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Categorias: Entrevistas

Cláudio Roberto


O cantor, compositor, violonista carioca Cláudio Roberto, foi personal trainer quando era aluno de Educação Física pela UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro, mas em 1976, influenciado por Raul Seixas, largou o curso faltando um semestre para se formar e dedicando-se exclusivamente à carreira musical. Teve ainda outras ocupações como professor de português e inglês, vendedor de mocassins em feira hippie e eventualmente motorista de táxi.

Foi um grande amigo e parceiro musical de Raul Seixas o qual conheceu em 1963, quando Raul tinha 18 anos de idade e Cláudio Roberto apenas 11 anos. A canção “Novo Aeon” (Raul Seixas / Cláudio Roberto / Marcelo Motta) foi a primeira música em parceria gravada em 1976, no LP – “Novo Aeon”, pela gravadora Philips.

Em 1977, Cláudio Roberto passou a viver praticamente recluso em Miguel Pereira, interior do Rio de Janeiro. A mudança da capital para o interior aconteceu quando era casado com Ângela, filha da atriz Isolda Cresta, resolveram vir passar a lua de mel na região. Passados 15 dias, ele disse à esposa: “Eu vou ao Rio de Janeiro buscar minhas coisas e volto para morar aqui”. Ângela, ficou oito anos na cidade, o tempo que durou o casamento. Uma decisão que foi reforçada pelo amigo Raul Seixas: “Já que você quer ir morar no interior, esta é a hora, porque depois você não irá conseguir”. O sucesso aconteceu após lançar o álbum – “O dia que a terra parou” em dezembro de 1977 pela WEA, que conta com as parcerias musicais: “Tapanacara”, “Maluco Beleza”, “O Dia em que a Terra Parou”, “No Fundo do Quintal da Escola”, “Eu Quero Mesmo”, “Sapato 36”, “Você”, “Sim”, “Que Luz É Essa?”, “De Cabeça-pra-Baixo”.

A música “Maluco Beleza”,  se tornou uma identificação de Raul Seixas e um dos seus maiores êxitos musicais. A melodia e a letra são de ambos, usaram a mesma sequência de acordes da música “A festa continua”, parceria deles que Raul não gravou. O álbum – “O dia que a terra parou”, foi o único da carreira de Raul no qual todas as músicas foram feitas com um mesmo parceiro musical. “Na verdade, a música que mais se destacou é a que eu não acreditava muito, mas Raul Seixas, com sua visão e conhecimento, meio que profetizou o sucesso. “Maluco Beleza fugiu do controle, tínhamos a impressão de que ela já estava feita e que nós fomos apenas o veículo”, Cláudio Roberto.

A letra, de “Maluco Beleza”, fala sobre uma pessoa que preza a sua autonomia, o que é visto como maluquice pelos outros. Apesar de ter se tornado extremamente ligada à figura de Raul Seixas, reza a lenda que algumas pessoas e o próprio Raul, dizia que a canção é baseada em Cláudio Roberto. A lenda foi reforçada pelo seu comportamento desafiador das etiquetas, vivendo a vida de um semi ermitão no meio do mato. Assim, a canção acabou por se ligar ao tema constante do desejo de emancipação pessoal presente nos álbuns seguintes de Raul Seixas, que criou a melodia do refrão da música. Eles chegaram a compor uma letra em inglês para a canção. Mas, a letra definitiva foi feita no apartamento do Raul, no bairro Lagoa Rodrigo de Freitas, na época que ele era casado com Glória Vaquer. Enquanto faziam a canção, o maestro Miguel Cidras escrevia as partituras de algumas músicas do álbum – “O dia que a Terra parou”.

Segundo, Cláudio Roberto, o amigo Raul não o vinha visitar em Miguel Pereira – RJ com a frequência que ele gostaria que fosse. Assim como sua querida mãezinha (Juracy Andrade de Azeredo), o Raul detestava mato. Mas existe um fato bastante engraçado de uma de suas vindas a sua casa. Raul era uma pessoa absolutamente impossível e difícil de encontrar alguém semelhante. Estavam compondo havia uns três dias e quando acabou o “combustível” (risos), Roberto foi dormir. Mas Raul se recusava e resolveu sair para dar uma volta pelas redondezas com a matilha do amigo, cachorros de médio e grande porte. Como neste dia especialmente fazia muito frio, ele saiu com o casaco de pele de sua sogra, de um valor em dólar bastante considerável. No dia seguinte, o resultado desta saída era uma fila de vizinhos reclamando dos palavrões do Raul, das investidas dos cachorros contra os animais e a cobrança de um dos vizinhos de quatro a cinco de suas ovelhas, abatidas pelas feras. Sem contar que o casaco de pele de sua sogra estava todo estraçalhado. Foi um acontecimento!

Em 1980, Cláudio Roberto retomou a parceria com Raul Seixas no álbum – “Abre-te sésamo”, pela CBS e as parcerias dos dois são: “Abre-te Sésamo”, “Aluga-se”, ”Ângela”, “Rock das Aranhas”, “Baby”, “É Meu Pai”, “À Beira do Pantanal”, “Só Pra Variar”, que contou também com a parceria de Kika Seixas. A música “Rock das aranhas”, proibido pela censura federal, foi liberada mediante a intervenção do escritor e crítico musical R. C. Albin, não podendo, no entanto, ser executada publicamente.

Em 1983, tem as parcerias “Coisas do coração”, “Quero Mais”, “Aquela Coisa” com Raul Seixas e Kika Seixas, gravadas no álbum – “Carimbador Maluco” pelo selo Eldorado. Em 1984, teve a música “Meu Piano”, com Raul Seixas e Kika Seixas, no álbum – “Metrô Linha 743”, pela gravadora Som Livre. Em 1987, foi parceiro de Raul Seixas nas composições “Cowboy Fora da Lei”, um dos seus maiores sucessos, “Gente”, “Cantar”, “Quando Acabar o Maluco Sou Eu”, “Paranoia II (Baby, Baby, Baby)”, “Loba”, que tiveram a participação de Lena Coutinho, todas do álbum – “Uah-bap-lu-bap-lah-béin-bum! ”, pela Copacabana. Segundo Cláudio Roberto, em depoimento ao livro “O Raul que me contaram”, de Tiago Bittencourt, a “Cowboy Fora da Lei” ficou dez anos sendo burilada antes de ser gravada. Ainda em 1987, o rock “Aluga-se”, com Raul Seixas, foi registrado no álbum – “Duplo sentido” lançado pela banda Camisa de Vênus pela WEA.

Quando a notícia da morte de Raul Seixas já invadia, havia algumas horas, as casas de todo o país pelos aparelhos de TV e rádio, na manhã daquele 21 de agosto de 1989, Claudio Roberto ouviu uma voz chamando na porta de sua pequena casa em Miguel Pereira – RJ. Era um amigo da vizinhança que, com olhar triste e gestos hesitantes, disse ter algo para lhe contar. Desde que se mudou para a Região Serrana, em 1977, Cláudio não assistia a televisão. Nem tinha o aparelho em casa. Foi apenas depois daquela visita, portanto, que ele soube que o amigo e parceiro, com quem havia criado obras-primas, nunca mais lhe pregaria uma peça e o chamaria de “pô, Claudete”.

