Denis Ferreira

Denis Ferreira

O cantor, compositor, baterista, arranjador, percussionista, produtor musical carioca Denis Ferreira em seu currículo desde os 11 anos de idade possui uma extensa carreira na música e já trabalhou com artistas como: Alceu Valença, Moraes Moreira, Geraldo Azevedo, Zé Ramalho, Dominguinhos. Elba Ramalho, Lenine, Anastácia, Tania Alves, Edimilson do Pífano, Robertinho de Recife, Trio Nordestino, Dorgival Dantas entre muitos outros.

Artista da Sony Music / Columbia com a banda e o disco “Paratodos” em 2001. Poliglota falado e escrito de português, italiano, inglês e espanhol morou no Brasil, EUA, Itália e Espanha. É um dos artistas precursores do movimento de Forró chamado “Universitário” no final dos anos 90. E há 10 anos é o cantor do grupo Baião Brasil residente em Barcelona na Espanha como um dos mais constantes artistas promovendo e difundo a cultura brasileira e do Forró na Espanha e na Europa, com projeção em TVs, Rádios e grandes festivais em 2010.

Artista reconhecido por carta oficial da Embaixada Brasileira na Espanha pela contribuição e difusão da cultura brasileira e pela organização do Barcelona Forró Festival “Pisa Na Fulô”. Um dos mais tradicionais e emblemáticos da Europa em sua 7ª edição agendada para setembro de 2021.

Como cantor do Baião Brasil, como músico e promotor ativo da cena musical brasileira de Barcelona desde 2010, se apresenta em Festivais em Barcelona e na Europa em países como Rússia, Reino Unido, França, Portugal, Suíça, Alemanha, Áustria, Irlanda entre outros.

Atualmente também trabalha como produtor musical e áudio visual oferecendo esse serviço para outros artistas em seu estúdio de gravação no centro histórico de Barcelona na Espanha.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Denis Ferreira para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 02.08.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Denis Ferreira:  Nasci no dia 05 de maio 1975 no Rio de Janeiro – RJ. Fui registrado como Denis Sendim Ferreira. 

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Denis Ferreira:  Meu primeiro contato com a música foi em casa no Rio de Janeiro quase no berço e sozinho. Aos 5 anos de idade já transformava a sala de casa em palco e nas reuniões familiares apagavam as luzes, meu pai disparava o playback da música “Sandra Rosa Madalena” do Sidney Magal, minha mãe preparava o pente que eu usava como microfone.

Então lá saia eu do meu camarim com um figurino impecável para mais uma apresentação com coreografia, canto e uma plateia incrível com direito a aplausos e bis no final. Já o meu primeiro contato com um instrumento foi aos 11 anos de idade vivendo em Brasília – DF quando meu pai presenteou um Violão para meu irmão menor e para mim uma Bateria.

