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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Daniela Bontempi


A paulistana Daniela Bontempi é Cantora, Compositora, Violonista, Produtora Cultural, Diretora Teatral, Dramaturga e Atriz. Fundadora da Trupe do Guaraná (grupo teatral que visa a valorização da cultura popular, voltado ao público infanto juvenil) e coletivo Educultura Popular (voltado à pesquisa, formação e fruição da cultura popular).

Ela desenvolve atividades artísticas, culturais e educacionais desde 1992, com públicos das mais diferentes faixas etárias. Desde 2013 atua incentivando projetos que valorizem a tradição e a cultura popular, com ênfase para a cultura nordestina. Desenvolveu atividades artísticas e de expansão cultural através, de peças teatrais, narrativas, músicas e danças tradicionais maranhenses. Dentre as atividades que valorizam a cultura popular, podemos destacar Contos do Vale do Paraíba, também de sua autoria e direção, que esteve em cartaz no Festival de Cultura Tradicional Revelando SP (São José dos Campos). E também a brilhante participação no evento de lançamento do livro” Vozes emergentes” do grupo de estudos Ylê Educare, no estande da Editora BT Acadêmica, na Bienal Internacional do livro 2016 (Anhembi, SP), destaca-se também o Espetáculo “Cantando e Contando a Congada”.

Em 2014 realizou trabalhos de propagação da cultura nordestina, junto ao poeta, cantor e compositor Costa Senna atuando em escolas, teatros e equipamentos públicos, como cantora e produtora cultural, além de projetos como o PROART com temática na Cultura do Forró. Ainda no campo da Cultura Popular, promoveu shows para circulação do projeto Cantos Gerais, que valoriza canções autorais de Cultura Nordestina.No teatro, atuou no núcleo experimental dos Satyros nas peças “Reflexos da madrugada” em 2010 e “Distopias” em 2011, eleita a melhor peça das satyrianas ambas sob direção de Andressa Cabral Santos. Escreveu e atuou em Pathos sob a direção de Cristiano Dantas (Centro Cultural ABC) e escreveu e atuou nas montagens infantis “O sonho de Tupã” e “Cantando e contando”, sob a direção de Cristiano Dantas (Centro Cultural ABC / Espaço dos Satyros, Satyrianas, Casa de Cultura Chico Science, Armazém Cultural). Atuou na trilogia Satyros Satyricon sob a direção de Rodolfo Garcia Vázquez em 2012, participando do Festival de Teatro de Curitiba.

Daniela escreveu e atuou no espetáculo “Cantando e contando”, através do Núcleo Educarte sob a direção de Cristiano Dantas escreveu e atuou no espetáculo “Como nascem as flores?”, direção de Cristiano Dantas, através do Núcleo Asteriskos de investigação teatral. Atuou também no espetáculo *555 no mesmo núcleo, dirigido por Cristiano Dantas, apresentando inclusive no circuito em Minas Gerais, através do Profesteatro com o apoio da prefeitura da cidade de Bonfim – MG. Escreveu e dirigiu o espetáculo “A loja de brinquedos”, que teve grande destaque no Programa Biblioteca VIVA, apresentando em mais de 40 bibliotecas de São Paulo e por meio de programas de circulação em casas de cultura e Fundação Cassiano Ricardo, pela prefeitura de São José dos Campos.

Já a sua atuação com a música vem desde muito cedo, porém não de maneira profissional. Acompanhava as rodas de violão com seus irmãos mais velhos (Ana Maria e Eduardo) e ouvia atentamente as referências estrangeiras que seu irmão Luis Carlos, que na ocasião frequentava os ambientes de casas underground, trazia. Embora tudo ocorresse de forma espontânea, foi o grande motivador para seu espírito inquieto e criativo. Daniela diz que as referências familiares foram de suma importância para a sua formação artística e ainda completa dizendo que essas referências foram tão significativas que transpuseram mais uma geração de artistas que conferiram aos seus três filhos Rodrigo Bontempi (músico), Raphael Bontempi (cantor, compositor e músico) e Marcelo Bontempi (desenhista) o ensejo pela arte.