Em 1990, o country “Cowboy Fora da Lei”, foi gravado por Neymar Dias, no álbum – “O sucesso sertanejo – Neymar Dias e Sua Guitarra Havaiana”, pela Copacabana. Em 2003, foi lançado o álbum – “Anarkilópolis”, com gravações de Raul Seixas e que incluiu a inédita “Anarkilópolis (Cowboy Fora Da Lei Nº 2)”, com Raul Seixas e Sylvio Passos. Em 2005, o rock “Aluga-se”, foi gravado pela banda Titãs no álbum – “MTV ao vivo – Titãs” pela Sony BMG Music. Em 2017, a cantora Diana Pequeno, no álbum – “Signo”, gravou a balada “As Coisas do Coração”.

“Agradeço ao mestre Marcus Lucenna pela ponte que fez para eu travar o contato com o maluco beleza e talentoso Cláudio Roberto. Travamos um contato intenso pelo WhatsApp com consonâncias e dissonâncias nascendo uma amizade sincera. Somos dois brutos que amam os animais, em especial: cavalos, cães e galos de raça. Somos lobos da mesma alcateia que falam pelo estômago sem filtro. Cantamos na mesma região médio e grave afinados pelo coração. Cláudio Roberto, um guerreiro de 70 anos com alma de menino que não deixou a alegria pela poeira do caminho. Ele continua compondo sozinho ou em parceria e cantando com a mesma alegria do ar que respira” – Antonio Carlos da Fonseca Barbosa.

Segue abaixo entrevista exclusiva com para a www.ritmomelodia.mus.br, entrevistado por Antonio Carlos da Fonseca Barbosa em 28.05.2022:

01) Ritmo Melodia: Qual sua data e local de nascimento? 

Cláudio Roberto:  Nasci no dia 28 de maio de 1952 no Rio de Janeiro – RJ. Registrado como Cláudio Roberto Andrade de Azeredo. Filho único do casal “escorpiônico”: Ederto Vargas de Azeredo e Juracy Andrade de Azeredo.

02) RM: Fale do seu primeiro contato com a música. 

Cláudio Roberto: Desde que me entendo por gente a música esteve na minha vida. A minha família sempre foi musical e meu pai, Ederto Vargas de Azeredo, tinha uma meia sobrinha que tocava violoncelo e na família da minha mãe, Juracy Andrade de Azeredo, todo mundo era muito musical e cantarolavam muito. Eu por convivência fui iniciado a ouvir música nacional, americana, inglesa, francesa. Quando eu tinha quatro anos de idade, ganhei um rádio de pilha do meu avô, Bellerophonte de Andrade, eu não conhecia nenhuma criança com essa idade que tinha um radinho de pilha. No domingo meus pais acordavam mais tarde, mas eu sempre fui madrugador e ficava sozinho ouvindo meu radinho de pilha. Eu tenho memórias agradáveis, algumas melancólicas, muito pouco apropriadas, para uma criança de quatro anos de idade. Mas eu tenho memórias bem fortes dessa época que eu ficava no meu quarto ouvindo meu radinho de pilha. 

03) RM: Quais as suas influências musicais no passado e no presente? Quais deixaram de ter importância? 

Cláudio Roberto: No passado minhas influências musicais foram: Dolores Duran, Carmen Miranda, Musicais da Broadway, Luiz Gonzaga, Rock. No presente, eu tenho poucas influências musicais, estou mais abismado com o salto qualitativo que deu a garotada fora do Brasil, principalmente dos EUA que tem uma cultura musical fortíssima. Os cantores e músicos americanos são muitos bons e os cantores são os melhores do mundo. Nenhuma influência deixou de ter importância, a marca fica indelével, sou uma colcha de retalhos de tudo que ouvi, aprendi e fui influenciado nas várias etapas da minha vida. Elas podem ter deixado de ter importância para meu ego e para o que me agrada, mas não deixaram de ter importância para minha formação, seria impossível renegar o que vivi, ouvi e cantei.  

04) RM: Qual sua formação musical e/ou acadêmica fora da área musical? 

Cláudio Roberto: A minha formação musical é intuitiva, tenho bom ouvido, sou muito afinado. Eu tenho uma cultura musical muito plural, o que talvez facilitou eu criar melodias, e salvou o mal poeta e cantor que eu sou. Eu aprendi a ler aos quatro anos de idade, e meu filho também, eu li muito livros e a vontade de escutar as verdades dos outros era muito forte e eu não podia ficar à margem desse conhecimento. Minhas leituras eram muito plurais e a minha colcha de retalho tem muitos retalhos. Faltou um semestre para concluir o curso de Educação Física pela UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro. Em 1976, influenciado e aconselhado por meu amigo e parceiro musical Raul Seixas, passei a me dedicar exclusivamente a carreira musical.

05) RM: Quando, como e onde você começou sua carreira musical? 

Cláudio Roberto: Eu sempre cantei, eu tinha uma prima que éramos muito ligados e íamos para as festinhas juntos. Um dia eu estava me achando, pois todas as meninas queriam dançar comigo e eu me achando o tal. E a minha prima falou que as meninas queriam dançar comigo, não pôr eu ser o mais lindo, mas pôr eu saber as letras, cantar bem e cantar nos ouvidos delas. Eu fiquei meio puto e feliz ao mesmo tempo. Eu sempre tive banda e a música popular brasileira sempre me rodeava, eu morava no bairro do Leblon na zona sul do Rio de Janeiro, na avenida Ataulfo de Paiva, no Conjunto dos Jornalistas (eram três edifícios), que moravam jornalistas, cineastas, músicos, intelectuais, era um centro cultural muito forte na zona sul. Eu acabei me envolvendo com os músicos e aos 20 anos de idade já tinha banda, mas minha carreira musical aconteceu quando Raul Seixas gravou “Novo Aeon”, a nossa parceria junto com Marcelo Motta (falecido), a música também foi título desse álbum de 1975. Eu tinha 23 anos de idade, eu já tinha composto musicais com Raul, mas essa foi a primeira a ser gravada. Em 1977 no álbum – “O Dia Em Que A Terra Parou”, todas as músicas são nossas:  “Tapanacara”, “Maluco Beleza”, “O Dia em que a Terra Parou”, “No Fundo do Quintal da Escola”, “Eu Quero Mesmo”, “Sapato 36”, “Você”, “Sim”, “Que Luz É Essa?”, “De Cabeça-pra-Baixo”. 

06) RM: Como foi o seu primeiro contato com Raul Seixas? 

Cláudio Roberto: Meus amigos, Horácio Santos Seixas e Heloísa Santos Seixas eram filhos do jornalista Teles Santos Seixas, o Teles não era parente do Raul Varela Seixas (pai do Raul Santos Seixas), ele era parente de Maria Eugênia Santos Seixas (mãe do Raul Santos Seixas). Horácio Santos Seixas e Raul Santos Seixas pareciam irmãos, mas eram primos, parentes por parte da família Santos. Eu namorei com Heloísa e ela foi profética ao dizer que tinha um primo na Bahia e quando nos conhecermos iríamos nos adorar. Dito e feito, eu conheci Raul em 1963, quando eu tinha 11 anos de idade e ele já tinha 18 anos. Fazemos aniversário com 32 dias de diferença, eu nasci no dia 28 de maio de 1952 e Raul no dia 28 de junho de 1945.  

07) RM: Como foi a sua relação de amizade ao longo dos anos com Raul Seixas? 

