Conrado Pera

Conrado Pera

O cantor, compositor, multi-instrumentista paulistano Conrado Pera é vencedor do Festival Nacional da Canção – o maior do Brasil  em 2015 com sua música “Corte e Costura” em parceria com Achiles Neto, recebeu o prêmio das mãos de Toninho Horta pelo primeiro lugar.

Lançado em 2015 seu primeiro CD – “Enlaçador de Mundos” foi elogiado pela imprensa além de programas de TV e rádio de quase todo o país. Entre os shows de lançamento, figuram o histórico Centro Cultural São Paulo e o Encontro de Culturas da Chapada dos Veadeiros.

Além dos shows do álbum Conrado já se apresentou em quase todos os estados brasileiros e em países como Tailandia, Etiópia, Camboja, Peru, México e Estados Unidos. Burning Man, a Virada Cultural Paulista, Virada Cultural de Belo Horizonte, o FICA – Festival Internacional de Cinema Ambiental, estão entre suas apresentações mais significativas. Além disso, compartilhou o palco com Ricardo Herz, Dandara e Chico César e abriu shows de Lenine, Jair Rodrigues e Renato Teixeira, entre outros.

Suas composições receberam prêmios em diversos festivais pelo Brasil e são interpretadas por artistas contemporâneos e grupos musicais, além de fazerem parte da trilha sonora de filmes e documentários, como é o caso da música “Caminho”, tema da série “Bipolar” transmitida pela Globosat, Sony, Warner Channel e Canal Brasil.  O videoclipe da sua música “Vem Plantar Tudo de Novo” já alcançou mais de 150 mil visualizações no youtube.

Conrado agora lança seu segundo álbum com produção musical de Raul Misturada e com a participação de Chico César. No elenco do disco estão Jota Erre, César Lacerda, Paulo Monarco, Sergio Carvalho, Ricardo Herz, Frederico Puppi, Lena Bahule, entre outros.

Segue abaixo entrevista exclusiva com Conrado Pera para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 06.11.2020:

Índice

01) Ritmo Melodia: Qual a sua data de nascimento e a sua cidade natal?

Conrado Pera: Nasci em 09.04.1983 na cidade de São Paulo, SP.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música.

Conrado Pera: Meu contato com a música vem desde a época que antecede a memória, minha família, assim como as pessoas que nos visitavam, era muito musical. Meu pai, Paulo Barroso, é cantautor e quando nasci ele já tinha lançado seu primeiro LP com participação de Dominguinhos. Minha mãe, Aduzinda Barroso, também sempre teve uma relação muito próxima com a música e com as artes em geral. Conta minha avó que meu avô também tocava nas festas da aldeia onde nasceram e cresceram. Meu pai e meus “tios” – amigos artistas dos meus pais – contam que me viam tocar desde os três anos de idade. Minha lembrança mais antiga é de quando tinha 4 ou 5 anos de idade tocando alguma coisa no Piano e aprendendo teoria musical com meu pai. Além da parte técnica meu pai sempre falava sobre música, sobre as subjacências e profundidade das composições do cancioneiro popular, principalmente do Brasil. Sempre se referia aos temas, conceito, contexto, sobre as letras e contava histórias sobre como as músicas tinham sido criadas, sobre suas intenções e complexidade.

03) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical?

Conrado Pera: Não possuo formação acadêmica, nunca pisei em uma Faculdade, sempre estudei em escolas públicas, a Faculdade sempre foi algo quase inatingível para quem vem da periferia e geralmente começa a trabalhar com 14 anos de idade, como eu. Com meu pai aprendi teoria musical, composição e harmonia desde cedo. Já com meus 19 anos de idade entrei na EMT – Escola de Música e Tecnologia, primeiro cursando Piano/Teclado e depois Violão até o terceiro ano. O curso tinha um total de 5 anos para formação em Violão com supervisão de Ulisses Rocha, por sugestão do próprio professor passei a ter aulas particulares, focado em composição e arranjos para Violão por mais quase um ano.

04) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente. Quais deixaram de ter importância?

Conrado Pera: Minhas influências por influência dos meus pais (Paulo Barroso e Aduzinda Barroso) são todos os grandes nomes da MPB e os compositores (as) desconhecidos do grande público também. Quando pré-adolescente, como influência daquilo que eu ouvia na rua, entre os amigos e aquilo que se ouvia nos bailes vieram o RAP dos anos 90, a música Jamaicana, o Soul assim como o Pagode o Samba e o Samba Reggae/Axé Music. Na adolescência, tanto em casa como pelos amigos próximos passei a ter influência do Forró e dos diversos ritmos nordestinos.

