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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Delia Fischer


A compositora, cantora, pianista e diretora musical carioca Delia Fischer, ocupa uma posição muito particular na música brasileira e internacional com suas recentes indicações ao Grammy Latino de Melhor Álbum da MPB em 2019 e 2021 por seu álbum “Tempo Mínimo”, que também foi selecionado pela revista norte-americana Downbeat, que lhe deu 5 estrelas e o elegeu um dos melhores álbuns de 2019, e H.O.J.E, de 2021, em que regravou compositores ícones da MPB, Beatles e Björk, e contou com a colaboração de Ney Matogrosso.

No pandêmico 2020 esteve presente semanalmente em apresentações “live” em que explorou seu repertório autoral além de temas que compuseram seu universo afetivo e de influências artísticas. Aproveitando o cancelamento de sua segunda turnê europeia, que previa datas na Alemanha, Áustria e Holanda, mergulhou em novos projetos musicais. Lançou online em agosto de 2020 o EP – “Entre Amigos” featuring estrelas da MPB: Ana Carolina, Paulinho Moska, Ed Motta, Pretinho da Serrinha, Hermeto Pascoal, além da sueca Lisa Nilsson. Lançou como participação especial dois singles nas plataformas digitais: em agosto ‘Nada Será Como Antes’ com Ricardo Bacelar e em outubro a autoral ‘Samba Sem Verão’ com Marcio Nucci. Em janeiro de 2021 lançou “O Amor é o Meu País” e em abril ‘Blues de Acabar’ featuring Ney Matogrosso. Em maio lançou seu novo álbum “Hoje”, em que mergulhou em sua faceta de intérprete cantando e tocando joias da MPB, além de duas faixas autorais. Gravado inteiramente durante a pandemia, é um registro íntimo de voz e piano.

A sua trajetória foi iniciada em 1988 com o premiado Duo Fenix formado com Claudio Dauelsberg. O duo lançou dois álbuns com repercussão no Brasil e exterior, Duo Fenix (1988- BMG) e Karai – etê, featuring Bireli Lagrene (1990 – In and Out Records – Alemanha), logo estabelecendo para Delia a reputação como grande instrumentista no mundo do jazz brasileiro. Participou de festivais como ‘Montreux Jazz’ – em 1988 com Barrosinho e em 1989 com o Duo Fenix, com o qual esteve no ‘Sofia Jazz Festival’, na Bulgária e no badalado ‘New Morning’, em Paris. Com o fim do duo Delia trilhou vários dos caminhos na música instrumental brasileira nas décadas de 1990 e 2000, tendo gravado e trabalhado com os maiores nomes e nos mais prestigiosos palcos.

Foi pianista integrante das bandas de Ed Motta e Toninho Horta, e formou um duo com o saxofonista Nivaldo Ornellas. Nesse mesmo período atuou e gravou com Nico Assumpção, Romero Lubambo, Bob Baldwin (EUA), Thiago de Mello (EUA) entre outros. Entre 2005 e 2006, atuou na Escandinávia nas turnês ‘Hotel Vermont’ da cantora sueca Lisa Nilsson e também no CD ‘Casa da Praia’ do grupo ‘Avenida Atlântica’, em que participou como cantora e compositora ao lado de Maria Petersen, e apresentaram-se em renomados festivais como o ‘Copenhagen Jazz Festival’. Ao final daquela década iniciou nova trajetória e acumulou talentos em projetos como cantora e intérprete de suas próprias composições, além de um vasto trabalho como arranjadora e diretora musical dos principais musicais em cartaz no eixo Rio – São Paulo, todos laureados por prêmios importantes do teatro musical brasileiro da atualidade.

Na sua carreira solo, o álbum Presente (2010 – Dubas) revelou o seu viés como cantora em composições autorais. Nele, contou com as participações estelares de Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, Ana Carolina, e com as parcerias com Thiago Picchi, Sergio Natureza, Camila Costa. Anterior a este, o instrumental Antonio (1999-Carmo/ECM-Alemanha) iniciou a etapa solo, com elegantes arranjos e participações de virtuosos da cena instrumental brasileira. Seguiu com Saudações, Egberto (2011 – Rob Digital – Brasil), relançado em 2016 (Tuff Beats – Japão), projeto resultante do Prêmio Sesc Rio de Fomento à Cultura. Para este álbum Delia encomendou letras exclusivas para temas icônicos de Egberto como Lôro, que se tornou Cor de Sol, por Eugenio Dale e Pêndulo (Um Outro Olhar) que ganhou letra de Ronaldo Bastos e conta com a participação vocal de Paulinho Moska.