Suas primeiras composições musicais foram para suas peças teatrais. Sua primeira parceria musical fora do teatro foi com a cantora e compositora carioca Joyce Kelly, na sequência a cantora e compositora carioca Juçara Freire e depois muitas outras pessoas que se identificaram com seus poemas fizeram parte desse círculo de arte e amizade Thadeu Camargo, Danilo Strada, Nando Oliver, Bruno Azevedo (B.A) e seu filho, Raphael Bontempi. Também participou como back vocal no álbum Reggaebelde Lovers e em breve lançará um single em parceria com Antonio Carlos, músico, cantor, poeta e editor da revista RitmoMelodia.

Suas referências musicais são contemporâneas ao grande estouro do pop rock nacional, com bandas como Legião Urbana, Ira, Engenheiros do Hawaii, Barão Vermelho, Cazuza. Traz muito dessas referências em sua expressividade musical e formas poéticas. Transita pela mpb e rock balada, mas também tem produções em reggae e rock progressivo.

Atualmente está em construção de um trabalho musical voltado ao público infantil, embora ainda em fase embrionária, contudo é um trabalho que promete ser extremamente sensível e de qualidade ímpar, considerando toda trajetória junto ao público infantil.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Daniela Bontempi para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.01.2022:

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Daniela Bontempi: Nasci no dia 10 de outubro de 1975, em São Paulo – SP. Filha de Guilherme Jesus Bontempi e Thereza Gioconda Bontempi e registrada como Daniela de Fatima Bontempi.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Daniela Bontempi: Meu contato com a música se deu inicialmente de maneira recreativa, informal e em família. Sou a mais nova de quatro irmãos e com pais muito musicais. Meu pai Guilherme é muito fã de Elis Regina, Chico Buarque, Milton Nascimento, simpatizante de modo geral de grandes nomes da MPB, meus irmãos (Luis Carlos e Eduardo) com referências no Rock Nacional, Internacional e Punk Rock. A primeira pessoa a se interessar em aprender um instrumento foi minha irmã Ana Maria que tocava violão – nessa época eu deveria ter uns seis anos de idade. Esse interesse dela acabou incentivando meu irmão Eduardo e posteriormente a mim. De maneira geral, tocávamos para nos acompanhar em momentos de descontração dos eventos familiares.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Daniela Bontempi: Sou formada em Pedagogia, posteriormente estudei Filosofia, curso que pretendo finalizar em breve. Nas artes estudei Artes Dramáticas e fiz Curso Livre de Canto.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Daniela Bontempi: Por ser a caçula da família, absorvi bastante das influências que meus familiares gostavam. Na MPB, segui bem ao gosto do meu pai Guilherme com Elis Regina, Chico Buarque, Milton Nascimento, Marisa Monte e ganhando abertura para novos nomes que vinham surgindo na MPB nos anos 90. Trago em essência um enorme gosto por bandas de rock nacional como Engenheiros do Hawaii, Legião Urbana, Ira, Zero e algumas canções de outras bandas dos anos 80 de maneira mais dispersa. No presente, continuo apreciando muito o trabalho dessas bandas que citei, considero as influências deles naquela época e acho extremamente legítimas e honestas, tanto em termos musicais quanto ao que se refere às letras. Algumas permanecem extremamente atuais em forma e conteúdo, como é o caso do trabalho de Humberto Gessinger. Admiro muito o trabalho de MPB de Maria Rita e dentro do cenário independente têm vários nomes de parceiros musicais que fazem parte da minha playlist como é o caso de Juçara Freire, Joyce Kelly, André Marçal, meu filho Raphael Bontempi, Thadeu Camargo (Banda Certas Canções), Gladson Morais (Pássaro Unitário), Antonio Carlos, Nando Oliver (Civilização Roots), Bruno de Azevedo (B.A), sendo que os dois últimos produziram minhas canções e em algumas delas tornaram-se também meus parceiros musicais.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Daniela Bontempi: Minha carreira musical teve início profissional dentro do teatro em meio às peças. Ainda no teatro, começaram as primeiras atividades de composição. Fora do teatro, ainda como escritora, tive meus poemas musicados pelos parceiros acima citados e foi uma grata alegria ver esses escritos ganhando vida por meio da música. Um presente poder estabelecer essa sintonia de sentimentos e gerar uma obra artística.

