More Felipe Mancini »"/>More Felipe Mancini »" />
Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Felipe Mancini


Felipe Mancini é músico multi-instrumentista, compositor, arranjador e produtor paulistano, formado em violão pela Escola de Música do Estado de São Paulo.

Lançou em 2020 o single “Lambá”, arranjo para um vissungo – cantos afrobrasileiros de grande importância sócio cultural nos tempos da escravidão e extração do ouro em Minas Gerais. Em 2019 foi lançado seu primeiro disco solo, Passagem, onde foi o compositor e arranjador de todas as músicas, além de tocar diversos instrumentos.

Durante a pandemia de COVID 19, contribui à distância com gravações e produções para artistas de várias partes do mundo, como EUA, Inglaterra, Emirados Árabes e Coréia do Sul. Entre elas, arranjou e gravou a faixa Just Chilling para a artista sul coreana Neon Bunny, premiada com melhor álbum pop no Korean Music Awards em 2012.

Trabalhou também como músico, arranjador e produtor do trabalho da compositora Elaine Frere, “Quando os Versos se Uniram para Reclamar Canção”, lançado em 2021. É parceiro da Punks – maior vitrine de música independente do mundo – por onde já produziu trilhas para canais como GNT, Vice e Canal Brasil.

Entre seus trabalhos com produção de trilhas, destaca-se a trilha sonora composta para do filme O Menino que Fez um Museu (The boy Who Made a Museum), de 2017, com direção de Sérgio Utsch. O filme ganhou os prêmios de melhor documentário no River Film Festival, em Pádova, na Itália, e de melhor filme pela Foreign Press Association, em Londres, Inglaterra, além do prêmio especial no Holyood Serbia Festival, na Sérvia.

Integrou e ajudou a construir bandas e projetos musicais como Rodamundo, Casca Instrumental e Babélico, com os quais gravou EP e discos. A banda Rodamundo, em que era guitarrista e compositor, foi vencedora do concurso da Revista Época e Trama Musical em 2007. O prêmio, concedido por júri de grandes nomes da música brasileira, foi a gravação de EP nos estúdios da Trama.

Premiado pelo PROAC 2015 como proponente e diretor artístico do Projeto Espaço Retrato, uma paisagem sonora do bairro Vila Anglo, em São Paulo, produção em parceria com Condô Cultural. Dá aulas de teoria musical, produção, violão e guitarra há mais de 15 anos, com foco no estudo da harmonia, improvisação e composição.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Felipe Mancini para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 29.10.2021:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Felipe Mancini: Nasci no dia 03.03.1979, em São Paulo – SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Felipe Mancini: Desde pequeno eu amava música. As minhas primeiras palavras quando pequeno foram para pedir para o meu pai Osvaldo Mancini colocar um disco, que eu chamava “bico”. Era um disco do Dire Straits que ele sempre ouvia. Meu pai tocava flauta e gostava muito de música. Lembro que a primeira vez que eu vi uma guitarra tive um frio na barriga. Era algo simplesmente encantador. Sinto que ainda é. Todos os instrumentos musicais me fascinam!

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Felipe Mancini: Formei-me em Violão Popular na Escola de Música do Estado de São Paulo. Depois cursei dois anos de bacharel em guitarra na Faculdade Cantareira, mas acabei saindo. Na época já trabalhava bastante e era difícil conciliar as duas coisas!

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Felipe Mancini: Eu, como muitos meninos, eu gostava de rock. Ouvia muito Led Zeppelin, por exemplo. Mas logo que comecei a tocar, acho que aos 12 anos, já absorvi coisas de blues, jazz e rapidamente de música brasileira. Hoje em dia gosto de coisas demais para descrever aqui, mas de uma forma genérica, eu tenho ouvido muito coisas de diversos lugares do mundo, como Norte da África e Oriente Médio. Mas mantenho muitas influências dos grandes violonistas brasileiros, dos improvisadores do jazz e também da música brasileira mais da terra mesmo. A viola caipira tem me cativado muito, por exemplo!