Em 2017 a sua música Tempo de Amar, composta sobre poema de Carlos Drummond de Andrade em recriação de Ronaldo Bastos, foi sucesso como tema da novela homônima da TV Globo, gravada pela icônica voz de Milton Nascimento. Fez novos arranjos e a direção musical para o show ‘Simone Canta Ivan Lins’, turnê nacional 2018 dos dois ícones da MPB. No mesmo ano, venceu com a música Mercado, nas categorias ‘Latin Song’ e ‘Vox Pop’, o 16º Independent Music Award, em Nova Iorque, o que fez seu nome ressoar em novos mercados e ambientes da cena musical.

Como diretora musical, acumulou espetáculos como ‘7 – O Musical’ de Ed Motta, Claudio Botelho e Charles Möeller, a partir de 2007 e uma sequência de atividades nesse terreno das artes cênicas. Em 2009, apresentou-se na ‘Maison de La Dance’ (Lyon – França) com o espetáculo ‘Beatles num Céu de Diamantes’, de Botelho e Möeller, que teve longa carreira no Rio e em SP e lhe rendeu o seu primeiro prêmio Shell na categoria musical, por arranjos em parceria com Jules Vandstadt. Em 2010, assinou a direção musical do espetáculo Era no Tempo do Rei com composições de Carlos Lyra e Aldir Blanc e direção de João Fonseca. Também integrou elencos como atriz, além de fazer a direção musical, em ‘Milton Nascimento – Nada será como antes, de 2012. Em 2013 fez os arranjos e direção musical do show ‘Tributo a Raul Seixas’ no Rock in Rio, com a banda Detonautas e participação de Zelia Duncan e Zeca Baleiro. Foi também diretora musical de grandes espetáculos como Elis, a Musical (Rio – 2013, São Paulo – 2014 e novamente no Rio – 2019), Chacrinha, o musical (2014 e 2015), Garota de Ipanema, o Musical da Bossa Nova (2016) e Grandes Parcerias da MPB (2019).

Em 2019 lançou seu premiado álbum ‘Tempo Mínimo’, exibindo nele seus amplos talentos de musicista, acumulados em 3 décadas de carreira. Letras e músicas de estética contemporânea, arranjos de ampla gama sonora com elementos eletrônicos e orquestrais com naipes de cordas (pela Filarmônica de São Petersburgo) e sopros, parcerias com Carlos Careqa e Camila Costa, e a colaboração de artistas muito especiais como Marcos Valle, Ed Motta e Pretinho da Serrinha. Para promover ‘Tempo Mínimo’ fez sua primeira turnê europeia cumprindo 11 datas, culminando com os shows no prestigioso MIMO Festival, em Amarante, Portugal, e no histórico clube Jazzkeller, em Frankfurt, na Alemanha. Esteve ainda em Las Vegas para acompanhar a premiação do Grammy Latino 2019, cumpriu uma extensa agenda de promoção de seu álbum nos EUA, esteve no painel ‘O Valor das Mulheres no Mercado de Trabalho’, no evento Music Trends Brasil, no Rio de Janeiro. Em Brasília se apresentou em show solo e foi uma das vencedoras do Prêmio Profissionais da Música 2019 como Melhor Arranjadora. Em 2020 tinha programada a segunda turnê europeia com 12 datas, cancelada devido à pandemia. Dedicou-se então a novas colaborações e às lives online que deram origem a seu mais novo álbum H.O.J.E. (Labidad Music), lançado online em maio de 2021, com interpretações de sucessos de Taiguara, Flavio Venturini, Guilherme Arantes, Ivan Lins, Björk, Lennon e McCartney, e com as participações especiais de Ney Matogrosso e Matias Correa.

Novos projetos incluem os lançamentos de quatro singles em inglês, francês, espanhol e italiano entre setembro e novembro de 2021, além de remixes e um novo álbum para o mercado internacional com participações muito especiais de convidados norte-americanos e europeus.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Delia Fischer para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 18.03.2022: 

