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Categorias: Entrevistas

Fernando Oliveira & Civilização Roots


Tempo de Leitura: 7 minutos

O cantor, compositor, multi-instrumentista e produtor musical alagoano Fernando Oliveira iniciou seu contato com a música nos 1984 tocando em missas na paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro em Maceió –AL.

Fernando Oliveira começou a tocar profissionalmente em 1986 em bandas de baile e bandas de apoio em Festivais de Música. Atualmente se dedica ao trabalho autoral com a Civilização Roots e as produções musicais no seu home Studio em Maceió em que tem feito produções para artistas como: Zé Orlando da banda Pedra Rara e que já foi fundador e vocalista da Tribo de Jah.  Músicas para o álbum Reggaebelde Lovers lançado em 2019; músicas para o álbum Reggaebelde Xote que será lançado em 2020; músicas do EP – “Cantando poesia” da cantora e compositora Juçara Freire feitas em parceria com Antonio Carlos (Reggaebelde); para o regueiro baiano radicado na França Zantar Reggae; músicas em ritmo de rock do jornalista e poeta Gladson Morais; músicas em ritmo de MPB, Rock da educadora, atriz e cantora paulistana Daniela Bontempi feitas em parceria com Joyce Kelly, Juçara Freie.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Fernando Oliveira para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 24.02.2020:

Índice

01) RitmoMelodia: Qual a data de nascimento e cidade natal dos membros Civilização Roots?

Fernando Oliveira: Nasci no dia 12.09.1969 em Maceió – AL. Registrado como Paulo Fernando da Silva Oliveira.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Fernando Oliveira: Meu primeiro contato com a música foi na infância nos anos 70, minha mãe era diarista em uma casa em que havia uma sala de música, assim pude ver de perto e brincar nas teclas de um Piano; sentir a pele dos tambores de uma Bateria e ter nas mãos uma Guitarra e um Contrabaixo. Isso ficou marcado em minha memória afetiva fez me interessar por música na adolescência e assim comecei a tocar nas missas da paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro no bairro do Vergel do lago em Maceió – AL.

03) RM: Qual a sua formação musical e acadêmica fora música?

Fernando Oliveira: Minha formação musical é autodidata, observava os amigos dos grupos de jovens na igreja tocando e perguntava como fazer as notas: Do, Mi, e assim fui aprendendo tocar o Violão e depois Guitarra, Contrabaixo e Teclado. Passados alguns anos ingressei em curso de extensão na Universidade Federal de Alagoas onde estudei Piano e Viola. O contato com a parte teórica veio a contribuir bastante com minhas atividades atuais na música e como produtor musical. Fora da música sou formado em Eletrônica pela antiga Escola Técnica Federal, mas faz um tempo que não atuo nessa área. Hoje trabalho com minha esposa na elaboração de projetos e captação de recursos, sobretudo para agricultura familiar, diga-se de passagem, um trabalho muito gratificante.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Fernando Oliveira: Minhas influências no reggae nacional são: Tribo de Jah, Zé Orlando (banda Pedra Rara), Cidade Negra, Edson Gomes… No reggae internacional: Alpha Blondy, Culture, Israel Vibration, Bob Marley.

Escuto MPB e rock nacional: Djavan, Alceu Valença, Zé Ramalho, Gilberto Gil, Paralamas, Engenheiros, Capital inicial, Biquíni Cavadão… Nessa trajetória de 33 anos de carreira musical fazendo shows e abrindo shows para artistas importantes no cenário nacional tive oportunidade de conhecer muita gente boa, também alguns hipócritas e arrogantes. Esses com certeza para mim deixaram de ter relevância e importância.

05) RM: Quando, como e onde começou a Civilização Roots?

Fernando Oliveira: A banda Civilização Roots que é meu projeto principal que começou em 2001 junto com três músicos e a produtora da banda Irie da qual éramos integrantes resolvemos sair e fundar a Civilização Roots que já nasceu com um CD – “Melhores dias”.

06) RM: Quantos discos lançados?

Fernando Oliveira: O primeiro álbum Civilização Roots – “Melhores dias”. Depois gravamos outros dois álbuns: “Na mira” com músicas autorais e versões de clássicos do reggae mundial e duas músicas do folclore Andino; adaptadas ao reggae. Em 2015 lançamos o álbum: “Perto do sol” numa produção em parceria com Zé Orlando (banda Pedra Rara).

07) RM: Como definem o estilo musical  da Civilização Roots dentro da cena reggae?

Fernando Oliveira: Uma mescla do Roots com influência do pop e regionalismo nordestino.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Fernando Oliveira: Defino-me como um intérprete e cantor em constante evolução. Sempre disposto a aprender.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que vocês admira?

Fernando Oliveira: Alpha Blondy, Zé Orlando (banda Pedra Rara), Fauzi Beydoun (Tribo de Jah), Marisa Monte, Gal Costa, e esse furacão com um timbre fantástico que é a cantora Iza.

10) RM: Quem são seus parceiros musicais?

Fernando Oliveira: Até aqui as parcerias em composições foram poucas no álbum “Perto do sol” a música “Nova civilização” fiz em parceria com Sílvio Lampeão e Luciano França, recentemente musiquei textos de Zé Orlando, em especial “Refugiados” do Zé Orlando (banda Pedra Rara) e Antonio Carlos (Reggaebelde).

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Fernando Oliveira: Hoje vejo mais prós do que contras. O fato de ser “dono do próprio nariz” é impagável. Gravar e tocar no show o que quiser sem ninguém pra dizer “faz isso, faz aquilo” é a melhor parte. A parte ruim é não contar com as estruturas que os grandes produtores podem oferecer.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a carreira musical?

