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Categorias: Entrevistas

Dinho Brown


O cantor, compositor baiano Dinho Brown, filho do torneiro mecânico Cloves Sampaio e da doméstica Maria das graças Delfino, ambos adeptos da cultura Black Power na década de 70, o influenciaram musicalmente quando ele ainda estava no ventre materno.

Dinho Brown nasceu nos anos 70, época em que a cultura Black chegou ao Brasil, ele cresceu escutando artistas como: Stevie Wonder, James Brown, Michael Jackson, Babyface, Carlos Dafé, Cassiano, Tim Maia e Reizinho (artista ilheense).

Dinho Brown aos sete anos de idade seu coração foi seduzido pelo batuque da percussão  afro descendente, do bloco afro Os Gangas, no alto do Basílio lugar em que nasceu e se criou. Suas fugas de casa para participar dos ensaios de rua, lhe recompensaram com alguns galos, mas nada que superasse sua paixão e inclinação pelos seus ideais!

Dinho Brown dentro do bloco afro Os Gangas, absolveu suas primeiras experiências e recebeu admiração e incentivos fundamentais para a formação de um artista de comunidade carente, entre eles: Sindoval Reis, que sempre o motivou o canto afro, influenciando o com a música afro baiana, Samba e Reggae.

Dinho Brown ainda adolescente se tornou maestro de uma banda juvenil, depois desligou-se do mesmo e fundou o a entidade afro cultural Zambi Axé em que foi apelidado de Dinho Brown, uma alusão ao Carlinhos Brown; grande músico baiano, por ser criativo como maestro e regente de percussão.

Dinho Brown descoberto como cantor em uma roda de samba pelo olhar clínico do grande músico Côco Bahia. Ele teve seu primeiro evento profissional no carnaval de Ilhéus – BA sem nenhum ensaio com a banda “Magia do Samba”, substituindo de última hora o vocalista oficial da banda, atuou com êxito a ponto de assumi posto de vocalista da banda por algum tempo. Após esse fato não parou mais, em seu currículo várias atuações com praticamente todas as entidades afro de Ilhéus e algumas bandas locais como: “Quinta Dimensão”, “Realce”, “Dilazenze”, “Batuque Bom”, “Só na Quebrança de ilhéus”, “Toque Baiano”, “Graves” no Rio de Janeiro, “La Fúria” de São Paulo, “Puris” (antiga Viana Soul, no Espírito Santo) e projetos paralelos de RAP com “CRP” que gerou o primeiro álbum de RAP na Bahia, o “Indignação Hereditária”, grupo “Aliança” (RAP gospel) e o grupo “Zoológico Urbano” no Espirito Santo.

Dinho Brown é um barítono progressivo que decide colocar melodia em seus poemas e mescla músicas suas em várias linguagens do estilo Black e versões de clássicos do MPB, Soul, Samba, Rock criando o seu próprio estilo o AFRO POP. Dentro de sua personalidade musical, é um artista único e marcante em suas performances e qualidade musical.

Dinho Brown estudou técnica vocal em aulas particulares com o maestro ilheense Leo de Luccas e teve aulas também com professores da Escola de Música de Cosmorama no Rio de Janeiro. Ele, participou de vários workshops da Igreja Pentecostal, Universidade Santa Cruz e Casa dos artistas de ilhéus – BA.

Dinho Brown lecionou técnica vocal no “Mais Educação Capixaba” nas escolas públicas de Viana e Vila Velha, Igreja Apostólica (Coral) e no ABAA (Arraial Dajuda) e ministra aulas particulares a mais de 15 anos.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Dinho Brown para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 04.09.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual sua data de nascimento e sua cidade natal?

Dinho Brown: Nasci no dia 18 de dezembro 1974 em Ilhéus – Bahia, um sagitariano registrado como Cláudio Sampaio Nascimento.

02) RM: Conte como foi o seu primeiro contato com a música.

Dinho Brown: Meu primeiro contato com a música aconteceu aos sete anos de idade no Bloco Afro do Basílio, bairro que me criei. Eu fugia de casa quando ouvia o som da percussão. No Bloco Afro Os Gangas aprendi a tocar vários instrumentos de percussão e fui abençoado com a consciência da contribuição do afro descendente e sua cultura para a formação do perfil cultural e civil do povo brasileiro. alguns anos depois passei a ser maestro e consequentemente fundei o grupo Cultural Afro Zambi Axé!