Cláudio Roberto: Não daria para descrever em uma resposta o que foram 26 anos de amizade e 36 crias musicais. Tivemos vários estágios de amizade, a primeira atração foi baseada na música, por eu ser um garoto de 11 anos de idade com uma vasta cultura musical em relação aos garotos da mesma época (anos 60) e idade. Nossa aproximação foi única e exclusivamente em torno da música. Eu com 12 anos de idade, fizemos a nossa primeira canção: “It’s all beyond her Garden” e essa nunca foi gravada. Não daria para dizer como foi a nossa relação, pois mudou muito no decorrer dos anos. Ele foi meu pai, meu filho, meu amigo, meu mestre, meu guia. Tem uma gama enorme de coisas que nos atraiam, tínhamos muito carinho um pelo outro, muitas afinidades com o que achávamos importantes para as nossas vidas, principalmente em relação a música. Música é o centro da minha vida e foi o centro da vida do Raul 

08) RM: Como era o processo de composição de canção com Raul Seixas? Quem era o letrista? Quem era o melodista? Ou ambos criavam a melodia e letra? 

Cláudio Roberto: Não tínhamos um único processo de criação musical, cada parceria nossa nascia de uma forma diferente da outra. Não tinha uma função exclusiva de melodista ou de letrista. Deve ter sido uma novidade para meu amigo Raul Seixas ter um parceiro que acrescentava musicalmente na criação de melodia e harmonia, além da criação da letra. O melhor de tudo era a falta de regra em nosso processo de criativo. Tudo era absolutamente intuitivo e é como eu gosto de fazer até hoje.    

09) RM: Quantas músicas em parceria com Raul Seixas foram gravadas? Existem canções inéditas, se sim, você pretende liberar para gravação? 

Cláudio Roberto: Foram trinta e duas canções gravadas pelo Raul Seixas, na qual somos parceiros musicais, tem a música “Negócio É” que fiz com Eduardo Brasil e ele gravou, temos canções juntos com outros parceiros: Marcelo Motta, Kika Seixas. Eu sempre liberei as nossas canções para serem gravadas por outros artistas, mas não depende só da minha autorização, pois, ele tem três filhas e é um pouco mais complicado do que parece. Mas até agora não apareceu nenhuma boa oportunidade para gravação e regravação. Têm quatro músicas nossas inéditas rodando por aí, já saiu um áudio raro nosso cantando “Chuva amiga” (1977) e têm as compostas em 1980: “Pai Nosso Da Terra”, “A Festa Continua”, “A Loucura De Eva”.

10) RM: Em que ano você teve a consciência da importância das suas parcerias musicais com Raul Seixas? 

Cláudio Roberto: Após meus 60 anos de idade (por volta de 2012), os novos raulseixistas se apegaram às coisas positivas do trabalho do Raul Seixas, os antigos raulseixistas eram muito “xiitas”, tinham uma idolatria sem sentido. A partir dos meus 50 anos de idade (2002) eu comecei a ser tocado pelo sentimento orfandade que os fãs tinham e comecei a pensar mais sobre esse fato e me abrir mais. Conheci os novos raulseixistas que são pessoas que se apegam as coisas positivas da obra do Raul.

11) RM: Em que ano você teve a consciência da importância musical da obra de Raul Seixas? 

Cláudio Roberto: Eu conheci o Raul Seixas em 1963, antes dele ser famoso, mas sempre o achei famoso, pois era a pessoa mais diferente que eu conheci na vida e essa admiração se manteve. A importância da sua obra musical, eu considero inferior a importância da sua existência. O Raul era muito diferente e precisaríamos ter mais pessoas assim em evidência. Agora a importância musical da sua obra, eu não sei se tenho essa consciência hoje, aos 70 anos de idade. Estou intimamente envolvido com a pessoa e com a obra do artista para fazer uma análise imparcial e consciente, não sei se tenho capacidade para essa análise.     

12) RM: De que forma você define Raul Seixas como um “Maluco Beleza”? 

Cláudio Roberto: Eu não vou nem tentar pensar sobre a definição de Raul Seixas como um “Maluco Beleza”. O termo se tornou tão popular, pois todo mundo é um “maluco beleza”, de uma forma ou de outra. Não conseguiria fazer essa definição, o Raul foi uma pessoa muito diferente e se ele foi um “maluco beleza”, igual a todo mundo. 

13) RM: Como você se definiria como um “Maluco Beleza”? 

Cláudio Roberto: Parece que estou me esquivando dessa pergunta, é muito complico, eu e Raul Seixas criamos esse termo como um ideal que seria o equilíbrio, entre o rebelde que existe dentro de todos nós e uma pessoa sensata que deveríamos ser. Percebe quanta reticência eu fiz para responder. Eu não me atrevo a definir esse termo “Maluco Beleza” ou me definir como tal. O Raul dizia e algumas pessoas ainda dizem, que eu sou o tal “Maluco Beleza”, não é, que eu não queira, assumir essa responsabilidade. Mas, quem consegue definir o que é um “Maluco Beleza”, na realidade não é um (risos). 

14) RM: Quantos CDs do Raul Seixas têm suas parcerias musicais? 

Cláudio Roberto: São 32 músicas em nove álbuns do Raul Seixas, mas não tenho esse tipo de vaidade, a nossa parceria musical foi mais em decorrência da nossa identificação mútua e da realização lúdica, tínhamos muito prazer em fazer músicas juntos e nos divertíamos muito. Por isso, não me ligo nessas estatísticas.    

15) RM: Na sua opinião, quais são os álbuns de sua preferência e maior relevância como ouvinte, na obra do Raul Seixas? 

Cláudio Roberto: Com certeza o “Krig-ha Bandolo” (1973) é o álbum de maior relevância da sua carreira, pois foi a abertura para o Raul Seixas para o mundo do sucesso. Depois, eu fico em dúvida, entre os álbuns: “Abre-te Sésamo” (1980) e “O Dia que a Terra parou” (1977). “O Dia que a Terra parou” tem algo muito pessoal e não sei se gosto tanto. Já o “Abre-te Sésamo” foi feito com muito prazer em uma época em que a vida do Raul estava mais leve e muito legal, por isso curto, mas “Krig-ha Bandolo” é a obra de mais relevância não tenho a menor dúvida.

16) RM: Quais são as vinte (ou mais), melhores músicas da obra de Raul Seixas? 

Cláudio Roberto: Rapaz, você faz cada pergunta… No álbum “Krig-ha Bandolo” (1973), eu gosto de quase todas as músicas. Eu gosto muito de “Canto para a minha morte”, “Areia da ampulheta”, por serem músicas honestas, em que Raul Seixas fala de si com sinceridade. Gosto muito da melodia da música “A maçã”, mesmo o Raul dizendo que ele não era, o que a letra relatava.  Gosto da música “Maluco Beleza” por transcender as paredes e os muros das nossas parcerias. Gosto da música “Que luz é essa”, que Gilberto Gil participou gravando três violões diferentes e fez a contagem do compasso inicial da canção com musicalidade genial. Gosto também: “No fundo do quintal da escola”, “Você”, “Sim”. Já dei um número legal de músicas que gosto; vinte são muitas músicas para citar…       

17) RM: Como você recebeu a notícia do falecimento do Raul Seixas? Qual o impacto desse fato na sua vida pessoal e profissional? 

