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Categorias: Entrevistas

Divyarup


O cantor, violonista e compositor paulistano Divyarup, residente no Reino Unido desde 1999. Estudou percussão em São Paulo, na Universidade livre de música Tom Jobim com o professor Ari Colares nos anos 90.

Lançou seu primeiro álbum – “Tempo de luz” em 2008 no Estúdio Frequência Rara na Vila Madalena em São Paulo com a engenharia de Mauricio Grassmann. O álbum também teve a participação do Madan nos vocais e em duas composições. Músicos do cenário paulistano colaboraram com as gravações do álbum que tem 15 músicas de Divyarup e seu amigo e professor Emmanuel Pontes. Divyarup foi parceiro musical do Madan e juntos participaram de vários festivais musicais pelo Brasil. O álbum – “Tempo de luz” foi reconhecido no cenário musical de Londres – Inglaterra, e foi nomeado pelo Brazilian international Press Awards e Lukas Awards. O álbum – “Tempo de luz” também teve a participação de músicos excelentes como Sergio Bello, Madan, Bocato, Jonas Dantas, Lael Medina, Claudio Mineiro, Yamile Burich. 

Retornando para Londres, Divyarup estudou harmonia de violão com o professor e guitarrista Emmanuel Pontes, o mesmo toca na Divyarup Latin band.

Divyarup está trabalhando em um novo projeto do segundo álbum – “O Mago”, uma homenagem ao seu pai que faleceu em 2014. O álbum tem a música: “O Mago”.

Segue muito feliz no Reino Unido tocando e cantando e mostrando um pouco da cultura e da música brasileira, o que o deixa muito orgulhoso e satisfeito.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Divyarup para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 17.06.2022:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Divyarup: “…Eu Nasci a dez mil anos atrás…”. Não preciso nem dizer que sou fã do Raul Seixas. Nasci no dia 31 de janeiro de 1967 em São Paulo, precisamente na Avenida Paulista. Registrado como Sebastião do Nascimento. 

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Divyarup: Meu primeiro contato com a música aconteceu quando eu ainda era bem menino, tinha apenas 7 anos de idade (1974), um tio (irmão da minha mãe) tinha um violão velho da marca Giannini e tocava alguns acordes. Eu pedi o seu violão emprestado, e comecei a descobrir o instrumento. Eu só tinha o interesse em aprender alguns acordes para tocar algumas canções do Raul Seixas, mas na época não aprendi.

03) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Divyarup: Eu sempre gostei de MPB, escuto de tudo, desde de música new age até Rock, de música clássica até música espanhola, de música árabe até música indiana e por aí vai. Hoje sou fã do João Bosco e Ivan Lins, são dois compositores excelentes, que me inspiram muito. No passado ouvia muito Raul Seixas, Zé Ramalho, Luiz Gonzaga e por aí vai. Quando ainda era adolescente ouvia e gostava muito do Rock Britânico, inclusive assisti o show do Queen no Morumbi – São Paulo se não me engano em 1981. Foi realmente lindo e a banda foi demais também, vocal do Fred Mercury foi incrível, a guitarra do Bryan May, além do público de 200 mil pessoas delirando.

04) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Divyarup: Minha formação musical veio acontecer em Londres – Inglaterra, quando conheci o guitarrista Emmanuel Pontes, que depois além de ser meu professor musical, também se juntou com minha Banda: Divyarup Latin Band. Hoje temos um dueto ativo, violão e voz e guitarra solando! Estudei alguns anos na Universidade Cruzeiro do Sul em São Paulo com a intenção de ser Biólogo com conhecimento técnico de matemática, mas abandonei o curso, e estava gostando, mas foram por conta de outros motivos pessoais.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Divyarup: Comecei a muitos anos atrás quando ainda tinha meus vinte anos, agora tocar profissionalmente, eu comecei tarde, tinha uns 28 anos (1995). Um amigo me viu tocando em um Barzinho na zona leste de São Paulo e me incentivou a tocar mais. Provavelmente viu meu potencial como músico, já que também era músico e muito bom por sinal. Agora compor músicas, eu acredito que minha primeira composição aconteceu quando eu fui visitar o Nordeste, passei por várias cidades e decidi parar em Sergipe, onde meu querido pai nasceu. Lá eu pude ver o homem do campo trabalhando na roça, pude ver o sertão, pude ver a pobreza, mas também muita riqueza quando se trata de cultura e natureza.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Divyarup: Eu tenho um único álbum lançado, mas tenho muito orgulho, pois, foi gravado com músicos de alto nível e com uma produção e engenharia de som de alta qualidade, o que me deixou muito satisfeito.  Só para citar alguns nomes, o primeiro da lista é meu querido e saudoso amigo Madan (Pedro Luiz das Neves), no qual aprendi muita música, fizemos muitas músicas juntos, tocamos em vários festivais de música pelo Brasil, além de vários shows, etc. Estava em 2008 em São Paulo no Estudio Frequência Rara, que inclusive pertence ao músico, produtor e engenheiro de som: Mauricio Grassmann.

