Diana do Sertão

Diana do Sertão

Diana do Sertão nascida em Sousa, mais conhecida como “cidade do sorriso” no sertão da Paraíba. Ela carrega não só a essência de sua cidade, mas também o sangue, o amor e a garra do nordestino.

Iniciou sua carreira nos anos 70 na Orquestra Zimbo Carnavalesca, em que sua voz ecoava por todos os cantos dos bailes. A partir daí se consagrou em crooner de várias bandas, dentre ela, nos anos 80, “Os Tropicais de Monteiro” – banda de Flávio José – na qual ganhou por três anos consecutivos o título de melhor cantora carnavalesca de Aracaju – SE.

Durante sua permanência nos “Os Tropicais de Monteiro”, conheceu Luiz Gonzaga e dividiu o palco com o Rei do baião. Não perdeu tempo e seguiu os conselhos do “Rei” em ir encontrá-lo em São Paulo e continuar sua carreira musical.

Cantou por anos na “Rede Birosca” de Lilian Gonçalves e realizou vários shows em teatros da Música Popular Brasileira. Em 1987, participou de programas dos calouros no Clube do Bolinha da Rede Bandeirantes e do Silvio Santos, sendo premiada com o troféu de melhor cantora da noite Paulistana. A partir desta conquista, o apresentador Silvio Santos de forma visionária, a batizou com o nome artístico de “Diana do Sertão”.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Diana do Sertão para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 30.08.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a data de nascimento e cidade natal?

Diana do Sertão: Eu nasci em 14 de junho de 1963 em Sousa – PB. Registrada como Diana de Almeida Gertrudes.

02) RM: Conte como foi o primeiro contato com a música.

Diana do Sertão: Comecei cantar no programa de calouros Domingo Alegre para crianças.

03) RM: Qual a formação musical e acadêmica fora música?

Diana do Sertão: Musicalmente falando não tenho formação alguma, nunca frequentei uma escola, conservatório, professora particular de música. Os meus estudos era escutar as grandes cantoras do qual sou fã. Tenho o Ensino Médio completo e tentei vestibular, mas passei apenas para as Faculdades particulares no qual não tinha dinheiro para pagar as mensalidades.

04) RM: Quais as influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância?

Diana do Sertão: Do passando são: Elba Ramalho, Gal Costa, Elis Regina. No presente, rapaz! Eu me transporto para o Forró e mesmo sendo artistas do passado, mas que eu o conheci mesmo agora: Jackson do Pandeiro, Genival Lacerda. São referências musicais tão fortes que mesmo sendo do passado, estão presentes me ensinando cada vez mais. Eu estou começando no cenário musical do Forró, descobrir essas riquezas deles, me faz ter eles mais presentes cada vez mais.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Diana do Sertão: Em 1978, aos 15 anos de idade, tive o meu primeiro contato profissional, foi com a Orquestra Zimbo Carnavalesca. Foi um encontro emocionante e criei uma grande expectativa na minha carreira musical para seguir em frente como cantora. Estar ali, começando naquela orquestra me deu todo o apoio para seguir em frente. Nos anos 80 e 90 cantei em diversas bandas com destaque para “Os Tropicais de Monteiro”, a banda do cantor, sanfoneiro e compositor Flávio José. Em 1985 nos “Os Tropicais de Monteiro” tive a oportunidade em de conhecer e cantar com o Rei do Baião Luiz Gonzaga. A música dele “Forró número 1” era um sucesso na voz de Gal Costa. Ele me perguntou: “Ô menina, tu canta essa música em qual ton?”. Eu respondi: Eu canto de A a Z. Ele falou: “Ela é atrevida”. Foi uma forma de descontrair. Ele gostou quando cantei que pediu para eu cantar outras músicas no show dele. Ele elogiou meu talento em público e eu com 22 anos de idade resolvi alçar voos para São Paulo com o apoio moral de Flávio José. Em São Paulo conheci meu esposo João Francisco que era o primeiro baixista a tocar comigo.