06) RM: Conte sobre seus trabalhos musicais lançados.

Daniela Bontempi: Recentemente dois singles, em agosto e novembro de 2021 e para 2022 está previsto para Fevereiro/Março o lançamento do meu EP.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Daniela Bontempi: Eu tenho um repertório que transita por gêneros variados, mas posso defini-los como MPB, pois todos têm em sua matriz a essência da “boa e velha” música popular brasileira.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Daniela Bontempi: Tive aulas livres de canto popular e canto coral.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Daniela Bontempi: Acho primordial que cantores estudem, percebam-se, aprimorem-se, cuidem-se. A arte é um trabalho e deve ser levado a sério como todos os outros. Isso nos permite executar nossa profissão de forma profissional, honesta e digna. Todos temos potencial, alguns têm maior facilidade para instrumentos, outros para canto, mas tudo requer prática e treino.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Daniela Bontempi: Admiro muitos cantores, mas dou destaque a Elis Regina, Marisa

Monte, Ana Carolina, Emílio Santiago, Maysa.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Daniela Bontempi: Acontece de maneira natural e intuitiva. algumas vezes as letras vêm junto com a melodia, outras vezes vêm a melodia e depois a letra. Mas na maior parte das vezes, como escrevo muito, as letras dão o Norte às canções. No entanto, nem tudo que escrevo vira música, tem escrito que ganha roupagens distintas como peças teatrais, contos, crônicas e poesias.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Daniela Bontempi: Meus principais parceiros são Juçara Freire, Joyce Kelly, André Marçal, Raphael Bontempi, Thadeu Camargo, Nando Oliver, Bruno Azevedo (B.A), Antonio Carlos. Tenho também duas canções que fizeram parte do repertório de uma das minhas peças de Teatro, Lendas Brasileiras, em parceria com Danilo Strada.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Daniela Bontempi: A parte positiva é a possibilidade de realizar uma criação livre de formas impostas por gravadoras. A parte negativa é o acúmulo de funções como produção executiva, administrativa e de recursos, para justamente fazer com que o trabalho aconteça. Essas atividades exigem uma postura bastante assertiva e nos tomam grande parte do tempo. Com isso, temos que nos permitir alguns “momentos de abstração”, e realmente se fechar para a rotina administrativa para que essa não se sobreponha ao trabalho artístico e não percamos a qualidade da criação.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Daniela Bontempi: Como eu trabalho com várias linguagens artísticas, tenho que ser organizada sobre qual será o foco do trabalho. Contudo, obedeço a meus sentimentos e a forma de expressão com a qual esse sentimento se manifesta. Finalizada a criação busco formas de levá-la ao público. No ato da criação, já sinto a conexão que aquele trabalho representaria para cada público, visto que é diversificado também o meu público. Na minha opinião, a honestidade intelectual e a atenção ao público alvo são os primeiros passos para qualquer ação. Posteriormente, é estar atenta à forma de promover cada trabalho. Pergunto-me sempre onde se adequa, a quem se destina. A autopercepção é uma habilidade que a gente conquista com a caminhada das produções. Existem momentos que me coloco apenas na condição de produtora cultural, nessas situações também acaba acontecendo um movimento natural de expansão de redes de contatos. E novas visões de possibilidades.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira musical?

