Enok Virgulino

Enok Virgulino

Enok Virgulino (Voz, Acordeon, Teclado) junto com Roberto Pinheiro, (Voz e zabumba), Adelmo Nascimento (Voz e triângulo) naturais de Parnamirim, cidade do interior Pernambuco criaram o Trio Virgulino no início de 1980.

Em 1986 o Trio lançou o primeiro disco, o LP – “Beijo moreno”. A segundo disco foi em 1996, o LP – “Trio Virgulino ao vivo”. Em 1998 o Trio lançou o LP – “Forró e paixão”. Em 1998 o Trio fez apresentações nos Estados Unidos. No início dos anos 1990, o Trio foi contratado por universitários da USP, em São Paulo para tocarem Forró tradicional em suas festas, o que fez com que o Trio ficasse conhecido posteriormente como “Os pais do Forró Universitário”. Com a explosão do “Forró Universitário” no final dos anos 90 e início dos anos 2000, a carreira do Trio tomou impulso. Em 1999 o Trio lançou o CD – “O beijo que você me deu”. O Trio participou em duas coletâneas: “Forró de Itaúnas” e “Forró Universitário”.

Ao longo da carreira apresentaram-se como acompanhantes de artistas como Luiz Gonzaga, Elba Ramalho, Fagner, Dominguinhos. Com carreira internacional consolidada, em 2001 fizeram apresentações em São Francisco, Califórnia nos Estados Unidos. Em 2001 o Trio lançou o CD – “Coração feliz”, com as participações especiais de Dominguinhos, em “A sorte é cega”, de Luiz Guimarães, e do grupo Falamansa, na “Foi por um triz”, de Bosco Carvalho e Enok Virgulino. Outras músicas de destaques do CD foram: “Chorando por ela”, de João Silva e Pedro Cruz, “Mon bijou”, de Roberto Agra, Roberto Pinheiro e Mo Soares e “Forró do rei”, de Enok Virgulino, numa homenagem a Luiz Gonzaga, reconhecido pelo Trio como um mestre.

Em 2005 o Trio participou da 3ª edição do projeto Conexão Brasileira, no Circo Voador, no Rio de Janeiro, apresentando show de lançamento do novo CD – “Forró do Futuro”. Em junho de 2006, o Trio integra o projeto São João no Rio de Janeiro, apresentando-se como convidados no show de Elba Ramalho, no Canecão. Em 2008, lançaram um DVD – “26 anos de estrada”, após completarem 26 anos de carreira. Os arranjos do disco foram de Enok Virgulino, assim como na maioria dos álbuns do Trio.

Em 2011, o Trio participou do “São João carioca”, evento realizado pela prefeitura do Rio de Janeiro, na Quinta da Boa Vista, comemorando a passagem dos festejos juninos. O evento levou ao palco montado naquele Parque artistas como Caetano Veloso, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Dominguinhos, Gilberto Gil e Alcione, entre outros. Na virada de 2018 para 2019, integrando a lista dos artistas mais representativos do Forró na época, apresentou-se ao vivo na tradicional festa de réveillon na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), prestando homenagem aos ídolos Luiz Gonzaga e Dominguinhos.

Com o estouro do chamado “Forró Universitário”, o Trio levou o melhor da nossa música para a França, EUA, Inglaterra, Espanha, Suíça, EUA retratando de forma clara sua alegria e espontaneidade que conquistou o Brasil. ​Em seus shows e trabalhos lançados, o Trio Virgulino já contou com participações ilustres de grandes nomes da música como Dominguinhos, Elba Ramalho, Alceu Valença, Caetano Veloso, Zélia Duncan, Osvaldinho do Acordeon, Tato do Falamansa e Zeca Baleiro. Em 2020 o Trio comemorou 40 anos de carreira com shows especiais com os grandes sucessos de sua trajetória.

“É difícil dizer, mas o FORRÓ seria outro hoje sem a sua figura, seu talento e sua alegria. Enok carrega consigo aquela coisa misteriosa e inexplicável chamada carisma. E traz na sua trajetória, de mais de 40 anos no ritmo, um reconhecimento ao talento, além de grandes composições e interpretações. Ele é, como disse uma vez Dominguinhos, um baluarte da sanfona. Lenine ficou impressionado com sua força e alegria em apenas meia noite de contato e, nós, apaixonados pelo ritmo, somos eternamente gratos e sensíveis à presença desse músico especial e pessoa incrível. Não há quem fique acomodado ao lado de Enok. Seu carisma, sua força, sua alegria e seu grande talento sempre nos movem na direção de algo muito bom.