Cláudio Roberto: Eu já tinha recebido mais de dez vezes a notícia da morte do Raul Seixas, mas no dia 21 de agosto de 1989, eu sabia e senti que dessa vez era verdade. Após a confirmação, eu estava sozinho em casa e quis falar com alguém e sai de moto e cai com a moto. Eu passei dez anos da minha vida sonhando com ele, acordava e começava a chorar. A sua morte foi um divisor de água na minha vida, como foi a sua entrada na minha vida. 

18) RM: É possível viver bem financeiramente recebendo direitos autorais das suas parcerias musicais com Raul Seixas? 

Cláudio Roberto: Eu e alguns compositores não gostamos do termo direitos autorais, é de fato um cala boca autoral. Se fossem direitos autorais, Carole King, que na minha juventude, emplacou três hits mundiais, se ela ganhasse por direitos autorais tinha comprado uns três Estados nos EUA e feito em um deles a “Carolend”. Viver bem recebendo direitos autorais só é possível quando se é um cantor de sucesso de massa e não um compositor. Se você é um cantor que vende milhões de discos, talvez você ficasse rico. Mas não é o caso das vendas de discos do Raul Seixas. A pandemia do covid-19 acabou, voltaram os shows presenciais e compositores estão recebendo quase nada de direitos autorais das suas músicas tocadas nos shows. A justificativa é a parada por conta da pandemia. Por isso, não existem direitos autorais, é um cala boca autoral. Ponto final…

19) RM: Quais os motivos fizeram você não desenvolver sua carreira musical cantando sua obra? 

Cláudio Roberto: São dois motivos: o principal é a falta de ambição de ser o “artista” e o outro motivo foi a experiência adquirida, mesmo sem ter vivido o dia a dia de uma carreira artística, mas vendo o desgaste do potencial artístico como o do Raul Seixas e de outros artistas próximos, diante da burocracia de alguns setores da indústria musical. É muito difícil de lidar com as pessoas que estão voltadas para o comércio e para sua arte. Esses dois motivos me detiveram em desenvolver uma carreira artística e só de pensar nesses fatores me causa ainda aflição.    

20) RM: Após o falecimento do Raul Seixas você recebeu convite para se tornar um cantor das suas obras em parcerias? 

Cláudio Roberto: Nunca aconteceu, e meu próprio comportamento não encorajou ninguém a fazer esse tipo de convite de eu me tornar um cantor das parcerias com Raul Seixas.  

21) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional, no passado e no presente, com as esposas do Raul Seixas? 

Cláudio Roberto: Eu nunca concordei e talvez as pessoas próximas de Raul Seixas, com a maneira que ele agiu com as suas esposas. Foi uma exceção, a maneira do Raul lidar com suas esposas, em comparação com a forma que ele lidava com o mundo. A Edith Wisner, ficou muito magoada, a conheci quando eu era ainda um menino e ajudei a fazer a mudança da casa que eles moravam para um apartamento que ela pensou que fossem morar e ela terminou não indo morar. Edith, falou para o Sylvio Passos, que não se lembrava de mim. Ela deve ter ficado tão traumatizada que apagou alguns acontecimentos da sua memória e eu tenho certeza que fui alguém que teve uma importância no seu passado e eu gostava muito dela. Eu nunca gostei muito da Gloria Vaquer, seu temperamento e seu caráter não combinavam comigo. Gosto muito da Kika Seixas e me dou bem com ela até hoje. E me dou bem com a Tânia Menna Barreto e nos relacionamos normalmente. Também me dou bem com Lena Coutinho.

22) RM: Qual a sua relação pessoal e profissional, no passado e no presente, com Paulo Coelho? 

Cláudio Roberto: Não tenho nenhuma relação com Paulo Coelho, nunca me senti propenso a falar com ele. Quando nos vimos pela primeira vez no bairro Ipanema – RJ, em mil novecentos e muito antigamente, eu não gostei dele. Nunca trocamos uma palavra, já estivemos em alguns ambientes, mas não temos nenhuma relação pessoal.      

23) RM: Seu lado avesso à fama não é uma forma de ser famoso passando uma imagem de excêntrico? 

Cláudio Roberto: Eu estou cagando para a minha imagem pública e para o que pensam sobre a minha pessoa. Eu não estou nem aí, eu vivo a minha vida e nunca passou por minha cabeça, construir uma imagem disso ou daquilo. Eu passei boa parte da minha vida, avesso à reportagem, a entrevista para que os profissionais de imprensa me deixarem em paz e me deixaram. Hoje, sou um senhor de 70 anos de idade e não tenho mais esse problema. Mas não tenho perfil em redes sociais e poderia até me beneficiar financeiramente usando as redes sociais. Sinceramente, não tenho paciência para essas bobagens. Quem me conhece sabe que eu vivo uma vida espartana, moro no meio do mato em Miguel Pereira – RJ, eu durmo às 19:00 e acordo às 4:30 e levo uma vida simples e não gosto de ser perturbado. Hoje tenho mais tolerância ao contato com a mídia, com pesquisador e com fãs, mas não tenho prazer, eu disponho meu tempo em prol de quem queira informações sobre a vida e obra do meu amigo e parceiro musical Raul Seixas. 

24) RM: Quais os prós e contras do seu contato com os raulzitos e raulseixistas (fãs) e cover do Raul Seixas? 

Cláudio Roberto: Meu contato atual com raulzitos e raulseixistas, só tem prós, eles são um espetáculo e estou simplesmente apaixonado por eles. E os contras foram escutar as bobagens dos “xiitas” do passado, pessoas que estavam voltadas às coisas que não existiam e que eram quimeras. Mas nunca me deixei abalar quando mantive contato com eles. 

25) RM: O que o deixa mais feliz e mais triste na carreira musical? 

Cláudio Roberto: O que me deixa bem é a possibilidade de fazer o bem aos outros indiretamente com uma coisa (minha música) que foi prazerosa. É ver as reações das pessoas que dizem que uma música minha mudou suas vidas. Eu ter colocado uma palavra ou um verso em uma música que uma pessoa acha que mudou a sua vida para melhor. É uma dádiva que não tem preço. Uma vez, eu estava no meu apartamento no bairro do Leblon no Rio de Janeiro, a minha mãe, Juracy Andrade de Azeredo, ainda era viva. Eu assistindo pela TV no meu apartamento, a Daniela Mercury cantando na Praça da Apoteose, “Maluco Beleza” à capela e as pessoas cantando junto. Parceiro, se eu fosse recompensado financeiramente à altura do imenso prazer que me deu e que não tem nada a ver com orgulho, teria que ser muito, mais muito dinheiro. Eu vivo uma vida com dificuldade financeira. A tristeza é exatamente a falta de respeito com a cultura e com a propriedade intelectual que acontece no mundo, mas no Brasil por ser o quinto mundo, nós não somos só um país do terceiro mundo. Qualquer classe artística passa pelo mesmo sofrimento e descaso.     

26) RM: Alguns compositores já declaram o fim da canção. Qual a sua opinião sobre essa afirmação? 

Cláudio Roberto: Essa afirmação é uma bobagem. A canção acabou igual ao Sonho acabou para o John Lennon em mil novecentos e antigamente… Nem o sonho acabou nem a canção terminou. 

27) RM: O que você diz para alguém que quer trilhar uma carreira musical? 

