DJ Xeleléu

Dj Xeleléu

DJ Xeleléu é o mais antigo de Forró Pé de Serra em atividade no Rio de Janeiro e com trabalho reconhecido nos quatro cantos do planeta.

Desde 1999 difunde a temática nordestina, através da musicalidade existente nessa cultura, com um abrangente repertório marcado por xotes, xaxados, maracatus, baiões e outros ritmos relacionados. Nesta vasta linguagem musical, mostra-se um resgate de nomes tradicionais, como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Os 3 do Nordeste, Genival Lacerda, Marinês, além de trios e bandas da nova geração.

Em sua marcante trajetória, já discotecou nas mais diversas casas de shows do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Brasília, Bahia, dividindo o palco com importantes nomes da música nacional, como Elba Ramalho, Zé Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Moraes Moreira, Zeca Pagodinho, Jorge Ben Jor, Lulu Santos, O Rappa, Lenine, Zeca Baleiro, Luiz Melodia, Seu Jorge, Natiruts, Ponto de Equilíbrio, entre outros vários.

No ano de 2015, realizou a primeira temporada no continente europeu, com 30 apresentações em 7 países: Itália, Suíça, Alemanha, França, Bélgica, Inglaterra e Portugal. Após a repercussão positiva desta turnê, recebeu inúmeros convites e retornou mais duas vezes ao Velho Continente, onde foi atração nos principais festivais do gênero. Em 2019, Xeleléu irá comemorar 20 anos de dedicação ao Forró Pé de Serra e já tem programada uma série de exibições no Brasil e Europa.

Atualmente, é DJ residente do Forró de Bamba (sextas), da Roda de Forró (domingos), do Festival Rootstock Brasil e percorre o país nos principais eventos e festas do circuito.

Segue abaixo entrevista exclusiva com DJ Xeleléu para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.02.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

DJ Xeleléu: Nascido no dia 17.07.1977 no Rio de Janeiro – RJ. Registrado como Daniel de Oliveira Czernocha.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

DJ Xeleléu: Meus pais sempre escutaram em casa muita MPB, Bossa Nova, Samba e ritmos regionais brasileiros. Fico feliz em tê-los como referência para o meu gosto musical.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

DJ Xeleléu: Licenciado em Geografia pela UERJ e Bacharel em Direito pela UFRJ.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

DJ Xeleléu: Além das referências musicais já citadas, ouvi muita Black Music brasileira e estrangeira: Rap, Hip Hop, Soul, Funk na minha adolescência e começo da fase adulta. Entretanto, estes últimos, ao longo dos últimos 20 anos, perderam a relevância, pois, desde então, me dediquei totalmente ao Forró Pé de Serra.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira de DJ?

DJ Xeleléu: Minha carreira de DJ iniciou no dia 12.11.1999, em um evento realizado no Prédio dos Alunos da UERJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Eu já era frequentador de festas de Forró há alguns anos, sempre apreciava o trabalho dos DJs à época e notei que esta festa não havia nenhum. Propus ao amigo que produzia este evento a contratação de um DJ, mas ele disse que “o orçamento estava apertado” e me chamou “para colocar um som nos intervalos”. Este fato inusitado foi o início da minha carreira de DJ.

06) RM: Quais motivos levaram você escolher o repertório Forró?

DJ Xeleléu: Eu já frequentava os bailes e sempre apreciei o som que os DJs realizavam, além de colecionar CDs para ouvir em casa e festas de amigos. Daí, foi um pulo para começar a pesquisar com mais intensidade o repertório do Forró.

07) RM: Como você escolhe o seu repertório?

DJ Xeleléu: O repertório é escolhido baseado no “garimpo” que faço em discos de vinil de nome tradicionais do Forró Pé de Serra, como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Marinês, Trio Nordestino, entre outros, mesclado com artistas da nova geração: Forróçacana, Raiz do Sana, Trio Dona Zefa, Mestrinho, etc.

08) RM: Você é colecionador de disco?

DJ Xeleléu: Sim. Possuo cerca de 1.000 discos de Forró Pé de Serra e ritmos nordestinos, além de outras centenas de vinis de música brasileira.

09) RM: Qual a importância do colecionador de disco?