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Delia Fischer: Nasci no dia 29 de agosto de 1964 no Rio de Janeiro. Passei minha infância entre os bairros Laranjeiras e Copacabana.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Delia Fischer: A música veio pelo corpo, fui uma menina super ligada em dança e movimento, mas também fui descobrindo os sons por minha conta de ouvido. Toquei Flauta e comecei a descobrir acordes no Violão e Piano. Aos 12 anos de idade (1976) me aproximei do Rock convivendo de perto com uma banda de São Paulo que estava tocando num Cruzeiro que fiz com a minha mãe. Estávamos indo até o Norte do Brasil conhecer a Amazônia, Manaus e Belém. Durante as apresentações noturnas da banda eu os seguia e não perdia nenhum momento do show.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Delia Fischer: Desde muito cedo sabia que a arte era a minha vida, nunca passou pela minha cabeça fazer outra coisa. Então cursei por um tempo Composição na universidade UNIRIO e depois Piano. Fora isso sempre me interessei por psicanálise, mas li e pesquisei por minha conta própria.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Delia Fischer: O que me impulsionou para a música de forma avassaladora foi o contato com o Rock, daí veio o progressivo, depois os Novos Baianos, isso catapultou em mim o desejo de enfim “descobrir o Brasil” mergulhei na obra de Gilberto Gil, Caetano Veloso, A Cor do Som, Alceu Valença, Elis Regina, Hermeto Pascoal e Egberto Gismonti. Nos idos dos anos 2000 me apaixonei pela Bjork e Radiohead. Atualmente estou imersa na música Indiana, onde todos os conceitos que tive a vida inteira são outros e isso muda completamente o sentido de se fazer música. Embora eu sempre tenha tratado o som com devoção, vejo na música Indiana esse caminho em cada nota e a cada emissão existe a intenção de conexão com um sentimento muito profundo e devocional. Tudo que ouvi faz parte de mim, então nada deixou de ter importância, mesmo que não ouça mais, é como se já fizesse parte dos meus sistemas inteiros, tudo isso é parte da minha vida e é para sempre.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Delia Fischer: Impulsionada pela minha mão que sabia do meu desejo de ser profissional, estudo “a sério” mesmo sendo roqueira, fui cursar Piano Clássico, cantei em coral, estudei Harmonia, análise percepção, enfim me preparei para ingressar na Faculdade. E gostava de estudar, aliás ainda gosto, mas foi meu primo Gustavo Ottoni, que é ator que me chamou para compor e criar música para teatro, eram peças universitárias, mas pude experimentar compor profissionalmente. Depois disso veio o Duo Fenix (eu tinha 21 anos) com o Claudio Dauelsberg e pude além de compor arranjar, tocar muitas das minhas músicas, ainda me apresentar publicamente. Nós gravamos dois discos e rodamos o Brasil e Europa, foi uma experiência transformadora.

06) RM: Quantos CDs lançados? Cite os CDs que já participou como Tecladista/Pianista?

Delia Fischer: Em 2021 – Samba Without Summer – single em inglês com Marcio Nucce e o cellista Eugene Friesen – Independente / Labidad. Em 2021 – Los Mismos Sonidos – single em espanhol com o cantor brasileiro-espanhol Leo Minax – Independente / Labidad. Em 2021 – Mon Temps – single em francês com a cantora camaronesa Valérie Ékoumè – Independente / Labidad. Em 2021 – Come Se Fosse Qui – single em italiano com o cantor siciliano Tony Canto – Independente / Labidad. Em 2021 – Hoje – Independente / Labidad. Em 2021 – Blues de Acabar – single featuring Ney Matogrossos – Independente / Labidad. Em 2021 – O amor é o meu país – Independente / Labidad. Em 2020 – Samba Sem Verão – Single em parceria com Marcio Nucci – Part. Especial letra, voz e piano. Em 2020 – Nada Será Como Antes (álbum Live in Rio de Ricardo Bacelar) – Part. Especial voz e piano. Em 2020 – EP Entre Amigos – Independente / Labidad. Em 2019 – Tempo Mínimo – Independente / Labidad – Nomad. Em 2018 – Single Garra – Independente / Labidad – Nomad. Em 2018 – Single Samba Minimo – Independente / Labidad – Nomad. Em 2016 – Saudações Egberto – Tuff beats (Japão). Em 2011 – Saudações Egberto – Rob Digital – Brasil. Em 2010 – Presente – Dubas- brasil. Em 1999 – Antonio – Carmo/ECM – Alemanha. Em 1991 – Karai-eté – In and Out Records – Alemanha. Em 1990 – Karai-eté – BMG Ariola – Brasil. Em 1988 – Duo Fênix – BMG Ariola –Brasil. Como pianista até o início dos 2000, são mais de 60 participações em gravações de artistas como: Bob Baldwin, Ana Carolina, Mario Biondi, Ed Motta, Lisa Nilsson (Suécia), Erasmo Carlos, Nivaldo Ornellas, Nico Assumpção, Dom Um Romão, Paulo Russo, Mamão, entre outros.

07) RM: Como você define o seu estilo musical?