Cláudio Roberto: Eu digo que esteja preparado para o revés financeiro, mas a arte musical é compensadora para quem acredita que só estará vivo se estiver feliz. Desta forma, o músico não vai se importar quando não tiver como pagar as contas de água e luz no final do mês. O prazer de estar vivo e atuante, é maior que esse detalhe pequeno dos pegues e pagues da vida.   

28) RM: Como você analisa o cenário do Rock no Brasil? Em sua opinião quais foram as revelações musicais nas últimas décadas? Quais artistas permaneceram com obras consistentes e quais regrediram? 

Cláudio Roberto: Atualmente, não tem cenário nem rock no Brasil, as revelações são de décadas atrás. Os artistas que permaneceram foram os antigos roqueiros. Parece um sentimento melancólico, mas não é não e eu não quero responder essa pergunta. As revelações atuais é um pinguinho aqui e ali, que logo se transformam em uma decepção.  

29) RM: Como você analisa a cobertura feita pela grande mídia da cena musical brasileira? 

Cláudio Roberto: A grande mídia é a culpada pela atual cena musical brasileira, se é que existe cena musical. A grande mídia cooptou com os mandos e desmandos das gravadoras que hoje estão desesperadas porque os chineses e paraguaios fabricam CDs mais baratos. E não estou falando da parte de gastos de gravação em estúdio. Os custos para se gravar um disco no Brasil sempre foram absurdos, quando a internet não era popular, eu fiz uma pesquisa e constatei que as gravadoras tinham acordos com gráficas. Eu fiz um orçamento para capa e encarte de um disco e constatei que custavam 20% a menos, imagine o preço nos dias atuais. Eu gosto de falar sobre meu trabalho autoral, sobre Raul Seixas, assunto de mercado musical me deixa muito ácido.      

30) RM: Hoje ainda existe espaço e ouvinte para música com letra que se sustenta como um poema/poesia? 

Cláudio Roberto: Apesar de sucessos descartáveis na grande mídia, mas hoje, ontem, amanhã e sempre se susterá uma letra de música que se sustente como poesia.    

31) RM: Bob Dylan ganhou o prêmio Nobel de Literatura em outubro de 2016. Será que este fato anima outros letristas a “sonharem” com prêmios na área de Literatura ou é um fato isolado? 

Cláudio Roberto: O prêmio Nobel da Literatura concedido ao Bob Dylan, que só estou sabendo por você, por eu ser desligado desse tipo de competição que alimenta vaidade e ego de artista… Mas acho justo o prêmio ao Bob Dylan, que como cantor e compositor é um excelente letrista. Agora, sobre se esse fato anima ou não outros letristas sonharem com prêmios é uma viagem.  Sonhar com prêmio na área de literatura, eu quero é sobreviver, ter dinheiro para colocar comida dentro de casa para alimentar os filhos. Eu sou uma pessoa simples e odeio quando dizem que eu sou uma pessoa humilde, pois me causa a impressão que para ser pessoa humilde, eu teria que ser “o pica das galáxias” realizando alguma coisa e eu não sou, nem conheço quem o seja.          

32) RM: Existe o dom musical? Como você define o dom musical? 

Cláudio Roberto: O dom musical é uma pessoa que não consegue viver sem música e para qual a música, o amor, a família são as coisas mais importante que existem. Existe o dom musical e faz com que pessoas como eu, escrevam sobre assuntos que aparentemente não dariam músicas, tudo dá música, só depende do compositor e do poeta que está escrevendo.   

33) RM: Os músicos americanos são conhecidos como grandes cantores, melodistas e arranjadores. Qual a sua opinião sobre a qualidade deles como letrista? 

Cláudio Roberto: A tradição musical dos americanos é fenomenal e é pouca a qualidade das letras, pois, eles têm pouca visão do que acontece no mundo. Os EUA é quase uma bolha, mesmo eles também tendo miséria, corrupção e desgraças igual a qualquer outro país. Os cantores, melodistas, arranjadores são excelentes por causa de sua tradição musical de origem inglesa que se fundiu com as músicas de outros países através dos imigrantes que se estabeleceram no país. Nós temos excelente compositores, mas a cultura brasileira é mais regional, em cada região do país tem particularidades musicais. A cultura norte-americana é mais nacional que a cultura musical brasileira. Os norte-americanos têm como referências de qualidade os seus ídolos e como tal o nível de qualidade e exigência sempre será alta.   

34) RM: Qual a sua opinião sobre a antiga função ou cargo do crítico musical nos jornais e revistas. Era positiva ou negativa essa função no passado para o mercado musical? 

Cláudio Roberto: Os críticos musicais do passado sempre estiveram mortos e nunca existiram para mim, nós podemos ser críticos musicais, a diferença no passado é que algumas pessoas tinham sua opinião publicadas nos meios de comunicações de grande audiência. Eu não sou crítico musical com essa conotação que ficou sendo conhecida, eu não quero que a minha opinião musical seja divulgada. O conceito e função do crítico musical é velho, morto e que nunca deveria ter nascido. Eu nunca dei atenção para resenha de crítico musical, está na minha canção: “…Se falam mal de mim, eu acho graça / Cachorros latem e a caravana passa…”. Não existe sentido em falar em função positiva do crítico musical. O mercado musical faliu, as gravadoras estão quase falidas com a popularização da internet e músicas nas plataformas digitas. Hoje, é possível fazer um disco bom sem precisar de gravadora. 

35) RM: Em que ano e com que idade você se tornou um adepto ao ócio como filosofia de vida vivendo em contato com a natureza e com os animais? 

Cláudio Roberto: Eu nasci adepto ao ócio criativo, eu nasci com essa natureza indolente, antes de me mudar em 1977 (aos 25 anos de idade) para Miguel Pereira – RJ, eu trabalhava muito fisicamente, eu fui personal trainer, eu adestrava cavalos, cães, etc, quem me visse trabalhando me achava um bicho no trabalho. Mas por trás dessa minha atitude residia uma enorme vontade de terminar depressa o trabalho para ficar mais tempo sem fazer nada e não precisar fazer de novo. Eu era rápido e eficiente e sempre tive uma boa relação com a natureza e com os animais. Sem o ócio criativo eu estaria morto.

36) RM: Qual o benefício para a saúde mental você falar pelo estômago sem filtro? 

Cláudio Roberto: Eu tenho 70 anos de idade, e o pessoal quando me vê, confunde novinho com pouco estragado, eu sou pouco estragado. Eu não sei qual o benefício mental e físico em falar sem filtro. Mas, só sei ser assim.

37) RM: Fale da sua atuação como amansador de cavalo. 

Cláudio Roberto: O meu avô paterno era português, João Aureliano de Azeredo, teve a primeira frota de caminhões do Rio de Janeiro, como era a primeira frota não tinha como repor as peças para os veículos, não tinham as facilidades em compras peças que temos hoje. Ele foi falindo e ainda gostava da jogatina de uma roleta. Após a falência ele se matou no quarto da casa. Os membros da família foram criados para serem milionários e inúteis e só o meu pai, Ederto Vargas de Azeredo, escapou da sina de ser um inútil. 