Em 1986 para a alegria de toda a vizinhança, meu pai com o apoio de minha mãe transformaram a garagem de casa em uma pequena discoteca com cabine de DJ que era o meu pai e um palco em que eu fazia os shows tocando com a minha primeira banda chamada “Legítima Defesa” com músicas e arranjos autorais do Rock brasiliense da época.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Denis Ferreira:  Minha formação de base foi como baterista estudando com professor particular dos 11 as 14 anos de idade em Brasília – DF, dos 15 aos 17 anos como baterista titular da Miami High School Jazz Band na Flórida / USA, aos 18 anos no Rio de Janeiro – RJ estudei com os bateristas André Tandetas e concluindo a minha formação como baterista me especializei nos ritmos nordestinos com o grande amigo, mestre e professor o pernambucano Cássio Cunha da banda do Alceu Valença. Já no final dos anos 90 o Forró acontece no Sudeste e em minha vida quando como que da noite para o dia me tornei zabumbeiro e cantor tendo praticado fonoaudiologia por 1 ano na Universidade Estácio de Sá RJ. Aos 22 anos estudei Técnica de gravação de Música no Rio de Janeiro com professor Peninha e aos 24 me tornei Produtor Musical trabalhando e estudando por 2 anos com o grande amigo, professor e mentor Robertinho de Recife.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Denis Ferreira: Lembro-me bem o meu primeiro vinil presente de aniversário de minha mãe era o disco do Kiss, “Creatures of the night” e aos 9 anos eu adorava escutar aquele som na sala e nas alturas. Meu pai sempre tinha muita música e nós escutávamos desde Emílio Santiago passando por Joice Moreno até Elton John em uma tarde. Até os 18 anos idade foi muito Rock ou o antigo heavy metal como Legião Urbana, Capital Inicial, RPM, Iron Maiden, Rush, Led Zeppelin, Hendrix entre outros. Já com a chegada da maturidade então meus horizontes se abriram e passei a escutar de tudo desde Alceu Valença a George Clinton, Bob Marley a Stevie Wonder, Luiz Gonzaga a Lenine, Soweto a Chico Science, New Order a Astrix, Djavan a 2 Pac, Oumou Sangaré a Manu Chao, Ofra Haza a Novos Baianos  e muitas mais referências. Talvez hoje eu escute menos rock, mas pra mim as suas influências serão sempre importantes e presentes sendo assim também com todas as minhas influências musicais.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Denis Ferreira: Aos 15 anos de idade comecei como baterista na Miami High School Jazz Band na Flórida nos Estados Unidos apesar de eu ser um adolescente a responsabilidade de ser o titular da Latin Jazz band da Escola fez com que o profissionalismo tivesse que ser colocado em prática.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Denis Ferreira: Em 1998 lancei o CD – “Barracão do Forró” com da gravadora MZA com a banda “Paratodos”. Em 2001 lancei o CD – “Paratodos” pela gravadora Sony Music Brasil, no gênero forró com canções conhecidas: “Alucinado” e “Xote Coladinho”. Em 2005 lancei o CD – “Fusina Bar Compilation” da gravadora Sony Áustria – produzido em VenezaItália – eletrônica house. Em 2011 lancei o CD lancei pelas nas Plataformas digitais, “Forró Music” com a banda Baião Brasil, produção independente, Barcelona – Espanha, Gênero Forró. Canção feita em xote “Morena Mia” do Artista espanhol Miguel Bosè com letra em espanhol.

Em 2020 – Maio – lancei pelas Plataformas digitais, com a banda Baião Brasil, o single “Oração de São Francisco” da gravadora Pisa na Fulô produzido em Barcelona – Espanha. Em 2020 – Junho – lancei pelas Plataformas digitais, com a banda Baião Brasil, o single  “Berimbau” da gravadora Pisa na Fulô, produzido em Barcelona – Espanha e Belo Horizonte Brasil. Desde o mês de maio devido a pandemia do novo corona vírus que se instalou no planeta estamos trabalhando com o objetivo de lançar nas plataformas um single com videoclipe por mês sempre com novidades e participações especiais como o sanfoneiro Fabiano Santana nos singles de Maio e Junho. Vem aí o lançamento do mês de Julho.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Denis Ferreira: Atualmente sendo também produtor musical tenho uma mente mais experimentadora e um estilo mais eclético. E como cantor e zabumbeiro que sou a mais de 20 anos, o Forró e a música brasileira de raiz em geral são os fortes também da minha banda Baião Brasil.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Denis Ferreira: Comecei a cantar profissionalmente de um dia para o outro e apesar de já ter alguma intimidade com o microfone não estudei técnica vocal. No início fazendo shows seguidos e viajando com a banda de forró “Paratodos”, fiquei completamente sem voz no terceiro dia e tivemos que fazer o show com baixista cantando. Foi quando descobri a fonoaudiologia que por um ano estudei a técnica na Universidade Estácio de Sá e que foi o que realmente me preparou como cantor. Atualmente com a internet temos acesso aos melhores cursos e professores do planeta com apenas um clic e também é uma ótima forma de manutenção da técnica e de se manter atualizado.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Denis Ferreira: Eu acho importante o estudo da técnica vocal e mais importante é a manutenção da qualidade da voz a longo prazo, pois o ideal é manter o seu timbre vocal saudável durante todas as fazes da carreira musical.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Denis Ferreira: Nossa são muitos e de todos os gêneros, cores e continentes. Passaria uma tarde inteira para citar todos e não me arrepender de esquecer algum nome. Poderia começar com nomes que vão de: Luiz Gonzaga a Chico Science, Lenine a Renato Russo, Elis Regina a Oumou Sangaré, Alceu Valença a Bob Marley, Stevie Wonder a Jamiroquai, Sting e por aí seguiria pois realmente são muitos.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Denis Ferreira: Pode ser no meu estúdio de uma forma mais estruturada e preparada com bases e loops como também podem acontecer na rua, em um momento do dia. Alguma situação inusitada acontece e de repente surge uma ideia e assim nasce mais uma canção ou versão inédita.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Denis Ferreira: A maioria de parceiros estão no Brasil e eu moro na Europa há 16 anos e atualmente colaboramos virtualmente. Tem o Leo Fernandes, Julio Moura e o Edu Krieguer no Brasil. O Ítalo Caramurú e o Fabiano Santana na Alemanha entre outros.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Denis Ferreira: A música “Xote Coladinho” foi gravada em CD pelo trio “Filhos do Nordeste” e pelo grupo “Falamansa” em linda versão ao vivo, porém não publicada ou distribuída.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Denis Ferreira: Os prós de administrar uma carreira independente é o fato de exigir do artista um amplo conhecimento em outras áreas desde a fotografia a criação de um roteiro para um videoclipe. Da edição áudio visual a mixagem, da organização de eventos as redes sociais entre muitos outros campos necessários para que além de aspectos positivos sejam também funcionais ao longo da carreira. Já relacionando os contras é que na maioria das vezes o próprio artista é a única pessoa responsável por executar e realizar em todas as áreas e funções citadas acima. Esse fato faz com que se dedique menos tempo em seu fazer artístico e de criação tendo que atuar simultaneamente em outras áreas que nem sempre tem o conhecimento de certas funções e muitas vezes aprende errando e acertando. 