Vale ressaltar alguns discos que mudaram minha percepção musical, e até a direção daquilo que faria enquanto músico a seguir, no final da minha adolescência que foram: “Vozes da Cidade” de Paulo Barroso, “Brincadeira Manhã” de Lé Dantas e Cordeiro, “Show de Trindade” diversos compositores, “Acabou Chorare” dos Novos Baianos, o “Cantoria” de Elomar, Xangai, Geraldo Azevedo e Vital Farias, o “A Voz e o Violão” de Djavan”, o “Maria Maria” e o “Último Trem” de Milton Nascimento e o “Refavela” de Gilberto Gil.

Após revirar grande parte dos discos de música brasileira passei a escutar também música latina, ressalto aqui a música de Cuba, Colômbia, Porto Rico, Bolívia, Peru e também passei a pesquisar a música africana, em sua maioria do Mali, Senegal e Madagascar. Quando comecei a conhecer a música dos(as) cantautores (as) contemporâneos a mim passei a ser influenciado por esses (as) artistas que se tornaram meus parceiros, cito: Paulo Monarco, Thiago K, François Muleka, Achiles Neto. Todas essas influências seguem tendo igual ou maior importância hoje.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical?

Conrado Pera: Meu primeiro grupo musical foi o “Favela de Oz” quando tinha cerca de 11 anos de idade, um grupo de RAP. Depois veio a “Mística Natural” um grupo de reggae/DUB quando tinha cerca de 13 anos. Lembro que a primeira vez que subi num palco foi aos 13 anos, talvez a partir dali podemos chamar de carreira musical, apesar da idade, eu não só sonhava em viver de música como não me empenhava de corpo e alma para isso.

06) RM: Quantos CDs lançados?

Conrado Pera: Como Conrado Pera tenho apenas um CD, o “Enlaçador de Mundos” de 2015. Agora me preparo para lançar em 2020 o “TODOZOOM” que já teve dois singles lançados e deve sair dentro de um mês. Com as outras bandas e trabalhos musicais somam quatro álbuns e um DVD.

07) RM: Como você define seu estilo musical?

Conrado Pera: Não defino. Explico: na minha música se encontram diversos ritmos brasileiros e não-brasileiros, além de criações e fusões entre esses ritmos. Definir um estilo musical seria limitar minha criatividade como compositor. Não me lembro exatamente o jornal que definiu meu primeiro álbum como sendo “Regional Contemporâneo”, talvez até o seja, o caso é que outros álbuns virão em diversas roupagens e usando de diferentes temperos. Nem eu mesmo quero ter controle sobre isso.

08) RM: Você estudou técnica vocal?

Conrado Pera: Muito pouco. Fiz algumas aulas, o fato é que me chamava mais a atenção a forma como eram cantadas as ladainhas de capoeira, as loas dos maracatus, as cantigas de coco de roda, e a forma como as lavadeiras cantavam, e isso eu nunca encontrei dentro de uma escola de música.

09) RM: Qual a importância do estudo de técnica vocal e cuidado com a voz?

Conrado Pera: Eu acredito que desenvolvi uma técnica muito particular misturando a forma “acadêmica” e a forma como o canto é usado nas manifestações de cultura popular. Por se tratar de um estudo longo, que talvez dure toda a vida, acredito ter sua importância. Talvez tão importante quanto ou de maior importância seja: sabendo que cada pessoa tem o timbre único, a história da pessoa, sua realidade, a realidade a sua volta, tudo aquilo que a define, a conjunção de toda essa bagagem podem habitar seu canto e isso vai muito além da técnica.

10) RM: Quais as cantoras(es) que você admira?

Conrado Pera: São muitas, não caberiam aqui. Cito alguns que me vêm na mente: Baaba Maal, Mestre Moraes, Oumou Sangare, Milton Nascimento, Ayub Ogada, Bruna Moraes e Achiles Neto.

11) RM: Como é seu processo de compor?

Conrado Pera: Geralmente início pela melodia, antes mesmo da harmonia, ritmo, etc. Depois vou descobrindo quais acordes podem vestir aquela melodia de acordo com aquele sentimento, depois vem a letra. Mas com determinados parceiros (as) iniciamos pela letra. Há também alguns casos em que tudo nasce junto. As vezes a canção vem até mim, outras vou até ela. Cutuco, me embebedo de poesia, de inspirações, de vida, até ela nascer.