Meu avô materno, Bellerophonte de Andrade (Bellerophonte era o nome grego para o herói Perseu que montou o cavalo alado Pégaso), ele morreu aos 97 anos e era um sergipano casca de ferida. O seu pai era usineiro em Sergipe, queria moldar o filho e tinha um capataz que enchia o saco desse filho. Bellerophonte meteu a faca no bucho do capataz e mandou o pai enfiar no cu todo o seu dinheiro e vazou de Sergipe. No Rio de Janeiro meu avô foi ourives, alfaiate, marceneiro e fundou o primeiro Quartel Cavalaria da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Aqui em casa tem placa de prata de agradecimento da polícia.

Ele fundou junto com o general Eloy Menezes a Sociedade Hípica Brasileira. Eu não tinha como escapar sendo neto de uma sina como essa. A primeira vez que eu quebrei o braço, eu tinha quatro anos de idade e foi a minha primeira queda de um cavalo. Aos seis anos de idade, quebrei o braço de novo, tinha um cavalo que ninguém montava e eu cismei que o montaria. Fiz amizade com o cavalo, o filho da puta deixava eu me aproximar e quando eu o montei, ele me jogou no chão e quebrei o braço, uma fratura exposta. A minha mãe, Juracy Andrade de Azeredo, achando que tinha ficado livre da minha mania de domar, estávamos no trem voltando para casa, ela me repreendeu dizendo: “agora você está arrependido?” Eu com o braço todo estourado, falei: “faria tudo de novo”. Ela percebeu que eu não tinha mais jeito.

Eu amansei cavalos, ajudei a montar a primeira Hípica do Hotel do Frade em Angra dos Reis – RJ e sempre fui metido com os bichos, e também fui adestrador de cachorros por muitos anos e me tornei um adestrador relativamente famoso. O cavalo é um animal complexo, ele precisa confiar muito em você, seja qual for a relação que você estabelecer com ele. Não estou falando da relação de subjugação e escravização que algumas pessoas submetem e acostumam o cavalo a viver. Amansador é uma relação de mão dupla do homem com o animal. Eu sempre tive esse fascínio pelos cavalos, terminava fazendo consultoria para o dono dos cavalos, eu contratava pessoas que conhecia e os treinava para lidar com os cavalos nas cocheiras. Hoje, aos 70 anos de idade, eu estou vendo se consigo amansar o burro velho, que sou eu, mas não estou tendo muito sucesso (risos).

38) RM: Fale da sua atuação como adestrador de cachorro. 

Cláudio Roberto: Eu sempre tive paixão pelos cachorros como existia pelos cavalos, mas o temperamento dos cachorros é mais acessível e menos complicado que o dos cavalos. E exige um pouco menos de trabalho que o adestramento do cavalo e é mais fácil o condicionamento e fazê-lo confiar em você. Eu criei um pastor alemão (Alex do Lengrubber) que foi campeão brasileiro de adestramento por três anos consecutivos. A primeira vez que o coloquei em uma competição, ele tinha quatro anos de idade e a prova era recomendada para cachorros acima de seis anos. Vencemos a prova e ele foi a maior diferença de pontos em relação do primeiro para o segundo colocado em uma competição e acho que ainda temos esse Record. Ele era um espetáculo e foi meu cartão de visita, as pessoas quando me viam com ele, queriam que eu adestrasse os seus cachorros. Eu adestrei muitos cachorros e tomei poucas mordidas, mesmo sendo um abusado inveterado (risos). 

39) RM: Você criou galo de Raça? 

Cláudio Roberto: Eu criei muitos Galos de Briga! Fui um criador conceituado. Vinha gente de longe comprar os galos que eu criava. Na mão de pobre (eu), galo bom brigava por 300,00 reais, que já era muito dinheiro para arriscar. Mas, na mão de ricos, brigavam com valor de 30 a 50 mil reais, os donos de galos fretavam aviões para colocar os seus galos para brigar. Eu passei quase 30 anos criando galos de briga e construí uma boa reputação entre os donos de galos de briga. 

40) RM: Quais os fatos são lendas e quais são verdades sobre a vida pessoal e profissional de Raul Seixas? 

Cláudio Roberto: Eu posso te garantir que a maior parte dos fatos que relatam sobre a vida e a obra do Raul Seixas não são lendas, muitos fatos são inacreditáveis (risos). 

41) RM: Quais parceiros que constam como coautores de músicas do Raul Seixas que não participaram da canção e foi dada a parceria musical? 

Cláudio Roberto: Eu não sei para quem Raul Seixas deu parcerias de músicas, mas, sem o menor atrito ou rancor, muitas ideias que eu dei e conversas informais que tivemos se transformaram em letras de músicas e não fui incluído na parceria, pois, eu não estava no momento da criação da música. Só falta o Sol querer parceria por conta de sua existência e estar em letras de músicas. A única parceria questionável é com o argentino Oscar Rasmussen, segundo testemunhas, mas eu não posso afirmar por não estar com eles, as testemunhas diziam que Oscar não fazia nada na criação da música, só entrava com “o combustível” (risos). Mas até hoje alguns cantores famosos pedem a parceria para gravar uma música. Dizem que estão fazendo um “investimento” para o compositor.

42) RM: Você pretende escrever um livro de memórias sobre sua vida pessoal e profissional com Raul Seixas?

Cláudio Roberto: Não tenho essa intenção, pois escrever, e escrever um livro, é 80% de trabalho braçal e 20% de inspiração. Eu sou mais chegado ao meu ócio criativo, que é a razão do meu viver. 

43) RM: O que você gostaria de ter dito ao Raul Seixas que não conseguiu falar em vida? 

Cláudio Roberto: Gente do meu modelo se arrepende do que falou e não deveria ter falado. Eu sempre falo pelo estômago e sem filtro. Eu e meu amigo Raul Seixas, apesar dele ser introvertido e tímido, com certeza foi embora sem deixar nada por falar comigo nem eu para com ele.

44) RM: Qual sua opinião sobre a relação pessoal e profissional de Raul Seixas com Marcelo Nova? 

Cláudio Roberto: Não posso falar da relação pessoal e profissional entre Raul Seixas com Marcelo Nova. Durante toda a minha convivência com Raul, ele gostava de chocar as pessoas, gostava de beber uma vodka dupla em jejum, se espreguiçar e falar que estava pronto para começar o dia. Eu sempre falei para ele que eu não teria uma postura de repressão nem de censura que ele queria que eu tivesse, pois, eu não era a sua mãe nem a sua babá. Éramos dois homens e sabíamos as consequências das nossas ações. Eu sou muito agradecido ao Marcelo Nova por ele estar na hora que eu tinha prometido ao Raul que eu não estaria. Eu sempre dizia para o Raul que o seu fim seria dolorido e doloroso. Eu me reservava o direito de não estar presente, era uma contrapartida por eu nunca ter bancado a sua enfermeira ou a sua mãe. As pessoas que gostam de julgar emitem opinião sobre a relação dos dois sem ter o menor direito. Às vezes quem está envolvido com a pessoa em questão não tem condição de analisar e se expressar a respeito, imagine quem não tem essa proximidade com a pessoa. 

45) RM: Nietzsche comenta que a melodia (música) sem letra perturba a alma. O que você acha dessa afirmação? 