Daniela Bontempi: A minha carreira musical é relativamente recente, mas de forma geral, a prática de outras linguagens artísticas e na produção de outros músicos trabalho dentro de dinâmicas planejadas em formas de ações pontuais com começo, meio e fim. Planejo as próximas etapas de acordo com os resultados da anterior e visualizo os nichos aos quais os trabalhos se enquadram. Mostrar o trabalho é fundamental, acredito na formação de público por relacionamento e propagação por meio de mídias independentes, realizo inclusive essa atividade também, por meio do Espaço Cultura VIVA. Eventualmente acontece do trabalho se destacar em grandes mídias, mas isso tem ocorrido de maneira muito esporádica, contudo é orgânico. Os lugares nos quais atuo presencialmente são equipamentos públicos como Casas de Cultura, Centros Culturais, Teatros públicos e privados, Casas de Show, on-line em redes sociais e por meio das redes dos contratantes.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira musical?

Daniela Bontempi: Não consigo enxergar, dentro do meu fazer artístico, nada de negativo em relação à internet. Creio que no meu caso, ela é mais uma aliada para divulgação dos meus trabalhos.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens do fácil acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Daniela Bontempi: Acredito que o Home Studio é um grande facilitador para o artista independente, podemos aprimorar a qualidade dos resultados de ensaios, ter um resultado preliminar da canção e ajustar de acordo com ideias que possam surgir no processo. A parte negativa, é que a qualidade do resultado final ainda está aquém de um estúdio profissional, por uma série de fatores que vão desde a estrutura à necessidade de um amplo conhecimento técnico para obter os resultados desejados.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Daniela Bontempi: Meu trabalho artístico tem raiz no teatro, mesmo o que é musical, traz a arte cênica em seu DNA. Algo que evito é criar interpretações estereotipadas para minhas canções e busco trazer letras de conteúdo denso. Não enxergo meu trabalho musical caindo dentro de um clichê, porque sinceramente nem tenho conhecimento dentro dos estilos que são mais populares. Acredito que quem gosta das minhas canções se identifica com o que eu falo através das letras.

19) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Daniela Bontempi: O cenário musical brasileiro continua diversificado. O público “consome” em maior quantidade o produto cultural que a mídia de massa oferece, como sempre foi. Existem nichos de público para cada tipo de música. Eu particularmente, nunca tive interesse pelas “modinhas” que a grande mídia nos apresenta. Também não vejo com espanto que as coisas sejam assim, como se fosse algo novo. Quanto às revelações musicais, percebo que estão se tornando cada vez mais efêmeras e esparsas, sinceramente isso é preocupante. Nas últimas décadas, posso citar Maria Rita, Ana Carolina, Paulinho Moska, entre outros contemporâneos que conquistaram espaço e respeitabilidade.

20) RM: Quais os artistas já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Daniela Bontempi: Tem muitos que admiro no campo profissional e artístico, mas gostaria de dar destaque a Humberto Gessinger que traçou sua carreira de forma incrível no campo criativo e técnico. Traz em suas melodias interpretações sensibilíssimas de forma ousada e com grande qualidade artística. Suas letras são um assunto à parte, trazendo profundidade de conteúdo e referências marcantes.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado, etc.)?

Daniela Bontempi: Todas essas situações citadas na pergunta já aconteceram comigo, em grande escala… (risos). Mas houve uma situação recente, em especial, de um mal planejamento do equipamento público, no qual estava apresentando. Aconteceu que uma Trupe de Circo foi posicionada há metros de distância do local em que estávamos nos apresentando e houve um conflito horrível de ruídos. Aquilo me chateou bastante porque embora a responsabilidade não tenha sido da minha produção, me senti em falta com o público que não pôde ouvir a nossa apresentação em sua integridade.

