Edni Devay

Edni Devay

Edni Devay teve sua iniciação musical na infância, quando ganhou de presente do seu avô materno um pequeno tambor, aos três anos de idade. A partir daquele momento, não parou mais de tocar.

Músico educador, baterista, escritor. Autor do livro “Ritmo em Melodia para Bateristas, produtor musical, dentre algumas outras funções que Edni acumula e desenvolve ao longo da sua carreira musical que já dura pouco mais de três décadas.

Criado em uma família muito musical, aos dez anos de idade, teve o seu primeiro contato com uma bateria. Edni foi influenciado pelos músicos do seu núcleo familiar e por alguns amigos da época da escola que gostavam de tocar e ouvir música. Com quinze anos, iniciou seus estudos de música na Universidade Federal da Bahia (UFBA), onde teve a oportunidade de aprender noções básicas de harmonia e teoria musical, além de descobrir instrumentos como o tímpano, a marimba, a caixa clara, dentre outros que são muito utilizados na percussão das orquestras e bandas sinfônicas.

Aos dezessete anos de idade, começou a tocar profissionalmente, em bares em Salvador e com dezenove anos, na Universidade Católica de Salvador (UCSAL), em que concluiu em 1996 sua graduação em Licenciatura em Música além de ter concluído em 2012 a graduação em Gestão Comercial na Universidade Salvador (UNIFACS). Edni durante sua trajetória musical leciona em escolas regulares, conservatórios de música, aulas particulares, além de ministrar cursos e workshops presenciais e a distância (online).

Acompanhou vários artistas e bandas em shows pelo Brasil e no exterior como baterista, além de atuar em estúdios, participando de gravações, produzindo e fazendo arranjos para discos, jingles publicitários, trilhas para teatro e para vídeos. Participou de vários trabalhos musicais, com estilos diversificados, do rock ao jazz, passando pela música popular brasileira e a música erudita ou clássica.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Edni Devay para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 08.01.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Edni Devay: Nasci no dia 04 de junho de 1973 em Salvador – BA, sou soteropolitano. Registrado como Edni Freitas Devay.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Edni Devay: Não é nada fácil afirmar com precisão qual foi o meu primeiro contato com a música, tive e tenho a sorte de fazer parte de uma família; por parte materna, muito musical.

Minha mãe começou a estudar música na adolescência, hoje em dia ela continua tocando Piano e um pouco de Violino, mas preferiu levar a música de forma amadora e não quis se profissionalizar. Ela relata que durante sua gravidez, era constante sentir movimentos bruscos do bebê (eu) dentro da barriga. Apesar de ter o costume de ouvir um repertório musical variado, minha mãe que se chama Olgany, gosta muito de escutar os compositores clássicos como Strauss, Chopin, Tchaikovsky, Bach, dente outros. Segundo ela, ao colocar algumas das músicas destes compositores, já era possível perceber que a música gerava alguns estímulos e por consequência resultava em reações que acalmavam e tranquilizavam os movimentos do bebê (eu) lá dentro da barriga dela.

Buscando na minha memória, lembro com muita clareza de ouvir música na minha casa com muita frequência desde sempre. Meu tio (irmão da minha mãe) tinha o hábito de tocar Piano praticamente todos os dias, e eu sempre gostava muito de ouvir e de brincar com vários instrumentos que ficavam disponíveis pela casa.

Tenho uma foto guardada com muito carinho de quando eu tinha três anos, foi uma foto feita no ano de 1976. Nesta foto estou tocando um pequeno tambor que foi dado de presente pelo meu avô materno, era um desses tambores feitos para crianças.

Esse tambor tinha uma importância e um significado muito forte pois eu tinha uma relação de total intimidade com aquele “brinquedo”, era o meu preferido e o mais explorado diariamente, pois eu adorava ouvir e tentar copiar os toques e os ritmos executados pela banda da Polícia Militar, cujo quartel ficava na rua dos fundos da casa onde eu morava no bairro do Bomfim, na chamada cidade baixa da capital Baiana.