Cláudio Roberto: A melodia tem o poder de influenciar o nosso humor e estado de espírito. Analisamos a letra de forma racional, mesmo que as palavras falem direto ao nosso coração (emoção), a mensagem passa primeiro pela cabeça (compreensão). A melodia vai direito no âmago e determinada melodia perturba a alma. Eu não gosto dos compositores da música erudita que eram atormentados, eu acho as melodias deles profundamente perturbadoras. Eu gosto mais dos compositores leves, chamados de água com açúcar, como: Johannes Brahms, Antonio Vivaldi, etc. Não gosto dos compositores da música clássica que são pesados. 

46) RM: Qual foi o impacto da pandemia do Covid-19 para a sua vida pessoal e profissional? 

Cláudio Roberto: A pandemia do Covid-19 impactou muito na minha vida profissional, mas minha vida pessoal não mudou muito com o isolamento social, já vivo de forma reclusa. Mas tem o fator psicológico, pois, uma situação é você não sair de casa por vontade própria e outra é não poder sair. Eu só tive o receio de pegar o coronavírus quando estava brabo, pegando a geral. Eu fiquei com medo de pegar o vírus e sofrer com as sequelas, a carne é fraca, mas não tenho medo de morrer. 

47) RM: Qual a semelhança e diferença da mensagem da música “O dia em que a Terra parou” com a realidade do isolamento social por causa da pandemia o Covid-19? 

Cláudio Roberto: A semelhança entre a pandemia do Covid-19 com a letra da música “O dia em que a Terra parou”, é a cidade vazia. A diferença é que na mensagem da música as pessoas resolveram não sair de casa, algo como uma greve da sociedade. Na pandemia as pessoas se apavoraram com a possibilidade de pegar o vírus e morrerem, por isso se resguardaram em casa como uma forma de prevenção através do isolamento social. 

48) RM: Qual o disco ou a música na qual você se orgulha de ter participado? 

Cláudio Roberto: Música é igual a filho soltamos para o mundo, têm pessoas que gostam de uma música nossa que não achamos muito boa. As pessoas lidam com nossos filhos não como sendo pai ou mãe, elas lidam como recebendo um estranho. Eu não tenho uma música nem um álbum preferido. Mas meu disco preferido do Raul Seixas é “Krig-ha Bandolo” (1973).

49) RM: Como foi sua relação com seus pais sendo um filho único?

Cláudio Roberto: Eu sou filho de dois escorpianos, Ederto Vargas de Azeredo (28/10) e Juracy Andrade de Azeredo (27/10/1912 – 2012) e tiveram um único filho geminiano com ascendente em gêmeos (28/05/1952), quando eles viram que atingiram a perfeição ao me gerarem, ficaram com medo de ter uma decepção gerando outro filho (risos). Mas eu tenho um monte de irmãos de criação, minha mãe era católica praticante e ao sair da missa não se tornava uma pessoa ruim como no geral acontece. Ela criou alguns primos meus, filho da vizinha. Meu pai era de uma família na qual todos os membros foram treinados para ser inútil e milionário, só meu pai conseguiu ser útil. Ele trabalhou como redator em alguns jornais do Rio de Janeiro e com Assis Chateaubriand, dono dos Diários Associados.

A minha mãe era uma força da natureza e diferente, ela foi a primeira feminista que eu conheci, depois dela foram os livros da escritora Doris Lessing que tem livros espetaculares. Quando eu cheguei na idade de fazer filho, minha mãe me acordava, me dava bom dia e falava: namorada de filho meu não bate na minha porta dizendo que está grávida, pois filho meu, sabe que a responsabilidade pela semente é dele. Logo, filho meu não faz filho na filha, na irmã, prima, na amiga dos outros. Filho meu, toma cuidado com o que é seu, com sua semente. Eu só tive filho que eu desejei e nunca fiz um filho sem querer.

No raro momento de lucidez que eu tive na vida pedi para minha mãe colocar o apartamento do bairro do Leblon – RJ no nome dos meus filhos, com certeza se eu não tivesse feito isso, eu teria vendido o apartamento e passado um mês vivendo como rico e torrado o dinheiro. Ela tinha pouca tolerância com a fraqueza dos outros, ela não demonstrava suas fraquezas, era uma rocha. Houve momentos da minha vida que precisei muito de seu colo quando eu estava arrasado e ela falava: chorar não leva a nada e o mundo não tem pena de você, o mundo passa o rodo em você.

Quando a minha mãe faleceu em 2012, eu passei uns 6 anos chorando de saudade dela. Ela preenchia a vida de todos e parecia que ela não tinha falecido. Após, o seu falecimento, eu ainda a esperava aparecer reclamando de alguma coisa com o dedo em riste apontando dizendo que eu tinha vacilado em alguma coisa. Ela podia fazer isso, pois não cometia nenhum vacilo, exceto não ter muita compaixão com a fraqueza dos outros, eu demorei até 2018 para não ter essa impressão que ela iria entrar pela porta de casa. 

50) RM: Qual seria a postura do Raul Seixas com a popularização da internet e das redes sociais no século XXI? 

Cláudio Roberto: Ele seria um “perigo” e tiraria um partido alucinante das redes sociais. Raul Seixas tinha uma mentalidade vanguardista e rápido perceberia o “Calcanhar de Aquiles” e com um só palito pararia o motor dessa merda…

51) RM: Fale sobre o baixista Paulo César Barros. 

Cláudio Roberto: Paulo César Barros gravou linha de baixo em todos os álbuns do Raul Seixas. Ele, alto e gordo, encostava perigosamente uma cadeira na parede apoiada em duas pernas e colocava os pés em cima de outra cadeira e o contrabaixo em cima da barriga e parecia que estava dormindo. Dava uma aflição, aí ele fazia o diabo com Baixo e fez linhas de baixo matadoras que entraram para história em músicas que se tornaram clássicos da obra do Raul e do rock do Brasil. 

52) RM: Qual a cronologia das suas músicas nos álbuns do Raul Seixas? 

Cláudio Roberto: Consultei o meu amigo e raulseixista de confiança, Junior Oliveira, pesquisador sério que apresenta o programa dominical “Mosca na Sopa” junto com Gabriela Mousse:

1975 – Novo Aeon (Philips)

01- Novo Aeon (Raul Seixas / Claudio Roberto / Marcelo Motta)

1977 – O dia em que a terra parou (Warner Bross)

02 – Tapanacara (Raul Santos Seixas/Claudio Roberto Andrade de Azevedo)

03 – Maluco Beleza (Raul Santos Seixas/Claudio Roberto Andrade de Azevedo)

04 – O Dia Em Que A Terra Parou (Raul Santos Seixas/Claudio Roberto Andrade de Azevedo)

05 – No Fundo Do Quintal Da Escola (Raul Santos Seixas/Claudio Roberto Andrade de Azevedo)

06 – Eu Quero Mesmo (Raul Santos Seixas/Claudio Roberto Andrade de Azevedo)

07 – Sapato 36 (Raul Santos Seixas/Claudio Roberto Andrade de Azevedo)

08 – Você (Raul Santos Seixas/Claudio Roberto Andrade de Azevedo)

09 – Sim (Raul Santos Seixas/Claudio Roberto Andrade de Azevedo)

10 – Que Luz E Essa (Raul Santos Seixas/Claudio Roberto Andrade de Azevedo)

11- De Cabeça-Pra-Baixo (Raul Santos Seixas/Claudio Roberto Andrade de Azevedo)

1978 – Mata Virgem (Warner Bross)

12 – Negócio É (Eduardo Brasil/Claudio Roberto)

