Flávio Franco Araujo

Flávio Franco Araujo

Tempo de Leitura: 10 minutos

O multi-instrumentista, arranjador e produtor musical paulista Flávio Franco Araujo é de uma família apaixonada por música. Suas primeiras aulas de Piano foram com sua mãe e posteriormente passou a estudar violão com Celso Machado.

Flávio Franco Araujo por curiosidade e a natural vocação para compor que estimularam seu desenvolvimento como autodidata e aos 13 anos de idade, compôs sua primeira música e não parou mais. Além de tocar diversos instrumentos, tornou-se um especialista e entusiasta em tecnologia musical.

Em 1993, já vivendo em São Paulo, Araújo fundou e estabeleceu o aclamado estúdio BongÔMusics, com foco em campanhas publicitárias e produções musicais de álbuns, trilhas sonoras, pós-produção, gravação, mixagem e masterização. Desde então, ganhou diversos prêmios como compositor e produtor em festivais de música popular brasileira, além do reconhecimento por sua excelência no mercado publicitário. Como pianista e tecladista, se apresentou nos festivais de jazz de Tatuí e Paraty, e atuou junto a respeitáveis nomes da música, tais como Ná Ozzetti, Raul de Souza, Sizão Machado, Duda Neves, Claudio Celso, Max Sallum, Adyel, Pete Wooley, entre outros.

O álbum “Solitude”, seu trabalho de estreia como artista, traz uma bela e intimista coleção de temas autorais no Piano. Mais pessoal e intuitivo, Araújo demonstra intimidade com o instrumento, interpretando músicas que contam a história de oito momentos importantes de sua vida, desde a introspectiva música título, até a alegre “Flávia Jogando Bola”, que compôs para sua filha, quando ela tinha três anos de idade.

O trabalho do veterano músico pode ser percebido em suas sutilezas e meticuloso cuidado com a sonoridade. Seus temas são simples, mas trazem requinte e sofisticação nas harmonias e arranjos, criando envolventes texturas no Piano.  O álbum “Solitude” já se encontra disponíveis em todas as plataformas musicais.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Flávio Franco Araujo para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 17.06.2020:

Índice

01) RitmoMelodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Flávio Franco Araujo: Nasci no dia 01 de fevereiro de 1951 em Guararapes, no oeste Paulista, São Paulo.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Flávio Franco Araujo: Quando criança ouvia a minha mãe Neusa estudar Chopin, Lizst, Debussy, entre outros, e o meu pai Florentino tocar músicas de cancioneiros brasileiros, samba canção e grandes clássicos do cinema. Papai tocava de ouvido (hobby) e mamãe era formada como professora de piano.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Flávio Franco Araujo: Com sete anos participava de concursos e audições de Piano. Não tinha paciência para estudar, nunca tive. Tirava as músicas e decorava tudo de ouvido. Minha mãe ficava louca. Comecei a praticar basquete, esporte que meu pai jogava muito bem, que foi uma grande paixão.

No meio disso, com 13 anos de idade, conheci uma pessoa que mudou a minha percepção em relação a música e me fez ter um grande interesse novamente, Celso Machado. Compositor e violonista de primeira linha. Então comecei a estudar Violão sob sua tutela, aprendendo os acordes dissonantes que me encantavam tanto. Celso me presenteava com discos (LPs) de grandes músicos de jazz e em pouco tempo comecei a compor, até fizemos juntos uma linda música. Com 14 para 15 anos compus um samba em sua homenagem, já com uma boa complexidade melódica e harmônica. Mas música ainda não era o meu objetivo final, pois o basquete era muito forte e tinha a influência familiar que pesava. Queriam muito que eu continuasse a estudar e ter uma “profissão” (risos).

Quando já dominava bem o Violão, tive a ideia de começar a transportar os acordes dissonantes do Violão para o Piano e assim me apaixonei por este que passou a ser o meu principal instrumento. Na faculdade tive grandes amigos que adoravam tocar e fomos morar juntos. Aí a música começou a bater forte, com grupos instrumentais, Festivais de música, apresentações na própria Universidade, etc. Composições nasciam quase todos os dias.

