Cristina Amaral

Cristina Amaral

A cantora, compositor pernambucana Cristina Amaral começou suas atividades artísticas ainda criança quando fez parte de um grupo jovem e cantava em templos da Igreja Católica e em 1980 foi convidada a participar da Orquestra Marajoara como vocalista e depois ingressou no grupo Os Tropicais, onde dividiu o palco com Flávio José.

Em 1990, iniciou carreira solo participando e vencendo o festival “Recifrevo”. Recebe convites e participa dos CDs Recifrevoé I e II, junto com artistas consagrados, como Chico Buarque de Holanda, Alceu Valença, Maria Bethânia, Paulinho da Viola, Geraldo Azevedo, Lenine entre outros, depois participa do CD Forró Brasil, com Gilberto Gil, Dominguinhos, Elba Ramalho, Alceu Valença e outros.

Em 1991 participou do festival “Canta Nordeste” da Rede Globo, conseguindo a segunda colocação além de ter sido premiada como melhor intérprete com a música “Cidade Grande” do poeta Petrúcio Amorim. Em 1992, lançou pela gravadora Som Livre o disco “Arisca”, no qual interpretou músicas de compositores importantes da MPB, entre elas, “Amor perfeito” (Ivor Lancellotti e Paulo César Pinheiro), “Mãe África” (Sivuca e Paulo César Pinheiro), “Pra gemer” (Nando Cordel) e “Eu sou o forró” (Petrúcio Amorim e Bráulio de Castro). Representou Pernambuco cantando ritmos regionais e viajando em turnês internacionais na Holanda, com o projeto “Boi Voador”, (Teatro Paradiso), Áustria (Palácio de Schönbrunn), Suíça, Portugal e França, juntamente com Alceu Valença, Antúlio Madureira, André Rio, Elba Ramalho. Participou do Festival de Montreux em 1998. Ao longo de sua carreira solo contabilizou vários sucessos nos quinze discos gravados.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Cristina Amaral para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistada por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 01.05.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Cristina Amaral: Nasci no dia 13.06.1962 em Sertânia – PE. Registrada como Antonia Cristina Amaral Silva

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Cristina Amaral: Sou de uma família de artistas, ainda criança em casa ouvindo minhas irmãs cantarem os grandes clássicos do rádio, Nelson Gonsalves, Ângela Maria, Núbia Lafayette, Dalva de Oliveira. Meus pais acordavam cedo e já sintonizavam o rádio, às cinco horas da manhã o Forró comia no centro, Luiz Gonzaga, Marinês, Jackson do Pandeiro, Genival Lacerda, Trio Nordestino e tantos outros. Já sabia o sentido da música na minha vida. Eu viajo nos ritmos que me cercam que amo cantar, o forró me acompanha, me inspira e me leva a conhecer outros ritmos.

03) RM: Qual a sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Cristina Amaral: Não tenho formação em música. Tenho formação em Pedagogia e atualmente estou cursando Psicologia.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Cristina Amaral: No passado: Gal Costa, Elba Ramalho, Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Marinês, Jackson do Pandeiro, Nélson Gonsalves, Ângela Maria, Núbia Lafayette, Clara Nunes. Presente: Marisa Monte, Flávio José, Alceu Valença.

05) RM: Quando, como e onde você começou a sua carreira musical?

Cristina Amaral: Em 1980 fui convidada a participar da Orquestra Marajoara como vocalista e depois ingressei no grupo Os Tropicais, onde dividi o palco com Flávio José. Em 1990, iniciei carreira solo participando e vencendo o festival “Recifrevo”. Em 1991 participei do festival “Canta Nordeste” da Rede Globo, consegui a segunda colocação além de ter sido premiada como melhor intérprete com a música “Cidade Grande” do poeta Petrúcio Amorim. Em 1992, lancei pela gravadora Som Livre o disco “Arisca”.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Cristina Amaral: São 15 CDs lançados, 3 DVDS. O primeiro CD em 1992. Músicos que participam dos meus álbuns: Jefferson Cupertino (baixo), Bené Sena (guitarra), Silva Barros (batera), Luziano André (sanfona), Karlito (zabumba), Pauilinho Bustorff (percussão), Tiago Albuquerque (teclados).

O perfil musical dos meus álbuns: Forró, arrasta pé, xote, baião, romântica, toadas, samba. Músicas que fizeram sucessos: “Cidade Grande” (Petrúcio Amorim), “Eu sou o Forró” (Petrúcio Maia e Bráulio de Castro), “Anjo Querubim” (Petrúcio Amorim), “Fulô Divina” (Walmar Belarmino), “Fogo de Palha”.

