Crec Leão

Crec Leão

O cantor, compositor, produtor e artista visual pernambucano Crec leão, participou de várias bandas desde o fim dos anos 80, sempre dentro na música independente em São Paulo.

Músicas gravadas por várias bandas diferentes no decorrer da carreira, sempre como vocalista e compositor. Nos anos 2010 se firmou na cena de arte contemporânea e permanece até os dias de hoje trilhando exposições dentro e fora do país. Atualmente reside em São Paulo, mas por já ter morado em Pernambuco e Sergipe, transita pelos três estados, com boa aceitação nas artes visuais e na música. Está disponibilizando em todas as plataformas de streamings seu álbum solo “Cores sonoras”. Um álbum cheio de guitarras, melodias pegajosas, swing e batidas eletrônicas.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Crec Leão para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 07.07.2021:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Crec Leão: Nascido no dia 18.09.1972, em Jaboatão dos Guararapes – PE. Registrado como Silvio Rogério de Souza Leão.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Crec Leão: Quando comecei a perceber que queria estar em um palco, fui vendo as apresentações dos programas de TV, Ney Matogrosso, Sidney Magal, Blitz, aquele entretenimento me empolgava, sempre fui amostrado, queria ser o centro das atenções e as apresentações em TV era o melhor lugar.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Crec Leão: Sou autodidata, fora da área musical cursei Propaganda e Marketing, Ciências Contábeis, Eletromecânica.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Crec Leão: O Rock e FUNK americano são os estilos que mais se destacaram na minha música, algumas influências ganham importância e as perdem de tempos em tempos.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Crec Leão: No fim dos anos oitenta em São Paulo, cantando em bandas de garagem.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Crec Leão: Lancei dois EPs e três CDs com bandas diferentes, o recente álbum “Cores Sonoras” é um projeto solo. Os estilos dos álbuns foram variando conforme a época, bandas de rock, funk rock, samba rock, quase todas as músicas gravadas tinham boa aceitação de público, mas não tive ainda nenhum grande sucesso tocando massivamente nas grandes mídias.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Crec Leão: Não penso em atingir uma uniformidade musical na hora de compor, devido a cornucópia de opções. Estou dentro de uma música brasileira que dar alvíssaras a pluralidade, sei que alguns estilos musicais não entram na hora que paro para compor, por exemplo não devo saber fazer música Sertaneja Pop.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Crec Leão: Não. Eu, sou autodidata, nunca possui técnicas vocais apuradas, mas tenho bom ouvido, sei bem quando escuto alguém, ou mesmo eu, desafinando.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Crec Leão: É fundamental ter o mínimo de conhecimento, no meu caso, o resto é feeling. E sobre os cuidados, é fisiologicamente necessário.

10) RM: Quais as cantoras (es) que você admira?

Crec Leão: São muitos, mas gostaria de ter a voz e a potência vocal do Steven Tayler e do James Brown.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Crec Leão: Não tenho um processo definido, as vezes é hebdomadário as vezes é urgente e compulsivo, as vezes as composições travam e respeito o tempo de cada música.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Crec Leão: Tatá Brasilina e Carlos Costa.

13) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Crec Leão: Os prós são a autonomia sobre seu trabalho e o direcionamento do mesmo, os contras é não atingir a quantidade de pessoas para formar uma carreira sólida e rentável.

14) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Crec Leão: Hoje estamos todos obrigados a trabalhar a favor das redes sociais para obter resultados satisfatórios, de exposição em mídia e divulgação do trabalho. Nos últimos anos a forma de acessibilidade mudou freneticamente, temos que acompanhar as necessidades do consumidor de música, hoje não é somente gravar e sair fazendo shows.

15) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Crec Leão: Gerar conteúdo diário para meu público.

16) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Crec Leão: A internet democratizou, mas ao mesmo tempo deixou tudo mais efêmero, a oferta é muito maior do que anos atrás, é mais difícil manter uma carreira duradoura por um espaço de tempo grande, pois tem muitos artistas surgindo ao mesmo tempo. Eu como consumidor acho bem legal, e como fornecedor acho bacana também, pois te obriga a estar sempre criando algo de qualidade. Acho difícil a banda que surgir a partir de agora se dar ao luxo de dormir em berço esplêndido.