A banda da Polícia Militar sempre fazia ensaios para tocar nas datas comemorativas como, por exemplo, 7 de setembro – dia da independência do Brasil / 15 de novembro – dia da Proclamação da República, dentre outras datas oficiais. Tenho uma lembrança muito nítida da minha euforia quando conseguia ouvir os sons da banda da Polícia Militar ensaiando, era um dos momentos mais esperados por mim na época da minha infância.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Edni Devay: Durante a minha adolescência, quando tinha idade aproximada entre 14 e 16 anos, frequentei a Universidade Federal da Bahia (UFBA) em que fiz o curso livre de música. Neste curso livre da UFBA, tive a oportunidade de conhecer e praticar alguns instrumentos de percussão tradicionalmente utilizados em bandas e orquestras sinfônicas a exemplo: tímpanos, marimba, xilofones, caixa clara, dentre outros. Além disso, também tive a minha iniciação à teoria musical durante esse curso.

No ano de 1992 comecei a fazer o curso superior de licenciatura em música na Universidade Católica de Salvador (UCSal) e quatro anos depois (em 1996) estava com o diploma em mãos.

No ano de 2010 eu decidi voltar a universidade para fazer um outro curso totalmente fora da área musical, e finalizei em 2012 meu curso de Gestão Comercial na Universidade Salvador (UNIFACS).

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Edni Devay: Tive e tenho ainda muitas influências musicais das mais variadas e distintas. A música Erudita era muito presente no cotidiano da minha família materna, e foi inevitável a identificação e assimilação, meio que por osmose, das melodias dos mais conhecidos compositores Eruditos.

A música popular também teve um papel muito forte na minha formação musical, a cultura e os ritmos nordestinos sempre estiveram extremamente presentes na minha vida desde sempre. Tenho a nítida lembrança de manifestar um desejo no dia que completei seis anos e pedi de presente para meus pais um disco do genial instrumentista paraibano Sivuca, que dentre outras características, tinha a forte presença da música regional no seu repertório (baião, xote, frevos, dentre outros ritmos).

Ainda com relação a música popular, a cultura afro é muito intensa na minha cidade natal e isso foi com absoluta certeza mais uma das vertentes que me influenciou e continua me influenciando. Ritmos como o ijexá, samba de roda são alguns dos muitos ritmos que temos aqui na cultura musical da Bahia.

Antes de chegar à conclusão e decisão definitiva aos onze anos de idade de que o instrumento que eu iria me dedicar e ter como prioridade seria a Bateria, cogitei a possibilidade de tocar alguns outros instrumentos a exemplo da guitarra baiana, por influência de Armandinho Macedo.

A escolha da Bateria, dentre outros motivos, surgiu em 1985 quando pude ver pela Televisão um solo de bateria feito com as mãos pelo baterista chamado Tommy Aldridge durante o show do cantor Ozzi Osbourne no primeiro Rock in Rio Festival. O Rock in Roll foi uma influência muito forte na minha música, eu cresci ouvindo bandas como Rush, Black Sabbath, Iron Maiden, além das bandas de rock do Brasil das décadas de 80 e 90.

Nesse turbilhão de influências, surgiu a oportunidade de conhecer a cultura musical norte americana do jazz e do blues, mas o que realmente me chamava atenção eram os músicos e os compositores que faziam fusão de ritmos e estilos dentro da música instrumental.

Foi quando comecei a ouvir os violinistas francês Jean Luc Ponty e Estefany Grappelli, os pianistas Michel Camilo e Chick Corea, o saxofonista brasileiro Victor Assis Brasil, Michael Brecker, Hermeto Pascoal, as bandas Spyro Gyra, Yellow Jeckets e logicamente os mais variados bateristas desde Dave Weckl, Vinnie Colaiuta, Jack Dejohette, Alex Acuña, Pascoal Meirelles, Robertinho Silva, Ivan Conti Mamão, e vai uma lista interminável de músicos e bandas que eu tive como forte influência no início da minha caminhada musical. A fonte nunca seca, sempre aparece algo novo e muito interessante que proporciona novos estímulos e inspirações.

Em suma, todas as influências que eu tive durante a minha trajetória foram muito significativas e até hoje eu bebo na fonte de cada uma delas, nada ficou para trás, tudo continua vivo e me servindo como fonte de inspiração.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Edni Devay: Minha carreira musical começou de forma amadora tocando nos festivais estudantis de música. A proposta era amadora, mas a seriedade já era algo muito latente na minha postura com relação a música.

