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Duo Passim – Flávio e Jacque


Duo Passim (Flávio Vasconcelos e Jacque Falcheti) lançou o segundo disco “Passim II”, com inspiração ibérica e alma brasileira, álbum autoral mescla canção popular com instrumentação erudita; show virtual de lançamento foi dia 18 de junho 2021.

O álbum apresenta um mosaico de influências do mundo ibérico na cultura brasileira. Em uma atmosfera movida pela saudade além-mar, pelas cantigas, pelo imaginário de trovadores e navegantes, o álbum cria e recria pontes transatlânticas. Com direção musical de Andrea dos Guimarães, o álbum “Passim II” foi gravado em sexteto. Na formação composta por músicos do interior paulista, Jacque Falcheti (voz e pandeiro) e Flávio Vasconcelos (arranjos, violão e voz) são acompanhados por Melina Cabral (vibrafone, percussão), Jonas Moncaio (violoncelo), Rodrigo Müller (corne inglês, oboé, flauta) e Rui Kleiner (bandolim). O álbum é uma realização do Governo do Estado de São Paulo, por meio da Secretaria de Cultura e Economia Criativa, e faz parte do projeto Passim, premiado pelo ProAC (Programa de Ação Cultural). Neste projeto, a intenção artística foi a de homenagear uma importante raiz da cultura brasileira: o universo ibérico e a sua miscigenação de séculos, que ainda passa distante de entendimentos das suas conexões com outros povos do mundo, e com a própria formação do povo brasileiro.

Todo repertório e as interpretações do novo disco remetem a uma imersão pessoal de Flávio e Jacque, que começou há cinco anos, durante uma residência artística em Portugal. Essa experiência resultou no lançamento do primeiro álbum – “Passim”, lançado em 2016, com composições de Flávio e produzido pelo Musibéria (Centro Internacional de Música e Danças do Mundo Ibérico), na cidade portuguesa de Serpa. “Foi um mergulho no passado, mas com os nossos olhos, a nossa perspectiva desse mundo ibérico de tantos povos, não só os portugueses e espanhóis, mas árabes, mouros, africanos, seguindo esse mar, esse caminho, essa navegação. Enquanto a gente fechava um ciclo (primeiro disco), um novo caminho foi se abrindo para o ‘Passim II’”, explica Jacque. Durante suas turnês no exterior, Jacque e Flávio se encantaram com as semelhanças e simetrias do fado com a música caipira e com o choro, do flamenco espanhol e dos cantos alentejanos portugueses com as cantorias nordestinas dos repentes. “A gente frequentava as casas de fado portuguesas, conversava com os músicos, e essa experiência ibérica trouxe muitas inspirações. De certa maneira, tudo isso nos estimulou para a criação de outros elementos para os próximos passos musicais”, complementa a cantora.

Assim nasce “Passim II”, um álbum que ressignifica contextos históricos através da poesia musical, tocada e cantada, bem como da aproximação da canção popular com a música erudita, com estilos da música popular interpretados com uma formação inusitada onde todos os arranjos são escritos. “A nossa formação em sexteto tem instrumentos musicais acústicos de origem clássica, mas costumamos dizer que tocamos ‘música camerística popular brasileira’”, reforça Flávio.

Para a diretora musical Andrea dos Guimarães, acompanhar a construção do novo álbum do duo encheu seu coração de esperança e reflexão de que, apesar das dificuldades de se fazer música no Brasil, bons ventos sempre estarão por vir. Ela destaca a seriedade e a profundidade com que Jacque e Flávio exercem esse ofício, estampadas em cada etapa do disco. “O cuidado com a escolha do repertório, na poética das letras, na beleza contada por cada arranjo elaborado, na singularidade da formação camerística, que rompe delicadamente com a divisão erudito-popular. Na interpretação do canto, que passeia livre e intensamente por melodias complexas, valorizando cada palavra. Nas cordas do violão que, com presença e propriedade, preenche, abraça e reverencia a cultura brasileira e sua influência ibérica. O álbum novo “Passim II” nos faz flutuar por paisagens, estórias, memórias, lindas melodias, timbres marcantes e muito sentimento”, diz Andrea.