Em 1997 me tornei evangélica e deixei a música secular e me dediquei a música gospel. Quando mudei de igreja em 2003, meu pastor achou um absurdo em eu parar com o trabalho que era meu ganhar pão. Em 2008 Bernadete de França me chamou para trabalhar como back vocal dela.

Em setembro de 2017 comecei a enveredada exclusivamente pelo Forró e em 25 de maio de 2019 retornei minha carreira solo na casa de show do Remelexo Brasil no bairro Pinheiros, São Paulo – SP. Deixei a condição de back vocal de Bernadete de França e seguindo uma nova etapa em minha carreira musical.

06) RM: Quantos discos lançados?

Diana do Sertão: Em 1997 me tornei evangélica e 2001 lancei um CD gospel – “Jesus me levantou”. Em 2020 lancei o meu single e clipe “Amar é bom demais”.

07) RM: Como você define o seu estilo musical dentro da cena do Forró?

Diana do Sertão: Eu sou eclética em termos de ritmo, eu canto: Samba, Forró, Arrasta-pé, Baião e Xote.

08) RM:  Como foi a sua aceitação pelo público nordestino?

Diana do Sertão: A maioria do público nordestino que já me conhecia, tomou conhecimento agora, pois moro no Sudeste e não tive a transmissão direta para o Nordeste. Mas depois do meu single/clipe e algumas live, tive o prazer de ter um carinho imenso dos meus conterrâneos. O público que já conhecia ficou surpreso por saber que eu agora trabalho exclusivamente como o Forró tradicional.

09) RM: Como você se define como cantora/intérprete?

Diana do Sertão: Eu passei por vários estilos, sou uma intérprete muito eclética. Eu cantava muita Música Popular Brasileira. Além das riquezas em que eu me propunha a cantar me fez uma grande intérprete por ter vivido também do Teatro, isso me deu um senso de interpretação incrível.

10) RM: Você estudou ou estuda técnica vocal?

Diana do Sertão: Nunca fiz aula de canto! Aprendi cantar nos palcos da vida.

11) RM: Qual a importância do estudo da técnica vocal para o cantor?

Diana do Sertão: Apesar de eu nunca ter feito, mas eu nunca subestimei quem estudou as técnicas vocais. A teoria e técnica são de grande valor para o artista.
Indicaria sempre para quem está começando ou quer aprimorar a fazer este tipo de estudo.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolvimento da carreira musical?

Diana do Sertão: Contratei uma produtora e ela cuida da minha carreira musical de maneira bem empreendedora e inovando sempre. A Matutando Produções que administra minha carreira.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento da carreira musical?

Diana do Sertão: Até agora só me ajudou a expandir minha carreira musical. Meu trabalho é visualizado com muita rapidez. O que é prejudicial é que é muito cansativo em ter que se comprometer sempre a ter conteúdo a ser postado. Mas mesmo com essa imposição da nova era de comunicação, a internet só tem me ajudado.

14) RM: Como você analisa o cenário do Forró? Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Diana do Sertão: Essa pergunta é muito difícil, pois eu fiquei 20 anos no mundo gospel. É como seu tivesse entrado em coma e voltado depois de 20 anos para uma cena musical que conheci a partir dos 20 anos de idade.

15) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (Home Studio)?

Diana do Sertão: A vantagem é que torna tudo muito rápido, a tecnologia vem link de rapidez e precisão. Mas a desvantagem que vejo é que a tecnologia hoje faz um cantor mediano gravar e a tecnologia o faz cantar afinado. Na minha época não tinha nada disso, ou era afinado ou desafinado.

16) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que vocês fazem efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Diana do Sertão: Eu acho que é criar conteúdo para se manter na mídia, lançar com coisas novas, pois ao mesmo tempo que você lança  com tempo recorde você também pode cair no esquecimento caso não faça com frequência.

17) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Diana do Sertão: Eu já passei por tudo citado na pergunta. Já passei por coisas que parece um filme de terror. Um dia estava em Catolé do Rocha – PB fazendo um baile e tinha uma intriga grande entre duas famílias da região. No dia do meu show, resolveram fazer justiça com as próprias mãos bem na hora do show. Aí tu já viu o pior terror que eu passei.