03) RM: Qual sua formação musical e acadêmica fora música?

Dinho Brown: Após concluir o Ensino Médio me especializei em técnico de Administração, mas nunca exerci, a música chegou antes e não consegui me adaptar as formalidades das empresas.

04) RM: Quais suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Dinho Brown: No início as influencias eram voltadas para o batuque, os ritmos percussivos, portanto, o Ilê Aiyê era e é a máxima entre o ritmo e a ancestralidade de forma fundamental. Mas cito também: Olodum, Muzenza e a Timbalada. Eu já tinha meus artistas preferidos, influenciadores e referências, como Stevie Wonder, Cassiano e Bob Marley, mas não se resume só a eles, pois ainda era cedo e eu tinha muito a descobrir como cantor. Creio que todas as referências são importantes, sempre serão atuais desde que sejam ricas dentro de sua atmosfera musical, todas são uteis, pois decidi não me restringir quando o assunto é música!

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Dinho Brown: Digamos que depois de dar início na atividade de maestro como percussionista de uma banda Afro anterior ao meu grupo cultural, o Zambi Axé, passamos a nos apresentar como banda em todo tipo de evento, mas ainda não cantava, tinha entre 11 e 13 anos de idade. Mas a voz passou a ser percebida pelo fato de ensaiar a banda na fase de arranjos e fui desafiado por um grande amigo e instrumentista Côco Bahia a cantar em uma roda de samba. A partir desse fato recebi vários convites para ser vocal de bandas, eu tinha 20 anos (em 1994). Iniciei como vocalista do grupo Samba Magia, em uma situação bem inusitada que falaremos mais à frente.

06) RM: Quantos discos lançados?

Dinho Brown:  Lancei dois álbuns: O “Mandando bem” que é um álbum misto com várias vertentes musicais da música negra, com oito músicas e dois remixes feito pelo produtor Lukas Horus. Todas as composições autorais com exceção de “Boas águas”, poesia da Elizandra Souza que coloquei melodia. Esse CD foi lançado em julho dia 06 de 2015 na Biblioteca Municipal de Ilhéus – BA.

Já o álbum “Reggae Music” que vem cheio de variações do reggae fundindo com Soul, R&B, Black music, saiu no dia do meu aniversário no ano seguinte 18 dez 2016, com onze músicas autorais. “Aprendeae papa” com a participação do Jef Oquadro, e o remake da canção “Estrelas” do saudoso Reizinho. Os dois álbuns e mais um EP com seis músicas inéditas foram produzidos por Lukas Horus e algumas com pré-produção minha!

É meio complicado falar em uma música na qual o público se identifica, pois são várias as influências para cada música. O público roots a “Tire suas conclusões” e “O corre é meu”, que falam de coisas cotidianas são bem aceitas. O público feminino se identifica com a poesia da música “Não foi por acaso” do EP ou “Viver o agora” do reggae music. Já um público mais dançante gosta da música “Aprendeae Papa” feat Jef Oquadro. Todas as minhas músicas tem boa receptividade e meus dois álbuns bem ecléticos com essas nuances rítmicas e discursos variados das letras.

07) RM: Como você define seu estilo musical dentro da cena reggae?

Dinho Brown:  Desde sempre venho me influenciando com o que me toca a alma. A música negra (Black music) sempre chamou a minha atenção. No cenário gospel em que o soul predomina junto com seus precursores e predecessores como o Jazz, Blues, RNB, RAP, Ragga, o Batuque Afro baiano estão sempre presentes na minha música tendo como base o reggae para essa fusão. Portanto essa definição é nada menos do que música negra ou reggae.

08) RM: Como você se define como cantor/intérprete?

Dinho Brown:  Quando fui pego (risos) pela descoberta e pelo prazer de cantar, tive fome pelo conhecimento e então busquei lapidar o bom grave que possuo. Estudei uns seis anos para me especializar já que comecei atuar como vocalista em algumas bandas, busquei estar apto a cantar qualquer ritmo, tendo como referência os mais virtuosos artistas da voz. Estava cada vez mais próximo do que eu entendia como era a figura do intérprete, colocando sempre em evidência a impressão da música negra em tudo que interpreto. Mas já arriscava uns versos e música despropositadamente.