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Felipe Mancini: Muito jovem, aos 16 anos de idade (1995), eu tinha uma banda que foi convidada a abrir o show da banda Capital Inicial, num rodeio em BragançaSP, interior de São Paulo. Foi a primeira vez que eu subi num palco, e era um palco grande. Dali eu percebi que era isso que eu queria fazer e estudar!

06) RM: Quantos CDs lançados?

Felipe Mancini: Em 2019 Lancei o CD – “Passagem”, onde toquei diversos instrumentos, mas principalmente o Violão.

Mas já contribui com vários artistas de outros lugares no mundo, como EUA, Inglaterra, Emirados Árabes e Coréia do Sul. Em 2008 um EP com a banda Rodamundo no Estúdio da Trama. Esse EP foi um prêmio de um concurso feito pela Revista Época. Tem discos que fiz que eu curto bastante. Gravei a faixa Just Chilling para a artista sul coreana Neon Bunny, premiada com melhor álbum pop no Korean Music Awards em 2012. Em 2017 um álbum com a banda Casca Instrumental, chamado “Sambóia Negau”. Em 2018 um com a banda Babélico, chamado “Sons de Nenhum Lugar”. Em 2020 o single “Lambá”. Em 2021 um álbum – “Quando os Versos se Uniram para Reclamar Canção” com a compositora Elaine Frere, em que eu fui músico e arranjador, além de fazer a mixagem. O trabalho dela é bem bonito.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Felipe Mancini: Eu tenho a influência do Violão da escola brasileira e flerto com outras coisas do mundo oriental, como a música árabe e a indiana.

08) RM: Como é o seu processo de compor?

Felipe Mancini: Sempre componho improvisando. Os improvisos que eu gosto, eu vou trabalhando ao longo do tempo, até virarem algo que eu considero consistente. Mas eu sempre deixo tudo meio aberto também para a improvisação. Acho isso muito legal. Tento não formatar tudo demais. É um risco, principalmente quando se trata do violão solo. Mas ao mesmo tempo é uma forma de sempre estar reciclando a música, buscando novas formas! Nunca fui bom em tocar peças que precisam ser tocadas exatamente iguais sempre!

09) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Felipe Mancini: Eu componho de forma bastante solitária, mas quando eu estou num ensaio, eu sempre gosto mais dos momentos de jam, de improvisação livre, eu acho que é ali que a música acontece de forma mais honesta!

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Felipe Mancini: A liberdade de fazer o que quiser é a maior vantagem, claro que as vezes não ter uma estrutura que te apoie faz com que a gente trabalhe muito. Gerir, compor, estudar e administrar redes e tals. Tem momentos cansativos.

11) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Felipe Mancini: Tento sempre estar compondo e ter coisas minhas para mostrar nas redes e, claro, de forma presencial, quando isso acontecia e espero que volte a acontecer. Como sou professor de música também, é necessário ter esse foco para fazer um bom trabalho. Ter alunos legais e manter o foco do ensino. A minha companheira, Giselle Rocha, também me ajuda no planejamento, na produção de conteúdo e registro em fotos e vídeos e tudo mais!

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Felipe Mancini: Eu trabalho também com trilha sonora. Sou parceiro da Punks, que é uma produtora que fornece muitos áudios para a Globosat, por exemplo. Além do meu trabalho como músico e compositor, tenho essa questão com a produção de música, mixagem. E também dou aulas. O músico por aqui tem que muitas vezes exercer funções várias para levar a vida de uma forma possível financeiramente.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira musical?

Felipe Mancini: Ela só me ajuda. Uso a internet para mostrar meu trabalho para outras pessoas. Eu não sou uma pessoa de ficar grudado em celular ou gasto tempo demais em mídias sociais. Só uso para trabalho mesmo. E fora disso até evito um pouco, pode causar ansiedade!

14) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Felipe Mancini: Eu só vejo vantagens, não teria feito diversos trabalhos atualmente se eu não tivesse meu home estúdio. Isso nos dá liberdade. Claro que estamos sobrecarregados com a quantidade de informação a que somos bombardeados diariamente.

15) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Felipe Mancini: Tento ser honesto comigo mesmo. Sempre me questiono se o que estou fazendo é realmente o que eu quero ou que as pessoas querem. Essa segunda opção é um erro e um caminho que pode se tornar sedutor, mas não tem verdade nisso para mim. Acredito que você pode até ter poucos ouvintes, mas desde que eles estejam realmente ouvindo algo que foi feito por você, com autenticidade.

16) RM: Como você analisa o cenário da música instrumental no Brasil. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Felipe Mancini: A música instrumental no Brasil sempre foi boa. Somos criativos e às vezes até com muito menos possibilidades financeiras, e consequentemente menos tempo, conseguimos produzir trabalhos ótimos, pensando num cenário mundial. Eu não vejo regressão nos estilos, eu vejo que o que pode acontecer é que as coisas mudam, os tempos mudam e novas coisas surgem e outras começam a ficar em outro tempo. Isso é normal. Mas temos trocentos instrumentistas bons e autênticos no Brasil, isso nunca vai mudar.

17) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Felipe Mancini: Eu acho complicado citar nomes, pois acredito também que algum artista pode lançar algo que me agrade muito e não agradar a outra pessoa. Eu posso ouvir também algo que me fazia muito sentido há anos e que talvez isso possa mudar. A arte é sentida, e assim deve ser, e isso traz inconstâncias tanto no artista quando no ouvinte.

18) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Felipe Mancini: Eu vivi e espero viver muitas histórias. Quando a gente lida com muitos músicos, é natural que muitas coisas malucas aconteçam! Teve uma vez que eu toquei no Museo de História de Madrid, que é um lugar incrível, mas ao chegar no local o técnico de palco tinha recebido o rider técnico errado por email. Mandaram para ele o rider de um grupo infantil. Eu tocava guitarra nesse show e não tinha amplificador de guitarra no palco. O palco era incrível e eu toquei guitarra com ela ligada direto na mesa de som, com um som de plástico. Teve também um show num bar em São Paulo que quem contratou queria que a gente tocasse mais tempo, pois a casa estava cheia. E na última música, o cara invadiu o palco diversas vezes para falar para a gente continuar e atrapalhando a execução da música. Acabou rolando uma briga da banda com a galera que organizou o show no meio da música. Enfim! Ali eu percebi que estava ficando velho para algumas coisas.

19) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Felipe Mancini: Fico feliz em trabalhar com algo me faz bem desde pequeno. Algo que eu realmente sei que vai me acompanhar até o fim! Mas a música, quando se trata de questões voltadas ao estar sempre estudando e querendo melhorar, pode trazer frustações. No sentido de achar que tem pouco tempo para projetos novos, para estudar novas linguagens, para aprimorar mais a técnica. A gente precisa estar atento porque isso é uma coisa que assombra instrumentistas e causa tristeza as vezes.

20) RM: Você acredita que sem o pagamento do Jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Felipe Mancini: Acho possível que sim. Já vivi essa experiência. Poucas vezes, mas já ouvi sons meus tocando em rádio. Nosso sistema de organização e política é capitalista ao extremo. Tudo se torna negócio. E na música não é diferente. Mas existem os espaços para todos. É claro que poderíamos ter sim uma audiência muito maior na música instrumental, até pela qualidade da música instrumental brasileira. Mas eu sei que tem canais e programas que apoiam e tocam esse estilo.

21) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Felipe Mancini: Seja persistente, organizado. Fique sempre atento aos passos que precisam ser dados, tente planejar suas ações. O músico precisa trabalhar às vezes muito mais para ter algum retorno. É um prazer, uma beleza mesmo, lidar todo dia com algo que se ama. Mas é um caminho difícil ao mesmo tempo. Tem que estar certo e focado no que se quer! E mesmo assim, pode ser que as coisas não deem certo… Saber recuar e aceitar sem deixar que isso lhe consuma energia demais!