Enok, junto com seu trio, o VIRGULINO, lideraram todo o movimento que criou o FORRÓ em meados da década de 90. Mas foi ele, o sanfoneiro, a figura chave e central, foi a partir da sua visão, mesmo que limitada devido a uma catarata congênita, que o ritmo vislumbrou momentos maiores e assim seguiu, construindo uma linda história.

Agora chegou a vez de um momento de carreira solo. O grande sanfoneiro quer fazer algo do seu jeito, na sua forma de lidar com a música, o canto e sua sanfona, algo que alimenta lá dentro, do mesmo lugar de onde saíram tantas canções e interpretações geniais que vimos em mais de 40 anos de carreira. O CD – FORRÓ BOM É AQUI! Uma citação que nada tem de pretenciosa, pois, vindo de quem vem, com seu talento e legado, sabemos que o resultado só pode ser muito animado. Se preparem, xotes, baiões e forrós com aquele jeito tão especial de quem está sempre tão feliz!” diz, Paulinho Rosa (dono do Canto da Ema).

Segue abaixo entrevista exclusiva com Enok Virgulino para a www.ritmomelodia.mus.br (ele fala sobre a sua saída do Trio), entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 21.04.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Enok Virgulino: Nascido no dia 21.04.1958 em Parnamirim – PE. Registrado como Enok Virgolino Dantas.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Enok Virgulino: Meu primeiro contato com a música foi através do O sistema de alto-falante fixo de uma Difusora em Parnamirim – PE. Eu ouvia da minha casa a Difusora tocar a “Asa Branca” de Luiz Gonzaga.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Enok Virgulino: Eu sou autodidata na música e não tive aula formal. Mas fui aprendendo através de dicas de pessoas que já tocavam o Acordeon. Eu estudei até o quinto ano do ensino fundamental já adulto em um curso supletivo; que infelizmente não se aprende tudo como em um curso regular.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Enok Virgulino: As minhas influências foram as mesmas de todos que aprendiam tocar a sanfona/acordeon nos anos 70. Era tirar de “ouvido” as músicas de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Sivuca e a música popular brasileira que ouvia no rádio. Todas essas influências continuam importante na minha vida e na minha formação musical. Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Sivuca as suas obras continuam presente e é uma escola para todos que tocam Acordeon.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Enok Virgulino: Em 1968; aos 10 anos de idade, eu comecei aprender tocar sanfona e tocar nas feiras livres, praças passando o chapéu para ganhar meu dinheiro. Eu tenho deficiência visual; enxergo apenas 5%. Era meu ganha pão e continua sendo até hoje. Em 1980 crio o Trio Virgulino junto com Roberto Pinheiro, (Voz e zabumba), Adelmo Nascimento (Voz e triângulo) naturais de Parnamirim, cidade do interior Pernambuco.

06) RM: Quais os motivos o fizeram sair do Trio Virgulino após 38 anos?

Enok Virgulino: Em 2018 quando fiz 60 anos de vida percebi que estava agindo como “menino” ou como se tivesse ainda 40 anos para atender os compromissos e agenda do Trio Virgulino. Eu percebi que tinha passado na vida, mas não tinha vivido. Não pude acompanhar a infância e adolescência dos filhos, pois estava na estrada. Agora tenho meus netos e preciso desacelerar e conviver com a minha família. Meus filhos já estão tocando suas carreiras. Eu resolvi tocar minha carreira solo de forma mais tranquila e pode me apresentar com meus filhos e com meus netos. Financeiramente ainda não consegui muita coisa, mas estou mais presente com a minha família. Eu cheguei a viajar bastante com o Trio e passar três dias em cassa e já pensando na estrada. Mas o Trio Virgulino continua firme e forte com Adelmo Nascimento (Voz e Triângulo), Roberto Pinheiro (Voz e Zabumba) e entrou Robson Pinheiro (Acordeon e Voz), filho do Roberto.

07) RM: Quantos CDs lançados?

