Fábio Carneirinho

Fábio Carneirinho

O cantor, compositor, acordeonista, pianista paulista Fábio Carneirinho, radicado em Juazeiro – CE no Cariri – terra do “Padim Ciço”.

É um homem culto, estudioso da cultura do Nordeste em especial do Cariri e da vida do Padre Cícero. É considerado no meio artístico como uma das maiores revelações da música nordestina na atualidade. Compõe pérolas falando das suas raízes e do amor. Tem no currículo três excursões a Europa e o reconhecimento do seu talento por grandes artistas e da mídia nordestina.

Em 2002 lançou o CD: “Matuto Sinsinhô”. Em 2004: “De Recife a Juazeiro”. Em 2006 CD e DVD: “No Terreiro de Casa”. Em 2008 CD e DVD: “Aos Pés do Meu Padim”. Em 2009 CD: “Fábio Carneirinho ao Vivo”. Em 2010 CD: “Fala”. Em 2012 DVD: “Fábio Carneirinho em Caruaru”. Em 2014 DVD: “Fábio Carneirinho em Campina Grande”. Em 2016 CD: “Pra Chegar Até Aqui”. Em 2017 CD: “O Pregador e o Sanfoneiro”. Em 2018 CD e DVD: “Fábio Carneirinho em Paris”. Além dos CDs e DVDs, alguns singles lançados nos últimos cinco anos…

Segue abaixo entrevista exclusiva para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 15.05.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Fábio Carneirinho: Nasci no dia 05.09.1980 em São Caetano do Sul – SP e moro em Juazeiro do Norte – CE. Registrado como Vicente Fábio Carneiro da Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Fábio Carneirinho: Ainda criança; aos 8 anos de idade, preferia ouvir música no rádio que brincar com os amigos e o cabo de vassoura se transformava em guitarra e caixas de papelão em bateria.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Fábio Carneirinho: Autodidata na música e concluí o Ensino Médio.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Fábio Carneirinho: Primeiras influências foram as bandas de Forró na década de 90: Mastruz com Leite, Limão com mel, etc. Era o que mais tocava nas rádios na época. Foram influência para quase todo garoto que estava aprendendo a tocar “sozinho” instrumento no Nordeste. Ao passar do tempo, as bandas foram dando lugar aos artistas baianos e as bandas de Pagode, até eu descobrir a obra do Dominguinhos, Luiz Gonzaga, Alceu Valença e tantos outros baluartes da música. As bandas de Forró foram perdendo aos poucos a influência sobre mim.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Fábio Carneirinho: Na noite, acompanhando artistas regionais da região do Cariri nordestino e também tocando em pequenas bandas de Forró…

06) RM: Quantos CDs lançados, quais os anos de lançamento (quais os músicos que participaram nas gravações)? Qual o perfil musical de cada CD? E quais as músicas que entraram no gosto do seu público?

Fábio Carneirinho: Em 2002: “Matuto Sinsinhô”. Em 2004: “De Recife a Juazeiro”. Em 2006 CD e DVD: “No Terreiro de Casa”, participação de Flávio Leandro, Chico Pessoa, Luiz Fidélis, Joãozinho do Exu. Em 2008 CD e DVD: “Aos Pés do Meu Padim”, participações de Dominguinhos e Santanna – o Cantador. Gravado na estátua do padre Cícero em Juazeiro – CE. Em 2009 CD: “Fábio Carneirinho ao Vivo”. Em 2010 CD: “Fala”, com regravações e 4 músicas do compositor juazeirense Ermano Morais. Em 2012 DVD: “Fábio Carneirinho em Caruaru”. Em 2014 DVD: “Fábio Carneirinho em Campina Grande”. Em 2016 CD: “Pra Chegar Até Aqui”, com participação de Tato Cruz do Falamansa. Em 2017 CD: “O Pregador e o Sanfoneiro”, álbum lançado pela editora Paulinas Comep Fábio Carneirinho é Pe. Zezinho. Em 2018 CD e DVD: “Fábio Carneirinho em Paris”, gravado aos pés da torre Eiffel, com participação de Nina Ernest “cantora alemã”, Sammy Elgie “cantora inglesa”, Ísis Raylanne “cantora da região do Cariri” e Zeu Azevedo “cantor sanfoneiro baiano, que vive em Londres”. Além dos CDs e DVDs, alguns singles lançados nos últimos cinco anos…

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Fábio Carneirinho: O principal estilo é o Forró, mas com fusões em outros ritmos. A principal mensagem nas minhas músicas, são letras românticas…

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Fábio Carneirinho: Não.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Fábio Carneirinho: Sempre é importante estudar, mas confesso que sempre fui ruim pra estudos…

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Fábio Carneirinho: São muitos. Geralmente a gente tem fases, nessa fase atual, tenho ouvido muito o Jacob Collier, Take 6, Milla Sampaio