22) RM: O que te deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Daniela Bontempi: O que me deixa mais feliz é a possibilidade de expressão, o fazer criativo em si. Agora o que me deixa mais triste, é justamente a competitividade e falta de consciência de classe entre algumas pessoas do mesmo meio profissional. Principalmente considerando que todos estamos em situação semelhante, buscando expansão e visibilidade da nossa obra.

23) RM: Existe o dom musical? Como você define o dom musical?

Daniela Bontempi: Eu como educadora, sei que possuímos “inteligências múltiplas”. No entanto, algumas habilidades se manifestam de forma maior do que outras. Acredito que essa predisposição exista, mas não é determinante na música. Podemos e devemos aprender e aprimorar aquilo que desejamos conhecer.

24) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Daniela Bontempi: Para que haja uma improvisação é necessário que se tenha conhecimento da forma, até mesmo para que possamos transgredi-la. Improvisar para mim, é exercer o “feeling” sobre algo que conhecemos.

25) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Daniela Bontempi: Exatamente, estudado e assimilado. A improvisação é muito semelhante com a composição e o sentimento que o momento nos remete.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Daniela Bontempi: Não acredito, mas também não duvido (risos). Acredito muito em uma evolução de qualidade e aclamação pelo próprio público, que podem chamar à atenção dos veículos de comunicação. Espontaneamente já tive minha música propagada em lugares que eu não tive acesso.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Daniela Bontempi: Encare sua carreira musical como “trabalho”, implicando em preparação, dedicação, aprendizado contínuo e acima de tudo profissionalismo.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Daniela Bontempi: Os Festivais de música são uma oportunidade de popularização e alcance de músicos do cenário independente. Atualmente não tenho acesso às produções de Festivais para saber das dinâmicas internas e eficácia no alcance de seus objetivos.

29) RM: Festival de Música revela novos talentos?

Daniela Bontempi: Acredito que sim, mas hoje em dia os próprios meios digitais também têm contribuído para essa visibilidade e revelação de novos talentos.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Daniela Bontempi: A grande mídia cobre aquilo que a massa deve consumir, ditando tendências de quem a patrocina.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Daniela Bontempi: Acho fundamental a existências de espaços como esses citados na pergunta, por serem de fácil acesso e promover os artistas de forma mais democrática. Hoje em dia podemos assistir shows tanto de medalhões como de artistas da cena independente nesses espaços. Também gosto muito da estrutura e organização.

32) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de

trabalho para os músicos?

Daniela Bontempi: Atualmente moro em Extrema, uma pequena cidade do Sul de Minas Gerais. Existe aqui demanda de trabalho para músicos em bares. Contudo, esse panorama ainda está se reconfigurando devido à situação da pandemia por COVID-19.

33) RM: Fale sobre sua atuação como atriz.

Daniela Bontempi: Comecei em 2009 minha carreira como atriz, adulta e de forma tardia. Venho da área da Educação e fui buscar aprimoramento dos meus conhecimentos dentro de uma graduação que eu era (e sou) encantada: a Filosofia. Ao ingressar no Curso, tive contato com um grupo de teatro formado pelos alunos e com o passar do tempo, já estava à frente da articulação do grupo. Essa paixão surgiu nessa etapa da vida. A partir dessa experiência fui buscar oficinas e formações técnicas. Atuei na Cia Os Satyros, participei de Núcleos Experimentais dissidentes da SP Escola de Teatro e atualmente, conduzo a Trupe do Guaraná, um grupo de teatro voltado à pesquisa da Cultura Popular.

34) RM: Fale sobre sua atuação como dramaturga.

Daniela Bontempi: Escrever sempre foi uma paixão, mas em nenhum momento havia me desafiado a escrever peças de Teatro. Quando me vi em 2009 dentro do processo criativo, intuitivamente passei a criar cenas e quando me dei conta, aquela habilidade latente já havia despertado. A partir desse momento, busquei aprimorar meus conhecimentos por meio de leituras básicas da dramaturgia e por meio de oficinas. Ainda desejo me aprofundar mais nesse conhecimento.