Enok Virgulino: Em 2018 lancei meu CD solo – “FORRÓ BOM É AQUI”. Participação especial de Elba Ramalho, Flávio José, Jonas Virgulino, Rafa Virgulino. E lancei no Trio Virgulino: Em 2011 o CD – “Vida de Forró”. Em 2009 o CD – “Isso aqui tá bom demais”. Em 2008 o CD – “26 anos de estrada”. Em 2008 o DVD – “26 anos de estrada”. Em 2007 o CD – “Isso sim é São João”. Em 2005 o CD – “Forró do Futuro”. Em 2001 o CD – “Coração feliz” pela Abril Music. Em 1999 o CD – “O beijo que você me deu”. Em 1998 o LP – “Forró e paixão”. Em 1996 o LP – “Trio Virgulino ao vivo”. Em 1986 o LP – “Beijo moreno”. Nossas músicas de sucesso: “Chamego bom” (Trio Virgulino com João Libório), “De mala e cuia” (Enok Virgulino e Flávio Leandro), “Foi por um triz” (Enok Virgulino e Bosco Carvalho), “Forró de pé de bode” (Enok Virgulino e Miraldo Aragão), “Meu Padrim” (Enok Virgulino e João Libório), “Pedindo arrego” (Enok Virgulino e João Libório), “Preciso do teu sorriso” (Enok Virgulino e João Silva), “Querer bem” (Enok Virgulino e João Libório).

08) RM: Como é o seu processo de compor?

Enok Virgulino: Eu componho muito pouco. Mas quando vem a inspiração nasce letra e melodia e as vezes só a melodia e meus parceiros escrevem a letra.

09) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Enok Virgulino: Miraldo Aragão, Jonas e Rafa Virgulino, João Libório, Bosco Carvalho.

10) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Enok Virgulino: Falamansa, Trio Sabiá, A família Virgulino (Jonas e Rafa Virgulino), Mariana Ayada, Flávio José, Doutor Edinaldo, Dominguinhos gravou “Preciso de seu Sorriso” e ele ganhou Grammy Latino com essa música, entre outros.

11) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Enok Virgulino: O Forró está legal na atualidade. O Forró está sempre capengando, mas continua forte e é uma honra para quem faz. As principais revelações: Falamansa, Bicho de Pé, Dois Dobrado e muita gente boa que leva o Forró pra frente e fazendo história.

12) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Enok Virgulino: Muitas coisas citadas na pergunta aconteceram na minha trajetória musical. Os calotes foram poucos, uns dez (risos). Tiveram shows maravilhosos e dificuldade nas viagens com carro quebrando, perder voo, viagens de ônibus em lugares de difícil acesso. Muitas coisas boas acontecendo e que ainda vão acontecer.

13) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Enok Virgulino: O que mais feliz na minha carreira é a própria música e aceitação do público ao meu trabalho. E o que me deixa muito triste é não poder dirigir um carro para me locomover para visitar os amigos e ir para os shows.

14) RM: Quais os prós e contras do Movimento do “Forró Universitário” no Sudeste?

Enok Virgulino: No período do movimento do “Forró Universitário” abriu muitos espaços para os forrozeiros trabalharem e surgiu outras Casas de Forró e a divulgação do gênero Forró.

15) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró de Banda dos anos 90?

Enok Virgulino: Os prós é que as bandas de Forró dos anos divulgaram o Forró na grande mídia.

16) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró Estilizado dos anos 2000?

Enok Virgulino: O Forró Estilizado pelo próprio nome descaracteriza o Forró Pé de Serra.

17) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Enok Virgulino: Infelizmente, não. Só alguns amigos radialistas que tocam por acreditar no nosso trabalho.

18) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Enok Virgulino: Estude o mercado para definir o estilo que você quer seguir e invista na carreira financeiramente.

19) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Enok Virgulino: No passado as gravadoras divulgavam o trabalho dos seus artistas na grande mídia. E hoje em dia o artista para estar na grande mídia tem que ter muito dinheiro ou fazer permuta de divulgação.

20) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Enok Virgulino: É louvável e muito bem-vindo. Os artistas precisam desses espaços.

21) RM: Apresente sua família musical.

Enok Virgulino: Meu filho Jonas Virgulino que tem a banda Dois Dobrado e é meu empresário. Meu filho Rafa Virgulino que toca comigo e com outros artistas. Ambos são acordeonistas e tocam outros instrumentos. Minha filha Cristina Virgulino toca Triângulo, canta comigo e seu filho Lucas Virgulino de 13 anos de idade toca Acordeon e faz sucesso nas minhas live. Ela já pensa em formar um Trio, ela (Voz e Triângulo), Lucas (Acordeon” e chamar um zabumbeiro. Minha filha mais nova Daniela toca Zabumba comigo. E Jonas, Rafa, Cristina, Daniela lançaram dois álbuns como banda Família Virgulino.

22) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Enok Virgulino: [email protected] | (19) 98159 – 1919 | 3469 – 4062

| http://enokvirgulino.com.br

| https://www.instagram.com/enokvirgulinooficial/

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCVD0d3trZ9OEKMhTC0kV5DA

 

 

 

 


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.