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Denis Ferreira: Dentro do palco o foco é o show, a dança e que o público possa cantar junto. Vai desde a seleção de repertório a organização interna com a equipe e músicos além de uma boa prova de som e o mais importante que nunca falte água no palco para os músicos durante uma apresentação.

Já fora do palco e na parte administrativa o artista independente tem que cuidar de toda a publicidade, manutenção de redes sociais, promoção, vendas, geração de conteúdo entre outras funções. Seguindo as funções fora do palco está toda a área de produção, gravação, mixagem, masterização, filmagem, edição áudio e vídeo. Assim como os lançamentos e gestão de direitos, distribuição dos álbuns ou singles nas plataformas digitais. Atualmente estamos seguindo com a meta de lançar uma canção por mês incluindo videoclipe.

Devido a pandemia do novo corona vírus o cenário tem se direcionado para concertos online e Lives que pode ser mais difícil a rentabilização no caso da maioria dos artistas independentes. Além do fato de que para se fazer uma boa live e competir com a quantidade de lives e com a qualidade profissional o artista independente terá que dispor de todos os recursos necessários para sua realização.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Denis Ferreira: É constante e diária desde organizar um dos Festivais de Forró mais importante da Europa o Barcelona Forró Festival “Pisa Na Fulô” que reúne forrozeiros de todas as partes do mundo durante cinco dias em frente à praia no verão do mediterrâneo (junho a setembro). Devido a pandemia do novo corona vírus já está reconfigurado e remarcado para os dias 2, 3, 4, 5 e 6 de Setembro de 2021 na praia da Barceloneta em Barcelona na Espanha. Toda a parte de imagens, fotografia, geração de conteúdo, gravação e post produção em geral são feitas no meu studio em Barcelona. O que cria uma demanda constante. O artista precisa dispor não só dos recursos físicos como studio, instrumentos, acústica, hardware, software, mas também de todo o conhecimento para realizar todas essas tarefas.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Denis Ferreira: A internet é a principal ferramenta de um artista independente para a sua música chegar para todos no planeta. O futuro está no streaming e a internet ajudará cada vez mais os artistas comuns a terem mais visibilidade e gerarem receita. Talvez o lado negativo seja o largo tempo, o estudo e o conhecimento investidos para realizar o necessário e atingir resultados ou receitas satisfatórias. Na situação de pandemia do novo corona vírus, eu pergunto a vocês: O que seria de nós sem a internet nesse momento?