35) RM: Fale sua atuação como produtora.

Daniela Bontempi: Ser produtora não foi opção, foi uma necessidade (risos). Eu atuava no teatro e necessitava de ações para auto sustentabilidade dos trabalhos realizados. Já tinha passado por experiências administrativas em minha carreira profissional como Diretora de Escola. Essa experiência foi fundamental para que eu compreendesse as várias etapas de produção cultural, desde a escrita, à gestão e execução de projetos. Dentro dos meios que eu atuava, comecei a auxiliar amigos em seus trabalhos e isso foi se tornando cada vez mais frequente, passando a fazer parte das minhas atividades profissionais também dentro do meio artístico. É uma ocupação que exige muito do profissional, com isso acabo realizando produções para outras pessoas em situações muito específicas com possibilidades de apoio coletivo, ou para parceiros profissionais. Já fiz produções das mais variadas expressões artísticas e para os mais variados gêneros musicais. Mas sempre, em toda hipótese tenho que acreditar no trabalho de quem estou produzindo.

36) RM: Fale de sua atuação como contadora de história.

Daniela Bontempi: Contar histórias é uma atividade que faz parte do meu cotidiano desde os tempos em que iniciei minha carreira como educadora. Entendo a contação de história como uma janela para a formação de leitores. A literatura é viva e a mediação dela por meio da contação de história é algo extremamente atraente para o público de qualquer idade. Trabalho também como formadora para futuros contadores. Pessoas que buscam aprimorar a sua expressividade através da narrativa e até arriscar-se em interpretações. Sempre insiro músicas autorais ou como intérprete em minhas narrativas de histórias.

37) RM: Fale de sua atuação como escritora.

Daniela Bontempi: Acredito que sempre temos uma atividade que sentimos que é a que nos saímos melhor. Foi assim com a escrita. Escrever sempre foi a minha melhor forma de expressão no mundo. Gosto das palavras e sinto que elas também gostam de mim. Consigo explanar sentimentos de maneira escrita melhor do que falando. Comecei a escrever quando ainda era criança, por meio de contos e crônicas. Os professores gostavam da minha escrita, e eu me expressava de forma envolvente a ao mesmo tempo clara. Quando partia para uma escrita mais metafórica também sentia que conseguia transpor em palavras as imagens e sentimentos. Gosto muito de ler e tenho certeza que esse gosto pela leitura é responsável pela minha afinidade com as letras. Por meio da escrita ingressei nas outras artes como teatro e música. Tenho peças publicadas, tenho poesias e crônicas também publicadas em ontologias. Pretendo no segundo semestre de 2022, lançar um livro com as minhas poesias mais recentes e um conto infantil que ainda está em processo de escrita.

38) RM: Fale de sua atuação como educadora.

Daniela Bontempi: Comecei como educadora aos 16 anos de idade (1991), muito jovem e estudante do curso magistério. De lá pra cá nunca mais parei de lecionar, fosse dentro do ensino formal ou informal, disciplinas curriculares ou extracurriculares. Aos 20 anos abri minha primeira Escola de Educação infantil e aos 28 abri a segunda Escola. Em 2013 passei a me dedicar exclusivamente ao Teatro e Produção Cultural. Posteriormente passei a dar aulas de artes em oficinas livres. Atualmente ainda atuo como Educadora e como tudo na vida buscando sempre aperfeiçoar e aprimorar conhecimentos. Posso até dizer que a Arte existe na minha vida em função da Educação. Percebi a capacidade transformadora e eficaz para o desenvolvimento humano que a arte nos proporciona. Essa tem sido minha “ferramenta pedagógica” desde antes das minhas primeiras criações artísticas. Não enxergo minha vida sem esses dois ofícios lado a lado.

39) RM: Fale sobre o Espaço Cultura VIVA. Como e onde ele funciona atualmente?