1980- Abre-Te Sésamo (CBS)

13 – Abre-Te Sésamo (Raul Seixas/Claudio Roberto)

14 – Aluga-Se (Raul Seixas/Claudio Roberto)

15 – Ângela (Raul Seixas/Claudio Roberto)

16 – Rock Das ”Aranha’‘ (Raul Seixas/Claudio Roberto)

17 – Só Pra Variar (Raul Seixas/Kika Seixas/Claudio Roberto)

18 – Baby (Raul Seixas/Claudio Roberto)

19 – E Meu Pai (Raul Seixas/Claudio Roberto)

20 – A Beira Do Pantanal (Raul Seixas/Claudio Roberto)

1983- Raul Seixas (Estúdio Eldorado)

21 – Coisas Do Coração (Raul Seixas/Kika Seixas/Claudio Roberto)

22 – Quero Mais (Raul Seixas/Kika Seixas/Claudio Roberto)

23 – Aquela Coisa (Raul Seixas/Kika Seixas/Claudio Roberto)

1984- Metrô Linha 743 (Som Livre)

24 – Meu Piano (Raul Seixas/Kika Seixas/Claudio Roberto)

1987- Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Béin-Bum! (Copacabana)

25 – Quando Acabar O Maluco Sou Eu (Raul Seixas/Lena Coutinho/Claudio Roberto)

26 – Cowboy Fora Da Lei (Raul Seixas/Claudio Roberto)

27 – Paranoia II (Baby Baby Baby) (Raul Seixas/Lena Coutinho/Claudio Roberto)

28 – Loba (Raul Seixas/Lena Coutinho/Claudio Roberto)

29 – Gente (Raul Seixas/Claudio Roberto)

30 – Cantar (Raul Seixas/Claudio Roberto)

1988- A Pedra Do Genesis (Copacabana)

31 – I Don’t Really Need You Anymore (Raul Seixas/Claudio Roberto)

2003- Anarkilópolis (Som Livre)

32 – Anarkilópolis (Cowboy Fora Da Lei Nº 2) (Raul Seixas/Claudio Roberto/Silvinho Passos).

OBS: é de conhecimento de fãs, outras canções que tem parceria de Raul Seixas e Cláudio Roberto, não sendo gravadas em discos oficiais, circulando entre as pessoas as versões demo e/ou gravações caseiras destas, sendo estas músicas:  1977 – Chuva Amiga (Raul Seixas / Claudio Roberto) : https://www.youtube.com/watch?v=Ac9Ezy2aO2c

1980 – Pai Nosso Da Terra (Raul Seixas / Claudio Roberto) por banda Ira: https://www.youtube.com/watch?v=FJGLyE8o74U

A Festa Continua (Claudio Roberto / Raul Seixas): https://www.youtube.com/watch?v=nlQLFXwablA

A Loucura De Eva (Raul Seixas / Claudio Roberto): https://www.youtube.com/watch?v=6uEbr8Gtfl4

*Pesquisa e organização: Junior Oliveira (www.instagram.com/junioroliveira1a)

Links sobre Cláudio Roberto. Ele não tem perfil em redes sociais.

Entrevista com Cláudio Roberto para Henrique Inglez de Souza: https://www.youtube.com/watch?v=flzsYiX12gQ 

Faixa a Faixa Com Cláudio Roberto – Novo Aeon e O Dia Em Que A Terra Parou por Gabriela Mousse e Junior Oliveira: https://www.youtube.com/watch?v=tawk2HzK5OI 

Faixa A Faixa Com Cláudio Roberto Raul Seixas e Metro Linha 743: https://www.youtube.com/watch?v=5Rx91kEg9o4

Faixa A Faixa Com Cláudio Roberto Mata Virgem e Abre Te Sésamo: https://www.youtube.com/watch?v=wqkZRSo3cJg

Cláudio Roberto fala sobre parceria com Raul Seixas nos 40 anos do Abre-te Sésamo: https://www.youtube.com/watch?v=d62RRDUyB4k

Faixa A Faixa Com Claudio Roberto – Uah-Bap-Lu-Bap-Lah-Bein-Bum! – A Pedra Do Genesis: https://www.youtube.com/watch?v=NkbFMyjjtns

Mosca Na Sopa Entrevista Cláudio Roberto Sobre Suas Outras Composições: https://www.youtube.com/watch?v=IUXJlSUDoMY

Cláudio Roberto – A Festa Continua (Raul Seixas / Cláudio Roberto): https://www.youtube.com/watch?v=nlQLFXwablA

Chuva Amiga (Já Vai Chover) – Raul Seixas e Cláudio Roberto (Demo, 1977): https://www.youtube.com/watch?v=Ac9Ezy2aO2c

Cláudio Roberto e Terra Mar – Coisas Do Coração em homenagem aos 10076 anos de Raul Seixas:
https://www.youtube.com/watch?v=GrsfKCuOMkc

Pai Nosso Da Terra (Raul Seixas / Claudio Roberto) por banda Ira: https://www.youtube.com/watch?v=FJGLyE8o74U

Mosca Na Sopa Visita O Barracão Do Raul: https://www.youtube.com/watch?v=cXLKWu6jPz4

Documentário Maluco Beleza: https://www.youtube.com/watch?v=eIT-G3TKbz8 

Maluco Beleza (Raul Seixas / Cláudio Roberto) ao vivo em 1977: https://www.youtube.com/watch?v=bNzNNr6biu4 

Paulo César Barros, Cláudio Roberto e Osvaldo Celedon – Maluco Beleza: https://www.youtube.com/watch?v=JvwWZB1a3JM 

RAUL SEIXAS & CLÁUDIO ROBERTO PARCEIRO DE “MALUCO BELEZA” E DE TANTAS OUTRAS MÚSICA…BORA RAULZIAR?: https://www.youtube.com/watch?v=rloWMMW5NE0 

RAUL SEIXAS & CLÁUDIO ROBERTO PARCEIRO DE “MALUCO BELEZA” E DE TANTAS OUTRAS MÚSICA…BORA RAULZIAR?: https://www.youtube.com/watch?v=rloWMMW5NE0 

Cláudio Roberto fala sobre parceria com Raul Seixas nos 40 anos do Abre-te Sésamo: https://www.youtube.com/watch?v=d62RRDUyB4k 

Na Estrada do Mundo da Gaita – EP 3 – Cláudio Roberto “Maluco beleza”: https://www.youtube.com/watch?v=L0iPa5Th2DU 

Cláudio Roberto, parceiro musical de Raul Seixas, sobre Ed Motta: https://www.youtube.com/watch?v=Op09deb23iU  


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Antonio Carlos Da Fonseca Barbosa

Criador e Editor responsável pela revista digital RitmoMelodia desde 2001, jornalista, músico, poeta paraibano Antonio Carlos da Fonseca Barbosa, propaga a diversidade musical brasileira através de entrevistas e artigos. Jornalista formado pela Universidade Estadual da Paraíba - UEPB (1996 a 2000) que lançou um livro de poesia em 1998 e seus poemas ganharam melodias gravadas em três álbuns concluindo a trilogia "reggae baseado em poesia" no seu projeto musical Reggaebelde. Unindo a sensibilidade do poeta, músico com o senso crítico do jornalista e pesquisador musical colocado em prática em uma revista que Canta o Brasil.

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