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DJ Sérgio Feijó


Sérgio Feijó, é um DJ carioca especializado em eventos de música brasileira como MPB, Samba de raiz e Forró Pé de Serra.

Sérgio Feijó, se apresenta desde 2000 em diversas casas do Rio de Janeiro como Ballroom, Malagueta, Lagoinha, Teatro Odisseia, Circo Voador, Fundição Progresso, Casa Rosa, Severyna, Clube dos Democráticos, Estudantina, além de ter passagens em diversos festivais e outras festas em São Paulo, Minas Gerais e Espirito Santo. Em 2018 participou de Festivais e eventos de Forró Pé de Serra em Paris – França e em Basel – Suíça.

Sempre pesquisando os sons mais interessantes para se dançar, se tornou um dos principais DJs de Forró Pé de Serra do Rio de Janeiro. Não faltam baiões, xaxados, arrasta-pés, xotes e cocos nos seus sets.

Segue abaixo entrevista exclusiva com DJ Sérgio Feijó para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 04.04.2022:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

DJ Sérgio Feijó: Nasci no dia 13 de agosto de 1961 no Rio de Janeiro, RJ.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

DJ Sérgio Feijó: Tenho seis irmãos. Sou o filho do meio. As duas irmãs, as mais velhas, eram muito ligadas nos Beatles e na MPB e meu irmão mais velho em Led Zeppelin e rock pesado. Convivíamos com muitos primos, estávamos sempre acampando nas férias juntos, a família toda. Um dos meus tios era músico, bem ligado a música brasileira, como Samba, Bossa Nova e Forró. Isso me marcou muito! Outra coisa importante foi o início do Projeto Seis e Meia que rolou no Teatro João Caetano – Rio de Janeiro. Minha irmã mais velha sempre me levava. Os preços dos ingressos eram bastante acessíveis. A Cissa (minha irmã) foi fundamental na minha formação. Assim como eu, ela estudou Psicologia, dança contemporânea e percussão, sendo que ela foi mais a fundo nisso tudo, se especializando. Então assistíamos milhares de shows que a gente nem sabia direito quem era, mas que depois se tornaram bastante famosos, como Alceu Valença, Elba Ramalho, etc.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

DJ Sérgio Feijó: Sou formado em Psicologia pela UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Exerci por cinco anos, na área clínica seguindo a linha freudiana de Psicanálise. Fiz um concurso em 1985, para o Tribunal de Justiça Estadual, fora da minha área de formação, e comecei a trabalhar como Oficial de Justiça. Foi o meu emprego e me possibilitou tudo que pude fazer. Aposentei-me em outubro de 2020. Quando parei de clinicar, mergulhei na dança de salão, dando aulas por uns sete ou oito anos. Nessa mesma época, casei e tive dois filhos. Estava muito envolvido com a dança e o teatro também. Fiz Tablado, que é um curso de teatro aqui do Rio. Em seguida entrei para a Escola Angel Viana, de dança contemporânea. Fiz um curso técnico por 3 anos, que virou a minha vida pelo avesso. Quando me separei em 1998, me afastei da dança de salão e comecei a frequentar o circuito de forró pé de serra daqui do Rio de Janeiro e por um tempo comecei a dar aulas de forró. Mas passei a dar essas aulas de uma forma diferente da que eu ensinava no tempo da dança de salão. Foi nesta época que comecei a juntar meu repertório de forró pé de serra, comprando todos os CDs disponíveis nas lojas e nos eventos, diretamente com os trios que haviam gravado alguma coisa.

Quanto à formação musical, ela ainda está caminhando. Já estudei muita coisa ligada principalmente à percussão. Comecei com umas aulas de zabumba com o Duani (Forroçacana) e depois maracatu nos diversos blocos aqui do Rio, principalmente no Rio Maracatu. Desde pequeno, já adorava batucar, tocava pandeiro e tantan sem grandes técnicas. Foi quando conheci a Escola Portátil de Música e a Maracatu Brasil. Fiz aulas de pandeiro com Celsinho Silva na Escola Portátil e de diversos instrumentos na Maracatu Brasil: pandeiro (Rio Pandeiro), cajon, congas, repique, surdo, timbal… Atualmente estou estudando banjo num bloco de forró chamado Caramuela e fazendo aulas de harmonia, solfejo, leitura rítmica e cavaquinho na Escola Portátil de Música. Ainda como iniciante.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