Madan era meu produtor musical, comentou que iria chamar alguns músicos do cenário paulistano, eu perguntei? Quem você irá chamar? Ele respondeu sorrindo, você não vai acreditar, deixa comigo. Madan convidou Sergio Bello, Lael Medina, Jonas Dantas além do Bocato. Eu convidei Yamile Burich, uma amiga argentina que conheci em Londres e que agora mora na Argentina e toca saxofone maravilhosamente. Convidei outro amigo que conheci em Londres, o grande percussionista Claudio Mineiro, que voltou para Montes Claros – MG, a sua cidade natal, um mestre nos pandeiros, congas e berimbau.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Divyarup: Meu estilo musical e bem brasileiro, tem um pouco de tudo, tem Samba, Bossa Nova, Baião, Ijexá, alguns ritmos africanos e muita influência latina como por exemplo: a salsa.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Divyarup: Estudei com Madan (Pedro Luiz das Neves) quando ainda fazíamos várias técnicas de meditação e respiração, mas não tenho nenhuma formação escolar ou currículo técnico.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Divyarup: Cuidar da voz é muito importante, eu por exemplo, nunca fumei cigarro e acredito que meus pulmões estão bem saudáveis. Não estou criticando quem fuma, só estou respondendo sua pergunta (risos). Também tento evitar bebidas geladas, mas no calor, não resisto uma cervejinha gelada, afinal, eu não sou robô (risos).

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Divyarup: Eu admiro quem canta bem, se eu for citar nomes, vou ficar respondendo até amanhã (risos). Mas posso citar, no Brasil: Gal Costa, Maria Bethânia, Elis Regina, Marisa Monte, Cassia Eller, Milton Nascimento, Ivan Lins, Joao Bosco, Emílio Santiago, Cazuza, Renato Russo, Jorge Vercillo, que eu gosto muito. Fora do Brasil tem Katherine Jenkins, uma cantora do País de Gales, que eu gosto muito, além da cantora e compositora Enya de origem Irlandesa. Sem falar do Andrea Bocelli e Luciano Pavarotti que cantam demais e cantam com o coração! Gosto muito do George Michael, realmente era um cantor incrível e não poderia esquecer o Elton John…

11) RM: Como é seu processo de compor?

Divyarup: Meu processo de compor não é muito convencional. Por exemplo, quando meu pai faleceu em agosto de 2014, após a sua morte eu sonhei com ele e acordei cantando e tocando uma música que ja veio pronta nos meus sonhos. A música chama-se “O Mago” e será o título do meu segundo álbum, que inclusive, já comecei a gravar as músicas no meu home estúdio. Normalmente, eu faço música quando estou inspirado por algum evento que marcou na minha vida, pode ser triste ou alegre, sempre acontece de nascer uma música. Às vezes começo a compor com o violão, as vezes começo pela letra, vejo música em tudo e transformo a música com ritmo e melodias que vou escutando e lapidando com o tempo!

