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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Dyego Santana

O contrabaixista, compositor e diretor musical Dyego Santana (DS BAHIA), nasceu no dia 20.06.1986 em Simões Filho – BA e iniciou seus estudos como autodidata aos 13 anos de idade, quando ganhou um violão de seu pai Robson Luiz de Jesus Silva a pedido da sua mãe Maria do Carmo Santana Silva, pois ela não podia comprar.

Dyego aos 16 anos decidiu tocar contrabaixo para formar uma banda com colegas da Escola. Nessa fase ele já reconhecia o seu amor pela música e o desejo de ser um músico profissional. Dyego fez duas aulas com um baixista da sua cidade, e logo após começou a integrar bandas locais, atuando em shows e gravações.

Dyego Santana se tornou um músico conhecido na sua cidade e região pela sua atuação profissional em bandas e dedicação aos estudos. Aos 24 anos resolveu se dedicar profundamente ao estudo de teoria musical e técnicas do Contrabaixo. Em 2017, passou a estudar pelo Sistema Musical Definitivo (SMD), do professor Jack Lima que é autor dos livros Dicionário de Ritmo e de Melodia.

Em 2020 começou a cursar Música Popular pela Universidade Federal da Bahia e atua como professor, diretor musical, sideman (músico contratado para se apresentar ou gravar com uma banda, ou artista a qual ele não é membro oficial da banda). Atualmente tem se dedicado ao estudo e ensino do Contrabaixo Elétrico, Acústico e Fretless, atuando no cenário Gospel e secular.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Dyego Santana para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 11.02.2022:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Dyego Santana: Nasci no dia 20/06/1986 em Simões Filho – BA. Registrado como Dyego Santana de Jesus Silva.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Dyego Santana: Essa pergunta faz passar um filme na minha mente sempre que busco lembrar sobre este meu primeiro contato com divina música. Aprofundando nos estudos, descobrir que o meu contato com a música foi muito natural e muito antes de querer tocar um instrumento. Eu vim de uma família onde não tinha músicos, porém gostavam de música e de festas (Graças a Deus). Tenho muitas lembranças de minha mãe Maria do Carmo Santana Silva (in memoriam) e meus tios me levando para as festas. Eu por estar em um ambiente onde não tinha crianças ficava observando e ouvindo as canções as melodias e aprenda as letras. Em festa de família, eu gostava de ficar trocando os discos no aparelho de tocar disco; quando deixavam (risos). Meu tio Eugênio as vezes deixava eu ser o DJ, eu já sabia sobre os discos, quais as músicas mais ouviam e eu não podia falhar na minha missão e assim a música foi me convidado para um amor eterno.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Dyego Santana: Estou cursando Bacharelado em Música Popular pela Universidade Federal da Bahia. Tive aulas particulares de Contrabaixo e estudo Música pelo Sistema definitivo Musical – SMD idealizado pelo professor Jack Lima que também é autor dos livros Dicionário de Ritmo e Dicionário de Melodia.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Dyego Santana: As minhas influências foram exatamente as que eu ouvia quando criança através da minha família e que continuam tendo importâncias. Tenho lembrança de ouvir Djavan, Guilherme Arantes, Belchior, Lulu Santos, Roberto Carlos, The Fevers, Tete Espíndola, enfim minha família é eclética (risos).

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Dyego Santana: A minha carreira musical começou em Simões Filho – BA quando ganhei um violão aos 14 anos de idade (1999), pois não via o estudo musical apenas como uma profissão. Aos 17 anos (2002) recebi o meu primeiro cachê como baixista tocando em uma banda e me tornei um profissional da música. Em 2017 comecei a minha carreira como professor de música. Mas quando peguei o violão aos 14 anos já sabia que seria músico.

06) RM: Quantos discos lançados? Cite alguns discos que você já participou como contrabaixista?

Dyego Santana: Ainda não gravei discos solo, mas é uma meta próxima a ser cumprida. Eu gravei discos com bandas de Simões Filho – BA. Tenho feito algumas gravações de forma online. Hoje é muito diferente por conta das plataformas digitais e lançamento de singles.