Logo no início desse meu percurso na música, quando eu ainda era um garoto de 13/14 anos (final dos anos 80), fui convidado por alguns colegas da escola para participar de um grupo que desenvolvia um trabalho musical autoral e que ganhou alguns prêmios durante os festivais estudantis de música em Salvador durante a década de 80. Este mesmo grupo também me proporcionou a possibilidade de fazer shows, gravações e participávamos de programas de rádios e televisão das emissoras locais em Salvador – Bahia.

Com aproximadamente 16 anos (1989), fui tocar na noite substituindo um baterista num Bar, e foi desta forma que oficialmente me profissionalizei e recebi o meu primeiro cachê.

06) RM: Quantos discos solos ou em grupo lançados? Cite alguns discos que você já participou?

Edni Devay: Gravei alguns discos com bandas e artistas de estilos bastante variados, mas uma das gravações mais marcantes e significativas que fiz, foi do disco feito em homenagem ao maestro Cazuzinha que era regente de várias orquestras filarmônicas em diferentes cidades da Bahia no início do século passado. O maestro Cazuzinha como era artisticamente conhecido, era meu bisavô materno e faleceu no ano de 1932.

Ainda não finalizei o meu disco solo, pois dei e dou prioridade a produção de materiais didáticos voltados a Bateria. O meu primeiro livro foi lançado em abril de 2014 e se chama “Ritmo em Melodia para Bateristas”, e finalizei meu segundo livro será lançado em 2021.

07) RM: Como você define seu estilo como Baterista? Você toca outro instrumento musical?

Edni Devay: Após passar por várias experiências no decorrer da minha carreira musical, hoje eu me considero um baterista versátil pelo fato de ter vivenciado linguagens e abordagens musicais muito distintas. Além disso, estou numa fase de consolidação da minha identidade musical dando um enfoque para o aspecto criativo e de personalização da minha performance.

Tenho contato com outros instrumentos além da bateria como Piano, Violão e alguns outros instrumentos de percussão, mas é um contato amistoso que me proporciona apenas o suficiente para me ajudar no processo de composição das minhas músicas e de arranjos que faço como produtor musical.

08) RM: Quais as principais técnicas que o Baterista deve se dedicar?

Edni Devay: O baterista é um músico como qualquer outro e um músico deve ter a preocupação fundamental em adquirir uma boa percepção auditiva / musical, saber ouvir é essencial para qualquer músico e não é diferente com os bateristas.

Um baterista deve ter em mente que ele é um músico que usa todos os membros para tocar (os dois pés e as duas mãos), portanto é indispensável o desenvolvimento da coordenação motora, da independência e da lateralidade entre os membros.

Além de trabalhar os membros de forma conjunta e simultânea, é fundamental o desenvolvimento das técnicas de forma isolada. A técnica das mãos e a técnica dos pés devem ser praticadas de forma isolada para ter um ajuste fino e eficaz para fluir de forma satisfatória e natural quando todos os membros estiverem paralelamente em ação.

09) RM: Qual a importância de o Baterista equilibrar a função de condução e de solista?

Edni Devay: Tradicionalmente o baterista tem a função primordial de tocar bases rítmicas com a finalidade de dar sustentação para música. Mas o papel do baterista no contexto musical definitivamente não fica restrito a tocar bases rítmicas.

Os bateristas também têm sua função como solista, mas eu gosto quando a bateria está solando inserida no contexto musical e sempre que possível “dialogando” e/ou interagindo com outros instrumentos. Não tenho muita simpatia quando o solo da bateria fica “a parte” da estrutura que compõe a música: Harmonia e/ou Melodia.

Inclusive, o livro que escrevi, tem um nome que está diretamente relacionado a essa questão da função do baterista dentro do contexto musical. O livro que se chama “Ritmo em Melodia para Bateristas”, remete e aborda a função do baterista de forma híbrida, unindo o lado de acompanhamento com o lado solista quase que na mesma proporção.

10) RM: Quais os principais vícios técnicos ou falta de técnicas têm bateristas alunos e alguns profissionais?

Edni Devay: Um vício muito comum entre muitos músicos e eu incluo os bateristas também, é com relação ao desenvolvimento da teoria de forma separada da prática. A meu ver, durante o processo de aprendizagem de um aluno de música, deveria ser sempre feito de forma concomitante e desenvolvendo da teoria e da prática de forma simultânea. Esse é um vício que pode ter consequências irreversíveis a depender de cada caso e de cada músico.

11) RM: Quais as principais características de um bom Baterista?

