Eli Moura

Eli Moura

O radialista maranhense Eli Moura adquiriu experiência em apresentação/locução em rádios em Curitiba – PR.

Não contente com a falta de opções de ouvir Forró Pé de Serra em Curitiba. Resolveu além de ouvir músicas no computador em casa, compartilhar este gosto através da internet, assim no dia 13.05.2006 criou a rádio web Forroots – www.forroots.com.br . Um baluarte de que valoriza e propaga a cultura nordestinas através da música, culinária e costumes.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Eli Moura para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 22.08.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Eli Moura: Nasci no dia 03.10.1949, em Caxias – MA. Registrado como Eli Sousa Moura.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Eli Moura: Contato mais próximo veio quando me tornei locutor e apresentador de rádio!

03) RM: Qual a sua formação acadêmica?

Eli Moura: Ensino médio completo.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Eli Moura: As minhas raízes são nordestinas! Nenhuma deixou de ter importância, pois sou muito eclético! Costumo dizer que tudo que é raiz, é natural e se é natural, é espiritual também!

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira de radialista?

Eli Moura: Comecei em Curitiba – PR em 1990 na Rádio Estação da Luz.

06) RM: Quando, como e onde começou a rádio Forroots?

Eli Moura: Comecei mais precisamente na minha casa, no Bairro Jardim das Américas – Curitiba – PR no dia 13.05.2006, com ajuda do meu filho Kiko Moura.

07) RM: Quais os motivos fizeram você escolher o nicho do Forró para sua rádio?

Eli Moura: Apesar das influências aqui do Sul, sempre mantivemos forte nossas raízes e nossas tradições, tanto na comida, quanto nas danças e mais forte ainda na música, então para honrar isso, escolhemos o Forró como o centro das atenções!

08) RM: Qual a importância do Forró se tornar um patrimônio Imaterial?

Eli Moura: O Forró tem a capacidade de traduzir toda uma história de alegria, de luta, de fé e de sobrevivência de um povo guerreiro, que reflete a própria história da nossa nação. Além disso, o Forró é cultura raiz, o que o torna suficiente para receber inquestionavelmente esse título!

09) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Eli Moura: Faltarão linhas (risos), difícil relacionar um artista, pois todos tem o seu papel, seu tempo e sua importância nessa missão de contar a história das nossas raízes! Mas confesso ter um carinho todo especial pelo meu amigo Dió de Araújo do Trio Xamego! Com todo o respeito, mas esse senhor ganhou meu coração já na primeira conversa!

10) RM: Qual seu contato pessoal e profissional com Joana Alves?

Eli Moura: Joana Alves é uma princesinha que conheci no primeiro fórum de Forró Tradicional do Brasil, foi um grande prazer e uma grande honra esse encontro com ela!

11) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Isabel Santos?

Eli Moura: Isabel Santos é mais uma princesinha que tive contato no Fórum Forró Tradicional do Brasil e se mostrou muito prestativa e conhecedora da nossa cultura do Forró, sendo também uma grande honra e prazer conhecê-la.

12) RM: Quais os prós e contras de desenvolver de manter uma rádio web?

Eli Moura: A vantagem é a mobilidade e o alcance em que se propaga a nossa missão de levar o Forró a todos os cantos do Planeta. Porém, ainda precisamos sensibilizar os órgãos de comunicações, da importância de se manter a nossa cultura!

13) RM: Quais as estratégias de planejamento para manter uma rádio web?

Eli Moura: Como sou locutor, senti um pouco de dificuldade no início! Entender como funciona os sistemas por trás de uma rádio web, aprender a mexer nos programas, editar as músicas, vinhetas, entender como funciona as tecnologias por trás de tudo foi um desafio. Já pelo lado administrativo, como a rádio não tem fins lucrativos e poucas pessoas participam do projeto, tive menos dificuldade em me adaptar e planejar o desenvolvimento dela!

14) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica através de sua rádio web?

Eli Moura: Temos sempre a preocupação em apoiar e divulgar os eventos, como os festivais, bem como incentivar os músicos, de bandas e trios, com lançamento de seus CDs, mas tudo isso sem cobrar nada, pelo puro amor ao Forró!

15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua rádio web?

Eli Moura: Só ajuda, porquê o alcance é mundial e nos aproxima de nossos ouvintes.

16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Eli Moura: Só encontro vantagem, pois são muitos os programas disponíveis que nos auxiliam! Apesar de se perder um pouco com qualidade, se ganha em mobilidade, baixo custo e independência.

17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que um artista deve fazer para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Eli Moura: Isso é verdade, estamos bem servidos de músicos bons. Acredito que o diferencial agora é tocar o ouvinte com músicas que tragam uma mensagem forte, de superação, desenvolvimento pessoal e coletivo. Por outro lado, a divulgação se tornou essencial, então além de uma música de qualidade, é necessário um bom trabalho de marketing.

18) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Eli Moura: Difícil enumerar (risos), tem muita gente boa, artistas do passado que ganharam mais visibilidade, artistas novos que se destacam e muita coisa boa ainda por vir. É bacana ver todos empenhados em manter nossa história viva! Como falei, tenho um carinho especial pelo Dió e pelo Trio Xamego, são um exemplo de bom trabalho e carisma, mas pra além deles, gosto muito do trabalho do Nando Nogueira e do Trio Dona Zefa. Bom gosto, carinho com o público, música de qualidade e amor pelo Forró!

19) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira de radialista?

Eli Moura: Sinto uma enorme felicidade em poder trazer um pouco de amor para as pessoas através das minhas palavras! Meu programa ao vivo e a rádio como um todo é a manifestação da minha vontade de levar alegria ao coração de quem ouve!

20) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró Universitário no Sudeste?

Eli Moura: Acredito que só haja prós! Divulgar o movimente, é uma ótima porta de entrada para o forró pé de serra. Ainda sofremos bastante preconceito, mas as bandas em formato maiores que trios vão abrindo espaço no ouvido e no gosto das pessoas, até que elas chegam as raízes do Forró Pé de Serra!

21) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró de Banda dos anos 90?

Eli Moura: Em Curitiba – PR, foi bem nessa época (anos 90) que o Forró ganhou espaço através da banda de Forró! Então acredito que foi uma fase importante!

22) RM: Quais os prós e contras do Movimento do Forró Estilizado dos anos 2000?

Eli Moura: Forró Estilizado já é um pouco mais complicado, se falarmos de Forró Pé de Serra! Percebo que esse tipo de Forró leva mais o público em sentido ao sertanejo que ao Forró raiz, então se perde possível público dessa forma!

23) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Eli Moura: Não desista, nada nasce bom, perfeito, você vai cair muito, pessoas vão criticar, você vai se sentir desanimado, cansado, mas a vitória é resultado da luta e do estudo! Estudo musical, do instrumento, do canto, de composição e de comportamento!

24) RM: Quais os prós e contras dos Festivais de Forró no Brasil?

Eli Moura: Só vejo prós nos Festivais de Forró, porque aproximam o público, os músicos e os produtores!

25) RM: Qual a importância do Fenfit – Festival Nacional Forró de Itaúnas – Espirito Santos para o cenário do Forró?

Eli Moura: Itaúnas – ES é uma referência, um lugar onde a cultura se encontra! O Forró Pé de Serra passa por Itaúnas, sendo ela uma cidade que gira em torno do gênero Forró! Pouquíssimas cidades podem dizer que são o polo cultural de um certo gênero e conseguem honrar esse título!

26) RM: Hoje os Festivais de Forró revelam novos talentos?

Eli Moura: Os Festivais de Forró revelam menos do que poderiam! Ainda se pensa muito nas bandas já consagradas! Não é culpa dos festivais, isso é coisa dos seres humanos! Nos apegamos a certas coisas e sentimos dificuldade de nos abrirmos as novas experiências, como ouvir uma banda nova!

27) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia do cenário do Forró?

Eli Moura: A cobertura feita pela grande mídia do cenário do Forró é precária! A cultura raiz é a última preocupação da grande mídia, porque ela ensina, desenvolve, une e a última coisa que a mídia precisa é de um povo que valoriza sua própria cultura e para de consumir aquilo que ela acha que vale a pena vincular, por interesse próprio!

28) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Eli Moura: É um espaço super importante! Dá voz a diversas culturas e artistas, tanto consagrados, quanto novos!

29) RM: Quais os prós e contras dos Festivais de Forró no Exterior?

Eli Moura: O pró é levar a cultura para outros horizontes, o contra é investir demais fora e aqui, ficar defasada!

30) RM: Quais os projetos futuros da Rádio Forroots?

Eli Moura: Estou satisfeito com o trabalho da Forroots hoje! A cada dia conseguimos implementar mais uma identidade que honra a cultura e que traz uma mensagem as pessoas! Estou deixando as coisas acontecerem, aberto a tudo que pode vir, mas neste momento, me sinto satisfeito com a projeção que a rádio já tem!

31) RM: Eli Moura, Quais as principais Casas de Forró em Curitiba – PR?

Eli Moura: Aqui não temos mais Casas de Forró, mas espaços onde os músicos produzem eventos. Temos por exemplo a banda “Areia Branca”, que promove Forró todos os domingos na Sociedade Operária Beneficente 13 de maio. Temos o Bom Baião promovendo o “Baile de Lampião”, evento quinzenal em Curitiba – PR e o famoso “Forró da Lua”, promovido por uma escola de dança de Curitiba, que acontece uma vez ao mês!

32) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Eli Moura: (41) 3013 – 6536 | www.forroots.com.br


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.