Duo Passim (Flávio Vasconcelos e Jacque Falcheti) foi criado em 2015 em São Carlos (SP), Passim se debruça na investigação da musicalidade brasileira e suas influências e interpreta canções autorais que exprimem diversos contextos, ora socialmente engajados, ora sensíveis e poéticos, viajando através das palavras cantadas pela riqueza de ritmos da cultura brasileira. O nome “Passim” vem do latim e significa “aqui e lá”, e descreve o lado viajante desse projeto, que já nasceu na estrada e passou por seis Estados do Brasil e por sete países da Europa (Portugal, Itália, França, Espanha, Holanda e Bélgica) e da África (Tunísia).

Segue abaixo entrevista com Duo Passim (Flávio Vasconcelos e Jacque Falcheti) para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistados por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 14.09.2021:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Nasci no dia 14.01.1988 em Limeira – SP. Registrado como Flávio Jacon de Vasconcelos.

Jacque Falcheti: Nasci no dia 16.01.1988 em Ribeirão Preto – SP. Registrada como Jacqueline Ruzzene Falcheti.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Minha casa sempre foi cheia de música. Meu pai Vadinho (Oswaldo Barbosa de Vasconcelos) e minha tia Kalu tocam violão e cantam. Tenho uma lembrança muito bonita de uma reunião familiar no sul de minas, terra da minha família paterna, eu com menos de 6 anos. Muitas pessoas cantavam juntas algumas das músicas tradicionais do repertório familiar (até hoje são praticamente as mesmas), eu virei para minha mãe e disse: – como é linda a música, parece que toda essa gente é uma coisa só. Eu não sei se foi bem assim, isso me faz lembrar a autobiografia do cineasta espanhol Buñuel, que conta suas memórias ser ter essa certeza da precisão dos fatos, mas é fato que para mim esse acontecimento marca meu despertar na música.

Jacque Falcheti: Foi quando eu tinha 16 anos, comecei tocando violão, aprendendo por aquelas revistinhas de cifras. Mais tarde, percebi que gostava de tocar para poder cantar.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Aprendi tocar com meu pai, quando tinha 9 anos. Ensinou-me três acordes e a duas canções: “A praça” e “Chico Mineiro”. Depois disso não largava o violão, fui brincando, experimentando, depois de uns anos descobri as revistinhas de cifra, que me possibilitaram tocar outras músicas. Meu segundo professor, primeiro profissional, foi um vizinho alemão, guitarrista. Com 14 anos eu já compunha canções e músicas instrumentais, comecei a estudar violão clássico com um amigo. Entrei no conservatório de Tatuí onde estudei violão por 3 anos. Não completei o curso porque vi que meu caminho, apesar de sempre rente à música erudita, era a música popular. Aos 16 formei minha primeira banda e aprendi muito na escola da estrada, dos shows. Com 22 ingressei no curso de Licenciatura em Música da Universidade Federal de São Carlos. No terceiro ano de graduação consegui uma bolsa de intercâmbio do extinto programa “Ciências sem Fronteiras” e fui estudar música na Itália. Lá frequentei cadeiras de análise musical, etnomusicologia e filologia musical, além de fazer estágio em uma produtora de composições para trilha sonora. Depois de graduado, estudei composição e violão 7 cordas na EMESP em São Paulo, ambos os cursos incompletos pois não conseguia conciliar com as viagens da carreira musical, que sempre foi minha prioridade.

Jacque Falcheti: Sou formada em Música mesmo, pela Universidade Federal de São Carlos e pelo Conservatório Contraponto e em cursando o Conservatório de Tatuí.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância? 

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Como já mencionei, tive uma ótima influência de música brasileira em casa, tanto a regional, quanto o que sempre chamaram de MPB. Além disso ouvia-se muito rock progressivo em casa e na adolescência devo ter riscado os discos do Yes e Genesis de tanto ouvir. Passeei por gêneros da moda também e tive efêmeros períodos gostando de heavy metal e música pop em geral. Mas o que ficou dessa época sem dúvida é o rock progressivo. Disco como “Foxtrot” da banda Genesis figuram entre as obras que mais admiro ainda hoje. “Close to the edge” do Yes também. Seriam demasiadas as influências musicais de hoje para citar aqui, sem dúvida não haveria espaço. Gosto de música erudita em geral, em especial tocar Bach no violão é um ritual matinal que mantenho. Villa-Lobos me faz delirar. Toda a tradição musical brasileira me interessa, das cirandas de Lia aos batuques de umbigada. Os maracatus, o cururu. Na clássica MPB, Chico Buarque foi quem me despertou uma nova visão para a música. Amo Gilberto Gil, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Tom Jobim, Vinícius de Moraes, Baden Powell, João Gilberto, Elis Regina, Gal Costa, Rita Lee, Elizete Cardoso, Lupicínio Rodrigues, Dorival Caymmi