Edni Devay: Vale a pena ressaltar que um bom músico / baterista é aquele que sabe ouvir e tem uma boa percepção auditiva / musical para identificar as nuances do seu próprio instrumento de forma individual e em conjunto com uma banda ou orquestra.

12) RM: Quais são os Bateristas que você admira?

Edni Devay: Ao invés de citar os nomes de cada baterista, eu prefiro responder dizendo que os bateristas que eu mais admiro são aqueles que me transmitem emoção ao ouvir e ver suas performances. Essa é a resposta mais coerente, principalmente depois do advento da internet que tornou possível ver e ouvir bateristas de todas as partes do mundo, independente se é um baterista “famoso” ou “desconhecido”. Aliás, eu adoro ser “surpreendido” com bateristas que eu nunca vi tocar antes e vê-los fazendo performances que me chame atenção e que além de me emocionar possa também, me inspirar.

13) RM: Existe uma indicação correta para escolher uma Bateria?

Edni Devay: A bateria é um instrumento muito pessoal em que cada baterista tem a liberdade de afinar, montar e escolher quais as peças: pratos, tambores, acessórios, ele deseja utilizar. Essas variáveis estão atreladas ao tipo de proposta e/ou ao estilo que cada baterista vai desenvolver durante sua performance. Portanto, não dá para responder de forma genérica devido a peculiaridade do instrumento (Bateria), que é bastante flexível e adaptável de acordo com o músico / baterista e de acordo também com cada situação ou circunstância.

14) RM: Quais os gêneros musicais que necessitam de bateria específica?

Edni Devay: Não consigo ver a necessidade de ter ou não uma bateria tocando numa música, de forma atrelada apenas a um estilo ou um gênero específico. Todo e qualquer gênero pode incluir a bateria, tudo vai depender da orientação do compositor ou do arranjador, da interpretação do arranjo e da forma como o baterista vai conduzir a execução do instrumento. Uma sinfonia de Beethoven por exemplo, pode ter diferentes interpretações e desta forma, a bateria pode ou não estar inserida.

15) RM: Qual a marca de Bateria da sua preferência?

Edni Devay: Essa visão preferencial sobre as marcas de uma bateria não tem mais tanta importância quanto já teve antigamente. O processo de fabricação, montagem e até mesmo a mão de obra de construção / montagem estão “quase” que “padronizados”. Além do que, as baterias customizadas e feitas por encomenda, são uma opção que proporciona maior identificação e preferência da minha parte.

16) RM: Existe marca ideal para cada gênero musical ou é preferência pessoal?

Edni Devay: Não existe na minha concepção, essa associação entre uma marca que seja mais ou menos adequada para tocar um estilo ou gênero específico. Até porque, existem modelos variados e com diferentes especificações dentro de uma mesma marca, que o músico pode escolher para atender a sua necessidade.

17) RM: Quais os prós e contras de ser professor de Bateria?

Edni Devay: Sobre os “prós”, eu costumo dizer que todos os professores estão sempre aprendendo enquanto ensinam, e não tem nada melhor que estar sempre adquirindo novos conhecimentos. Já os “contras”, eu tenho uma lista grande, mas vou destacar um aspecto que me incomoda bastante: A falta de interesse, a falta de seriedade, a falta de compromisso de alguns alunos com relação a música é algo que é extremamente desagradável e desgastante.

18) RM: Existe o Dom musical? Qual seu conceito de DOM?

Edni Devay: O DOM, é algo que faz toda a diferença apesar de não ser o único fator que determina o nível de competência e habilidade de um músico. Quem tem o DOM, com absoluta certeza sai na frente de quem não tem ou de quem tem menos, mas nada impede daqueles que não tem ou dos que tem menos, de conseguir alcançar um estágio parecido ou até mesmo superior das habilidades e competências com relação aos que tem o DOM.

Um músico que tem o ouvido absoluto é o melhor exemplo para ilustrar isso, pois ele sai na frente de quem tem um ouvido relativo, e isso já ajuda de forma absurda no processo de desenvolvimento independente do instrumento.

19) RM: Quais os prós e contras de ser baterista freelancer acompanhando artista ou grupo?

Edni Devay: Os “prós”: Não precisar gastar energia tendo que desenvolver tarefas extra musicais: Marketing, logística e toda a parte burocrática administrativa do trabalho. Os “contras”: Não ter liberdade plena de expressão para desenvolver as ideias dentro da música.