12) RM: Quais são seus principais parceiros de composição?

Conrado Pera: Há aqueles que tenho diversas parcerias como Thiago K, Achiles Neto, Gregory Haertel e André Fernandes, e outros que possuo uma ou poucas, embora muito quistas, como Paulo Barroso, Chico César, François Muleka, Oswhaldo Rosa, Paulo Monarco, João Marinho, Marcelo Müller, Sandro Dornelles entre outros, e há os mais recentes como Titá Moura e Du Gomide.

13) RM: Quem já gravou as suas músicas?

Conrado Pera: Eu não vou lembrar o nome de todos (as) intérpretes que gravaram minhas músicas apesar de não serem muitas, prefiro não citar. O que posso citar são pessoas que dão voz a essas canções e que através dessas pessoas algumas de minhas canções puderam ficar conhecidas entre um determinado público como é o caso de Dandara, Chico César, Isabela Moraes e Juruviara.

14) RM: Quais os prós e contras de desenvolver uma carreira musical de forma independente?

Conrado Pera: Eu não conheço – na pele – outra forma de desenvolver uma carreira musical, não tenho parâmetro para comparar com qualquer outra opção. Parece-me que pouquíssima gente tem, em sua maioria são vistos como produtos. Não que minha música não seja, mas vejo muito além do produto em si, talvez esse ponto se enquadre nos “prós”, poder fazer arte da maneira que me agrada. Mas existe uma dicotomia nessa frase porque o “poder” de um artista independente vindo das “classes sociais baixas” é totalmente limitado no que se diz respeito a produção em si. Talvez essa tenha sido os “contras”.

15) RM: Quais as estratégias de planejamento da sua carreira dentro e fora do palco?

Conrado Pera: Creio que essas estratégias são mutáveis, vivemos em um constante movimento de readaptação. Acredito que a criatividade seja o ponto chave dentro dessas estratégias, sejam elas quais forem. O tino para aquilo que é novo, para o uso de novas ferramentas. Por exemplo: agora tenho pensado – e produzido – mais em “singles”, em formas reduzidas de álbum como o EP. A forma como as pessoas consomem música mudou completamente e talvez daqui um pouco de tempo quando alguém for ler essa minha resposta essa nova maneira estará ultrapassada também. A importância da presença nas redes sociais, e isso inclui “vender” não somente a música, mas a imagem dela e do artista mudaram ainda mais as estratégias para qualquer artista que queira alcançar um determinado público. Fato é que enquanto tudo muda e mudará minha estratégia inicial se soma a todas as mudanças do mercado: deixar uma obra que sinta prazer em ouvir.

16) RM: Quais as ações empreendedoras que você pratica para desenvolver a sua carreira?

Conrado Pera: Usando para a resposta o sentido original da palavra “empreender”: pôr em prática, realizar. É também complexo e ao mesmo tempo inclui tudo que está ao meu alcance e limitação, mas cito: compor – isso inclui estar “antenado” para tudo que ocorre a nossa volta, no mundo e dentro de mim mesmo. Produção de novos materiais: CDs, EPs, Singles, Feat., Clipe, Vídeos, gravações ao vivo em Vídeo, Fotos. Buscar parcerias interessantes. Estar presente nas redes sociais. Tocar em outros estados e países.

17) RM: O que a internet ajuda e prejudica no desenvolvimento de sua carreira?

Conrado Pera: Creio que pessoas que não teriam acesso a minha música por estarem distantes geograficamente com a internet podem ter com grande facilidade, talvez com facilidade tamanha em que uma grande parcela desses ouvintes não se aprofundem na obra ou na composição em si. Posso acompanhar a reação de um público muito maior sobre novas composições muito antes de lançar essas músicas com produção e arranjos. A internet acelerou tanto a acessibilidade à música e aos novos artistas que eles (as) vêm e passam nessa mesma alta velocidade. Para o tipo de música que faço e a carreira musical que tenho desenvolvido e desenvolverei é mais importante construir pouco a pouco um público que realmente compreenda e se reconheça nessas canções, do que ter um acesso rápido e passageiro.

18) RM: Quais as vantagens e desvantagens do acesso à tecnologia de gravação (home estúdio)?