07) RM: Nos apresente os seus métodos para contrabaixo?

Dyego Santana: O Meu método de contrabaixo o “Axé Ebook Baixo”, trata do primeiro material direcionado as linhas de contrabaixo na música baiana em especial da Axé Music. Eu dentro dos meus estudos, pesquisas, conhecendo trabalhos no ritmo percebi que não tinha material didático e na oportunidade que tive ralei muito e iniciei a transcrição de partitura e tablatura que pretendo ampliar. Graças a Deus, o “Axé Ebook Baixo” foi bem aceito. É apenas o início de algo que farei crescer e que irá ajudar muitas pessoas. Nesse trabalho eu falo sobre a importância rítmica e melódica do contrabaixo elétrico no Axé Music além das transcrições, tem os vídeos eu tocando as linhas do Baixo mostrando a desenvoltura do contrabaixo dentro do gênero. Mostro uma breve história e os exemplos estão escrito em partitura e tem os áudios base com e sem a linha do Baixo para que o estudante possa experimentar suas habilidades após a absorção do conteúdo.

08) RM: Como é seu processo de composição musical?

Dyego Santana: Estou iniciando neste maravilhoso mundo de compor. No passado eu pensava que um compositor era quem tinha várias músicas compostas. Porém descobrir que as minhas linhas de Baixo são também composições (que maravilha). Hoje tenho minhas músicas que estão no plano da gravação do meu primeiro EP. No meu processo de criação é uma mistura de sentimento/inspiração com conhecimento teórico. As minhas linhas de Baixo e minhas composições busco sentir e tocar. A partir daí começo a usar meus conhecimentos. Acredito que quando temos este conhecimento fica difícil dizer que é só sentimento, que julgo ser o ponto mais importante na criação.

09) RM: Você cria melodia para letra?

Dyego Santana: Até o momento não fiz melodia para letra pronta! Mas acredito que o conceito é parecido com a criação de melodia em geral, mas existem alguns pontos específicos para cada criação que devem ser analisados e não será algo tão livre. Hoje crio mais melodias ou temas musicais.

10) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Dyego Santana: Minha emoção e meu conhecimento adquirindo são meus parceiros musicais no momento (risos). Ainda não tive oportunidade de compor com alguém, espero fazer parceria musical e será um desafio criar melodia para a letra de alguém. Eu gosto de desafios além de ter outo processo de compor melodia que não exclusivamente instrumental, faço melodia a partir do sentimento, emoção e conhecimento. Cria melodia para letra de outra pessoa terei que lidar com tudo isso, e sentimento é algo muito particular. Mas já estou disponível a parceria (risos).

11) RM: Como você define seu estilo como contrabaixista? Você toca outro instrumento musical?

Dyego Santana: Me considero um baixista eclético que gosta de jogar na defesa (condução do Grove) e que também sai para fazer gol (solos). Toco Violão, pois foi aonde tudo começou e Piano, mas algo muito restrito. Arrisco a pular de cabeça com o Contrabaixo.

12) RM: Quais as principais técnicas que o baixista deve se dedicar?

Dyego Santana: A técnica principal que um baixista deve se dedica é a de ser um bom músico (risos). Brincadeiras à parte! As técnicas de Pizzicato e Slap são as principais tratando especificamente do Contrabaixo, mas que isso não impede de estudar ou querer aprender as 1001 técnicas que existem. Foque no Pizzicato, pois é ele que vai trazer o ganha pão para casa. Mas não deixem nunca de estudar Harmonia, pois nenhuma das técnicas irão funcionar se não tiver um conhecimento deste assunto, principalmente um baixista profissional.

13) RM: Qual a importância de o baixista equilibrar a função de condução e de solista?