20) RM: Quais os prós e contras de tocar em uma única banda?

Edni Devay: Os “prós”: Ter a tranquilidade de poder se concentrar em um único repertório. Os “contras”: Ficamos propensos a uma menor interação com músicos diferentes, que tenham hábitos diferenciados e que de alguma forma pode nos ajudar a não ficar “acomodados” numa possível “zona de conforto”.

21) RM: Quais os prós e contras de ser músico de estúdio de gravação?

Edni Devay: Os “prós”: O músico no estúdio pode errar e fazer novamente. Os “contras”: A troca de energia entre o palco e a plateia, entre o “emissor” da mensagem (os músicos) e os “receptores” da mensagem (o público).

22) RM: Quais grupos você que já participou?

Edni Devay: Não vou citar todos os nomes pois a memória nem sempre ajuda a lembrar, mas vou separar aqui alguns dos grupos, cantores e cantoras que tive a oportunidade de trabalhar. Uns são mais conhecidos e outros nem tanto, mas sem dúvida a satisfação em participar de cada trabalho que fiz não está absolutamente atrelada a visibilidade e/ou “fama”, e sim com a qualidade do resultado musical.

Participei da banda de: Saulo Fernandez, Sara Jane, Cátia Guima, Cid Guerreiro, Jammil e uma Noites, Netinho, Fred Menendez, Jorge Zarath, Tenisson Del Rey, Manno Góes, Jorge Portugal, da banda Vitrine, da banda Salsa baiana, dentre outros.

23) RM: Quais principais dificuldades de relacionamento que enfrentou em grupos?

Edni Devay: Não lembro de ter tido muitas dificuldades de relacionamento nos trabalhos que fiz. Vez ou outra, a falta de ética profissional gerou alguns atritos com relação ao cumprimento de compromissos previamente acordados entre as partes. Atraso no pagamento de cachês, pagamento parcial ou até mesmo o não pagamento do valor total do cachê.

24) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Edni Devay: A internet ajuda muito mais do que prejudica. A divulgação do trabalho fica muito melhor e mais fácil de ser feita, ajuda a estabelecer novos contatos e contratos, ajuda a vender alguns produtos e serviços em maior escala, ajuda a expandir / prospectar o público para conquistar uma maior demanda que na maioria das vezes ultrapassa fronteiras territoriais que sem a internet não seria possível. Enfim, são muitos os pontos positivos. Talvez o que possa vir a causar algum “prejuízo”, que no meu caso em particular não chega a ter grandes proporções, é a pirataria de produtos que são facilmente compartilhados na internet de forma irresponsável e ilegal.

25) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Edni Devay: Eu tive a oportunidade de trabalhar em estúdios nas décadas de 80 e 90, ainda quando o processo das gravações era totalmente analógico. Não sou absolutamente nada saudosista com relação ao antigo processo que era utilizado para fazer gravações, pelo contrário, sou ultra favorável a todo tipo de tecnologia que possa ajudar a produzir música e obter melhor qualidade sem precisar sair de casa para fazer quaisquer procedimentos técnicos.

Obviamente o acesso à tecnologia facilitou e permitiu que qualquer pessoa possa fazer uma produção musical. O fato é que, infelizmente, uma parcela considerável de pessoas com muito pouco ou quase nenhum conhecimento, competência e experiência no âmbito da produção musical consiga produzir, e mesmo com todas as melhores ferramentas tecnológicas disponíveis, quando os recursos humanos são insuficientes, os resultados são catastróficos em alguns casos.

26) RM: Como você analisa o cenário da música instrumental no Brasil. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Edni Devay: A música instrumental no Brasil sempre esteve em segundo plano no aspecto comercial, mas essa não é uma peculiaridade apenas do Brasil. Viver de música já é um grande desafio, e se algum músico tem a pretensão de viver única e exclusivamente da música instrumental esse desafio fica no mínimo três vezes maior. Do que eu consigo lembrar, dentro da minha visão e do meu conhecimento do mercado, quem conseguiu romper alguns paradigmas do mercado musical fonográfico através da música instrumental aqui no Brasil foi o saxofonista Leo Gandelman, o grupo Cama de Gato e mais alguns poucos que realmente tiveram resultados muito significativos tanto no que se refere a vendagem de discos, como em relação ao tocante da quantidade e da demanda de público presente durante os shows.