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Denis Ferreira: O home estúdio é o futuro e as vantagens são infinitas, principalmente para quem não tem dinheiro para gastar com horas e mais horas de studio. Além da fluência e a constância do trabalho não dependerem da falta de verba no caso da realização e finalização de projetos independentes. Já a desvantagem é que em geral o artista só entende o básico em assunto de gravação e logo coloca na rede ou nas plataformas suas produções que muitas vezes são boas, mas que por uma má mixagem ou masterização podem arruinar o trabalho. Esse fato se feito uma vez pode até sair simpático, mas sempre não acho atraente. Acredito em que existe gosto para tudo, porém o conhecimento técnico pode ser o diferencial para o resultado negativo ou positivo em uma produção feita em qualquer home studio.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Denis Ferreira: Vai de cada um e dependendo do nicho. Todo o conhecimento acumulado do artista e sua bagagem musical junto a forma na qual toda essa experiência for aplicada e inserida no seu conteúdo musical e cotidiano profissional, naturalmente o eleva a um nível diferenciado. 

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Denis Ferreira: Sou forrozeiro a mais de 20 anos e atualmente sigo participando do processo de propagação do Forró no mundo, vivendo na Europa a mais de 15 anos. E fui um dos pioneiros no movimento jovem de bandas de Forró no Sudeste (Forró Universitário) tendo sido integrante na primeira formação do grupo “Forróçacana” no Rio de Janeiro em seguida fundei o grupo “Paratodos” que gravou o CD – “Paratodos” lançado pela Sony Music em 2001 e produzido pelo Robertinho de Recife. Fui baterista do Trio Nordestino durante um ano e fiz a coprodução do CD – Baú do Trio Nordestino com participações de Fagner, Elba Ramalho, Dominguinhos, Lenine, Alceu Valença. Trouxe pela primeira vez na História a Rainha do Forró Anastácia para a Europa no Barcelona Forró Festival “Pisa Na Fulô”. Diante dessa minha vivência e minha analise em relação as revelações e quem seriam. Eu prefiro ressaltar o gênero Forró Pé de Serra e toda a música de raiz mundial como os grandes protagonistas nos últimos 20 anos. Sendo que todas as outras tendências musicais comerciais seguem mudando de roupagem ou sonoridade a cada cinco anos para se manterem. Geralmente tem um prazo de validade curto comparados a durabilidade das músicas de raiz igual ao Forró Pé de Serra.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Denis Ferreira: Todos os grandes artistas com quem eu trabalhei foram e continuam sendo grades exemplos e seriam muitos para citar. Entre eles estão Alceu Valença, Zé Ramalho, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Dorgival Dantas, Robertinho de Recife, Moraes Moreira, Anastácia, Paulinho Boca de Cantor, Tania Alves, Lenine, Edimilson do Pífano entre outros.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical?

Denis Ferreira: São muitas situações inusitadas, daria pra escrever um livro. Em 1996 tocando bateria na banda “Overblues” no Teatro Municipal de Niterói no Rio de janeiro o banco escorregou e cai de cima do praticável de bateria no meio do show, mas consegui fazer uma retomada rápida. O espetáculo seguiu até o fim e eu tive muita sorte de não ter me machucado. Até hoje foi a única vez que caí tocando bateria no meio de uma apresentação.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Denis Ferreira: A felicidade está na música e a falta dela é o que me deixaria mais triste.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Denis Ferreira: Considero-me um privilegiado por ter feito e continuar fazendo parte desse movimento do “Forró Universitário” tão importante desde o início. Acho que trouxe muita renovação e atualização para o gênero principalmente na evolução da dança, e toda essa combinação fez com que o Forró atualmente tenha Festivais, bailes, público, audiência e visibilidade em crescimento no mundo inteiro.

25) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamou sua atenção?

