Flávia Lima

Flávia Lima

Tempo de Leitura: 7 minutos

Flávia Lima é natural de Juiz de Fora onde passou a maior parte de sua vida. Formou-se em Educação Física, atividade que exerceu por mais de 30 anos concomitantemente com o trabalho de administrar uma cafeteria de que era sócia.

A música faz parte de sua vida desde a infância, o irmão mais velho tinha uma banda e a mãe promovia shows em Juiz de Fora de artistas como Ângela Ro Ro e a dupla Luli e Lucinha (hoje conhecida como Lucina Carvalho). Assim ela cresceu ouvindo muita música e participando dos bastidores de vários eventos musicais. Mas foi na capoeira, por volta de 1979, que ela começou a tocar instrumentos de percussão.

Logo encantou-se com o pandeiro, mas só a partir de 2008, após conhecer seu atual companheiro que é violonista, cantor e compositor é que passou a se envolver com a música de maneira mais efetiva fazendo aulas de teoria musical, pandeiro, prática de conjunto, entre outras. Atualmente, ela se dedica ao aprendizado de instrumentos de percussão e de canto.

A partir de 2010 começou a acompanhar músicos e grupos musicais como percussionista em shows e eventos. Em 2015 participou da gravação do CD – “Quebra o Coco” de Andréia Lira e em 2017 da gravação do DVD – “Capoeira Meia Lua”. Em 2018 fez uma participação especial em um show de Lucina Carvalho.

Recentemente, ao participar da oficina dos “Sons Curativos” ministrada pela cantora/compositora Lucina Carvalho, descobriu que era capaz de compor mesmo sem saber tocar instrumentos melódicos ou harmônicos. Em 2019 se classificou em primeiro lugar na segunda batalha do Festival da Canção Microfone Aberto promovido pela Rádio Facom UFJF com a música Ilusão de Ser Alguém, ficando em terceiro lugar na final do Festival.

Um dos fatores de grande influência nas letras de suas composições é a ligação com a natureza. Por muitos anos ela se dedicou à prática de atividades que propiciavam um contato direto com a natureza como trekking, rafting, canyoning e escalada em rocha, fazendo travessias como a de Petrópolis /Teresópolis, dando a volta na Ilha Grande, escalando montanhas como Dedo de Deus, Pão de Açúcar, Corcovado entre outras. Para ela essas são atividades que induzem à meditação e reflexão, em especial, as que envolvem um certo grau de risco.

Hoje, dois anos após começar a compor, Flávia Lima tem mais de 25 composições e acaba de gravar seu primeiro EP – “Apenas ser” cujo lançamento está marcado para fevereiro de 2020 juntamente com o vídeo clipe da música que dá nome ao mesmo – “Apenas Ser”. 

Segue abaixo entrevista exclusiva com Flávia Lima para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 14.02.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal? 

Flávia Lima: Nasci no dia 11 de setembro de 1960 em Juiz de Fora, MG.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Flávia Lima: A música faz parte da minha vida desde a infância, mas foi por volta 1978, quando comecei a praticar capoeira, que tive contato com instrumentos de percussão e de pronto encantei-me com o pandeiro.

03) RM: Qual a sua formação musical e\ou acadêmica fora da área musical?

Flávia Lima: Sou formada em Educação Física com Pós-Graduação em Treinamento Desportivo. No que se refere à música, em 2008 me matriculei na Escola de Arte Pró-música de Juiz de Fora MG e comecei a fazer aulas de Teoria Musical, Pandeiro, Prática de conjunto e a participar de oficinas de Choro. Atualmente faço aulas de canto, de percepção rítmica aplicada ao Cajon e de Percussão.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Flávia Lima: Já curti de quase tudo um pouco: Música clássica, Rock, Pop, Heavy metal, MPB, Samba, Choro, Bossa Nova, entre outros estilos. De uma maneira ou de outra, todos foram importantes e deixaram suas influências e isto não se perde.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Flávia Lima: O meu envolvimento com a música de uma maneira mais engajada aconteceu por volta de 2010 quando comecei a receber convites de músicos locais para tocar como percursionista. Quanto a começar a compor já foi algo mais recente, final de 2017. Com o incentivo de familiares e amigos para que eu compartilhasse minhas composições, lançar um EP se tornou um projeto após a aposentadoria.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Flávia Lima: Em 2020 lancei meu primeiro EP – “Apenas ser” com quatro músicas de minha autoria que apresentam ritmos diferentes: “Apenas ser”, “Ilusão de ser alguém”, “Saber pra quê”, “Criatura Criador”. Participaram desse projeto meus amigos e parceiros Márcio Duarte e Luciana d’Ávila e o percussionista Álvaro Moutinho. O lançamento do EP foi dia 7 de fevereiro de 2020.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Flávia Lima: Embora eu tenha composto um maior número de sambas, sinto não ter um estilo definido.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Flávia Lima: Desde que surgiu a vontade de eu mesma interpretar as minhas composições, comecei a fazer aulas de canto. Nunca havia pensado em cantar até então e confesso que estou gostando, é como diz o ditado: “quem canta seus males espanta”.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Flávia Lima: Fundamental para quem canta e no meu caso em particular faz toda a diferença, sem estes quesitos não teria coragem e nem condições de cantar.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Flavia Lima: Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia, Zélia Duncan, Clara Nunes, Loreena McKennitt, apenas para citar algumas pois a lista é muito grande.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Flávia Lima: Como não toco nenhum instrumento melódico ou harmônico, eu nunca havia imaginado que seria capaz de compor, foi algo que aconteceu de maneira espontânea e assim continua, sem um processo determinado. Acredito que somos apenas um canal através do qual a música se manifesta.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Flávia Lima: Atualmente, tenho apenas duas músicas em parceria, uma com meu companheiro João Célio e outra com o amigo e parceiro Márcio Duarte que é quem faz as harmonias das músicas que componho, salvo algumas exceções. Quem sabe no futuro surjam mais parcerias, seria muito bom.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Flávia Lima: Até o momento, ninguém.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Flávia Lima: Uma carreira independente te permite ter liberdade para decidir como e quando fazer. A desvantagem é ter que se envolver com as várias questões que fazem parte do planejamento de uma carreira musical sem um suporte mais amplo.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Flávia Lima: Dedicação, organização e divulgação.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Flávia Lima: Nenhuma. No meu entender uma ação para ser considerada empreendedora deve preencher determinados requisitos e não seria este o meu caso.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Flávia Lima: A internet é hoje uma das principais ferramentas de divulgação e a mais acessível, sendo de grande ajuda.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Flávia Lima: Acredito que para muitos o home estúdio seja uma ótima opção para gravar músicas e, assim, poder divulgar o trabalho. É possível encontrar excelentes produções feitas em home estúdio.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Flávia Lima: Por não estar em busca de sucesso não me preocupo com a concorrência ou em me destacar. Fico feliz de poder compartilhar minhas composições, fruto de momentos de criação e reflexão e se de alguma maneira elas tocarem a alguém isso já basta.