09) RM: Quais os cantores e cantoras que você admira?

Dinho Brown:  Falar dos meus cantores preferidos eu preciso em primeiro lugar separar o cantor do intérprete, pois tem cantores dotados de timbres fantásticos e outros de interpretações magistrais. As minhas vozes preferidas do nosso Brasil amado entre as mulheres: Nana Caymmi é uma diva sem sombra de dúvida. Rosa Passos com sua suavidade e sensibilidade jovial. Luciana Souza com sua virtuosidade e bom gosto. A emoção da nossa eterna Elis Regina. Lenny Andrade com toda sua virtuosidade e sua poderosa voz. Dos homens: o nosso amado Dorival Caymmi e suas canções do mar. Emílio Santiago com seu timbre espetacular. Gonzaguinha um gênio. A voz aveludada do Luiz Melodia e suas interpretações fabulosas. Os surreais: Stevie Wonder, Bob Marley, Brian McKnight, Kirk Franklin, Boyz II Men, Ella Jane Fitzgerald.

10) RM: Quem são seus parceiros musicais?

Dinho Brown:  Até então não tive parceiros com exceção da música “Aprendeae papa”, com Jef Oquadro e “Vem ser feliz e mais nada” com WU da Leste. Gosto de escrever poema e de musicar poema. Mas sinto falta de mais compositores aonde moro e os existentes em fazem parcerias musicais. Tem também a questão da espera e demora de finalizar a música, mas toco o bonde que é pra frente que se anda.

11) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Dinho Brown: A vantagem de batalhar um trabalho independente está na liberdade de ser o artista que o indivíduo visualiza em suas perspectivas. A independência do artista dá total liberdade de projetar suas características originais sem interferências de maneira generalizada. As desvantagens, são os custos de produção, divulgação, e outros fatores fundamentais que irão depender apenas do próprio artista.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver sua carreira?

Dinho Brown: A ação empreendedora que faço é compor e produzir músicas, pois além de ser fundamental como artista, a questão financeira de todo artista independente é limitada.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da sua carreira?

Dinho Brown: A internet é uma ferramenta fantástica para todo artista independente. A vantagem é romper a barreira do anonimato. A desvantagem é a dispersão que existe em meio a tanta informação que dificulta a revelação dos artistas que buscam ascender.

14) RM: Como você analisa o cenário reggae brasileiro? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Dinho Brown: Por ser um seguimento que envolve toda uma cultura, o reggae acontece de uma forma mais concentrada no nosso cenário. Tem surgido bandas e artista sempre e na medida do tempo seus trabalhos se estabelecem no cenário. Uma vez que o artista chega ao público jamais é esquecido, portanto cada hino permanece junto com seus ícones. Na atualidade os artistas mais em evidencia que permanecem consideravelmente são: Ponto de Equilíbrio, Mato Seco, Maneva. Todos têm seu valor mesmo os mais reservados, os das antigas permanecem: Edson Gomes, Cidade Negra, Tribo de Jah, e o nosso papa do reggae Gilberto Gil.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso à tecnologia de gravação (Home Studio)?

Dinho Brown: As tecnologias tem realmente sido uma ferramenta fundamental para a criação, e com certeza a música como um todo foi abençoada com a praticidade que ela proporciona. Mas essa mesma ferramenta possibilita que qualquer pessoa venha a arriscar no meio artístico e dar ao público a condição de analisar a qualidade das obras.

16) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Dinho Brown: Temos muitos nomes no cenário musical brasileiro, ainda bem! (risos), mas se tratando do contexto reggae nacional cada artista tem particularidades e qualidade. Por exemplo, a ideologia do Edson Gomes faz com que ele seja a voz dos guetos. Tony Garrido tem uma fluência admirável como cantor, ele como cantor interpreta muito bem vários ritmos que vão do soul até a MPB. O Natiruts tem uma sinergia interessante com a juventude e por aí vai…