22) RM: Quais os violonistas que você admira?

Felipe Mancini: Gosto de muitos. Quase todos os nomes do violão brasileiro são referência para mim. Mas pra uma lista curta eu cito o Egberto Gismonti e o Baden Powell.

23) RM: Quais os compositores eruditos que você admira?

Felipe Mancini: Gosto mais da música erudita pós o período clássico. Por outro lado, Beethoven talvez seja um dos maiores compositores de todos os tempos. Mas gosto muito do Messian, Debussy, Bela Bartok.

24) RM: Quais os compositores populares que você admira?

Felipe Mancini: Aqui essa lista seria infinita. Eu ouço muito samba, baião, gosto da pegada dos músicos populares pernambucanos. Tenho ouvido muita coisa de viola caipira, enfim… Eu tenho poucos preconceitos musicais. Gosto do Pop, do RAP, do rock, do Choro, do Baião, ouço muito Samba, Blues, Soul e principalmente World Music, embora eu não concorde com esse termo… Essa lista seria algo gigantesco. Ouvir música é a minha atividade favorita.

25) RM: Quais os compositores da Bossa Nova você admira?

Felipe Mancini: Tom Jobim, que é um gênio, e o João Gilberto, embora seja mais intérprete, sua importância é incontestável, inclusive pela enorme contribuição que deu ao violão e à música brasileira.

26) RM: Quais os compositores do Jazz?

Felipe Mancini: Tenho ouvido bastante o Ysef Lateef e também o Charles Mingus ultimamente. Tem o John Coltrane que é um uma mente brilhante. O Miles Davis trouxe à tona novas formas de tocar jazz. O Herbie Hancock talvez seja o improvisador que eu mais entenda. Tenho ouvido o jazz israelense também. Ouço muito também coisas de outros cantos do mundo, que às vezes as pessoas citam como jazz por não ter um lugar na classificação ocidental. Quero destacar o trabalho de alguns alaudistas: Anouar Brahen, Rabhi – Abul Khallil, Joseph Tawadros.

27) RM: Quais as diferenças técnicas entre o Violão Erudito e Popular?

Felipe Mancini: Existem abordagens mais comuns no mundo erudito, tais como a leitura, uma preocupação maior com a postura, a busca grande pelo som limpo, enquanto o popular tem essa coisa da improvisação e no Brasil, uma busca pela rítmica mais cativante! Mas eu gostaria de expor algo, indo para uma reflexão mais do campo das realidades desses dois mundos e como eles se encontram. Acho a distinção de música popular e erudita no Brasil um assunto complexo. Se pensarmos no Violão, como colocado na pergunta: muitos violonistas de fora do Brasil, por exemplo, consideram o Baden Powell um violonista erudito, mas nós, aqui, levamos a obra dele mais para a música popular, pela identificação dele com o samba e o choro e das influências do universo do candomblé. Eu sinceramente acho que se você colocar um músico para tocar numa sala de concerto, com posturas sociais ligadas a isso, tais como o silêncio absoluto, as pessoas vestidas de forma mais social, todos os códigos que fazem parte daquele universo, aquilo é música erudita. Mas o mesmo músico tocando num Bar, com as pessoas bebendo e batucando, vira música popular. São códigos sociais, que aqui no Brasil podem estar tão perto que basta atravessar a rua…

28) RM: Quais as principais técnicas que o aluno deve dominar para se tornar um bom Violonista?

Felipe Mancini: A mão direita é bem importante. O uso das ligaduras na mão esquerda e estar atento aos tempos. Dominar as escalas e os arpejos que mais lhe agradam a sonoridade e, principalmente, não tensionar.