Infelizmente essa análise comercial é sempre muito delicada de se fazer em se tratando da música instrumental. Já com relação ao aspecto da produção musical sem a interferência do âmbito comercial, eu sou muito otimista. A música instrumental no Brasil sempre foi e continua sendo muito rica, além de sempre gerar constantes renovações.

Uma parte dos músicos brasileiros que tem maior atuação na produção da música instrumental, estão vivendo fora do Brasil, mas ainda assim temos muita qualidade na música instrumental que produzimos no Brasil por brasileiros que ainda vivem aqui no nosso território.

27) RM: Como você analisa o cenário da música brasileira. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Edni Devay: Eu sou um otimista com relação a música brasileira, mesmo com as dificuldades e os percalços sempre temos boas produções, bons compositores e bons músicos. Para ser muito franco, não me sinto confortável para fazer essa análise sobre a música brasileira e prefiro não me aprofundar nesta resposta.

28) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc.)?

Edni Devay: São muitas histórias, mas certa feita passei por uma situação inusitada e acho que vale a pena contar aqui. No final da década de 90 eu acompanhava um grupo vocal que costumava tocar em festas, bailes, além de fazer shows em lugares diversos. Um belo dia, essa banda foi contratada para tocar numa casa de eventos onde o público era muito específico pois só frequentava o ambiente pessoas que faziam parte da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros).

Além do repertório, a banda separou três músicas extras para tocar no (bis). O show foi um sucesso, a plateia estava muito animada, participando com muito entusiasmo do show desde o início até o final. Quando o repertório acabou e o show chegou ao final, o público ficou pedindo o Bis, e foi justamente na hora do Bis que aconteceu a gafe, pois dentre uma das três músicas que estavam programadas para o Bis, tinha um pout pourri com músicas muito animadas do saudoso Tim Maia que sempre caia muito bem para encerrar e fechar com chave de ouro.

Num determinado momento do pout pourri, para ser mais exato no refrão de uma das três canções, a letra remetia as seguintes palavras: “Só não vale dançar homem com homem, e nem mulher com mulher, o resto vale”. Ao final desse refrão, as pessoas que estavam muito animadas e sorridentes, como num passe de mágica transformaram as suas fisionomias e o clima mudou muito de repente… foi um balde de água fria.

Os músicos da banda ficaram estáticos até a ficha cair, e quando a ficha caiu, todos no palco tiveram uma reação imediata, alguns viraram de costas para o público para disfarçar, enquanto outros músicos tiveram uma crise de risos tão intensa que além de virar as costas para a plateia tiveram que ficar agachados para não deixar transparecer.

Fiquei assistindo tudo de camarote, pois a bateria estava no fundo do palco e a visibilidade do baterista (eu), era mínima ou quase nula, essa foi a minha sorte e a sorte da banda, pois mesmo dando gargalhadas eu continuei tocando para manter o som sem interromper a música. Algumas situações a gente não esquece!

29) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Edni Devay: Fico muito feliz quando percebo que a música que estou tocando promove reações positivas nas pessoas, isso é muito gratificante. Ao passo que fico extremamente desanimado quando percebo a falta de respeito de algumas pessoas com a profissão de músico.

30) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Edni Devay: Digo para ter consciência da escolha e fazer uma profunda reflexão até definir o quanto a música gera satisfação e prazer pessoal, pois se não amar de verdade a música, a tendência é não conseguir persistir na carreira.

31) RM: Quais os erros na metodologia do ensino musical?

Edni Devay: A meu ver um “erro” que pode causar “danos” irreversíveis na metodologia de ensino musical é o fato de desenvolver a parte prática separada da parte teórica desde o início do processo de aprendizagem.

32) RM: Apresente seu método para o ensino de Bateria?

Edni Devay: O meu método de ensino é 100% personalizado e leva em conta os aspectos individuais de cada um. A meu ver o processo de educação de uma forma geral e em específico o processo de educação musical não combina e não tem um efeito muito eficaz quando é feito de maneira padronizada. Uma coisa faço questão de destacar dentro do meu método de ensino, eu sempre faço prevalecer o desenvolvimento do lado criativo do estudante.

33) RM: Como surgiu o conceito que Bateria e o Baixo trabalham Juntos? Já caiu em desuso esse conceito?