DJ Sérgio Feijó: As rádios Cidade, MPB FM, JB FM, e muitas outras abriram meus horizontes. A minha irmã Cissa se casou com Mello Menezes, um ilustrador que fez a arte de diversas capas de disco, como o do João Bosco, Aldir Blanc, Ivan Lins, entre outros. Isso me proporcionou acesso à música brasileira, principalmente ao samba e choro de uma forma incrível! Aulas de dança de salão, dança contemporânea, e de percussão também. Os diversos shows que assisti, as festas que fui… Enfim, eu ouvia e gostava de muita coisa, vinda de todas as mídias da época. Nenhuma deixou de ter importância!

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira de DJ?

DJ Sérgio Feijó: Eu comecei quando tinha uns 15 anos. Muito influenciado pela “disco music”, que rolava nos anos 70/80. Antes dessa época, não havia ainda no Rio de Janeiro rádio FM. Só existiam as rádios AM. Foi uma revolução muito grande! Dentre as novas rádios, existia a Rádio Cidade, que veiculava dois programas que me marcaram muito. Um com Eládio Sandoval e outro com o DJ Memê. Eles assombravam com suas discotecagens e com seu repertório. O Eládio tocava as músicas que eu mais gostava, dos anos 70 (Michael Jackson, Bee Gees, Kool and the Gang, Donna Summer, Vilage People, Earth, Wind & Fire, entre outros) e o Memê fazia as transições mais sinistras entre as músicas. Eu, Paulo e Marcos (meus irmãos mais próximos de idade), meu primo Júlio e meu vizinho Ted, montamos uma equipe de som que chamamos Kren Akarore (nome baseado numa tribo indígena da Amazônia). Fomos estudar eletrônica e um tio nosso fez nosso primeiro mixer, bem simples, com dois potenciômetros: um entrava e saía a música de um dos toca discos e o outro a mesma coisa pro outro toca discos. Com isso podíamos misturar duas músicas diferentes. Não havia pré escuta. Todo dinheiro que ganhávamos comprávamos equipamento ou peças para montar caixas de som ou LPs. Aos poucos fomos melhorando o equipamento, chegando aos mais conceituados da época, como o mixer Tonus, fones da Koss, amplificadores Quasar, toca discos com recursos especiais para DJs (direct drive e pitch) e desvendando a técnica das transições entre as músicas por nós mesmos. Quando estava no segundo ano de Psicologia, larguei a equipe de som. Voltei a discotecar por um tempo, quando dava aulas de dança de salão, fazendo bailes mensais para os alunos. Em 2000, voltei a tocar, entrando no circuito de forró pé de serra, quando reuni uma quantidade interessante de músicas. Já tentei parar algumas vezes, me desfiz dos discos e equipamentos, mas continuo tocando por aí, com menos frequência, mas tocando.

06) RM: Quais motivos levaram você escolher o repertório Forró?

DJ Sérgio Feijó: Eu comecei me baseando nas músicas que gostava de dançar e também nos forrós que eram mais comuns para mim (por ouvir muita MPB), como Alceu Valença, Elba Ramalho, Zé Ramalho, Fagner, Clara Nunes, Geraldo Azevedo, Gilberto Gil e os grupos trios e bandas que estavam fazendo shows aqui no Rio: Trio Forrozão, Trio Sabiá, Trio Virgulino, Forroçacana, Raiz do Sana, Paratodos, Filhos do Nordeste, Baião de Corda, Trio Pé de Serra, Jabaculê e tantos outros. Depois que fiz umas aulas de zabumba com o Duani, comecei a entender melhor as diferenças dos ritmos do forró (baião, xaxado, xote, coco, arrasta-pé) e a dar mais atenção a certos trios clássicos: Trio Nordestino, Os Três do Nordeste, Trio Juazeiro, além de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Dominguinhos, Marinês. Aí vieram também Ari Lobo, Assisão, Azulão e muitos outros músicos incríveis que não paro de conhecer. Os motivos então começaram por uma dança boa. Aos poucos foi entrando a vontade de mostrar a tradição desse tipo de gênero musical e suas evoluções.

07) RM: Como você escolhe o seu repertório?