29) RM: Quais os principais vícios e erros que devem ser evitados pelo aluno de Violão?

Felipe Mancini: Uma postura ruim pode atrapalhar a técnica e criar lesões.

30) RM: Quais os principais erros na metodologia de ensino de música?

Felipe Mancini: As instituições tendem à formatação. O aluno pode sair de uma instituição tocando bem, mas copiando frases, formas de fazer arranjos e técnica de outros músicos e professores. Vi muito isso rolar. A música é arte, e uma das mais poderosas. E por isso deve desenvolver senso crítico. Precisamos ter técnica para ensinar, inclusive. Mas jamais impor formas de se tocar, permitir que se copie frases dos outros ou coisas nesse sentido. Nisso eu acho que existe ainda uma discussão muito embrionária e que pode refletir não só na música, mas na sociedade como um todo.

31) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Felipe Mancini: Existem facilidades sim. Depende de como as pessoas foram estimuladas na sua infância. Mas não sou muito da ideia do dom. Sou da ideia de que a música é natural não só da gente, mas dos bichos e da natureza. A questão é: como isso é trabalhado em cada um e como que uma sociedade tão desigual quanto a nossa permite que as pessoas possam estimular sua criatividade?

32) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Felipe Mancini: A improvisação musical é a música. Grandes compositores de música instrumental são sempre improvisadores. Em outras culturas como a árabe e a indiana, o improviso é a música erudita deles. No ocidente a improvisação musical ficou sendo sinônimo de jazz. É claro que o jazz traz grandes improvisadores, mas para mim esse termo extrapola um estilo e não existe música sem improviso.

33) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Felipe Mancini: Os métodos focam às vezes em frases prontas, soluções moldadas para sair de cadências comuns, progressões comuns. Acho isso perigoso pois podemos formar músicos reprodutores de frases melódicas. Considero muito importante estudar as contribuições feitas pelos grandes mestres. Acho importante transcrever solos, analisar ideias. A gente ensina entendendo o que já foi feito. Mas acho que aplicar isso no seu improviso muito triste. É como pegar um discurso de alguém e dizer que você escreveu.

34) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Felipe Mancini: Se a improvisação buscar uma linguagem própria, se o estudo for focado num discurso autêntico, existe e, mais do que isso, é essencial. Mas se for um improviso de frases decoradas embaralhadas de lugar, aí acho que é algo mais perto de uma mera reprodução mesmo.

35) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Felipe Mancini: Os métodos de harmonia são muito diversos, até por que ainda não existe consenso sobre todas as abordagens harmônicas e progressões. Temos que conviver com a ideia de que a harmonia demorou séculos para evoluir e nos séculos XIX e XX andou muito rápido. É algo novo, digo que alguns conceitos musicais de harmonia ainda são novos. Portanto, acho importante um método de harmonia do qual você se identifique com a linguagem.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Felipe Mancini: Eu mudei para Ouro Preto, em Minas Gerais. Estou conhecendo músicos bons por aqui, na medida que a vacinação progride e as possibilidade de pensar o futuro vão desanuviando. Estou com algumas composições, suficientes para um novo trabalho. Tenho planejado um curso online de música também, que aborda questões de improvisação e composição, bem nessa pegada que eu descrevi aqui, que permita ao aluno ter a sua própria linguagem, e que trate da música como algo que evoluiu dentro da escalada social, para entender os tempos históricos e quem contribuiu para algo novo nesses tempos, fundamental para o nosso progresso.

37) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Felipe Mancini: www.felipemancini.com.br | [email protected]

| www.instagram.com/flpmancini

Para escutar os dois álbuns: https://felipemancini.com.br/discografia-2

Canal: www.youtube.com/flpmancini

“Lambá” – Felipe Mancini: https://www.youtube.com/watch?v=jEwRXC8nQ2Y

Idem – Felipe Mancini: https://www.youtube.com/watch?v=a56erkHF27Y


Deixe um comentário

*

Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.