Bandas como Mutantes, Secos e Molhados me levaram a outro lugar. Elomar me deixou vislumbrado. Taiguara, Hermeto Pascoal, Egberto Gismonti. O Samba, Música Cubana, Jazz, admiro muito os cantautores de diversos países, como George Brassens na França, Fabrizio di Andrè na Itália etc. Tenho ouvido muitas produções atuais também. No Brasil destacaria Thiago Amud e Kiko Dinucci entre tanta gente boa que vem gravando discos incríveis. A lista seria infinita, mas de modo geral sou daqueles que acham que a música nunca ficou ruim. Em cada ano, em cada lugar no mundo, sem dúvida, podemos encontrar música interessante.

Jacque Falcheti: Minhas influências do passado vinham do meu pai, que gosta de Rock. Ouvia muito Janis Joplin, Beatles. E as minhas referências do presente são da MPB, principalmente do samba, do choro, como Ademilde Fonseca, Pixinguinha, Carmem Miranda, Noel Rosa, Cartola, Paulinho da Viola, Adoniran Barbosa. Acho que minhas referências antigas ficaram um pouco de lado no sentido de ouvir no dia-dia, mas a energia, atitude e minha identidade como cantora, com certeza permeia estas referências antigas, que me construíram.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Aos 16 anos (2004) com a minha primeira banda: Os Cirandeiros. Fazíamos releituras de músicas tradicionais brasileiras e estudávamos as dezenas de gêneros da nossa música para compor nossas músicas autorais que sempre estavam nos shows que fizemos em centros culturais, festas, SESC’s e festivais.

Jacque Falcheti: Quando eu tinha 18 anos (2006), em uma banda de pop rock na escola de música em que eu estudava. Foi com essa banda que ganhei meus primeiros cachês de música, fazendo eventos, festivais.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: “Mãos que segurei” (2009), “Passim” (2016) e “Passim II” (2021). Ficha técnica “Passim II”: Jacque Falcheti: voz, pandeiro. Flávio Vasconcelos: arranjos, violão, voz. Melina Cabral: vibrafone, percussão. Jonas Moncaio: violoncelo. Rodrigo Müller: corne inglês, oboé, flauta. Rui Kleiner: bandolim. Flávio Vasconcelos: Arranjos. Direção Musical: Andrea dos Guimarães. Participações Especiais: “Beira de Mato”: Mônica Salmaso. “Curso do Vento” e “Filha do Barro”: Andrea dos Guimarães.

Projeto Gráfico e Ilustrações: Gabriel Martins. Fotografia: Lucas Pardal. Figurino: Kledir Salgado. Mixagem, Captação e Masterização: Thiago Monteiro – Estúdio Blaxtream. Produção Executiva e Assessoria de Imprensa: Vandreza Freiria. Produção Geral: Jacque Falcheti e Flávio Vasconcelos. Músicas: “Madre-Língua da Saudade” (Flávio Vasconcelos), “Fado Bruto” (Flávio Vasconcelos), “Beira de Mato” (Gui Silveiras e André Fernandes), “Além-mar” (Flávio Vasconcelos e Iara Ferreira), “Curso do Vento” (Flávio Vasconcelos), ”Filha do Barro” (André Luís e Fran Florestelar), “Último Desejo” (Noel Rosa), “Galope à Deriva” (Renato Frazão), “Aos Olhos do Tejo” (Flávio Vasconcelos), “Acorda Povo” (Jonathan Silva). Fotos e vídeos para a Imprensa: https://1drv.ms/u/s!AqR0zi146bdTgoIvA8SLXpC4KCspvw?e=Fh66az

Com 10 faixas, o repertório de “Passim II” traz epopeias e histórias do mundo ibérico, das influências na música brasileira, melodias e poesias que contam da saudade, do além-mar através de modinhas, choros, samba-canção, fados, xotes, música caipira, entre outras linguagens.