Conrado Pera: Desde que comecei a gravar já foi em home estúdio, creio que o home estúdio de certa forma, com suas limitações, democratizou a produção de música, assim como a internet. Se não fosse o acesso aos homes estúdios muito provavelmente eu não teria como gravar de outra maneira, em grandes estúdios que custam uma pequena fortuna. A desvantagem fica para os(as) ouvintes, muita coisa sendo produzida com má qualidade sonora, aqui nem estou falando da qualidade artística. Para o (a) artista que preza e tem conhecimento sobre aquilo que é minimamente audível, e que com certeza vai zelar pela maior qualidade que tiver acesso, vejo muito mais vantagens que desvantagens.

19) RM: No passado a grande dificuldade era gravar um disco e desenvolver evolutivamente a carreira. Hoje gravar um disco não é mais o grande obstáculo. Mas, a concorrência de mercado se tornou o grande desafio. O que você faz efetivamente para se diferenciar dentro do seu nicho musical?

Conrado Pera: Creio que naturalmente, pelas influências tão distintas e plurais que tenho, pela mistura que há em mim daquilo que é de raiz e contemporâneo e pela forma como componho, não são tantos artistas que habitam esse lugar. Sendo assim não os vejo como concorrentes, mas como correntes, onde a música deles(as) leva minha música para um outro lugar e vice-versa.

20) RM: Como você analisa o cenário musical brasileiro. Em sua opinião quem foram às revelações musicais nas duas últimas décadas e quem permaneceu com obras consistentes e quem regrediu?

Conrado Pera: Vejo que tem muita gente fazendo música de altíssima qualidade e não necessariamente essa música de qualidade é a que está com mais visibilidade no mercado musical, raramente tem sido na verdade. Isso se deve a muitos fatores, mas com certeza o plano de emburrecimento da população regido pela maioria da burguesia contrária ao movimento de descolonização, somado ao plano de marketing dos detentores do capital inseridos no mercado musical tem tido grande parte nisso. Quem permaneceu com obras consistentes são grandes artistas que, ou conseguiram unir suas ideias artísticas de qualidade a tendência do mercado, sem se perder nessa dança injusta entre arte e venda. Assim conseguiram viabilizar o mantimento de sua produção e carreira, ou aqueles que resistiram por uma militância artística de acreditar em suas obras e em sua própria capacidade acima de qualquer valor imposto pelas ondas do mercado.

21) RM: Quais os músicos já conhecidos do público que você tem como exemplo de profissionalismo e qualidade artística?

Conrado Pera: Tenho como exemplo meu parceiro, amigo e mestre Chico César, Maria Bethânia e Gilberto Gil.

22) RM: Quais as situações mais inusitadas aconteceram na sua carreira musical (falta de condição técnica para show, brigas, gafes, show em ambiente ou público tosco, cantar e não receber, ser cantado etc)?

Conrado Pera: Foram inúmeras, cito uma: quando ainda morava na periferia de São Paulo estávamos todos arrumados para ir tocar no outro lado da cidade e chovia muito, mal saímos de casa no carro de um dos integrantes da banda e pegamos uma enchente no nosso bairro Parque Novo Mundo. Com água acima dos joelhos saímos para empurrar o carro e tentar sair daquela enrascada. Sem roupa reserva fomos tocar completamente encharcados de água de enchente.

23) RM: O que lhe deixa mais feliz e mais triste na carreira musical?

Conrado Pera: Poder cantar aquilo em que acredito e essas músicas terem relevância na vida das pessoas, e de certa forma ser uma ferramenta de transformação social e do indivíduo. O mais triste é ver artistas gigantes em talento terem que abandonar suas carreiras por falta de suporte e terem que buscar outra profissão, ou até aqueles que têm que batalhar por toda uma vida para gravar um ou dois discos quando se tivessem reconhecimento e impulso financeiro deixariam grandes obras. É uma grande perda para a música brasileira quando um grande mestre(a) da cultura popular morre na miséria.

24) RM: Existe o Dom musical? Como você define o Dom musical?

Conrado Pera: Talvez existam pessoas que têm maior facilidade para determinadas coisas, de qualquer forma acredito que toda pessoa através de muita dedicação pode desenvolver dentro de si as ferramentas necessárias para ser um grande músico, uma grande musicista.

25) RM: Qual é o seu conceito de Improvisação Musical?

Conrado Pera: Tocar ou cantar algo completamente novo, que não foi criado ou estudado anteriormente.

26) RM: Existe improvisação musical de fato, ou é algo estudado antes e aplicado depois?