Delia Fischer: Livre totalmente, porém como pessoa que gosta de estudar e conhecer bem o ofício. Acho que comecei querendo tocar e me expressar pelo instrumento, isso foi mudando com o tempo. Eu migrei profundamente para a MPB, gosto da voz não somente como um importante instrumento, mas com a enorme possibilidade de falar e contar a história que me interessa dizer, embora a sigla MPB por si só seja ampla. Eu, posso migrar de novo para vertentes mais radicais, eletrônicas e novas formas que ainda nem sei, sinto que o dever de todo artista é se transformar a si e ao outro que o ouve.

08) RM: Como é o seu processo de compor?

Delia Fischer: Interessante perceber que tudo muda ao longo da vida, poderia te responder anos atrás que a minha música vinha de estar em frente ao Piano e começar a experimentar. Hoje em dia como falei, me interessa muito mais a canção, então muitas vezes a famosa “inspiração” vem de algo que quero contar, então às vezes nasce da letra. Outras de uma melodia que me vem à cabeça, ainda acontece muitas vezes em frente ao Piano, outras no meio do Parque, então eu gravo para não esquecer.

09) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Delia Fischer: Gosto muito quando a ideia vem pronta e completa, letra e melodia, harmonia e arranjo. As vezes acontece, como foi o “Samba Mínimo” ou o “Meu Tempo” onde tudo que soa, conta a mesma história, gosto quando a harmonia se comunica com a letra. Tenho muitos parceiros musicais, e com cada um tenho papéis absolutamente diferentes. Com alguns componho a melodia em cima das letras que recebo, com outros eu é que sou a letrista. Fiz uma letra agora para uma melodia do Roberto Menescal. Mas é difícil falar do parceiro mais constante pela liberdade total porque tenho muitos parceiros diferentes. Com Ronaldo Bastos fiz “Tempo de Amar” que é um exemplo superinteressante, pois começo musicando um trecho dos poemas do Carlos Drummond, sigo criando uma melodia na parte B que o Ronaldo faz a letra, é uma música que tem dentro dela muitas formas diferentes do Compor. Tive uma extensa parceria com Thiago Picchi no álbum “Presente”, onde ele criou a maioria das letras do álbum, outras com Camila Costa grande e constante parceira também.

10) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Delia Fischer: Aprendi com o Egberto Gismonti, que talento não se pode medir por alcance da obra. Ele fala uma coisa muito legal, que algum artista tem talento para vender um milhão, outros cem mil e outros mil, e não se pode comparar porque são talentos diferentes. Muita coisa incrível não se vende com facilidade, o que não a torna pior nem melhor do que o que se vende em milhões, são propostas absolutamente diferentes.  Acho que ser independente é poder fazer escolhas e arcar com a carga artística dessa escolha, seja ela qual for, mas a independência total não existe. A gente precisa de equipe, de parceiros músicos, produtores, engenheiros de som, empresário. Então posso me, considerar feliz porque tenho uma equipe incrível que me apoia e entende meus passos. A parte mais difícil é que cabe ao próprio artista “independente” se comunicar e achar o seu público, mas acho também que artistas de gravadora também precisam fazer o mesmo. A grande diferença são os investidores, mas isso o independente também pode ter.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Delia Fischer: Sim, estudei e estudo. A voz é um instrumento que precisa de muito cuidado e a gente pode ir descobrindo muitas novidades ao longo de uma vida se dedicando aos nossos instrumentos, com a voz não é diferente.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Delia Fischer: Mesmo os cantores que “nasceram prontos” precisam investigar e se conhecer, para ter uma voz saudável e longeva. Cada voz é única, cada voz é por si só um instrumento original, isso por si só já é fantástico. Mas ela precisa de mais cuidados, pois se afeta com a falta de saúde, os excessos, e as emoções. O cantor precisa entender e conhecer seu instrumento.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Delia Fischer: Milton Nascimento, Frank Sinatra, Elis Regina, Ella Fitzgerald, Bjork, Baby do Brasil, Elza Soares. Entre muitos outros, fica difícil listar por que cada um tem sua forma peculiar, mas esses cantores que citei são referência para muitas vidas e séculos de estudos.

11) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Delia Fischer: O mercado nesses novos tempos se modifica a cada instante. Eu como compositora, cantora tento me manter sempre criativa e atenta aos sinais. Eu tenho parceiros de produção no meu selo “Labidad” que sempre me chamam e me provocam para criar novidades nos formatos, como singles, live e etc. Tenho também um empresário Andre Oliveira, que pensa bastante em abrir e comunicar com mais gente e chegar em novos ouvintes, isso fez com que minha música, por exemplo, ganhasse versões em outros idiomas.

12) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Delia Fischer: Apesar de toda a dificuldade desse momento, pandemia do covid-19, pós pandemia, e guerra (Rússia e Ucrânia), a gente se pergunta do amanhã. Será que minha turnê que iria acontecer em 2019 vai ser remarcada para Europa? Será que o momento é bom? Mas independente disso penso que a nossa arte é como uma água correndo na fonte, ela não para, ela vai ao encontro do rio. Mesmo em guerras e outros momentos horríveis do mundo a arte resiste para trazer luz, alegria amor. O artista deve pensar em criar ações sustentáveis, gravar como for possível, manter sua apresentação, é isso que penso todos os dias, porque sem criar, sem poder fazer música a minha vida perde o sentido.

13) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Delia Fischer: Normalmente eu vejo o lado positivo da internet, que são muitos. As redes sociais me possibilitam criar uma relação com o meu público, entender o que ele curte, trazer muitos novos ouvintes. E é tudo muito próximo e rápido, mas essa rapidez gera fugacidade também. Hoje temos bilhões de lançamentos musicais por dia, e é claro que permanecer e ficar no ouvido e no coração desse mesmo público não é tarefa fácil, mas eu gosto de me comunicar e sempre entendo isso como uma oportunidade. 

14) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Delia Fischer: É sensacional ter um home estúdio acessível a todos. A pandemia do covid-19 adiantou muito o sistema, porque se antes era comum ter um home estúdio, agora é uma realidade para todos que precisam gravar voz em casa, arranjar e etc. Não vejo desvantagem, mas vejo com tristeza que os grandes estúdios estejam em processo de extinção, fico triste de ver lugares de gravações históricas fechando suas portas. Hoje em dia fica bem inviável manter um estúdio com um custo alto de manutenção sabendo que a maioria das gravações exige um custo baixo de produção. 

15) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Delia Fischer: O mais importante nesse momento é me comunicar com quem realmente aprecie a minha verdade e não adianta me vender como algo que absolutamente eu não sou, acredito que a verdade comove e move a vida. Então assim como eu enquanto ouvinte vou procurar aquilo que me transforma e me acrescente, acredito que o mesmo acontece em relação ao que produzo. Faço tudo com o meu rigor em todos os sentidos, nas letras, na parte instrumental, trabalho com colaboradores sempre muito especiais em todas as partes da cadeia desde composição até a masterização, só chego perto de quem me faz sentir segura de ter o melhor de mim mesma.

16) RM: Como você analisa o cenário da Música Popular Brasileira. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Delia Fischer: O Brasil está cheio dessas maravilhas, temos músicos, compositores e cantores para nos representar em qualquer lugar desse planeta e até fora dele. Revelações: Pedro Martins, Tim Bernardes, Duda Brack, Zé Manoel, Luedji Luna, são artistas que me fazem querer ouvir sempre tudo o que eles produzem. Ainda tem muitos outros, mas não vou conseguir incluir tanta gente, peço desculpas pelas tantas ausências. Já o que se fala sobre regresso pode ser perigoso, porque um artista ao se renovar muda e às vezes desagrada a quem espera sempre o mesmo dele, entende?

17) RM: Como você analisa o cenário da Música Instrumental Brasileira. Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Delia Fischer: Eu não consigo separar a música entre cantada e não cantada (instrumental). Vejo tudo como música, vou citar um exemplo do que poderia se encaixar aqui, acho a cantora Vanessa Moreno uma grande revelação da música instrumental e cantada, ela; em dupla com o Salomão Soares, estão fazendo história na música Brasileira. Aponto como retrocesso tudo aquilo que ainda tenta refazer ou repetir os grandes músicos do Brasil dos anos 80, repetir e imitar é bom para estudar, mas não vira um trabalho de cunho artístico.

18) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado, etc)?

Delia Fischer: Tenho certeza que todos os profissionais da música já tiveram passagens e lembranças de momentos engraçados, e alguns nem tanto. Eu fico sempre com as melhores lembranças no meu HD mental para dar espaço para as novidades. Mas tem uma antiga que ilustra bem o meu passado de pianista como a menina da banda. Fiz uma substituição como pianista na banda da Leny Andrade bem em cima da hora e a gente ia se apresentar em São Paulo. Claro que o bilhete do pianista oficial já tinha sido emitido. Isso tem bastante tempo, numa outra era pré-digital. Eu viajei e entrei no avião como , e passei claro essa temporada sendo chamada por todos como . Outra triste situação que acho que todos do ramo já experimentaram, é o famoso: “fim de baile, músico a pé”. Terminei um show que teve todo o cuidado, motorista e ajuda para montar o palco, ao terminar ouvi um tchau. Eu em outra cidade, com um teclado enorme indo para a rodoviária. Acontece e a gente aprende a ver melhor os contratos e as condições para não passar por isso nunca mais.

19) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Delia Fischer: Alegria total é poder fazer o que amo, o que sinto como conexão espiritual como meio de vida, ainda poder criar, estudar, aprender experimental. O que me deixa feliz é saber que vivo do que mais amo. A tristeza acontece, claro, mas não me sinto nostálgica, nem rancorosa com o mundo. Vivemos num mundo estranhamente diferente, onde a arte às vezes parece não ter valor algum, mas a história da humanidade tem sido assim por séculos. Tudo muda como um pêndulo, e é claro que nascer e viver no Brasil torna a vida mais complicado nesse aspecto. Mas também me dá a enorme influência e maravilhosa visão da música brasileira super rica, como nossas riquezas naturais, tudo isso precisando do nosso cuidado e amor para ser preservado.

20) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Delia Fischer: Existe, mas tem algo ainda mais forte e transformador que é a dedicação e a paixão. Penso numa Elza Soares, a sua musicalidade natural. Milton Nascimento que além da voz incrível sempre usou harmonias e melodias totalmente diferentes e profundas, isso tudo sem ter um estudo formal de música. Claro que existe uma conexão com algo maior, mas ao mesmo tempo existe aquela pessoa (conheci alguns assim) que desde criança falava que queria cantar e não demonstrava nem afinação, mas estudou, se dedicou muito e conseguiu se tornar profissional e bem competente. Acho que a gente tende a misturar o conceito de “facilidade” com a paixão que normalmente toma o ser apaixonado e que o deixa com bolhas nos dedos de tanto tocar, que faz essa mesma pessoa virar a noite compondo e descobrindo seus acordes que ninguém falou nada para ela. O que vejo é que tem muito tempo e energia em todos os casos, mesmo o que se considera “gênio”, essa pessoa certamente ficou uma temporada num auto pesquisa sonora muito intensa. O que posso realmente concluir é que não existe nem o talento nem a genialidade que não esteja aliada a uma construção amorosa que sustenta a prática com muita profundidade.

21) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Delia Fischer: Improvisação é a forma livre de se comunicar com a música e ela tem milhares de caminhos, tendemos a pensar no Jazz, mas isso é só uma delas.

22) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Delia Fischer: Claro que existe e ela foi extremamente usada no mundo ocidental no período Barroco. Johann Sebastian Bach deixou muitas de suas fugas anotadas e registradas, e muitas ficaram no ar. Dizem que suas grandes e incríveis obras não foram sequer anotadas. O Improviso é uma composição feita em tempo real, é um quadro que é criado à vista de todos e não exposto depois de pronto. Muitas formas sonoras usam a improvisação como base do gênero, como o Blues, o Jazz, mas também nas cadências clássicas e também na música Indiana. Mas o improviso exige que o improvisador tenha uma linguagem muito desenvolvida para poder se comunicar em tempo real como em qualquer linguagem.

23) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Delia Fischer: Tudo vale a pena quando se sente que ali tem algo para se apreender. Diversas formas de pegar a informação: livros, escutas. Quem quer muito, vai ficar atento às oportunidades e acaba a encontrando em vários lugares diferentes. O mestre da sua escola tem que ser você mesmo, e na caminhada você encontra grande ajuda em lugares diferentes.

24) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Delia Fischer: Como falei antes, tudo vale a pena quando se quer encontrar algo, mas se tenho um único e valioso conselho sobre o estudo de Harmonia ou qualquer outra coisa é que: Ouça! A música é uma linguagem! Qualquer criança para aprender a falar repete o que ouve da mãe, mas qualquer adulto tem a sua opinião e sabe falar sozinho. Então escute aprenda a imitar para criar as suas próprias frases que podem ser improvisadas compostas, cantadas e tocadas.

25) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Delia Fischer: Existem algumas rádios que tocam a minha música, e outras bem grandes que só funcionam com o pagamento do jabá para qualquer artista.

26) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Delia Fischer: Eu digo que se abra para muitas e novas possibilidades, porque o que já foi feito não é mais o que se vai fazer. Ou seja, querer ser de novo uma Elis Regina, compor ou tocar igual ao Egberto Gismonti, Hermeto Pascoal, além de impossível nunca vai ser original, então seja o melhor que já existiu! Mas também estude novas formas de se trabalhar, aprenda a gravar, a editar. Aprenda sobre gestão, tudo que possa se relacionar com os seus interesses faz parte da sua nova profissão que se transforma a todo instante.