“Fado Bruto”, música composta por Flávio Vasconcelos especialmente para o disco, revela seu incômodo em torno da história da colonização do Brasil, com uma estória de amor e desamor entre a terra Brasilis e o invasor. “Não tem como ignorar o lado cruel, desumano desta história toda. Na verdade, é um amor tóxico, com elementos complicados e complexos. Por isso, tem inspiração livre no fado, um ritmo muito teatral, descontente, aventureiro, narcisista, que passa uma força muito grande e complementa com a imponente interpretação de Jacque”, ressalta Flávio. A canção traz uma instrumentação de câmara com vibrafone, oboé, bandolim e violoncelo, e a melodia brinca com vários elementos, até circenses. “É uma sátira, meio jocosa, cínica, petulante. É uma cena para contar essa história doída e pesada que nós, até hoje, carregamos”, completa o músico.

Ritmos dançantes como o xote marcam presença na música “Aos olhos do Tejo”, de Flávio Vasconcelos, que mescla influências da cultura brasileira e árabe, arranjada com flauta, triângulo, zabumba, pandeiro e oboé. “É uma composição intuitiva, alegre e espirituosa. O arranjo mostra essa influência, com algumas escalas que brilham desde o começo, costurando a música, trazendo essa sonoridade modal, com o final que lembra frevo ou arrasta-pé”, explica Flávio.

Com participação especial da cantora Mônica Salmaso, “Beira do Mato”, de autoria de Gui Silveiras e André Fernandes, destaca a alma caipira do sertanejo e a convivência com a natureza. “Os ritmos desta faixa dialogam com as influências ibéricas e trazem a temática bucólica, representando o colorido e a simplicidade do interior, onde o Passim nasceu”, comenta Jacque.

A ciranda “Acorda Povo”, do compositor Jonathan Silva, segue no ritmo do movimento do mar. Com marcha, cortejo, estandarte e canto coletivo, a canção remete às canções da cultura popular. “É uma música de esperança, muito importante para esse momento que a gente vive no mundo. Ela traz força, coletividade e união”, diz Jacque.

A leveza e o minimalismo de “Filha do Barro”, de André Luís e Fran Florestelar, e “Curso do Vento”, de Flávio Vasconcelos, proporcionam um respiro ao disco, com interpretação impecável apenas com voz e violão. Ambas as canções têm participação especial da diretora musical Andrea dos Guimarães, como cantora. “‘Curso do Vento’ é uma música de 2016, que fala de esperança. Ela nasce da dor, de um momento um pouco tenebroso da nossa história, que talvez seja um marco sociopolítico, onde começamos a enxergar uma polarização social muito absurda. A vida passa por um processo cíclico, de altos e baixos, é natural, e a gente observa isso através dos séculos. O nosso coro canta o sentimento da esperança, da luz no final do túnel”, finaliza Flávio.

Na série “Faixa a Faixa – Passim II”, lançada em seu canal do YouTube (www.youtube.com/duopassim), o duo conversa sobre cada uma das músicas do álbum, trazendo memórias, afetos e histórias por trás das composições e a escolha das canções.

Jacque Falcheti: Tenho quatro CDs lançados. “Passim II” (2021), músicas inéditas em duo com Flávio Vasconcelos, projeto selecionado e financiado pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAc) – Editais.

Outras Bossas (2020) – com o trio Retrato Brasileiro, homenagem aos 110 anos do compositor Noel Rosa lançado e premiado pela gravadora Experimental da Fatec de Tatuí/SP.

”Flor de Aguapé” (2017), de Choro cantado, projeto selecionado e financiado pelo Programa de Ação Cultural do Estado de São Paulo (ProAc) – Editais, premiado na 17º dos 100 melhores discos de 2017.

“Passim” (2016) – música autoral, em duo com Flávio Vasconcelos, gravado e produzido pelo Musibéria em Serpa-Portugal.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Prefiro não definir.

Jacque Falcheti: Música popular brasileira, dialogando bastante com o Choro, o Samba e instrumentos acústicos.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Estudei na faculdade e atualmente faço aulas esporádicas com uma professora. Sou um compositor que também canta, mas não me considero exatamente um cantor.