Iniciei três faculdades: Física, Engenharia Elétrica e Direito e não concluí nenhuma. A música sempre era tão forte que desisti da Universidade e fui morar em São Paulo, começando assim o caminho na profissão de músico. Barzinhos, Banda de Baile até que comecei a tocar com grandes músicos da cidade e ter a oportunidade de mostrar as minhas composições.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Flávio Franco Araujo: Meus pais me criaram com música erudita, Chopin, Lizst, Debussy, Bethoven, Rachmaninoff, Mozart, Bach. Celso Machado, com músicas de cinema, Bossa Nova, Rock progressivo, Jazz dos anos 50, 60, 70, Wilson Simonal, dance music com os negros americanos, música pop com Beatles, James Taylor, Quincy Jones, Stevie Wonder, Elis Regina, João Gilberto, Tom Jobim, Keith Jarret, Milton Nascimento, Pixinguinha, Moacir Santos, Deodato, João Donato, Bill Evans, Coltrane, Miles, Agostinho dos Santos, Sergio Mendes, Michael Franks, grupos instrumentais como Zimbo Trio, Azimuth, Lyle Mays e Pat Metheny, FourPlay, The Crusaders… Olha são tantos, tantos talentos, é até injusto falar pois amo muita gente.

Hoje em dia escuto muitas bandas, artistas mais recentes e tem muita gente boa, mas os anos 60, 70, 80 e começo de 90 foram mágicos. Todos ainda têm importância para mim, mas escuto pouco atualmente. No momento, estou mais focado em meu trabalho e minhas composições.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Flávio Franco Araujo: Para valer em Bauru – SP com o grupo “Amatuza”, formado com os parceiros Claudio Fazzio, Xitão e Rhandal Oliveira. Era uma fábrica de composições lindas e muito bem estruturadas. Os shows que fazíamos eram divididos em duas partes: Teclados e Violões.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Flávio Franco Araujo: Embora tenha muitas composições, acabei de lançar em 2020 o primeiro álbum de piano solo “Solitude”, com músicas românticas, sentimentais, homenagens que foram importantes nos últimos 25 anos.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Flávio Franco Araujo: Vivo o momento. Não apenas um estilo musical. Gosto de música, de sua essência. Procuro explorar mundos diferentes e sentir. Seja Samba, Jazz, Fusion, Bossa Nova, Contemporânea, Smooth jazz, Baião, vivo e sinto o momento da criação e inspiração. Conecto-me com o universo e deixo fluir…

08) RM: Quais cantoras(es) que você admira?      

Flávio Franco Araujo: Elis Regina e Milton Nascimento.

09) RM: Como é o seu processo de compor?

Flávio Franco Araujo: Não existe uma regra. Sou praticamente autodidata e como já disse vivo o momento e ideias que surgem. Hoje em dia com a tecnologia, vem a inspiração, aperto a tecla REC e gravo. Muitas composições nascem inteiras, de uma só vez e outras, trabalho mais um pouco. Estou resgatando as composições feitas na época em que o Violão era protagonista e tem uma forte influência da música brasileira. Agora, além do Violão vou colocar o Piano para somar.

10) RM: Quem são seus principais parceiros de composição?

Flávio Franco Araujo: Em músicas com letra, Júlio Furtado e com músicas instrumentais, Cláudio Fazzio e Rhandal Oliveira. Existe uma composição também com Nando Araújo, Toninho Ferragutti e mais recentemente com Luiz Bueno do DuoFel.

11)  RM: Quem já gravou as suas músicas?

Flávio Franco Araujo: As cantoras Neusa Maria e Paula Vellozo, o músico Nando Araújo e Duda Neves que gravou a música “Funking” do disco “Urucum”, em que participei como músico, arranjador e produtor.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical independente?

Flávio Franco Araujo: Os prós, sem dúvida pelo fato de sermos nós mesmos, artisticamente falando. Ter mais liberdade e menos interferência. Quanto aos contras, vivemos um mundo bem diferente hoje em relação ao auge das gravadoras no passado. Mas ajuda muito ter um bom contrato, pois, assim ficamos totalmente focados em produzir o conteúdo musical. Consegui uma grande parceria com a Azul Music, comandado pelo pianista Corciolli, que faz um excelente trabalho em uma trajetória de 27 anos de mercado musical.