27) RM: Festival de Música revela novos talentos?

Delia Fischer: O festival de música é sempre uma oportunidade de ser visto e ouvido por novas audiências, acho todos ótimos.

28) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Delia Fischer: Não acho que a grande mídia é a mais interessante no momento atual para nada, embora ainda tenha grande alcance a televisão. A TV ocupa um enorme destaque e cria alguns programas interessantes como o The Voice que eu adoro acompanhar especialmente o The voice Mais. Tudo que me interessa eu busco em canais como youtube, as redes aproximaram muito as pessoas e se pode construir um público leal e real por ali.

29) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Delia Fischer: Espaços maravilhosos que mostram trabalhos riquíssimos e necessários.

30) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Ney Matogrosso?

Delia Fischer: Ney Matogrosso é uma referência imensa para todos nós, um artista que segue se transformando e ao mesmo tempo sendo cada vez mais ele mesmo. Tive a oportunidade de gravar com ele a minha canção “Blues de Acabar” feita com inspiração na voz dele, com letra do parceiro Marcio Moreira. Ney é uma pessoa direta que quando gosta, deixa claro e pelo visto ele curtiu cantar essa daí comigo. Uma felicidade que espero poder repetir em breve, quem sabe em outra canção?

31) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Ed Motta?

Delia Fischer: Conheci o Ed Motta com 17 anos de idade, ele querendo fazer aula de música comigo. Um menino genial e musicalidade gigante. A aula em si não evoluiu, até porque o Ed é o tipo de músico autodidata, que sabe encontrar exatamente o que ele quer. Ele, aprendeu a cantar ouvindo discos, aprendeu tudo que queria da música pelo próprio esforço. Tornei-me pianista da banda dele, e também amiga, Ed é um amigo querido e com ele cantei “Feliz por um Triz” que faz parte do álbum “Tempo Mínimo”. Um álbum que me levou a ser indicada no Grammy Latino pela primeira vez em 2019 como melhor álbum de MPB.

32) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Nivaldo Ornellas?

Delia Fischer: Nivaldo Ornellas é a voz do saxofone do Brasil: tenor e soprano. Um amigo querido para quem já dediquei canções. Um parceiro musical que tenho profundo amor e respeito.

33) RM: Quais os principais trabalhos que você atuou como diretora musical?  

Delia Fischer: O teatro Musical me acolheu por um grande período, a partir de 2008 com “Beatles num Céu de Diamantes” por essa peça recebi o prêmio Shell pelos arranjos e comecei a ser convidada a fazer mais trabalhos de direção musical. Destaco alguns que me deram alguns prêmios como “Elis A Musical”, “Chacrinha”, “Era no Tempo do Rei” com músicas inéditas de Carlos Lyra e Aldir Blanc, “Rock in Rio O Musical” e muitos outros, foram 10 anos intensos de muitos musicais. Em 2019 – “Grandes Parcerias da MPB”. Em 2019 – “Elis, A musical”, remontagem com jovens artistas (CEFET). Em 2018 – “Simone Canta Ivan Lins”. Em 2017 – “Garota de Ipanema, o musical da Bossa Nova”, direção Sergio Modena, texto Rodrigo Faour. Em 2017 – “Bossa Nova em Concerto”, direção Sergio Módena, texto Rodrigo Faour. Em 2016 – “Garota de Ipanema – o amor é bossa”, direção de Gustavo Gasparani e texto de Thelma Guedes. Em 2015 – “O beijo no asfalto” de Nelson Rodrigues, direção de João Fonseca, com Claudio Lins. Em 2014 – “Chacrinha, o musical”, direção de Andrucha Waddington e texto de Pedro Bial. Em 2013 – “Elis, a musical” por Dennis Carvalho, texto de Nelson Motta e Patrícia Andrade. Em 2012 – “Rock in Rio, o musical” – Direção de João Fonseca, texto de Rodrigo Nogueira com Hugo Bonemer. Em 2012 – “Milton Nascimento – Nada será como antes”, de Claudio Botelho e Charles Möeller. Em 2010 – “Era no tempo do Rei”, com músicas de Carlos Lyra e Aldir Blanc e direção de João Fonseca. Em 2008 – “Beatles num céu de diamantes” de Cláudio Botelho e Charles Möeller. Em 2007 – “7 – O Musical” de Ed Motta, Claudio Botelho e Charles Möeller.

34) RM: Cite seus Prêmios e indicações?