Jacque Falcheti: Estudei e estudo. Sou formada em técnica vocal pelo Conservatório Contraponto em Ribeirão Preto – SP e estou finalizando meu curso de canto popular no Conservatório de Tatuí – SP.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Assim como em tudo na música, aperfeiçoar as habilidades neste campo. Ainda estou.

Jacque Falcheti: A coisa mais importante que se pode fazer para ter longevidade vocal e cantar o que quiser.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Elis Regina, Edith Piaf, Mercedes Sosa, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Mônica Salmaso.

Jacque Falcheti: Carmem Miranda, Ademilde Fonseca, Mônica Salmaso, Ney Matogrosso e por aí vai…

11) RM: Como é seu processo de compor?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Não tenho somente um. O mais comum ocorre quando estou improvisando algo de maneira bem livre, com o violão, se me ocorre uma ideia interessante fico repetindo e depois vou trabalhando nela. Às vezes m´sucia e letra juntos, às vezes primeiro música e depois letra. Raramente faço primeiro uma letra e depois musico, no entanto adoro musicar letras de outros compositores e compositoras. Muitas vezes andando na rua tenho ideias, que funcionam como células para novas composições. Hoje em dia gravo essas ideias no celular e depois, quando tenho tempo e calma e a companhia do violão, desenvolvo-as. Antigamente ficava repetindo até não mais esquecer, pois não havia como registrar, só fui ter um dispositivo móvel onde fosse possível fazer isso depois dos 22 anos.

 

Jacque Falcheti: Eu rascunho algumas coisas desde que comecei a explorar o violão. Gostava de escrever na adolescência. Depois na graduação continue compondo algumas coisas. Mas, foi mesmo este ano de 2021 que estou me dedicando e vestindo mesmo essa camisa de compositora. E das coisas que faço com a música, é a que eu tento deixar mais livre, fluida e também desorganizada. Porque senti que posso extrair coisas bem interessantes assim, movimentando-me no caos. Mas por hora, me considero mais melodista, do que letrista. Gosto de criar melodias.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Sou um compositor muito solitário, talvez por gostar de fazer música e letra. No entanto tenho uma música com uma letrista que admiro muito: Iara Ferreira. Tenho várias músicas com a poeta Sara di Melo e com o poeta Ray de Deus.

Jacque Falcheti: Tenho criado algumas com o Luís Felipe Gama.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: O grupo Encantoria, do qual faço parte hoje em dia como arranjador e músico gravou em 2019 meu samba “Dançariá”. Minha parceira no Duo Passim, junto comigo gravou 19 canções minhas nos nossos dois álbuns. A cantora Fernanda Lelot, que tem um trabalho voltado para crianças gravou duas canções de minha autoria em seu disco “Revoada”. Tem coisas novas sendo produzidas, mas ainda não posso contar.

Jacque Falcheti: Por enquanto, somente eu.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: A liberdade é o pró. A eventual falta de estrutura é o contra. O artista independente passa por muitos desafios para conseguir visibilidade, o mundo do mainstream envolve muito dinheiro para fazer as coisas sempre alcançarem muitas pessoas, fazer isso de forma independente, que quase sempre quer dizer com pouco dinheiro, é muito desafiador. Hoje em dia a internet e as redes se mostram como uma possibilidade de se promover sem ter rios de dinheiro, mas a necessidade de anúncios para furar “a bolha” leva a coisa para algo muito parecido, o dinheiro (quase sempre) dita o tamanho do alcance. Acho que evoluímos muito em possibilidade e democratização da comunicação, mas tenho certo receio com essa onda neoliberal de produtores que colocam tudo nas costas dos artistas.

Jacque Falcheti: Acredito que os prós são os mesmos que os contras, é preciso desenvolver muitas habilidades extramusicais e aprender um pouquinho sobre muitas coisas, o que é bom e é ruim. Pode sobrecarregar o artista, mas ao mesmo tempo faz com que ele tenha total controle de tudo que quer fazer.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Gravar novos discos e singles neste momento onde não é possível fazer shows e trabalhar na estratégia de lançamentos mais constantes, produção de materiais que possam auxiliar na venda de shows quando os mesmos forem possíveis de acontecer de forma presencial. Enquanto isso temos feito shows online e exibido live sessions.