Fernando Oliveira: As ações empreendedoras que pratico são investimentos em mídia digital e em equipamentos para meu home Studio, em que posso compor, gravar, produzir, mixar e masterizar sem pressa e sem preocupação com custos.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da carreira musical?

Fernando Oliveira: Ajuda muito na propagação de trabalhos independentes como o meu e de outros tantos, por outro lado como todos tem acesso vemos uma enxurrada de músicas de conteúdo e qualidade duvidosas, o que não contribui em nada para elevar o nível da cultura no país.

14) RM: Como você analisa o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Fernando Oliveira: A música reggae no Brasil a meu ver está sempre presente, principalmente para os regueiros de verdade. Aqui na região nordeste algumas vezes têm shows de reggae toda semana e outras vezes passam meses e até anos sem um show de reggae. O regueiro resistente não deixa o movimento morrer seja produzindo pequenos eventos, gravando músicas (o que é o meu caso). As bandas que acompanho a trajetória continuam com trabalhos relevantes.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia  de gravação (Home Studio)?

Fernando Oliveira: Só vejo vantagens e independência total. Hoje com poucos recursos e um bom conhecimento técnico fazem trabalhos com ótima qualidade em home Studio.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Fernando Oliveira: Posso citar alguns: Fauzi Beydoun, Zé Orlando, Netto Enes, Aquiles, Joãozinho e Frazão (músicos da formação da Tribo de Jah), Carlos Bala (baterista), Fernando Nunes (baixista), Paulo Rafael (guitarrista). Muita gente boa e inspiradora.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Fernando Oliveira: Em 33 anos nos palcos e estúdios já vi de tudo citado na pergunta. Uma das mais toscas entre tantas que passei foi tocando um baile no clube de uma usina de açúcar o dono da banda que também “atacava” de Raul Seixas, após a introdução de “Gita” cantou uma estrofe e na hora do refrão: “Eu sou a luz das estrelas”… Deu um branco, ele sempre muito comunicativo e carismático brincou com o público “Minha banda não ensaiou direto”. Pessoal começa novamente, e no mesmo ponto errou novamente. Ele disse: “Vocês não ensaiaram?”. Na terceira tentativa percebendo que não iria lembrar-se da letra ele resolveu improvisar e apontando para o público mandou o refrão assim: “Eu sou um FDP igual a todos vocês”. Foi um Deus nos acuda, não tinha para onde correr, pois a única saída do palco era passando no meio do público.  Com muita conversa os ânimos se acalmaram e não fomos linchados (risos).

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Fernando Oliveira: Fico feliz com o sucesso das pessoas que merecem, tem humildade e respeito com os companheiros de trabalho. Fico feliz em lembrar que dividi o palco com grandes artistas, como: Tribo de Jah, Zé Orlando, Edson Gomes, Newtone (Porto Rico), Naptali (Jamaica), entre tantos. O que entristece e ver gente falsa, mesquinha… Esses seres que estão sempre tentando vencer na vida e alcançar o sucesso passando por cima dos outros.

19) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Fernando Oliveira: Aqui em Maceió – AL se toca muito forró, porém temos uma boa cena musical com pop rock e reggae que é bem representada por bandas como: Vibrações, Nação Palmares e Civilização Roots.

20) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Fernando Oliveira: Já consegui que tocasse uma música minha na rádio sem pagar o jabá, porém em programas isolados em que o locutor era parceiro, entrar na grade de programação fixa e muito mais difícil.

21) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Fernando Oliveira: Persista, resista e não desista.

22) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

Fernando Oliveira: Tema polêmico. Faço reggae há muitos anos e não fumo maconha. Tenho muitos amigos que fumam, mas creio que por opção pessoal e não por serem músicos do gênero reggae.

23) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a religião Rastafári?

Fernando Oliveira: Nada contra. Porém apenas faço música: “Não sou rasta, apenas gosto da música reggae” – Tribo de Jah.

24) RM: Os adeptos a religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa essa afirmação?

Fernando Oliveira: Será que só os cariocas fazem samba “verdadeiro”? Só os americanos fazem jazz, blues e rock “verdadeiro”? Acredito que a música é universal e para todos. As ideias estão no cosmos é só captar.

25) RM: Na sua opinião porque o reggae no Brasil não tem o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Fernando Oliveira: O reggae é uma música que faz as pessoas pensarem não é interessante para os “donos do poder”. Os donos de rádios e TVs geralmente são políticos ou membros da “elite podre” e querem que a música brasileira continue sendo feita para a bunda rebolar e não para o cérebro pensar.

26) RM: Quais as produções recentes no seu Home Studio?

Fernando Oliveira: Gravei recentemente músicas no ritmo reggae para Zé Orlando (banda Pedra Rara); músicas para o álbum Reggaebelde Lovers lançado em 2019; músicas para o álbum Reggaebelde Xote que será lançado em 2020; músicas do EP – “Cantando poesia” da cantora e compositora Juçara Freire feitas em parceria com Antonio Carlos (Reggaebelde); para o regueiro baiano radicado na França Zantar Reggae; músicas em ritmo de rock do jornalista e poeta Gladson Morais; músicas em ritmo de MPB, Rock da educadora, atriz e cantora paulistana Daniela Bontempi feitas em parceria com Joyce Kelly, Juçara Freie.

27) RM: Quais os seus projetos futuros?

Fernando Oliveira: Tenho um home Studio em que produzo (gravo) músicas não só no ritmo reggae, mas em pop rock e MPB. Vou melhorar ainda mais a qualidade técnica do meu estúdio e continuar nos palcos com a Civilização Roots.

28) RM: Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Fernando Oliveira: fernando.oliveira37@gmail.com | www.facebook/civilizacaoroots | www.instagram/civilizacaoroots | www.youtube/civilizacaoroots


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

Publicado Por
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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