DJ Sérgio Feijó: Para mim depende do projeto feito pela organização do forró, do público que observo na pista e da minha sensibilidade na hora. Eu não tenho sequências fechadas, com músicas que acho que combinam. Mas organizo bem minha pasta de músicas para me facilitar tocar o que quero.

08) RM: Você é colecionador de disco?

DJ Sérgio Feijó: Não.

09) RM: Qual a importância do colecionador de disco?

DJ Sérgio Feijó: Acho incrível quem se dedica a colecionar discos. Exige espaço, muito cuidado e pesquisa. Sem eles não teríamos acesso à tantas músicas que não têm apelo comercial. E não haveria um resgate do Forró Pé de Serra. Já tive bastantes discos, mas preferi ter as músicas digitalizadas e utilizar as possibilidades técnicas que esse recurso proporciona.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

DJ Sérgio Feijó: São inúmeras. Pensando nas cantoras que estão fazendo shows no circuito pé de serra da minha cidade, estou lembrando da Júlia Vargas, da Mariana Jascalevich, da Thays Sodré, da Mari Melo, Tati Veras, Tamara Terra… Vai faltar alguém (risos). Dos cantores atuais: Marcelo Mimoso, Danilo Ramalho, Duani, Moyseis Marques, Seu Branco, Piaba, Sivaldo Fernando.

11) RM: Apresente seu set up equipamentos.

DJ Sérgio Feijó: Atualmente eu trabalho com um Notbook Lenovo, uma controladora Pionner DDJ – SB, o programa Virtual DJ e uma estante para subir o notebook. Eu me acostumei com Virtual DJ pela forma que organizo minhas músicas. Já experimentei outros programas como o Serato e o Tracktor, mas me adaptei melhor ao Virtual DJ, que cumpre tudo que preciso. 

12) RM: Quais são seus principais equipamentos para começar a função de DJ?

DJ Sérgio Feijó: Já passei por diversas fases como DJ. Comecei com vinil (na época – anos 70/80 – não tinha outra opção), passei pro CD e cheguei no computador com controladora. Foi engraçada a minha transição dos CDs para o computador, pois eu notava a grande diferença nas escolhas das músicas, devido a forma que organizava meus CDs, que era bem diferente da organização feita no computador. Era divertido perceber que o equipamento me levava a destinos musicais distintos, nos eventos. Em dado momento me desfiz dos CDJs (tocadores de CD especiais para DJs). Até porque esses equipamentos têm vida útil. Precisei escolher, dentre eles, qual valia a pena manter e me atualizar.

Em algumas festas, tocava com CD (quando a casa tinha equipamento bom) e tocava com computador quando não confiava no equipamento oferecido. O mesmo ocorreu quando voltei por um tempo a tocar com vinil. Resolvi comprar todo equipamento, e também os Time Codes (discos digitais especiais com tecnologia que permite tocar as músicas do computador através CDJs ou toca discos), mas toda a trabalheira que dava e a quantidade de coisas que precisava levar para cada festa me desanimou. Ficava feliz com os recursos e a simplicidade do computador, fazendo a pista ferver da mesma forma. Então optei por trabalhar apenas com o computador e com a controladora, pela sua gama de possibilidades de escolha de músicas e todas as suas facilidades técnicas.

13) RM: Quais as diferenças de entre usar um notebook como tocador de mp3 através de um programa com toca discos e os próprios toca discos?

DJ Sérgio Feijó: Acho que entendi essa pergunta como sendo a diferença de utilizar cada um desses equipamentos: Computador, LPs, Time Codes. Partindo do princípio que você tem músicas bem digitalizadas, as vantagens de um computador são termos acesso a um acervo musical muito maior, com menos coisas para levar e pra fazer manutenção. Se estiver bem organizado esse acervo, podemos explorá-lo de inúmeras formas diferentes. Os programas têm recursos como o Master Tempo (que possibilita você manter o tom da música quando alteramos sua velocidade), e os contadores de BPM (que informam as batidas por minuto de cada música), que facilitam escolher essa ou aquela música para fazer transições mais suaves. E muitas outras funções, que também podem ser aproveitadas com os Time Codes.