Edni Devay: Acredito que esse conceito surgiu de forma muito pertinente, pois em alguns gêneros musicais a Bateria e o Contrabaixo estão tocando em função um do outro. Esse conceito não vai cair em desuso, mas quero salientar o fato de que não é sempre que esse conceito deve ser interpretado “ao pé da letra”, pois existem muitas variáveis em contextos musicais distintos em que a Bateria e o Contrabaixo desempenham funções em que nem sempre eles vão estar tocando em conformidade ou em consonância um com o outro.

34) RM: Apresente seu livro “Ritmo em Melodia”.

Edni Devay: “Ritmo em Melodia” é um livro didático de música feito para bateristas que teve a primeira edição lançada em 11 de abril do ano de 2014 pela editora ACBJ-BA (Associação Cultural Brasil – Japão do estado da Bahia). Este livro foi concebido pelos autores Edni Devay e Eddie Cameron que fazem uma releitura de um tema que está sendo apresentada neste livro com uma abordagem bastante peculiar e despretensiosa, deste moderno conceito de tocar Bateria construindo melodias. Os autores utilizam elementos da cultura popular brasileira, a exemplo dos ritmos do Ijexá, do Baião e do Samba, que servem apenas como base para sustentar e dar referência à criação, composição e execução das melodias no instrumento (Bateria).

Um dos objetivos do livro “Ritmo em Melodia” é de proporcionar que o leitor / praticante conheça novas possibilidades de colocar em prática sua musicalidade no instrumento, sem ficar restrito apenas a fazer bases rítmicas e tocar unicamente o ritmo pelo ritmo.

O livro está dividido em duas partes e tem uma proposta bem definida que apresenta um ciclo com etapas de evolução gradativa dos exercícios. Isso significa que todos os músicos / bateristas vão se adequar de alguma maneira, independente do seu nível técnico ou da sua desenvoltura no instrumento. Portanto, “Ritmo em Melodia” vai abranger aqueles que estão iniciando, os que já tocam e que buscam se aprimorar, até aos mais avançados. Dentre outras coisas, Ritmo em Melodia funciona de forma decisiva e importante no auxílio da metodologia de estudo. As aplicações propostas neste livro conseguem sintetizar em um único exercício os mais importantes fundamentos. Desta forma, o músico / baterista no seu momento de estudo engloba de forma homogênea a prática dos rudimentos, das acentuações (dinâmica), da divisão, da independência, da coordenação, da interpretação, da criação e percepção auditiva.

35) RM: Apresente seu segundo livro.

Edni Devay: Esse segundo livro tem também um conceito que apresenta a linguagem da cultura rítmica brasileira para transmitir as ideias e os conteúdos técnicos da bateria / percussão. É um livro mais “palatável” no sentido de “facilitar” a atração dos leitores, pelo fato de abordar um tema mais recorrente no dia a dia dos bateristas, ao contrário do primeiro livro, que apresenta um conceito ainda visto com alguma “resistência” da esmagadora maioria dos músicos especialistas na parte rítmica (bateria e percussão). Infelizmente vou me restringir nessas informações, visto que, tenho muito receio de ter a minha “ideia” sendo usada indevidamente, antes mesmo do lançamento do livro.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Edni Devay: São muitos os projetos que tenho em mente e alguns já estão sendo desenvolvidos. Infelizmente, não é possível entrar em detalhes sobre os projetos futuros, mas é possível dizer que um próximo livro didático feito para o ensino da bateria já está em fase adiantada.

37) RM: Quais os seus contatos para os fãs?

Contato: (71) 98787 – 4048| [email protected]

| www.instagram.com/edni_devay

| https://web.facebook.com/edni.devay.freitas

| www.facebook.com/edni.devay

| www.youtube.com/ednidevay

| www.ritmoemmelodia.wixsite.com/livro

|Canal: https://www.youtube.com/channel/UC8p6WCpybBDjHjYPR2M_Bug

| Drum Solo / Escape From Oakland – Edni Devay: https://www.youtube.com/watch?v=qAMQv1dlPlk

| Edni Devay (Autor do livro Ritmo em Melodia – para Bateristas):

https://www.youtube.com/watch?v=UDTFPJFSN8c&list=PLLdV3ZhYttnNZw-mRquTnh9q-MqH3Iy9F

 


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.