Daniela Bontempi: O Espaço Cultura VIVA, é um espaço cultural que teve sua origem em 2015 no bairro do Ipiranga em São Paulo. O objetivo era fomentar a Cultura local e promover um espaço alternativo de reunião e interação entre os artistas independentes moradores da região e entorno. Esse espaço físico, foi cenário de várias atividades entre formações, lançamentos, vivências, mostras, ensaios e aulas. No entanto com a pandemia, as atividades foram suspensas e precisávamos pensar em alternativas de manter a Cultura VIVA, foi quando buscamos criar ações on-line com o objetivo de manter as atividades em funcionamento. Não tínhamos a menor ideia se esse formato iria atender nossa necessidade, pois todo nosso trabalho era feito por meio de contato e relacionamentos. Para nossa surpresa, o Espaço Cultura VIVA foi se ampliando e potencializando seu alcance. Fizemos parceria com a Rádio Web Música tá na Pista para testar um formato de programa em podcast, deu muito certo, e por meio de outros parceiros como a Brasirima estreamos as versões em vídeo. O céu não foi o limite dessa expansão, conhecemos e estabelecemos muitas pontes e esse movimento continua pulsante. Atualmente temos no ar programas periódicos: Programa Cultura VIVA, no qual faço um bate papo com artistas de todas as linguagens do cenário independente e apresentamos suas produções artísticas, o Giro Cultura VIVA, podcast no qual trazemos antigos e novos nomes do cenário independente, apresento e comento as canções. O diferencial do Giro Cultura VIVA é a forma interpretativa na narrativa, a condução de sua estrutura é pensada de forma bem personalizada, ouço as canções e faço uma resenha narrada das minhas impressões. Além disso, temos recentemente o Palavra VIVA, no qual estão em evidência artistas que usam a palavra como forma de manifestar sua arte. Através do Espaço Cultura VIVA oferecemos aulas em diversas linguagens e buscamos abrir espaço para artistas educadores que tenham interesse em propagar suas experiências, trocarmos conhecimento e pensarmos em formas de economia criativa, em construção e expansão conjunta.

40) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Daniela Bontempi: Alunos, fãs e contatos para apresentações podem ser realizados por: [email protected] l [email protected]

Daniela Bontempi: https://www.instagram.com/danielabontempi

Espaço Cultura VIVA: https://www.instagram.com/espacoculturaviva

Daniela Bontempi: https://www.youtube.com/channel/UC6gSuazpTPpGXOxVjJbrUZQ

Se há calma – Daniela Bontempi: https://www.youtube.com/watch?v=L1g5diRztw4

Diante do Espelho – Daniela Bontempi / Joyce Kelly: https://www.youtube.com/watch?v=TpE4UhF_Tug

Minh’ alma Nua – Daniela Bontempi / Juçara Freire – Apresentação para Sarau Bodega do Brasil – 13/03/2021: https://www.youtube.com/watch?v=ew4IrpfZm8A

Hora da história: “A lenda do Uirapuru”: https://www.youtube.com/watch?v=5X1rnH9VxYU

Espaço Cultura VIVA: https://www.youtube.com/channel/UCJbglak-K22ci0N1oVGeV7w

Entrevista na Rádio Portal FM 106,5 de Extrema- MG, no Programa Se liga, que foi ao ar no dia 06/12/2021: https://www.youtube.com/watch?v=b1vYVwDNlXw

SARAU PAULISTANO PROGRAMA N º 120 – DANIELA BONTEMPI: https://www.youtube.com/watch?v=vTas7fStXnE

Bate papo sobre Empreendedorismo na Cultura Popular e Economia Criativa: https://www.youtube.com/watch?v=t_GEGCp_dAA&list=PLqcsnMoDMRGvfBcw6gEV4TtFgxU0gG5WN


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Uma Revista criada em 2001
pelo jornalista, músico e poeta paraibano
Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.