Discografia: Em 2020 – Meu Mundo aqui em Casa. Em 2019 – Uma saudade chamada Nelson Gonçalves – CD/DVD. Em 2018 – Para Núbia. Em 2017 – Chuva de Alegria. Em 2016 – Minha voz, minha Vida – CD/DVD. Em 2014 – 13 de junho. Em 2013 – Luz. Em 2012 – Eu sou o Forró. Em 2010 – A vida é um circo. Em 2010 – A vida é um circo – CD/DVD. Em 2008 – Eu sou o Forró. Em 2008 – Pérola Nordestina (Acústico). Em 2006 – Balanço Brasileiro, foi produzido pelo músico/arranjador Luciano Magno. O disco traz músicas de compositores consagrados: Petrúcio Amorim, Xico Bizerra, Toinho Alves, Rosil Cavalcante, Anchieta Dali, Flávio Leandro, Bráulio de Castro, Aracílio Araújo, Zeca Pinheiro, Adilson Medeiros, César Amaral, Luciano Magno. E teve a participação especial de Flávio José. Em 2000 – Forró Agarradinho pela Unidisc. Em 1999 – Anjo Azul pela Universal Music. Em 1997 – Cristina Canta Alceu Valença pela Som Livre. Em 1994 – Doce Vendaval pela RGE. Em 1992 – Arisca pela Som Livre. Em 1987 – Flávio José e os Tropicais pela Polydisc.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Cristina Amaral: Uma forrozeira apaixonada pela música brasileira.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Cristina Amaral: Continuo estudando técnica vocal.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Cristina Amaral: O estudo de técnica vocal é uma forma de preservar a voz, mantendo a musculatura ativa além de exercícios de respiração, melhorar a técnica vocal.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Cristina Amaral: Marisa Monte, Gal Costa, Zizi Possi, Elba Ramalho, Maria Bethânia.

11) RM: Como é o seu processo de compor?

Cristina Amaral: Não é habitual compor, mas quando vem a inspiração já nasce letra e melodia junta.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Cristina Amaral: Meu irmão, o cantor e compositor César Amaral.

13) RM: Quais os obstáculos você enfrentou na carreira musical por ser mulher?

Cristina Amaral: Eu comecei nos anos 80 e sofri muito preconceito por cantar em banda de baile, pelo fato de ser a única mulher da banda, tive até dificuldade de arranjar um namorado. Quando eu cantava em banda de baile, namorei um rapaz, mas os pais dele não aceitavam o namoro, pelo fato de ser cantora é de banda (risos). O cenário do Forró mudou muito, mas ainda continua machista e os homens se destacam mais do que as mulheres. Eles são um pouco egoístas, em seus projetos dificilmente chama uma cantora para participar. Tem que ter mais união e harmonia entre homens e mulheres para o bem das relações pessoais e da arte.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Cristina Amaral: Ter a liberdade de produzir e escolher repertório sem interferências de gravadoras. A desvantagem de ser independente é não ter a estrutura de distribuição e divulgação de uma gravadora.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Cristina Amaral: No palco uma equipe de produção e técnicos para uma melhor qualidade do espetáculo e fora do palco uma assessoria responsável pela divulgação nos meios de comunicações, mídias e redes sociais.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Cristina Amaral: Pensar e agir em equipe, profissionalismo, fazendo com que todos sejam reconhecidos e remunerados pelo seu trabalho.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Cristina Amaral: Que bom que temos a ferramenta internet que facilita e só traz benefícios ao trabalho do artista, é só saber usar e aproveitar o que ela nos traz de bom!

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Cristina Amaral: Não vejo desvantagens, é preciso acompanhar o avanço da tecnologia e aproveitar as oportunidades.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Cristina Amaral: Realizo projetos desafiadores como cantar Nélson Gonsalves, Núbia Lafayette, Ângela Maria, é o que faz a diferença na minha carreira musical.

20) RM: Como você analisa o cenário do Forró. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Cristina Amaral: O Forró sofre mutações, mas é um ritmo resistente assim como é o nordestino e de uma riqueza cultural e de melodias nascidas de grandes mestres compositores e cantadores como Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Jorge de Altinho, Petrúcio Amorim, Maciel Melo, Flávio José, Anastácia. O Brasil precisa conhecer mais os seus artistas. No cenário do Forró quem continua é Flávio José. Revelação: Flávio Leandro. Eu não usaria a palavra regredir, alguns artistas marcaram uma época, tiveram a sua passagem com muito sucesso, fizeram a sua história e permaneceram.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Cristina Amaral: Temos um celeiro de grandes músicos, eu posso citar dois grandes mestres da sanfona Mestrinho, Cezzinha e o violonista e guitarrista Luciano Magno.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para o show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Cristina Amaral: Quando levei uma queda no palco fazendo um show particular no clube Português, cantando a música “Eu Sou o Forró”, foi inusitado.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Cristina Amaral: Felicidade sempre, amo o que faço e me sinto feliz, a música transcende.