Dyego Santana: É o equilíbrio fundamental! Nenhuma das duas funções é melhor que a outra. Mas eu posso dizer que existe a razão e a emoção. Conduzir é a razão e solar é a emoção, mas alguém pode pensar o contrário. Eu não vejo muito um baixista solistas sendo convidado para tantos trabalhos, mas não impede de ter o seu trabalho solo. Dificilmente sou chamado como um solista, mesmo que faça vários solos. Enfim, aprenda a solar muito bem, mas saiba servir (acompanhar) também.

14) RM: Quais os principais vícios técnicos ou falta de técnica tem os baixistas alunos e alguns profissionais?

Dyego Santana: Pode parecer estranho, mas um vício é a falta do conhecimento do instrumento e o maior problema é não reconhecer e achar que conhece. É mais prejudicial ao baixista “profissional”. O Conhecimento do instrumento vai muito além de tocar músicas ou várias escalas em forma de shapes (digitação). Falam muito por aí: “Eu não toco por Shapes”. Eu acho hipocrisia, pois podemos criar vários shapes, é impossível não tocar por shapes! Porém o conhecimento do instrumento vai além de tudo isso.

15) RM: Quais as principais características de um bom baixista?

Dyego Santana: De forma geral, ser responsável abrangendo vários aspectos: Ter repertorio. Saber conduzir e saber solar. Ter conhecimento rítmico, teórico, melódico e harmônico. Conhecer sobre os ritmos e gêneros musicais ao máximo que puder. Conhecer sobre outros instrumentos ainda que não toque ou tenha tanta aptidão.

16) RM: Quais são os contrabaixistas que você admira?

Dyego Santana: Jaco Pastorius, o que ele fez com o contrabaixo, para o contrabaixo e para os baixistas é fantástico. Já passaram vários baixistas na minha lista durante este período, mas por ter passado não significa que deixaram de ser admirados ou importantes. E se não fosse por eles, eu nem seria baixista (risos). Alguns já não estão entre nós, mas deixaram o legado, exemplo Arthur Maia, a lista é grande. Mas atualmente tem dois baixistas que eu admiro bastante que são professores e mentores: Ivan Bastos e Thiago do Espírito Santo, eles têm me ensinado muito sobre música e vida e a cada dia a minha admiração só aumenta.

17) RM: Existe uma indicação correta para escolher um contrabaixo de mais de 4 cordas? Quais os gêneros musicais correspondentes a quantidade de cordas do instrumento?

Dyego Santana: A indicação para escolher um modelo de contrabaixo é o valor em dinheiro que você tem para comprar (risos). Por minha experiência essa questão de quantidade de cordas é um mito. Eu meu primeiro contrabaixo foi de 6 cordas, mas antes de ter o meu, eu toquei com contrabaixo de bandas que toquei ou emprestado por amigos, nessa época não poderia escolher quantidade cordas. Hoje eu tenho Contrabaixo de 6, 5, 4 e não me atrapalha. Quanto ao contrabaixo ideal para cada gênero musical, existem conceitos criados por alguém e outras pessoas seguem, por exemplo, dizem que a técnica do Slap o ideal é executar no contrabaixo de 4 cordas, mas tem baixistas tocando Slap em contrabaixo de 6 e fica difícil identificar diferença na sonoridade. Alguns gêneros musicais ficam muito explícito o timbre e característica própria, nesse caso temos que nos adaptar. Mas em geral, seja 4,5,6 pode ser usado em qualquer ritmo. Não que eu faça apologia nem incentivando ninguém a comprar o contrabaixo de 6 cordas, mas nele vai ter o de 5 e o de 4 cordas (risos).

18) RM: Qual a marca de encordoamento da sua preferência?

Dyego Santana: Não tenho preferência por marca de cordas, até porque não sou endosse de nenhuma e também o valor das cordas estão um absurdo. Mas tem duas marcas que são as que mais usei: D’Addario e Giannini, tem um custo benefício muito bom. Existe marca ideal para cada gênero musical ou é preferência pessoal? Não! Existe calibre, numeração das cordas. Calibre menor, som mais leve calibre maior som mais pesado, mais “gordo”. Essas características podem ser um parâmetro de escolha dependendo do gênero musical, mas nada engessado.