13) RM: Quais as estratégias de planejamento de sua carreira dentro e fora do palco?

Flávio Franco Araujo: Fiquei muitos anos fora do palco com o meu trabalho autoral. Quando montei o Estúdio Bongô, participei de grandes projetos como o álbum “Ná e LoveLeeRita” da cantora Ná Ozzetti, o disco Effetto Azzurro de Mafalda Minozzi pela Som Livre, também entrei no campo da publicidade. Ao mesmo tempo fiz cursos de áudio, acústica, produzi outros artistas fazendo arranjos, tocando, gravando, mixando e masterizando. Isso acabou por me afastar do trabalho autoral.

Continuei a compor e descobrir outros estilos musicais, mas só divulguei em sites como www.myspace.com  e depois https://soundcloud.com/bongomusics. Acabei formando um público fiel, principalmente fora do país e isso me estimulou a investir na minha carreira novamente. Com o lançamento do Álbum “Solitude”, iniciei um novo ciclo que não pretendo mais interromper. Já estou preparando o segundo álbum de piano solo para o segundo semestre de 2020 e outros projetos no paralelo com trabalhos bem distintos. E nem preciso compor mais, pois tenho quase duas centenas de composições. Só tenho que organizar e colocar no mercado para valer. Como compositor, sempre estou produzindo coisas novas. Isso é bom.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Flávio Franco Araujo: O público alvo foi meu primeiro objetivo, entender quem realmente se interessava pela minha obra. A partir daí passei a ativar os sites de música e redes sociais para divulgar e buscar novos ouvintes. Fiz meu primeiro show de pré-lançamento nos Estados Unidos e, como o resultado foi bom, passei a ativar também os influenciadores de lá, tanto para divulgar o álbum “Solitude” como algumas músicas do próximo trabalho. Mas o principal investimento é a parceria com a Azul Music.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Flávio Franco Araujo: A internet é fundamental, atravessa fronteiras e me permitiu mostrar meu trabalho para grandes nomes lá fora. O que me encorajou a retomar minha carreira solo. É um palco virtual que nos mantém expostos. Só é prejudicial se houver algum equívoco de comunicação.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens no acesso à tecnologia de gravação (Home Estúdio)?

Flávio Franco Araujo: A principal vantagem é a liberdade, poder produzir de forma independente e, sabendo usar, podemos alcançar muita qualidade nas gravações. A tecnologia anda muito rápido e temos que ficar atentos para poder extrair todo o potencial. A desvantagem é que pelo baixo custo, acabou tirando da gravação o trabalho de profissionais capacitados como engenheiros, técnicos e os próprios músicos.

19) RM: No passado a dificuldade de gravar um disco era o alto investimento em pessoas e estúdios de ponta. Hoje gravar um disco não é mais obstáculo. Por outro lado, a concorrência do mercado virou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical? 

Flávio Franco Araujo: O diferencial do meu trabalho é a personalidade que determina a minha linguagem, coloco minha alma na criação. Isso acaba dando um estilo próprio, define o público, quem ele é, onde ele vive e qual sentimento gera nas pessoas.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Flávio Franco Araujo: Sou de uma geração de muita sorte, pois vivi a melhor fase da música brasileira. Que é bom permanece bom mesmo tendo partido. Músicos e compositores como João Gilberto, Tom Jobim, Johnny Alf, Vinicius de Moraes, João Donato, Elis Regina, Dorival Caymmi,  Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Ivan Lins, João Bosco, Marcos Valle, Francis Hime, Eumir Deodato, Sérgio Mendes, Moacir Santos, Roberto Menescal, Milton Nascimento e seus compadres mineiros…depois Djavan, Guinga….enfim, uma geração de ouro. Então fica difícil analisar o atual cenário pois não vi nada realmente incrível depois disso. Destaco Marisa Monte e Lenine. Adoro o trabalho deles. Dizer que alguém regrediu? As pessoas não regridem, elas podem parar de produzir.

Por outro lado, na música instrumental, uma geração de músicos incríveis vem se destacando. Cito alguns nomes abaixo. Solos, duos, trios, quartetos, quintetos, bandas… Hoje conseguimos ter acesso a tudo na internet e isso proporciona estudos e conhecimentos que antes eram muito difíceis. Então, cada vez mais veremos jovens músicos arrebentando em seus instrumentos.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Flávio Franco Araujo: Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, Herbie Hancock.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas que aconteceram na sua carreira musical?