No caso dos LPs, temos o risco de danificar discos raros, insubstituíveis, quando usados em condições precárias que muitos eventos oferecem. Cada LP tem cerca de 16 músicas, sendo que muitas delas não costumamos usar. Precisamos levar muitos LPs para fazer um set bem variado. Toca discos, tanto usando LPs ou Time Codes, tem uma plástica toda especial, que atrai muito quem os utiliza. Me diverti muito quando encontrava o DJ Vhinny em Belo Horizonte e tocávamos juntos com esse equipamento nas festas de lá. Tem toda uma magia. Mas pra levar isso tudo pra lá e pra cá não é nada fácil. E a manutenção pós evento também é bem trabalhosa.

14) RM: Quais os melhores periféricos e indispensáveis para o DJ?

DJ Sérgio Feijó: O que o DJ precisa é ter um equipamento confiável que guarde seu acervo musical, que permita fazer transições adequadas, que nos possibilite ouvir previamente o que pode ser tocado e que envie pro amplificador um som de qualidade. Além desses fatores, gosto de ter informações da duração da música, seu BPM e uso sempre o Pitch com Master Tempo ligado, mas isso são detalhes da minha forma de tocar. Não é indispensável. O Pitch altera a velocidade da música. O Master Tempo não deixa que essa alteração mude o tom original desta música.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

DJ Sérgio Feijó: Minha principal estratégia é a observação do público presente na pista, do local que estou tocando e a proposta do evento. Eu tenho minhas preferências musicais e minha pesquisa que balizam o que posso tocar e quero. Então ajusto o que observo e sinto na hora, com o que gosto de tocar. Também imagino como se estivesse contando uma história a cada entrada que faço na festa. Isso é muito subjetivo, mas gosto de tocar com a minha assinatura, sem ser egoísta. Quero ver o povo dançar!

Fora do palco acho importante se tornar visível e se adequar às mudanças na mídia. Estar sempre evoluindo. Não basta ser técnico e sensível. As pessoas precisam conhecer o seu trabalho. E lógico:  fazer muita pesquisa, ouvir sons novos, ouvir outros DJs tocando, buscar sempre algo para melhorar sua performance, sensibilidade e sua técnica.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira de DJ?

DJ Sérgio Feijó: Como disse acima, procuro sempre melhorar a minha técnica, pesquisar equipamentos, pesquisar músicas antigas e novas, ouvir outros DJs tocando e interagir com eles. E procuro ficar atento as evoluções da mídia para me adequar a essas novidades.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira de DJ?

DJ Sérgio Feijó: Acho que atualmente não dá pra se imaginar fora da internet e de seus recursos. Temos acesso a muita coisa. Acho até melhor nem pensar como seria sem ela e aproveitar da melhor forma o que puder. E ficar atento e informado das mudanças todas. Evoluir! A internet me possibilitou um intercâmbio incrível com outros centros que desenvolviam o forró pé de serra. Cada canto tem suas características e influências. Participei de Festivais e eventos em outras cidades, conheci muitos DJs e aprendi demais. Isso desde uns 20 anos atrás! Imagina agora?

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

DJ Sérgio Feijó: Se bem usado, o home estúdio pode te possibilitar gravar coisas inéditas e também criar coisas novas, que podem ser muito úteis. Depende muito da forma que se quer trabalhar. 

19) RM: O que você faz efetivamente para se diferenciar como DJ e dentro do seu nicho musical?

DJ Sérgio Feijó: Ser eu mesmo. Acreditar na minha sensibilidade e técnica. Pesquisar bastante. Conhecer e experimentar outras possibilidades de se fazer o som da pista. Ficar atento onde estou tocando e pra quem. 

20) RM: Como você analisa o cenário musical para o DJ. Em sua opinião quais os DJs foram as revelações nas últimas décadas e quais regrediram?

DJ Sérgio Feijó: Acho que estamos sempre evoluindo. Os que não ficaram atentos e não buscaram se adequar as novas realidades acabaram se desgastando.