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Fábio Carneirinho: Não há processo… a inspiração vem sempre de forma inesperada.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Fábio Carneirinho: Luiz Fidélis.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Fábio Carneirinho: Hoje em dia só tem prós. Defendo sempre que os artistas devem ser independentes hoje em dia. Gravadoras, editoras ou agências são importantes, mas nenhum artista depende mais deles. Hoje em dia, é possível trabalhar e até ficar famoso sem depender de grandes escritórios.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Fábio Carneirinho: Fora do palco, são as produções e divulgações nas redes sociais e plataformas de streaming, além do relacionamento com imprensa e colegas artistas. No palco é ser sempre o mais verdadeiro possível, não ficar preso a modismos e sim ao prazer de tocar sempre o que gosto.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Fábio Carneirinho: Projetos inusitados e promoções de grande porte, como gravar um DVD aos pés da torre Eiffel por exemplo. Parcerias com artistas de renome e promoções nas redes sociais que presenteia o público com grandes prêmios.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Fábio Carneirinho: A internet só me ajuda. Conseguimos levar nossa música para um público específico que se identifica com nosso trabalho, além de localizado. O que atrapalha é o tempo que perdemos seguindo perfis sem conteúdo.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Fábio Carneirinho: Só enxergo vantagem em home estúdio. Além de dar acesso a quase todo mundo, o grande público não escolhe uma música pelo Estúdio que foi gravado.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Fábio Carneirinho: Como falei antes, impulsionamento segmentado nas redes sociais é a grande ferramenta do nosso tempo, o resto é perca de tempo e dinheiro. A concorrência em nosso ramo, talvez esteja apenas na venda de shows a nível local, nos casos em que a oferta é maior que a procura.

19) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Fábio Carneirinho: Revelação a nível nacional, só consigo enxergar o Dorgival Dantas e o Flávio Leandro. Mas a nível regional, são muitos, não dá para nominar ou numerar, seja qual for o segmento do Forró. Quem regride, são os que ainda não entenderem que a ferramenta é o impulsionamento nas redes sociais.

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Fábio Carneirinho: Flávio Leandro.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Fábio Carneirinho: Na mesma semana, eu fiz um show no altar de uma igreja e também num cabaré, e nós dois eventos tinham algumas pessoas “repetidas”. Interessante que o show agradou nos dois ambientes, com as mesmas músicas (risos).

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Fábio Carneirinho: Feliz, pois faço o que amo. Triste, só por ganhar menos do que acho que mereço.

23) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Fábio Carneirinho: Maravilhoso! Primeiro foi Luiz Gonzaga, depois foram as bandas do Ceará, depois o movimento “Forró Universitário” no Sudeste. Muitos nordestinos não entenderam o movimento e foram avessos. Aliás, ainda são até hoje.

24) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Fábio Carneirinho: Rastapé, Forróçacana, Bicho de Pé e obviamente o Falamansa.

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Fábio Carneirinho: Hoje não vale a pena pagar o jabá para tocar música na programação. Esse dinheiro é melhor ser investido nas redes sociais. Nada é de graça. Mesmo quando não há dinheiro, há favores, um dia a gente paga ou recebe.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Fábio Carneirinho: Siga em frente, hoje em dia é mais fácil que antigamente. O segredo é não criar expectativas, eu acho…

27) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Fábio Carneirinho: Para quem promove; “eu já produzi alguns”, só tem prós, pois além de descobrir novos talentos, dependendo da articulação e organização, dá pra ganhar um bom dinheiro na promoção. Para quem participa, sinceramente não sei quais os prós e contra.

28) RM: Na sua opinião, hoje os Festivais de Música ainda é relevante para revelar novos talentos?

Fábio Carneirinho: Claro. Festival deveria ser obrigatório nas escolas também.

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Fábio Carneirinho: Na grande mídia não há cobertura do cenário musical. O que há é negócios. Artistas “estouram” na internet e a grande mídia, as gravadoras, os empresários vão atrás e negociam seus serviços.

30) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Fábio Carneirinho: Acho que esse é o único circuito que está mesmo concentrado na arte através de curadoria. Mas, o artista tem que entender de editais, que demanda muito tempo e técnicas, muitas vezes precisamos contratar profissionais…

31) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Fábio Carneirinho: As “antigas” são responsáveis por uma geração de novos músicos como eu e de um mercado que emprega milhares de pessoa, principalmente no Nordeste. As atuais, tem um papel semelhante, mas tem arma da tecnologia da informação a sua disposição, coisa que antigamente só quem tinham eram as rádios e gravadoras.

32) RM: Fábio Carneirinho, Quais os seus projetos futuros?

Fábio Carneirinho: Pós pandemia do Covid-19, temos 25 shows já marcados na Europa…

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Contato: [email protected]

| https://web.facebook.com/fabio.carneirinho

|www.instagram.com/fabiocarneirinho

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCLOEolD7BdEKZgTOHQv5L4Q

NÃO AGUENTO MAIS “LIVE”: https://www.youtube.com/watch?v=RRqSO8-m8-c

 

Playlist: https://www.youtube.com/watch?v=m3dsDu46Zys&list=PLaCLNlfXF746VOxL9Fthrt2BWbR4uON1O


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.