19) RM: Quais os prós e contras de ser professor?

Dyego Santana: Eu só prós, ainda não consigo ver nada contra. Uma das vantagens de ser professor é que você está sempre aprendendo e sempre atualizando o conhecimento, esse fato já é muito importante.

20) RM: Quais os prós e contras de ser músico freelancer acompanhando outros artistas?

Dyego Santana: Os prós é conhecer pessoas, lugares e adquirir mais conhecimento, seja musical ou cultural. E contra são as viagens, por ficar distante da família, e também tem a questão do não reconhecimento, desvalorização por parte de muitas vezes dos próprios artistas, que o músico acompanha.

21) RM: Quais os prós e contras de ser músico de estúdio de gravação. Gravando as linhas de contrabaixo em discos de artistas?

Dyego Santana: Os prós é que você entra em um universo maravilhoso passando a conhecer muitas coisas específicas que normalmente não se vê nos palcos, como por exemplo sonoridades, timbres e conceitos de produção. O Contra é exatamente você fazer tudo isso e ficar, meio que no anonimato. Antigamente acredito que não era um problema tão grande, pois os nomes desses caras apareciam nas fichas técnicas dos discos. Mas hoje com as plataformas digitais pouco ou nada se sabe sobre a ficha técnica das músicas gravadas. Em algumas lives, quando gosto do som e da forma que um músico está tocando que me chamar atenção, eu procuro na descrição do vídeo e muitas vezes não tem os nomes dos músicos.

22) RM: Quais bandas que já participou?

Dyego Santana: Toquei em muitas bandas em Simões Filho – BA, de vários gêneros e muitas de Pagode baiano, Axé Music e do cenário Gospel.

23) RM: Quais os prós e contras de tocar em uma única banda?

Dyego Santana: Os prós de tocar em uma única banda é que se você está bem nesta situação, sendo reconhecido e pagando as contas (risos), tudo vai bem. O Contra é exatamente não conseguir o reconhecimento profissional e pagar as contas em uma única banda e vai ter que tocar em várias.

24) RM: Quais principais dificuldades de relacionamento que enfrentou em bandas?

Dyego Santana: Exatamente a que encontramos em qualquer outra área profissional quando lidamos com pessoas que pensam diferente, com opiniões diferentes e o pior quando não conseguem manter o profissionalismo.

25) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Dyego Santana: A minha entrega a música, essa é uma estratégia que já me ajuda a planejar minha vida e carreira em geral. Busco sempre está bem, fazer o bem e planejar. A minha carreira, seja a curto ou a longo prazo, sempre é uma constante.

26) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Dyego Santana: Procuro fazer ações sempre ligadas ao que estou vivendo no momento pensando sempre na carreira, seja plano de curto ou longo prazo. Exemplo, nas minhas aulas, nos trabalhos que faço, procuro sempre fazer com transpareça, mostrar meu compromisso e seriedade. Essa é uma forma de empreender, mostrando meus trabalhos através das redes sociais ou nos contatos pessoais.

27) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Dyego Santana: No desenvolvimento da minha carreira a internet tem ajudado. Ela será uma ferramenta que irá ajudar muito no desenvolvimento de carreira, pessoal, empresarial. Talvez o prejudicial seria o nivelamento por baixo do mercado musical, alguns vídeos bizarros tendo mais audiência que trabalho sério e de responsabilidade.

28) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Dyego Santana: A vantagem é poder gravar em casa com todos os benefícios de estar no conforto do lar. Eu não vivi o período de gravações analógicas em estúdio onde era gravado em fita de rolo e muitos equipamentos de alto desempenho, ao pesquisar sobre o modelo de gravação do passado constatei muitas vantagens. Queria muito ter vivido essa época. Hoje as pessoas dizem que se tornou mais rápido as gravações, mas dentro das minhas pesquisas, eu discordo, pois hoje com a facilidade de você pegar uma música que repete a mesma coisa em outras partes, exemplo 1ª e 2ª as vezes não grava a segunda ou se não ficou tão legal pode ser feita uma colagem ou algo do tipo. Se formos colocar na balança é muito mais gasto de tempo. A tecnologia tem feito músico pouco preparado tecnicamente.

29) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje grande não é mais o grande obstáculo. Mas concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para ser diferencia dentro do seu nicho musical?

Dyego Santana: Eu procuro sempre ser verdadeiro e desenvolver meu trabalho de forma séria com respeito ao trabalho e as pessoas envolvidas. Acredito que um ser humano de caráter e humilde chega na frente.

30) RM: Como você analisa o cenário da música instrumental brasileira. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Dyego Santana: O cenário musical no geral é difícil no Brasil, porém a música instrumental teve um pequeno avanço, acredito que o fato da internet, plataformas digitais ajudaram a este acontecimento. Posso destacar alguns nomes como o Thiago do Espírito Santo e o Michael Pipoquinha no contrabaixo, o Mestrinho no acordeon e temos mestre que permanecem até hoje: Hamilton de Holanda, Zimbo Trio, que é um grupo que já passou por modificações na formação continua como referência na área instrumental.

31) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Dyego Santana: O Thiago do Espírito Santo é um músico que eu percebo esse lado do profissionalismo muito forte, além da qualidade artística e musical. A forma como ele conduz a carreira, tanto na parte de performance quanto na questão das aulas juntamente com sua produção.

32) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado, etc)?

Dyego Santana: São várias e ficaria um dia relembrando (risos). Mas tem uma que foi muito engraçado e sempre lembro. Uma vez tocando em uma daquelas festas em Praça de bairros que aconteciam antigamente, aconteceu uma briga de casal e só o baterista viu (a princípio). Ele parou de tocar e todos nós continuamos. Quando olhamos para ele, o mesmo estava em pé olhando a confusão, então fomos entender o que tinha acontecido.

33) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Dyego Santana: Feliz por poder me expressar através da música, fazer as pessoas felizes através dela, conhecer pessoas. São tantas coisas que me deixam feliz. O que me deixa triste é tudo isso sendo nítido para as pessoas e mesmo assim elas não darem valor, não reconhecerem, talvez devido à falta de incentivo à cultura por conta do sistema. Eu nunca encontrei uma pessoa que dissesse que não gosta de música. Talvez não goste de um determinado ritmo, do barulho ou algo do tipo. Então, me deixa triste a falta de reconhecimento com a Linda Música.

34) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Dyego Santana: Acredite e faça acontecer, busque se qualificar e não desista.

35) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Dyego Santana: Eu acredito! Apesar de não ter nascido com ele. O Dom é algo especial que pode ocorrer com qualquer pessoa em qualquer área profissional ou da vida. Essa pessoa nasce com uma facilidade de aprender ou desenvolver algo. Falando de música, dentro dos meus anos de estudo e pesquisa posso afirmar que os grandes mestres que conheço não se tornaram mestres pelo dom e sim ralação, estudo, pratica disciplina. O dom é o que irá te fazer diferente de muitos ao seu redor. Mas na música é preciso ralar, estudar e seguir. O meu grande mestre e mentor na música, o professor Jack Lima, nasceu com o Dom, pois podemos ver que ele tem uma facilidade e uma inteligência acima da média, mas se ele não fosse buscar o conhecimento não se tornaria um visionário que criou o Sistema Musical Definitivo e mapeou todas as possibilidades de motivos rítmicos e melódicos e registrou nos seus livros.

36) RM: Qual a definição de Improvisação para você?

Dyego Santana: Improvisação é fazer algo sem planejamento, sem lógica. É fazer uma gambiarra!