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Dinho Brown: Situações inusitadas sempre acontecem na vida de todo artista. Mas eu lembro da minha primeira atuação como vocalista. A turma do samba que me provocou a cantar na roda de samba tinha me passado umas fitas K7 para que eu ouvisse e, meses depois me aparecem ao cair da noite em minha casa em uma pequena Van, um amontoado de músicos apressados como o seguinte ultimato: -fala o Bilú gaguejando: toma um banho e ponha sua melhor roupa e vamos ali fazer um samba. Eu na inocência imaginando o trivial como um Barzinho de amigos com uma mesa, enfim… Adentrei nessa van, e ali o Michel também percussionista me sabatinava o possível repertório, vai vendo. Por incrível que pareça eu sabia o repertório todo, mas ensaio que é bom nada! Como eu só cantava para ensaiar minha turma de batuqueiros no bloco Afro, a insegurança era apenas o que eu possuía (risos).

Vamos nós nessa bendita van com as cortinas fechadas, até que paramos, descemos da mesma e me deparei logo de cara com o barulho de uma mega estrutura de som e palco percebi que era a abertura do carnaval da cidade (risos). O emocional ficou colapsado obviamente e a turma já subiu ao palco para a passagem de som. O Bilú e o Michel me dando um apoio moral, mas creio que era para eu não fugir, cheios de instruções, encorajamentos e me deram um copo de conhaque, mas eu nem curto álcool, tomei aquela coisa que me desceu queimando (risos).

E quase arrastado subi ao palco com um medo de levar uns tomates ou sei lá o que, pois nem sabia o som da minha própria voz em um microfone. Falei alô som para testar se estava saindo (risos) e cantei a primeira música e, o que me fez relaxar foi a sinergia do público que lotou a praça como previsto para uma abertura de carnaval popular. Na segunda música as mais de 5 mil pessoas me deixaram confortáveis com sua alegria e dança, lembro que choveu, mas as pessoas permaneceram até o fim. Foi histórico para todos nós e ali se iniciava um belo ciclo em minha vida musical.

18) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Dinho Brown: O que me deixa mais feliz é poder emocionar, passar uma mensagem, ilustrar momentos, além da benção que é criar e perceber que isso passa a fazer parte da história de outras pessoas. O que me deixa triste é que somos invisíveis para os órgãos públicos e entidades que tem por dever nos reconhecer e direcionar nos deixando solitários na nossa trajetória e privando o povo de seus ícones! Devido as dificuldades se torna necessário para o artista a necessidade de migrar e testar novos ares e atualmente moro em Porto Seguro – BA aonde existe a perspectiva de trabalho e a consciência de cultura como elemento fundamental para sobrevivência e apoio de alguns setores ligados a cultura e turismo.

19) RM: Nos apresente a cena musical na cidade que você mora?

Dinho Brown: Depois de rodar por vários estados do nosso país me encontrei em Porto Seguro – BA chegando na alta estação atuar na costa do descobrimento do Brasil e me mudei definitivamente a menos de um ano. Vejo muitos artistas tocando na noite, cantando músicas de sucessos no formato Voz e Violão e bandas. Temos bandas de Rock Power. Aqui quem se destaca o cabra arretado, Ney Goiaba com sua banda Try 2 Experience, Santiago Sol, Sergio Becker, Luciano Boa etc.

20) RM: Quais os músicos ou/e bandas que você recomenda ouvir?

Dinho Brown: Eu aconselho serem mais curiosas, pois temos uma infinidade de artistas, bandas e obras em vários seguimentos. Eu ouço de tudo, mas minha indicação com louvores, honra é o gênio Roberto Mendes, super indico o homem do Samba Chula do Recôncavo baiano que envolve uma cultura ancestral fabulosa!

21) RM: Você acredita que sua música tocará nas rádios sem o jabá?

Dinho Brown: A minha música já toca em várias rádios em parceria, por exemplo a web rádio “Música tá na pista”, Borg FM, Boca de Forno e outras webs rádios além das rádios Ilhéus FM, Rádio Arraial, Porto FM e outras rádios na região. Eu prefiro deixar fluir, e peço desculpas as rádios não lembrei de citar e agradeço a todas por acreditar no trabalho de cada artista independente. Sem jabá algumas rádios de grande audiência só fortalecem os artistas que já estão em evidencia e não fortalecem o artista local. É uma visão pequena, pois o artista renomado não faz parceria para os eventos locais, mas o filho da casa sempre está lá.

22) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Dinho Brown: Se não tiver mais retorno (risos), eu digo componha, tenha uma relação constante com estúdios, estude e se qualifique pela qualidade de sua música e ainda assim não será fácil.

23) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com o uso da maconha?

Dinho Brown: A cultura se faz por si mesma e tudo merece respeito, não tem como desvincular o reggae da cannabis. A maconha é usada nos rituais Rastafári que segue o Alcorão ou seja para falar com Jah. Não tem o que contestar, o baseado/maconha na boca de Bob Marley quem pode critica? Quem não gosta procure outra cultura ou não ouça Bob Marley. A questão é ser ilegal no Brasil e a discriminação de quem fuma e a falta de visão de alguns que não entende que o reggae não é apenas música, mas um modo de vida e uma cultura fomentada. Ressaltando que ninguém está mandando ninguém fumar maconha, mas que respeite a cultura como ela é!

24) RM: Como você analisa a relação que se faz do reggae com a religião Rastafári?

Dinho Brown: Religião é questão de escolha, o rastafarianismo tem como seu louvor o reggae, mas todos podem desfrutar.

25) RM: Você usa os cabelos dreadlock. Você é adepto a religião Rastafári?

Dinho Brown: Prefiro não me definir religiosamente, pois o Deus (Jah) único como o único já está em todas as religiões. Aonde quer que eu esteja e em minhas preces silenciosas Jah me ouve. Somos todos frutos do mesmo Deus a sua imagem. As religiões que deveriam ser o marco para criar uma unidade entre os seres criando o separatismo social. Você é Rasta ou Dread? (risos) e isso define caráter ou apartheid? Meus dreads significa que eu aceito as minhas origens e que me torno uma referência, sendo exemplo para outros irmãos e irmãs no contexto de que um preto de dread pode ser pai de família, trabalhador e honesto independente de qualquer coisa.

26) RM: Os adeptos a religião Rastafári afirmam que só eles fazem o reggae verdadeiro. Como você analisa essa afirmação?

Dinho Brown: É o mesmo pensamento que se ver por aí (risos), exemplo: o acarajé gospel é abençoado o do candomblé é amaldiçoado (risos). No Brasil é natural ouvir nos louvores evangélicos células rítmicas do candomblé, mas está lá por influência cultural e toca no terreiro e na música popular e quem pode dizer que não? Mas música pode ser daqui e de lá e mesmo que seja religiosa a música, ela tem a função primordial de unir as pessoas. Agora qualquer um pode classificar!

27) RM: Na sua opinião porque o reggae no Brasil não tem o mesmo prestigio que tem na Europa, nos EUA e no exterior em geral?

Dinho Brown: Eu creio que a barreira é a mesma para qualquer seguimento. No Brasil produzimos música de excelente qualidade, eu imagino que seja tudo uma questão do idioma, o mundo aceita o inglês.

28) RM: Quais os prós e contras de usar o Riddim como base instrumental?

Dinho Brown: A vantagem é ter acesso a um material de alta qualidade como base instrumental, em que eu posso colocar a minha ideologia e essência em forma de letra e melodia fazendo um diferencial com a minha propriedade a uma sonoridade que já existe. Contra é que além da questão dos direitos autorais da base instrumental, muitos não compreenderão a ideia Riddim e não inovam de forma radical.

29) RM: Você faz a sua letra em cima de um Riddim já conhecido usando uma linha melódica diferente?

Dinho Brown: Ainda não fiz, mas tenho vontade.

30) RM: Você acrescenta e exclui arranjos de um Riddim já conhecido?

Dinho Brown: Até agora não fiz.

31) RM: Quais os prós e contras de fazer show usando o formato Sound System (base instrumental sem voz)?

Dinho Brown: As vantagens do Sound System é a facilidade logística e técnica em que se concentra a base instrumental sob o controle do Dj e a qualidade da gravação de estúdio das músicas. A desvantagem é que se perde a humanização e as dinâmicas da execução musical da banda ao vivo.

32) RM: Você se apresenta com Banda?

Dinho Brown: Sim e com Sound System também. Mas prefiro me apresentar com banda.

33) RM: Qual a importância dos blocos afros para a cultura baiana e brasileira?

