romance que já comecei. Mas farei minha despedida com o público e pago meu débito, faço meus agradecimento e encerro a minha contribuição para a música popular nordestina. Tudo feito de forma bem tranquila, serena sem magoas nem ressentimentos. Mas com a necessidade como profissional, ser humano devemos encerrar nossas caminhadas já que o físico vai pedindo um descanso.

31) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Flávio Leandro: [email protected]

| https://web.facebook.com/flavioleandrooficial

|https://www.instagram.com/flavioleandrooficial/

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCcko8s0ABbz_46T8qACOt5A

 

https://www.palcomp3.com.br/FLAVIOLEANDRO_OFICIAL/discografia.htm


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.