37) RM: Existe improvisação de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Dyego Santana: Na música eu discordo do termo improvisação, pois como disse improvisação é algo feito sem planejar. Mas quem sou eu para mudar este termo. Eu sempre admirei a arte, estudei escalas, acordes, aplicações, porém o termo improvisação, me atrapalhava na hora de executar o que ouvia os músicos fazerem, exatamente por estar pensando como improvisação. Na hora de executar nós tocamos coisas pessoais, falamos do nosso jeito mesmo tento estudado técnicas como transcrições. Mas utilizamos o que já estudamos, é como a língua portuguesa, estou falando contigo porque aprender as vogais e consoantes, para depois fazer as junções e no final poder falar do meu jeito, com minha pronúncia (Sotaque, Timbre…), ainda que eu precise falar algo que não esteja no script, ele vai sair de algum dado, mesmo que eu me arrisque conversar com um cientista sobre ciência…

38) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Dyego Santana: Os pros é que através de um método você adquiri o conhecimento dos fundamentos que são usados para “Improvisar” e todo conhecimento adquirido é valido. Contra é que o método não te ensina a improvisação. Nem mesmo se fosse levar a palavra improvisação no sentido geral. Os métodos ensinam escalas, acordes, mas eu ainda não vi um que ensinasse de fato o que os grandes mestres usam, neles contém os assuntos, mas para chegar em um nível de “improvisação” existem outros aspectos a serem aprendidos além do conteúdo dos livros.

39) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Dyego Santana: A Harmonia é o que dá brilho as coisas, uma harmonia consistente, bem elaborada pode mudar um contexto de qualquer assunto, melodia. Eu não vejo como contra a forma que é o assunto é abordado. De uma forma geral é basicamente sequências de acordes, funções, campos harmônicos. Quando vemos a Harmonia como um conjunto de melodias (assim aprendi com o SMD – Sistema Musical Definitivo do professor Jack Lima – https://www.ritmomelodia.mus.br/entrevistas/jack-lima ), fica uma coisa muito mais solidificada.

40) RM: Quais os prós e contras de tocar com contrabaixo acústico na música Popular?

Dyego Santana: Prós é sempre tocar o contrabaixo! O contra já começa quando irá adquirir um contrabaixo. O instrumento não é acessível, consequentemente poucas pessoas compreendem a importância do mesmo. Tem também a parte de locomoção, alguns amigos já relataram problemas em transportá-lo até mesmo por veículos que atende por aplicativo. A manutenção também é muito cara. Eu quando fui comprar o meu eu nunca tinha visto um de perto, e quando fui colocar no carro levei um susto. Quase que ia comprar e não ia levar, pois ia levar minha esposa e minha filha comigo no carro, mas ainda bem que elas desistiram (risos).

41) RM: Quais as principais diferenças e dificuldade da técnica do Pizzicato e do uso do arco para tocar o Baixo Upright/Acústico?

Dyego Santana: Postura, sonoridade, a tocabilidade em si. Dificuldade: no pizzicato são aquelas bolhas indesejáveis que irá te acompanhar para sempre, pois precisa tocar todo dia para elas sumirem e isso é difícil seria um sonho. No arco é exatamente a questão da pegada no arco, posicionamento, movimentos, essas são as primeiras dificuldades até conseguir fazer um som com ele dói muito o pulso. No início você toca e só sai som de farofa fhufhfufhfufh (risos).

42) RM: Você também toca Contrabaixo Acústico usando o arco?

Dyego Santana: Sim! Comecei a estudar na Faculdade com o Professor Ricardo Bessa.

43) RM: Quais os prós e contras de tocar um upright sem a caixa acústica?

Dyego Santana: Eu nunca toquei em um, mas já ouvir muito e confesso que tem uns que o som chega muito perto de um contrabaixo com caixa acústica, mas não é a mesma coisa então vejo isso como um contra. Pros, é exatamente a questão da locomoção, como ele você vai pegar um Uber tranquilo (risos).

44) RM: Quais os prós e contras estudar o SMD – Sistema Musical Definitivo desenvolvido pelo Jack Lima?

Dyego Santana: Prós é que você conhece um mundo musical que você não conheceria em outro lugar, uma visão totalmente diferente do que estamos acostumados a ver no ensino musical tradicional, foi o que aconteceu comigo https://www.ritmomelodia.mus.br/entrevistas/jack-lima .