21) RM: Quais os DJs já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

DJ Sérgio Feijó: Tem muita gente boa chegando, mas pra mim ficaram mais marcados os DJs do meu início de carreira no forró pé de serra: André da Lagoa, Renata e Isabel, Franz Dulens e Airton Areas que tocavam nos primeiros forrós que frequentei no Rio de Janeiro. De Minas Gerais, Ric, Vhinny, Paulinho, que me mostraram um acervo incrível e uma pesquisa e organização impressionante. Rodrigo BH, que conheci tocando em Itaúnas, com uma forma muito especial e diferente da que rolava por aqui. E de São Paulo: Ivan e Tick, que tinham outra pegada, do circuito que rolava em São Paulo, além de todo acervo e pesquisas fenomenais. Não posso deixar de falar dos DJs daqui do Rio, que foram contemporâneos meus: Xeleléu, Darvin, Edna, Edu e Messias. Tiro o meu chapéu para todos! Devo ter esquecido alguém…

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado, etc)?

DJ Sérgio Feijó: As situações inusitadas foram inúmeras. Principalmente quanto ao equipamento oferecido, muitas vezes precário demais. Mas tiveram também forrós em ambientes que ao meu ver não tinham nada para ajudar. Aos poucos fui preferindo garantir ao máximo que meu som chegasse bem na pista. Então achei melhor comprar minhas CDJs e depois os computadores com controladora. Cheguei a comprar toca discos e mixer, além dos time codes, mas fiquei pouco tempo com eles. Quanto ao público, não gostei de tocar em eventos em que se esperava outro som, como forró eletrônico, música sertaneja, zouk…

Lembrei de uma situação engraçada. Uma vez, eu estava tocando no Ballroom e a cabine do DJ ficava no alto. Estava numa sequência de xotes. Um amigo meu subiu na cabine e me pediu para dar um intervalo maior entre as músicas, ou tocar uma música ruim, pois os casais não estavam parando de dançar. Ele queria dançar com uma menina que estava o tempo todo com o mesmo par! Eu ri muito.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira de DJ?

DJ Sérgio Feijó: É muito bom ouvir as histórias de quem de alguma forma aproveitou o som que eu estava fazendo. Ou encontrando um novo par, ou se reconciliando, ou se acabando de dançar! Alguns eventos que eu adorava tocar acabaram… isso me deixou triste.

24) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira como DJ?

DJ Sérgio Feijó: Seja feliz, não se isole, pesquise bastante e faça a pista ser divertida! 

25) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

DJ Sérgio Feijó: Acho que a cobertura feita pela grande mídia não é muito abrangente. A cultura em geral está muito desvalorizada nesse nosso momento. Tem muito interesse econômico e político envolvido. E isso acaba inviabilizando muitos projetos que poderiam ser muito interessantes. 

26) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para o DJ?

DJ Sérgio Feijó: No Rio de Janeiro tem muito lugar interessante para tocar. Mas muitas casas não curtem muito o público do forró, porque ele não consome. Quer dançar e assistir o show. Outros eventos consomem muito mais que o forró, sendo mais vantajosos economicamente.

27) RM: Você acha que o DJ tomou o lugar do músico ou banda?

DJ Sérgio Feijó: No Rio de Janeiro, no forró, sempre se valorizou a música ao vivo. O DJ sempre teve um papel acessório nos eventos. Um complemento.

28) RM: Fale de sua atuação como fotógrafo.

DJ Sérgio Feijó: Na fotografia gosto principalmente de três vertentes: o retrato feminino, a fotografia de rua e da dança. É muito mais uma pesquisa e estudo. Não tem fins comerciais. Pelo menos até o momento. Sempre busquei desenvolver projetos que tinham algum significado especial para mim. Por exemplo, se vou fotografar um grupo de teatro, não quero fazer foto jornalística do evento final. Gosto de fazer cliques durante os ensaios, de participar do processo de criação e aí sim chegar nas fotos da apresentação. E em geral acabo preferindo os cliques do processo, mas sinto que faço as fotos da apresentação com um olhar bem mais especial.

29) RM: Quais os seus projetos futuros?

DJ Sérgio Feijó: Atualmente estou focado em aprender música. Saber ler partitura, tocar com alguma qualidade um instrumento. Escolhi nesse momento o Cavaquinho. As outras atividades, como a fotografia e DJ, continuarão ocorrendo, mas não freneticamente como já foi. Mas não deixarei de pesquisar e me qualificar para melhorar minhas performances.

30) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

DJ Sérgio Feijó: (21) 98744 – 7554 | sergio@feijo.com 

| https://www.instagram.com/serfeijo

| https://web.facebook.com/profile.php?id=100063543093669

| Canal: https://www.youtube.com/user/serfeijo 


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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