Conrado Pera: A referência de improvisação que tenho mais próxima a mim é no Samba de Coco, Coco de Roda, Coco de Desafio, Coco de Umbigada, Embolada, Corridos e Ladainhas de Capoeira, etc… em que o coquista ou cantador (a) cria os versos na hora de acordo com os acontecimentos à sua volta. Nessas circunstâncias posso afirmar que existe de fato. O que também acontece é que esses repentistas, cantadores, coquistas, estudam diversas formas de construção poética para que na hora da improvisação tenham ferramentas.

27) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre Improvisação musical?

Conrado Pera: Não conheço sobre métodos de improvisação a não ser entrar em uma roda de Coco e errar, errar, errar, até acertar.

28) RM: Quais os prós e contras dos métodos sobre o Estudo de Harmonia musical?

Conrado Pera: São ferramentas, se a pessoa usa a ferramenta para o ajudar a construir o que quer só há “prós”, se a ferramenta usa a pessoa para construir algo pré-programado por ela só há “contras”. Em harmonia quem tem que reinar é o sentimento.

29) RM: Você acredita que sem o pagamento do jabá as suas músicas tocarão nas rádios?

Conrado Pera: Muito improvável, à não ser que a música se torne maior que a própria rádio.

30) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical?

Conrado Pera: Plante uma árvore, comece comendo a fruta e cuidando da semente, depois prepare a semente para ir pro solo, prepare também o solo e todas as condições necessárias para ela brotar. Depois cuide dela todos os dias até virar uma grande árvore, depois coma a fruta e cuide da semente, depois prepare a semente para ir pro solo.

31) RM: Quais os prós e contras do Festival de Música?

Conrado Pera: Conhecer diversos compositores (as) e intérpretes maravilhosos (as) que, em sua maioria, estão fora dos outros circuitos. Ter a oportunidade de aprender a “botar pra fuder” em cima de um palco com jurados te olhando, além do público, tendo somente uma música para mostrar todo seu talento e desenvoltura com certeza são “prós”. Contras: na grande maioria das vezes não tem cobertura da imprensa nem projeção nacional.

32) RM: Hoje os Festivais de Música revelam novos talentos?

Conrado Pera: A nível nacional, falando de mercado, não, de forma alguma.

33) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira?

Conrado Pera: Em sua grande maioria é ridícula. Jornalistas que mal sabem que o prato e a faca são instrumentos musicais.

34) RM: Qual a sua opinião sobre o espaço aberto pelo SESC, SESI e Itaú Cultural para cena musical?

Conrado Pera: Eles têm grande importância para aqueles que já conseguiram certo “ibope”, mas não abraçam uma grande parte dos (as) artistas que merecem ter esse suporte.

35) RM: O circuito de Bar na cidade que você mora ainda é uma boa opção de trabalho para os músicos?

Conrado Pera: Bar raramente é uma boa opção quando falamos sobre arte, quando falamos de atender as expectativas de um público variado para fazer dinheiro pode sim ser uma boa opção. Na cidade onde moro e na região da Chapada dos Veadeiros tenho o privilégio de poder apresentar meu trabalho e minha arte além poder propor minhas criações artísticas, através do prestígio e confiança que conquistei, da compreensão sobre arte dos produtores, casas de cultura e donos de estabelecimentos com música ao vivo e principalmente do maravilhoso público que tenho aqui.

36) RM: Quais os seus projetos futuros?

Conrado Pera: Lançar o EP – “TODOZOOM” e seguir com as gravações do meu terceiro álbum, ainda sem nome.

37) RM: Conrado Pera, Quais seus contatos para show e para os fãs?

Conrado Pera: www.conradopera.com.br

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Conrado Pera | Buena Onda | Clipe Oficial: https://www.youtube.com/watch?v=vTWMmTsFXJo 

Conrado Pera | Vem Plantar Tudo de Novo [Clipe Oficial]: https://www.youtube.com/watch?v=5Pe5k_B117c 

Playlist Conrado Pera: https://www.youtube.com/watch?v=Fl4EI1QXnkE&list=PLKihFGvLIE-37fKPcmK1iXI84kkdE4_5M 

Na Minha Casa com Conrado Pera: https://www.youtube.com/watch?v=62XrZQLH7F8

Shows – Caldeira da Cultura –  (11) 2334-6296 / 9.7562-3797 / [email protected]

Assessoria de Imprensa – Dani Ribeiro / [email protected]


Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.