17) RM: Quais as vantagens e desvantagens o acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Crec Leão: O fácil acesso à tecnologia de gravação deu a oportunidade de muita gente boa aparecer de igual para igual no mercado musical. E a desvantagem é que aparece muita produção de qualidade duvidosa, mas isso é subjetivo, todo mundo tem seu lugar ao sol.

18) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Crec Leão: Continuo compondo sem pensar muito no mercado, mas em me satisfazer profissionalmente, se atingir o gosto popular ótimo. O diferencial são as grandes ideias de promoção do meu trabalho.

19) RM: Como você analisa o cenário do Rock brasileiro. Em sua opinião quais foram às revelações musicais nas últimas décadas e quais permaneceram com obras consistentes e quais regrediram?

Crec Leão: O rock brasileiro está mais vivo do que nunca, a molecada produzindo a mil, em home estúdio, com seus programas e ferramentas cada vez mais acessíveis. E ainda temos os medalhões da cultura brasileira que estão aí desde a época dos festivais de música, acertando aqui, errando ali, criando fusões as vezes nem tão satisfatórias com novos artistas, mas tem para todos os gostos. Só acho muito difícil surgirem novos movimentos como o grunge, o mangue beat, o que é uma pena, pois podia balançar a cena musical nacional ou até mundial. Dispor uma concentração de olhares para um nicho, o que acho bem difícil acontecer nos dias de hoje, justamente por essa habilidade do acesso as novas tecnologias de gravações. Acho uma pena a música de massa no Brasil ser tão pobre intelectualmente. Não precisa ser erudito, mas poderia ser bem mais caprichada a mensagem que se passa através das letras e poder atingir as pessoas de todas as faixas etárias. As cenas musicais são menores geograficamente e consequentemente atinge poucas pessoas. A cena musical no bairro Ipiranga, que fica na zona, é demasiadamente rica, frenética e plural.

20) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Crec Leão: Só posso falar dos que já trabalhei efetivamente, e os que trabalhei dividindo shows, realmente seguiam seus esquemas de produção já estabelecidos, com equipes competentes e um sistema montado que os beneficiavam. Sobre a qualidade artística vou citar alguns que toquei na mesma noite, Mundo Livre S.A, Nação Zumbi, O Rappa, são bandas que se preocupam com o espetáculo, com o entretenimento e respeito ao público.

21) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado e etc)?

Crec Leão: Não há um músico independente ou de grande gravadora que saiu tocando pelo Brasil, que não tenha passado por algo inusitado ou citado na pergunta. Recordo-me de tocar em um evento de um centro espírita, onde a Xuxa viver abria o show, com direito a Dengue e Praga. Já colocaram revólver em cima da mesa do escritório para comunicar que o cachê não seria pago. Mas essas situações fora do contexto aconteciam nós anos oitenta e noventa, hoje está mais organizada, antes para uma banda que estava se projetando era tudo mais mambembe.

22) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Crec Leão: Eu só tenho a agradecer, viajar, se divertir e cantar o que quero é fantástico.

23) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Crec Leão: Tem pessoa que nasce com algo a mais e usa da aptidão e com disciplina torna-se monstro e grava seu nome na história.

24) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Crec Leão: Improviso é necessária para o palco, muito chato shows mecânicos. Por isso os The Rolling Stones estão até hoje aí, tocam com satisfação e entusiasmo todas as noites sem parecer mais do mesmo.

25) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Crec Leão: Existe o time coeso, o time que sente prazer em tocar junto, que nos ensaios se permite às jams, o resto é consequência.

26) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Crec Leão: Depende do que você sai de casa disposto a ouvir, muita gente saí pra escutar a reprodução fiel de um álbum, outros saem para ouvir Jazz, a masturbação dos solos de guitarra, de bateria, outros querem curtir a festa.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Crec Leão: Uma boa harmonia nunca terá contras e para uma boa harmonia é preciso uma parcela mínima de estudo.

28) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Crec Leão: A grande mídia toca sua música por diferentes motivos, a rádio visa audiência, tem os patrocinadores para se manter e tal. A minha música tem potencial para transitar nas rádios tranquilamente, a abertura para quem não está no mainstream é o verdadeiro problema. A música de massa, a música que vende, que toca na rádio é bem abaixo da mensagem que tento passar com minha música, hoje sinceramente não fico pensando nisso. Gostaria sim, de atingir mais pessoas com minhas músicas, mas sempre com total autonomia.

29) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Crec Leão: Se joga, pense primeiro no seu prazer, seja honesto consigo mesmo, o resto é consequência.

30) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Crec Leão: Sou totalmente a favor do Festival de música, sempre sai gente boa. Não gosto do formato do reality musical, são sempre muito padronizados, estão impondo um formato de interpretação chato pra caralho.

31) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Crec Leão: A cobertura feita pela grande mídia é bem organizada, as escolhas nem sempre me agradam. Hoje temos um inimigo em comum, que é o politicamente correto. Nos dias de hoje uma banda como Planeta Hemp é inviável com grande divulgação da TV aberta, por que levanta bandeira que a patrulha do bom mocismo repreende, e ao mesmo tempo põe os moleques do FUNK falando abertamente de maconha. Perdi-me nisso tudo, nem sei mais o que pode e o que não pode, e pior, quem é esse censor, quem define? Garanto que não é consenso nacional, disso tenho certeza.

32) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Crec Leão: São necessários tanto para instituição, quanto para os músicos e o público, sou a favor de cada vez mais ter espaços assim espalhados pela cidade, com equipamento bacana, estrutura e cachê digno, conforto para o público e profissionalismo para com todos.

33) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Crec Leão: Sim, uma via de mão dupla, todos com o mesmo interesse, se mantém vivos e faturando dignamente, com o público investindo em arte para ter momentos de diversão neste dia a dia tão duro. Quando alguma das partes não cumpre o seu papel é que o caldo entorna.

34) RM: Quais os seus projetos futuros?

Crec Leão: Continuar escapando deste Covid-19, sobreviver ao poder governamental empedernido, deletério, taciturno em que vivemos a séculos. Completar meu álbum, já que é interessante lançar singles mensalmente pelas plataformas de streamings, e quando estivermos a salvo do Covid-19 sair tocando pelo Brasil.

35) RM: Quais seus contatos para show e para os fãs?

Crec Leão: (11) 96389 – 7426 | [email protected]

https://web.facebook.com/crec.leao | https://web.facebook.com/Crec-le%C3%A3o-artista-visual-383435581671357 | https://www.instagram.com/crecleao

Não tenho: https://open.spotify.com/album/0Pe0iFqSosCud7d1fci6xz?highlight=spotify:track:4iVPGtegE2OI2m2rBmWeqg

Na Luz: https://open.spotify.com/album/5miLDBPySRIRrPcZLvH3VK?highlight=spotify:track:4JYolFwObJZlqzLtGXjnON

Tintas pra você: https://open.spotify.com/album/6Ngs15SpRsq6Q4NuE2w7K8?highlight=spotify:track:74BsNebjNsIc1DmlpIvrXL

Te pintar em cores: https://open.spotify.com/album/2dDDPP5uRPY1AsykZ7CGHY?highlight=spotify:track:0Ckgm1JPrEENfcsZRrUrEb

Fim de tarde em Olinda: https://open.spotify.com/album/4unwAjUPbVJ9TmagsrdALi?si=HyZafmdBTzWj79yMvKrJ8g&utm_source=whatsapp&dl_branch=1&nd=1

Canal: https://www.youtube.com/channel/UCPT0Y4t0IYB2dJD6JHLA2zw

Na Luz ( segue o sol) Crec Leão & Emaranhado Sonoro: https://www.youtube.com/watch?v=6jpo1Q3wmG0

Te pintar em cores Crec Leão & Emaranhado Sonoro: https://www.youtube.com/watch?v=_dCQDEQ0SAo

Não tenho: https://www.youtube.com/watch?v=i290wvXC1YA


4 Comments on “Crec Leão”

  1. Valeu, Crec! Entrevista de gente grande falando com bastante propriedade. Sucesso, meu amigo multi-artista.

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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.