Jacque Falcheti: Eu me dedico bastante para a parte da produção, da gestão da minha carreira, do mesmo jeito que me dedico aos estudos de canto e de música. Faço planejamentos de lançamentos, das redes sociais, de como vender melhor meus produtos e cada vez de como encontrar o meu público.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Tenho ampliado e melhorado a estrutura do meu home estúdio para gravações remotas que me possibilita trabalhar em conjunto com artistas de todo o mundo. Seja produzindo meus próprios trabalhos ou de outros artistas e também produzindo trilha sonora. Estou organizando meus trabalhos em meu site pessoal para criar uma comunicação mais direta com meu público, que também tenha vida a longo prazo.

Jacque Falcheti: Acredito que de forma geral, é organização e se arriscar o tempo todo, para testar, errar e acertar, seja criando um projeto, ou colocando ele para funcionar de forma estrutural e mercadológica.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Ela possibilita um contato mais direto com o público e amplia nossa capacidade de comunicação, acho que se bem usada ela pode não atrapalhar em nada uma carreira. Acho que tenho aos poucos aprendidos a usá-la de maneira sadia, respeitando meu tempo de produção e utilizando-a a meu favor dentro das minhas possibilidades. Houve um tempo que me senti muito frustrado pela obrigação de estar sempre produzindo conteúdo, o que se não equilibrado, me faz ofuscar meu processo enquanto compositor e produtor musical. Acho que isso é muito pessoal. Tudo é muito novo e temos que aprender a usar essas ferramentas, mas sem achar que elas são tudo, sem esquecer a vida real, e sem limitar a atuação do artista apenas através desses meios.

Jacque Falcheti: Eu acho que ela só ajuda. Se vivêssemos como antigamente, acho que eu não poderia ser uma cantora, talvez não fosse uma cantora escolhida das gravadoras, não por não ser capaz, mas porque antigamente isso era quase que ganhar na loteria, ser uma escolhida, ter grana para gravar, fazer shows, ir em programas de TV, e hoje, com a internet, quem quiser, pode, independente do que vai fazer, tem espaço e público pra tudo, você pode viver da sua música.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Não vejo nenhuma desvantagem, sou a favor da democratização do acesso a qualquer tipo de tecnologia voltada à produção artística. Eu mesmo deixei de gravar muitos discos por não ter como pagar a estrutura de grandes estúdios e por pensar que só neles valeria a pena eu trazer meu trabalho à tona. Hoje penso que seja perfeitamente possível produzir pelos trabalhos com uma pequena estrutura de home estúdio. É tudo relativamente novo para mim, mas estou muito empolgado com esse mundo que tem se revelado de maneira mais clara para os artistas.

Jacque Falcheti: Eu acho isso incrível! Você pode criar o seu próprio disco na tua casa! Desvantagem poderia ser ter que aprender sobre tudo isso e comprar os equipamentos que não são baratos, mas vejo isso como investimento, então, nem acho desvantagem.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Eu procuro fazer o meu trabalho com respeito ao que eu acredito e gosto. Não sou a melhor pessoal na estratégia de carreira, minha intenção primordial se resume a produzir coisas que eu tenha orgulho de ter feito. Não penso em concorrência, penso em colaboração.

Jacque Falcheti: Acho que a concorrência não é o desafio. O desafio é você encontrar teu público. Saber usar estas ferramentas de promoção ao teu favor. Se você encontra seu público, e entrega a sua verdade, sua história, não vai competir com ninguém. Será você. E seu público vai sempre gostar de mais artistas, e você só vai competir quando entrar em festivais, editais, mas isso, faz parte de qualquer profissão, em determinados momentos disputar uma vaga com outras pessoas. Mas quando você sabe quem procura, quem realmente você quer alcançar com a sua música, essas pessoas irão te acompanhar e te fortalecer para o que quer que você deseja criar.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quem regrediram?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: São muitos os nomes, eu prefiro não ficar citando com o perigo de esquecer e de limitar. Mas de modo geral eu acho maravilhoso nosso cenário. Há uma diversidade gigante e acredito que tem espaço para todo mundo, de diferentes maneiras, produzir seu trabalho.

Jacque Falcheti: Gosto muito do trabalho da cantora Mônica Salmaso, para mim ela é uma cantora com muitas habilidades, técnicas do canto e habilidades de ser sua própria empresária, de saber gerenciar sua carreira. E isto, está na frente nos dias de hoje para artistas que querem viver da sua música.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Acho que o Caetano Veloso e o Gilberto Gil, sempre ativos, sempre se reinventando, sem medo. Sempre íntegros.