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Divyarup: O principal parceiro musical com certeza foi Madan (Pedro Luiz das Neves). Agora na Inglaterra é o meu amigo e professor, guitarrista e compositor Emmanuel Pontes além do outro amigo e guitarrista Fabio Monteiro, que simplesmente toca todas minhas músicas sem mesmo ensaiar. O Fabio é bom músico, tem bom ouvido e também entende de primeira o que eu gosto na música.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Divyarup: Ser independente é ser livre e fazer o que quiser musicalmente, mas existe o risco de não ganhar muita grana. Por exemplo, quando assinamos com uma gravadora, ficamos escravo dessa gravadora. E se não ler bem o contrato, corre o risco de ser enganado e não ganhar grana também. Eu sempre ganhei uma graninha fazendo shows, tocando em Bares, eventos para empresas, festas de casamentos e no metrô em Londres – Inglaterra. Além de ser compositor e receber direitos autorais por tocar minhas músicas em estabelecimentos públicos e privados. Sou membro da Ordem dos músicos na Inglaterra e sou membro de uma empresa fantástica que paga meus direitos autorais sem nenhum estresse, chama-se PRS.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Divyarup: Você quer dizer como músico e no meu cotidiano? Meu planejamento como músico, pois, é que importa. Sou profissional, respeito os horários combinados com o cliente e só trabalho com contrato assinado por ambas as partes. O músico e o cliente que quer a música ao vivo para garantir qualidade, eficiência e ter a certeza que o cliente ira ficar satisfeito com meu produto. Procuro sempre investir em um bom equipamento, instrumento musical, além de cabos de conexão para microfones, violão, etc. Sempre pratico meu violão de nylon Godin quase todos os dias. E sempre estou ouvindo novas canções no YouTube e outras fontes musicais que a internet nos proporciona, além de ensaios semanais com o meu duo. 

15) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Divyarup: A internet ajuda quando quero aprender uma música, por exemplo, além de ter a disponibilidade de enviar os detalhes dos meus shows diretamente por emails para poder receber os meus direitos autorais. Imagine, se eu, como compositor tivesse que ir no correio e postar todo um material semanalmente para a empresa que paga meus direitos autorais? Teria um custo muito maior, além do risco de chegar atrasado no destino e até correr o risco desse material não chegar e eu não receber meus direitos autorais. Tem ainda, um lado bom, que qualquer músico pode promover suas músicas no Youtube, Spotify, etc. Vários meios de comunicação e promoção são gratuitos. Mas para um músico começar a capitalizar tem que entender bem desse negócio, eu ainda não entendo. O lado negativo, ninguém compra mais CD, está muito difícil para nos músicos recebermos uma grana vendendo CDs. Muita gente fala que não tem onde tocar os CDs, que o computador não tem mais leitor de CDs. Sei que existem outras maneiras de capitalizar pela internet, mas eu ainda não sou bom nessas ferramentas! Preciso me informar mais…

16) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Divyarup: Depende o que o músico quer para o seu trabalho e onde quer chegar. Eu por exemplo, uso o home estúdio para brincar com música, compor, me distrair, ser criativo, estudar e até para gravar. Agora é óbvio que uma gravação em casa, em um home estúdio não terá os mesmos recursos de um estúdio profissional de grande porte, que tem um engenheiro de som que sabe tudo do sistema operacional, softwares, macetes com a sua experiência de um engenheiro de som, etc. Além do equipamento sofisticado e avançado que permite uma ótima gravação, além de microfones caríssimos, por exemplo, o Neumann, que eu já usei e gosto muito. Toda uma combinação de boa música, bom estúdio, com uma acústica incrível, bom engenheiro, bom musico, bom cantor (a), não tem erro. Em Londres – Inglaterra tem o famoso Abbey Road Studios, e não é de graça que ele é famoso, simplesmente músicos como os The Beatles, já gravaram lá. Eu ainda não tive o prazer de gravar lá, mas meu amigo e guitarrista da minha banda já gravou.

17) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Divyarup: É verdade, gravar hoje em dia é fácil, agora ter talento e gravar uma coisa boa, bacana e que vai agradar ao público e talvez até ganhar grana, isso é outra história. Como só posso falar das minhas experiências e não tenho medo de comparações, pois, na vida, todos aprendemos e ensinamos algo também. Além de cada ser humano ser único e cada músico, tem que acreditar em si, além de trabalhar muito e também contar com a sorte. A sorte existe, se estiver no lugar certo, na hora certa e falar com a pessoa certa e essa pessoa certa gostar do seu trabalho: pronto, alguma coisa boa irá acontecer profissionalmente. Concorrência sempre existirá, onde houver vida, seres humanos e animais, sempre haverá a concorrência. Mas, eu acredito que o céu é infinito e no meio de tantas estrelas, nós poderemos brilhar, mas tem que trabalhar muito, pois, sem trabalho não acontece nada.

18) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Divyarup: A música boa sempre ficará para quem tem bom gosto e quer ouvir, refletir, pesquisar, prestar atenção na letra e no arranjo. Agora, o que o povão escuta e faz sucesso também é legal. É uma forma de relaxar, dançar, se distrair, se divertir, seja a música brega, samba, forró, sertanejo, não importa o estilo, se tocou a cabeça, o coração do povo, isso também é legal. Eu não estou aqui para criticar ninguém, o Brasil tem essa mistura de tudo um pouco. Cada um faz o que quer e do jeito que quer, alguns so pensam na grana, outros pensam na grana e na arte, outros pensam na arte e tem ainda outros que não pensam em nada (risos). Só querem se distrair e viver a vida.

19) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado, etc)?

Divyarup: Já aconteceu de tudo citado na pergunta. Agora, brigas, eu não me envolvo de jeito nenhum. Já fui tocar algumas vezes e faltou um bom equipamento. Eu sempre levo o meu equipamento, pois, sei usar, sei que é bom. Agora, se é festival de música ou lugar muito grande, sempre corremos o risco, pois, se o equipamento não é compatível com a banda e a acústica não é boa e se o engenheiro de som não está disponível para ajudar, pode comprometer todo o trabalho musical. Mas, já não acontece mais, só quando eu era amador (risos). Eu sempre recebo o cachê, pois, só trabalho com contrato e tenho apoio dos advogados e poderes judiciais se o cliente não pagar!

20) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Divyarup: Fico muito feliz em ser músico e poder levar uma mensagem de paz e talvez fazer algumas pessoas refletirem sobre a vida. Eu adoro tocar e compor e fazer as pessoas dançarem através das minhas músicas, é muito gratificante, principalmente quando estou tocando e cantando ao vivo. O lado triste é que apesar de ter alguns contatos, a minha agenda de shows não é tão cheia. Afinal, tenho que tocar em lugares as vezes onde toca João Bosco, Filo Machado (risos). Ainda tem os barzinhos em Londres – Inglaterra que muitos músicos brasileiros bons que já estão tomando conta do cenário local.

21) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Divyarup: Eu acredito no dom musical, posso definir o dom musical como uma criança, por exemplo, de apenas seis ou sete anos de idade que já toca um instrumento ou canta ou mostra interesse pela música ou por arte em geral vindo dessa criança, sem influência de ninguém, isso é dom. Agora, as influências de um pai músico ou uma mãe musicista também ajudam muito, e podem ser muito boas, dependendo do investimento. Além de incentivar a criança cedo, não devemos esperar muito tempo para investir no futuro das nossas crianças no Brasil. Uma criança com certeza tem mais facilidade de aprender e se tiver as ferramentas certas e o incentivo, com certeza irá prosperar, seja no que for, acontece que no Brasil, parece que a maioria das crianças quer ser jogador de futebol ou cantor sertanejo. Também está certo.

22) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Divyarup: Não sei improvisar muito, portanto, meu conceito será baseado no que eu leio e não na minha experiência de improvisar. Por exemplo, eu gosto de ensaiar uma música do Djavan e tocar bem, não faço cover, canto e toco do meu jeito, mas tento seguir uma ideia que já está na música. Agora, quando a música é de minha autoria, sempre dou a liberdade para os músicos fazerem solos diferentes todas as vezes que tocamos a mesma música, mas obviamente seguimos a métrica, introdução, letra, solos, etc. Tudo combinado para ficar bonito, mas se não combinar e também ficar bonito, está tudo certo, com tanto que nós músicos estejamos alerta no momento da execução das músicas.

23) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Divyarup: Minha experiência não é improvisar, mas meu professor que é mestre em improvisação, sempre estuda e conhece bem as escalas, etc. Conheço músicos que não sabem muita coisa de música teórica, mas tem a prática de improvisar também, creio que pegaram de tanto praticar. Eu gosto de música e se é improvisada ou arranjada, ou combinada, está tudo certo, com tanto que fique legal para os ouvidos.

24) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Divyarup: Eu estudei e estudo Harmonia, pois, toco violão, mas não tenho tanto conhecimento para falar do assunto.

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Divyarup: Depende, se conhece alguém na rádio, pode até tocar a música na programação sem pagar o jabá. Mas, não me importa, pois, no YouTube e outras plataformas de áudio e vídeo, quem quiser pesquisar irá ouvir. Eu acredito que se pagar para a publicidade da música, ela irá tocar com mais frequência e o povo terá mais acesso também, mas, não tenho certeza.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Divyarup: Digo o seguinte, se gosta vai fundo e acredite em você, mas a caminhada é árdua e tem que ter muita perseverança. No mercado musical, estou a 25 anos. Tem que estudar e praticar todos os dias, além de investir em bom equipamento e bom instrumento musical e ter bastante contatos que vão arrumar shows.