DJ Xeleléu: No que se refere ao Forró Pé de Serra, colecionar discos é algo de suma importância para concatená-lo com o trabalho de DJ. Ler capas, contracapas, identificar os compositores, os músicos que participaram da gravação, agregam bastante conhecimentos e fazem do colecionador/pesquisador/DJ, um artista mais completo.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

DJ Xeleléu: A lista é muito extensa e de antemão peço desculpas por deixar de citar vários nomes, mas destaco: Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Trio Nordestino, Os 3 do Nordeste, Flávio José, Trio Juazeiro, Edson Duarte, Marinês, Anastácia, Forróçacana, Raiz do Sana, Baião de Corda, Trio Dona Zefa, Mestrinho.

11) RM: Apresente seu set up equipamentos.

DJ Xeleléu: CDJ 350 Pioneer + Mixer DJM 350 (quando toco com CD)

– Techics MK2 (quando toco no vinil).

12) RM: Quais são seus principais equipamentos para começar a função de DJ?

DJ Xeleléu: Sou de uma época mais antiga e comecei usando um par de discman, com mixer que a pré-escuta era precária. Atualmente, tendo-se um notebook e baixando um software de áudio, já se pode começar a trabalhar como DJ.

13) RM: Quais as diferenças de entre usar um notebook como tocador de mp3 através de um programa como toca discos e os próprios toca discos?

DJ Xeleléu: Os prós de se tocar com toca-discos são os da discotecagem ser muito mais dinâmica e interativa. No entanto, carregar bastante peso, ter bastante zelo com os vinis antes, durante e depois dos eventos, são empecilhos para tal. Sem sombra de dúvidas, utilizar um notebook, controladora e um tocador de MP3, é muito mais confortável. Cabe ressaltar que não acho que se qualifica um DJ pelo equipamento que este utiliza, mas sim pela sua visão de pista e capacidade de mantê-la cheia por maior tempo possível, o chamado “feeling” (sentimento).

14) RM: Quais os melhores periféricos e indispensáveis para o DJ?

DJ Xeleléu: Reitero que o indispensável para um DJ é conseguir: aliar seus conhecimentos teóricos e práticos com o feeling de pista.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

DJ Xeleléu: Eu nunca planejei muito a minha carreira. Deixei a vida me levar e assim cheguei aos vinte anos de atividades. Tendo discotecado nas principais casas do Rio Janeiro, em diversos festivais pelo Brasil e com quatro turnês europeias no currículo. Não creio que é nem tenha sido a melhor forma de gestão e a sorte foi minha aliada no decorrer desse tempo.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira de DJ?

DJ Xeleléu: Nunca tive ações de extrema relevância que me fizeram alavancar a carreira de DJ. O que me fez ter destaque no cenário foi no início do Século XXI estar no lugar certo e na hora certa, quando o Forró Pé de Serra estourou na grande mídia. Mas se manter por durante tantos anos em destaque já é uma outra questão.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira de DJ?

DJ Xeleléu: A Internet é uma ferramenta importantíssima para o trabalho de DJ, pois não existe forma maior e melhor de divulgação do que as redes sociais e aplicativos neste mundo globalizado.

18) RM: O que você faz efetivamente para se diferenciar como DJ e dentro do seu nicho musical?

DJ Xeleléu: Tento mostrar nos bailes que minha experiência de vinte anos de pista ainda pode ser levada em consideração pelo público, e, desta forma, continuar sempre tendo espaço para trabalhar.

19) RM: Como você analisa o cenário musical do Forró para o DJ. Em sua opinião quais os DJs foram às revelações nas duas últimas décadas e quem regrediu?

DJ Xeleléu: Em relação ao Forró Pé de Serra, o mercado mostra-se cada vez mais interessante para o DJ, ao mesmo tempo em que o público se torna mais exigente. As redes sociais impulsionam seus sets, adquirem um conhecimento maior sobre a cultura e músicas. Há bastante revelações e outros vários que saíram do cenário, por diferentes motivos.

20) RM: Quais os DJs já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

DJ Xexeléu: Considero o DJ Vinny de Belo Horizonte como o melhor do planeta. Destaco ainda os DJs: Cacai Nunes (Distrito Federal), Tick (São Paulo), Black (São Paulo), Paulinho DJ (São Paulo), Swingueiro (Lisboa – Portugal), Sampa DJ (Zurique – Suíça), entre outros.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

DJ Xeleléu: São mais de vinte anos de carreira e todas as situações citadas na pergunta já ocorreram em várias ocasiões. Foram tantos calotes, casas super lotadas ou com menos de cinco pessoais, eventos cancelados em cima da hora, locais sem a mínima estrutura, bebedeiras, público bem ou mal educado, que não é possível destacar uma em si (risos).