Denis Ferreira: Gostaria de iniciar essa resposta ressaltando a grande importância dos tradicionais Trios como Trio Forrozão na antiga Feira de São Cristóvão no Rio de Janeiro, o Trio Virgulino no Projeto Equilíbrio em São Paulo ou em Itaúnas – ES,  que já atuavam no sudeste e que foram a base do aprendizado e formação da nova geração do então chamada “Forró Universitário”. Sem dúvida e por sorte eu participei do “Forróçacana” na primeira formação e sempre fui muito fã, logo fundei o “Paratodos” que tem um disco produzido por Robertinho de Recife e a banda foi referencia nos bailes do Sudeste. Desde essa época já tocávamos nas casas de Forró de São Paulo como o extinto KVA e tínhamos muita amizade e convivência profissional com os grupos que surgiam por lá como Falamansa, Bicho de Pé, Miltinho Edilberto, entre muitos outros que admiro e sempre chamaram a minha atenção.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Denis Ferreira: Na minha experiência tem duas maneiras da sua música tocar no Rádio. A primeira pagando (jabá) para tocar, seja através de patrocínios ou através de uma gravadora que tenha parceria com as rádios. A outra forma é a que o público da rádio peça que toque uma música que já sucesso e tendo muita audiência fora dos programas de rádio. O que é menos provável, mas não é impossível de acontecer. A parte dessas duas formas, hoje em dia existem muitas rádios alternativas e web e outros meios para difundir uma música sem pagar o dito Jabá.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Denis Ferreira: Digo que comece o mais cedo possível e que estude muito durante muitos anos, pois o resto virá naturalmente e você terá o êxito como resultado.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Denis Ferreira: Participando de Festivais de música o artista tende a sair sempre beneficiado mesmo quando não seja premiado. Na maioria das vezes esses eventos cumprem um papel muito importante promovendo a renovação e união na cena musical. No caso do Forró, eu poderia citar o FENFIT – FESTIVAL NACIONAL FORRÓ DE ITAÚNAS – ES como um excelente exemplo.  Já os contras talvez seriam que nem sempre os Festivais de Música oferecem uma estrutura adequada como despesas de translado, alimentação, hospedagem, entre outras. Sendo o próprio artista a custear a sua participação incluindo taxas de inscrição e logísticas. Sendo assim no caso de não ter um bom resultado, poderia resultar em uma experiência frustrante e desestimulante.

29) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Denis Ferreira: Sem dúvida o Festival de Música é uma forma de estimular e revelar novos talentos. Deveriam haver mais festivais desde os Saraus na escola até grandes Festivais patrocinados por grandes entidades como Bancos, Marcas, Prefeituras, Embaixadas entre outras.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Denis Ferreira: Poderia ser muito melhor, pois vivendo a 16 anos fora do Brasil vejo como a música de qualidade tende a chegar menos ao público ao Europa, pois a música comercial acaba sendo mais mostrada pela grande mídia. Até hoje para a grande maioria no exterior, no Brasil só existe carnaval e futebol. E aonde artistas comerciais e de tendências se tornam mais conhecidos e valorizados que outros com mais conteúdo e qualidade musical.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Denis Ferreira: É de extrema importância que cada vez mais instituições como estas criem espaços voltados a música e aos artistas emergentes. Vivendo na Europa há 16 anos, uma experiência positiva com a minha atual banda Baião Brasil foi participar na Obra Social do Banco Catalão La Caixa em um projeto chamado Diversons que selecionou quatro artistas entre mais de 600 propostas de todo o país para fazerem uma tour durante um ano levando sua música no meu caso o Forró. Foram concertos em grandes festivais e por todas as regiões da Espanha e em mais de 35 cidades incluindo e as Ilhas Canárias e Baleares. Um marco histórico para o Forró na Europa e graças a este tipo de espaços abertos representou uma grande alavanca na evolução do grupo e este ano cumprimos 10 anos do Baião Brasil.

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Denis Ferreira: O chamado “Forró das antigas” seria a origem de tudo além de sua música um dos pilares da evolução da dança de salão do Brasil. Essa origem possui uma obra gigantesca produzida nos últimos 100 anos até os dias de hoje é cada vez mais apreciada e praticada em várias partes do planeta. Essa obra é autêntica tanto em sonoridade como em conceito artístico com um conteúdo musical de raiz, poético, melódico, harmônico e rítmico que é a verdadeira fonte de tudo e que também é chamado de Forró Pé de Serra.