Jacque Falcheti: Gosto muito de todo trabalho do Yamandu Costa, Hamilton de Holanda, acho que são artistas que se atualizam o tempo todo, tanto na parte da gestão de carreira como na parte musical, e que por isso mesmo, ficam em evidência.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Toquei em alguns eventos há 12 anos atrás (2009) que não recebi até hoje. No início da carreira lembro de ir ensaiar a pé, carregando um amplificador num skate. Não me lembro de brigas, só desentendimentos, vontades de caminhos diversos. Muitos perrengues de viagens. Uma vez fomos a um país distante e quando chegamos o combinado do cachê mudou completamente, pagaram só os custos. Na volta da mesma viagem o voo atrasou muito e quase que não foi possível chegar para os próximos shows da turnê.

Jacque Falcheti: Lembrei de um show que fiz no Teatro da Ópera em Ouro Preto – MG, durante o festival de inverno. Casa cheia, eu estava bem aflita, porque estava me recuperando de uma dor de garganta, que tinha me deixado afônica dias. E neste show, era um repertório de Choro cantado, cheio de malabarismos vocais que eu tinha que cantar. Começou o show, eu nervosa, e de repente, um bar atrás do teatro começou com um show de Rock, numa altura que vazava para dentro do teatro. Então era a gente tocando Choro dentro do Teatro e lá fora no bar atrás tocando Led Zepelin. Na primeira música eu já cai na risada junto com a plateia. E, relaxei, porque sabia que se ficasse enfurecida com aquilo seria bem pior. Mas era engraçado entre alguma parte com pianíssimo de alguma música vinha um estridente de uma guitarra. Foi muita concentração!

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Fico feliz de trabalhar com o que sempre sonhei. Nunca fiz outra coisa, nem saberia comparar, mas acho que tenho o melhor trabalho do mundo. Fico triste quando te comparam a outras pessoas que tem outros processos e quando (ainda bem que muito raramente) aparecem pessoas maldosas no caminho.

Jacque Falcheti: O que me deixa mais feliz é cantar, sobretudo. Seja onde for. Cantar para ser ouvida. O que me deixa triste é não termos condições melhores por parte do Estado para valorizar, fomentar e apoiar a arte. E também por parte dos próprios artistas, nós, que buscamos valorização, mas muitas vezes não respeitamos ou não acreditamos na própria profissão.

24) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Eu acho muito difícil afirmar que não exista de forma alguma. Vemos muitas pessoas que aparentam ter um talento inato. Mas como educador que também sou, não gosto de acreditar que tudo se trata de Dom. Talvez ele exista, mas sem dúvida qualquer pessoa pode desenvolver a música.

Jacque Falcheti: Existe o estudo musical, eu acredito nisso. No dom de sentar a bunda numa cadeira e estudar horas e dias a fio.

25) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical? 

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Fazer música de maneira livre.

Jacque Falcheti: Acredito que vai para o mesmo conceito de composição, buscar ser livre, criar no caos, arriscar-se. Seja na improvisação ou na composição que vai ser organizada depois.

26) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Acredito que exista sim. Em alguns estilos musicais ela pode seguir regras muito específicas que exija uma preparação também muito específica, mas o ato de improvisar, mesmo que permeado de certos campos de atuação, existe.

Jacque Falcheti: Para mim eu acho que é parecido quando estamos estudando música, quando somos iniciantes, você arrisca, testa, erra, acerta, mas quando estuda mais profundamente, pode acertar mais, mas não pode perder a intuição e musicalidade, para que os estudos possam te auxiliar, não o contrário.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Acho que ajudam você a entender e desenvolver a linguagem de determinados gêneros musicais. Acho que podem deixar o músico muito limitado a uma forma de expressão musical.

Jacque Falcheti: Nunca estudei nenhum com tanta profundidade para opinar. Mas acredito que qualquer estudo, vale a pena.

28) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Tal qual a improvisação, acho que podem sempre acrescentar muito a cada artista. Mas se entendidos de maneira muito fechada como regras absolutas podem limitar a criatividade.