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira de DJ?

DJ Xeleléu: O que me deixa triste é a falta de reconhecimento por parte de público e/ou produtores, principalmente quando o DJ é considerado um “quebra galho” em relação às bandas da noite. Esse fato leva a uma eterna discussão do cachê de um profissional. O que me deixa feliz são situações opostas às mencionadas acima.

23) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira como DJ?

DJ Xeleléu: Insista, persista e não desista. Pesquise, leia e tenha ciência de que o DJ é um multiplicador cultural.

24) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

DJ Xeleléu: No que tange ao Forró Pé de Serra, tivemos um boom no começo dos anos 2000, com o chamado “Forró Universitário”, época em que a imprensa deu amplo destaque ao gênero, tornando-se o ritmo da moda. Após 2004 e até os dias de hoje, o Forró Pé de Serra não tem tanta cobertura da grande mídia, exceto em épocas das festas juninas e julinas. Mesmo assim, o movimento se mantém forte, principalmente nas capitais do sudeste e os festivais em sítios, campings e casas de show em cidades próximas às capitais arregimentam bastante público, trazendo gente nova para os eventos e os tornam fiéis aos eventos.

25) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para o DJ?

DJ Xeleléu:Com certeza. O Rio de Janeiro possui diversos bares que abrem para festas de Forró Pé de Serra.

26) RM: Você acha que o DJ tomou o lugar do músico ou banda?

DJ Xeleléu: Não. Há espaço para todos, nos mesmos eventos ou em festas.

27) RM: Como o forró é visto fora do Brasil?

DJ Xeleléu: Posso responder tal questão com propriedade, visto que já estive por quatro ocasiões diferentes em temporadas pelo continente europeu e afirmo, sem sombra de dúvidas, que o “Forró já tomou conta do mundo”. Além da Europa, há festas em evidência nos EUA, Austrália, Japão. E o mercado para bandas, trios, professores e DJ é bastante promissor. Ressalto também o nível alto de profissionalismo dos produtores, que se refletem em excelentes eventos.

28) RM: Como surgiu o nome do nome artístico: DJ Xeleléu?

DJ Xeleléu:Meu nome é Daniel e os produtores que me contratavam para evento achou que era um nome comum e seria legal um nome artístico impactante. Eu gosto da música “O Cheleléu” (Luiz Jacinto Silva) gravada por Coronel Ludugero. Em uma conversa no bar com meus amigos, eu disse precisaria que eles me ajudassem a achar um bom nome artístico. E falei da tal música “O Cheleléu” que rima com Daniel. Eles aprovaram na hora a minha sugestão. No começo era DJDaniel Xeleléu e em um evento os organizadores fizeram uma divulgação como DJXeleléu e ficou sendo assim… Depois de já estar usando o nome fui procurar saber no dicionário qual era o significado: Puxa-saco, Bajulador (risos).

29) RM: Quais os seus projetos futuros?

DJ Xeleléu: Infelizmente a pandemia fez com que os meus planos e de milhões de pessoas do planeta não fossem colocados em prática neste 2020. Mas pretendo continuar levantando a bandeira do Forró Pé de Serra por bastante tempo, sempre deixando a vida me levar.

30) RM: Dj Xeleléu, Quais seus contatos para show e para os fãs?

DJ Xeleléu:(21) 996276336 | (24) 998 – 130469 | [email protected] | www.instagram.com/djxeleleu | https://web.facebook.com/xeleleu.daniel | https://soundcloud.com/xeleleupedeserra

Set DJ Xeleléu! Forró do Cantinho O Grande Encontro de DJs 08 Julho 2018: https://www.youtube.com/watch?v=iXoukqWLWWo

Vinil Pé de Serra 30 MAR 2017 Forró Leviano – DJ Xeleléu Homenageia Dominguinhos: https://www.youtube.com/watch?v=dU_-lsJA5pk

PodBruto #010 – DJ Xeleléu: https://www.youtube.com/watch?v=1yHN2ZpQPE4

DJ Xeleléu VS DJ Edu Rio – (Parte1) Festsival Forró do Rio 16 DEZ 2016: https://www.youtube.com/watch?v=vOHOaTNonn8


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.