Delia Fischer: Em 2021– Indicação ao 22º Grammy Latino – Melhor Álbum MPB – H.O.J.E. Em 2020 – Prêmio Profissionais da Música – Indicada em 5 categorias. Em 2019 – Indicação ao 20º Grammy Latino – Melhor Álbum MPB – Tempo Mínimo. Em 2019 – Prêmio Profissionais da Música – Indicada em 4 categorias, venceu Melhor Arranjadora. Em 2019 – Melhores álbuns do ano revista norte-americana de jazz “DownBeat”. Em 2019 – 5 estrelas da revista norte-americana de jazz “DownBeat”, categoria “Beyond”. Em 2018 – 16º Independent Music Award – Best Latin Song & Vox Pop com a canção ‘Mercado’. Em 2015 – Prêmio Reverência “Elis, A musical”. Em 2015 – Prêmio Botequim Cultural “O beijo no asfalto”, de Nelson Rodrigues, direção de João Fonseca. Em 2014 – Prêmio Shell – “Elis, A musical” – Indicação. Em 2014 – Prêmio Cesgranrio – “Elis, A musical”. Em 2014 – Prêmio Cesgranrio – “Rock in Rio” – Indicação – Melhor Música. Em 2014 – Prêmio Bibi Ferreira – “Elis, A musical” – Indicação – Melhor direção musical. Em 2014 – Prêmio Emmy Kids – “Gaby Estrella” – Indicação melhor série kids internacional. Em 2013 – Prêmio Cenyn – “Milton Nascimento – Nada será como antes” – categoria música. Em 2013 – Prêmio Cenyn – “Milton ……” – melhor canção ‘Clube da Esquina nº 2’ – Indicação. Em 2013 – Prêmio APTR – Ass. dos Produtores de Teatro do RJ – “Milton …….” – Melhor Música – Indicação. Em 2010 – Prêmio Sesc de Rio de Fomento à cultura – “Saudações Egberto”. Em 2009 – Prêmio Shell – “Beatles num céu de diamantes” – categoria Música.

35) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira no exterior?

Delia Fischer: Uma carreira de verdade feita no exterior é uma construção intensa. A Europa ouve a nossa música com muito respeito e interesse, assim como Estados Unidos e Japão. Os prós são enormes, uma audiência interessada e constante. Não consigo me expressar como um contra, mas aviso que não é tarefa simples nem fácil conquistar esse espaço no exterior.

36) RM: Já tem previsão a sua segunda turnê europeia?

Delia Fischer: Diante do cenário atual e pós Covid-19 e atualmente com tantas questões relativas a Guerra entre Rússia e Ucrânia, no momento tenho me dedicado a gravar e lançar nosso álbum no segundo semestre.

37) RM: Quais os seus projetos futuros?

Delia Fischer: Lançar novos singles, compor novas músicas, criar novas parcerias. Tenho a previsão de lançar dois álbuns em 2022. E quero muito estar nos palcos no Brasil e no exterior, espero mais do que nunca uma trégua de paz e esperança.

38) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Delia Fischer: (21) 96919 – 0793 (Whatsapp / Telegram – Andre Oliveira Management & Booking) | [email protected] | www.deliafischer.com.br | https://pt-br.facebook.com/deliafischeroficial 

| https://www.instagram.com/delia_fischer 

| https://www.youtube.com/user/deliafischeroficial 

Playlist de videoclipe: https://www.youtube.com/watch?v=cQDtDge3j5c&list=PLkK9vOUQtSvSpuo1ua78idA8CME2-WvzA

Blues de Acabar – Delia Fischer e Ney Matogrosso Clipe Oficial: https://www.youtube.com/watch?v=cQDtDge3j5c  

HOJE- Clipe Oficial Delia Fischer: https://www.youtube.com/watch?v=Zzn49CPBcqk 

Live Ed Motta convida Delia Fischer (trecho da live transmitida pelo Instagram): https://www.youtube.com/watch?v=e6jr_Tg-IXE

Live com Ney Matogrosso em 4/5 pelo canal Delia Fischer no Instagram: https://www.youtube.com/watch?v=7YuDjuvsL1s

VIVA Milton Nascimento ! Delia Fischer Show em casa: https://www.youtube.com/watch?v=2YYQrcv-R-s

Delia Fischer live em 11.10.2020 (pelo Instagram ): https://www.youtube.com/watch?v=t2zBZIwoar0

Live Festa Aniversário 30/8: https://www.youtube.com/watch?v=el0dkDbSuvU

| Streaming: Spotify: https://spoti.fi/3axX0GW


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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.
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