24) RM: Qual a sua opinião sobre o movimento do “Forró Universitário” nos anos 2000?

Cristina Amaral: Eu acho que o movimento do “Forró Universitário” contribuiu muito e só fez enaltecer mais o nosso Forró e não precisou de muito instrumento, bastou a sanfona, o triângulo e a zabumba.

25) RM: Quais os grupos de “Forró Universitário” chamaram sua atenção?

Cristina Amaral: Falamansa, Rastapé, Bicho de Pé.

26) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Cristina Amaral: A grande maioria das rádios só tocam música se pagar o jabá, porém ainda existem rádios que tocam sem o jabá.

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Cristina Amaral: Siga em frente, não olhe para trás, deixa a música te levar e faça coma amor e responsabilidade.

28) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Cristina Amaral: Eu tive o privilégio de me destacar em festivais de música, assim como grandes artistas da MPB. O festival é um espaço para grande revelação de talentos, serei sempre a favor.

29) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Cristina Amaral: Sim. O The Voice Brasil da TV Globo, hoje se destacar como um novo formato de festival diferenciado e tem revelado grandes talentos nacionais.

30) RM: Como você analisa a cobertura feita pela mídia da cena musical brasileira?

Cristina Amaral: A cobertura feita pela grande mídia, destaca apenas a música da vez, o “modismo”, enquanto quem faz cultura não tem espaço. Com raríssimas exceções.

31) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Cristina Amaral: SESC, SESI, Itaú Cultural são espaços de grande importância para o artista, principalmente para os calouros, que estão começando agora. São espaços que oferecem oportunidades para a arte em geral.

32) RM: Qual a sua opinião sobre as bandas de Forró das antigas e as atuais do Forró Estilizado?

Cristina Amaral: Não tenho nada contra o Forró das antigas. Foi um grande movimento dos anos 90 que ficou na história. As bandas Estilizadas chamam-se de Forró, mas na realidade, é uma nova invenção musical midiática.

33) RM: Qual sua relação pessoal e profissional com Walmar Belarmino?

Cristina Amaral: Walmar Belarmino (in memoriam) que me trouxe de Sertânia – PE para Recife – PE, acho que se não fosse ele não teria vindo para Capital. A nossa amizade também musical nasceu em Sertânia através do grupo de jovem CJC (Comunidade de Jovens Cristãos), participamos juntos de festivais religiosos a festivais da MPB. No FEMUSC (festival de música sacra), o primeiro festival que vencemos com a música “Direitos Iguais” de sua autoria. Já em Recife no festival Recifrevo com a “Bloco da Lama”, dele e de Wilson Freire. Entre outras que fizeram parte dos meus primeiros discos como “Cio da Paixão”, “Fulô Divina”, “Tô Chegando” entre outras. Além de mim outros cantaram suas músicas como Flavio José, Alcymar Monteiro, Maciel Melo. Foi um grande compositor que contribuiu muito com a nossa música, um grande poeta de uma sensibilidade incomum. Eu sou muito grata e trago sempre boas recordações de amizade e aprendizado.

34) RM: Cristina Amaral, Quais os seus projetos futuros?

Cristina Amaral: Continuar com o meu projeto mais recente e que com a pandemia foi interrompido, cantando Nelson Gonçalves “Uma Saudade Chamada Nélson Gonçalves,” que teve uma boa aceitação do público.

35) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Cristina Amaral: (81) 99945 – 2911 (Breno Falcão) | [email protected] | www.facebook.com/cristinaamaraloficial

| www.instagram.com/cristinaamaraloficial

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCAYgINJTOmZHquraAjAzIQQ

Cristina Amaral – DVD Minha Voz, Minha Vida (completo): https://www.youtube.com/watch?v=DzHdDELBphg

Projeto ‘Forró na Casa de Mainha’: https://www.youtube.com/watch?v=qvBCmQqcgys

Live ‘Cristina Amaral Romântica’: https://www.youtube.com/watch?v=8v9mIGnyY3c

Live Cristina Amaral “Uma Saudade Chamada Nelson Gonçalves”: https://www.youtube.com/watch?v=GE7Bo0GNC_c

Live Cristina Amaral ONG: https://www.youtube.com/watch?v=YUVtGzhlV20

Forró do Pic Plic Plá / Forró Pesado/ Forró do Xenhenhem part. Cristina Amaral | DVD Marco Zero | Elba Ramalho): https://www.youtube.com/watch?v=QK4InQE8FDo


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.