Flávio Franco Araújo: Fui acompanhar um artista em um show em outra cidade e esqueci o Teclado (risos). Aconteceu. Faz tempo. Anos 80!

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Flávio Franco Araujo: Mais feliz:  fazer o que mais gosto que é compor, gravar e tocar. Mais triste: ter parado por muito tempo de desenvolver meus projetos autorais. E também ver colegas, músicos fantásticos, não conseguirem ter um espaço no cenário musical como merecem por concorrerem com a grande mídia dos conteúdos descartáveis e ruins. E a nossa cultura riquíssima vai se perdendo. Um pecado que dói o coração!

24) RM: Quais músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Flávio Franco Araujo: André Mehmari, Trio Corrente, Toninho Ferragutti, Pau Brasil, Léa Freire, Zizão Machado, Michel Freidenson, Banda Mantiqueira, Thiago Espírito Santo, Cuca Teixeira, Arismar Espírito Santo, entre outros. Tem gente boa demais.

25) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Flávio Franco Araujo: Estudar muito, ter muito foco e disciplina, desenvolver seu próprio estilo para poder se destacar em uma carreira solo.

26) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música? Festivais de Música revelam novos talentos?

Flávio Franco Araujo: Na minha época Festival de Música era pura diversão, pois queríamos subir no palco e tocar. Quase que na maioria das vezes, levamos o prêmio de melhor arranjo porque valorizávamos a performance musical. Não fazíamos música para Festivais de Música. Mas sim, existia isso claramente. Artistas que viajavam o Brasil inteiro com músicas compostas para Festivais, sucessos de letra e refrão. Respeito muito pois tem que saber fazer bem, mas nunca foi a minha praia. Meu foco era o instrumental.

Vejo com bons olhos os Festivais de Música, pois alavancam essa geração de músicos, que depois podem seguir uma carreira mais consistente. Os antigos grandes Festivais de TV revelaram uma geração maravilhosa, mas tiveram o apoio da grande mídia e isso foi fundamental. Dali surgiram contratos com as gravadoras e o grande público pode conhecer os seus futuros ídolos. Os Festivais de hoje não contam com a grande mídia de massa e isso dificulta a popularidade do artista.

27) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para a cena musical?

Flávio Franco Araujo: São espaços fundamentais para a cultura, sem dúvida. Mas eu não entendo muito bem os critérios adotados pelo SESC, SESI e Itaú Cultural. Vejo alguns ótimos artistas fazerem 10, 20 ou mais shows/ano e outros muito bons, não conseguem fazer nenhum, mesmo com trabalhos bem produzidos e de qualidade. Poderia ser mais democrático, assim todos teriam a oportunidade de mostrar suas obras e o público teria mais diversidade. Isso sempre me deixa intrigado. Gostaria de saber o porquê de isso acontecer. Vi shows fantásticos acontecerem nesses espaços. A nossa classe tinha que ser mais unida também!

28) RM: Quais seus projetos futuros?

Flávio Franco Araujo: Acabei de lançar pela gravadora Azul Music o álbum “Solitude”, de Piano solo que pode ser encontrado em todas as plataformas digitais. Nesse trabalho conto algumas histórias musicais importantes da minha vida nos últimos 25 anos e estou muito feliz com o resultado.

O álbum foi lançado também em plataformas de alta resolução, no padrão audiófilo, para os ouvintes mais exigentes e que tenham equipamentos hi-end. Já estou preparando o segundo álbum de Piano solo para o segundo semestre de 2020. E virão outros projetos, com estilo musical bem diferente, com banda e ou/duos que também vou lançar muito em breve. Para esse ano serão mais três projetos em andamento.

29) RM: Flávio Franco Araujo, Quais seus contatos para show e para os fãs?

Flávio Franco Araujo: [email protected] | https://web.facebook.com/flavio.francoaraujo

| https://orcd.co/solitudealbum |

| https://soundcloud.com/bongomusics

| https://www.youtube.com/user/bongomusics

Flávio Franco Araujo 1 Ritmo Melodia

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.