Jacque Falcheti: Acho que qualquer estudo, como dizia o educar musical Keith Swanwick, deve ser musical, se for, seja de improviso, harmonia, percussão, será incrível. Estudar musicalmente, nunca perder a magia da música, do fazer música, seja fazendo exercícios ou tocando alguma escala.

29) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Não sei dizer.

Jacque Falcheti: A minha música, tudo que faço, dificilmente tocará na rádio, mas eu estou em paz com isso. Eu tocando na sua plataforma digital preferida, ou seja, no toca CD, é isso que eu busco.

30) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Sonhe, crie, estude muito, prepare-se para aprender as funções adjacentes que nem sempre são artísticas e vem colaborar com a gente.

Jacque Falcheti: Organize-se, estude música e concomitantemente estude produção musical e tome as rédeas de sua carreira.

31) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Acho ótimos, tanto quanto músico como espectador. Não vejo contras.

Jacque Falcheti: Eu acredito que são mais oportunidades de apresentarmos nossa música. Acho incrível!

32) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Sim, conheci muita coisa frequentando festivais. É uma maneira muito positiva de ter o primeiro contato com um trabalho.

Jacque Falcheti: Eu acredito que há um circuito de artistas que participam de festivais, e outros que participam de outras coisas, e que nestes ambientes e com bons trabalhos, presença na internet, sempre surge pessoas que se destacam. Mas, dentro das nossas bolhas existem tantos, tantos artistas que se destacam e que são incríveis, que não acho que venham de um só lugar, depende da onde você está.

33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Muito limitada. Eu acho que existe espaço para todo mundo no meio musical, de diferentes formas, mas a grande mídia não consegue cobrir essa grande diversidade.

Jacque Falcheti: Eu acho que eles estão interessados em outras coisas, e tudo bem. Numa música que conta bastante com o entretenimento, que tem outros valores, diferentes da música popular brasileira mais tradicional. Que eu acho que tem a sua visibilidade e espaço em outros lugares, que por exemplo, a música mainstream não tem.

34) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Acho de essencial importância e relevância, para artistas e sociedade.

Jacque Falcheti: Para a música popular brasileira eles são incríveis. Espaços que valorizam bastante o fazer musical, os projetos artísticos e, principalmente, os artistas.

35) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Eu confesso não saber opinar com precisão, mas acho que de maneira geral é bem precarizado.

Jacque Falcheti: Acho que pode variar de bar para bar e do que cada artista busca com sua música. Mas na minha cidade, não acredito que os bares sejam locais para crescer na carreira de artista, pois remuneram muito mal os músicos e as condições de trabalho não são legais, assim fica difícil conseguir viver da sua música e principalmente desenvolver trabalhos consistentes.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: Estou trabalhando na pós de um EP solo que gravei ano passado em casa, no lançamento de livesessions e do álbum que gravei com meu grupo “Astroxé” e gravando meu primeiro álbum solo.

Jacque Falcheti: Nos próximos meses tenho alguns lançamentos para fazer, como o lançamento da segunda temporada da série Café das Cumadi, na qual eu convido cantoras e compositoras para cantarem comigo, também irei lançar uma série de CDs intitulados Facetas de Noel Rosa, em homenagem a este compositor que eu pesquiso há algum tempo. E estou em processo de gravação de dois discos, um em duo com o bandolinista Tiago Santos e outro em duo com o pianista Luís Felipe Gama.

37) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Duo Passim: Flávio Vasconcelos: www.flaviovasconcelos.com.br  

| https://web.facebook.com/flaviovasconcelosoficial | https://www.instagram.com/fjdevasconcelos 

| fjdevasconcelos@gmail.com 

Jacque Falcheti: www.jacquefalcheti.com | www.instagram.com/jacquefalcheti

| www.facebook.com/jacquecantora | www.youtube.com/jacquefalcheti

| Duo Passim: www.instagram.com/duopassim | www.facebook.com/duopassim 

| www.youtube.com/duopassim 

Acorda Povo – Passim II [CLIPE]: https://www.youtube.com/watch?v=vhn5vfj7zxI 

Live de lançamento Passim II – Jacque Falcheti e Flávio Vasconcelos: https://www.youtube.com/watch?v=woo82xGCp60 

Jacque Falcheti & Flávio Vasconcelos – Passim (2016) Completo/Full Álbum: https://www.youtube.com/watch?v=QaJM-xLS2Xw


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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