18) RM: O que deixa você mais feliz e mais triste na carreira musical?

Diana do Sertão: O que me deixa mais feliz é o carinho e reconhecimento do público. E o que me deixa triste, não só na música, mas na vida, é uma competição desleal. De pessoas que querem ganhar a todo custo em cima de princípios desleais.

19) RM: O que “Forró Universitário” acrescentou de diferente ao Forró Pé de Serra?

Diana do Sertão: A maneira de musicar, os estilos e a execução diferentes do regional, de atrair o público jovem a vivenciar o Forró. E a vida é assim né, uma constante evolução. E fez com que outro público voltasse a ter uma atenção quebrando o preconceito com o Forró.

20) RM: Hoje no Sudeste o que mudou na cena do “Forró universitário”?

Diana do Sertão: Eu não tenho muita essa visão do que mudou, pois eu não vivenciei essa chegada do “Forró Universitário”, mas hoje eu digo que graças a essas aparições nos deu um público jovem gostando tanto do “Universitário” quanto do Pé de Serra e suas pesquisas.

21) RM: Quais as casas de show no sudeste mantém espaço para Forró Tradicional e “Universitário”?

Diana do Sertão: Canto da Ema e Remelexo Brasil em no bairro de Pinheiros em São Paulo. Que eu sei bem, mas tinha o Forró do Icaraí em Santo André – SP. Mas pelo Sudeste tem diversas casas de Show aberta para o Forró.

22) RM: Quais as atitudes individuais que permitem manter uma banda por longos anos de carreira?

Diana do Sertão: Eu acho que é respeito mútuo com o trabalho um do outro, musicalmente falando e acreditar na força do coletivo.

23) RM: Você acha que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocariam nas rádios?

Diana do Sertão: Eu acho que sim, se a música estourar pelas redes sociais e ganhar bem o público, ela automaticamente ganha as rádios. Acredito isso!

24) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Diana do Sertão: Lógico que existe. O DOM nasce com a gente. Cabe cada um aprimorar esse Dom. É como se fosse uma sementinha, temos que rega-la.

25) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Diana do Sertão: Gente, é delicado isso aí viu! Aí Jesus, como é que eu vou responder isso aí. Os prós é que existe uma grande abertura para os novos talentos, para ser conhecido e até para fora do país. O contra: que eu vejo é talvez uma mesa julgadora que não seja capaz/competência de julgar os participantes.

26) RM: Festivais de Música revelam novos talentos?

Diana do Sertão: Com certeza!

27) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Diana do Sertão: Poderia ter mais diversidade musical, falta justiça. Eu acho que a música, como na maioria das coisas que a grande mídia divulga, parece que fica sempre na mesma coisa. E a música é muito maior que isso, eles não conseguem enfatizar todas as riquezas. Por isso eu sempre enfatizo a internet.

28) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Diana do Sertão: Eu acho de grande valia esses espaços. Eles valorizam diversas culturas, apesar de ainda não vivenciar isso.

29) RM: Quais os seus projetos futuros?

Diana do Sertão: A gente pretende gravar um EP com músicas inéditas e algumas pesquisas valiosas que já tenho em meus shows. Existem pretensões para shows no Nordeste, então estou me preparando e muito para esses momentos. Pretendo me doar ao máximo que possa expandir e levar o Forró para outros países e  gostaria de fazer parte desta grande seleção.

30) RM: Diana do Sertão, Quais seus contatos para show e para os fãs?

Diana do Sertão: [email protected] | (11) 3456-2329 | (11) 98780-5445 (Will Santos)

| https://web.facebook.com/diana.gertrudes.7

| Canal Diana do Sertão: https://www.youtube.com/channel/UChptHdr0hAPtaueBj6O6aqQ

| Diana do Sertão – Amar é bom demais (Clipe oficial): https://www.youtube.com/watch?v=do98TljZrZI

| Diana do Sertão – Minha História: https://www.youtube.com/watch?v=2nj6rsIxMc0


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.