Não sei se conseguiria dizer que é um contra, mas o SMD – Sistema Musical Definitivo é algo tão sério que a pessoa que ao conhece-lo e estuda-lo precisamos bolar um plano, uma estratégia se não o SMD fica distante dos demais estudos tradicionais que estão ao seu redor, exatamente por ser visionário. Quem conhece o SMD enxerga logo a importância do conteúdo e ainda existem muitas pessoas que não o conhece.

45) RM: Quais as principais diferença do estudo musical tradicional em relação ao SMD – Sistema Musical Definitivo?

Dyego Santana: Lógica e Organização!

46) RM: Qual sua opinião sobre o Dicionário de Ritmo de Jack Lima?

Dyego Santana: O Dicionário de Ritmo é o melhor livro que eu já vi sobre o assunto, Jack Lima conseguiu organizar todos os motivos rítmicos no seu livro. É revolucionário, eu costumo dizer que é o mapa mundi dos ritmos.

47) RM: Apresente seu livro de linha de baixo do Axé Music.

Dyego Santana: O “Axé E-book Baixo” é o primeiro material direcionado ao contrabaixo na música baiana em especial o Axé Music. O livro é composto por uma breve história, exemplos em áudio, partitura, formas de acompanhamentos, analises, entre outras. Eu sempre sentir necessidade de um material direcionado ao contrabaixo neste gênero e em uma oportunidade no meu primeiro semestre da faculdade conseguir colocá-lo em pratica. Eu acredito que o “Axé E-book Baixo”, estimula a busca pelo gênero pois como disse nele eu apresento um conteúdo direcionado e didático. Eu costumo dizer que se um tópico deste livro reverberar de alguma forma dentro do leitor e trouxer algum tipo de emoção, valeu a pena o objetivo de escrevê-lo.

48) RM: Quais os seus projetos futuros?

Dyego Santana: Hoje meu maior projeto é seguir me qualificando na minha área para poder a cada dia ser um profissional e uma pessoa de excelência. Pretendo continuar dando aulas, gravando, tocando e trabalhar minha carreira. Outro projeto que pretendo fazer é uma progressão do “Axé E-book Baixo”, que sempre foi à vontade e no decorrer do processo decidir fazer o primeiro volume vamos dizer assim. Pretendo também a cada dia poder falar e fazer música com consciência, respeito, responsabilidade. Viver da minha música da minha arte, fazer muitos mais amigos e cuidar da minha família.

49) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Dyego Santana: (71) 981866426 | [email protected]

Instagram: https://www.instagram.com/dyego_bass

Facebook: https://web.facebook.com/DSBahia.Bass

O PDF do livro – O primeiro material direcionado ao contrabaixo no Axé Music: https://mailchi.mp/8279afa60105/axeebookbaixo

Canal: https://www.youtube.com/channel/UC-U8YyMp9Peicl3gqHOEOEw

A Banda (Chico Buarque): https://www.youtube.com/watch?v=_Uyu8Ji3DwY

Playlist SMD: https://www.youtube.com/watch?v=eeAbAGYKCSg&list=PLiUFAqHcCWwanbGHvpwOIIN78PzI7i4C3

Playlist Estudos: https://www.youtube.com/watch?v=IHzFpPDOwcw&list=PLiUFAqHcCWwb1DDiQf-zG1gVc78bva2W5

Playlist de Show: https://www.youtube.com/watch?v=a3FM3m1Q5mg&list=PLiUFAqHcCWwY03vygYaNUw-o5lQ_NuHiO

Playlist de músicas em Geral: https://www.youtube.com/watch?v=AAV_l630yvQ&list=PLiUFAqHcCWwYqtTkeoih2_PwM1e1-GXjH

Comments · 3

  1. Incrível conhecer a trajetória desse grande músico, o melhor que já ouvi e vi tocar
    Sou grato a Deus, por também ter conhecido a índole dessa pessoa fantástica
    Parabéns meu amigo
    Deus eleve você mais e mais e maiiis

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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.