Já o derivado do gênero chamado de “Forró Estilizado” tem uma conotação totalmente diferente, seja nos aspectos musicais ou poéticos. Por isso, o termo “Estilizado”, pois os conceitos são alterados criando-se um novo estilo, tanto em sonoridade quanto ao conteúdo das letras. No quesito musical a maior parte considero repetitivo, pasteurizado e limitado. No quesito dos textos, considero o conteúdo fraco e muitas vezes vulgar e não colocaria para os meus filhos escutarem.

Por outro lado, acho que o importante é ressaltar e valorizar a tremenda qualidade musical e profissional dos músicos e equipes técnicas que atuam nesse cenário. Acredito que a opinião que realmente vale como referência é a do público em geral e gosto musical é de cada um.

33) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical na Europa?

Denis Ferreira: Hoje em dia vejo um mercado musical mais globalizado e é possível colaborar e interagir simultaneamente em todas as partes do planeta. No meu caso fazendo Forró na Europa e vivendo na Espanha a mais de 10 anos, estamos constantemente colaborando em gravações, produções, realizações de videoclipes, Festivais de Forró entre outras atividades culturais em direta relação com o Brasil seus profissionais e Artistas.

Talvez a peculiaridade que temos na Europa, seja o fato de que no Brasil tanto a oferta quanto a demanda de mão de obra especializada, profissional e de qualidade entre músicos, produtores e outros, sejam abundantes e já na Europa sejam mais escassos. Mas falo em um plano local, pois é fato que distribuídos pela Europa residem muitos Artistas e profissionais do gênero de altíssima qualidade.

É positivo o grande trabalho desenvolvido pelos profissionais da dança do Forró na Europa e que conseguiu criar no gênero um formato inovador e dinâmico para a cena de Festivais de Forró pelo mundo. A mais de 10 anos faço a difusão do Forró pelo mundo e junto com todas as outras comunidades Forrozeiras, estamos desenvolvendo um lindo trabalho promovendo o crescimento do Forró Pé de Serra e da cultura da dança brasileira fora do Brasil.

E tudo isso vem sendo feito de forma independente e sem nenhum patrocínio ou apoio de empresas ou entidades governamentais responsáveis pela Cultura no Brasil que deveriam dar mais apoio, incentivos, patrocineis, editais, obras sociais entre outros ações direcionados para os autênticos representantes, promotores e artistas da música brasileira fora do País.

34) RM: Quais os seus projetos futuros?

Denis Ferreira: O meu trabalho é feito no momento presente, mas projetado para o futuro, seja como organizador de um dos Festivais de Forró mais tradicionais e emblemáticos da Europa o Festival Pisa Na Fulô em Barcelona. E simultaneamente como artista/diretor na banda Baião Brasil e como produtor musical de vários gêneros e Artistas em meu studio. Faz com que a demanda seja constante e diária devido a todo o trabalho de pré-produção, agendas, lançamentos, organização e etc.

Devido a situação de pandemia do novo corona vírus que o mundo se encontra no momento e como todos os demais, estamos nos adaptando e reconfigurando alguns projetos como é o caso do Festiva de Forró Pisa Na Fulô em Barcelona que está reconfirmado para 2021 de 2 a 6 de setembro. A partir de maio de 2020 com a banda Baião Brasil começamos lançar uma música inédita com videoclipe por mês em todas as plataformas digitais e em nossa página no Facebook, Instagram e Youtube.

35) RM: Denis Ferreira, Quais seus contatos para show e para os fãs?

Denis Ferreira: +34 612427259 (WhatsApp) |  www.pisanafulo.es | [email protected]https://www.facebook.com/denis.ferreira 

| https://www.facebook.com/baiaobrasil/ 

|https://www.instagram.com/denisbaiaobrasil/@denisbaiaobrasil 

|https://open.spotify.com/artist/5KDOPzGftgydALbf0C4UO3?si=HlnCaqGMR86rftk2G 0rs3w

 | https://www.youtube.com/channel/UCHUT4vHUk7AMc1pckSsg1uw

| Oração de São Francisco Official Music Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=4c4HgR8Tb78

 BERIMBAU Official Music Vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=3M0Wan4LIjo

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.