27) RM: Festival de Música revela novos talentos?

Divyarup: Participei de vários festivais de músicas no Brasil a 25 anos atrás, e acredito que alguns músicos foram revelados em festivais. Eu não fui revelado em festival, mas temos alguns exemplos de músicos revelados em festivais. TV Fama da Rede Globo foram revelados: Roberta Sá e Tiaguinho. Na década de 60, foi revelada uma das minhas cantoras favoritas, Elis Regina (Festival da música popular brasileira, TV Excelsior, 1965), Chico Buarque de Holanda, Milton Nascimento, Beth Carvalho, Gal Costa, Taiguara, Clara Nunes, Djavan, Sandra de Sá, Leila Pinheiro, entre outros. Esses cantores e cantoras que eu citei acima, são muito bons e suas músicas continuam a aparecer na internet, em alguns rádios, etc. 

28) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Divyarup: Não sei, eu estou por fora, quem é a grande mídia? Como estou fora do Brasil a 22 anos e uso a internet somente para certas coisas que eu me interesso, estou por fora.

29) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Divyarup: Esses espaços eu conheço e aprovo, pois, são fantásticos, quando ainda morava no Brasil frequentava muito o Sesc da Avenida Paulista que tinha um projeto de música instrumental, que acontecia toda segunda-feira com entrada franca. Eu vi, os melhores e mais virtuosos músicos brasileiros. Faço questão de citar alguns nomes: Hermeto Paschoal, Egberto Gismonti, Duo Fel, César Camargo Mariano e banda, Arismar do Espírito Santo, Banda Mantiqueira, Leo Gandelman, Filo Machado, Arthur Maia, Faísca, Mozart Melo, André Geraissati, Ulisses Rocha, Cama de Gato, só para citar algumas feras.

30) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Madan?

Divyarup: Madan (Pedro Luiz das Neves) foi um grande amigo, foi um irmão! E também tocamos muito juntos, muitos festivais de música, shows, gravações em estúdio, foi muito bom conhece-lo e ter o prazer de até morarmos juntos no Rio de Janeiro na década de 90, onde cantávamos, meditávamos e fazíamos o que gostávamos, Música.

31) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical no exterior?

Divyarup: Para ser músico no exterior tem que ter muita disciplina, ser bem profissional, tocar bem e cantar bem, ter um repertorio não somente de música brasileira e cantar bem em inglês. Ser pontual no horário, boa aparência, sempre bem visto. E acreditar no que faz e fazer bem feito, mas bem feito mesmo. Os contras, eu sinceramente não sei, pois, não faz parte de minha experiência, agora se eu for comentar sobre músicos que reclamam de tudo, aí teríamos assunto (risos). Eu prefiro, tocar e cantar e correr atrás dos meus objetivos, do que ficar reclamando e falando dos outros.

32) RM: Quais os seus projetos futuros?

Divyarup: Gravar meu segundo álbum – “O Mago” – em homenagem ao meu pai que faleceu em 2014 e conseguir mais shows aqui na Inglaterra e tocar com músicos bons e ser feliz. E estudar cada vez mais e pesquisar músicas no mundo todo. Por ser, músico independente e fazer tudo com as minhas próprias experiências e batalha, eu tenho orgulho de dizer que neste recente site: www.fandalism.com/divyarup, já tenho 52.412 views. E me deixa contente, saber que algumas pessoas já escutaram meu álbum “Tempo de luz”, além de receber alguns prêmios no Lukas Awards e Brazilian International Press Awards. Agradeço de todo coração ao Antonio Carlos da RitmoMelodia pela oportunidade desse bate-papo gostoso e outros mais virão.

33) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Divyarup: sw.divyarup@gmail.com | www.divyarup.bandcamp.com

| www.fandalism.com/divyarup

Canal: https://www.youtube.com/channel/UC1xFgsOMov_sHTvjsJVCiFw

Divyarup Latin Band – Arpana Rantu: https://www.youtube.com/watch?v=lNdzqa7NHts

Divyarup Latin Band – Dor de cotovelo: https://www.youtube.com/watch?v=KUXFoDcVmpI

Divyarup Latin Band – Ai ai ai: https://www.youtube.com/watch?v=QSe563VfSbI

Divyarup – Shotgun: https://www.youtube.com/watch?v=uwhGfcfhdcM


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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