Dinho Brown: A contribuição dos blocos afros da Bahia traz o negro como elemento fundamental da cultura e o empoderamento ao povo mais discriminado nesse país. E põe o negro em evidência no meio musical. O batuque afro estar em quase todos os ritmos da música popular, porém é mais forte na Bahia. E no Axé music se fundiu com a marcha e o resultado já conhecemos nos trios elétricos nos carnavais no Brasil a fora.

34) RM: Qual a sua opinião sobre o axé music nos anos 80 e 90?

Dinho Brown: Digamos que essa foi a sua época de evidencia e construção. O Luiz Caldas batizou um movimento já existente na época e sem dúvida ele deu sua colaboração considerável, mas os criadores foram os blocos afros das primeiras células rítmicas com Neguinho do Samba do Olodum e Muzenza, daí a banda Reflexu´s começou a fazer com instrumentos harmônicos o repertório com músicas do Olodum, Ara Ketu, Muzenza e outros blocos afros sem falar do meu preferido que é o Ilê Aiyê.

35) RM: Na sua opinião quais os motivos que levaram ao samba reggae não se popularizar?

Dinho Brown: O pai do samba reggae é o Neguinho do Samba, o fundador e maestro do Olodum. E Olodum se destacou pelo mundo com artistas como Michael Jackson e o Paul Simon. A batida do samba reggae está em praticamente toda música do Axé music, exemplo o Chiclete com Banana é quase cem por cento samba reggae, portanto discordo que não seja popular.

36) RM: Qual a diferença do reggae na Bahia para o reggae em outras regiões do Brasil?

Dinho Brown: O reggae na Bahia tem uma influência mais forte das matrizes africanas. Fica evidente a força da percussão em que as linhas do candomblé estão presentes como vemos no álbum Kaya N’gan Daya do Gilberto Gil com ritmos do gueto, xote, capoeira etc. Em cada lugar vão ser influenciado pela cultura local, mas o reggae é o reggae em qualquer lugar.

37) RM: Qual a importância do Edson Gomes para o reggae nacional?

Dinho Brown: O Edson Gomes faz o reggae com a linguagem do povo, com seus clamores e ideologia sem elitizar sua música, por isso ele é a voz do gueto brasileiro. Ele vem com o povo. A sua importância fundamental é mostrar as coisas como são sem querer agradar a todos. Ele mostra o melhor da sua essência.

38) RM: Quais os seus projetos futuros?

Dinho Brown: Produzir minhas músicas sozinho e viajar em todas as vertentes musicais possíveis. Criar meu canal no youtube com toda essa diversidade musical que o pai me abençoou, propagando assim esse dom de chegar as pessoas.

39) RM: Dinho Brown, Quais os seus contatos para show e para os fãs?

Dinho Brown: (73) 99199 – 4039 e claudionascimentodbrown@gmail.com e https://www.facebook.com/dinho.brown.528

Canal LH RECORDS RECORDS: https://www.youtube.com/channel/UCb7J98ftugb1v5EJplxtPUg

Dinho Brown – “Tire suas conclusoes”: https://www.youtube.com/watch?v=QCg-Rx9nta4

Dinho Brown – “O corre é meu”: https://www.youtube.com/watch?v=54D2A-pm3ok

Dinho Brown – “Aprendeae Papa”: https://www.youtube.com/watch?v=8QfeS9mH36Y

Dinho Brown – “Viver o Agora”: https://www.youtube.com/watch?v=OCWevIB6ygg

Dinho Brown – “A minha Inocência”: https://www.youtube.com/watch?v=LTyWs1z1KIU

Dinho Brown – “Muito louco”: https://www.youtube.com/watch?v=cg7hDfHw534

Dinho Brown – “Estrelas” (REIZINHO): https://www.youtube.com/watch?v=1hqgnvOJ9fw&t=5s

Dinho Brown – CD “Reggae Music” [2016]: https://www.youtube.com/watch?v=BClPhg7IF9s

01 – Tire Suas Conclusões, 02 – Eu Decidi Parar, 03 – Nada Mudou, 04 – Muito Louco, 05 – O Brilho. 06 – Reggae Music, 07 – O Corre é Meu, 08 – Aprendeae Papa, 09 – Viver o Agora, [10 – A Minha Inocência, 11 – Nova Revolução, 12 – Estrelas (de Reizinho).


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

Publicado Por
Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa
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