20) RM: Como você analisa o cenário da música brasileira. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Flávia Lima: A música brasileira é muito rica e diversa apresentando um cenário muito amplo e variado de acordo com os diferentes segmentos sócio/culturais. Temos muitas coisas boas e também ruins. Nomes como Lenine, Zeca Baleiro, Mar’tnália, Maria Rita, Maria Gadú se revelaram ao longo dessas últimas décadas. São muitos que ainda permanecem de forma consistente no cenário musical e outros não, mas isso não significa que regrediram.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Flávia Lima: Djavan, Paulinho da Viola, Chico Buarque, Zélia Duncan entre outros.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Flávia Lima: Nunca passei por nenhuma dessas situações.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Flávia Lima: Fico feliz de compartilhar o que faço e triste quando há falta de compromisso com quem trabalho.

24) RM: Nos apresente a cena musical da cidade que você mora?

Flávia Lima: Temos um cenário musical muito rico e que só vem aumentando. Juiz de Fora – MG abriga músicos de excelente qualidade. É uma cidade que apresenta ótimos espaços culturais e contamos também com muitos projetos ligados a música que acontecem durante todo o ano dando oportunidade para muitos que estão começando.

25) RM: Quais os músicos, bandas da cidade que você mora, que você indica como uma boa opção?

Flávia Lima: São muitas as opções em Juiz de Fora – MG: Mamão, Dudu Lima, Caetano Brasil, Eminencia Parda, Onze:20, Roger Rezende, Thiago Miranda, Lúdica Música, Laura Jannuzzi, Tata Chama & As Inflamáveis, Uiara Leigo, Luciana d’Avila.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Flávia Lima: Difícil dizer se minhas músicas tocarão nas rádios sem pagar o jabá.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Flávia Lima: Siga sua intuição e nunca desista.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Flávia Lima: Não tenho nada contra. Os Festivais de Música são uma vitrine para compositores, músicos e interpretes e acredito que mesmo que eles não tenham mais a projeção de anos atrás ainda são importantes.

29) RM: Os Festivais de Música revela novos talentos?

Flávia Lima: Sim.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Flávia Lima: Tendenciosa, a grande mídia atua de acordo com os interesses do capital.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Flávia Lima: São muito importantes.

32) RM: O circuito de Bar na sua cidade é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Flávia Lima: Sim, mas em Juiz de Fora – MG deixa muito a desejar quanto a valorização do profissional da música.

33) RM: Quais os seus projetos futuros?

Flávia Lima: Divulgar meu trabalho e gravar o próximo EP e vídeo clipe.

34) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Flávia Lima: (32) 98840 – 5894 | [email protected]

| https://www.instagram.com/flavialimamusicaereflexao?r=nametag 

https://web.facebook.com/profile.php?id=100009243238518 | 

| https://m.facebook.com/Fl%C3%A1via-Lima-M%C3%BAsica-e-Reflex%C3%A3o-115375029850437/?ref=bookmarks 

Link: https://www.youtube.com/channel/UCT10Ji-GwNMC1wB1o7PSlHA?view_as=subscriber  

| https://open.spotify.com/album/6BgYiPBiKOHUkPsuH1rCC7?si=YZuOo2sFRE6lNOEgkek0qQ

|Vídeo clipe de “Apenas Ser”: https://youtu.be/ftFDLEP_A54

Flávia Lima 1 Ritmo Melodia

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.